quinta-feira, 10 de novembro de 2016

LUKE CAGE ( 2016) A série



Desde que lançou “Homem de Ferro” em 2008, a Marvel vem se tornando cada vez mais presente na vida de quem é fã de cinema. O universo da editora no áudio visual é um sucesso com seus filmes repletos de cores e piadas, mas faltava algo que o conectasse a realidade, algo que aprofundasse seus personagens a um contexto social e explorasse mais seus medos e motivações.
Então em 2015, em parceria com a Netflix, estreava “Demolidor” e essa carência de conexão com o mundo real começava a desaparecer com uma trama que apresentava as ruelas e becos escuros da periferia por onde transitava o submundo daquele universo, fato que foi aditivado quando meses depois “Jessica Jones” chegou, trazendo uma história de abuso e trauma pessoal que colocava em segundo plano o fato da protagonista possuir super-poderes e expunha suas fraquezas, vícios e erros. Mas a editora de Stan Lee ainda devia uma produção que abordasse um contexto social mais complexo, uma produção que falasse da realidade e história não apenas de um personagem, mas de um grupo de pessoas, o reflexo de uma sociedade que vive entre a marginalidade e a realização do sonho americano; então esse ano a Netflix nos brindou com a terceira série em parceria com a Marvel, prendendo essa última ponta solta que faltava e preenchendo essa lacuna ao nos entregar “Luke Cage”. 


O grande trunfo dessa produção, é que mais do que uma série de super-heróis baseada em quadrinhos, ela  traz um flerte muito maior com a sociedade verdadeira e a realidade enfrentada pelos negros americanos. A própria locação das filmagens (o Harlem), que é um gueto histórico e famoso símbolo de orgulho para a comunidade que lá vive, é apresentada quase como um personagem e tem papel essencial na tramar, emanando de si o terror e o poder desejado por tantos e o acolhimento e refugio sonhado por outros. Nesse microcosmo, alguns elementos são afirmados como sendo não apenas tradicionais entre as pessoas que ali vivem, mas também como as poucas esperanças de sucesso e mudança de vida, como, por exemplo, o basquete e a música, essa última, em especial, importantíssima e presente fortemente do início ao fim da série.
O momento vivido pela comunidade negra americana, também se faz presente na série, ao se introduzir na trama questões sobre excessos e violência policial que se assemelham aos ocorridos durante os últimos anos naquele país, isso atesta Luke Cage, como a serie mais pesada que a Marvel já produziu, fato que a qualifica e diferencia dramaticamente de quase tudo feito pela editora no audiovisual, mas a diminui frente a muitos fãs de Quadrinhos, que embora apreciem muito quando o imaginativo e fantástico das HQ’s se aproxima da realidade, ainda parecem ficar receosos quando o tema aborda drama social.

No entanto, a questão social é elemento intrinsecamente ligado ao personagem, empobrecendo-o, caso fosse ignorada. Até seus poderes parecem se conectar a toda essa questão, ou seja, um negro, que se impõem com força sobre humana aos problemas e dúvidas em seu caminho e é a prova de balas ou facas, mas prefere buscar o apoio e atuar como um exemplo no bairro onde mora é uma mensagem poderosa, que não sei se passava na cabeça de John Romita,sr. , Archie Goodwin e George Tsukas, quando esses criaram o personagem nos anos setenta, altamente inspirada pelos movimentos sociais e pelos filmes de blaxploitation. 
Falando em blaxploitation, esse estilo cinematográfico é o elemento que dá o tom da trama da série, onde, como em todo filme negro dos anos setenta, temos o protagonista badass, as mulheres fortes, os problemas sociais se agravando, os aproveitadores de dentro da própria sociedade, o traficante, o político corrupto e o tira branco traidor, sem falar na sensualidade, que obrigatoriamente passeia em meio à história.

Mas embora Luke Cage seja uma série repleta de qualidades, ela chamou minha atenção de forma negativa pela “barriga” que apresenta em seu roteiro, que poderia ser muito mais enxuto e, pelas escolhas repetidas que a Netflix vem tomando ao desenvolver a história dos  personagens Marvel. Quanto a essa sobra no roteiro, podemos culpar o fato de o personagem ser o super-herói mais poderoso apresentado pelo estúdio no universo da TV ( o cara tem Super-força, invulnerabilidade e fator de cura) e não possuir um opositor no mesmo nível em sua galeria de vilões, o que força o roteiro a encontrar uma maior quantidade de problemas para serem solucionados, ao invés de nos entregar um problema de qualidade, como no caso dos vilões de Jessica Jones e Demolidor, KillGrave e Rei do Crime respectivamente, ambos tão fortemente reconhecidos a aplaudidos por quem assistiu essas outras séries; assim temos o que parece ser duas temporadas de Luke Cage, comprimidas em uma, em que vemos a troca de bastão dos vilões passar em três mãos diferentes durante treze capítulos, sem no entanto parecer uma ameaça que preocupe profundamente o protagonista por mais do que um terço da trama e para apresentar, desenvolver e resolver isso, não seriam necessários mais do que dez episódios.
A Netflix  parece  ter se tornado preguiçosa ou acomodada ao desenvolver a maneira de como a história é contada e os elementos que devem estar presentes na trama. Notei com Luke Cage que as três séries Marvel possuem uma luta em um corredor, um episódio para mostrar a origem do Herói e nos aprofundar em seus motivos e outro para apresentar a origem do vilão, sendo que nas três séries, todos os vilões tem a desculpa de que são vítimas do meio onde foram criados (TODOS!!) nenhum antagonista principal é mau porque simplesmente é, todos tem uma desculpa e isso depois de um tempo começa a incomodar, principalmente em Luke Cage, onde existem três vilões principais, todos assombrados com traumas do passado, embora em níveis diferentes.

Mas fora os pequenos problemas apresentados que ainda são somados a uma trama que se desenrola muito lentamente devido, penso, à densidade social que permeia a história e um protagonista que não tem o mesmo impacto inicial de um Demolidor, Luke Cage é muito bacana e, embora não tenha me empolgado para que eu fizesse uma maratona, me prendeu durante dias na cadeira, me fazendo voltar um pouco atrás para pegar pequenos detalhes, homenagens e referências, degustando cada momento e imaginando onde uma possível segunda temporada pode levar o personagem, principalmente após o que as cenas finais mostram.

