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terça-feira, 29 de maio de 2018

Mortes em "Vingadores: Guerra Infinita".Quais os reais motivos.






Passou-se um mês da estreia de “VINGADORES: GUERRAINFINITA” e acredito que quem se interessou pelo destino dos personagens já deve saber que uma grande parte deles vai à Óbito durante a trama. No entanto, o que pouca gente sabe é que aquele discurso furado do vilão Thanos, afirmando que, para o universo progredir seria necessária a extinção de uma parte da vida de forma “aleatória” é uma grande mentira e que (quase) TODOS personagens mortos tiveram grandes motivos para suas desintegrações.
Para acabar de uma vez por com esse embuste proveniente da mente vingativa e inquisidora de um personagem de CGI, venho hoje revelar os pecados que levaram os heróis tombados até seu triste destino: (clique no nome do "motivo" para ver o trailer)

Gamora - MOTIVO: Crossroads (2002)
  Em 2002 a Diretora Tamra Davis trazia a público um filme onde, três amigas de infância partem em uma viagem pelos EUA para experimentarem pela última vez toda liberdade do final da adolescência e reafirmar os laços de sua amizade (vômito!), Sim, estou falando de “Crossroads: amigas para sempre”, filme protagonizado por Britney Spears (pré-surto) que tinha como uma de suas best friend , Zoe Saldaña, que antes de viver a badass Gamora, chorava sentada na beira de uma fogueira porque: “minha mãe me odeia porque sou mais bonita que ela!”... Confessa, tu também não a jogarias de um precipício?

Falcão – MOTIVO: Sem dor, sem ganho (2013)
Acho importante filmes baseados em fatos reais, pois quando bem escritos geram o desejo das pessoas conhecerem mais sobre história e fatos que perturbaram a sociedade. No entanto, quando uma situação na é deturpada na trama e tenta transformar um crime em uma comédia e assassinos em trapalhões marombados, não dá para perdoar. Pois é assim o filme “Sem dor, sem ganho” dirigido pelo famigerado Michael Bay e que, através uma espécie de comédia de mau gosto, conta a história do grupo chefiado por Daniel Lugo, um personal trainer, que resolve pular algumas etapas de sacrifício do sonho americano de enriquecer e sequestrar e matar para ter uma vida mais confortável; Nesse grupo dos amigos de Lugo, temos Anthony Mackie, o Falcão, parceiro fiel de Steve Rogers e que Thanos mandou para terra dos pés juntos sabendo que não se deve dar asas a cobras.

Pantera Negra – MOTIVO: Deusesdo Egito (2016)
O Filme Pantera Negra foi a mais feliz surpresa deste ano, dando uma aula de representatividade e carisma sem deixar a diversão de lado.Mas o que poucas pessoas devem lembrar é que antes de Chadwick Boseman viver o protagonista do segundo filme mais rentável da Marvel em 2018, ele viveu o Deus Thot em “Deuses do Egito”, um filme que , apesar de um elenco fantástico, trazia efeitos visuais vergonhosos, atuações vexatórias e um roteiro capaz fazer a própria esfinge enfiar a cabeça nas areias do deserto, justificando a morte do nosso querido príncipe T’challa.

Groot – MOTIVO: Triplo x (2002) & Tripo X –REATIVADO (2017)
Matar (de novo) o Groot parece uma tremenda sacanagem, mas ao lembrar que o responsável pela voz da carismática Árvore-humanoide é o Brucutu Vin Diesel e de suas interpretações canalhas na franquia triplos X (sem dizer de todos outros filmes), penso que ficou barato o que aconteceu com ele.


Star Lord – MOTIVO: O Procurado (2008)
Em 2008, os filmes de Super-Herói teriam uma revolução com a estreia de Homem de Ferro! Só que naquele mesmo ano, outro filme “baseado” em uma HQ estreou sem causar grande alarde, era “O procurado” que ficou marcado na memória coletiva da humanidade devido a suas balas atiradas em curva e assassinos contratados através de uma maquina de tear (não lembra? É porque o filme é ruim!). No elenco dessa maravilha, tínhamos o engraçadinho Chris Pratt, no papel do melhor amigo traíra do protagonista que ficou na minha memória por esse filme por levar com um teclado no meio da cara, o que Thanos achou pouco.

Dr Estranho – MOTIVO: O Quinto poder (2016)
Em 2013 chegava aos cinemas a cinebiografia de Julian Assange e a história da Wikliakes, e, o que era para ser uma empolgante história baseada nos eventos recentes de exposição e documentos secretos, se apresentou em um filme morno e chato que passou quase que despercebido e foi um fracasso de bilheteria, não podendo nem mesmo contar com a magia de Benedict Cumberbatch para que o filme tivesse um pouco mais de brilho, fato que, no meu coração, foi decisivo no destino do Dr. Estranho no final de “Guerra infinita”.

Drax – MOTIVO: O homem com punhos de ferro (2012)
Em 2012, o raper RZA realizou seu sonho de moleque de escrever e dirigir um filme de Kung-fu... e o filme é uma bosta! Totalmente filmado em estúdio, com personagens caricatos e idiotas e uma trama sem sentido, “O homem com punhos de ferro” é uma comédia involuntária de fazer a barriga doer de rir. Nesse pastelão, encontramos Dave Bautista (O Drax) começando suas aventuras no cinema depois de sua saída do WWE e interpretando um vilão tão meia boca que o desempenho o indicou como mais uma vítima de Thanos seis anos depois.

Feiticeira Escarlate , Mantis e Nick Fury – MOTIVO: Old Boy (2013)
Em 2002 o cinema Sul-Coreano chamava a atenção do mundo por uma Obra prima que abordava vingança, loucura e violência de uma maneira maravilhosamente Original, se tratava do novo clássico “OldBoy”, do diretor Park Chan-wook. Onze anos depois, o filme ganhou um remake desnecessário ambientado em terras americanas, onde a trama foi reduzida, os conflitos simplificados e a história que era densa transformaram em um filmeco de ação totalmente esquecível para nós, Mas não para o Titan louco!! Até por que Josh Brolin (que interpreta Thanos) é o protagonista desta droga e, talvez até por isso, tenha mandado para a terra dos pés juntos três infelizes que também estavam no filme... Samuel L. Jackson (Nick Fury) que fazia o papel do carcereiro do protagonista, Pom Klementieff (Mantis) que faz a guarda costas do antagonista e Elizabeth Olsen (Feiticeira escarlate) que faz a filha do protagonista. Mortes merecidas.

