segunda-feira, 12 de junho de 2017

MULHER-MARAVILHA (2017)


Havia resolvido dar uma pausa nos filmes de Super-heróis esse ano. Salvo "Logan", que era a despedida decente de Hugh Jackman como Wolverine e que me senti obrigado a assistir depois de tudo que a Fox fez com o personagem anteriormente e, "Homem-Aranha: De volta ao lar", que agendei mentalmente com a intenção de exorcizar os últimos dois filmes do herói, minha vontade de assistir qualquer produção dos grandes selos americanos era totalmente zero. Esse desinteresse se devia em parte, a fórmula repetitiva da Marvel, que depois de dez anos começou a me enjoar e, das decepções que a DC me proporcionou com "Batman vs Superman" e "Esquadrão Suicida". Então chegou junho, e da misteriosa e secreta ilha paraíso de Themyscira um símbolo de esperança surgiu e me fez voltar a ter fé que os filmes de Super-Heróis podem fugir das fórmulas pré-prontas e surpreender, Trata-se de "Mulher-Maravilha", filme estrelado por Gal Gadot e dirigido Por Patty Jenkins que chegou com tudo, quebrando paradigmas com sua espada e mostrando ao mundo tudo que o universo DC precisava ouvir e confessar, sem nem precisar usar o laço da verdade contra a editora.

"Mulher-Maravilha" é o primeiro (de vários) Prequels organizados pela Warner DC para contar a origem de seus personagens após os mesmos aparecerem no filme "Batman vs Superman"(2016)". Conta a história de Diana (Gal Gadot),a princesa das amazonas e filha da rainha Hipólita, que após ser treinada em segredo pela general Antiope e entrar em choque em seu último teste, se refugia na praia, onde acaba presenciando um acidente aéreo e resgatando o piloto britânico Steve Trevor (Chris Pine). Horrorizada com os relatos que o piloto faz a amazonas, de que o mundo está em guerra e, acreditando que a culpa desse mal se deve a Ares, o Deus da Guerra, Diana se dispõem a acompanhar o piloto em uma jornada de volta a Europa para caçar o responsável pelo sofrimento dos homens e restituir a paz, cumprindo o sagrado papel das Amazonas da ilha paraíso.

Terminei o filme empolgadaço e com um sorriso de orelha a orelha. Logo eu, que cheguei a pensar que o dia que eu elogiaria os filmes da DC jamais chegaria! Mas o que fazer? "Mulher-Maravilha" é um filmaço e que surge depois das decepções dirigidas por Zack Snyder e David Ayer, quase como uma aula de como entregar um filme honesto, como de o que é seu um herói de verdade.

Essa Aula, e o grande motivo do filme ser tão bom, sem sombra de dúvidas se deve a diretora, Patty Jenkins. A diretora de "Monster", filme que deu o Oscar a Charlize Theron, é pontual em suas escolhas para apresentar o mundo das amazonas e o primeiro contato de uma inocente Diana (inocente quanto a personalidade das pessoas, do resto ela manja muito!) e colocar a personagem em um lugar de destaque, tanto no universo DC, quanto no da cultura pop no geral, reafirmando a Mulher-Maravilha com símbolo de poder feminino e de força sem truculência (como infelizmente vimos nos últimos filmes da Warner/DC)



No entanto, é quase inegável, que a grande responsável pelo sucesso do filme é Gal Gadot. A atriz Israelense se impõem tão bem no filme, que rouba a cena estando em primeiro plano ou mesmo quando fica parada ao fundo. Além de linda (do tipo que sorri com os olhos) a atriz consegue passar realidade em sua interpretação, por mais estranho que isso possa parecer se tratando de um filme de super-heróis. Sua beleza só perde para seu carisma, que faz com que torçamos para ela, desde o primeiro minuto em que ela dá seu primeiro sorriso, isso tudo já havia sido percebido em "B vs S", onde a maioria do público concordou que a Mulher-Maravilha era a melhor coisa do filme e que se comprova nessa produção com grande mérito a atriz que a interpreta.