Luke Cage fecha um ciclo nas produções Marvel, conectando uma das últimas pontas soltas não abordadas pela editora anteriormente no audio-visual, a questão social. Com uma trama que fala sobre origem, orgulho, recomeço e destino, Luke Cage sai do mais do mesmo das séries de Super-heróis da TV e cinema com uma história que aborda problemas reais, como preconceito, violência policial e criminalidade, se destacando como uma produção única. Uma série forte (sem trocadilho) que merece ser mais do que vista, ser degustada,  no ritmo que os diretores e roteiristas deram a ela, apreciando suas referências e estilo sem a menor pressa.


Ficamos agora na expectativa de “Punho de ferro”, a quarta série da parceria Netflix / Marvel e de “Defensores” onde os quatro heróis se reunirão em um grupo para realizar uma missão em comum, ambas as produções previstas para o ano que vem. Vamos esperar como será a recepção de ambas as séries e torcer que uma segunda temporada de Luke Cage seja confirmada e , quem sabe, uma dos “heróis de aluguel” juntando os inseparáveis amigos de HQ “Punho de Ferro e Luke” em  uma história onde mais do que heroísmo, os Business entram em jogo. Fico no aguardo do sinal verde da Netflix para gritar “Sweet Christmas”, enquanto isso, digo e repito, assista “Luke Cage”.




terça-feira, 25 de outubro de 2016

LOGAN (2017) A expectativa & VELHO LOGAN (2008) A HQ



Quando eu era adolescente, meu super-herói preferido era o Wolverine! O mutante canadense era tudo que um guri de quinze anos gostaria de ser, durão, pegador, rebelde e, ainda por cima, imortal. Mas os anos noventa passaram e os filmes dos X-Men chegaram ao cinema apresentando uma versão do personagem que me incomodou, pois não conseguia me trazer o que o mutante tinha nos quadrinhos, que se impunha e destacava não só pelos adjetivos listados acima, mas também por uma profundidade que foi trabalhada por anos com a ajuda de diversos roteiristas e que me mostrava o peso e o amargor que Logan carregava por ser quem ele era, o que nuca conseguiu ser alcançado com os filmes da Franquia X, em especial com as produções solo do personagem, que reduziram aquele simbolo de rebeldia e força, a um esteriótipo de ação que para ganhar destaque obrigava o roteiro a diminuir os coadjuvantes.

Mas eis que nesse mês de Outubro, a Fox lançou o trailer de "Logan", terceiro filme do Wolverine e último tendo o ator Hulg Jackman interpretando no cinema o mutante mais famoso da Marvel, e pela primeira vez em muito tempo, meu coração bateu mais forte e comecei a acreditar que dessa vez vou ver no cinema tudo aquilo que quando era Jovem me empolgava ao ler suas histórias.

O terceiro filme do Wolverine, terá o discreto título de "Logan" e se passará em 2024. Nele encontraremos um Wolverine mais velho e começando a perder seu fator de cura (mutação que o torna virtualmente imortal); ele cuida de um idoso e debilitado Charles Xavier e os mutantes estão desaparecendo (mas nada ainda foi revelado sobre isso). É quando surge uma misteriosa menina (que, de acordo com o estúdio será a X-23, uma clone de Wolverine) que traz em seu encalço um grupo militar conhecido como Os carniceiros e, a pedido de Xavier, Wolverine irá se tornar tutor da menina e defende-la desse grupo de caçadores de mutantes com todas as forças que ainda lhe restam.

O Trailer de "Logan" deixou muita gente, assim como eu, boquiaberta. O clima de solidão, tristeza e a necessidade do personagem voltar a ser quem era, dão a medida exata de tensão e angustia que um filme precisa para se tornar acima da média em seu gênero. Os elementos presentes no trailer o transformaram em um sucesso instantâneo, lhe dando status de viral, que foi compartilhado não só por sites de cultura pop, mas por jornais e até revistas especializadas em carreira (sério, eu vi na minha time line!), fomentando a expectativa pela estreia do terceiro filme do mutante canadense, que estreará no verão de 2017. No entanto, nem todos os fãs do herói são leitores de quadrinhos e sabem que a produção vindoura foi baseada em uma série de histórias lançadas pela Marvel em 2008, escrita por Mark Millar e desenhada por Steve McNiven; trata-se de "Velho Logan" que, com certeza, para quem, assim como eu, está ansioso para assistir ao mais novo filme do Carcaju, pode ser uma ótima maneira de aplacar essa ansiedade e se aprofundar na angustia do personagem em uma trama muito bem elaborada e maravilhosamente desenhada.

A história de "Velho Logan" se passa em um futuro distópico que ocorre depois que todos os vilões do universo Marvel, se uniram e atacaram todos heróis de surpresa, matando quase todos e tornando os Estados unidos um grande território dividido entre quatro dos mais fortes, Magneto (depois conquistada pelo Rei do Crime), Dr Destino, Caveira vermelha e Abominável, mais tarde conquistada pelo maligno, (imaginem só) Dr Bruce "Hulk" Banner.
É no território do Hulk, que encontramos um Logan velho, casado, pai de dois filhos e vivendo como fazendeiro; pagando proteção para a Gang do Hulk para manter sua fazenda e tocar a vida como pode. Mas problemas surgem e as dívidas começam a se acumular, colocando em risco a segurança da família do velho mutante, é nessa que um antigo amigo surge com uma oportunidade, O Gavião arqueiro, um dos poucos heróis a sobreviverem aos planos dos vilões, que agora é um contrabandista cego, pede que Logan o ajude a levar um misterioso carregamento até a costa Leste dos Estados unidos, prometendo o dinheiro suficiente para quitar a dívida com a família de Banner. Assim começa a história em um clima de Road trip, onde aos poucos a história vai nos mostrando o que de fato aconteceu com os heróis, com seus descendentes, com a sociedade, com os vilões e principalmente, o que traumatizou tanto o velho Logan a ponto de torna-lo um recluso e cabisbaixo fazendeiro no interior.



Lembro que quando terminei de ler a série, pensei que aquilo tudo tinha um potencial gigantesco para se tornar filme, mas tendo o fato de os diretos de uso dos personagens no cinema o grande empecilho, situação que foi adaptada pelos roteiristas de "Logan" no vindouro filme do Wolverine, que, seguindo algumas dicas do criador a história, Mark Millar, atrelaram a trama apenas ao universo X-men, pertencente a Fox.
A trama do filme que estreará em 2017, trás como principais antagonistas o grupo, que nas HQ's são um bando de ciborgues caçadores de mutantes, conhecidos como Carniceiros, sem, aparentemente, perder a atmosfera de repressão, frustração e angustia que vemos na HQ original. No entanto, a forma como Millar cria um mundo distópico nas HQ's, por onde um Wolverine que desistiu de ser quem era se arrasta, é de uma riqueza brilhante que faz quem começa a ler, devorar edição atrás de edição sem pensar no tempo que está gastando para tal; eu mesmo li a obra em um dia e passei o resto da semana relendo e analisando cada pequena questão sobre o que ocorreu com aquele mundo.