Soldado Invernal & Homem–aranha: Como em toda Guerra existem injustiças ... para não dizer que toda guerra é injusta... Talvez por isso o Soldado Invernal e o Homem-Aranha tenham ido a óbito, pois nada justifica a morte dos dois... não lembro de nenhum filme, série ou tweet que justifique a morte de ambos, apenas o recado implícito de que coisas ruins podem acontecer para pessoas legais... Ou talvez por um ser um adolescente chato e o outro um ex-assassino de um grupo terrorista... Mas acho que foi injustiça de guerra mesmo.

Bom, os pecados que levaram os muitos dos vingadores a morte foram expostos, desmentindo o discurso de aleatoriedades na escolha de quem vive ou quem morre proferido pelo vilão Thanos, só não consegui entender porque o capitão América não morreu, mesmo seu interprete sendo o mesmo do “Tocha-humana” dos dois primeiros filmes do Quarteto Fantástico, ou mesmo a  Viúva Negra, depois que Scarlett Johansson fez “Sob a pele” e “Lucy” , mas como dizem, gosto é gosto e não chamam Thanos de “O Titan louco” à toa.


sexta-feira, 18 de maio de 2018

DEADPOOL 2 (2018)






Chegou aos cinemas Brazucas nesse dia 17 de Maio do ano da graça do nosso senhor Jesus de 2018, “Deadpool 2”, a continuação do surpreendente sucesso  de 2016 estrelado por Ryan Reynolds na pele do mercenário tagarela mais querido da Marvel e, antes que o meu poder mutante de dizer que ESSE FILME É MELHOR DO QUE “GUERRA INFINITA” e repetir à exaustão as piadas com o universo DC comece a falhar, garanti meu confortável lugar no cinema para poder expressar minha desinteressante opinião sobre esse filme que é um dos mais esperados pela galerinha que curte uma cultura pop.

Na história, Wade Wilson /Deadpool (Reynolds) segue sua vida rotineira como assassino profissional, tendo o taxista Dopinder (Karan Soni) como motorista e o barman Fuinha, como conselheiro e agente; tudo segue “Tranquilamente” até que uma emboscada arranca de seu coraçãozinho imortal seu motivo para viver. É quando, Preocupado com a situação de nosso herói, Colossus, o mais camarada dos x-men, resgata Wade de sua jornada de autodestruição e o junta à equipe do Professor Xavier, só que em sua primeira missão, o mercenário se depara com um jovem que se intitula “Firefist”, com quem, após ouvir sua história e acabar indo preso junto, desenvolve uma relação de amizade baseada na total falta de noção. Nesse exato momento, mas no futuro (por menos lógico que isso pareça), o misterioso e letal Cable (Josh Brolin) se prepara para retornar para o passado, para se vingar do responsável pela morte de sua família, o psicopata conhecido como ... “Firefist” (ele mesmo, o moleque esquentadinho). Resta então a Deadpool formar uma equipe de “elite” para resgatar o jovem amigo e convencer Cable de que o futuro pode ser mudado, com muito tiro, porrada, bomba e uma dose cavalar de humor negro.

O filme é muito bom, mas o que tem de melhor é que ele dá continuidade ao estilo que resultou no sucesso do primeiro e ainda cresce expandindo o universo centrado no protagonista, abrindo as portas cinematográficas e dando destaque a personagens intimamente ligados a ele nas HQ’s, como Cable e Dominó, assim como acerta em corrigir a imagem de outros personagens que, tais como  o próprio Deadpool em “X-men Origens:Wolverine”, foram sacaneados em filmes anteriores.

Quanto à introdução de Cable e Dominó no cinema, gostei mais da sortuda e carismática mutante do que do carrancudo viajante do tempo. Dominó tem uma crescente no filme bem bacana, onde surge na entrevista de candidatos para o time de resgate de forma despretensiosa, dizendo que a sorte a levou até ali e que esse era seu superpoder, levando a uma discussão infantil de uns três minutos com o protagonista, sobre o fato de a sorte ser ou não ser um superpoder; o que vemos ser comprovado, quando no ato do resgate, tudo que é preciso acontecer para que ela consiga sucesso, acontece mesmo e em cenas muito bem construídas e divertidas. Cable, por sua vez, embora não decepcione com a aparência idêntica a das HQ’s e seu estilo durão, e, tenha um bom motivo para voltar no tempo, deixa muitas questões em aberto, como, por exemplo: - Se qualquer um (pois ele parece ser um “qualquer um”) tem acesso a um dispositivo de volta no tempo, por que ninguém voltou antes e acertou o passado? Contra quem ele lutava no futuro? Ele é um mutante igual nos quadrinhos? Se sim, quais seus poderes, já que ele só aparece utilizando armas? Perguntas que não possuem respostas no filme e que parecem deixar o personagem um pouco solto; questões que podem vir a ser uteis quando se pensa que a origem do personagem pode ser melhor aprofundada no spin-off “X-Force” já confirmado pela FOX, mas que faz falta nesse filme.


Já sobre as correções com os personagens que foram injustiçadas antes, os grandes representantes dessa volta por cima que o filme oportuniza são o Colossus, que já havia ganhado um destaque no primeiro filme e que retorna ainda mais bacana e carola e o vilão Jugernaut ou Fanático (como chamamos aqui em terra brazilis) que surge como uma surpresa no meio da trama para incendiar a situação. Juntos, esses pesos pesados se destacam no terceiro ato em uma cena de porradaria com franca trocação, recuperando a honra de um Colossus que não tinha o menor carisma e que quase nem falava em “X-men 2 e 3” e que só apanhou em “Dias de umfuturo esquecido” e de um Fanático vergonhoso de “X-men 3” que só corria e quebrava parede, sendo derrotado pela Kitty Pryde e o sanguessuga.

Mas não podemos parar de falar dos grandes destaques do filme sem citar a “X-Force” formada no filme. Com mutantes de segundo escalão do naipe de “Zeitgeist” que vomita ácido (interpretado por Bill Skargard); “Bedlam” que cria um campo bio-elétrico capaz de influenciar máquinas e o cérebro humano (Interpretado por Terry Crews); Peter, que é só um cara normal, além de ShatterStar e Vanisher, a equipe se apresenta como o grupo mais fadado ao fracasso e azarado de todos os tempos e sem o menor motivo para ir lutar, em uma ponta (por assim dizer) que consegue ser a coisa mais frustrante e ao mesmo tempo a mais genial aula de humor negro da história dos filmes de super-heróis, me arrancando gargalhadas de nervosismo. (Não estragarei a surpresa, mas só digo uma coisa se tratando da “X-Force”: Não acredite nos trailers).

