Não sou muito de
ficção fantástica. No meu currículo tenho apenas os livros e filmes do “Senhor
dos anéis” e a série “Game of Thrones”, mas não desprezo o gênero e se surge
algo que chame minha atenção vou buscar conhecer. Foi por essa curiosidade que
comecei a ler “O orfanato da srta. Peregrine para Crianças Peculiares” de
Ransom Riggs, logo após de assistir ao trailer do filme baseado na obra que
sairá este ano e ver estampado na capa da edição brasileira, que o livro foi
eleito uma das cem obras mais importantes da literatura de todos os tempos.
O livro conta a
história de Jacob Portmann, um garoto de dezesseis anos, rico e entediado, que
tem o avô, um veterano da segunda guerra, como grande amigo e ídolo. Desde
criança Jacob ouve as histórias de seu avô sobre a ilha mágica onde foi criado,
repleta de crianças com dons fantásticos (ou peculiares) e protegidas pela
dedicada Srta. Peregrine, um lugar no país de Gales, onde ninguém adoece ou
morre; ouve também relatos sobre monstros terríveis que caçavam essas crianças.
Com o passar dos anos, Jacob passa a tratar as histórias de seu avô como
fantasia e acreditar em sua senilidade, até o dia em que recebe uma ligação
desesperada deste dizendo que os monstros o acharam, parte ao seu auxílio, por
achar que é um ataque de loucura e o encontra morto na floresta, com marcas de
ataque de animais, mas em meio a tudo visualiza uma criatura semelhante à
descrita a ele nas histórias que ouvia quando criança.
Após meses de
acompanhamento psiquiátrico, Jacob descobre na casa do avô falecido cartas
remetidas do país de Gales e convence seu pai a acompanha-lo até a ilha onde o
avô se refugiou quando criança, na esperança de descobrir mais sobre o passado
deste. Nisso ele acaba encontrando algumas destas crianças e as perseguindo,
encontra uma passagem secreta na ilha, onde quem passa volta no tempo para o
dia 3 de Setembro de 1940, lá ele encontra a Srta. Pergrine e suas Crianças,
enganando o tempo em um eterno dia que nunca passa e vivendo eternamente longe
dos olhares dos humanos. Mas mal Jacob tem tempo de conhecer toda história do
avô e já se vê envolto em um conflito maior que ele, os Acólitos e os Etéreos
(os monstros citados por seu avô), estão sequestrando todas Ymbrynes (guardiãs
das crianças e que manipulam o tempo) para executarem um plano que os tornarão
cheios de poder e imortalidade e com a ajuda de Jacob, as crianças vão buscar
se defender e frustrar as expectativas dos monstros.
Não vou mentir
para ninguém aqui. Eu peguei esse livro para ler por duas questões em especial:
O título e o selo na capa dizendo que era uma das cem obras mais importantes da
história.
O título do
livro faz total menção à “Escola para jovens superdotados do Professor Xavier”,
do mesmo modo que as criança “peculiares” não são diferentes dos mutantes
presentes nos X-men e esse conceito copiado é tão claro até no nome que o autor
escolhe para designar os inimigos desses peculiares, “Acólitos”, o mesmo nome
dos seguidores do mutante rebelde Magneto. O pensamento dos acólitos de Ransom
Riggs também não é diferente da forma de pensar do arqui-inimigo dos X-men,
acreditando que os peculiares são superiores aos humanos e que devem
governa-los, enquanto as ideias das Ymbrynes, seguem as do professor Xavier,
pregando uma convivência pacifica, mas se resguardando e protegendo dos olhares
curiosos dos humanos.
Ainda sobre
cópia de conceitos, o livro tem fatos que parecem ser referir a Harry Potter.
Para começar temos o sobrenome do protagonista, Portman, total referência ao
protagonista da obra de J.K Rowling. Além disso, ainda temos a questão de que
as crianças peculiares se escondem em uma fenda no tempo onde apenas quem é
peculiar pode atravessar, tal qual a conhecida dos bruxos em Hogwarts, mas não
dos trouxas, e, para terminar, Jacob é o escolhido que salvará os peculiares e
derrotará os Etéreos (excelente!).