O mais rico de "Velho Logan" são os personagens que habitam na história e o que a situação os levou a se transformarem, com destaque para o grande vilão da trama, que é o Hulk e sua Gang. Bruce Banner se transformou em um patriarca de uma família de rednecks, que vive em um acampamento trailers, seus filhos e netos são apresentados como truculentos e deformados caipiras, que espalham o terror contra quem não seguir seus ditames. Banner, que chega a explicar que teve de "casar" com sua prima (a mulher-hulk) pois só ela "aguentava o tranco, age com selvageria cometendo atrocidades contra seus protegidos e chegando a comer seus inimigos vivos. Também somos apresentados a versão idosa de um lunático caveira vermelha, que se veste como Capitão-América, mora na casa Branca e coleciona peças de super-heróis mortos, como a armadura do Homem-de-ferro, o capacete do Nova e a mão do Coisa; também nos é apresentado o paradeiro de alguns sobreviventes que não são mais heróis, tais como Raio-Negro (ex-rei do Inumanos) e a Rainha Branca, que vivem um refúgio para pessoas especiais, como os poucos mutantes que sobreviveram.

Mas o mais bacana na história, ainda é a busca pela resposta sobre o que aconteceu com o Wolverine e isso é revelado quando sua viagem com o gavião Arqueiro está quase para acabar. Temos um diálogo que parece prever exatamente o sentimento do gavião Arqueiro do cinema, que sempre foi menosprezado e, que nessa história de 2008, abre o coração para Wolverine, ao dizer que acha que só não foi morto porque acredita que os vilões o achavam insignificante e , um Logan, deixando claro, mais tarde, que a única forma de destruir alguém que não pode ser morto é quebra-lo de dentro para fora e, quando a verdade vem a tona e descobrimos porque ele desistiu, vemos que a morte teria sido melhor para o mutante.

A história ainda termina com um arco esmagadoramente triste e empolgante pelo desejo de vingança, quando temos o bom e velho Carcaju cobrando o mal que lhe fizeram, aí quem achou que era mais do que realmente era paga caro pela prepotência e , sem querer dar spoilers, sangra verde...e muito !

"Velho Logan" é uma das melhores histórias em quadrinhos que li, depois que voltei para o mundo das HQ's e o personagem dessa trama, foi tão bem aceito, que acabou virando uma série mensal da Marvel e jogado no universo 616 (o das revistas mensais) logo após a morte do Wolverine, ocorrida em 2014, não mais escrita por Mark Millar, mas mantendo a mesma pegada, contando a história de como esse Wolverine velho, acaba vindo parar em nosso tempo, onde busca acabar com os vilões antes que estes se organizem contra os heróis.

Recomendo que, quem gostar de quadrinhos e estiver na expectativa do filme "Logan" leia o quanto antes, tanto a série "Velho Logan", quanto a revista mensal, que está bem acima da média. Enquanto isso, vamos acompanhando as notícias sobre "Wolverine 3" e torcendo para que o filme consiga ser melhor que o trailer e tão bom quanto a história apresentada por Mark Millar. Que venha 2017 de uma vez !







quinta-feira, 20 de outubro de 2016

CAÇA FANTASMAS (2016)



Estava conversando com um colega de trabalho sobre as séries novas que estrearam esse mês e em um determinado momento ele disse que odiava o mais conhecido serviço de streaming disponível no mercado (não vamos fazer propaganda de graça hoje), segui conversando, mas uma dúvida foi plantada na minha cabeça: “Por que alguém odiaria algo voltado para o entretenimento?”, pensei e pensei, mas não encontrei uma resposta adequada, a não ser que as vezes as pessoas são babacas e precisam odiar algo, seja a editora de quadrinhos que rivaliza com a da sua preferência, seja um pintor ou escritor de destaque, ou, o canal de TV aberto que disponibilizou a todos aquela série que na sua cabeça era só sua e assim por diante. O pior é que, infelizmente, esse comportamento faz parte da característica humana, ajudando algumas pessoas a se autoafirmarem, sem que elas percebam que a mesma atitude as impossibilita de se surpreender positivamente com algo que se opuseram antes de conhecer.

Uma produção que é o exemplo máximo dessa intolerância baseada apenas na vontade de ser contra algo, é o filme que ganhou o amargo título de trailer mais odiado do Youtube e que, até hoje, quando eu o menciono, ouço aquela frasezinha, “esse filme é um lixo”, mesmo que após, a mesma pessoa complemente “mas eu nunca assisti!”. Estou falando de “CAÇA FANTASMAS” de 2016, reboot da clássica comédia dos anos oitenta, escrito e dirigido por Paul Feig e estrelado por Melissa McCarthy, Kristen Wiig, Kate McKinnon, Leslie Jones e grande elenco, que estreou nos cinemas brazucas em Julho deste ano e que mantendo a minha tradição, só conseguir ver recentemente, mas que foi uma agradável surpresa, mostrando que, quem busca algo para odiar, principalmente algo que só tem a intenção de divertir (e ganhar dinheiro), tem mais a perder do que a ganhar.

Ecto-1
Caça Fantasmas”, conta a história de um grupo de cientistas que se unem para capturar fantasmas (ou melhor dizendo, manifestações ectoplásmicas), que começam a aparecer na cidade de Nova York. Tais fenômenos se intensificam logo após o livro que duas delas publicaram, onde admitiam a existência de assombrações, voltar a ser vendido, o que acaba por destruir a reputação de uma das autoras (Erin (Kristen Wiig)) na faculdade onde lecionava e a força a um reencontro com sua ex-amiga e co-autora da famigerada publicação, Abby (Melissa McCarthy), que trabalha em uma instituição menos respeitada com sua nova amiga Jilian (Kate McKinnon), as três começam a investigar os fatos na busca de reconhecimento de suas teorias e assim acabam por conhecer Patty (Leslie Jones) uma funcionária do metrô e de grande conhecimento da história da cidade, que vê um fantasma em seu local de trabalho e aos poucos começa a ficar fascinada pelos eventos e acaba se unindo ao grupo. Juntas, essas quatro mulheres descobrirão um terrível plano para quebrar a barreira que separa o nosso mundo, do mundo dos mortos e buscarão superar toda falta de confiança e crédito que recai sobre elas, para assim salvar o dia.

