domingo, 13 de novembro de 2016

BONE TOMAHAWK (2015) quando o terror e o Western dão as mãos

2016 está quase no final e, embora tenha trazido alguns filmes legais, trouxe tantas decepções com os títulos que vinham a anos sendo aguardados, que o jeito de equilibrar essa frustração é recorrer ao underground e ir voltando no tempo para achar algo que valha a pena ser assistido. Foi assim, retrocedendo até 2015 e procurando filmes pouco divulgados, que encontrei algo que colocou minha cabeça entre o "porque não?" e "Que porra é essa?!", uma trama que fica oscilando entre o cinema minimalista e o visceral, com um grande elenco, mas sem grande produção, escrito e dirigido por um cara totalmente desconhecido, mas não por isso pouco talentoso; estou falando de "Bone Tomahawk", em Western de terror (se é que este estilo existe) roteirizado e dirigido por S. Craig Zahler e estrelado por Kurt Russel, Patrick Wilson, Matthew Fox e Richard Jenkins (fora os reféns), que me surpreendeu em uma dessas noites sem sono.

Em "Bone Tomahawk" somos apresentados a pequena cidade de Brigth Hope, no bom e velho Oeste Americano, um lugar cuja economia gira em torno da criação de gado de corte e onde algumas vezes no ano os peões levam o rebanho até os grandes matadouros no outro canto do estado, deixando a cidade praticamente vazia. É em um desses períodos, que surge na cidade um desconhecido (David Arquette) que as autoridades da cidade acreditam se tratar de um fugitivo após encontrarem roupas sujas de sangue próximas a cidade pouco depois deste chegar. Após uma discussão em um saloon, o misterioso forasteiro acaba baleado e preso pelo xerife (Kurt Russel) e como o médico da cidade não estava presente, para tratar do detento baleado, o xerife chama a enfermeira Samantha, que deixa seu marido Arthur (Patrick Wilson) na cama, com sua perna quebrada e vai cuidar do prisioneiro.
No entanto, o que ninguém poderia imaginar é que o forasteiro vem fugindo a dias de uma misteriosa e selvagem tribo de Canibais, que deseja seu sangue por ter maculado um terreno sagrado e, entrando na cidade sorrateiramente, esses canibais sequestram o forasteiro levando junto o jovem auxiliar do xerife e a enfermeira Samantha, não restando nada as poucas autoridades restantes na cidade (compostas pelo Xerife Hunt e seu idoso e lento auxiliar Chicory (jenkins)) partir em resgate dos desaparecidos, contando com a ajuda do Dandi e arrogante John Brooder (Fox) e do debilitado marido da enfermeira, em uma viagem que testará mais do que a fé do grupo na humanidade e a confiança em si próprios, mas a própria sanidade de cada um.



Esse filme é atípico, pelo menos pra mim, que procuro títulos que foquem mais na diversão ou em tramas que tentam se equilibrar em um roteiro que busque conversar com o expectador sem necessariamente choca-lo desde o primeiro momento. "Bone Tomahawk", pelo contrário, é um tapa na cara desde o primeiro minuto de cena, quando vemos um homem tendo sua garganta cortada por ladrões com uma faca cega, isso mostra, mesmo antes do nome do filme ser anunciado em uma tela preta e sonorizada só com o som de estouro, a que o filme veio e deixa claro aos de estômago fraco, assistam outra coisa.

Chicory & Brooder
Mas apesar de ser um filme surpreendente, ele se mostra atípico até mesmo em seus adjetivos, pois possui extremos de tensão e ação que te deixam hipnotizados e momentos de total marasmo, que te fazem ter vontade de acelerar os acontecimentos ou reeditar a película cortando, pelo menos, quarenta minutos do filme.

No que tange a parte positiva, se pode falar sobre o início instigante que já mencionamos, com os ladrões executando alguns pobres viajantes azarados e os personagens sendo apresentados em todos os seus esteriótipos e , com certeza, o fechamento do filme, onde o resgate se dá (não com o sucesso esperado) onde o filme dá uma guinada de terror e crueza na ação e que assistir, sem fazer uma carteirinha que seja, não é tarefa muito fácil; destaque para como o personagem do Patrick Wilson descobre como chamar os Canibais e como ele realiza essa tarefa e o destino do pobre coitado do mais jovem assistente do Xerife.

O ponto ruim é que o filme, por se tratar de uma viagem de resgate, contem muitas cenas que parecem desnecessárias e diálogos que não casam com a situação de um grupo que parte em um resgate, tornando quase todo o segundo arco da trama, onde eles estão no rastro dos selvagens, uma quebra com o ritmo que era prometido no inicio e aditivado quando acontecem os sequestros. É cavalo que é roubado, é perna que infecciona, é confissão de matador de índio, é Xerife que quer se aposentar; são muitos pequenos plots que rodeiam todo o universo de Westerm que o autor praticamente lista sem aprofundar nenhum de verdade e os colocando ali mais como enxerto da trama, do que para falar mais sobre o passado dos personagens.

Hunt & Arthur
Falando sobre os personagens, o roteiro usa e abusa de esteriótipos e arquétipos dos filmes de westerm para nos entregar quatro personagem marcantes. Primeiro temos Kurt Russel, no papel do Xerife Hunt, um velho homem da lei, habituado com ladrões de cavalos e pistoleiros, é o tipo que atira primeiro e pergunta depois, está próximo da aposentadoria e pretende viver o resto de sua vida tranquilamente com sua esposa, a participação de Russel nesse filme é tão bacana, que lhe rendeu um papel no último filme de Quentin Tarantino, " os Oito Odiados" lançado também em 2015. Nas pegadas do xerife, segue seu velho assistente chamado Chicory, que é vivido por Richard Jenkins, ele é um velho viúvo, ingenuo e de inteligência limitada, que parece estar mais sob a proteção do personagem de Russel, do que sendo útil a justiça, servido como alívio cômico e responsável pelas perguntas mais constrangedoras aos demais personagens; Temos também o arrogante e cínico John Brooder, um rico e Dândi fazendeiro veterano da conquista do Oeste, que nutre um ódio secreto por índios por um fato ocorrido em seu passado, de personalidade difícil e pessimista, o personagem do antigo protagonista de "Lost", Mathew Fox, é o responsável por mostrar com clareza como o mundo real pode ser mau e hostil aos desinformados membros da comitiva de resgate; Para fechar o quarteto, temos Patrick O'Dwyer, o vaqueiro marido da enfermeira sequestrada, só não foi viajar semanas antes para levar o gado, por ter quebrado a perna quando consertava o telhado e mesmo debilitado parte com a comitiva para salvar sua mulher e é responsável por nos transmitir toda dificuldade, sofrimento e sacrifício para realizar sua missão.

