A vida é uma guerra onde, ano após ano,
vamos sendo expostos a todo tipo de atrocidades e frustrações. É nela onde criamos
laços com outros como nós, mas logo nos habituamos a perdê-los e, se temos
sorte, chegamos ao final da última batalha com boas histórias, alguns
arrependimentos e muita saudade. Mas, e se aos setenta e cinco anos, tivéssemos
uma nova chance de começar do zero, nos atirando as cegas em uma viagem sem
volta, onde a única certeza é uma nova vida com muito mais aventura e violência,
você toparia?
O “E
porque não?!” para essa questão, é o que dá início a trama de “guerra do Velho”, livro do escritor John
Scalzi, publicado no Brasil pela editora Aleph e que, como uma rajada de MU-35,
chegou para quebra meu hiato para falar sobre o que eu mais gosto: ficção
científica.
O livro conta a história de um futuro onde
a raça humana chegou à era das viagens interestelares e passou a colonizar
diversos planetas, tendo contato com outras civilizações, das quais muitas
hostis. É nesse universo que conhecemos John Perry, um publicitário aposentado
e viúvo de 75 anos, que se alista nas forças coloniais de defesa (FCD) e parte
para o espaço em uma viagem sem retorno para defender nossas colônias, sem
imaginar quantos terrores e maravilhas presenciaria após sua última decisão no
planeta Terra.
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| Edição da Apleph |
Mas a coisa que mais me desagradou, foi o
fato de que tudo acontecia de maneira extremamente perfeita para o
protagonista; ele é o cara mais simpático e agradável do mundo e que acaba se
cercando dos velhinhos mais bacanas, inteligentes e descolados já na viagem até
a nave que os levará ao lugar de seu treinamento; após as melhorias nos corpos
dos recrutas (das quais falaremos adiante) é ele quem pega a recruta mais
gostosona, é ele quem vira o queridinho do sargento que os treina e que, por
isso, é eleito líder de pelotão, é ele quem, em sua primeira batalha, descobre
como vencer os inimigos mais perigosos das FCD, é tudo muito perfeito... Aí eu
me toquei que o livro é narrado em primeira pessoa e que o protagonista é
publicitário, ou seja, ele estava colocando um pouco de “tempero” em si mesmo
para se vender como o maior herói que já existiu, em um detalhe tão sutil e
brilhante de Scalzi, que mudou minha percepção da história após eu nota-lo.
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| Scalzi |
Pois bem, Eu poderia escrever parágrafos e
mais parágrafos sobre o livro, citando a relação do protagonista com seus
amigos, seu crescimento dentro das FCD, explorando a possível ditadura e, quem
sabe, distopia por de trás do governo colonial, ou simplesmente falando sobre
as “Brigadas Fantasmas” o time de elite das FCD, mas como na maioria dos livros
que resenho, não fiz questão de me aprofundar para que quem conhecer por aqui e
se interessar pela obra, não tenha suas expectativas totalmente estragadas por
esse texto. Deixo aqui só a certeza de que "Guerra do velho” é um livro
divertido e que apresenta um universo extremamente interessante e para quem,
assim como eu, se incomodar com um protagonista que não erra, digo para ter
paciência; para quem enxergar semelhanças com outras obras, calma, há muito mais
originalidade do que homenagens. Faça então como os recrutas da FCD e deixe de
ser velho leia a obra de John Scalzi e mergulhe em uma viagem sem volta repleta
de aventura, ação e violência, tal qual as batalhas da vida, mas com garantia
de muito mais diversão do que frustrações.
















