quinta-feira, 20 de outubro de 2016

CAÇA FANTASMAS (2016)



Estava conversando com um colega de trabalho sobre as séries novas que estrearam esse mês e em um determinado momento ele disse que odiava o mais conhecido serviço de streaming disponível no mercado (não vamos fazer propaganda de graça hoje), segui conversando, mas uma dúvida foi plantada na minha cabeça: “Por que alguém odiaria algo voltado para o entretenimento?”, pensei e pensei, mas não encontrei uma resposta adequada, a não ser que as vezes as pessoas são babacas e precisam odiar algo, seja a editora de quadrinhos que rivaliza com a da sua preferência, seja um pintor ou escritor de destaque, ou, o canal de TV aberto que disponibilizou a todos aquela série que na sua cabeça era só sua e assim por diante. O pior é que, infelizmente, esse comportamento faz parte da característica humana, ajudando algumas pessoas a se autoafirmarem, sem que elas percebam que a mesma atitude as impossibilita de se surpreender positivamente com algo que se opuseram antes de conhecer.

Uma produção que é o exemplo máximo dessa intolerância baseada apenas na vontade de ser contra algo, é o filme que ganhou o amargo título de trailer mais odiado do Youtube e que, até hoje, quando eu o menciono, ouço aquela frasezinha, “esse filme é um lixo”, mesmo que após, a mesma pessoa complemente “mas eu nunca assisti!”. Estou falando de “CAÇA FANTASMAS” de 2016, reboot da clássica comédia dos anos oitenta, escrito e dirigido por Paul Feig e estrelado por Melissa McCarthy, Kristen Wiig, Kate McKinnon, Leslie Jones e grande elenco, que estreou nos cinemas brazucas em Julho deste ano e que mantendo a minha tradição, só conseguir ver recentemente, mas que foi uma agradável surpresa, mostrando que, quem busca algo para odiar, principalmente algo que só tem a intenção de divertir (e ganhar dinheiro), tem mais a perder do que a ganhar.

Ecto-1
Caça Fantasmas”, conta a história de um grupo de cientistas que se unem para capturar fantasmas (ou melhor dizendo, manifestações ectoplásmicas), que começam a aparecer na cidade de Nova York. Tais fenômenos se intensificam logo após o livro que duas delas publicaram, onde admitiam a existência de assombrações, voltar a ser vendido, o que acaba por destruir a reputação de uma das autoras (Erin (Kristen Wiig)) na faculdade onde lecionava e a força a um reencontro com sua ex-amiga e co-autora da famigerada publicação, Abby (Melissa McCarthy), que trabalha em uma instituição menos respeitada com sua nova amiga Jilian (Kate McKinnon), as três começam a investigar os fatos na busca de reconhecimento de suas teorias e assim acabam por conhecer Patty (Leslie Jones) uma funcionária do metrô e de grande conhecimento da história da cidade, que vê um fantasma em seu local de trabalho e aos poucos começa a ficar fascinada pelos eventos e acaba se unindo ao grupo. Juntas, essas quatro mulheres descobrirão um terrível plano para quebrar a barreira que separa o nosso mundo, do mundo dos mortos e buscarão superar toda falta de confiança e crédito que recai sobre elas, para assim salvar o dia.

Meu amigo, vou te dizer, achei “Caça Fantasmas” um filme bem legal! Paul Feig é um competente roteirista e diretor e quando foi anunciado que ele era o responsável pelo reboot eu fiquei mais tranquilo, pois algo que eu não poderia engolir seria um caça Fantasmas cheio de explosões e gritaria, como fizeram com “tartarugas Ninja” e sabendo que não é o estilo dele apresentar comédias exageradas e ação forçada, se atendo no estilo parecido com o dos filmes originais, sabia que o que eu veria, embora não fosse revolucionário, não seria pretensioso ou deprimente, qualidade que ainda foi aditivado com o talento para comédia das atrizes que protagonizam a produção e das diversas homenagens que a história faz ao clássico de 1984.