Mas apesar de tudo de bacana que o filme tem, ele possui seus defeitos. O maior, a meu ver, como citei acima, são as motivações de alguns personagens, tais quais os membros da primeira formação da “X-force”, que vão surgindo após uma anuncio e partem para uma missão maluca de resgatar um desconhecido de um comboio que leva os mutantes mais perigosos para ser congelados em animação suspensa sem a garantia de uma recompensa ou mesmo de vida; coisa parecida que acontece com o Fanático, que se apega ao jovem Firefist e resolve ajuda-lo a se vingar sem nenhum retorno aparente, isso tudo sem contar que uma das cenas pós-créditos destrói todo o crescimento que o personagem tem durante a história e até a decisão de Cable em ficar no presente, mas que mesmo assim, é muito bacana. Mas o que eu queria né? É um filme do Deadpool, constância e sentido não são os primeiros itens que devem ser levados em conta e sim o sangue e a zoação e nessas questões, o filme não erra em nada.

“Deadpool 2” é tudo que foi prometido na cena pós crédito do primeiro filme e em seus próprios trailer (menos no que diz respeito a X-force), sendo melhor que “Guerra infinita” , “Jogador n°1” e ficando abaixo de “Pantera Negra” apenas por não transmitir uma mensagem tão poderosa quanto a do filme do rei de Wakanda e trilhar o caminho da zoeira. Um filmaço que consegue misturar com pontualidade humor e ação, se tornando o segundo melhor filme dentro do universo mutante (depois de Logan) e certamente o mais maluco e divertido filme baseado em quadrinhos de 2018.



quarta-feira, 2 de maio de 2018

VINGADORES: GUERRA INFINITA (2018) ou, Thanos: O filme








  Em mil novecentos e noventa e nove, o marcante Agente Smith proferia em “Matrix” uma frase que ecoaria anos a fio na cultura pop, que “O ser humano é um vírus” que pula de região em região devastando e consumindo todos os recursos até que não sobre nada, sendo a única solução para que o sistema se equilibre a total extinção do vírus. Anos depois, em 2008, quis o destino irônico que Keanu Reeves (O antagonista de Smith em “Matrix”) interpretasse Klaatu em “O dia em que a terra parou” ,um Alienígena, que se dizendo amigo da Terra, vem dar um fim à raça humana antes que ela acabe com todas as outras formas de vida do planeta. Então, Eis que quase vinte anos depois do Agente Smith e dez de Klaatu, outro vilão surge para ampliar as ideias de seus predecessores em níveis galácticos ao afirmar que “há vida demais no universo” e isso deve ser contido. Trata-se do ecoterrorista mais casca grossa que já nasceu ou, Thanos, o Titan Louco, para os íntimos, que chegou aos cinemas nesse último dia vinte e seis de Abril para bater de frente com os “Heróis mais poderosos da terra” em um dos filmes mais esperados da década, trata-se de: “Thanos, O filme”, digo: “Gente de mais para duas horas e meia”, ou melhor, “Vingadores: Guerra Infinita”, filme dos irmãos Russo que (quase) fecha a “Trilogia” Vingadores.


  O Filme trás finalmente para as telonas, os plano de Thanos de reunir as joias do infinito e colocar em prática sua ideia de dar equilíbrio ao universo... aniquilando metade da vida existente nele! (É isso), junto disso, dá sequência aos acontecimentos que envolveram os vingadores (ou aos personagens que faziam parte desse grupo) após a “Era deUltron” e “guerra civil”, unindo em um único filme (quase) todos os super-heróis do universo cinematográfico Marvel.

   Pois então, saí de casa com a expectativa lá em cima, havia assistido à “Pantera Negra” um mês atrás, fato que renovou minha fé nos filmes baseados em quadrinhos, estava levando meu filho de quatro anos pela primeira vez ao cinema e veria Thanos em ação de verdade depois de quase seis anos. Mas ao final das quase três horas , salvo muitas cenas divertidas de ação e do apelo visual que o filme tem, saí com a irônica sensação de que, justamente na história onde o maior vilão da Marvel tem por objetivo encontrar o equilíbrio para o universo, a história que me foi apresentada não estava perfeitamente calibrada.

   Quem sou eu para contestar os planos do Thanos do filme! Eu trabalho com contabilidade, estoques e compras, e, já fiquei parado na fila “expressa” do Supermercado esperando a caixa trocar o rolo de papel da máquina registradora mais de uma vez, ou seja, também acredito que se metade das pessoas não existisse, o universo entraria em equilíbrio, mas eu não sou ninguém... Thanos, ao contrário de mim, é um alienígena com centena de anos e uma das criaturas mais poderosas do Universo Marvel, que têm (ou deveria ter) objetivos e questões que vão além da compreensão e sentimentos humanos, então apresentar o cara como um ecoterrorista que se acredita iluminado pela certeza de que o universo, com a quantidade de vida que possui, irá ruir e para gerar o equilíbrio necessário precisa mandar 50% das formas de vida para a terra dos pés juntos, mas mesmo assim tem espaço em seu coraçãozinho para o amor, me parece uma ideia não tão bem executada de tornar o vilão compreensível e carismático. Thanos, para funcionar, deveria parecer caótico para nós e plenamente crível e competente para si e quem o conhece melhor, uma mistura de inteligência indiferente, força destruidora mas controlada e imponência, mas embora eu perceba isso, também não sei como faria isso em um filme PG13, mas como já falei, eu sou um ninguém, não um estúdio bilionário.

  
O protagonista
Essa ideia de dar destaque ao vilão, para, entre outras coisas, marca-lo na história do estúdio, assim como a concorrente fez com o Coringa de “Batman: Cavaleiro das trevas” tirou o foco dos quase trinta heróis que aparecem em cena, reduzindo quem dá nome ao filme a meros coadjuvantes de luxo, com quase nenhum aprofundamento e isso me incomodou bastante. Mas mesmo com essa predileção do roteiro pelo vilão, o filme está longe de tropeçar e encontra espaço para que alguns dos personagens mais queridos da gurizada brilhem quando se torna preciso, como o caso do Homem-Aranha, que trás , assim como em “guerra civil”, aquele espirito moleque para trama, o que além de empolgar com sua presença em cena, faz com que nos preocupemos com qualquer coisa que possa vir a acontecer com o jovem Peter Parker; Outro que se destaca também é Dr. Estranho, principalmente na épica batalha em Titan, com o feiticeiro supremo, mostrando que desde seu filme solo andou elevando seu nível para fazer jus a seu título e deixando em aberto um possível plano para o próximo filme.

