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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

ATÔMICA (2017)



O Ano é 1989; Nos E.U.A, Bush pai assumia seu cargo de presidente; Na China, um estudante desconhecido parava uma coluna de tanques durante o protesto na praça da paz celestial; A Rússia se retirava do Afeganistão e no Brasil, Raul Seixas morria e Pedro Bial fazia sua mais relevante reportagem informando que o muro de Berlin caia, dando fim a vinte oito anos de divisão alemã. É durante esse período tão conturbado de nossa história que se passa a trama de um dos grandes filmes de 2017 e que aguardei ansioso desde seu primeiro trailer, trata-se “Atômica”, Thriller de espionagem e ação dirigido David Leitch e estrelado pela maravilhosa Charlize “Furiosa” Theron que estreou no final de Agosto para fechar o mês com um tiro certeiro e abrir Setembro com o pé na porta.

O filme conta a história de Lorraine Broughton (Charlize Theron), uma agente da MI6 que, após o assassinato de um colega em Berlin, que possuía uma lista contendo o nome de todos espiões em operação dos dois lados do muro, é enviada para Alemanha e incumbida de recuperar o material, que além de tudo possui a identidade de um perigoso agente duplo.
Às vésperas da reunificação alemã e contando com a parca ajuda do chefe da estação local, o pouco ortodoxo David Percival (James McAvoy), Lorraine terá de usar todo seu charme e talento como especialista em combate corpo a corpo e evasão para sobreviver ao derradeiro e mais sangrento jogo de espiões da guerra fria.



Cara, sabe aquele filme que consegue ser tão equilibrado, mas tão equilibrado que se você largar em uma corda ele fica paradinho? Pois Atômica é isso. Atuações convincentes, cenas de luta e perseguição de tirar o folego, reviravoltas na trama, fotografia e figurino bonitos, locações caprichadas e trilha sonora matadora, tudo muito bem organizado dentro de menos de duas horas de filme e que merecem ser creditados tanto à competência do diretor David Leitch, que vem crescendo no mercado de filmes de ação, quanto ao talento de Charlize Theron, que mais uma vez rouba a cena com sua atuação e carisma.

Quanto ao diretor, fica fácil reconhecer sua assinatura gráfica e estilo ágil quando comparamos "Atômica" com outro de seus filmes que foi bastante comentado, que é "John Wick" (2014), com a diferença que na nova produção Leitch mantém a ação frenética mas prende os pés no chão, o que não o impede de ousar, passeando com a câmera por ângulos que colocam o espectador quase como se fosse um passageiro durante uma perseguição de carros ou estivesse no meio das cenas de luta e tiroteio, nos presenteando com longas tomadas sem cortes e planos abertos que acabam por detalhar cada intenção dos presentes na tela sem a necessidade de quase nenhum diálogo, essa confirmação de estilo me fez, mais do que ficar empolgado com a história que estava assistindo, me sentir aliviado ao pensar que a sequência do filme do Deadpool está em mão competentes e capazes de superar a divertidíssima produção comandada por Tim Miller em 2016.

Já Charlize Theron está realmente magnifica, arrancando o fôlego de quem assiste ao filme e os dentes e sangue de seus inimigos na trama. A atriz Sul africana se reinventa mais uma vez e consegue deixar no passado seus papeis anteriores, como a marcante "imperatriz Furiosa" de "Mad Max" e Aileen Wuornos de "Monster" que lhe rendeu um Oscar; suas cenas de ação em nada ficam devendo às dos protagonistas de outros prestigiados filmes de espionagem e ação como "Jason Bourne", "John Wick" ou "James Bond", sendo que as coreografias de luta, os planos aberto e luz explorada pela produção parecem dar vantagem a Theron que, transparecendo força e sobriedade na atuação, se distancia de forma gigantesca de outras atrizes que também costumam viver papeis outrora interpretados apenas por homens e que, quase sempre, mostram uma postura quase caricatural repleta de caras e bocas pouco convincentes, como Angelina Jolie em "Tomb Raider" e "Salt", Mila Jovovich em "Resident Evil" e mais recentemente , Scarlett Johansson em "Ghost in the shell", sem contar que a atriz Sul Africana ainda abusa do charme e da beleza como armas fatais no jogo de espiões que sua personagem se envolve de forma infinitamente mais convincente do que mostrado em qualquer filme do gênero antes. Fatos que afirmam Charlize Theron, com "Atômica", como um dos grandes nomes femininos do cinema de ação.

O filme ainda tem a trilha sonora carregada com músicas da época em que se passa a trama, como arma secreta para mergulhar ainda mais o expectador dentro do universo explorado, tocando pontualmente canções consagradas como "Cat People" de David Bowie, "99 Luftballons" de Nena, "Father Figure" de George Michael, "Blue Monday" do New Order, entre outros grandes sucessos que ambientam o expectador naquele mundo e dão o ritmo e direção do filme com um artificio que parece ter se tornado moda desde "Guardiões da Galáxia" e que nesse filme funciona tão bem quanto, embora fique mais em segundo plano do que no filme da Marvel de 2014.

E Falando em Marvel, é importante lembrar que "Atômica" também foi baseada em uma HQ. A obra original, intitulada "A cidade mais fria" (Berlin, dividida pela Guerra fria, entendeu a referência?) foi escrita pelo inglês Antony Johnston e desenhada pelo ilustrador inglês naturalizado brasileiro Sam Hart e que pelo o que ouvi falar, posto que não li a HQ, é bem diferente do filme, principalmente no tocante a ação, o que , a meu ver dá mais crédito ao produção, por conseguir entregar uma releitura da história, que pega seus principais elementos acrescentando outras questões e escolhas, sem descaracterizar por completo sua intenção de mostrar um jogo de espionagem durante do declínio da cortina de ferro. Um exemplo que fica para os adaptadores de obras originais (em especial aos serviços de Streaming que acham que podem reinventar a roda adaptando animes e Mangás).