O filme é uma comédia “sessão da tarde”. Não depreciando a produção, mas exaltando aquele tempo onde filmes divertidos passavam a tarde na rede plim-plim e nos prendiam na frente da TV durante um bom tempo, ou seja, é um filme para a família sentar na frente da televisão, com um balde de pipocas e dar boas risadas juntos, sem a intenção de se tornar um clássico ou fazer alguém refletir sobre um assunto sério. Desse modo, as atuações não são e nem precisam ser brilhantes, o que por outro lado não impede de serem engraçadas e caprichadas, começando por Kate McKinnon, que interpreta a engenheira mecânica Jillian, roubando a cena com sua estranha personalidade e aparente indiferença, tudo isso somado a um sorriso meio insano que a acompanha em todos os momentos; outro destaque é o retorno de Kristen Wiig as comédias mais frouxas, relembrando muito seu tempo de Saturday Night Live, assim como Melissa McCarthy e Leslie Jones, que embora não fujam de seus papéis habituais, não decepcionam ou desaparecem frente ao destaque das outras duas. Mas, para mim o maior destaque, além da química que as atrizes têm entre si, é a participação de Chris Hemsworth ( O Thor da Marvel) como o telefonista Kevin, o cara está muito engraçado e bem diferente dos papéis habituais que está acostumado a fazer, sendo a cena onde as protagonistas saem dançando e comemorando, após capturarem seu primeiro fantasma e, Hemsworth entra dançando com Leslie Jones, uma das que me fez rir mais.



Harold Ramis (O Egon de 1984)
O filme também traz diversas referências e homenagens ao original dirigido por Ivan Reitman. A Mais marcante é a presença de um busto do falecido ator Harold Ramis, que, com Dan Aykroyd, foi o roteirista do filme de 1984 e ainda interpretou o personagem Egon e, o mais bacana é que essas homenagens povoam a história do início ao fim, contando com a participação de quase todo elenco do filme original, assim temos Bill Murray como um cético caçador de fraudes sobrenaturais, que paga caro por sua arrogância, Dan Aykroyd, como um taxista que parece saber bem mais sobre fantasmas do que o normal, Ernie Hudson como o tio da personagem da Leslie Jones, Anie Potts, como a recepcionista de um hotel e Sigoumey Weaver como a mentora da personagem de Kate McKinnon, além de menções ao fantasma Geléia e ao monstro de Marshmallow, só faltou o Rick Moranis.

Junto com as homenagens e menções, temos as releituras de algumas cenas e explicações sobre algumas questões que não eram abordadas nos outros filmes, que ficaram bem bacanas. A principal questão da trama, penso eu, é como as personagens se transformam em uma prestadora de serviço, pois no filme original, parece que o plano dos protagonistas é abrir uma empresa desde o princípio, já no novo filme, tudo ocorre de maneira acidental e a ideia surge como interesse científico, que acaba, ao final, se tornando uma fonte de renda quando passa a ser um prestador de serviço para a prefeitura da cidade. O fato de os raios de prótons não poderem se cruzar fica mais claro nessa versão, se explicando que a soma de energia com o cruzamento pode deixar o equipamento instável (ou algo assim). Além disso, temos uma releitura da cena onde as três cientistas filmam o primeiro fantasma, que no filme de 1984 está empilhando livros em uma biblioteca e nesse é o fantasma de uma assassina que morreu encarcerada pelo pai em sua própria casa, as cenas são muito semelhantes, com o fantasma lívido observando os personagens, quando de repente se torna assustador, atirando gosma para todos os lados; Também temos um embate final parecido, com as Caça Fantasmas se defrontando com um monstro gigantesco, onde o buscar mandá-lo de volta através da barreira, me parece mais coerente do que tentar explodi-lo, até porque se ele não está vivo, do que adiantaria?

Por tudo isso, achei “Caça Fantasmas”, de Paul Feig, um divertido filme, que apesar de utilizar o original como base, se sustenta sozinho e não pretende nunca ofuscar ou superar o primeiro, mas que nem por isso, parece ser inferior. Um filme para se divertir, mas que consegue ter aquela dose certa de acidez e ironia, para debochar até mesmo dos haters do youtube que elegeram seu trailer como o mais odiado de todos os tempos e que para o amargor dessa gente, ainda termina com uma cena pós créditos onde a personagem da Leslie Jones, após ouvir uma fita com um áudio gravado em um suposto prédio assombrado questiona “Quem é zuul?” (Eu sei!) indicando uma possível sequência.


