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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A BEIRA DA LOUCURA (1994) #Zerocult 4


Imagina um filme com o clima dos contos de Lovecraft, onde tudo gira em torno de um escritor de terror totalmente inspirado em Stephen King, dirigido por um mestre do terror e produzido no meio dos anos noventa, mas com todo espirito dos anos oitenta? Parece estranho demais para ser concebido, não?! Mas existe!! Se trata de "À beira da Loucura" (In the mouth of madness), distribuído em 1994 pela New Line, dirigido pelo Genial John Carpenter e estrelado por Sam Neill, que, em um dia de chuva onde até faltou luz, me trouxe toda aquela sensação que o falecido "cinema em casa" do SBT me trazia quando eu era um guri.

O filme acompanha os passos de John Trent (Sam Neill), um investigador de seguros, que é contatado por uma editora para encontrar um famoso escritor de terror chamado Sutter Cane, que desapareceu um mês atrás, deixando um livro inacabado que já tinha data de lançamento e direitos vendidos para o cinema. Na pista do escritor, John Trent acaba chegando na pequena cidade de "Rob's End" acompanhado de uma funcionária da editora, onde além do escritor, ele encontrará uma verdade tão grande e destruidora que vai abalar pra sempre sua sanidade (uuUUUuuu) .

Que - filme – maluco! Para começar pela escalação de Sam Neill como protagonista, que havia estrelado Jurassic Park, um dos melhores e mais marcantes filmes do início dos anos noventa, onde ele interpretava Alan Grant, que aparecia como um tipo de Indiana Jones da paleontologia em uma atuação memorável, aí nesse filme, que foi lançado apenas um ano após o filme do Spilberg, ele parece que sofreu uma amnésia e age da maneira mais canastrona possível, certo que o roteiro e a direção pedem aquele tipo de atitude, mas seus trejeitos, risos e choros (ainda mais depois que o personagem enlouquece) rivalizam em muito com o Coringa do Jared Leto.


Falando da direção e roteiro, talvez o grande responsável de o filme ter caído no esquecimento, seja o fato (além é claro que nesse mesmo ano estrearam filmes que se tornaram clássicos imediato, como "Pulp Fiction", "O rei Leão", "Forrest Gump", "O corvo", "Entrevista com Vampiro" e "Assassinos por natureza") de que tanto o estilo de como a história é contada, assim como a forma da direção, estarem fora de seu tempo. A direção de John Carpenter, embora boa, mas já não na melhor fase, parece ainda presa aos anos oitenta, trazendo alguns vícios daquela época onde o diretor se destacou com filmes como "Halloween", "Enigma de Outro mundo" e "Eles Vivem" para um tempo onde as pessoas procuravam algo diferente, com argumentos e questões mais profundas e isso fica claro até no uso já tardio de efeitos práticos que tentam repetir a experiência presente nos filmes citados anteriormente do diretor, sendo que isso acaba datando a produção. O roteiro também fica a desejar, parecendo copiar o espírito de alguns dos contos de Stephen King, onde os personagens são envoltos em uma situação muito maior que eles e da qual é impossível sair, mas a forma caricata como esses personagens se mostram, não cria o mesmo laço com que King consegue prender seu leitor, o que transforma uma história que poderia ter um ar de maior tensão e suspense em uma mistura de terror com comédia, mas sem ser muito aterrorizante e nem tão engraçado.



Apesar dos erros, uma coisa que gostei do filme foi o estranhamento que ele consegue passar ao espectador. A história, por ser contada por um louco, é uma maluquice em espiral e conforme vai se encaminhando para o final o clima te deixa meio tonto, no melhor estilo Lovecraftiano, onde eu só achei uma falha mostrarem os monstros, pois se deixassem a narração da acompanhante do protagonista, com o olhar do mesmo mirando a escuridão, acho que imaginação faria um trabalho bem melhor do que aquele bando de monstro de borracha cobertos de óleo, mas isso não estraga por completo o lance da loucura e bizarrice.

Tô doidão
Outra coisa bacana e que também colabora nesse estranhamento é o clima oitentista. As Ruas e becos cobertos de lixo, a umidade da cidade grande, o clima ensolarado e campestre da cidade do interior, tudo isso lembra muito a "sessão da tarde" e "cinema em casa", sem contar que a própria interação dos personagens é total dos anos oitenta, com o protagonista dando em cima da funcionária da editora desde o primeiro minuto que se encontra com a mesma e ela meio que aceitando, a mulher ser a descontrolada que enlouquece de primeiro, sem contar que em um momento de pavor, o protagonista simplesmente mete um soco na cara da mulher para ela desmaiar e ele poder fugir com ela, é muita loucura para uma hora e meia de filme.