  
"Uma mistura de anjo com pirata"
Quanto a experiência que o longa me trouxe, longe de mim dizer que o filme é ruim, pelo contrário, o fato é que só não achei ele tão bom como outros que o estúdio já apresentou, como “Pantera Negra” e “Capitão América: Soldado Invernal” , talvez porque nessa nova história a Marvel pareça regredir novamente ao filme cheio de piadas e ação não expondo aquele sentimento heroico que estes outros dois filmes expuseram tão bem, ou talvez por se tratar de um filme para apresentar uma situação que será resolvida só depois (no exato 03.05.2019) em Vingadores 4. No entanto, sua ação constante, com cenas de batalhas épicas que se realizam no campo e na cidade, na Europa, África e América, na Terra ou Titan, prendem a atenção de qualquer um que vai ao cinema ver a pancada correr solta entre super-heróis x Alienígenas, sem dizer que os efeitos especiais conseguiram hipnotizar meu filho e deixa-lo com um sorrisinho no rosto, embora ele tenha cochilado um pouco quando o vilão começou a falar e a falar.

     Mas apesar de algumas escolhas de roteiro que não me agradaram por completo, como a tentativa de mudar o status do vilão para o de anti-herói, o pouco tempo para respirar e dar profundidade aos personagens em meio a tanta ação e a Scarlett Johansson loira e não ruiva, o filme entrega o que promete, principalmente quando o entendemos como uma ponte, feita para nos levar até, ao que parece ser, um final marcante dessa geração de dez anos de Universo compartilhado Marvel.  No entanto, vale a lembrança dos filmes que citei no inicio do texto e que tinham em comum além da ideia de que se livrar de uma quantidade de gente pode ser um benefício ao mundo ou universo, o apelo ao carisma do vilão como sustentação da história, o que acabou não funcionando em “O dia que a terra parou”, que é uma refilmagem de um filme clássico de 1951 e que não acançou o sucesso pretendido e as sequências de “Matrix”, que se perderam em si mesmas ao dar o peso maior que o necessário ao antagonista. Obviamente  Thanos e todo universo MARVEL estão anos luz em popularidade e qualidade que o pretensioso filme de Klaatu e comparando com "Matrix", todo o planejamento da franquia de 10 anos do estúdio Marvel deixa a história das Irmãs Wachowski no chinelo e certamente esse filme arrecadará uns dois bilhões de dólares, mas mesmo com toda empolgação e publicidade, sempre há o perigo de um tropeço justo na hora da cereja do bolo. Mas Fica agora a torcida para que a sequência de “Guerra Infinita” corrija as pequeníssimas falhas da história de 2018 e dê o protagonismo a quem da nome ao filme, antes que o grande final de uma história de dez anos, acabe virando pó.




domingo, 8 de abril de 2018

PANTERA NEGRA (2018)






    Tenho imensa dificuldade de escrever sobre o que, a mim, se encontra muito acima da média. Por esse motivo, dentro dos estilos que me atraem mais, nunca escrevi sobre o livro “1984” e os filmes “Batman: Cavaleiro das trevas” e “Capitão América: Soldado invernal”. No entanto, existe casos tão extraordinários que mesmo sabendo da minha inabilidade em abordar os porquês de sua real relevância, é impossível não registrar minha rasa opinião.

  Uma dessas exceções é o filme de maior sucesso do ano, que, além de levantar a autoestima de um público que se via apenas como coadjuvante, vem colecionando recorde atrás de recorde e mostrando que o tido como “exótico” ou fora do padrão, quando trabalhado com talento e honestidade podem ser a receita do sucesso. Trata-se de “PANTERA NEGRA”, o décimo sétimo filme da Marvel, Dirigido por Ryan Coogler e estrelado por Chadwick Boseman, Lupita Nyong’o, Michael B. Jordan e grande elenco, que chegou de forma sorrateira e mostrou suas garras ao mundo.


O filme dá sequência a história do príncipe T’challa (Boseman), o Pantera negra, apresentado em “Capitão América: Guerra Civil”, com o herói retornando à seu reino, a misteriosa e desenvolvida, embora dissimulada como país de terceiro mundo, Wakanda; para enterrar seu pai, morto durante a trama do terceiro filme do líder dos vingadores,  dar inicio aos rituais de sua coroação e  tratar de assuntos  de interesse do estado como  a captura do inimigo número um do país, Ulysses Klaue (Andy Serkis). É durante essas suas  obrigações que T’challa  se vê diante de um antagonista à sua altura e uma verdade capaz de o fazer questionar os valores que fazem um rei.

  O Filme consegue dar sequência aos já habituais sucessos da Marvel, ao mesmo tempo em que inova ao apostar em uma trama mais séria mirando em assuntos  como a questão da crise dos refugiados, racismo e representatividade, mas sem com isso perder nada em diversão e ainda, de quebra, apresentando uma mitologia jamais antes mostrada com o valor merecido, e que disse a quem quis ouvir, com o sucesso do filme, que deve continuar sendo explorada.

   Essa mitologia, que dá  protagonismo as cores e ritmos da África, é em grande parte o segredo do sucesso do filme. A cultura africana, que sempre foi, de forma preconceituoso, tida como algo de segunda linha e de menor valor para uma sociedade que sempre foi norteada por padrões europeus e que vem sendo descoberta como rica e digna de orgulho pelas novas gerações, se une a ficção científica e uma trama de espionagem para colocar na tela um filme onde o negro é protagonista de sua própria história e capaz de a resolver sem o intermédio de nenhum salvador externo seus problemas e os de quem os cerca.

   Mas para uma trama que fuja tanto do padrão habitual fazer o sucesso que o filme vem fazendo, ainda mais dentro do universo dos super-heróis onde a representatividade ainda é mínima, é necessário um elenco capaz de fazer com quem assista ao filme acreditar no que está vendo. E isso é uma das maiores certezas do filme e o segundo motivo que levaram “Pantera negra” a se tornar uma das dez maiores bilheterias de todos os tempos. Com atores do nível de Chadwick Boseman , Lupita Nyong’o,  Michael B. Jordan, Danai Gurira, Daniel Kaluuya,  Forest Whitaker entre outros, representando personagens imponentes e orgulhosos, sem dizer que tridimensionais e sem a mínima carga de submissão a uma sociedade que os subestima, fica ainda muito mais fácil ao filme divertir, ao mesmo tempo que passa uma mensagem sutil de amor  próprio e orgulho das raízes, sem precisar diminuir caricaturar ninguém que é diferente.