Caça Fantasmas é o exemplo de que até mesmo algo que é totalmente diferente do que nós queremos, pode ser muito divertido e surpreendente. Não há a necessidade de procurar defeitos ou levantar bandeiras de ódio contra coisas que não representam a gente, basta não assistir, ou assistir e mudar de ideia. As pessoas estão se tornando extremistas demais, defendendo com unhas e dentes apenas o que lhes agrada por retratar traços de suas personalidades ou a representação de seus aspectos físicos e isso não é certo, pois há e sempre haverá espaço para todos, principalmente nas artes e se você não consegue enxergar isso, talvez seja a hora de cruzar os raios de prótons e banir esse monstro gigante que existe dentro de você para outra dimensão, antes que ele cause danos a você mesmo. Então, relaxe, faça um balde de pipoca, assista Caça Fantasmas e dê uma chance ao novo e a você mesmo.



sexta-feira, 14 de outubro de 2016

WESTWORLD (1973) O filme que deu origem à série da HBO


Dia dois de Outubro estreou no canal HBO, “Westworld”, série de ficção científica escrita por Jonathan Nolan e produzida por J.J Abrams, que já chegou metendo o pé na porta e mostrando a que veio, com um piloto com um potencial gigantesco onde se destacou, além do conceito de inteligência artificial, a brutalidade e Filosofia que nos aguardam para essa temporada. No entanto, o que pouca gente sabe é que a série é baseada em um filme lançado em 1973 pela Metro Goldwyn Mayer, escrito e dirigido por Michael Crichton, o celebre autor de “Jurassic Park” (esse cara era doido por um parque temático) e estrelado por Yul Brynner, Richard Benjamim e James Brolin.

"WestWorld" conta a história de um parque multitemático feito para adultos, onde as pessoas podem realizar seus sonhos e fantasias mais ferozes em três cenários, a idade média européia, o Império romano e o Oeste selvagem americano, todos povoados por robôs programados para simularem como se estivessem realmente naqueles ambientes, tanto no tocante a violência, quanto a sedução, com a vantagem que nenhum humano pode ser machucado por uma máquina, apenas ser agradado e tudo isso pela bagatela de mil dólares diários.
É em um voo para o parque, que somos apresentados a Peter e John (Benjamim e Brolin, respectivamente), dois turistas, que resolvem sair da rotina e viver uma temporada de aventura no velho Oeste americano, atirando em pistoleiros, bebendo em saloons e dormindo com damas de vida fácil (por assim dizer), tudo vai como o planejado durante grande parte de suas estadias, no entanto, pouco a pouco, um bugs vai tornando os robôs menos obedientes e amistosos, colocando em risco, além do roteiro e encantamento do parque, a própria segurança dos visitantes.


Assistindo o filme com os olhos de 1973, o enxergo como, mais do que uma obra divertida e imaginativa, mas, como uma produção inovadora. Para começar temos um prólogo no filme, onde um apresentador quebra a quarta parede e fala direto com o espectador, entrevistando pessoas que voltaram do parque e fazendo um convite claro a quem tiver os mil dólares diários necessários para a estadia, lembrando muito o que foi visto quinze anos depois, em Robocop. Outra coisa é o conceito de lugar livre de amarras morais, onde quem paga, pode fazer o que quiser, algo que foi uma das principal heranças para série da HBO, junto com a questão de ego e o ato de ser dos robôs, que é bastante rasa no filme e parece apenas circundar o robô vivido por Yul Brynner , dando a entender que o bugs os liberta, mas não modifica sua programação, algo que a série irá trabalhar muito melhor, principalmente porque parece girar em torno das escolhas e descobertas dos robôs e não exatamente do temor humano.
A tecnologia dos anos setenta


No entanto, essa não possibilidade de fuga da programação, do mesmo jeito que dá o motivo de ser do filme, que são robôs programados para lutar e desafiar humanos, livres de suas limitações programadas, contradiz a si mesma, quando alguns robôs que são feitos para satisfazer sexualmente os humanos, resolvem executa-los de forma convencional (tiros e facadas) ao invés de mata-los de tanto fazer sexo, que seria muito mais alinhado com o que os definia a principio.