Mas mesmo explorando bem os protagonistas, o filme parece ficar devendo um pouco sobre o universo que eles fazem parte. Pouco é falado ou presentado sobre a cidade de Brigth Hope ou sobre as famílias dos protagonistas e a falta que os mesmos podem causar naquela sociedade. O pouco que temos são personagens periféricos que dão uma ideia sobre a sociedade de origem dos protagonistas e algumas lembranças, que são contadas na volta da fogueira mas não mostradas, assim como a própria cidade, que só é mostrada como uma pequena rua empoeirada e casas de madeira perfiladas.


Apesar da Oscilação de ritmo e extremos nas qualidades do filme, "Bone TomaHawk" é um filme surpreendente e muito corajoso. Repleto de tensão e crueza, é uma história para quem tem estomago forte e paciência apurada, mas acima de tudo uma boa opção em um ano com tantas decepções no cinema. Com um elenco de respeito e um roteiro visceral e sanguinolento, o filme comprova que muitas vezes o underground e o mais antigo, valem muito mais a pena do que o fruto da publicidade e do Marketing, então já sabem, em caso de insônia, dia de chuva ou falta de opção e estiver sentindo o estômago forte, assista "Bone Tomahowalk" e assista esse filme que vai te surpreender, mesmo te deixando entre o "porque não?!" e o "Que porra é essa?"




quinta-feira, 10 de novembro de 2016

LUKE CAGE ( 2016) A série



Desde que lançou “Homem de Ferro” em 2008, a Marvel vem se tornando cada vez mais presente na vida de quem é fã de cinema. O universo da editora no áudio visual é um sucesso com seus filmes repletos de cores e piadas, mas faltava algo que o conectasse a realidade, algo que aprofundasse seus personagens a um contexto social e explorasse mais seus medos e motivações.
Então em 2015, em parceria com a Netflix, estreava “Demolidor” e essa carência de conexão com o mundo real começava a desaparecer com uma trama que apresentava as ruelas e becos escuros da periferia por onde transitava o submundo daquele universo, fato que foi aditivado quando meses depois “Jessica Jones” chegou, trazendo uma história de abuso e trauma pessoal que colocava em segundo plano o fato da protagonista possuir super-poderes e expunha suas fraquezas, vícios e erros. Mas a editora de Stan Lee ainda devia uma produção que abordasse um contexto social mais complexo, uma produção que falasse da realidade e história não apenas de um personagem, mas de um grupo de pessoas, o reflexo de uma sociedade que vive entre a marginalidade e a realização do sonho americano; então esse ano a Netflix nos brindou com a terceira série em parceria com a Marvel, prendendo essa última ponta solta que faltava e preenchendo essa lacuna ao nos entregar “Luke Cage”. 


O grande trunfo dessa produção, é que mais do que uma série de super-heróis baseada em quadrinhos, ela  traz um flerte muito maior com a sociedade verdadeira e a realidade enfrentada pelos negros americanos. A própria locação das filmagens (o Harlem), que é um gueto histórico e famoso símbolo de orgulho para a comunidade que lá vive, é apresentada quase como um personagem e tem papel essencial na tramar, emanando de si o terror e o poder desejado por tantos e o acolhimento e refugio sonhado por outros. Nesse microcosmo, alguns elementos são afirmados como sendo não apenas tradicionais entre as pessoas que ali vivem, mas também como as poucas esperanças de sucesso e mudança de vida, como, por exemplo, o basquete e a música, essa última, em especial, importantíssima e presente fortemente do início ao fim da série.
O momento vivido pela comunidade negra americana, também se faz presente na série, ao se introduzir na trama questões sobre excessos e violência policial que se assemelham aos ocorridos durante os últimos anos naquele país, isso atesta Luke Cage, como a serie mais pesada que a Marvel já produziu, fato que a qualifica e diferencia dramaticamente de quase tudo feito pela editora no audiovisual, mas a diminui frente a muitos fãs de Quadrinhos, que embora apreciem muito quando o imaginativo e fantástico das HQ’s se aproxima da realidade, ainda parecem ficar receosos quando o tema aborda drama social.

No entanto, a questão social é elemento intrinsecamente ligado ao personagem, empobrecendo-o, caso fosse ignorada. Até seus poderes parecem se conectar a toda essa questão, ou seja, um negro, que se impõem com força sobre humana aos problemas e dúvidas em seu caminho e é a prova de balas ou facas, mas prefere buscar o apoio e atuar como um exemplo no bairro onde mora é uma mensagem poderosa, que não sei se passava na cabeça de John Romita,sr. , Archie Goodwin e George Tsukas, quando esses criaram o personagem nos anos setenta, altamente inspirada pelos movimentos sociais e pelos filmes de blaxploitation. 
Falando em blaxploitation, esse estilo cinematográfico é o elemento que dá o tom da trama da série, onde, como em todo filme negro dos anos setenta, temos o protagonista badass, as mulheres fortes, os problemas sociais se agravando, os aproveitadores de dentro da própria sociedade, o traficante, o político corrupto e o tira branco traidor, sem falar na sensualidade, que obrigatoriamente passeia em meio à história.