Meu amigo, vou te dizer, achei “Caça Fantasmas” um filme bem legal! Paul Feig é um competente roteirista e diretor e quando foi anunciado que ele era o responsável pelo reboot eu fiquei mais tranquilo, pois algo que eu não poderia engolir seria um caça Fantasmas cheio de explosões e gritaria, como fizeram com “tartarugas Ninja” e sabendo que não é o estilo dele apresentar comédias exageradas e ação forçada, se atendo no estilo parecido com o dos filmes originais, sabia que o que eu veria, embora não fosse revolucionário, não seria pretensioso ou deprimente, qualidade que ainda foi aditivado com o talento para comédia das atrizes que protagonizam a produção e das diversas homenagens que a história faz ao clássico de 1984.



O filme é uma comédia “sessão da tarde”. Não depreciando a produção, mas exaltando aquele tempo onde filmes divertidos passavam a tarde na rede plim-plim e nos prendiam na frente da TV durante um bom tempo, ou seja, é um filme para a família sentar na frente da televisão, com um balde de pipocas e dar boas risadas juntos, sem a intenção de se tornar um clássico ou fazer alguém refletir sobre um assunto sério. Desse modo, as atuações não são e nem precisam ser brilhantes, o que por outro lado não impede de serem engraçadas e caprichadas, começando por Kate McKinnon, que interpreta a engenheira mecânica Jillian, roubando a cena com sua estranha personalidade e aparente indiferença, tudo isso somado a um sorriso meio insano que a acompanha em todos os momentos; outro destaque é o retorno de Kristen Wiig as comédias mais frouxas, relembrando muito seu tempo de Saturday Night Live, assim como Melissa McCarthy e Leslie Jones, que embora não fujam de seus papéis habituais, não decepcionam ou desaparecem frente ao destaque das outras duas. Mas, para mim o maior destaque, além da química que as atrizes têm entre si, é a participação de Chris Hemsworth ( O Thor da Marvel) como o telefonista Kevin, o cara está muito engraçado e bem diferente dos papéis habituais que está acostumado a fazer, sendo a cena onde as protagonistas saem dançando e comemorando, após capturarem seu primeiro fantasma e, Hemsworth entra dançando com Leslie Jones, uma das que me fez rir mais.



Harold Ramis (O Egon de 1984)
O filme também traz diversas referências e homenagens ao original dirigido por Ivan Reitman. A Mais marcante é a presença de um busto do falecido ator Harold Ramis, que, com Dan Aykroyd, foi o roteirista do filme de 1984 e ainda interpretou o personagem Egon e, o mais bacana é que essas homenagens povoam a história do início ao fim, contando com a participação de quase todo elenco do filme original, assim temos Bill Murray como um cético caçador de fraudes sobrenaturais, que paga caro por sua arrogância, Dan Aykroyd, como um taxista que parece saber bem mais sobre fantasmas do que o normal, Ernie Hudson como o tio da personagem da Leslie Jones, Anie Potts, como a recepcionista de um hotel e Sigoumey Weaver como a mentora da personagem de Kate McKinnon, além de menções ao fantasma Geléia e ao monstro de Marshmallow, só faltou o Rick Moranis.

Junto com as homenagens e menções, temos as releituras de algumas cenas e explicações sobre algumas questões que não eram abordadas nos outros filmes, que ficaram bem bacanas. A principal questão da trama, penso eu, é como as personagens se transformam em uma prestadora de serviço, pois no filme original, parece que o plano dos protagonistas é abrir uma empresa desde o princípio, já no novo filme, tudo ocorre de maneira acidental e a ideia surge como interesse científico, que acaba, ao final, se tornando uma fonte de renda quando passa a ser um prestador de serviço para a prefeitura da cidade. O fato de os raios de prótons não poderem se cruzar fica mais claro nessa versão, se explicando que a soma de energia com o cruzamento pode deixar o equipamento instável (ou algo assim). Além disso, temos uma releitura da cena onde as três cientistas filmam o primeiro fantasma, que no filme de 1984 está empilhando livros em uma biblioteca e nesse é o fantasma de uma assassina que morreu encarcerada pelo pai em sua própria casa, as cenas são muito semelhantes, com o fantasma lívido observando os personagens, quando de repente se torna assustador, atirando gosma para todos os lados; Também temos um embate final parecido, com as Caça Fantasmas se defrontando com um monstro gigantesco, onde o buscar mandá-lo de volta através da barreira, me parece mais coerente do que tentar explodi-lo, até porque se ele não está vivo, do que adiantaria?

Por tudo isso, achei “Caça Fantasmas”, de Paul Feig, um divertido filme, que apesar de utilizar o original como base, se sustenta sozinho e não pretende nunca ofuscar ou superar o primeiro, mas que nem por isso, parece ser inferior. Um filme para se divertir, mas que consegue ter aquela dose certa de acidez e ironia, para debochar até mesmo dos haters do youtube que elegeram seu trailer como o mais odiado de todos os tempos e que para o amargor dessa gente, ainda termina com uma cena pós créditos onde a personagem da Leslie Jones, após ouvir uma fita com um áudio gravado em um suposto prédio assombrado questiona “Quem é zuul?” (Eu sei!) indicando uma possível sequência.


Caça Fantasmas é o exemplo de que até mesmo algo que é totalmente diferente do que nós queremos, pode ser muito divertido e surpreendente. Não há a necessidade de procurar defeitos ou levantar bandeiras de ódio contra coisas que não representam a gente, basta não assistir, ou assistir e mudar de ideia. As pessoas estão se tornando extremistas demais, defendendo com unhas e dentes apenas o que lhes agrada por retratar traços de suas personalidades ou a representação de seus aspectos físicos e isso não é certo, pois há e sempre haverá espaço para todos, principalmente nas artes e se você não consegue enxergar isso, talvez seja a hora de cruzar os raios de prótons e banir esse monstro gigante que existe dentro de você para outra dimensão, antes que ele cause danos a você mesmo. Então, relaxe, faça um balde de pipoca, assista Caça Fantasmas e dê uma chance ao novo e a você mesmo.



sexta-feira, 14 de outubro de 2016

WESTWORLD (1973) O filme que deu origem à série da HBO


Dia dois de Outubro estreou no canal HBO, “Westworld”, série de ficção científica escrita por Jonathan Nolan e produzida por J.J Abrams, que já chegou metendo o pé na porta e mostrando a que veio, com um piloto com um potencial gigantesco onde se destacou, além do conceito de inteligência artificial, a brutalidade e Filosofia que nos aguardam para essa temporada. No entanto, o que pouca gente sabe é que a série é baseada em um filme lançado em 1973 pela Metro Goldwyn Mayer, escrito e dirigido por Michael Crichton, o celebre autor de “Jurassic Park” (esse cara era doido por um parque temático) e estrelado por Yul Brynner, Richard Benjamim e James Brolin.