Essa primeira análise deixa claro que o filme possui alguns problemas de roteiro, que embora não maculem o conceito central, deixam furos que poderiam ser melhor trabalhados. O furo que mais me deixou encucado é referente aos visitantes coadjuvantes, no caso um tiozão de bigodes que vai para a parte de idade média do parque e o outro tiozinho de óculos, que vira o xerife do parque; primeiro é apresentado junto com os protagonistas, super empolgado e , depois de ter um romance com a rainha na terra medieval, acaba sendo morto pelo "cavaleiro negro" quando os robôs perdem o controle, sem ao menos ter um contato mais pessoal com os protagonistas, ou sua morte definir uma possibilidade de salvação para o grupo, sua história se justifica como sendo a do cara que está lá para morrer e nos mostrar que tudo deu errado. Pior ainda é o tiozinho de óculos, que surge como um nerdão, sempre se mostra atrapalhado e nem ao menos é visto se ele morre mesmo, sendo que as cenas onde ele é mostrado poderiam ser economizadas para aprofundar muito mais na questão do bug, ou no aprofundamento da história dos dois protagonistas, mas não dá para julgar, pois é um filme que foi escrito e lançado antes da ideia que temos hoje de inteligência artificial e onde a ação, no cinema, era mais valorizada do que o dialogo e reflexão.

Meu nome não é Bale
As Atuações são bem legais até para os dias de hoje, embora carregam muito dos trejeitos dos filmes do tempo em que foi feito, o que é normal. Yul Brynner parece reviver seu personagem em "Sete Homens e um Destino", usando até a mesma roupa, só que muito mais frio e impassível e, o cara estava em ótima forma, para quem na época tinha cinquenta e três anos, parecendo realmente durão; Já Richard Benjamim rouba o inicio do filme, falando sem parar e visivelmente com medo de tudo e, ao final, quando ele sobrevive as piores situações, quebrando a expectativa de que isso aconteceria com o personagem de James Brolin, o filme surpreende mais uma vez mudando o paradigma da época, e, Falando em Brolin, é engraçado ver o pai de Josh Brolin como um Jovem metido a charmozão e confiante, mas o que realmente chama a atenção é que ele é a cara do Christian Bale!!

Mas nada supera a ideia de "Futuro do pretérito" que o filme traz. Assistir a ideia de como seria uma tecnologia que pudesse dar "vida" a uma máquina com os olhos dos anos setenta é muito engraçado, para começar temos os painéis cheios de luzinhas, como em "Alien" e todas emitindo bips ao mesmo tempo, do mesmo modo, como o conceito de CD, pendrive e nuvem não existiam, o que o filme nos apresenta são PC's com enormes rolos de fita magnética e isso é muito louco, ao pensar na quantidade desse material para fazer três cidades com centenas de pessoas artificiais funcionarem; tudo isso somado a moda extravagante dos anos setenta, onde até o avião tem um papel de parede cafona, o que dá aquele charmoso ar de trash no filme, que só é superado quando o rosto de Yul Brymer desgruda da cabeça.

"Westworld" é um bom filme e, apesar de não trazer nada que revolucionou a época, entrega conceitos tão bacanas, que deram origem a uma das séries mais legais que estrearam esse ano. Uma obra que merece ser assistida por todo fã de ficção científica ou por quem deseja saber de onde veio a ideia que Jonathan Nolan irá explorar durante os próximos anos, então não perca tempo e, além da série, assista também ao filme, mas veja logo, antes que as maquinas despertem e percebam que os grandes vilões, na verdade, somos nós e se rebelem.







quinta-feira, 6 de outubro de 2016

VIAGEM A LUA DE JÚPITER (2013) Quando o Sci-fi é um lixo

A ficção científica, além de entretenimento, sempre foi uma inspiração para ciência de verdade. Penso que os submarinos nucleares só existam graças as pessoas que ficaram fascinadas pelos livros de Julio Verne e que, a evolução do 3-d e holografia é obra dos fãs de strar trek; no entanto a liberdade que esse gênero confere a quem trabalha com ele, por vezes permite algumas obras que longe de inspirar fãs, fazem um desserviço a tudo que os clássicos (e as boas produções) primaram por erigir, e, isso ocorre principalmente no âmbito do cinema, que ainda é a forma mais popular de se encontrar esse tema.
Um filme destes, eu assisti recentemente, após ouvir menção sobre ele em um podcast, trata-se de "Europa Report", ou como foi traduzido no Brasil "Viagem a lua de Júpiter", de 2013, que me deixou durante horas perdido em meus pensamentos ,olhando para o horizonte, sem saber se o que eu tinha visto era um drama, uma comédia, ou simplesmente uma pegadinha do Silvio Santos.