Mas embora Luke Cage seja uma série repleta de qualidades, ela chamou minha atenção de forma negativa pela “barriga” que apresenta em seu roteiro, que poderia ser muito mais enxuto e, pelas escolhas repetidas que a Netflix vem tomando ao desenvolver a história dos  personagens Marvel. Quanto a essa sobra no roteiro, podemos culpar o fato de o personagem ser o super-herói mais poderoso apresentado pelo estúdio no universo da TV ( o cara tem Super-força, invulnerabilidade e fator de cura) e não possuir um opositor no mesmo nível em sua galeria de vilões, o que força o roteiro a encontrar uma maior quantidade de problemas para serem solucionados, ao invés de nos entregar um problema de qualidade, como no caso dos vilões de Jessica Jones e Demolidor, KillGrave e Rei do Crime respectivamente, ambos tão fortemente reconhecidos a aplaudidos por quem assistiu essas outras séries; assim temos o que parece ser duas temporadas de Luke Cage, comprimidas em uma, em que vemos a troca de bastão dos vilões passar em três mãos diferentes durante treze capítulos, sem no entanto parecer uma ameaça que preocupe profundamente o protagonista por mais do que um terço da trama e para apresentar, desenvolver e resolver isso, não seriam necessários mais do que dez episódios.
A Netflix  parece  ter se tornado preguiçosa ou acomodada ao desenvolver a maneira de como a história é contada e os elementos que devem estar presentes na trama. Notei com Luke Cage que as três séries Marvel possuem uma luta em um corredor, um episódio para mostrar a origem do Herói e nos aprofundar em seus motivos e outro para apresentar a origem do vilão, sendo que nas três séries, todos os vilões tem a desculpa de que são vítimas do meio onde foram criados (TODOS!!) nenhum antagonista principal é mau porque simplesmente é, todos tem uma desculpa e isso depois de um tempo começa a incomodar, principalmente em Luke Cage, onde existem três vilões principais, todos assombrados com traumas do passado, embora em níveis diferentes.

Mas fora os pequenos problemas apresentados que ainda são somados a uma trama que se desenrola muito lentamente devido, penso, à densidade social que permeia a história e um protagonista que não tem o mesmo impacto inicial de um Demolidor, Luke Cage é muito bacana e, embora não tenha me empolgado para que eu fizesse uma maratona, me prendeu durante dias na cadeira, me fazendo voltar um pouco atrás para pegar pequenos detalhes, homenagens e referências, degustando cada momento e imaginando onde uma possível segunda temporada pode levar o personagem, principalmente após o que as cenas finais mostram.

Luke Cage fecha um ciclo nas produções Marvel, conectando uma das últimas pontas soltas não abordadas pela editora anteriormente no audio-visual, a questão social. Com uma trama que fala sobre origem, orgulho, recomeço e destino, Luke Cage sai do mais do mesmo das séries de Super-heróis da TV e cinema com uma história que aborda problemas reais, como preconceito, violência policial e criminalidade, se destacando como uma produção única. Uma série forte (sem trocadilho) que merece ser mais do que vista, ser degustada,  no ritmo que os diretores e roteiristas deram a ela, apreciando suas referências e estilo sem a menor pressa.


Ficamos agora na expectativa de “Punho de ferro”, a quarta série da parceria Netflix / Marvel e de “Defensores” onde os quatro heróis se reunirão em um grupo para realizar uma missão em comum, ambas as produções previstas para o ano que vem. Vamos esperar como será a recepção de ambas as séries e torcer que uma segunda temporada de Luke Cage seja confirmada e , quem sabe, uma dos “heróis de aluguel” juntando os inseparáveis amigos de HQ “Punho de Ferro e Luke” em  uma história onde mais do que heroísmo, os Business entram em jogo. Fico no aguardo do sinal verde da Netflix para gritar “Sweet Christmas”, enquanto isso, digo e repito, assista “Luke Cage”.




terça-feira, 25 de outubro de 2016

LOGAN (2017) A expectativa & VELHO LOGAN (2008) A HQ



Quando eu era adolescente, meu super-herói preferido era o Wolverine! O mutante canadense era tudo que um guri de quinze anos gostaria de ser, durão, pegador, rebelde e, ainda por cima, imortal. Mas os anos noventa passaram e os filmes dos X-Men chegaram ao cinema apresentando uma versão do personagem que me incomodou, pois não conseguia me trazer o que o mutante tinha nos quadrinhos, que se impunha e destacava não só pelos adjetivos listados acima, mas também por uma profundidade que foi trabalhada por anos com a ajuda de diversos roteiristas e que me mostrava o peso e o amargor que Logan carregava por ser quem ele era, o que nuca conseguiu ser alcançado com os filmes da Franquia X, em especial com as produções solo do personagem, que reduziram aquele simbolo de rebeldia e força, a um esteriótipo de ação que para ganhar destaque obrigava o roteiro a diminuir os coadjuvantes.

Mas eis que nesse mês de Outubro, a Fox lançou o trailer de "Logan", terceiro filme do Wolverine e último tendo o ator Hulg Jackman interpretando no cinema o mutante mais famoso da Marvel, e pela primeira vez em muito tempo, meu coração bateu mais forte e comecei a acreditar que dessa vez vou ver no cinema tudo aquilo que quando era Jovem me empolgava ao ler suas histórias.

O terceiro filme do Wolverine, terá o discreto título de "Logan" e se passará em 2024. Nele encontraremos um Wolverine mais velho e começando a perder seu fator de cura (mutação que o torna virtualmente imortal); ele cuida de um idoso e debilitado Charles Xavier e os mutantes estão desaparecendo (mas nada ainda foi revelado sobre isso). É quando surge uma misteriosa menina (que, de acordo com o estúdio será a X-23, uma clone de Wolverine) que traz em seu encalço um grupo militar conhecido como Os carniceiros e, a pedido de Xavier, Wolverine irá se tornar tutor da menina e defende-la desse grupo de caçadores de mutantes com todas as forças que ainda lhe restam.

O Trailer de "Logan" deixou muita gente, assim como eu, boquiaberta. O clima de solidão, tristeza e a necessidade do personagem voltar a ser quem era, dão a medida exata de tensão e angustia que um filme precisa para se tornar acima da média em seu gênero. Os elementos presentes no trailer o transformaram em um sucesso instantâneo, lhe dando status de viral, que foi compartilhado não só por sites de cultura pop, mas por jornais e até revistas especializadas em carreira (sério, eu vi na minha time line!), fomentando a expectativa pela estreia do terceiro filme do mutante canadense, que estreará no verão de 2017. No entanto, nem todos os fãs do herói são leitores de quadrinhos e sabem que a produção vindoura foi baseada em uma série de histórias lançadas pela Marvel em 2008, escrita por Mark Millar e desenhada por Steve McNiven; trata-se de "Velho Logan" que, com certeza, para quem, assim como eu, está ansioso para assistir ao mais novo filme do Carcaju, pode ser uma ótima maneira de aplacar essa ansiedade e se aprofundar na angustia do personagem em uma trama muito bem elaborada e maravilhosamente desenhada.