Apesar de suas falhas e insanidade, me diverti assistindo "À beira da Loucura". Um filme que trás um pouco da estranheza dos contos de Lovecraft, aliadas as ambientações e terror de um Stephen King e ( por que não?) um pouco das comédias pastelão das tardes de dia de semana. Uma produção interessante, que mesmo estando fora de seu tempo (esse filme deveria ter sido gravado em 1985), ainda trás o último suspiro da genialidade de John Carpenter e só por isso, deixar de assisti-lo seria, para eu que sou fã, atestar minha total insanidade.





sexta-feira, 18 de março de 2016

LADY SNOWBLOOD (1973)



Japão, 1874, o ano 7 da Era Meiji. Inspirado pelos progressos europeus, o país passa por fortes transformações, os samurais estão sendo extintos e costumes ocidentais começam a ser absorvidos; é nesse cenário, onde entre o período de tempo de atuação de Kenshin batosai, o samurai X e luta de Tom Cruise em "O último Samurai", em uma prisão de Tóqui, nasce uma menina, uma criança do submundo, fadada a saciar a sede de vingança de sua mãe e inspirar Quentin Tarantino em seus filmes, seu nome é Yuki, mas todos a conhecem como Lady snowblood.

Dirigido por Toshyia Fujita, baseado no mangá Homônimo de Kazuo Koike e estrelado por Meiko Kaji, o filme foi lançado no Japão em 1973 e conta a história de Yuki ( Ah vá!), que é concebida como a personificação do desejo de vingança de sua mãe, que anos antes tem a vida destruída quando o marido é enviado como professor para um remoto vilarejo e lá um grupo de quatro golpistas cobram proteção ao espalhar entre os agricultores que homens de branco vagam pelo Japão alistando à força no exército os filhos das famílias de lavradores, dotado do maior azar do mundo, o marido de Kashima Sayo ( a mãe de Yuki) se depara com o grupo quando está chegando no vilarejo e trajando um indefectível terno branco acaba sendo assassinado sumariamente juntamente com seu filho, para que o bando de golpistas demonstre a eficácia de sua "proteção" aos campesinos, do mesmo modo passam a violentar a mulher, que mais tarde ainda é levada por um integrante do grupo como uma espécie de escrava sexual para Tóquio. Na capital, Sayo mata seu raptor e é presa por assassinato e condenada à prisão perpétua, passa então a se envolver (no sentido bíblico) com todos os homens que tem contato, seja ele monge budista, carcereiro ou officeboy da cadeia pretendendo ter um filho que termine o que começou e é assim que durante uma nevasca, ao custo da vida da mãe, nasce nossa protagonista, que vai buscar dar cabo aos três assassinos que restaram.


O filme traz toda aquela aura de vingança que se tornou pop com os filmes do Park Chan-wook (oldboy), onde a história é construída sobre o alicerce da filosofia grega e sabedoria oriental, em que é mostrado que quando um plano de vingança é executado ninguém saí inteiro. Para começar pela protagonista que não é vista como uma mulher, mas como uma arma viva, uma pessoa que sacrificou toda sua vida buscando estar preparada para cumprir sua missão de matar os responsáveis pela tragédia que ocorreu em sua família; Yuki nunca ri ou parece ter empatia e todos sentimentos que parece ter são o ódio e a frustração que a atriz transmite através do olhar, apenas no final do filme, em sua hora derradeira a personagem esboça um sorriso, que me pareceu muito mais de compreensão e alívio, do que de alegria.
Outra coisa bem legal é o fato de a vingança se concretizar vinte anos depois do que a inspirou e esse espaço de tempo agir nos antagonistas de forma transformadora, ou aditivado seus defeitos ou destruindo suas vidas. Embora os "Vilões" não sejam muito aprofundados quando aparecem jovens, vamos notando que uma mudança neles ocorreu até o dia que Yuki entra em suas vidas e a maior mudança parece acontecer com Takemura Banzo, que Yuki encontra doente e alcoolatra vivendo as custas do trabalho da filha, que se prostitui mas que o pai acredita vender cestos, ele parece que carrega o peso dos pecados do passado e sua transição de algoz para vítima corrobora para a frase que transita em todo filme "Oldboy" de 2003 "Seja pedra, seja grão de arei, na água todos afundam"... ou seja, arrependido ou não o cara tá lascado.
Destinos parecidas são reservados aos outros dois golpistas, O ganancioso Gishiro e a maliciosa Okono. Esses dois ainda enriquecem a história quando incluem a questão da frustração no enredo, imagina tu ser treinado desde pequeno para uma determinada missão, matar três pessoas e acaba descobrindo que uma morreu em um acidente e quando tu vai atrás da outra essa se mata... frustrante não? Mas é o que acontece, depois de Okono se revelar, Yuki vai atrás dela para dar fim a sua vida e após vencer seus seguranças, encontra o corpo enforcado de seu alvo, não tendo outra atitude perante a essa situação do que cortar o corpo em dois e se entregar a frustração.
No Caso de Gishiro, Yuki sofre uma decepção ainda maior ao se deparar com a lápide do líder dos assassinos, atirando sobre esta toda sua fúria contida, sem imaginar que o líder dos assassinos de sua família, para escapar da justiça que o perseguia por tráfico de ópio, fingiu sua própria morte e só é descoberto porque se vê obrigado a passar uma mensagem a uma pessoa próxima essa pessoa leva Yuki para sua última missão dentro do palácio de Gishiro. O embate final é muito bacana e nele os fins justificam os meios, ao custo até das pessoas que ela ama. A cena da morte de Gishiro é simples e marcante, tenho certeza que inspirou uma história do Justiceiro que li quando era pequeno e a frase "Olho por olho" , com close nos olhos de Meiko Kaji , antes do banho de sangue, nos põe um sorrisinho maroto nos lábios.