O filme foi escrito por Philip Gelatt e dirigido por Sebastian Cordero, tendo como ator mais expressivo presente, o Sul-africano Sharlto Copley (distrito 9) e conta a história da missão Europa, a primeira expedição para o espeço profundo, onde uma nave tripulada é enviada até a Lua Europa de Júpiter (tá aí o nome do filme) para pesquisar a possibilidade de vida alienígena naquele lugar e devido a problemas técnicos terríveis e as personalidades totalmente desequilibradas de seus tripulantes vê tudo dando errado.

Brother, que filme é esse? O que posso dizer é que, se muitas vezes vemos algum jogador de futebol que mal acerta a bola, ou ator que nem decora o texto, fazendo sucesso e temos a certeza que o talento do empresário do sujeito foi que o levou até ali, o empresário desse bendito roteirista, deve ser o melhor do mundo. Só isso explica que alguém tire do bolso dez milhões de Doletas para financiar esse filme! Saca só os buracos da Trama:



No universo desse filme, a Nasa ainda não mandou ninguém a Marte, no entanto, eles resolvem mandar uma nave tripulada para Júpiter, que é quase seis vezes mais distante e tudo isso para quê? Para investigar!! OK, manda uma galerinha meio sem noção para o espaço fazer o que uma sonda robô pode fazer, até porque sonda é caro e gente nos temos mais de sete bilhões no planeta (joínha roteirista)

Nesse filme, os astronautas são as pessoas mais burras do mundo! Esquece "perdido em Marte", onde todos seguem a hierarquia e são especializados pelo menos em duas coisas, aqui ninguém parece saber de nada, o mecâncio diz o tempo todo que quer a família, o engenheiro fica emburrado e não toma banho, a bióloga tá sempre deprê e todos passam o tempo todo brigando e não seguem o protocolo de abordagem nunca e jamais,até mesmo quando a nave para de funcionar. São pessoas desequilibradas e mimadas presas em um lugar fechado, tipo um Big Brother Brasil; talvez venha daí o termo do Pedro Bial "Viajantes dessa nave louca!"...só pode.


Para dar ainda uma ideia de péssima realização, o filme é feito em formato de falso documentário, parecendo imitar o próprio "distrito 9", mas pecando pela trama rasa, personagens sem carisma e propósito idiota. Os cortes são feitos de maneira irritante e a história avança e regride a todo momento, buscando gerar um clima de suspense, mas entregando apenas frustração e mesmice. Os efeitos especiais são piores do que muitos canais de Youtube usam para produzir curtas e o desejo de transformar o a trama em um filme de terror ao final ainda me dá mais raiva.
E O final? Desculpa aí, mas precisamos falar sobre o final, e , como dizia um amigo meu, filme ruim não tem spolier, tem aviso de "proteja seu dinheiro", então lá vai:


Muito gelo e falta de noção
Depois dessa turma muito louca passar mais de um ano no espaço indo em direção a bendita Lua de Júpiter eles pousam na gelada superfície (Pois a Europa é coberta por uma camada quilométrica de gelo e recheada de água) e um de seus tripulantes diz ter avistado uma luz, logo após isso eles resolvem colocar a sonda perfuratriz para trabalhar, a fim de atingir a parte líquida do satélite (não sei quais os riscos de fazer um buraco em um contenedor hermeticamente selado em um lugar sem atmosfera, mas eles são da Nasa!), então, depois de algumas horas escavando, a sonda adentra o ambiente líquido, vemos umas luzes e SHAZAN!! a sonda perde contato (medo, terror e desespero entre a tripulação) então, um dos tripulantes tem abrilhante ideia de sair da nave para avaliar o que aconteceu e BUM!!! some... a situação começa a ficar tensa e eles resolvem fazer o que qualquer tripulação sensata faria...mandam outra pessoa atrás do desgraçado ( isso mesmo, eles estão a um ano e meio de distância do planeta terra, em uma lua congelada do maio planeta do sistema solar, sem comunicação com a terra e com uma sonda e um colega desaparecidos e mandam outra pessoa para fora bancar o detetive!!) , mas em vez de encontrar o colega, a coitada que ,na verdade se voluntariou a procura-lo, se depara com umas luzes e de repente começa a fundar no gelo até chegar na parte líquida da superfície (notar que o gelo possui uma camada quilométrica) então temos um close no rosto da moça (que está apavorada) e a câmera se desliga, assim como os sinais vitais da astronauta. A partir daí tudo descamba para o terror e teoria do Caos, é equipamento que não funciona, astronauta pirando, gelo rachando...é como se a nave tivesse sido comprada no Paraguai e os astronautas treinados nas ilhas Caimã. Então descobrimos que algo está capturando a tripulação, mas já é tarde e tudo vai pro espaço (literalmente) então, quando não há mais esperança e sobrou apenas uma pessoa, está decide abrir as comportas, onde a nave está afundando no gelo, gravar o que está acontecendo e deixar o invasor entrar para esclarecer à base, o que aconteceu e então vemos o que estava capturando os pobres e desequilibrados membros da tripulação... uma espécie de Polvo alienígena, bio luminoso e sedento por carne humana que comeu todo mundo e aparece apenas em um frame.