A história de "Velho Logan" se passa em um futuro distópico que ocorre depois que todos os vilões do universo Marvel, se uniram e atacaram todos heróis de surpresa, matando quase todos e tornando os Estados unidos um grande território dividido entre quatro dos mais fortes, Magneto (depois conquistada pelo Rei do Crime), Dr Destino, Caveira vermelha e Abominável, mais tarde conquistada pelo maligno, (imaginem só) Dr Bruce "Hulk" Banner.
É no território do Hulk, que encontramos um Logan velho, casado, pai de dois filhos e vivendo como fazendeiro; pagando proteção para a Gang do Hulk para manter sua fazenda e tocar a vida como pode. Mas problemas surgem e as dívidas começam a se acumular, colocando em risco a segurança da família do velho mutante, é nessa que um antigo amigo surge com uma oportunidade, O Gavião arqueiro, um dos poucos heróis a sobreviverem aos planos dos vilões, que agora é um contrabandista cego, pede que Logan o ajude a levar um misterioso carregamento até a costa Leste dos Estados unidos, prometendo o dinheiro suficiente para quitar a dívida com a família de Banner. Assim começa a história em um clima de Road trip, onde aos poucos a história vai nos mostrando o que de fato aconteceu com os heróis, com seus descendentes, com a sociedade, com os vilões e principalmente, o que traumatizou tanto o velho Logan a ponto de torna-lo um recluso e cabisbaixo fazendeiro no interior.



Lembro que quando terminei de ler a série, pensei que aquilo tudo tinha um potencial gigantesco para se tornar filme, mas tendo o fato de os diretos de uso dos personagens no cinema o grande empecilho, situação que foi adaptada pelos roteiristas de "Logan" no vindouro filme do Wolverine, que, seguindo algumas dicas do criador a história, Mark Millar, atrelaram a trama apenas ao universo X-men, pertencente a Fox.
A trama do filme que estreará em 2017, trás como principais antagonistas o grupo, que nas HQ's são um bando de ciborgues caçadores de mutantes, conhecidos como Carniceiros, sem, aparentemente, perder a atmosfera de repressão, frustração e angustia que vemos na HQ original. No entanto, a forma como Millar cria um mundo distópico nas HQ's, por onde um Wolverine que desistiu de ser quem era se arrasta, é de uma riqueza brilhante que faz quem começa a ler, devorar edição atrás de edição sem pensar no tempo que está gastando para tal; eu mesmo li a obra em um dia e passei o resto da semana relendo e analisando cada pequena questão sobre o que ocorreu com aquele mundo.

O mais rico de "Velho Logan" são os personagens que habitam na história e o que a situação os levou a se transformarem, com destaque para o grande vilão da trama, que é o Hulk e sua Gang. Bruce Banner se transformou em um patriarca de uma família de rednecks, que vive em um acampamento trailers, seus filhos e netos são apresentados como truculentos e deformados caipiras, que espalham o terror contra quem não seguir seus ditames. Banner, que chega a explicar que teve de "casar" com sua prima (a mulher-hulk) pois só ela "aguentava o tranco, age com selvageria cometendo atrocidades contra seus protegidos e chegando a comer seus inimigos vivos. Também somos apresentados a versão idosa de um lunático caveira vermelha, que se veste como Capitão-América, mora na casa Branca e coleciona peças de super-heróis mortos, como a armadura do Homem-de-ferro, o capacete do Nova e a mão do Coisa; também nos é apresentado o paradeiro de alguns sobreviventes que não são mais heróis, tais como Raio-Negro (ex-rei do Inumanos) e a Rainha Branca, que vivem um refúgio para pessoas especiais, como os poucos mutantes que sobreviveram.

Mas o mais bacana na história, ainda é a busca pela resposta sobre o que aconteceu com o Wolverine e isso é revelado quando sua viagem com o gavião Arqueiro está quase para acabar. Temos um diálogo que parece prever exatamente o sentimento do gavião Arqueiro do cinema, que sempre foi menosprezado e, que nessa história de 2008, abre o coração para Wolverine, ao dizer que acha que só não foi morto porque acredita que os vilões o achavam insignificante e , um Logan, deixando claro, mais tarde, que a única forma de destruir alguém que não pode ser morto é quebra-lo de dentro para fora e, quando a verdade vem a tona e descobrimos porque ele desistiu, vemos que a morte teria sido melhor para o mutante.

A história ainda termina com um arco esmagadoramente triste e empolgante pelo desejo de vingança, quando temos o bom e velho Carcaju cobrando o mal que lhe fizeram, aí quem achou que era mais do que realmente era paga caro pela prepotência e , sem querer dar spoilers, sangra verde...e muito !

"Velho Logan" é uma das melhores histórias em quadrinhos que li, depois que voltei para o mundo das HQ's e o personagem dessa trama, foi tão bem aceito, que acabou virando uma série mensal da Marvel e jogado no universo 616 (o das revistas mensais) logo após a morte do Wolverine, ocorrida em 2014, não mais escrita por Mark Millar, mas mantendo a mesma pegada, contando a história de como esse Wolverine velho, acaba vindo parar em nosso tempo, onde busca acabar com os vilões antes que estes se organizem contra os heróis.

Recomendo que, quem gostar de quadrinhos e estiver na expectativa do filme "Logan" leia o quanto antes, tanto a série "Velho Logan", quanto a revista mensal, que está bem acima da média. Enquanto isso, vamos acompanhando as notícias sobre "Wolverine 3" e torcendo para que o filme consiga ser melhor que o trailer e tão bom quanto a história apresentada por Mark Millar. Que venha 2017 de uma vez !







quinta-feira, 20 de outubro de 2016

CAÇA FANTASMAS (2016)



Estava conversando com um colega de trabalho sobre as séries novas que estrearam esse mês e em um determinado momento ele disse que odiava o mais conhecido serviço de streaming disponível no mercado (não vamos fazer propaganda de graça hoje), segui conversando, mas uma dúvida foi plantada na minha cabeça: “Por que alguém odiaria algo voltado para o entretenimento?”, pensei e pensei, mas não encontrei uma resposta adequada, a não ser que as vezes as pessoas são babacas e precisam odiar algo, seja a editora de quadrinhos que rivaliza com a da sua preferência, seja um pintor ou escritor de destaque, ou, o canal de TV aberto que disponibilizou a todos aquela série que na sua cabeça era só sua e assim por diante. O pior é que, infelizmente, esse comportamento faz parte da característica humana, ajudando algumas pessoas a se autoafirmarem, sem que elas percebam que a mesma atitude as impossibilita de se surpreender positivamente com algo que se opuseram antes de conhecer.