Então é isso, Com cenas de ação e perseguição de tirar o fôlego, uma trama cheia de reviravoltas onde ninguém sabe em quem confiar e carregado de estilo, "Atômica" chegou aos cinemas para reafirmar o poder da mulherada e divertir na medida certa. Traz uma protagonista que rouba a cena a cada segundo que surge na tela e um diretor que se firma a cada filme como uma das grandes promessas dessa leva que vem ganhando espaço, somando-se como principais responsáveis por cumprir cada expectativa que os trailers fizeram surgir em mim e me deixando ansioso pelas próximas produções da dupla. Então, que venha Deadpool 2 e que Charlize Theron continue a se reinventar e brilhar sempre... mas o mais importante, não confie em ninguém. 




segunda-feira, 12 de junho de 2017

MULHER-MARAVILHA (2017)


Havia resolvido dar uma pausa nos filmes de Super-heróis esse ano. Salvo "Logan", que era a despedida decente de Hugh Jackman como Wolverine e que me senti obrigado a assistir depois de tudo que a Fox fez com o personagem anteriormente e, "Homem-Aranha: De volta ao lar", que agendei mentalmente com a intenção de exorcizar os últimos dois filmes do herói, minha vontade de assistir qualquer produção dos grandes selos americanos era totalmente zero. Esse desinteresse se devia em parte, a fórmula repetitiva da Marvel, que depois de dez anos começou a me enjoar e, das decepções que a DC me proporcionou com "Batman vs Superman" e "Esquadrão Suicida". Então chegou junho, e da misteriosa e secreta ilha paraíso de Themyscira um símbolo de esperança surgiu e me fez voltar a ter fé que os filmes de Super-Heróis podem fugir das fórmulas pré-prontas e surpreender, Trata-se de "Mulher-Maravilha", filme estrelado por Gal Gadot e dirigido Por Patty Jenkins que chegou com tudo, quebrando paradigmas com sua espada e mostrando ao mundo tudo que o universo DC precisava ouvir e confessar, sem nem precisar usar o laço da verdade contra a editora.

"Mulher-Maravilha" é o primeiro (de vários) Prequels organizados pela Warner DC para contar a origem de seus personagens após os mesmos aparecerem no filme "Batman vs Superman"(2016)". Conta a história de Diana (Gal Gadot),a princesa das amazonas e filha da rainha Hipólita, que após ser treinada em segredo pela general Antiope e entrar em choque em seu último teste, se refugia na praia, onde acaba presenciando um acidente aéreo e resgatando o piloto britânico Steve Trevor (Chris Pine). Horrorizada com os relatos que o piloto faz a amazonas, de que o mundo está em guerra e, acreditando que a culpa desse mal se deve a Ares, o Deus da Guerra, Diana se dispõem a acompanhar o piloto em uma jornada de volta a Europa para caçar o responsável pelo sofrimento dos homens e restituir a paz, cumprindo o sagrado papel das Amazonas da ilha paraíso.

Terminei o filme empolgadaço e com um sorriso de orelha a orelha. Logo eu, que cheguei a pensar que o dia que eu elogiaria os filmes da DC jamais chegaria! Mas o que fazer? "Mulher-Maravilha" é um filmaço e que surge depois das decepções dirigidas por Zack Snyder e David Ayer, quase como uma aula de como entregar um filme honesto, como de o que é seu um herói de verdade.

Essa Aula, e o grande motivo do filme ser tão bom, sem sombra de dúvidas se deve a diretora, Patty Jenkins. A diretora de "Monster", filme que deu o Oscar a Charlize Theron, é pontual em suas escolhas para apresentar o mundo das amazonas e o primeiro contato de uma inocente Diana (inocente quanto a personalidade das pessoas, do resto ela manja muito!) e colocar a personagem em um lugar de destaque, tanto no universo DC, quanto no da cultura pop no geral, reafirmando a Mulher-Maravilha com símbolo de poder feminino e de força sem truculência (como infelizmente vimos nos últimos filmes da Warner/DC)



No entanto, é quase inegável, que a grande responsável pelo sucesso do filme é Gal Gadot. A atriz Israelense se impõem tão bem no filme, que rouba a cena estando em primeiro plano ou mesmo quando fica parada ao fundo. Além de linda (do tipo que sorri com os olhos) a atriz consegue passar realidade em sua interpretação, por mais estranho que isso possa parecer se tratando de um filme de super-heróis. Sua beleza só perde para seu carisma, que faz com que torçamos para ela, desde o primeiro minuto em que ela dá seu primeiro sorriso, isso tudo já havia sido percebido em "B vs S", onde a maioria do público concordou que a Mulher-Maravilha era a melhor coisa do filme e que se comprova nessa produção com grande mérito a atriz que a interpreta.

Outra outro fato que tem destaque no sucesso de "Mulher Maravilha" é o roteiro. Escrito por dois escritores de HQ, Geoff Johns, que é chefe criativo da DC nos cinemas (Sendo seu primeiro trabalho este maravilhoso filme) e Allan Heimberg que ganhou destaque em 2006 escrevendo os "Jovens Vingadores" para a concorrente; o roteiro acerta no alvo, ao optar em não fazer grandes mudanças na história da personagem em relação com sua origem nos quadrinhos e nem apresentar uma trama complexa demais, dando espaço para que todo tipo de pessoa presente no público se sinta fisgado pelo filme por um motivo diferente, pois embora simples, não faltam cenas engraçadas, de ação empolgante e até mesmo românticas nas quase duas horas e meia de história.

Além disso, o trabalho em equipe (direção / atuação/ roteiro) contribuem para uma série de momentos marcantes e importantes que o filme consegue traz para nos fazer pensar sobre nossa sociedade, sem torna-lo panfletário. Temos então uma cena cômica onde Steve Trevor, depois de interrogado pelas Amazonas, está tomando banho nu em uma piscina quando, ao sair é surpreendido por Diana que pergunta se todo homem é igual a ele, que responde que é acima da média, então ela pergunta o que é aquilo logo abaixo, e depois de alguns segundos de suspense cômico ele estende a mão e mostra um relógio e explica para ela que serve para dizer quando se deve acordar, comer, ir trabalhar, ao passo que a princesa das amazonas sorri e questiona de como uma coisa pequenina assim pode ordenar o que as pessoas podem fazer. Uma brilhante e sútil alegoria do roteiro e direção, utilizando o relógio como se falasse do pênis, para questionar o poder que a ele é atribuído por quem se acha acima da média.

Também temos a cena icônica da guerra, onde Diana parte sozinha em direção as metralhadoras alemãs, disposta a morrer para poder libertar as famílias que estavam sendo aprisionadas do outro lado da terra de ninguém e destruindo quase que sozinha toda linha alemã. Ou mesmo quando, presente na base britânica, ela dá uma lição de moral nos generais que diziam que a perda da vida de alguns soldados era algo aceitável. Lições de heroísmo e sacrifício que os filmes dos bombadões e destruidores de Zack Snyder ficaram devendo com juros alto. Sem contar que "Mulher maravilha" possui uma sequência final de batalha épica e um plot twist surpreendente.

No entanto, como eu sempre digo, nada é perfeito e o filme peca por ter muitas semelhanças com o primeiro "Capitão América" da Marvel. Para começar temos um super-herói (portando um escudo) que está disposto a combater os alemães; ambos juntam um grupo multi étnico para os ajudar; ambos perdem seus grandes amores (diana-Esteve Trevor e o Capitão América o Bucky (amizade também é uma forma de amor)) e acabam ao final de volta a ação nos dias de hoje; sem contar que assim como Steve Rogers (o capitão America) , Steve Trevor também desaparece em um acidente de avião (2 Steves e 2 Aviões). talvez até por isso, resolveram ambientar a trama na primeira guerra e não na segunda, mas ao final isso passa quase despercebido frente a todo o resto que a história traz (com a vantagem de que a Diana foi para cama com alguém em seu primeiro filme, enquanto o Capitão América está desde 1940 aguardando o "par perfeito para sua dança". Ponto para a princesa de Themyscira.