O filme acaba com a diretora da Nasa, responsável pela missão, chorando e falando que os membros da tripulação foram heróis e blá, blá, blá.... Mas na boa?! Está tudo muito errado!!
Para começar pela física. Uma nave espacial é fechada de uma maneira que não possa ser despressurizada, pelo motivo óbvio que isso mataria a todos lá dentro; se em um avião na terra é assim, imagina no espaço, então como as portas da nave são abertas com a piloto sentadinha e consciente e um lugar que nem mesmo tem atmosfera???
Outra coisa é que a superfície do planeta é composta por uma camada de quilômetros de gelo, no entanto, a criatura alienígena transita de boa entre a água e a superfície (superfície que não possui atmosfera e deveria suga-la para o espaço!) COMO???

tristão
Outra coisa que chamou minha atenção é que não parecia haver hierarquia entre a tripulação e nem procedimento, todo mundo fazia o que queria, tomava medidas que comprometiam os outros e a missão, era a casa da mãe Joana no espaço. O único que ficava dizendo que estava abaixo de alguém era o personagem do Charton Copley (que é o primeiro a morrer) já o resto, estava lá porque não tinha nenhum lugar legal para ir nos três anos que ficariam no espaço e a culpa, meus amigos, como sempre , é do RH... porque o RH da Nasa deixou muito a desejar com essa equipe.

Para terminar, como as imagens chegaram a Nasa, para que eles montassem esse "documentário", se a comunicação foi perdida no meio do caminho? Será que o sistema de rádio funcionava à base de água e só mandou as mensagens quando a nave afundou no gelo? Jamais saberemos.

magoado
Olha, esse foi um dos piores filmes que eu já vi. Se ele não se levasse tão a sério poderia ser uma espécie de "terrir-Sci-Fi", mas quem escreveu e dirigiu, realmente acreditava que o que a história que possuía era boa... muito triste.
A direção é parca, o roteiro tem tantos furos que poderia ser um filme em homenagem ao queijo suíço e as atuações não fraquíssimas, tanto que torci pelo monstro alienígena, os efeitos especiais parecem ter sido feitos para um jogo de mega-drive e a fotografia e montagem executadas por um cego e alguém com amnésia (respectivamente).

Recomendo que assistam esse filme em um dia que estejam se sentindo muito, mais muito mal e sem esperança. Pois vendo essa coisa e sabendo que o orçamento foi de dez milhões de dólares e mesmo mal divulgado e executado, arrecadou mais de de vezes o valor deste investimento, você saberá que tudo é possível e que também podes vencer na vida.

O mais louco é que poder da ficção científica é tão forte que nesse último Setembro, a Nasa anunciou que vapores de água foram visualizados na Lua Europa, de Júpiter, uma situação bem parecida com o que dá início a trama do filme. O que me fez pagar a língua, porque quem sabe realmente exista uma monstro comedor de gente no meio do gelo e a Nasa já até saiba disso e nesse exato momento esteja recrutando os cientistas mais idiotas do mundo para serem as cobaias dessa experiência no espaço profundo desse maravilho sistema Solar? Só nos resta agora esperar a divulgação da data da missão e aguardar que quando o documentário do que aconteceu for divulgado, ele seja dirigido pelo Ridley Scott. (queira Zeus!)



O verdadeiro herói do filme




terça-feira, 27 de setembro de 2016

OBLIVION (2013) - Quando a ficção científica é boa #esquerda_rewiew 4


Um fato que, de uns tempos para cá, vem perturbando meus pensamentos, é imaginar como será nossa comunicação com alienígenas. Comecei a pensar sobre essa situação, faz uns dois meses, depois de rever o ótimo filme "Contato", que é baseado no livro do mesmo nome do grande Carl Sagan e o assunto passou a me seguir desde então, com o trailer de "A chegada", com Amy Adams, que explora a difícil primeira comunicação entre humanos e uma raça de extraterrestres, assim como toda questão da aparição de um disco voador na segunda temporada de "Fargo", onde o personagem de Ted Danson, questiona sobre se o grande problema da raça humana é não saber se comunicar, finalizando com o fato de ter lido "Um estranho numa terra estranha" de Robert A. Heinlein, que conta as desventuras de um humano criado por marcianos e que, trazido para a terra, não consegue compreender os conceitos e intenções humanas.