  Sabendo do segredo do sucesso do filme, que, como já disse, a meu ver, são resultado da química entre a mitologia apresentada e o elenco de talento, não posso deixar de falar também de outras três peças chaves em “Pantera Negra”, que são o protagonista que se impõem sem precisar sabotar os demais personagens, O vilão que consegue passar uma mensagem a ponto de ser compreendido e a força das personagens femininas que sustentam a trama.

   Sempre fico feliz quando a trama não mima o protagonista, precisando diminuir os que o rodeiam para eleva-lo e, em “Pantera Negra”, isso acontece abertamente. A história protagonizada por T’challa se mantém forte, mesmo quando ele não se encontra em destaque, mas quando o mesmo está em cena, consegue impor sua força a ponto de se tornar marcante, tanto através dos conceitos e valores que formam o personagem, quanto pela imagem do herói e da  atuação bem a vontade que Chadwick Boseman consegue transmitir.

  Quanto ao vilão Erick Killmonger , interpretado por Michael B. Jordan (que mesmo com tudo que faz, o vejo mais como antagonista), O fato de começar em um papel secundário dentro dos próprios opositores do protagonista na trama  e ir crescendo a ponto de se tornar um oponente à altura do herói e com motivos críveis, como a vingança pelo pai e a revolta por ver seus iguais abandonados por Wakanda, quase fazem que esqueçamos seu extremismo e violência, só relembrando nas cenas finais do filme, mas que são abafados, ao término da história, por uma das frases que o filme deixou marcada, colocando Killmonger como um dos antagonistas memoráveis do cinema atual.

"Jogue-me no oceano com meus antepassados que pularam dos navios, porque sabiam que a morte era melhor do que a escravidão." Killmonger

   Em terceiro, mas não menos importante, temos a força feminina presente na trama. E que força! Não é preciso muita atenção para ver que as mulheres dão o movimento ao filme. Seja com a inteligência de Shuri, a irmã caçula do agora Rei T’challa, que cria diversos dispositivos de espionagem ao herói, além de ser o personagem responsável pelo bom humor e uma pitada de inocência na trama, colocando alguns sorrisos e nós  na garganta de quem assiste ao filme. Do mesmo modo temos Nakia (Lupita Nyong’o) que embora interesse romântico do herói, não se limita ao papel de donzela apaixonada e além de colocar a mão na massa, trabalhando como espiã e guerreira, ainda trás para o herói, questionamentos quanto ao posicionamento do país frente aos problemas do mundo e tomando para si a responsabilidade de defender o reino, quando Killmonger surge e T’challa some. Também não podemos deixar de falar das Dora Milage, A guarda pessoal do rei de Wakanda, composta só por mulheres, que tem na general Okoye (Danai Gurira) seu principal nome; é ela que tem grandes cenas de ação, como no Cassino clandestino e na perseguição de carros pelas ruas de Seul, mas que também empresta força dramática ao demonstrar, após metade do filme, o peso da dedicação total ao estado que o cargo exige e que simboliza o sacrifício de algumas escolhas exigem, situação que  fala ainda mais alto observando sua condição feminina e os desafios e obstáculos que nosso mundo impõem às mulheres fortes.
  
Nakia & Shuri
    “Pantera Negra” é um sucesso de público e critica. Surpreendeu o mundo ultrapassando a marca de um bilhão de dólares arrecadados ao redor do globo e reafirmou o orgulho de um publico acostumado a se ver no cinema como elenco de apoio ou vilão, quase sempre marginalizado ou precisando de ajuda. Tornou-se uma marca no cinema e símbolo de orgulho ao mostrar para sociedade que filmes de pessoas negras, onde a eterna luta para se destacar contra o preconceito não é o assunto principal, mas sim uma trama onde o negro, visto como pessoa, seja dono de sua história com altivez e orgulho, dá destaque ao estúdio e muito lucro, sem contar que gera a empatia em quem, antes não acostumado a assistir um grande filme ambientado na África (mesmo um África imaginária) agora enxerga com mais facilidade o negro em todas as facetas, seja de vilão, herói, piadista, cientista, rei ou soldado mas principalmente longe do estereótipo.

    Por essas e outras acredito que “Pantera Negra” já é o destaque do ano, mesmo que tenha estreado em Março e se causou certo desconforto em algumas mentes mais reacionárias que não conseguem admitir o empoderamento do negro devido a uma África fictícia, mas que vibram com sete reinos mágicos e Asgards encantadas, a mim só trouxe felicidade por tudo que expus no texto acima, me ajudando a desbloquear minha capacidade de escrever sobre algo que, a mim, está acima da média dentre seus iguais e afirmando a certeza de querer assisti a mais histórias de Wakanda e seu protetor nos cinemas em breve.  

 Wakanda Forever!



domingo, 4 de fevereiro de 2018

O ABUTRE (do Homem-Aranha) e a importância de um bom vilão





      Já faz um tempinho que ando deixando de lado os filmes e séries de Super-heróis. Para eu perder meu tempo com um filme desse estilo, ele tem que conversar muito comigo e já que isso não vem ocorrendo , não fiz a mínima questão de assistir “Justiceiro”, passei longe “Defensores” e “Punho de ferro”, corro da série do “Flash”, desligo a TV quando passa “Arrow” e, só assisti “Thor: Ragnarok” depois que todo mundo concordou que era uma comédia e “Liga da Justiça” para dar minha última chance a DC/Warner. Mas virou e mexeu e um dos filmes que me empolgou quando anunciado (mas que não tive paciência para ir conferir no cinema) surgiu na minha TV em um sábado ocioso, trazendo a mim uma surpresa que valeu suportar as mais de duas horas de sofá em um dia de trinta e três graus . Trata-se de “Homem-Aranha: de Volta ao lar” e um dos melhores vilões do universo cinematográfico da MARVEL (e Sony) até o presente momento.