O final faz jus a todo embasemento sobre o qual é construído o enredo do filme, ou seja, se for procurar vingança cave duas covas, uma para seu alvo e outra para você. Yuki cumpre seu papel de vingadora, mas perde seu objetivo de vida, como representante viva do niilismo, não resta nada para ela a não ser a morte e essa chega não só de seus ferimentos, mas também do punhal da filha de Takemura Banzo que busca vingança pela morte do pai e assim o ciclo de vingança segue seu caminho e vemos a neve manchada de sangue e os gritos de dor e ódio da Lady Snowblood.

Achei um filmaço! Fico pensando que talvez eu nunca tivesse chegado a esse filme se não fossem as referencias do Tarantino. O visual do filme é muito bacana combinando cenas em estúdio que parecem fake, mas dão um ar de originalidade, com cenas em locação aberta que parecem meio amadoras, mas que constroem a narrativa do filme bem colocada entre as produções dos anos 70. As cenas de luta são divertidas, com muito, mas muito sangue mesmo e a trilha sonora é marcante, com a própria Meiko Kaji cantando. Repito, um filmaço diversão garantida e vingança saciada.


sábado, 3 de outubro de 2015

LISTA NEGRA (Black music old school)

  A rede plim-plim estreou a série "lista negra", uma dessas séries meio CSI que ninguém se prende muito. Resolvi então lançar a minha lista negra, uma lista de Black music old school que sempre andam na minha cabeça.


1-  How can you mend a broken Heart?(Al Green)

 Um clássico do mestre Al Green e uma das poucas coisas boas presentes no filme "O livro de Eli" do Denzel Washington.


2- Let's Stay Together (Al Green)

  Outro hino de Al Green , trilha que toca ao fundo da cena onde Marssellus Wallace diz a Butch coolidge que ele deve perder a luta no filme "Pulp Fiction".


3 - Across 110th street (Bobby Womack)

 Minha música preferida do Bobby Womack e tema de abertura do filme "Jackie Brown" do Tarantino. Fala sobre as dificuldades de fugir do que o mundo te impõem e vencer na vida. Sonzeira!


 4 - Trouble Man (Marvin Gaye)

  Marvin Gaye em sua essência. Musica que fecha "Capitão América 2" , um dos melhores filmes da MARVEL estúdio até agora. "... há apenas três coisas com certeza: Impostos, mortes e problemas"


 5 - Many Rivers to across (Jimmy Cliff)

  Cara! Quando o episódio 10 da primeira temporada do "Demolidor" começa com o enterro do Ben Urich e toca "Many Rivers to across", o arrepio que se sente é a comprovação de que você é humano. Uma música que se soma a "Across 110 th Street" no que tange as dificuldades da vida. Mágico!!



                      bonus track (porque eu gosto!)

  
  *Al Green - A lover's Hideway



** Otis Redding - The dock of the bay



***Otis Redding - Higher and higher 



     Minha dica??  Procurem mais sobre os indivíduos na lista, eles merecem muito a atenção de todos!