Estava com todos estes devaneios na mente (sei lá eu porque), quando me deparei com um filme, que a muito eu tinha descartado, por acreditar que se tratava de mais um raso caça níqueis estrelado por Tom Cruise, mas que ao assistir, encontrei uma ficção científia de qualidade, com uma trama bem elaborada e repleta de conceitos bacanas, se trata de "OBLIVION", escrito e dirigido por Joseph Kosinski e lançado pela Universal em 2013, que me fez lembrar o porquê eu adoro tanto esse gênero e colocou meu pensamento sobre comunicação com extraterrestres em outro patamar.


O ano é 2077 e o planeta terra foi destruído durante uma guerra entre os humanos e uma raça alienígena conhecida como Saqueadores. Durante o confronto, os invasores destruíram a lua, iniciando uma série de terremotos e tsunamis, causando destruição e bilhares de mortes, em respostas a raça humana utilizou então seu arsenal nuclear para vencer a guerra o que deixou o planeta inabitável, forçando a humanidade a construir a "Tet", uma estação espacial que, mais tarde, passou a servir de posto intermediário entre nosso planeta e Titã, a Lua de Saturno que se tornou o novo lar da raça humana, no entanto, para que a missão de Titã tivesse total sucesso, alguns humanos foram enviados à terra, encarregados de ajudar a fornecer recursos naturais essenciais a vida nas novas instalações, entre eles Jack Harper (Cruise), um técnico de drones, que trabalha na torre 49 junto com sua amante e oficial de comunicações Vika Olsen (Andrea Riseborough).

Tanto Jack como Vika, tiveram suas memórias removidas para não comprometerem sua missão na terra e passam todos os dias cumprindo suas obrigações de reparo de drones e vigilância das torres de drenagem de água e segurança do perímetro. No entanto, Jack , não se conforma com a ideia de ter de deixar o planeta e, somado a isso, começa a sonhar repetidamente com uma mulher e ter flashs de memórias de um tempo antes da guerra, mais de cinquenta anos antes dele mesmo nascer e essa confusão em sua mente vai crescendo conforme ele sofre a tentativa de captura dos remanescentes dos saqueadores e se agrava quando, após encontrar um sinal sendo enviado para fora do planeta e se depara com os destroços da Nave Odisseia, onde ele vem a encontrar exatamente a mulher com quem vinha sonhando (Olga Kurylenko) e que, mais tarde, lhe conta que era parte de uma missão secreta e que poderá revelar qualquer coisa só depois de estar der posse da caixa preta de sua nave, e , é nessa ajuda a encontrar o item desejado pela misteriosa sobrevivente, que Harper acaba sendo capturado pelos saqueadores, que se revelam totalmente diferentes do que lhe tinha sido informado pelo comando da Tet e esse contato mais do que sua percepção, mudará para sempre a realidade onde Jack acreditava viver.


Vika
Cara! Depois que assisti esse filme me senti muito culpado, por te-lo ignorado na época do lançamento. A história é extremamente interessante e divertida, com reviravoltas que te pegam de surpresa e, o mais legal, é que todas essas surpresas e mudanças ocorrem apenas depois do meio do filme, o que gera um clima de suspense em tentar imaginar o que está acontecendo realmente no território da torre 49.

Quanto a atuação, não tem nada de mais, Tom Cruise faz o papel de Tom Cruise, atirando, correndo, sorrindo e correndo novamente, enquanto as atrizes, elas fazem o papel de mulheres que contracenam com o Tom Cruize (fora a Emily Blunt, que mostrou pra ele quem manda em "no limite do amanhã") , sem demérito, mas mesmo com os motivos da personagem de Andrea Riseborough e da importância da aparição da personagem de Olga Kurylenko, ambas são ofuscadas pela trama e pelo Gigantesco Plot Twist que o filme tem bem no meio e que, para seguir minha análise, vou ter de contar.