   Pois bem, Sobre o Homem-aranha, não há nada que eu possa acrescentar ao falar do filme do amigão da vizinhança, a não ser afirmar que essa nova produção é infinitamente melhor que as protagonizadas por Andrew Garfield (que se diziam espetaculares) e que as piadas características do selo Marvel fazem muito mais sentido nessa trama do que em uma história do Capitão América ou do Thor (embora esse último seja bacana, como eu disse na resenha), mas o que mais chamou minha atenção é o personagem interpretado por Michael Keaton (O Abutre), que no meio de situações incríveis e fantásticas consegue transmitir a credibilidade que anda faltando aos antagonistas presentes nesse estilo de filme.

  E o que o Abutre tem?


   Para começar, pela primeira vez, vemos a Marvel entregar um vilão com pretensões tangíveis e não com planos megalomaníacos. O abutre não quer dominar o universo, ou escravizar um mundo; muito pelo contrário, quanto menos notarem sua presença melhor para ele, pois seu único desejo é pagar as contas em dia e poder proporcionar uma vida descente a sua família ( tá bom , talvez uma casa na praia e um carro novo também!), o que, somando a visão empreendedora abordada desde o início do filme quase o define como um conservador; excluindo o fato que sua personalidade agressiva em excesso não lhe proporciona limites caso necessite  passar sobre uma lei ou matar um desafeto.

  
Essa agressividade, natural da personalidade do personagem e também dominante no ambiente em que o mesmo vive, fazem esse conservadorismo cair por terra  quando o vilão dá seu discurso, que mesmo servindo para distrair o herói em uma das cenas mais importantes do filme, não deixa de falar um pouco sobre sua própria visão de mundo onde reconhecemos um pouco da filosofia de Raskolnikov (de “Crime e castigo”) que fala da força e superioridade dos homens que tomam para si o que querem, com uma pitada da anarquia sonhada por Thiller Durden (de “O club da luta”) quando ele parece virar as costas para o que a sociedade diz ser o certo.

   Outro fator que agrega ao Abutre ainda, é o fato dele não precisar de poderes ou uniforme para ser ameaçador. Isso fica bem claro quando o vemos resolver as ameaças de um ex-parceiro no inicio do filme e, principalmente, quando ele descobre quem é o Homem-Aranha e tem uma conversa breve, mas cheia de tensão com o Jovem Peter Parker, que não consegue sequer encará-lo. Sua abordagem lembra em muito as apresentadas por outros vilões marcantes, como Tony Soprano ou Walter White, e que eram ameaçadores não por sua força física ou algum poder especial, mas pelo respeito e temor que suas presenças impunham.

    Por esses detalhes, considero o Abutre a melhor coisa, nessa nova versão do cabeça de teia até aqui, que a Sony trouxe para agregar o universo Marvel nos cinemas, com seus pés na realidade, embora todo o resto sobrevoe o mundo fantástico dos quadrinhos, o vilão dá novos ares, embora  rarefeitos até o momento, aos antagonistas de filmes de super-heróis de que um bom vilão faz um bom herói.

   Que mais vilões críveis e carismáticos venham nos próximos filmes .




sábado, 18 de novembro de 2017

LIGA DA JUSTIÇA (2017) : Ufa DC, ufa!!




Já dizia Marco Aurélio: “É melhor ser reto do que retificado”, e quem pode discordar do imperador e filósofo romano? Até porque, fazer o mea culpa e tentar recomeçar, ainda mais em tempos como os em que vivemos, onde um tropeço é o suficiente para uma enxurrada de críticas ou o total desprezo, não é nada fácil. Mas nem todos têm uma educação estoica como o nobre romano, não indo longe da mediocridade humana e nessa, penso que o oportuno refrão da música “Velocidade da luz” do grupo Revelação, onde se diz “... todo mundo erra sempre, todo mundo vai errar!” fale mais alto do que qualquer frase solta de velhas filosofias.

Foi com esse pequeno texto em mente, repetido a exaustão como um mantra, que entrei quinta (16/11) na sala de cinema para assistir a “LIGA DA JUSTIÇA”, o quinto filme do universo compartilhado da DC / Warner (terceiro dirigido por Zack Snyder) que, depois dos fracassos de crítica de “B x S” e “Esquadrão Suicida” chegou aos cinemas dia 15 de Novembro com a obrigação moral de, junto do sucesso de “Mulher-Maravilha”, redimir todo o projeto da DC e deixar claro aos fãs que, persistir em erros não é algo digno do sangue das amazonas, dos filhos de Krypton ou de cavaleiros das trevas.

O filme segue os acontecimentos explorados em “Batman vs Superman”. Depois da morte do homem de aço, Bruce Wayne, contando com a ajuda de Diana Prince, vai atrás dos indivíduos com habilidades especiais descobertos por Lex Luthor para ajuda-los a deter a invasão com a qual teve uma visão no filme anterior.  No entanto, enquanto o cavaleiro das trevas recruta com dificuldades Aquaman, Cyborg e Flash (esse nem tanto) para o seu time, um mal ancestral, invocado pelas caixas maternas (três relíquia alienígenas de posse dos Atlantes, Amazonas e humanos), desperta para conquistar a terra (UuuuuUU), devendo essa nova aliança a árdua missão de impedir o mal que cobiça o nosso mundo.

Não sei se foi o meu mantra, as refilmagens feitas por Joss Whedon ou simplesmente a ausência dos filtros sombrios de Zack Snyder, mas saí da sala de cinema bem mais satisfeito do que eu imaginava que sairia.  Pela segunda vez (dentro desse novo universo) a Warner conseguiu trazer um filme descente envolvendo os personagens da DC comics. O filme tem problemas? Sim, tem e falaremos deles mais abaixo, mas os mesmos conseguem ser diluídos naturalmente em meio a uma trama que foca mais em divertir do que tentar mostrar toda a amargura que repousa no coração dos heróis, como os filmes anteriores dirigidos por Snyder.


Para começar, gostei bastante da pegada mais cômica dessa produção, principalmente das cenas protagonizadas pelo Flash, que é interpretado por Ezra Miller (nunca critiquei) que, apesar de utilizar o nome do mais famoso flash (Barry Allen), trás uma versão do personagem para o cinema bem diferente da vista na série da CW, ao apresentar um mix dos “flashes” mais icônicos das HQ’s. No filme, Barry Allen, em uma versão bem mais jovem do que antes vista, lembra muito mais o leve e engraçado Wally West, sobrinho de Allen nos quadrinhos e que foi o flash depois da Crise nas infinitas terras (onde Barry morreu) ou até mesmo Bart Allen, o atrapalhado neto de Barry, que vem do futuro para aprender a usar seus poderes e que fez sucesso ao integrar a Justiça jovem junto com o terceiro Robin e o segundo Superboy nos anos noventa, do que o sério Barry Allen que eu acompanhava nos gibis publicados em formatinho nos anos oitenta aqui no Brasil. E é através dessa versão do Flash que somos apresentados ao novo ponto de vista do projeto da DC nos cinemas, muito mais colorido e menos amargurado, onde apesar do trauma inicial (teve a mãe assassinada quando era criança) o jovem herói ainda consegue se maravilhar com o mundo novo que se mostra a ele após conhecer Bruce Wayne (vide cena na Bat-caverna) e ter esperança na justiça, ao não desistir do pai que é acusado de assassinar sua mãe e que ele sabe que é inocente, assim como se arriscar para salvar outras pessoas, em meio a uma invasão alienígena, mesmo nunca tendo participado de uma batalha de verdade.