Eu poderia me estender por páginas e mais páginas para falar de com o filme "Mulher-Maravilha" é bom e vale a pena ser assistido, mas prefiro que, embora meus pequenos spoiler, as pessoas tenham a oportunidade de se surpreender com o primeiro filme bom da DC desde "Batman o cavaleiro das trevas" do Nolan. Mulher Maravilha é sem dúvida um marco para o cinema de Super-heróis, colocando no lugar de destaque tanto a personagem, quanto tudo que ela representa para as mulheres. Um ótimo filme, inteligente, bem humorado e com ação e drama na dose certa para não enjoar. Fico agora no aguardo para que todo o trabalho primoroso e ágil de Patty Jenkins e Gal Gadot não seja destruído com o filme da Liga de Zack Snyder e seus slow motions sem fim. Resta orar para que Zeus nos ilumine e a princesa da amazonas nos defenda.






quinta-feira, 9 de março de 2017

LOGAN (2017)



Empolgado pela ação, angustiado pela trama, chocado pelas revelações, emocionado pelos momentos finais e triste pela despedida. Esse mix de sentimentos, foi o que senti ao sair da sala de cinema depois de assistir ao filme mais aguardo por mim (e por qualquer outro fã dos X-men) no ano de 2017, "LOGAN", o terceiro filme do mutante canadense mais querido da Marvel e que abriu a temporada de filmes de super-heróis com chave de ouro e garras de adamantium.

"Logan" se passa em 2029 e mostra um futuro onde James "Logan" Howlett, outrora conhecido como Wolverine, trabalha como um discreto e amargurado motorista de limusine no sul dos estados unidos, seus poderes estão falhando devido a idade e ele se revesa com o mutante Caliban para tomar conta do nonagenário professor Charles Xavier que sofre de alzheimer.
Os X-men já não existem mais e não há indícios do nascimento de mutantes a pelo menos vinte e cinco anos, sendo a raça dada como extinta. Mas no meio de um trabalho, Logan é reconhecido e acaba descobrindo uma menina com poderes semelhantes aos seus e aceitando o apelo da acompanhante da menina (ou ao dinheiro que esta lhe oferece) aceita atravessar o país para leva-las, no que a acompanhante da menina acredita ser, o último lugar seguro para os poucos mutantes que restaram, o Éden.
Mas como nada é fácil para um sujeito nascido no século XIX, que foi vítima de experiências do governo, teve suas memórias apagadas e viu sua raça desaparecer, a menina, chamada Laura, que também atende pelo registro x-23, está sendo perseguida por uma organização que a vê como posse e que mandou em seu encalço um grupo de mercenários conhecidos como carniceiros.
Restará a Logan atravessar os Estados Unidos com o professor X e a menina na esperança de que o Éden seja real e que eles possam fugir de todos os erros e tragédias ocorridos no passado, em uma viagem que poderá ser a derradeira para esses últimos mutantes conhecidos.

Humano
Meus amigos, que filmaço!! Denso, dramático, humano (ou mutante) , tem toda a profundidade que todos os filmes anteriores do Wolverine (somados) não conseguiam ter, e isso me faz feliz, pois tivemos uma despedida digna do interprete do personagem, o ator Hugh Jackman, em um filme que fez justiça tanto a ele, quanto ao mutante mais famoso das HQ's, tão mal tratado em "X-men Origens" e "Wolverine imortal", mas ao mesmo tempo a competência desse filme me incomoda, não por ele em si, mas pelo fato disso não ter sido feito antes é só acontecer devido ao retorno positivo obtido com o filme do "Deadpool" um ano antes.

A FOX teve que aprender com "Deadpool", que não é necessário efeitos mirabolantes ou roteiros que explicam cada fala, para ganhar dinheiro e agradar os fãs, pois foi necessário o sucesso do filme do mercenário tagarela para o estúdio dar liberdade aos roteiristas e diretores de criar livremente e só assim se colocar no mesmo nível que a Marvel studios (porque sim, esse filme está no mesmo nível de Capitão América 2), isso fica claro, quando percebemos que o diretor de "Logan", James Mangold, é o mesmo de "Wolverine Imortal", nos mostrando quanta porcaria os produtores nos fazem engolir. Claro que não podemos generalizar, pois os filmes dirigidos por Bryan Singer ainda são mais do mesmo, piorando a cada vez que ele dá seu toque autoral, mas agora que sabemos que temos Tim Miller e James Mangold por aí, acho que já está na hora do diretor de "X-men" de 2001, partir para outra.

Mas voltando ao Filme, confesso que a primeira coisa que fiquei preocupado foi quando soube que a trama seria baseada em "Old Logan", a graphic novel escrita por Mark Millar, pois a história lançada em 2008 utilizava todos personagens da Marvel, para contar sobre um futuro distópico onde os vilões venceram e um Wolverine derrotado e apático busca sustentar sua família e fugir de em segredo terrível, o que não seria possível acontecer no cinema, pois os personagens da Marvel são propriedades da Marvel Studios e os X-men, da FOX, mas com muita criatividade e talento, o roteiro entregou uma solução tão aterradora e triste, quanto o segredo que o personagem guarda na HQ de 2008 e que conforme vai se revelando justifica uma série de coisas, culminando em uma cena, protagonizada pelo debilitado professor Xavier, que é uma das partes mais tocantes do filme.

Tocante
Um dos grandes destaques da produção e que demonstra a qualidade do roteiro é o fato dele referenciar fatos ocorridos em outros filmes onde o personagem participou, para esclarecer que a história faz parte do mesmo universo. Assim, temos conversas entre Logan e o professor X, que remetem a luta entre X-men e a irmandade mutante em "X-men" O filme, menção à vacina anti-mutante de "X-men: O confronto final", a bala de adamantiun usada pelo Coronel Stricker em "X-men Origens: Wolverine" e mais algumas pequenas citações que vão costurando a trama e a prendendo naquele mundo onde Logan viveu sua vida, agregando tanto a trama dessa produção, quanto acrescentando mais credibilidade aos filmes anteriores, por pior que alguns tenham sido.

Ainda falando de referências, a história parece trazer muita inspiração de outros filmes com uma temática "road movie". De forma mais clara me vem a mente "Mad Max: Fury Road", devido as intensas perseguições de carro e dos antagonistas com protesesn bizarras e artilharia pesada, sem falar do cenário desértico e isolado onde o protagonista vive escondido com seus poucos amigos; mas a questão de a trama tratar da missão de alguém, que parece ter desistido, de proteger quem ele acredita ser um dos últimos de sua espécie até um lugar seguro e que talvez nem exista, me fez pensar muito no filme "Filhos da esperança" de 2006, ainda mais quando temos a cena final do protagonista.