"WestWorld" conta a história de um parque multitemático feito para adultos, onde as pessoas podem realizar seus sonhos e fantasias mais ferozes em três cenários, a idade média européia, o Império romano e o Oeste selvagem americano, todos povoados por robôs programados para simularem como se estivessem realmente naqueles ambientes, tanto no tocante a violência, quanto a sedução, com a vantagem que nenhum humano pode ser machucado por uma máquina, apenas ser agradado e tudo isso pela bagatela de mil dólares diários.
É em um voo para o parque, que somos apresentados a Peter e John (Benjamim e Brolin, respectivamente), dois turistas, que resolvem sair da rotina e viver uma temporada de aventura no velho Oeste americano, atirando em pistoleiros, bebendo em saloons e dormindo com damas de vida fácil (por assim dizer), tudo vai como o planejado durante grande parte de suas estadias, no entanto, pouco a pouco, um bugs vai tornando os robôs menos obedientes e amistosos, colocando em risco, além do roteiro e encantamento do parque, a própria segurança dos visitantes.


Assistindo o filme com os olhos de 1973, o enxergo como, mais do que uma obra divertida e imaginativa, mas, como uma produção inovadora. Para começar temos um prólogo no filme, onde um apresentador quebra a quarta parede e fala direto com o espectador, entrevistando pessoas que voltaram do parque e fazendo um convite claro a quem tiver os mil dólares diários necessários para a estadia, lembrando muito o que foi visto quinze anos depois, em Robocop. Outra coisa é o conceito de lugar livre de amarras morais, onde quem paga, pode fazer o que quiser, algo que foi uma das principal heranças para série da HBO, junto com a questão de ego e o ato de ser dos robôs, que é bastante rasa no filme e parece apenas circundar o robô vivido por Yul Brynner , dando a entender que o bugs os liberta, mas não modifica sua programação, algo que a série irá trabalhar muito melhor, principalmente porque parece girar em torno das escolhas e descobertas dos robôs e não exatamente do temor humano.
A tecnologia dos anos setenta


No entanto, essa não possibilidade de fuga da programação, do mesmo jeito que dá o motivo de ser do filme, que são robôs programados para lutar e desafiar humanos, livres de suas limitações programadas, contradiz a si mesma, quando alguns robôs que são feitos para satisfazer sexualmente os humanos, resolvem executa-los de forma convencional (tiros e facadas) ao invés de mata-los de tanto fazer sexo, que seria muito mais alinhado com o que os definia a principio.

Essa primeira análise deixa claro que o filme possui alguns problemas de roteiro, que embora não maculem o conceito central, deixam furos que poderiam ser melhor trabalhados. O furo que mais me deixou encucado é referente aos visitantes coadjuvantes, no caso um tiozão de bigodes que vai para a parte de idade média do parque e o outro tiozinho de óculos, que vira o xerife do parque; primeiro é apresentado junto com os protagonistas, super empolgado e , depois de ter um romance com a rainha na terra medieval, acaba sendo morto pelo "cavaleiro negro" quando os robôs perdem o controle, sem ao menos ter um contato mais pessoal com os protagonistas, ou sua morte definir uma possibilidade de salvação para o grupo, sua história se justifica como sendo a do cara que está lá para morrer e nos mostrar que tudo deu errado. Pior ainda é o tiozinho de óculos, que surge como um nerdão, sempre se mostra atrapalhado e nem ao menos é visto se ele morre mesmo, sendo que as cenas onde ele é mostrado poderiam ser economizadas para aprofundar muito mais na questão do bug, ou no aprofundamento da história dos dois protagonistas, mas não dá para julgar, pois é um filme que foi escrito e lançado antes da ideia que temos hoje de inteligência artificial e onde a ação, no cinema, era mais valorizada do que o dialogo e reflexão.

Meu nome não é Bale
As Atuações são bem legais até para os dias de hoje, embora carregam muito dos trejeitos dos filmes do tempo em que foi feito, o que é normal. Yul Brynner parece reviver seu personagem em "Sete Homens e um Destino", usando até a mesma roupa, só que muito mais frio e impassível e, o cara estava em ótima forma, para quem na época tinha cinquenta e três anos, parecendo realmente durão; Já Richard Benjamim rouba o inicio do filme, falando sem parar e visivelmente com medo de tudo e, ao final, quando ele sobrevive as piores situações, quebrando a expectativa de que isso aconteceria com o personagem de James Brolin, o filme surpreende mais uma vez mudando o paradigma da época, e, Falando em Brolin, é engraçado ver o pai de Josh Brolin como um Jovem metido a charmozão e confiante, mas o que realmente chama a atenção é que ele é a cara do Christian Bale!!

Mas nada supera a ideia de "Futuro do pretérito" que o filme traz. Assistir a ideia de como seria uma tecnologia que pudesse dar "vida" a uma máquina com os olhos dos anos setenta é muito engraçado, para começar temos os painéis cheios de luzinhas, como em "Alien" e todas emitindo bips ao mesmo tempo, do mesmo modo, como o conceito de CD, pendrive e nuvem não existiam, o que o filme nos apresenta são PC's com enormes rolos de fita magnética e isso é muito louco, ao pensar na quantidade desse material para fazer três cidades com centenas de pessoas artificiais funcionarem; tudo isso somado a moda extravagante dos anos setenta, onde até o avião tem um papel de parede cafona, o que dá aquele charmoso ar de trash no filme, que só é superado quando o rosto de Yul Brymer desgruda da cabeça.