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

O SENHOR DAS MOSCAS (1963) - zerocult #2

   Um grupo de sobreviventes de um acidente aéreo se vê isolado em uma ilha deserta tendo de lutar para sobreviver e na ausência de um poder que monitore seus atos, o lado mais selvagem de suas personalidades vai se mostrando, a razão vai sendo deixada de lado e a força e a selvageria vão dominando o grupo. Não! Não estamos falando de “Lost” , mas sim de um clássico de 1963 , “ O senhor das moscas”, dirigido por Peter Brook e adaptado do livro Homônimo de Willian Golding.
   O filme gira em torno da cisão entre esses sobreviventes em dois grupos, que começa com a apresentação dos personagens da trama. De um lado temos Ralph, que é escolhido como líder pelo voto dos sobreviventes e com a ajuda de seu colega “Porquinho”, cria leis para manter a ordem, como a obrigação de segurar uma concha para poder ter a palavra em assembléia e organização de um grupo para manter uma fogueira acesa para chamar a atenção de possíveis viajantes que passem próximo a ilha e possam resgata-los, ele é comedido e sensato e busca manter a sanidade e união do grupo; do outro lado temos Jack, líder do coral,que é arrogante e confiante,e, que aos poucos vai se destacando ao organizar os meninos do coro como caçadores, se tornando responsável pela alimentação do bando e dominando o grupo pela força. Além dos dois garotos que vão liderar cada facção, o filme ainda aprofunda dois dos personagens, ambos pertencentes ao grupo de Ralph, um deles é “porquinho”, que como comentado anteriormente ajuda Ralph na organização das regras da ilha e é a razão dentro da história, em nenhum momento ele se deixa levar pela selvageria ou anarquia que vai dominando seus colegas e sofre tanto por se manter fiel a seus valores, quanto por não se enquadrar nos padrões ditados por quem vai dominando a situação; o outro personagem é Simon, um dissidente do coral, que nos é apresentado desmaiando logo no inicio, indicando a falta de empatia pela “fraqueza” que os futuros caçadores já possuíam, ele é o tímido que não reage mas não teme, ele é a coragem discreta que paga o preço por ser diferente. Quanto ao grupo de Jack, o diretor faz questão de mostra-los como selvagens ou animais, tanto que quase não há falas destes, apenas gritos, momentos de caçadas e danças, podendo-se dizer que o grupo de Jack representa o caos mais primitivo da raça humana e que aflora sempre que não existem amarras sociais.
    Conforme os dias vão passando e as dificuldades aparecendo, o grupo vai se polarizando e esse fato é intensificado com o possível aparecimento de um monstro na ilha. A presença desse “monstro” é fator determinante para a derrocada da razão na sociedade que se forma, pois grande parte dos garotos parte para o lado de Jack por entender que apenas os caçadores são capazes de protege-los e assim o grupo de caçadores começa a desenvolver uma espécie de religião, onde a cabeça de suas caças torna-se uma oferenda ao monstro em troca de proteção. Dessa forma o poder chega as mãos de Jack através de dois pilares: A força e a religião. Essa parte da história é o ponto alto do que o autor parece querer mostrar com a máxima “O homem é lobo do homem.”, quando a força e a religião tomam o mesmo lado do poder, não há mas sensatez que possa chamar o grupo de meninos à razão e nesse momento que temos as duas vozes racionais do filme silenciadas , Simon e Porquinho, o primeiro por poder desmascarar o que se passa por trás do monstro e o segundo por confiar na razão de quem já havia sido dominado pela selvageria.
 
Porquinho e Ralph
 Ralph acaba só, ilustrando a opinião diferente que mesmo correta é perseguida em meio a involução proporcionada pelo estado de selvageria e medo da força e legitimado pela religião extrema. Podemos chamar de medo, porque vemos alguns dos meninos ainda conversando escondido com Ralph e explicando os planos de Jack, que já havia deixado uma vara afiada em duas pontas para quando o encontrasse , mas incapazes de se levantarem contra o novo líder que distribui castigos e ameaças àqueles que o desobedecem. Assim a perseguição a Ralph se intensifica culminando com o incêndio da parte da floresta onde ele se encontra e o fazendo fugir para a praia sendo perseguido pelos caçadores, o que acaba fazendo com que eles se deparem com marinheiros que ficam atônitos com a situação dos meninos, transmitindo assim o olhar da razão e sociedade e temos um close no rosto de Jack entendendo o que fez ao ter esse choque com a realidade de adultos chegando na ilha e terminamos o filme com as lágrimas de Ralph.