Outra coisa que, não só eu, mas todos os fãs do Carcaju sempre sentiram falta, foi a violência e selvageria naturais do personagem e que o cinema nos privou desde o primeiro filme dos "X-men" e esse desejo foi saciado com força. O filme é um banho de sangue onde não faltam braços decepados, decapitações, gargantas cortadas, mas tudo isso exatamente dentro do contexto do personagem onde nada é de graça ou apenas para agradar, com o aditivo do carisma e fúria da personagem X-23, a silenciosa e expressiva mutante, interpretada por Dafne Keen.

Violento
X-23, além de trazer mais sentimento e humanidade a história, pois ignorando seus poderes, não passa de uma criança em perigo, é a protagonista de diversas cenas fenomenais e divertidas que dão destaque a coadjuvante, um fato que era um dos problemas principais que eu tinha com os outros filmes do Wolverine, onde TODOS outros personagens tinham que ser diminuídos para que apenas o protagonista chamasse a atenção, assim fazendo aquele absurdo de selar a boca do Deadpool em "X-men Origens" e transformando o Samurai de prata em um robô em "Wolverine Imortal", além de cometerem o absurdo de matar o Ciclope em "X-men o confronto final" apenas para dar à Logan o título de líder dos X-men; erros que esse filme, muito mais maduro, mostrou serem desnecessários .


Pois bem, como já falei acima e repito: "Logan" é um filmaço. Um daqueles filmes que mesmo sendo uma adaptação bem diferente da ideia original da HQ, deixa os fãs extremamente felizes. Uma rara produção que eu não faço a mínima questão de dar spoilers porque quero que todos tenham o mesmo mix de sentimentos que eu tive ao sair do cinema. Um filme que fez justiça ao personagem e ao ator que dedicou mais de quinze anos de sua vida dando interpretando o herói no cinema e que superou minhas expectativas de quando assisti ao primeiro trailer e me emocionei. Nos resta agora esperar que a FOX siga esse caminho iniciado com "Deadpool" e tão bem direcionado com "LOGAN" e siga nos entregando filmes cada vez mais densos e humanos desse universo mutante que sempre foi tão rico e meu preferido.
Que venham, "DeadPool 2" e "Os novos Mutantes".







quinta-feira, 10 de novembro de 2016

LUKE CAGE ( 2016) A série



Desde que lançou “Homem de Ferro” em 2008, a Marvel vem se tornando cada vez mais presente na vida de quem é fã de cinema. O universo da editora no áudio visual é um sucesso com seus filmes repletos de cores e piadas, mas faltava algo que o conectasse a realidade, algo que aprofundasse seus personagens a um contexto social e explorasse mais seus medos e motivações.
Então em 2015, em parceria com a Netflix, estreava “Demolidor” e essa carência de conexão com o mundo real começava a desaparecer com uma trama que apresentava as ruelas e becos escuros da periferia por onde transitava o submundo daquele universo, fato que foi aditivado quando meses depois “Jessica Jones” chegou, trazendo uma história de abuso e trauma pessoal que colocava em segundo plano o fato da protagonista possuir super-poderes e expunha suas fraquezas, vícios e erros. Mas a editora de Stan Lee ainda devia uma produção que abordasse um contexto social mais complexo, uma produção que falasse da realidade e história não apenas de um personagem, mas de um grupo de pessoas, o reflexo de uma sociedade que vive entre a marginalidade e a realização do sonho americano; então esse ano a Netflix nos brindou com a terceira série em parceria com a Marvel, prendendo essa última ponta solta que faltava e preenchendo essa lacuna ao nos entregar “Luke Cage”. 


O grande trunfo dessa produção, é que mais do que uma série de super-heróis baseada em quadrinhos, ela  traz um flerte muito maior com a sociedade verdadeira e a realidade enfrentada pelos negros americanos. A própria locação das filmagens (o Harlem), que é um gueto histórico e famoso símbolo de orgulho para a comunidade que lá vive, é apresentada quase como um personagem e tem papel essencial na tramar, emanando de si o terror e o poder desejado por tantos e o acolhimento e refugio sonhado por outros. Nesse microcosmo, alguns elementos são afirmados como sendo não apenas tradicionais entre as pessoas que ali vivem, mas também como as poucas esperanças de sucesso e mudança de vida, como, por exemplo, o basquete e a música, essa última, em especial, importantíssima e presente fortemente do início ao fim da série.
O momento vivido pela comunidade negra americana, também se faz presente na série, ao se introduzir na trama questões sobre excessos e violência policial que se assemelham aos ocorridos durante os últimos anos naquele país, isso atesta Luke Cage, como a serie mais pesada que a Marvel já produziu, fato que a qualifica e diferencia dramaticamente de quase tudo feito pela editora no audiovisual, mas a diminui frente a muitos fãs de Quadrinhos, que embora apreciem muito quando o imaginativo e fantástico das HQ’s se aproxima da realidade, ainda parecem ficar receosos quando o tema aborda drama social.

No entanto, a questão social é elemento intrinsecamente ligado ao personagem, empobrecendo-o, caso fosse ignorada. Até seus poderes parecem se conectar a toda essa questão, ou seja, um negro, que se impõem com força sobre humana aos problemas e dúvidas em seu caminho e é a prova de balas ou facas, mas prefere buscar o apoio e atuar como um exemplo no bairro onde mora é uma mensagem poderosa, que não sei se passava na cabeça de John Romita,sr. , Archie Goodwin e George Tsukas, quando esses criaram o personagem nos anos setenta, altamente inspirada pelos movimentos sociais e pelos filmes de blaxploitation. 
Falando em blaxploitation, esse estilo cinematográfico é o elemento que dá o tom da trama da série, onde, como em todo filme negro dos anos setenta, temos o protagonista badass, as mulheres fortes, os problemas sociais se agravando, os aproveitadores de dentro da própria sociedade, o traficante, o político corrupto e o tira branco traidor, sem falar na sensualidade, que obrigatoriamente passeia em meio à história.