Outro ponto bacana do filme é o retorno do Superman (spoiler) e a nova personalidade que deram para o maior herói das HQ’s da DC. Depois de dois filmes mostrando um Clark Kent que beirava o egoísmo, para não dizer que o abraçava por completo, onde o mesmo, ou estava mais interessado em bater em Kryptonianos que olhavam torto para sua mãe ou para ele em “O homem de aço”, não se importando em destruir Smallville e Metrópolis no caminho, ou proteger quase exclusivamente seu interesse romântico, a onipresente Lois Lane em “B vs S”, agora ele finalmente lembra aquele “farol ético” que é capaz de conduzir a humanidade ou se sacrificar por ela  sem pensar duas vezes. Isso fica bem claro na sequência de batalha onde, após ouvir os apelos de pessoas que se encontram ao redor do lugar ameaçado, ele deixa seus novos super-amigos com a missão de vencer o grande vilão e parte para o resgate nos presenteando com uma sequência que é a cara daquele homem de aço das HQ’s, sendo tão heroica quanto cômica.




Sobre a Mulher-Maravilha há muito pouco para se falar, a não ser que ela continua tão maravilhosa quanto nos outros filmes onde apareceu para iluminar, ficando claro que, se o universo DC parece começar a funcionar, ela é a principal responsável. Vale também uma menção honrosa ao esforço que a produção fez e o sucesso que obteve ao dar carisma e relevância a alguém como o Aquaman, pois , com certeza, não é fácil colocar um personagem cujo poder mais famoso, depois de respirar em baixo da água, era falar com peixes, no nível de Mulher-Maravilha e Batman e, mesmo esse fato virando uma piada que é repetida duas vezes dentro do filme, suas cenas de batalha e presença, somados à alguns momentos de comédia (como quando eles estão indo para a batalha final e ele senta sobre o laço da verdade) fazem com que realmente nos importemos com o herói, fato que também serve para o Cyborg, que mesmo tendo menos carisma, surge na trama como chave para entender e “desligar” as caixas maternas, além de ter uma crescente sintonia com o Flash que pode ser a semente de uma parceria bem bacana no futuro.


No entanto, como eu disse acima, o filme também tem seus problemas e nenhum é, para mim, maior do que o Batman. Nas HQ’s, Bruce Wayne sempre teve sua inteligência, foco e força de vontade (além da habilidade física) como seu verdadeiro super poder (e não a riqueza) e estes eram controlados por uma seriedade que conseguia inspirar o respeito de todos, já em “Liga da Justiça”, apesar de não nos depararmos com um Batman assassino e descontrolado como o de “B vs S” novamente não temos a presença DO Homem-Morcego. Desta vez o que encontramos é um alívio cômico que serve de escada para toda sorte de piadas (quando elas não surgem dele mesmo), gaguejando e fazendo cara de susto a todo o momento e que, além de parecer fugir da liderança da equipe, repassando isso, uma hora para a Mulher-Maravilha e outra para o Super man, termina quase como o expectador da batalha final ao se encarregar dos vilões coadjuvantes (os para-demônios), não parecendo nem de longe, aquele super detetive, ninja, gênio e Bilionário dos gibis e sim um “Gavião-Arqueiro” de Luxo ou o Dedé dos trapalhões.

Outra coisa que não curti muito (Além das centenas de câmeras lentas durante o filme), foi a cena de batalha que é mostrada quando é explicado o que são as caixas maternas. Além de a explicação parecer uma história inventada na hora pela Mulher-Maravilha baseada em “O senhor dos anéis”, pois fala da união dos povos diferentes (trocando Elfos / Anões/ Humanos por Atlantes / Amazonas / Humanos) para destruir uma relíquia que dá poder a um inimigo e pode por um fim em tudo, a cena que se desenrola é muito artificial, com um CGI bem Playstation 4 e que mostra um monte de personagens que quase não dá para saber quem são, mal se identificando um Lanterna verde ali no meio (e que morre miseravelmente) e acaba sem dar as respostas que parecia prometer, deixando apenas a dúvida de quem eram aquelas pessoas com poderes e para onde foi o anel do lanterna morto.


Apesar dos pequenos problemas, “LIGA DA JUSTIÇA” é um bom e divertido filme, que consegue dar novos ares ao projeto da DC nos cinemas e exorcizar (até certo ponto) os erros de filmes como “O homem de Aço” e “Batman vs Superman”, em uma demonstração de que ser retificado, principalmente por Joss Whedon, é melhor do eu seguir sendo reto por Zack Snyder. Fica agora a missão da Warner de conseguir fazer o mesmo nos filmes de heróis menos conhecidos ou icônicos como o Cyborg, assim como retirar toda a carga caricata criada em personagens como Lex Luthor e Coringa, que tiveram aparições desastrosas em filmes anteriores do selo, mas isso é um problema para o futuro, por hora eu digo, dê uma chance a DC e assista “Liga da Justiça” e se não concordar com tudo que eu disse acima, me perdoe, porque “Todo mundo erra sempre, todo mundo vai errar” uma vez ou outra, mas as vezes acerta ... Snyder que o diga!



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

THOR: RAGNAROK (2017) ou, Odinson no espaço



    Eu estou velho e cansado! Constatei isso essa semana, não só ao perceber que estava assistindo ao décimo sétimo filme da Marvel em nove anos de universo cinematográfico compartilhado da editora, como ao me sentir totalmente deslocado como público no que presenciei durante mais de duas horas no cinema. Sim! Hoje temos a missão de falar sobre o último e mais rypado filme de Odinson, o senhor do trovão, que caiu como um relâmpago nas salas de cinema no último dia vinte e seis, agradando a grande maioria do público, mas que, embora não tenha me decepcionado como os filmes da concorrente, me acertou como um martelo mágico quanto a qualquer expectativa de novidade nos filmes futuros da Marvel. Então, com vocês: "Thor: Ragnarok"!