    O quê falar desse filme? É simplesmente um filmaço, feito em uma época em que o cinema não tratava o espectador como um imbecil e livre do politicamente correto. Há bulling com o coitado do Porquinho (até mesmo por parte de Ralph), assassinato de crianças e selvageria. O filme é um conto que ilustra um fato que sempre esteve presente em todas as sociedades que é o domínio pela força, seja esta física, religiosa ou psicológica, além de nos apresentar o processo de quebra das convenções sociais e desobediência as regras mais cristalizadas da sociedade nos momentos extremos e que se torna único por fazer isso utilizando crianças, que teoricamente, seriam as pessoas menos inclinadas para esse tipo de comportamento; além disso ainda nos coloca para refletir sobre liderança e poder.
   A direção de Peter Brook tem aquele toque clássico do final dos anos cinquenta, passando ao expectador uma tensão que 
Jack e seus caçadores
cresce aos poucos e que se torna constante no final do filme. A direção de fotografia é bem marcante, trabalhando com foco nos olhos dos personagens ou planos de seus rostos para deixar claro seus entendimentos sobre a situação, fato que é bem eficiente devido a boa atuação dos atores mirins.
    O filme conta com cenas memoráveis, como o discurso de porquinho apelando pelo retorno à razão dos colegas e os questionando sobre qual tipo de líder eles prefeririam, um sensato ou um selvagem, o que lhe é respondido de forma derradeira. Também quando um dos gêmeos mais jovens conta como foi seu encontro com o “monstro” e quando Ralph, vendo que seu poder de líder vai se diluindo, se recusa a chamar os dissidentes para não deixar claro aos outros que o grupo está se dividindo.

Como já dito antes, é um filmaço que coloca varias questões para se pensar. Tornou-se um clássico para mim em seus primeiros dez minutos e merece ser visto por todos, principalmente em dias como os de hoje, onde MAIS DO QUE NUNCA , o homem é o lobo do homem.

Quem quiser ver On-line, segue link

http://www.filmotecaonline.com.br/2015/01/o-senhor-das-moscas-lord-of-flies.html

terça-feira, 23 de junho de 2015

" O ENIGMA DO OUTRO MUNDO " ( 1982) - Zero Cult

   Exatamente a trinta e três anos atrás, no dia 25.06.1982 , John Carpinter trazia às telonas de cinema um filme que viria a se tornar um clássico do terror e que eu, graças a sorte de ter nascido em uma época onde se achava que leite com pera dava dor de barriga, assisti no extinto “cinema em casa” do SBT. Estou falando do fantástico “ The Ting”, ou como foi maravilhosamente traduzido no Brasil,“ O enigma do outro mundo”.
O filme é protagonizado pelo queridinho do diretor, o grande astro da sessão da tarde Kurt Rusell, que interpreta o papel de R.J MacReady, um piloto de helicóptero bad ass em uma base americana na Antártida, onde um grupo de cientista estão isolados em pleno inverno glacial fazendo o que cientistas héteros fazem isolados em uma base na Antártida em pleno inverno, ou seja, bebendo Wisky e jogando cartas.


   A vida vai seguindo seu fluxo rotineiramente gelado, até que em um belo , ouve-se o som de um helicóptero que vem ao longe. Nesse Helicóptero dois Noruegueses vem atirando e jogando granadas em um cachorro que corre como pode na direção da base americana para salvar sua vida. O Helicóptero pousa e o caos se instaura. Os tripulantes descem atirando contra o cachorro e acabam acertando a perna de um dos cientistas, um dos tripulantes tenta arremessar uma granada e essa escorrega de sua mão explodindo a aeronave e ele mesmo em uma cena no melhor estolo trapalhões, na confusão o outro tripulante é morto e o cachorro é levado para dentro da base.
  Aterrorizados com o acontecido e sem conseguir contato com a base norueguesa, o médico da equipe resolve ir com nosso herói até o local do acampamento de origem dos insanos caçadores de cachorro. Lá chegando, encontram um lugar destruído, repleto de cadáveres e parcialmente queimado, sem saber falar norueguês (para ler os relatos encontrados) e com uma tempestade se aproximando, eles resolvem coletar todos documentos que encontram e fitas de vídeo e partem em retorno para o seu acampamento.
   De volta à base americana, nossos heróis descobrem, após assistirem a nove horas de vídeos das peripécias da equipe norueguesa na neve, que os cientistas nórdicos encontraram um objeto de metal gigantesco sob o gelo e desencavaram e retiraram um fóssil do lugar. Nesse mesmo instante, o bendito cachorro que fugiu para a base no inicio do filme começa a agir estranho e mandam o responsável pelos cães o colocar no canil junto dos outros, é aí que o perigo se revela para nós espectadores, o cachorro não é um cachorro, sua cabeça se abre revelando uma criatura grotesca, inominável e terrívis !!! A criatura tenta se fundir, ou contaminar os outros cães, que fazem um estardalhaço chamando a atenção de todos na base, que partem para o canil para ver o que se trata.
   