Mas embora Luke Cage seja uma série repleta de qualidades, ela chamou minha atenção de forma negativa pela “barriga” que apresenta em seu roteiro, que poderia ser muito mais enxuto e, pelas escolhas repetidas que a Netflix vem tomando ao desenvolver a história dos  personagens Marvel. Quanto a essa sobra no roteiro, podemos culpar o fato de o personagem ser o super-herói mais poderoso apresentado pelo estúdio no universo da TV ( o cara tem Super-força, invulnerabilidade e fator de cura) e não possuir um opositor no mesmo nível em sua galeria de vilões, o que força o roteiro a encontrar uma maior quantidade de problemas para serem solucionados, ao invés de nos entregar um problema de qualidade, como no caso dos vilões de Jessica Jones e Demolidor, KillGrave e Rei do Crime respectivamente, ambos tão fortemente reconhecidos a aplaudidos por quem assistiu essas outras séries; assim temos o que parece ser duas temporadas de Luke Cage, comprimidas em uma, em que vemos a troca de bastão dos vilões passar em três mãos diferentes durante treze capítulos, sem no entanto parecer uma ameaça que preocupe profundamente o protagonista por mais do que um terço da trama e para apresentar, desenvolver e resolver isso, não seriam necessários mais do que dez episódios.
A Netflix  parece  ter se tornado preguiçosa ou acomodada ao desenvolver a maneira de como a história é contada e os elementos que devem estar presentes na trama. Notei com Luke Cage que as três séries Marvel possuem uma luta em um corredor, um episódio para mostrar a origem do Herói e nos aprofundar em seus motivos e outro para apresentar a origem do vilão, sendo que nas três séries, todos os vilões tem a desculpa de que são vítimas do meio onde foram criados (TODOS!!) nenhum antagonista principal é mau porque simplesmente é, todos tem uma desculpa e isso depois de um tempo começa a incomodar, principalmente em Luke Cage, onde existem três vilões principais, todos assombrados com traumas do passado, embora em níveis diferentes.

Mas fora os pequenos problemas apresentados que ainda são somados a uma trama que se desenrola muito lentamente devido, penso, à densidade social que permeia a história e um protagonista que não tem o mesmo impacto inicial de um Demolidor, Luke Cage é muito bacana e, embora não tenha me empolgado para que eu fizesse uma maratona, me prendeu durante dias na cadeira, me fazendo voltar um pouco atrás para pegar pequenos detalhes, homenagens e referências, degustando cada momento e imaginando onde uma possível segunda temporada pode levar o personagem, principalmente após o que as cenas finais mostram.

Luke Cage fecha um ciclo nas produções Marvel, conectando uma das últimas pontas soltas não abordadas pela editora anteriormente no audio-visual, a questão social. Com uma trama que fala sobre origem, orgulho, recomeço e destino, Luke Cage sai do mais do mesmo das séries de Super-heróis da TV e cinema com uma história que aborda problemas reais, como preconceito, violência policial e criminalidade, se destacando como uma produção única. Uma série forte (sem trocadilho) que merece ser mais do que vista, ser degustada,  no ritmo que os diretores e roteiristas deram a ela, apreciando suas referências e estilo sem a menor pressa.


Ficamos agora na expectativa de “Punho de ferro”, a quarta série da parceria Netflix / Marvel e de “Defensores” onde os quatro heróis se reunirão em um grupo para realizar uma missão em comum, ambas as produções previstas para o ano que vem. Vamos esperar como será a recepção de ambas as séries e torcer que uma segunda temporada de Luke Cage seja confirmada e , quem sabe, uma dos “heróis de aluguel” juntando os inseparáveis amigos de HQ “Punho de Ferro e Luke” em  uma história onde mais do que heroísmo, os Business entram em jogo. Fico no aguardo do sinal verde da Netflix para gritar “Sweet Christmas”, enquanto isso, digo e repito, assista “Luke Cage”.




terça-feira, 25 de outubro de 2016

LOGAN (2017) A expectativa & VELHO LOGAN (2008) A HQ



Quando eu era adolescente, meu super-herói preferido era o Wolverine! O mutante canadense era tudo que um guri de quinze anos gostaria de ser, durão, pegador, rebelde e, ainda por cima, imortal. Mas os anos noventa passaram e os filmes dos X-Men chegaram ao cinema apresentando uma versão do personagem que me incomodou, pois não conseguia me trazer o que o mutante tinha nos quadrinhos, que se impunha e destacava não só pelos adjetivos listados acima, mas também por uma profundidade que foi trabalhada por anos com a ajuda de diversos roteiristas e que me mostrava o peso e o amargor que Logan carregava por ser quem ele era, o que nuca conseguiu ser alcançado com os filmes da Franquia X, em especial com as produções solo do personagem, que reduziram aquele simbolo de rebeldia e força, a um esteriótipo de ação que para ganhar destaque obrigava o roteiro a diminuir os coadjuvantes.

Mas eis que nesse mês de Outubro, a Fox lançou o trailer de "Logan", terceiro filme do Wolverine e último tendo o ator Hulg Jackman interpretando no cinema o mutante mais famoso da Marvel, e pela primeira vez em muito tempo, meu coração bateu mais forte e comecei a acreditar que dessa vez vou ver no cinema tudo aquilo que quando era Jovem me empolgava ao ler suas histórias.

O terceiro filme do Wolverine, terá o discreto título de "Logan" e se passará em 2024. Nele encontraremos um Wolverine mais velho e começando a perder seu fator de cura (mutação que o torna virtualmente imortal); ele cuida de um idoso e debilitado Charles Xavier e os mutantes estão desaparecendo (mas nada ainda foi revelado sobre isso). É quando surge uma misteriosa menina (que, de acordo com o estúdio será a X-23, uma clone de Wolverine) que traz em seu encalço um grupo militar conhecido como Os carniceiros e, a pedido de Xavier, Wolverine irá se tornar tutor da menina e defende-la desse grupo de caçadores de mutantes com todas as forças que ainda lhe restam.

O Trailer de "Logan" deixou muita gente, assim como eu, boquiaberta. O clima de solidão, tristeza e a necessidade do personagem voltar a ser quem era, dão a medida exata de tensão e angustia que um filme precisa para se tornar acima da média em seu gênero. Os elementos presentes no trailer o transformaram em um sucesso instantâneo, lhe dando status de viral, que foi compartilhado não só por sites de cultura pop, mas por jornais e até revistas especializadas em carreira (sério, eu vi na minha time line!), fomentando a expectativa pela estreia do terceiro filme do mutante canadense, que estreará no verão de 2017. No entanto, nem todos os fãs do herói são leitores de quadrinhos e sabem que a produção vindoura foi baseada em uma série de histórias lançadas pela Marvel em 2008, escrita por Mark Millar e desenhada por Steve McNiven; trata-se de "Velho Logan" que, com certeza, para quem, assim como eu, está ansioso para assistir ao mais novo filme do Carcaju, pode ser uma ótima maneira de aplacar essa ansiedade e se aprofundar na angustia do personagem em uma trama muito bem elaborada e maravilhosamente desenhada.