Uma produção que é o exemplo máximo dessa intolerância baseada apenas na vontade de ser contra algo, é o filme que ganhou o amargo título de trailer mais odiado do Youtube e que, até hoje, quando eu o menciono, ouço aquela frasezinha, “esse filme é um lixo”, mesmo que após, a mesma pessoa complemente “mas eu nunca assisti!”. Estou falando de “CAÇA FANTASMAS” de 2016, reboot da clássica comédia dos anos oitenta, escrito e dirigido por Paul Feig e estrelado por Melissa McCarthy, Kristen Wiig, Kate McKinnon, Leslie Jones e grande elenco, que estreou nos cinemas brazucas em Julho deste ano e que mantendo a minha tradição, só conseguir ver recentemente, mas que foi uma agradável surpresa, mostrando que, quem busca algo para odiar, principalmente algo que só tem a intenção de divertir (e ganhar dinheiro), tem mais a perder do que a ganhar.

Ecto-1
Caça Fantasmas”, conta a história de um grupo de cientistas que se unem para capturar fantasmas (ou melhor dizendo, manifestações ectoplásmicas), que começam a aparecer na cidade de Nova York. Tais fenômenos se intensificam logo após o livro que duas delas publicaram, onde admitiam a existência de assombrações, voltar a ser vendido, o que acaba por destruir a reputação de uma das autoras (Erin (Kristen Wiig)) na faculdade onde lecionava e a força a um reencontro com sua ex-amiga e co-autora da famigerada publicação, Abby (Melissa McCarthy), que trabalha em uma instituição menos respeitada com sua nova amiga Jilian (Kate McKinnon), as três começam a investigar os fatos na busca de reconhecimento de suas teorias e assim acabam por conhecer Patty (Leslie Jones) uma funcionária do metrô e de grande conhecimento da história da cidade, que vê um fantasma em seu local de trabalho e aos poucos começa a ficar fascinada pelos eventos e acaba se unindo ao grupo. Juntas, essas quatro mulheres descobrirão um terrível plano para quebrar a barreira que separa o nosso mundo, do mundo dos mortos e buscarão superar toda falta de confiança e crédito que recai sobre elas, para assim salvar o dia.

Meu amigo, vou te dizer, achei “Caça Fantasmas” um filme bem legal! Paul Feig é um competente roteirista e diretor e quando foi anunciado que ele era o responsável pelo reboot eu fiquei mais tranquilo, pois algo que eu não poderia engolir seria um caça Fantasmas cheio de explosões e gritaria, como fizeram com “tartarugas Ninja” e sabendo que não é o estilo dele apresentar comédias exageradas e ação forçada, se atendo no estilo parecido com o dos filmes originais, sabia que o que eu veria, embora não fosse revolucionário, não seria pretensioso ou deprimente, qualidade que ainda foi aditivado com o talento para comédia das atrizes que protagonizam a produção e das diversas homenagens que a história faz ao clássico de 1984.



O filme é uma comédia “sessão da tarde”. Não depreciando a produção, mas exaltando aquele tempo onde filmes divertidos passavam a tarde na rede plim-plim e nos prendiam na frente da TV durante um bom tempo, ou seja, é um filme para a família sentar na frente da televisão, com um balde de pipocas e dar boas risadas juntos, sem a intenção de se tornar um clássico ou fazer alguém refletir sobre um assunto sério. Desse modo, as atuações não são e nem precisam ser brilhantes, o que por outro lado não impede de serem engraçadas e caprichadas, começando por Kate McKinnon, que interpreta a engenheira mecânica Jillian, roubando a cena com sua estranha personalidade e aparente indiferença, tudo isso somado a um sorriso meio insano que a acompanha em todos os momentos; outro destaque é o retorno de Kristen Wiig as comédias mais frouxas, relembrando muito seu tempo de Saturday Night Live, assim como Melissa McCarthy e Leslie Jones, que embora não fujam de seus papéis habituais, não decepcionam ou desaparecem frente ao destaque das outras duas. Mas, para mim o maior destaque, além da química que as atrizes têm entre si, é a participação de Chris Hemsworth ( O Thor da Marvel) como o telefonista Kevin, o cara está muito engraçado e bem diferente dos papéis habituais que está acostumado a fazer, sendo a cena onde as protagonistas saem dançando e comemorando, após capturarem seu primeiro fantasma e, Hemsworth entra dançando com Leslie Jones, uma das que me fez rir mais.



Harold Ramis (O Egon de 1984)
O filme também traz diversas referências e homenagens ao original dirigido por Ivan Reitman. A Mais marcante é a presença de um busto do falecido ator Harold Ramis, que, com Dan Aykroyd, foi o roteirista do filme de 1984 e ainda interpretou o personagem Egon e, o mais bacana é que essas homenagens povoam a história do início ao fim, contando com a participação de quase todo elenco do filme original, assim temos Bill Murray como um cético caçador de fraudes sobrenaturais, que paga caro por sua arrogância, Dan Aykroyd, como um taxista que parece saber bem mais sobre fantasmas do que o normal, Ernie Hudson como o tio da personagem da Leslie Jones, Anie Potts, como a recepcionista de um hotel e Sigoumey Weaver como a mentora da personagem de Kate McKinnon, além de menções ao fantasma Geléia e ao monstro de Marshmallow, só faltou o Rick Moranis.