No Canil , os cientistas, encabeçados pelo Kurt Russel, se deparam com a criatura parcialmente fundida com os cães, e , é pata para um lado, três cabeças , tentáculos pra tudo que é lado; no meio dessa balburdia , nosso querido pilote de helicóptero tem um insigt e lembrando que a base norueguesa estava toda queimada pensa em usar fogo para dar cabo da criatura o que ele faz, mas não antes que uma parte dela fuja pelo teto, para desespero de todos que assistiam atônitos ao show de horror que acontecia ali no meio da noite.
   Agora é barata voa !! Existe uma criatura, que possivelmente foi a causa do ocorrido na base norueguesa, solta dentro da base incomunicável americana no meio do inverno glacial e ninguém está seguro. Imediatamente o doutor começa a pesquisar utilizando seu computador de última geração que mais parece um Atari e fazendo necrópsia em um dos corpos que ele trouxe da base norueguesa, descobrindo que a criatura tem a capacidade de reproduzir e imitar qualquer ser vivo, como um metamorfo. A partir desse momento está aberta a temporada de paranoia, ninguém sabe mais em quem confiar, o médico pira e destrói o helicóptero da base, pois , graças a seu Atari sabe que se o alienígena entrar em contato com a civilização toda raça humana estará infectada em duzentos e noventa e um dias (7.000 horas ), nesse mesmo tempo, alguém começa a sabotar o banco de sangue e largar falsas pistas pela base, o que leva os sobreviventes a acreditar que nosso protagonista é uma réplica e não ele mesmo e o abandonando na parte de fora da estação para que congele.
   Não se dando por vencido, MacReady invade a estação pelo estoque e para não ser incinerado se agarra à bananas de dinamite (porque elas estão lá eu não sei!) , enquanto um de seus colegas tem um ataque cardíaco e precisa da ajuda do médico. Temos aí então uma cena marcante da minha infância , o homem está aparentemente morto, quando o médico pede o desfibrilador, na hora em que vai dar o choque para reanimar o defunto falecido do cientista morto, eis que uma BOCA se abre no tórax do indivíduo e come as mãos do médico, para cagaço geral, que sai correndo. MacReady então, de posse de um lança chamas queima a criatura. A partir desse momento ele resolve amarrar a todos e fazer testes sanguíneos com os mesmos, o teste consiste no seguinte: um prego é aquecido no lança chamas e introduzido no sangue, sabendo-se que a criatura só pode ser morta com fogo e deduzindo-se que não se trata de um criatura, mas de várias que formam um corpo, ele acredita que o calor no fogo iria revelar quem está contaminado. Assim, um a um, os seis sobreviventes são testados, começando pelo próprio MacRedy, até chegar em Windows, o operador de rádio, que começa a sangrar pelos olhos, se solta da cadeira e gruda no teto (mais uma cena inesquecível) e assim que cai divide sua cabeça em dois e mastiga a cabeça de outro pobre coitado, não dando outra alternativa a nosso herói do que incinerar os dois.
   Sabendo que não há como sobreviver, pois é o primeiro dia do inverno na Antártida e seus suprimentos, comida e abrigo foram comprometidos, e percebendo que se o alienígena chegar a sociedade os danos serão irreversíveis eles resolvem destruir a base e aguardarem a morte que se aproxima. Assim eles vão dinamitando cada módulo da base enquanto a criatura ainda os persegue. No final, sobram apenas nosso herói, Kurt Russell e o Mecânico da expedição, Childs, interpretado por Keit David , ambos sentados no gelo desconfiando um do outro e aguardando o fogo apagar para saber o que acontecerá com eles, mas sem nenhum otimismo.

    É um filmaço !! John Carpinter em sua melhor forma ! O filme é um remake de um filme de 1951, chamado “O monstro do ártico “ de 1951, dirigido por Christian Nyby , que por sua vez é baseado em uma novela escrita por John Campbell chamada "Who Goes There?" e que tem como mérito ser uma das histórias de vanguarda da verdadeira ficção científica, estilo que Campbell deu prioridade (e quase exclusividade) quando foi editor da revista Astounding Science-Fiction , revista que revelou escritores do nível de Asimov e Robert A. Heinlein .
   O filme é assustador, conseguindo uma crescente de tensão sem entregar quase nada de inicio (exceto pelo fato de que um disco voador cai antes de sermos apresentados ao nome do filme) . Parte dessa tensão é culpa da discreta, mas onipresente trilha sonora escrita pelo gênio Ennio Morricone e a sensação de solidão e isolamento que a ambientação traz. Os personagens são bem construídos e apresentados, temos o piloto bad-ass ; o mecânico durão, o técnico em rádio maconheiro, o comandante cético, o médico que pira e até um cozinheiro patinador, para ser perfeito só faltou a criança gênio, o cachorro falante e a gostosa histérica. Quanto aos efeitos especiais , acho eles incríveis, principalmente quando se sabe que são efeitos prático, pois não existiam computadores para inclusão de Cgi naquela época, e o mais legal é que convencem ainda hoje.