"Westworld" é um bom filme e, apesar de não trazer nada que revolucionou a época, entrega conceitos tão bacanas, que deram origem a uma das séries mais legais que estrearam esse ano. Uma obra que merece ser assistida por todo fã de ficção científica ou por quem deseja saber de onde veio a ideia que Jonathan Nolan irá explorar durante os próximos anos, então não perca tempo e, além da série, assista também ao filme, mas veja logo, antes que as maquinas despertem e percebam que os grandes vilões, na verdade, somos nós e se rebelem.







quinta-feira, 6 de outubro de 2016

VIAGEM A LUA DE JÚPITER (2013) Quando o Sci-fi é um lixo

A ficção científica, além de entretenimento, sempre foi uma inspiração para ciência de verdade. Penso que os submarinos nucleares só existam graças as pessoas que ficaram fascinadas pelos livros de Julio Verne e que, a evolução do 3-d e holografia é obra dos fãs de strar trek; no entanto a liberdade que esse gênero confere a quem trabalha com ele, por vezes permite algumas obras que longe de inspirar fãs, fazem um desserviço a tudo que os clássicos (e as boas produções) primaram por erigir, e, isso ocorre principalmente no âmbito do cinema, que ainda é a forma mais popular de se encontrar esse tema.
Um filme destes, eu assisti recentemente, após ouvir menção sobre ele em um podcast, trata-se de "Europa Report", ou como foi traduzido no Brasil "Viagem a lua de Júpiter", de 2013, que me deixou durante horas perdido em meus pensamentos ,olhando para o horizonte, sem saber se o que eu tinha visto era um drama, uma comédia, ou simplesmente uma pegadinha do Silvio Santos.

O filme foi escrito por Philip Gelatt e dirigido por Sebastian Cordero, tendo como ator mais expressivo presente, o Sul-africano Sharlto Copley (distrito 9) e conta a história da missão Europa, a primeira expedição para o espeço profundo, onde uma nave tripulada é enviada até a Lua Europa de Júpiter (tá aí o nome do filme) para pesquisar a possibilidade de vida alienígena naquele lugar e devido a problemas técnicos terríveis e as personalidades totalmente desequilibradas de seus tripulantes vê tudo dando errado.

Brother, que filme é esse? O que posso dizer é que, se muitas vezes vemos algum jogador de futebol que mal acerta a bola, ou ator que nem decora o texto, fazendo sucesso e temos a certeza que o talento do empresário do sujeito foi que o levou até ali, o empresário desse bendito roteirista, deve ser o melhor do mundo. Só isso explica que alguém tire do bolso dez milhões de Doletas para financiar esse filme! Saca só os buracos da Trama:



No universo desse filme, a Nasa ainda não mandou ninguém a Marte, no entanto, eles resolvem mandar uma nave tripulada para Júpiter, que é quase seis vezes mais distante e tudo isso para quê? Para investigar!! OK, manda uma galerinha meio sem noção para o espaço fazer o que uma sonda robô pode fazer, até porque sonda é caro e gente nos temos mais de sete bilhões no planeta (joínha roteirista)

Nesse filme, os astronautas são as pessoas mais burras do mundo! Esquece "perdido em Marte", onde todos seguem a hierarquia e são especializados pelo menos em duas coisas, aqui ninguém parece saber de nada, o mecâncio diz o tempo todo que quer a família, o engenheiro fica emburrado e não toma banho, a bióloga tá sempre deprê e todos passam o tempo todo brigando e não seguem o protocolo de abordagem nunca e jamais,até mesmo quando a nave para de funcionar. São pessoas desequilibradas e mimadas presas em um lugar fechado, tipo um Big Brother Brasil; talvez venha daí o termo do Pedro Bial "Viajantes dessa nave louca!"...só pode.


Para dar ainda uma ideia de péssima realização, o filme é feito em formato de falso documentário, parecendo imitar o próprio "distrito 9", mas pecando pela trama rasa, personagens sem carisma e propósito idiota. Os cortes são feitos de maneira irritante e a história avança e regride a todo momento, buscando gerar um clima de suspense, mas entregando apenas frustração e mesmice. Os efeitos especiais são piores do que muitos canais de Youtube usam para produzir curtas e o desejo de transformar o a trama em um filme de terror ao final ainda me dá mais raiva.
E O final? Desculpa aí, mas precisamos falar sobre o final, e , como dizia um amigo meu, filme ruim não tem spolier, tem aviso de "proteja seu dinheiro", então lá vai:


Muito gelo e falta de noção
Depois dessa turma muito louca passar mais de um ano no espaço indo em direção a bendita Lua de Júpiter eles pousam na gelada superfície (Pois a Europa é coberta por uma camada quilométrica de gelo e recheada de água) e um de seus tripulantes diz ter avistado uma luz, logo após isso eles resolvem colocar a sonda perfuratriz para trabalhar, a fim de atingir a parte líquida do satélite (não sei quais os riscos de fazer um buraco em um contenedor hermeticamente selado em um lugar sem atmosfera, mas eles são da Nasa!), então, depois de algumas horas escavando, a sonda adentra o ambiente líquido, vemos umas luzes e SHAZAN!! a sonda perde contato (medo, terror e desespero entre a tripulação) então, um dos tripulantes tem abrilhante ideia de sair da nave para avaliar o que aconteceu e BUM!!! some... a situação começa a ficar tensa e eles resolvem fazer o que qualquer tripulação sensata faria...mandam outra pessoa atrás do desgraçado ( isso mesmo, eles estão a um ano e meio de distância do planeta terra, em uma lua congelada do maio planeta do sistema solar, sem comunicação com a terra e com uma sonda e um colega desaparecidos e mandam outra pessoa para fora bancar o detetive!!) , mas em vez de encontrar o colega, a coitada que ,na verdade se voluntariou a procura-lo, se depara com umas luzes e de repente começa a fundar no gelo até chegar na parte líquida da superfície (notar que o gelo possui uma camada quilométrica) então temos um close no rosto da moça (que está apavorada) e a câmera se desliga, assim como os sinais vitais da astronauta. A partir daí tudo descamba para o terror e teoria do Caos, é equipamento que não funciona, astronauta pirando, gelo rachando...é como se a nave tivesse sido comprada no Paraguai e os astronautas treinados nas ilhas Caimã. Então descobrimos que algo está capturando a tripulação, mas já é tarde e tudo vai pro espaço (literalmente) então, quando não há mais esperança e sobrou apenas uma pessoa, está decide abrir as comportas, onde a nave está afundando no gelo, gravar o que está acontecendo e deixar o invasor entrar para esclarecer à base, o que aconteceu e então vemos o que estava capturando os pobres e desequilibrados membros da tripulação... uma espécie de Polvo alienígena, bio luminoso e sedento por carne humana que comeu todo mundo e aparece apenas em um frame.