Junto com as homenagens e menções, temos as releituras de algumas cenas e explicações sobre algumas questões que não eram abordadas nos outros filmes, que ficaram bem bacanas. A principal questão da trama, penso eu, é como as personagens se transformam em uma prestadora de serviço, pois no filme original, parece que o plano dos protagonistas é abrir uma empresa desde o princípio, já no novo filme, tudo ocorre de maneira acidental e a ideia surge como interesse científico, que acaba, ao final, se tornando uma fonte de renda quando passa a ser um prestador de serviço para a prefeitura da cidade. O fato de os raios de prótons não poderem se cruzar fica mais claro nessa versão, se explicando que a soma de energia com o cruzamento pode deixar o equipamento instável (ou algo assim). Além disso, temos uma releitura da cena onde as três cientistas filmam o primeiro fantasma, que no filme de 1984 está empilhando livros em uma biblioteca e nesse é o fantasma de uma assassina que morreu encarcerada pelo pai em sua própria casa, as cenas são muito semelhantes, com o fantasma lívido observando os personagens, quando de repente se torna assustador, atirando gosma para todos os lados; Também temos um embate final parecido, com as Caça Fantasmas se defrontando com um monstro gigantesco, onde o buscar mandá-lo de volta através da barreira, me parece mais coerente do que tentar explodi-lo, até porque se ele não está vivo, do que adiantaria?

Por tudo isso, achei “Caça Fantasmas”, de Paul Feig, um divertido filme, que apesar de utilizar o original como base, se sustenta sozinho e não pretende nunca ofuscar ou superar o primeiro, mas que nem por isso, parece ser inferior. Um filme para se divertir, mas que consegue ter aquela dose certa de acidez e ironia, para debochar até mesmo dos haters do youtube que elegeram seu trailer como o mais odiado de todos os tempos e que para o amargor dessa gente, ainda termina com uma cena pós créditos onde a personagem da Leslie Jones, após ouvir uma fita com um áudio gravado em um suposto prédio assombrado questiona “Quem é zuul?” (Eu sei!) indicando uma possível sequência.


Caça Fantasmas é o exemplo de que até mesmo algo que é totalmente diferente do que nós queremos, pode ser muito divertido e surpreendente. Não há a necessidade de procurar defeitos ou levantar bandeiras de ódio contra coisas que não representam a gente, basta não assistir, ou assistir e mudar de ideia. As pessoas estão se tornando extremistas demais, defendendo com unhas e dentes apenas o que lhes agrada por retratar traços de suas personalidades ou a representação de seus aspectos físicos e isso não é certo, pois há e sempre haverá espaço para todos, principalmente nas artes e se você não consegue enxergar isso, talvez seja a hora de cruzar os raios de prótons e banir esse monstro gigante que existe dentro de você para outra dimensão, antes que ele cause danos a você mesmo. Então, relaxe, faça um balde de pipoca, assista Caça Fantasmas e dê uma chance ao novo e a você mesmo.



sexta-feira, 14 de outubro de 2016

WESTWORLD (1973) O filme que deu origem à série da HBO


Dia dois de Outubro estreou no canal HBO, “Westworld”, série de ficção científica escrita por Jonathan Nolan e produzida por J.J Abrams, que já chegou metendo o pé na porta e mostrando a que veio, com um piloto com um potencial gigantesco onde se destacou, além do conceito de inteligência artificial, a brutalidade e Filosofia que nos aguardam para essa temporada. No entanto, o que pouca gente sabe é que a série é baseada em um filme lançado em 1973 pela Metro Goldwyn Mayer, escrito e dirigido por Michael Crichton, o celebre autor de “Jurassic Park” (esse cara era doido por um parque temático) e estrelado por Yul Brynner, Richard Benjamim e James Brolin.

"WestWorld" conta a história de um parque multitemático feito para adultos, onde as pessoas podem realizar seus sonhos e fantasias mais ferozes em três cenários, a idade média européia, o Império romano e o Oeste selvagem americano, todos povoados por robôs programados para simularem como se estivessem realmente naqueles ambientes, tanto no tocante a violência, quanto a sedução, com a vantagem que nenhum humano pode ser machucado por uma máquina, apenas ser agradado e tudo isso pela bagatela de mil dólares diários.
É em um voo para o parque, que somos apresentados a Peter e John (Benjamim e Brolin, respectivamente), dois turistas, que resolvem sair da rotina e viver uma temporada de aventura no velho Oeste americano, atirando em pistoleiros, bebendo em saloons e dormindo com damas de vida fácil (por assim dizer), tudo vai como o planejado durante grande parte de suas estadias, no entanto, pouco a pouco, um bugs vai tornando os robôs menos obedientes e amistosos, colocando em risco, além do roteiro e encantamento do parque, a própria segurança dos visitantes.


Assistindo o filme com os olhos de 1973, o enxergo como, mais do que uma obra divertida e imaginativa, mas, como uma produção inovadora. Para começar temos um prólogo no filme, onde um apresentador quebra a quarta parede e fala direto com o espectador, entrevistando pessoas que voltaram do parque e fazendo um convite claro a quem tiver os mil dólares diários necessários para a estadia, lembrando muito o que foi visto quinze anos depois, em Robocop. Outra coisa é o conceito de lugar livre de amarras morais, onde quem paga, pode fazer o que quiser, algo que foi uma das principal heranças para série da HBO, junto com a questão de ego e o ato de ser dos robôs, que é bastante rasa no filme e parece apenas circundar o robô vivido por Yul Brynner , dando a entender que o bugs os liberta, mas não modifica sua programação, algo que a série irá trabalhar muito melhor, principalmente porque parece girar em torno das escolhas e descobertas dos robôs e não exatamente do temor humano.
A tecnologia dos anos setenta


No entanto, essa não possibilidade de fuga da programação, do mesmo jeito que dá o motivo de ser do filme, que são robôs programados para lutar e desafiar humanos, livres de suas limitações programadas, contradiz a si mesma, quando alguns robôs que são feitos para satisfazer sexualmente os humanos, resolvem executa-los de forma convencional (tiros e facadas) ao invés de mata-los de tanto fazer sexo, que seria muito mais alinhado com o que os definia a principio.