   Como já dito, filmaço ! merece ser visto e revisto. Presente de uma época onde se fazia cinema de verdade , não tem como não dizer que esse filme merece nota 5 de 5 !

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

QUATRO MOMENTOS NA TV E CINEMA PARA MATAR UMA INFÂNCIA


4 - O final da série “Alf, O Eteimoso”

Quem viveu nos anos oitenta lembra do Alf, o extraterrestre. Quando veio para o Brasil, o programa passava nas manhãs de domingo , perto do meio dia na rede globo, horário que, naquela época, era reservado as crianças. A série mostrava a vida de Alf, um alienígena, vindo do destruído planeta Melmac e suas aventuras no cotidiano de uma família humana que o encontrou e adotou. O programa era um sucesso, brinquedos foram lançados e teve até uma série animada mostrando a vida de Alf em seu planeta natal antes da destruição. No entanto o final da série é angustiante! E por sorte só assisti bem depois, quando eu já estava adulto, quando a série já estava passando na BAND; no último episódio, agentes do governo americano descobrem que a família esconde um extraterrestre em casa e o levam embora ,isso depois de uma triste despedida, o que para bom entendedor significa que ele foi levado para ser estudado por cientistas americanos ! Ou seja, em algum lugar na área 51 deve haver um pequeno corpo dissecado escrito “ o último Melmaquiano”.
Por favor galera...Não me entreguem para a CIA !!!

3 - O Final da série “Família Dinossauro”

A última série de domingo ao meio dia a passar na globo. Acompanhava o cotidiano de Dino, um dinossauro suburbano e seus familiares e amigos; como tudo que era novidade virou um sucesso, roupas eram estampadas com os personagens, brinquedos eram vendidos e as falas do programa eram repetidas à exaustão, quem daquela época nunca gritou: “Querida cheguei!” ao entrar em casa, ou ouviu um “Não é a mamãe” de um brincalhão? Até Claudinho e bochecha criaram uma dança imitando os movimentos do dinossauro Dino!! No entanto, depois de algum tempo no ar, a tecnologia que fez de Família Dinossauro um sucesso começou a ficar ultrapassada e os produtores tinham de dar fim a série, e, porque não dar o fim real dos dinossauros para uma série cômica infantil? Pois foi o que foi feito! Depois de acompanhar uma seqüência de erros do dinossauros com a natureza, conflitos e a explosão de vulcões a série termina com a família reunida em casa, olhando pela janela enquanto na rua vemos neve e fuligem caindo e plantas desfolhadas, sugerindo um inverno fruto das nuvens de poeira causadas pelos vulcões , ou seja, a família dinossauro morre de fomo isolada dentro de casa!! A imagem que me vem a cabeça ao lembrar desse episódio é de Baby, o membro mais novo da família, olhando para a cara da mãe e perguntando “O que vamos fazer?”(ou algo assim) e a mãe olhando silenciosa o vazio e depois o capitulo acabando com uma tela negra, enquanto os créditos passavam em silêncio. Sorte minha ter visto esse episódio só depois de adolescente, mesmo assim foi amargo.

Olá, vocês poderiam conseguir comida para nossa família... estamos com fome desde a pré-história !
2 - A Morte do Jiban

No final dos anos oitenta e inicio dos noventa, houve uma invasão de heróis japoneses no Brasil, um desses heróis era o “policial de aço Jiban” , uma resposta japonesa ao robocop, mas com bem menos violência e com o típico humor nipônico característico de todo tokusatsu. Jiban apresentava a história de Naoto Tamura, Policial do departamento de Tóquio, da Central City, que morre quando salva a vida do Dr. Igarashi e de Ayumi de um monstro do perverso Biolon. Tamuta é ressuscitado e reconstruído para se tornar o Policial de Aço Jiban e finge ser um policial atrapalhado para manter a identidade secreta(dados Wikipédia). Durante a série, o personagem sofre uma crise onde o vilão consegue encontrar seus pontos fracos, o que culmina com sua morte, no episódio onde isso acontece ele tem um braço decepado e, demonstrando dor e sofrimento , morrendo ao ser travessado por uma espada em seu coração. Lembro que fiquei atônito e ansioso, pois nunca havia visto um herói morrer, o que se estendeu até o final do episódio seguinte onde ele é ressuscitado pelas lágrimas de Ayumi, a neta de seu criador, um tapa na cara do moleque de dez anos que eu era!
Uma arma grande não adianta nada quando não se tem braço e coração!
1 - A Morte de Kaori (Akira)