O filme acaba com a diretora da Nasa, responsável pela missão, chorando e falando que os membros da tripulação foram heróis e blá, blá, blá.... Mas na boa?! Está tudo muito errado!!
Para começar pela física. Uma nave espacial é fechada de uma maneira que não possa ser despressurizada, pelo motivo óbvio que isso mataria a todos lá dentro; se em um avião na terra é assim, imagina no espaço, então como as portas da nave são abertas com a piloto sentadinha e consciente e um lugar que nem mesmo tem atmosfera???
Outra coisa é que a superfície do planeta é composta por uma camada de quilômetros de gelo, no entanto, a criatura alienígena transita de boa entre a água e a superfície (superfície que não possui atmosfera e deveria suga-la para o espaço!) COMO???

tristão
Outra coisa que chamou minha atenção é que não parecia haver hierarquia entre a tripulação e nem procedimento, todo mundo fazia o que queria, tomava medidas que comprometiam os outros e a missão, era a casa da mãe Joana no espaço. O único que ficava dizendo que estava abaixo de alguém era o personagem do Charton Copley (que é o primeiro a morrer) já o resto, estava lá porque não tinha nenhum lugar legal para ir nos três anos que ficariam no espaço e a culpa, meus amigos, como sempre , é do RH... porque o RH da Nasa deixou muito a desejar com essa equipe.

Para terminar, como as imagens chegaram a Nasa, para que eles montassem esse "documentário", se a comunicação foi perdida no meio do caminho? Será que o sistema de rádio funcionava à base de água e só mandou as mensagens quando a nave afundou no gelo? Jamais saberemos.

magoado
Olha, esse foi um dos piores filmes que eu já vi. Se ele não se levasse tão a sério poderia ser uma espécie de "terrir-Sci-Fi", mas quem escreveu e dirigiu, realmente acreditava que o que a história que possuía era boa... muito triste.
A direção é parca, o roteiro tem tantos furos que poderia ser um filme em homenagem ao queijo suíço e as atuações não fraquíssimas, tanto que torci pelo monstro alienígena, os efeitos especiais parecem ter sido feitos para um jogo de mega-drive e a fotografia e montagem executadas por um cego e alguém com amnésia (respectivamente).

Recomendo que assistam esse filme em um dia que estejam se sentindo muito, mais muito mal e sem esperança. Pois vendo essa coisa e sabendo que o orçamento foi de dez milhões de dólares e mesmo mal divulgado e executado, arrecadou mais de de vezes o valor deste investimento, você saberá que tudo é possível e que também podes vencer na vida.

O mais louco é que poder da ficção científica é tão forte que nesse último Setembro, a Nasa anunciou que vapores de água foram visualizados na Lua Europa, de Júpiter, uma situação bem parecida com o que dá início a trama do filme. O que me fez pagar a língua, porque quem sabe realmente exista uma monstro comedor de gente no meio do gelo e a Nasa já até saiba disso e nesse exato momento esteja recrutando os cientistas mais idiotas do mundo para serem as cobaias dessa experiência no espaço profundo desse maravilho sistema Solar? Só nos resta agora esperar a divulgação da data da missão e aguardar que quando o documentário do que aconteceu for divulgado, ele seja dirigido pelo Ridley Scott. (queira Zeus!)



O verdadeiro herói do filme




terça-feira, 27 de setembro de 2016

OBLIVION (2013) - Quando a ficção científica é boa #esquerda_rewiew 4


Um fato que, de uns tempos para cá, vem perturbando meus pensamentos, é imaginar como será nossa comunicação com alienígenas. Comecei a pensar sobre essa situação, faz uns dois meses, depois de rever o ótimo filme "Contato", que é baseado no livro do mesmo nome do grande Carl Sagan e o assunto passou a me seguir desde então, com o trailer de "A chegada", com Amy Adams, que explora a difícil primeira comunicação entre humanos e uma raça de extraterrestres, assim como toda questão da aparição de um disco voador na segunda temporada de "Fargo", onde o personagem de Ted Danson, questiona sobre se o grande problema da raça humana é não saber se comunicar, finalizando com o fato de ter lido "Um estranho numa terra estranha" de Robert A. Heinlein, que conta as desventuras de um humano criado por marcianos e que, trazido para a terra, não consegue compreender os conceitos e intenções humanas.

Estava com todos estes devaneios na mente (sei lá eu porque), quando me deparei com um filme, que a muito eu tinha descartado, por acreditar que se tratava de mais um raso caça níqueis estrelado por Tom Cruise, mas que ao assistir, encontrei uma ficção científia de qualidade, com uma trama bem elaborada e repleta de conceitos bacanas, se trata de "OBLIVION", escrito e dirigido por Joseph Kosinski e lançado pela Universal em 2013, que me fez lembrar o porquê eu adoro tanto esse gênero e colocou meu pensamento sobre comunicação com extraterrestres em outro patamar.


O ano é 2077 e o planeta terra foi destruído durante uma guerra entre os humanos e uma raça alienígena conhecida como Saqueadores. Durante o confronto, os invasores destruíram a lua, iniciando uma série de terremotos e tsunamis, causando destruição e bilhares de mortes, em respostas a raça humana utilizou então seu arsenal nuclear para vencer a guerra o que deixou o planeta inabitável, forçando a humanidade a construir a "Tet", uma estação espacial que, mais tarde, passou a servir de posto intermediário entre nosso planeta e Titã, a Lua de Saturno que se tornou o novo lar da raça humana, no entanto, para que a missão de Titã tivesse total sucesso, alguns humanos foram enviados à terra, encarregados de ajudar a fornecer recursos naturais essenciais a vida nas novas instalações, entre eles Jack Harper (Cruise), um técnico de drones, que trabalha na torre 49 junto com sua amante e oficial de comunicações Vika Olsen (Andrea Riseborough).