Essa primeira análise deixa claro que o filme possui alguns problemas de roteiro, que embora não maculem o conceito central, deixam furos que poderiam ser melhor trabalhados. O furo que mais me deixou encucado é referente aos visitantes coadjuvantes, no caso um tiozão de bigodes que vai para a parte de idade média do parque e o outro tiozinho de óculos, que vira o xerife do parque; primeiro é apresentado junto com os protagonistas, super empolgado e , depois de ter um romance com a rainha na terra medieval, acaba sendo morto pelo "cavaleiro negro" quando os robôs perdem o controle, sem ao menos ter um contato mais pessoal com os protagonistas, ou sua morte definir uma possibilidade de salvação para o grupo, sua história se justifica como sendo a do cara que está lá para morrer e nos mostrar que tudo deu errado. Pior ainda é o tiozinho de óculos, que surge como um nerdão, sempre se mostra atrapalhado e nem ao menos é visto se ele morre mesmo, sendo que as cenas onde ele é mostrado poderiam ser economizadas para aprofundar muito mais na questão do bug, ou no aprofundamento da história dos dois protagonistas, mas não dá para julgar, pois é um filme que foi escrito e lançado antes da ideia que temos hoje de inteligência artificial e onde a ação, no cinema, era mais valorizada do que o dialogo e reflexão.

Meu nome não é Bale
As Atuações são bem legais até para os dias de hoje, embora carregam muito dos trejeitos dos filmes do tempo em que foi feito, o que é normal. Yul Brynner parece reviver seu personagem em "Sete Homens e um Destino", usando até a mesma roupa, só que muito mais frio e impassível e, o cara estava em ótima forma, para quem na época tinha cinquenta e três anos, parecendo realmente durão; Já Richard Benjamim rouba o inicio do filme, falando sem parar e visivelmente com medo de tudo e, ao final, quando ele sobrevive as piores situações, quebrando a expectativa de que isso aconteceria com o personagem de James Brolin, o filme surpreende mais uma vez mudando o paradigma da época, e, Falando em Brolin, é engraçado ver o pai de Josh Brolin como um Jovem metido a charmozão e confiante, mas o que realmente chama a atenção é que ele é a cara do Christian Bale!!

Mas nada supera a ideia de "Futuro do pretérito" que o filme traz. Assistir a ideia de como seria uma tecnologia que pudesse dar "vida" a uma máquina com os olhos dos anos setenta é muito engraçado, para começar temos os painéis cheios de luzinhas, como em "Alien" e todas emitindo bips ao mesmo tempo, do mesmo modo, como o conceito de CD, pendrive e nuvem não existiam, o que o filme nos apresenta são PC's com enormes rolos de fita magnética e isso é muito louco, ao pensar na quantidade desse material para fazer três cidades com centenas de pessoas artificiais funcionarem; tudo isso somado a moda extravagante dos anos setenta, onde até o avião tem um papel de parede cafona, o que dá aquele charmoso ar de trash no filme, que só é superado quando o rosto de Yul Brymer desgruda da cabeça.

"Westworld" é um bom filme e, apesar de não trazer nada que revolucionou a época, entrega conceitos tão bacanas, que deram origem a uma das séries mais legais que estrearam esse ano. Uma obra que merece ser assistida por todo fã de ficção científica ou por quem deseja saber de onde veio a ideia que Jonathan Nolan irá explorar durante os próximos anos, então não perca tempo e, além da série, assista também ao filme, mas veja logo, antes que as maquinas despertem e percebam que os grandes vilões, na verdade, somos nós e se rebelem.







quinta-feira, 6 de outubro de 2016

VIAGEM A LUA DE JÚPITER (2013) Quando o Sci-fi é um lixo

A ficção científica, além de entretenimento, sempre foi uma inspiração para ciência de verdade. Penso que os submarinos nucleares só existam graças as pessoas que ficaram fascinadas pelos livros de Julio Verne e que, a evolução do 3-d e holografia é obra dos fãs de strar trek; no entanto a liberdade que esse gênero confere a quem trabalha com ele, por vezes permite algumas obras que longe de inspirar fãs, fazem um desserviço a tudo que os clássicos (e as boas produções) primaram por erigir, e, isso ocorre principalmente no âmbito do cinema, que ainda é a forma mais popular de se encontrar esse tema.
Um filme destes, eu assisti recentemente, após ouvir menção sobre ele em um podcast, trata-se de "Europa Report", ou como foi traduzido no Brasil "Viagem a lua de Júpiter", de 2013, que me deixou durante horas perdido em meus pensamentos ,olhando para o horizonte, sem saber se o que eu tinha visto era um drama, uma comédia, ou simplesmente uma pegadinha do Silvio Santos.

O filme foi escrito por Philip Gelatt e dirigido por Sebastian Cordero, tendo como ator mais expressivo presente, o Sul-africano Sharlto Copley (distrito 9) e conta a história da missão Europa, a primeira expedição para o espeço profundo, onde uma nave tripulada é enviada até a Lua Europa de Júpiter (tá aí o nome do filme) para pesquisar a possibilidade de vida alienígena naquele lugar e devido a problemas técnicos terríveis e as personalidades totalmente desequilibradas de seus tripulantes vê tudo dando errado.

Brother, que filme é esse? O que posso dizer é que, se muitas vezes vemos algum jogador de futebol que mal acerta a bola, ou ator que nem decora o texto, fazendo sucesso e temos a certeza que o talento do empresário do sujeito foi que o levou até ali, o empresário desse bendito roteirista, deve ser o melhor do mundo. Só isso explica que alguém tire do bolso dez milhões de Doletas para financiar esse filme! Saca só os buracos da Trama:



No universo desse filme, a Nasa ainda não mandou ninguém a Marte, no entanto, eles resolvem mandar uma nave tripulada para Júpiter, que é quase seis vezes mais distante e tudo isso para quê? Para investigar!! OK, manda uma galerinha meio sem noção para o espaço fazer o que uma sonda robô pode fazer, até porque sonda é caro e gente nos temos mais de sete bilhões no planeta (joínha roteirista)

Nesse filme, os astronautas são as pessoas mais burras do mundo! Esquece "perdido em Marte", onde todos seguem a hierarquia e são especializados pelo menos em duas coisas, aqui ninguém parece saber de nada, o mecâncio diz o tempo todo que quer a família, o engenheiro fica emburrado e não toma banho, a bióloga tá sempre deprê e todos passam o tempo todo brigando e não seguem o protocolo de abordagem nunca e jamais,até mesmo quando a nave para de funcionar. São pessoas desequilibradas e mimadas presas em um lugar fechado, tipo um Big Brother Brasil; talvez venha daí o termo do Pedro Bial "Viajantes dessa nave louca!"...só pode.