Outra outro fato que tem destaque no sucesso de "Mulher Maravilha" é o roteiro. Escrito por dois escritores de HQ, Geoff Johns, que é chefe criativo da DC nos cinemas (Sendo seu primeiro trabalho este maravilhoso filme) e Allan Heimberg que ganhou destaque em 2006 escrevendo os "Jovens Vingadores" para a concorrente; o roteiro acerta no alvo, ao optar em não fazer grandes mudanças na história da personagem em relação com sua origem nos quadrinhos e nem apresentar uma trama complexa demais, dando espaço para que todo tipo de pessoa presente no público se sinta fisgado pelo filme por um motivo diferente, pois embora simples, não faltam cenas engraçadas, de ação empolgante e até mesmo românticas nas quase duas horas e meia de história.

Além disso, o trabalho em equipe (direção / atuação/ roteiro) contribuem para uma série de momentos marcantes e importantes que o filme consegue traz para nos fazer pensar sobre nossa sociedade, sem torna-lo panfletário. Temos então uma cena cômica onde Steve Trevor, depois de interrogado pelas Amazonas, está tomando banho nu em uma piscina quando, ao sair é surpreendido por Diana que pergunta se todo homem é igual a ele, que responde que é acima da média, então ela pergunta o que é aquilo logo abaixo, e depois de alguns segundos de suspense cômico ele estende a mão e mostra um relógio e explica para ela que serve para dizer quando se deve acordar, comer, ir trabalhar, ao passo que a princesa das amazonas sorri e questiona de como uma coisa pequenina assim pode ordenar o que as pessoas podem fazer. Uma brilhante e sútil alegoria do roteiro e direção, utilizando o relógio como se falasse do pênis, para questionar o poder que a ele é atribuído por quem se acha acima da média.

Também temos a cena icônica da guerra, onde Diana parte sozinha em direção as metralhadoras alemãs, disposta a morrer para poder libertar as famílias que estavam sendo aprisionadas do outro lado da terra de ninguém e destruindo quase que sozinha toda linha alemã. Ou mesmo quando, presente na base britânica, ela dá uma lição de moral nos generais que diziam que a perda da vida de alguns soldados era algo aceitável. Lições de heroísmo e sacrifício que os filmes dos bombadões e destruidores de Zack Snyder ficaram devendo com juros alto. Sem contar que "Mulher maravilha" possui uma sequência final de batalha épica e um plot twist surpreendente.

No entanto, como eu sempre digo, nada é perfeito e o filme peca por ter muitas semelhanças com o primeiro "Capitão América" da Marvel. Para começar temos um super-herói (portando um escudo) que está disposto a combater os alemães; ambos juntam um grupo multi étnico para os ajudar; ambos perdem seus grandes amores (diana-Esteve Trevor e o Capitão América o Bucky (amizade também é uma forma de amor)) e acabam ao final de volta a ação nos dias de hoje; sem contar que assim como Steve Rogers (o capitão America) , Steve Trevor também desaparece em um acidente de avião (2 Steves e 2 Aviões). talvez até por isso, resolveram ambientar a trama na primeira guerra e não na segunda, mas ao final isso passa quase despercebido frente a todo o resto que a história traz (com a vantagem de que a Diana foi para cama com alguém em seu primeiro filme, enquanto o Capitão América está desde 1940 aguardando o "par perfeito para sua dança". Ponto para a princesa de Themyscira.

Eu poderia me estender por páginas e mais páginas para falar de com o filme "Mulher-Maravilha" é bom e vale a pena ser assistido, mas prefiro que, embora meus pequenos spoiler, as pessoas tenham a oportunidade de se surpreender com o primeiro filme bom da DC desde "Batman o cavaleiro das trevas" do Nolan. Mulher Maravilha é sem dúvida um marco para o cinema de Super-heróis, colocando no lugar de destaque tanto a personagem, quanto tudo que ela representa para as mulheres. Um ótimo filme, inteligente, bem humorado e com ação e drama na dose certa para não enjoar. Fico agora no aguardo para que todo o trabalho primoroso e ágil de Patty Jenkins e Gal Gadot não seja destruído com o filme da Liga de Zack Snyder e seus slow motions sem fim. Resta orar para que Zeus nos ilumine e a princesa da amazonas nos defenda.






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