O filme “Akira” , baseado no mangá homônimo de Katsuhiro Otomo, foi um dos principais responsáveis pela popularização dos Animes e Mangás no ocidente. A trama mostra a história de Kaneda, um membro de uma gangue de motoqueiros da nova Tóquio, que se vê dento de uma trama política após seu amigo Tetsuo sofrer um acidente provocado por um menino paranormal. O filme que é um marco na animação e considerado (por mim) uma das maiores obras cinematográficas japonesas já feitas, inspirou livros e filmes como “Matrix”, mas para mim, representou a morte da infância. Assisti ao mesmo em VHS quando tinha uns nove anos e a cena que me transformou na pessoa que eu sou hoje foi a morte de Kaori, a namorada de Tetsuo. Kaori , havia seguido Tetsuo até o estádio olímpico de tóquio, onde o memso havia descoberto que Akira estava morto e que não havia rivais para ele (Tetsuo desenvolvera poderes paranormais após o acidente) , é quando, ao entrar em confronto com o ex-amigo Kaneda, perde o controle e se transforma em uma massa de carne deformada, destruindo tudo a seu redor e esmagando Kaory no processo, lembro dos gritos do dublador de Tetsuo; “ Kaneda!! Kaneda!! Ajude a Kaori...Kaneda! .... eu matei a Kaori, eu a matei!”, aquela cena foi tão chocante para mim que tive de assistir novamente o final do filme mais tarde , porque não consegui prestar atenção em mais nada após os gritos de Tetsuo, foi ali que vi que desenhos, Hq's e livros carregavam mais do que diversão, traziam experiências, muitas delas, não muito agradáveis.

Kaori sendo esmagada pelo que, um dia, foi seu namorado


terça-feira, 1 de março de 2011

Moacyr Scliar

    Morreu neste domingo, dia 27 de Fevereiro, o Médico e escritor Moacyr Scliar, de setenta e três anos. Me lembro quando terminei de ler o  "Exército de Um homem só" e prometi que leria todos os livros do autor, tarefa de hércules, dado o tempo que nos sobra entre trabalho,estudo, família e mais trabalho, pois para ler os mais de setenta livros que Moacyr Scliar publicou,  demoraria , para mim ,uns vinte e cinco anos, e com isso cheguei ao número medíocre de quatro obras lidas  ("Ciclo das águas", "Os Deuses de Raquel", "O exército de um homem só" e "A mulher que escreveu a bíblia") mas todas alegremente saboreadas.
     A coisa que mais chamou minha atenção em sua Obra foi a força de suas personagens, Desde o quixotesco Capitão birobijan de "exército..." até a meiga, sensual e feia escritora de "a mulher que escreveu a bíblia", seus personagens eram cheios de cor e luz, oscilavam entre a bondade e a indiferença, entre a voluptuosidade e a castidade, eram, resumindo, humanos; digo até que muito mais humanos que pessoas de verdade que conheço e que de tão apáticas às maravilhas de seu redor chegam à parecer que desaparecem contra um fundo branco. Esse era o dom de Scliar, nos sacudir através de seus contos e romances nos dar asas enquanto que maravilhados, esperávamos pelo que nos reservava a próxima página.Isso sem falar em seu valor  para a cultura judaica/iídiche presente em Porto Alegre e que eram apresentadas ao leitor sem enfeite ou maquiagem ,Quanto minha curiosidade foi provocada para saber mais sobre os PROGROMs Russos do início do século XX e quantas vezes me peguei lendo o velho testamento para ver onde se encaixavam as passagens que    Moacyr citava em seus livros.

     Gostaria de ter mais o que dizer, gostaria de apresentar dezenas de resenhas sobre as obras do Autor, mas não possuo esse dom, o que me resta é lamentar a perda desse gênio das palavras e tentar cumprir o que um dia eu prometi, ler todos seus livros, ou pelo menos todos que eu puder e agradecer por essa maravilhosa herança que se encarregará de que o nome MOACYR SCLIAR, jamais seja esquecido.

Moacyr Scliar  27/03/1937 _27/02/2011
Obrigado Scliar