  

  Dirigido por Taika Waititi e estrelado por Chris Hemsworth (Thor), Tom Hoddlestone (Loki), Kate Blanchett (Hela) e mais uma monte de gente bonita, elegante e sincera, "Thor: Ragnarok" narra os acontecimentos que se seguiram com o protagonista após suas visões em "Vingadores: a Era de Ultron", onde, ao perceber um grande mal se aproximando de sua terra natal e, imaginando se tratar do Ragnarok (o apocalipse asgardiano) ele vai buscar impedir sua realização. Em meio a essa busca, seu pai , Odin, morre, mas antes de partir (para lá-sei-eu, um deus nórdico vai depois de morto) revela que possui uma filha mais velha (Hela, a deusa da morte) muito mais poderosa que ele próprio e que sua morte a libertará. Mal o deus ancião bate as botas e a sujeita já aparece reivindicando o trono de Asgard, destruindo o martelo do herói e chutando (literalmente) os dois irmãos (Thor e Loki) para o planeta Sakaar, um lugar de caos e selvageria, comandado pelo insano Grão Mestre (Jeff Goldblum), onde Thor irá se deparar com uma amargurada última Valquíria e com um ex-aliado, o Hulk, agora o campeão do insano ditador de Sakaar em sua arena. Resta ao desmartelado deus do trovão a inglória missão de juntar forças para escapar das garras do grão mestre e retornar a Asgard antes que a profecia se cumpra e seu planeta seja destruído.

       Como dito acima, o filme está longe de ser ruim, mas não passa nem perto da expectativa que gerou quando o cabeça do estúdio, Kevin Feige veio a público dizer que a trama de “Ragnarok” seria um ponto de virada do universo Marvel nos cinemas, muito pelo contrário, ao invés de outros rumos e visão, em seus cento e vinte e oito minutos de duração, o novo filme do Odinson oscila entre uma cópia de “Guardiões da Galáxia” e um reboot do personagem no estilo do novo “Homem-Aranha”, entregando mais uma grande aventura para toda família que não foge em nada da velha fórmula Marvel.




      Essa mesmice foi o que me jogou na cara a minha idade e me deixou deslocado enquanto eu assistia a produção, os filmes do estúdio não são mais para mim. Parece que depois de quase dez anos a rotina da fórmula Marvel (que mesmo assim é infinitamente melhor que o veneno da DC) começou a se mostrar desgastada para quem, como eu, acompanhou suas produções até aqui, o que só piorou depois do sucesso de “Guardiões da Galáxia” de 2014, e, esse terceiro filme do Thor é o maior exemplo até aqui. Parece que o estúdio aceitou que o personagem nunca foi o mais bem quisto do seu panteão e realmente rebootou o personagem com a franquia andando, pois nem o clima e nenhum personagem presente nessa nova trama, exceto talvez Heindall (Idris Elba) parece ser o mesmo dos filmes anteriores.

      
Se é pra Rir, vamos rir!
Nota-se o que falei acima, já na primeira cena do longa, onde vemos o protagonista preso em uma cela dentro da masmorra de Surtur, fazendo várias piadas para seu antagonista e essas situações cômicas vão se repetindo durante todo filme, como quando ameaçam cortar o cabelo do filho de Odin e ele implora como uma criança para que não o façam, ou quando encontra o Hulk pela primeira vez e tem um acesso de felicidade, chegando a mostrar o gigante esmeralda para o irmão Loki, que assiste a tudo de camarote, em cenas muito divertidas, mas que não conversam com os personagens apresentados nos dois primeiros filmes, me especial com o protagonista, que, embora tivesse doses de humor, tinha a arrogância pontual de um deus e a responsabilidade de um príncipe-herói, algo que não encontramos aqui. O mesmo se dá com Loki, que desde sua participação em “Vingadores” de 2012, se tornou um destaque maior que seu irmão e o queridinho dos fãs, tanto que  agora, sua personalidade traiçoeira acaba servido apenas para que ao final ele se arrependa e se torne também um herói, no pior estilo fan service.

 
Hela -  Uma Deusa, uma louca, uma feiticeira
  Mas embora as novas facetas dos personagens e a quebra de clima de um filme para outro me incomodaram um pouco, tem muita coisa bacana em “Thor: Ragnarok”, começando pela maravilhosa deusa Hela. Kate Blanchett está realmente divina como a deusa da morte e tenho que confessar que cheguei a torcer por ela após sua chega em Asgard e a sequência de pancadaria fodástica entre ela e o exército do lugar; assim como quando ela mostra que Odin encobriu (literalmente) que só conseguiu chegar onde chegou com sua ajuda e através da força. No entanto, deveriam ter dado um propósito maior a personagem, pois apenas dominar por dominar e destruir por destruir, acaba a transformando em apenas mais um vilão genérico, embora não totalmente esquecível de um universo já famoso por seus vilões pouco carismáticos.

    Outra coisa bacana é o planeta Sakaar e sua sociedade totalmente caótica. Começando por seu líder, o Grão Mestre interpretado por Jeff Goldblum que proporciona alguma das cenas mais engraçadas e malucas da história, como quando ele derrete seu primo por tentar fugir ou quando Bruce Banner aperta um botão da nave que os heróis roubam para fugir e surge um holograma com Goldblum cantando. Também é em Sakaar é que conhecemos a última Valquíria, interpretada pela gatíssima Tessa Thompson, que tem muito mais química com o deus do trovão do que a sensível Dra. Jane Foster, assim como a nova versão falante e sentimental do Incrível Hulk , sem contar com a trupe de gladiadores mais maluca do universo.


     Bom , “Thor Ragnarok” é um filme divertido, leve e que não muda NADA dentro do universo Marvel. . Me jogou na cara que o tempo de apresentar histórias voltadas para os fãs por parte do estúdio já passou e que agora, mais do que nunca, só a grana interessa e esse retorno financeiro será buscado a qualquer custo, mesmo que seja rebootando a franquia andando. Mas apesar dos pesares, o filme é  uma produção que vale a pena ser assistida e que embora fale sobre o fim de mundo causado por uma deusa da morte e onde os heróis fogem de sua prisão através de um portal chamado “Anus do demônio”, é um ótimo programa para levar toda a família para apenas desligar o cérebro e dar boas risadas.