Sobre o fato de
o livro ser escolhido uma das cem obras literárias mais importantes de todos os
tempos, eu fico pensando quem escolheu? Em um mundo com obras de Tostoi,
Dostoieviski, Machado de Assis, Jorge Amado, Phillip K. Dick, Isaac Asimov,
Clarice Lispector, J.K Rowling, entre tantos outros, quem escolheu um livro
cheio de conceitos copiados e história rasa, como uma obra que merece estar no
mesmo nível desses autores que foram infinitamente mais relevantes e nos
entregaram trabalhos, se não geniais, pelo menos brilhantes?
Realmente não
entendi o que nesse livro o colocaria entre os cem mais da história. Para
começar a única inovação é o fato de o autor introduzir fotos dos personagens
no livro e o curioso é que descobrimos ao final que as fotos apresentadas são
reais e antigas, cedidas por colecionadores que colaboraram no projeto, o que faz
pensar que a história é uma colcha de retalhos baseada em imagens e conceitos
que não são de quem escreveu. Já falando como é escrito, o autor não inova em
nada, usando uma narração em primeira pessoa, o protagonista inicia a história
dando a entender que os acontecimentos citados são lembranças e isso tira
bastante peso dos perigos que acontecem com ele, o pior é que por vezes o
protagonista usa analogias e referências que não fazem sentido na boca de um
moleque de dezesseis anos, como quando ele diz que uma situação se assemelhava
a uma pintura de Normam Rockwell, ou ainda quando ele descreve o rosto da
peculiar Emma como sendo Belo e alvo... Poxa!! Quem está preso no tempo são os
peculiares e não ele.
Sobre o
protagonista, o Sr. Portman é um babaquinha, humilha o único amigo que tinha em
sua cidade e não se arrepende, descreve o próprio pai como um fracassado e mãe
uma esnobe, o autor ainda o coloca como um rico herdeiro de uma rede de
farmácias, para facilitar o fato de o chatinho ter de atravessar o mundo para
encontrar seu destino. Ele descobre, depois de mais de noventa páginas, que
também é um peculiar e seu poder é ver os Etéreos... ou seja, seu poder é o
mais inútil e específico do mundo e mesmo assim ele é o escolhido... Por favor,
senhor escritor, por favor!!
Sobre a trama,
tudo parece muito bobo. Começando pelos vilões que segundo o que e contado,
eram peculiares que tentaram se transformar em imortais e acabaram se
transformando em monstros. A Sr. Peregrine conta que se esses Etéreos comerem
muitos peculiares (com a boca), transformam-se em Acólitos, que são visíveis e
tem forma humana, exceto pelo fato de não possuírem pupilas e conseguem se
transformar em outros humanos e ... só! Ajudando os outros Etéreos que ainda
são monstros a caçarem mais peculiares, para depois... Viver como humanos sem
pupilas, eu acho.
novela Olho no olho |
Mas o pior são
as Ymbrynes, para mim as verdadeiras vilãs da história, Elas tem o poder de manipular
o tempo e fazer com que os peculiares que se escondem lá vivam para sempre, mas
repetindo eternamente o mesmo dia, tendo a mesma idade (a maioria
pré-adolescente) e sem perspectiva de nada, o pior é que, se depois de muito
tempo o peculiar resolve viver no tempo real, ele envelhece tudo de uma noite
para o dia, podendo morrer no processo... Não é sacanagem?! Quem tomou a
decisão de trancar essa criançada lá? E o mais importante, se a maioria dos
peculiares está escondida em fendas temporais e vivem coo crianças, como eles
se reproduzem? ... Quer saber?! Deixa pra lá!
Com uma história
boba até para o público alvo, com conceitos copiados e personagens pouco
carismáticos “O orfanato da srta. Peregrine para Crianças Peculiares” de Ransom
Riggs, entra para minha lista de livros que poderiam ser bem mais e são mais do
mesmo. Uma repetição de clichês e decisões de roteiro que parecem tratar quem
lê como um idiota, uma mistura de Harry Portter e X-men que saiu estragada e o
pior é que o livro é o primeiro de uma séria, afinal, a tradição é escrever
três, seis, nove livros da mesma saga, pois se não for assim, não é Fantasia,
mas pra mim um já foi de mais, se é para perder meu tempo com crianças para
normais, que sejam as originais do Professor Xavier, ou os da novela “Olho no olho” da Globo.
Abaixo o Trailer dos Novos mutantes, digo Orfanato da Srta Peregrine