Para dar ainda uma ideia de péssima realização, o filme é feito em formato de falso documentário, parecendo imitar o próprio "distrito 9", mas pecando pela trama rasa, personagens sem carisma e propósito idiota. Os cortes são feitos de maneira irritante e a história avança e regride a todo momento, buscando gerar um clima de suspense, mas entregando apenas frustração e mesmice. Os efeitos especiais são piores do que muitos canais de Youtube usam para produzir curtas e o desejo de transformar o a trama em um filme de terror ao final ainda me dá mais raiva.
E O final? Desculpa aí, mas precisamos falar sobre o final, e , como dizia um amigo meu, filme ruim não tem spolier, tem aviso de "proteja seu dinheiro", então lá vai:


Muito gelo e falta de noção
Depois dessa turma muito louca passar mais de um ano no espaço indo em direção a bendita Lua de Júpiter eles pousam na gelada superfície (Pois a Europa é coberta por uma camada quilométrica de gelo e recheada de água) e um de seus tripulantes diz ter avistado uma luz, logo após isso eles resolvem colocar a sonda perfuratriz para trabalhar, a fim de atingir a parte líquida do satélite (não sei quais os riscos de fazer um buraco em um contenedor hermeticamente selado em um lugar sem atmosfera, mas eles são da Nasa!), então, depois de algumas horas escavando, a sonda adentra o ambiente líquido, vemos umas luzes e SHAZAN!! a sonda perde contato (medo, terror e desespero entre a tripulação) então, um dos tripulantes tem abrilhante ideia de sair da nave para avaliar o que aconteceu e BUM!!! some... a situação começa a ficar tensa e eles resolvem fazer o que qualquer tripulação sensata faria...mandam outra pessoa atrás do desgraçado ( isso mesmo, eles estão a um ano e meio de distância do planeta terra, em uma lua congelada do maio planeta do sistema solar, sem comunicação com a terra e com uma sonda e um colega desaparecidos e mandam outra pessoa para fora bancar o detetive!!) , mas em vez de encontrar o colega, a coitada que ,na verdade se voluntariou a procura-lo, se depara com umas luzes e de repente começa a fundar no gelo até chegar na parte líquida da superfície (notar que o gelo possui uma camada quilométrica) então temos um close no rosto da moça (que está apavorada) e a câmera se desliga, assim como os sinais vitais da astronauta. A partir daí tudo descamba para o terror e teoria do Caos, é equipamento que não funciona, astronauta pirando, gelo rachando...é como se a nave tivesse sido comprada no Paraguai e os astronautas treinados nas ilhas Caimã. Então descobrimos que algo está capturando a tripulação, mas já é tarde e tudo vai pro espaço (literalmente) então, quando não há mais esperança e sobrou apenas uma pessoa, está decide abrir as comportas, onde a nave está afundando no gelo, gravar o que está acontecendo e deixar o invasor entrar para esclarecer à base, o que aconteceu e então vemos o que estava capturando os pobres e desequilibrados membros da tripulação... uma espécie de Polvo alienígena, bio luminoso e sedento por carne humana que comeu todo mundo e aparece apenas em um frame.

O filme acaba com a diretora da Nasa, responsável pela missão, chorando e falando que os membros da tripulação foram heróis e blá, blá, blá.... Mas na boa?! Está tudo muito errado!!
Para começar pela física. Uma nave espacial é fechada de uma maneira que não possa ser despressurizada, pelo motivo óbvio que isso mataria a todos lá dentro; se em um avião na terra é assim, imagina no espaço, então como as portas da nave são abertas com a piloto sentadinha e consciente e um lugar que nem mesmo tem atmosfera???
Outra coisa é que a superfície do planeta é composta por uma camada de quilômetros de gelo, no entanto, a criatura alienígena transita de boa entre a água e a superfície (superfície que não possui atmosfera e deveria suga-la para o espaço!) COMO???

tristão
Outra coisa que chamou minha atenção é que não parecia haver hierarquia entre a tripulação e nem procedimento, todo mundo fazia o que queria, tomava medidas que comprometiam os outros e a missão, era a casa da mãe Joana no espaço. O único que ficava dizendo que estava abaixo de alguém era o personagem do Charton Copley (que é o primeiro a morrer) já o resto, estava lá porque não tinha nenhum lugar legal para ir nos três anos que ficariam no espaço e a culpa, meus amigos, como sempre , é do RH... porque o RH da Nasa deixou muito a desejar com essa equipe.

Para terminar, como as imagens chegaram a Nasa, para que eles montassem esse "documentário", se a comunicação foi perdida no meio do caminho? Será que o sistema de rádio funcionava à base de água e só mandou as mensagens quando a nave afundou no gelo? Jamais saberemos.

magoado
Olha, esse foi um dos piores filmes que eu já vi. Se ele não se levasse tão a sério poderia ser uma espécie de "terrir-Sci-Fi", mas quem escreveu e dirigiu, realmente acreditava que o que a história que possuía era boa... muito triste.
A direção é parca, o roteiro tem tantos furos que poderia ser um filme em homenagem ao queijo suíço e as atuações não fraquíssimas, tanto que torci pelo monstro alienígena, os efeitos especiais parecem ter sido feitos para um jogo de mega-drive e a fotografia e montagem executadas por um cego e alguém com amnésia (respectivamente).

Recomendo que assistam esse filme em um dia que estejam se sentindo muito, mais muito mal e sem esperança. Pois vendo essa coisa e sabendo que o orçamento foi de dez milhões de dólares e mesmo mal divulgado e executado, arrecadou mais de de vezes o valor deste investimento, você saberá que tudo é possível e que também podes vencer na vida.

O mais louco é que poder da ficção científica é tão forte que nesse último Setembro, a Nasa anunciou que vapores de água foram visualizados na Lua Europa, de Júpiter, uma situação bem parecida com o que dá início a trama do filme. O que me fez pagar a língua, porque quem sabe realmente exista uma monstro comedor de gente no meio do gelo e a Nasa já até saiba disso e nesse exato momento esteja recrutando os cientistas mais idiotas do mundo para serem as cobaias dessa experiência no espaço profundo desse maravilho sistema Solar? Só nos resta agora esperar a divulgação da data da missão e aguardar que quando o documentário do que aconteceu for divulgado, ele seja dirigido pelo Ridley Scott. (queira Zeus!)



O verdadeiro herói do filme