A história de "Velho Logan" se passa em um futuro distópico que ocorre depois que todos os vilões do universo Marvel, se uniram e atacaram todos heróis de surpresa, matando quase todos e tornando os Estados unidos um grande território dividido entre quatro dos mais fortes, Magneto (depois conquistada pelo Rei do Crime), Dr Destino, Caveira vermelha e Abominável, mais tarde conquistada pelo maligno, (imaginem só) Dr Bruce "Hulk" Banner.
É no território do Hulk, que encontramos um Logan velho, casado, pai de dois filhos e vivendo como fazendeiro; pagando proteção para a Gang do Hulk para manter sua fazenda e tocar a vida como pode. Mas problemas surgem e as dívidas começam a se acumular, colocando em risco a segurança da família do velho mutante, é nessa que um antigo amigo surge com uma oportunidade, O Gavião arqueiro, um dos poucos heróis a sobreviverem aos planos dos vilões, que agora é um contrabandista cego, pede que Logan o ajude a levar um misterioso carregamento até a costa Leste dos Estados unidos, prometendo o dinheiro suficiente para quitar a dívida com a família de Banner. Assim começa a história em um clima de Road trip, onde aos poucos a história vai nos mostrando o que de fato aconteceu com os heróis, com seus descendentes, com a sociedade, com os vilões e principalmente, o que traumatizou tanto o velho Logan a ponto de torna-lo um recluso e cabisbaixo fazendeiro no interior.



Lembro que quando terminei de ler a série, pensei que aquilo tudo tinha um potencial gigantesco para se tornar filme, mas tendo o fato de os diretos de uso dos personagens no cinema o grande empecilho, situação que foi adaptada pelos roteiristas de "Logan" no vindouro filme do Wolverine, que, seguindo algumas dicas do criador a história, Mark Millar, atrelaram a trama apenas ao universo X-men, pertencente a Fox.
A trama do filme que estreará em 2017, trás como principais antagonistas o grupo, que nas HQ's são um bando de ciborgues caçadores de mutantes, conhecidos como Carniceiros, sem, aparentemente, perder a atmosfera de repressão, frustração e angustia que vemos na HQ original. No entanto, a forma como Millar cria um mundo distópico nas HQ's, por onde um Wolverine que desistiu de ser quem era se arrasta, é de uma riqueza brilhante que faz quem começa a ler, devorar edição atrás de edição sem pensar no tempo que está gastando para tal; eu mesmo li a obra em um dia e passei o resto da semana relendo e analisando cada pequena questão sobre o que ocorreu com aquele mundo.

O mais rico de "Velho Logan" são os personagens que habitam na história e o que a situação os levou a se transformarem, com destaque para o grande vilão da trama, que é o Hulk e sua Gang. Bruce Banner se transformou em um patriarca de uma família de rednecks, que vive em um acampamento trailers, seus filhos e netos são apresentados como truculentos e deformados caipiras, que espalham o terror contra quem não seguir seus ditames. Banner, que chega a explicar que teve de "casar" com sua prima (a mulher-hulk) pois só ela "aguentava o tranco, age com selvageria cometendo atrocidades contra seus protegidos e chegando a comer seus inimigos vivos. Também somos apresentados a versão idosa de um lunático caveira vermelha, que se veste como Capitão-América, mora na casa Branca e coleciona peças de super-heróis mortos, como a armadura do Homem-de-ferro, o capacete do Nova e a mão do Coisa; também nos é apresentado o paradeiro de alguns sobreviventes que não são mais heróis, tais como Raio-Negro (ex-rei do Inumanos) e a Rainha Branca, que vivem um refúgio para pessoas especiais, como os poucos mutantes que sobreviveram.

Mas o mais bacana na história, ainda é a busca pela resposta sobre o que aconteceu com o Wolverine e isso é revelado quando sua viagem com o gavião Arqueiro está quase para acabar. Temos um diálogo que parece prever exatamente o sentimento do gavião Arqueiro do cinema, que sempre foi menosprezado e, que nessa história de 2008, abre o coração para Wolverine, ao dizer que acha que só não foi morto porque acredita que os vilões o achavam insignificante e , um Logan, deixando claro, mais tarde, que a única forma de destruir alguém que não pode ser morto é quebra-lo de dentro para fora e, quando a verdade vem a tona e descobrimos porque ele desistiu, vemos que a morte teria sido melhor para o mutante.

A história ainda termina com um arco esmagadoramente triste e empolgante pelo desejo de vingança, quando temos o bom e velho Carcaju cobrando o mal que lhe fizeram, aí quem achou que era mais do que realmente era paga caro pela prepotência e , sem querer dar spoilers, sangra verde...e muito !

"Velho Logan" é uma das melhores histórias em quadrinhos que li, depois que voltei para o mundo das HQ's e o personagem dessa trama, foi tão bem aceito, que acabou virando uma série mensal da Marvel e jogado no universo 616 (o das revistas mensais) logo após a morte do Wolverine, ocorrida em 2014, não mais escrita por Mark Millar, mas mantendo a mesma pegada, contando a história de como esse Wolverine velho, acaba vindo parar em nosso tempo, onde busca acabar com os vilões antes que estes se organizem contra os heróis.

Recomendo que, quem gostar de quadrinhos e estiver na expectativa do filme "Logan" leia o quanto antes, tanto a série "Velho Logan", quanto a revista mensal, que está bem acima da média. Enquanto isso, vamos acompanhando as notícias sobre "Wolverine 3" e torcendo para que o filme consiga ser melhor que o trailer e tão bom quanto a história apresentada por Mark Millar. Que venha 2017 de uma vez !







quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

BLACKSAD - dica de HQ


        Imagine que os detetives durões dos livros de James Ellroy são animais, junte a isso o clima dos filmes noir americanos , charme, jazz, tramas políticas e critica social, o resultado disso é a ótima HQ espanhola "Blacksad", escrita por Juan Diáz Canalles e desenhada por Juanjo Garnido.

"Blacksad" se passa nos Estados Unidos dos anos cinquenta e acompanha a história do detetive particular John Blacksad, que se vê envolto por toda sorte de mistérios envolvendo desde sequestros de crianças até conspirações internacionais durante a guerra fria. Nesse mundo apresentado por Diáz, a aparência antropomórfica do personagem reflete sua personalidade, assim blacksad é um sagaz gato preto, fato que fala tanto sobre sua independência e esperteza, quanto da sorte de quem passa pela sua frente.
capa da 1° edição 

O roteiro remete aos filmes noir clássicos, com ambientes esfumaçados e sensuais, tendo como pano de fundo o glamour da indústria de cinema da época, mas também a questão racial e a guerra fria, as histórias parecem simples e até clichês na primeira olhada, mas conforme as relemos encontramos criticas que parecem fazer forte alusão aos dias atuais onde a opção dos autores por nos apresentar personagens antropomorficos só se reforçar ao não dar um rosto humano a bandidos ou heróis.

O desenho da HQ é maravilhoso. Juanjo Garnido consegue passar todo sentimento dos personagens e suas intenções, tanto pela aparência que escolhe para representar sua personalidade, quanto as expressões que consegue colocar em suas caras, sem contar com as representações de cidades e carros antigos, onde ele não poupa detalhes.

O que me deixou feliz em ler "Blacksad" foi a harmonia entre a história e o desenho, assim como a estabilidade da obra. É um pouco triste de se ver histórias super bem escritas mas com um desenho meia boca (como as primeiras do Hellblazer), ou desenhos lindos em histórias vazias (como em Shaolin Cowboy), coisa que não ocorre em "Blacksad", as três edições que li se mantem com qualidade constante, fato importante para quem aprecia HQ; Além disso cada edição traz uma história fechada como se fossem contos, o que facilita e prende o leitor.