Tanto Jack como Vika, tiveram suas memórias removidas para não comprometerem sua missão na terra e passam todos os dias cumprindo suas obrigações de reparo de drones e vigilância das torres de drenagem de água e segurança do perímetro. No entanto, Jack , não se conforma com a ideia de ter de deixar o planeta e, somado a isso, começa a sonhar repetidamente com uma mulher e ter flashs de memórias de um tempo antes da guerra, mais de cinquenta anos antes dele mesmo nascer e essa confusão em sua mente vai crescendo conforme ele sofre a tentativa de captura dos remanescentes dos saqueadores e se agrava quando, após encontrar um sinal sendo enviado para fora do planeta e se depara com os destroços da Nave Odisseia, onde ele vem a encontrar exatamente a mulher com quem vinha sonhando (Olga Kurylenko) e que, mais tarde, lhe conta que era parte de uma missão secreta e que poderá revelar qualquer coisa só depois de estar der posse da caixa preta de sua nave, e , é nessa ajuda a encontrar o item desejado pela misteriosa sobrevivente, que Harper acaba sendo capturado pelos saqueadores, que se revelam totalmente diferentes do que lhe tinha sido informado pelo comando da Tet e esse contato mais do que sua percepção, mudará para sempre a realidade onde Jack acreditava viver.


Vika
Cara! Depois que assisti esse filme me senti muito culpado, por te-lo ignorado na época do lançamento. A história é extremamente interessante e divertida, com reviravoltas que te pegam de surpresa e, o mais legal, é que todas essas surpresas e mudanças ocorrem apenas depois do meio do filme, o que gera um clima de suspense em tentar imaginar o que está acontecendo realmente no território da torre 49.

Quanto a atuação, não tem nada de mais, Tom Cruise faz o papel de Tom Cruise, atirando, correndo, sorrindo e correndo novamente, enquanto as atrizes, elas fazem o papel de mulheres que contracenam com o Tom Cruize (fora a Emily Blunt, que mostrou pra ele quem manda em "no limite do amanhã") , sem demérito, mas mesmo com os motivos da personagem de Andrea Riseborough e da importância da aparição da personagem de Olga Kurylenko, ambas são ofuscadas pela trama e pelo Gigantesco Plot Twist que o filme tem bem no meio e que, para seguir minha análise, vou ter de contar.


ALERTA DE SPOILER




É TUDO MENTIRA!!!! Não teve guerra nenhuma entre humanos e alienígenas, os humanos não venceram e foram para Titã e muito menos a Tet é uma estação espacial. A verdade é que a Tet é uma máquina consciente vinda ninguém sabe de onde e que tem como unica finalidade consumir (isso mesmo, como você aí que troca de telefone todo ano). A história verdadeira é que em 2017 a Nasa detectou esse objeto alienígena perto de Saturno e resolveu enviar um grupo de astronautas para verificação e contato (Aí é a parte forçada, pois se hoje não conseguimos mandar pessoas para Marte, imagina para saturno? E porque não mandaram uma sonda?) , dentre os oito enviados astronautas, estavam o comandante Jack Harper e a oficia Vika Olsen e a Dra. Julia ,que era esposa de Harper (bum minha cabeça explodiu!!) , chegando próximos a Tet, Harper e Vika decidem desacoplar o módulo onde Julia e o resto da tripulação hibernava e são levados para dentro da Tet, eles acabam sendo clonados aos milhões e a Tet, após destruir a nossa lua e causar as catástrofes naturais descritas acima, manda um exército de "Tom Cruises" invadir e finalizar o serviço de extermínio dos humanos. Após isso, a Tet cria as torres de vigilância e coloca um casal de Harpers e Vikas em cada um, mentindo que suas memórias foram apagadas, prometendo que um dia irão para Titã e dizendo que as zonas fora das linhas marcadas são radioativas, quando na verdade, essas zonas são os territórios das outras duplas de clones. Enquanto isso o módulo com a Dra Julia ficou vagando no espaço durante sessenta anos e só foi trazida de volta, graças ao sinal que os humanos remanescentes (aqueles que no inicio de filme acreditamos que são os alienígenas) enviaram.

Quando essa maluquice toda é revelada, o filme ganha ares de distopia total. Não existe mais esperança para o protagonista, que entende que nem mesmo os sentimentos que ele nutre pela personagem de Olga Kurylenko são reais, restando a ele o caminho desenhado pelo personagem de Morgan Freeman (que se apresenta como o líder dos sobreviventes humanos) e isso torna o arco final do filme bem pesado e ao mesmo tempo muito bacana.

Um dos Drones. Inspiração em Matrix
O filme apostou em alguns conceitos que lembram muito Matrix. A ideia de uma inteligência artificial que ilude e manipula humanos criados em laboratório para conseguir o que quer, o cara sábio que dá a pista para o protagonista encontrar a verdade (Morgan Freeman está até mesmo sentado na mesma posição que Lawrence Fishburne em Matrix quando faz isso) o fato desse inimigo estar quase que inatingível e possuir drones armados para caçar os sobreviventes, tudo lembra muito o filme das irmãs Wachowski, com uma pitadinha de como os clones deveriam se chocar por saberem que são cópias de outra pessoa que faltou em "A ilha" de Michael Bay.

No entanto, mesmo com esses conceitos que o filme pega emprestado, ele não perde sua qualidade, pelo contrário, ele usa tudo como uma homenagem e mantém sua ótima história e enredo como destaques e consegue prender o expectador atento a todas revelações que vão sendo feitas até o derradeiro embate entre o protagonista e a Tet.

A TET
A Tet, mesmo sendo apresentada como uma espécie de Matriz (de Matrix) mas atuando no plano físico, consegue ser uma ideia bem assustadora e marcante, lembrando em muito o Brainiac (inimigo do Superman) que é uma inteligência artificial alienígena, que racionalizou que o maior problema dos humanos são...os humanos e resolveu dar fim no problema; com a diferença que a Tet é egoísta e quer consumir os recursos da terra para se manter, como sua origem é desconhecida, pode-se pensar que ela foi criada por uma civilização muito avançada, se rebelou contra a mesma e a destruiu e partiu em busca de mais, algo que , embora longe de nossa realidade, pode ser pensado em um futuro humano, quem sabe?!

Claro que não vou contar o final do filme, mas o que posso dizer é que lembra em muito o final de "No limite do amanhã", também com Tom Cruise (sempre ele), mas em "Oblivion" temos uma mistura de redenção, tristeza , esperança e "WTF???". Mas pelo todo da produção, em especial por como a história é apresentada, gostei bastante do filme e espero que o ator continue emprestando sua carinha para produções de ficção científicas tão bacanas. Então aproveita que o filme está passando toda hora na TV a cabo e para para dar uma olhada, se você gosta ficção científica, garanto que vai se comunicar muito bem com o que a trama apresenta e que para mim foi outro nível em questão de contato e comunicação com alienígenas que o cinema vem apresentando ultimamente. Um filmaço, que por muito tempo, para coincidir com o título do próprio filme, eu tinha esquecido.