"Blacksad" traz uma arte sensacional e um roteiro que trata de mistério, solidão, amizade e violência de uma forma bem competente e, além de tudo, conseguiu humanizar, para mim, os personagens durões de livros como "L.A cidade proibida" e fez isso usando animais no lugar de seres humanos, mostra de genialidade. Por tudo isso, eu não poderia deixar de indicar essa obra, que me surpreendeu e divertiu bastante, uma ótima dica para quem curte filmes antigos e histórias de detetive, assim como para quem quer sair um pouco do eixo EUA- Inglaterra de HQ. Vale muito a pena.

Fica a dica.



quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

A PRO

Voltei a ler quadrinhos. Há bastante tempo que não fazia isso direto e não queria começar com as edições mensais já de saída, então resolvi pegar alguns que fugissem um pouco do padrão e do estilo já estabelecido e tendo isso como guia, resolvi por matar a curiosidade de ler algo do Garth Ennis que não fosse o aclamado "Preacher" (que já aproveito para dizer que não sou o maior fã), assim escolhi "A Pro", roteirizado por Ennis e desenhado pela Excelente Amanda Conner. E não é que o bendito roteirista me surpreendeu! Enquanto meu filho e enteada assistiam à "cúmplices de um resgate" tive um divertido final de tarde dando muita risada da zoação ácida que Ennis faz com os super-heróis.


A HQ conta a história de Pro, uma prostituta de rua, especializada em gato-bola, que tem um filho recém nascido e vive na merda. Ela é observada por um alienígena que se intitula de "O inspetor", o qual aposta com seu fiel robô assistente, que qualquer pessoa tem as qualidades para se tornar um herói e assim lhe concede poderes e a indica para a "liga da Honra" para os ajudar a combater o crime, no entanto, sua personalidade, boca suja e visão do mundo real vão se apresentando como os maiores desafios tanto para seus novos companheiros, quanto para ela.

O que mais gostei em "A pro" é o fato de ser uma história ágil, não tem aquele lenga lenga desnecessário para te fazer comprar dez edições, além disso, a história é muito engraçada e suja, a personagem realmente transmite aquele olhar de sarcasmos e desesperança de alguém que veio da pior merda possível e tudo que ganhar é lucro. A protagonista é sempre mostrada como estivesse de saco cheio, com cara de cansaço, fumando e nos poucos momentos em que ela parece estar relaxando é quando está sentada no vaso e grande parte desse efeito transmitido se deve aos desenhos de Amanda Conner, que consegue apresentar em um tom cartunesco, um mundo que tem a presença de super-heróis (mesmo que toscos) mas que as misérias e a dureza estão expostas como ,no caso, na vida de merda de uma prostituta de rua.

A liga da honra merece um parágrafo. Garth Ennis, que odeia trabalhar com super-heróis (e isso fica claro quando lemos outros de seus trabalhos, em destaque "The Boys"), não tem a menor vontade de esconder que aquela ali é a liga da justiça da DC, ali encontramos o Santo, que é a versão do Super-man, mas que trás até no seu alter ego a timidez e inocência de um Clark Kent da era de ouro; temos o cavaleiro e seu fiel ajudante o escudeiro, versão de Batman e Robin, onde o escudeiro é sempre retratado ou agarrado as pernas de seu mentor ou sendo encochado por ele, dando forte referência a homo sexualidade da dupla; a Dama, que seria a mulher maravilha que se revela com tendências lésbica; O veloz que seria o Flash trajando apenas cuecas e um suspensório e o Lima como a versão do lanterna verde John Stwart e falando feito um mano. Todos eles são retratados tão cheios de si, tão focados apenas no seu mundo que cabe a protagonista, como toda sua falta de sutiliza e sensibilidade esfregar o quanto eles são uma piada e essa é uma das grandes partes da HQ, quando a Pro começa a apontar os defeitos de cada um e questionar para quê se precisariam de heróis que não são eficientes, o humor negro impera e é muito bom.

Ainda sobre a "liga da Honra", embora , aparentemente, a intenção do autor seja realmente tirar sarro do ícone, que deveria ser um exemplo de perfeição, mas que de perto se apresentam como um bando digno de risos, quando buscamos fazer uma leitura mais profunda da história, podemos relacionar esses ícones com nossos líderes , tanto políticos como os sociais, tais como os chefes do trabalho ou lideranças religiosas, que estão focados tanto em seu ponto de vista em relação a sociedade e seus interesses, que por vezes não conseguem enxergar como um igual quem os rodeia ou quem sofre com suas decisões. Levando isso em consideração, o fato de "A pro" ter uma origem e interesses bem diferentes da liga da honra a expõem à desconfiança e subtrai sua credibilidade por parte de seus colegas, o que faz com que ela apenas reafirme sua personalidade e erros recorrentes de sua vida, até que uma decisão feita em um momento crítico a faz se tornar a heroína que o Inspetor acreditava que ela seria.


Achei a história bem bacana. O enredo é simples, mas é original pelo atrevimento e sujeira contido nele; Garth Ennis me surpreendeu, porque eu não conseguia mais desvincula-lo ao roteiro de "Preacher" (que já falei que não gosto muito e um dia eu explico porquê.) e do "the Boys". O desenho é muito bem feito, chamando a atenção tanto pelas formas caricatas como são apresentados os super-heróis, quanto pelos detalhes sórdidos que podemos ver em segundo plano em alguns quadros da história; as cores forma bem escolhidas para transitar entre um universo de fantasia das HQ's e a sujeira da vida real e a agilidade da história torna tudo divertido e leve (até ali né). Uma história engraçada, crítica, ácida e suja, que eu deixo aqui como dica, para quem gosta de quadrinhos de super-heróis e principalmente para quem não gosta e quer dar boa risadas.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

BATMAN: Ataque ao Arkham ( o esquadrão suicida como DEVE ser !)

    Entre DC e Marvel eu sou muito mais a Marvel. Gosto desse universo porque ele me parece menos forçado, mais coerente, as motivações de seus heróis e vilões são mais aceitáveis e a criação e introdução de novos personagens e morte de outros mais natural. A Marvel consegue renovar seu panteão de heróis com uma tranquilidade que a DC não possui, se vê isso apenas comparando o sucesso da Marvel Now e fracasso dos novos 52 da DC e isso vem se confirmando também no cinema com um sucesso atrás do outra da Marvel estúdios. No entanto, no que se trata de animação, a DC comics ainda reina absoluta e isso vem se confirmando a cada ano, desde os clássicos para a TV “Batman a série animada”, que inovou com seu estilo e ficou marcada na minha memória graças a trilha sonora, passando pelo “Batman do Futuro” e a “Liga da Justiça” (não! não estou falando dos superamigos) até chegar nos longas de animação como ponto de ignição e o “Batman, o cavaleiro das trevas” que é a adaptação da obra de Frank Miller e é genial!! Não sei se o pessoal da Warner que trabalha com essa área é escolhido a dedo entre os melhores, ou se a DC vê o sucesso nessa área como questão de honra,o fato é que o universo de animação da espetacular e isso se confirmou mais uma vez com seu último longa “Batman: Ataque ao Arkham”.

   A História é a seguinte, O charada ( aquele velho “vilão” bobo do Batman) conseguiu roubar informações sobre a força tarefa X, também conhecido como esquadrão suicida, e ameaçou revelar publicamente o nome dos atuais, antigos e aspirantes a integrantes desse projeto, colocando em risco os interesses de Amanda Waller (a Nick Fury de saias da DC comics), só que o charada é capturado pelo Batman e enviado para o asilo Arkhan, onde as informações, que estão em um pendrive em sua bengala são arquivados; Amanda resolve então recrutar um time de vilões dispensáveis para invadirem o Arkhan e recuperar o pendrive. O grupo que é formado pelo Pistoleiro , Arlequina , Capitão Bumerangue , Tubarão Rei, Aranha negra e Nevasca têm nano bombas implantados em suas cabeças ,que podem ser detonados caso desobedeçam ou tentem fugir, eles são jogados de paraquedas sobre Gothan para buscarem ajuda logística e abrigo do maior Gangster da Cidade, Oswald Cobbelpot, o Pinguim e depois devem se dirigir até o alvo e sem chamar a atenção recuperar o objeto, tendo em troca redução de penas e benefícios, é claro que colocar um time de vilões de segunda linha dentro de um hospício recheado com os maiores vilões do Batman é indicador de problemas e é justamente o que acontece
Turminha reunida
    O longa é muito bom ! Principalmente porque explora bem os personagens centrais que é o grupo do esquadrão suicida (ignorando o Batman, que tem sua importância, mas fica em segundo plano), a aura de anti-herói durão e líder que dão ao pistoleiro convencem, assim como a canastrice e falta de profissionalismo do capitão Bumerangue, as personalidades e interesses são bem claros e até o clima de romance entre a Nevasca e o tubarão Rei é bacana. O traço do desenho, assim como as cenas de luta, lembram um pouco os animes japoneses, com a câmera correndo e os personagens dando um show de agilidade e ação. O designer dos uniformes dos personagens também é muito legal, o Pistoleiro usando uma roupa discreta e as armas que ele carrega nos pulsos desenhadas de forma que quem veja entenda como funciona, ao contrário daquele colam vermelho dos quadrinhos que parece uma péssima ideia para quem quer ser um assassino que não quer ser pego, O tubarão rei também ficou legal, um brutamontes com uma mandíbula de metal ao invés do tubarão bípede das antigas histórias do Super-boy; O Aranha negra , um ninja assassino falando em honra e disciplina, a luta dele com o Batman no depósito é épico e, é claro, a Arlequina e Nevasca dando um show de sensualidade e assassinatos fecham o grupo com chave de ouro.
"VAI TER FILME??"



   No ano passado a DC/Warner anunciou o filme do esquadrão suicida para 2016. Eu, embora conhecedor os personagens nunca me senti muito fã, mas isso mudou depois de assistir a animação. Se o estudio conseguir manter o clima no mesmo nível que o longa animado é garantia de sucesso, mesmo com as possíveis adaptações que serão necessárias para entrar na faixa de censura 13 anos, pois o desenho está um pouco longe disso, com a descartabilidade de sues personagens principais ao melhor estilo do Sr George R.R Martin e com cabeças explodindo, pessoas sendo esfaqueadas, mulheres apanhando e uma tórrida, embora não mostrada, cena de sexo entre Arlequina e Pistoleiro. “Batman: Ataque ao Arkahn” se transformou em um clássico imediado para mim e espero que a DC consiga transpor essa genialidade que eles apresentam em suas animações para suas HQ's e Filmes, mesmo ao custo da vida de alguns vilões de segunda classe.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Dica de HQ: HINTERKIND


   Recentemente resolvi voltar a ler HQ's , talvez influenciado pela invasão que essa mídia causou no cinema ou para buscar um entretenimento mais leve e rápido do que os livros e séries, e, decidido isso, fui atrás do que poderia prender minha atenção de homem de trinta e poucos anos e não é que no meio de tanta coisa eu fiz um achado fantástico?! Se trata de “Hinterkind”, série periódica da Vertigo escrita por Ian Edginton e desenhada por Francesco Trifogli.
Capa da Primeira Edição
    A História é o seguinte: décadas atrás houve um cataclismo que devastou a raça humana, deixando poucos grupos de seus membros isolados pelo mundo, com isso as criaturas que eram tidas como mitos e contos de fada, saíram de seus esconderijos e passaram a viver livres no mundo, entre elas se encontram sátiros, ogros, elfos , vampiros entre outros.A trama começa mais ou menos quarenta anos após esse evento e apresenta um grupo que está sediado em Nova York , entre essas pessoas conhecemos Angus, um garoto tímido e que esconde um segredo da comunidade, sua melhor amiga Prosper, aventureira e excelente caçadora , e o Dr .Asa Monday ,avó de Prosper e médico do grupo; esses três, são os responsáveis iniciais por nos apresentar esse mundo e nos ligar a outros personagens, e, isso começa quando o Dr Monday se voluntaria para buscar notícias de uma base de vigilância que não está respondendo aos chamados de rádio, sendo seguido de longe por sua neta e seu amigo sem saberem que entrarão em contato com todo tipo de criatura, um reino de Elfos em uma guerra familiar pelo poder e uma invasão de vampiros Europeus .
   
Vampirada soltando o dedo
Ian Edginton conta a história sem pressa , passando do grupo humano para criaturas caçadoras de gente, entregando um pouco sobre situação do reino dos Sidhe (Elfos)e do grupo paramilitar vampiro e, assim vai nos introduzindo nesse mundo pós apocalíptico, que por vezes é mágico, mas que quase sempre é terrível. Os desenhos de Francesco Trifogli são maravilhosos, lembrando em muito a Heavy Metal no seu auge, cada quadrinho é uma obra prima, a aparência dos vampiros (que são os personagens que eu acho mais bacanas, embora estripem criancinhas) é muito legal, roupa militar lembrando o regime nazista, olhos negros, dentes incisivos e organizados hierarquicamente como uma verdadeira unidade militar.
    Resumindo, “HinterKind” é uma obra fantástica que consegue reunir o conceito de fim do mundo, com contos de fada, trama política e terror , com um roteiro que não insulta a inteligencia de quem lê e arte que maravilha quem olha, de um jeito que te faz torcer para o próximo número chegar. Recomendo muito!

Caçando em Nova York
Nova York por Trifogli