ALERTA DE SPOILER




É TUDO MENTIRA!!!! Não teve guerra nenhuma entre humanos e alienígenas, os humanos não venceram e foram para Titã e muito menos a Tet é uma estação espacial. A verdade é que a Tet é uma máquina consciente vinda ninguém sabe de onde e que tem como unica finalidade consumir (isso mesmo, como você aí que troca de telefone todo ano). A história verdadeira é que em 2017 a Nasa detectou esse objeto alienígena perto de Saturno e resolveu enviar um grupo de astronautas para verificação e contato (Aí é a parte forçada, pois se hoje não conseguimos mandar pessoas para Marte, imagina para saturno? E porque não mandaram uma sonda?) , dentre os oito enviados astronautas, estavam o comandante Jack Harper e a oficia Vika Olsen e a Dra. Julia ,que era esposa de Harper (bum minha cabeça explodiu!!) , chegando próximos a Tet, Harper e Vika decidem desacoplar o módulo onde Julia e o resto da tripulação hibernava e são levados para dentro da Tet, eles acabam sendo clonados aos milhões e a Tet, após destruir a nossa lua e causar as catástrofes naturais descritas acima, manda um exército de "Tom Cruises" invadir e finalizar o serviço de extermínio dos humanos. Após isso, a Tet cria as torres de vigilância e coloca um casal de Harpers e Vikas em cada um, mentindo que suas memórias foram apagadas, prometendo que um dia irão para Titã e dizendo que as zonas fora das linhas marcadas são radioativas, quando na verdade, essas zonas são os territórios das outras duplas de clones. Enquanto isso o módulo com a Dra Julia ficou vagando no espaço durante sessenta anos e só foi trazida de volta, graças ao sinal que os humanos remanescentes (aqueles que no inicio de filme acreditamos que são os alienígenas) enviaram.

Quando essa maluquice toda é revelada, o filme ganha ares de distopia total. Não existe mais esperança para o protagonista, que entende que nem mesmo os sentimentos que ele nutre pela personagem de Olga Kurylenko são reais, restando a ele o caminho desenhado pelo personagem de Morgan Freeman (que se apresenta como o líder dos sobreviventes humanos) e isso torna o arco final do filme bem pesado e ao mesmo tempo muito bacana.

Um dos Drones. Inspiração em Matrix
O filme apostou em alguns conceitos que lembram muito Matrix. A ideia de uma inteligência artificial que ilude e manipula humanos criados em laboratório para conseguir o que quer, o cara sábio que dá a pista para o protagonista encontrar a verdade (Morgan Freeman está até mesmo sentado na mesma posição que Lawrence Fishburne em Matrix quando faz isso) o fato desse inimigo estar quase que inatingível e possuir drones armados para caçar os sobreviventes, tudo lembra muito o filme das irmãs Wachowski, com uma pitadinha de como os clones deveriam se chocar por saberem que são cópias de outra pessoa que faltou em "A ilha" de Michael Bay.

No entanto, mesmo com esses conceitos que o filme pega emprestado, ele não perde sua qualidade, pelo contrário, ele usa tudo como uma homenagem e mantém sua ótima história e enredo como destaques e consegue prender o expectador atento a todas revelações que vão sendo feitas até o derradeiro embate entre o protagonista e a Tet.

A TET
A Tet, mesmo sendo apresentada como uma espécie de Matriz (de Matrix) mas atuando no plano físico, consegue ser uma ideia bem assustadora e marcante, lembrando em muito o Brainiac (inimigo do Superman) que é uma inteligência artificial alienígena, que racionalizou que o maior problema dos humanos são...os humanos e resolveu dar fim no problema; com a diferença que a Tet é egoísta e quer consumir os recursos da terra para se manter, como sua origem é desconhecida, pode-se pensar que ela foi criada por uma civilização muito avançada, se rebelou contra a mesma e a destruiu e partiu em busca de mais, algo que , embora longe de nossa realidade, pode ser pensado em um futuro humano, quem sabe?!

Claro que não vou contar o final do filme, mas o que posso dizer é que lembra em muito o final de "No limite do amanhã", também com Tom Cruise (sempre ele), mas em "Oblivion" temos uma mistura de redenção, tristeza , esperança e "WTF???". Mas pelo todo da produção, em especial por como a história é apresentada, gostei bastante do filme e espero que o ator continue emprestando sua carinha para produções de ficção científicas tão bacanas. Então aproveita que o filme está passando toda hora na TV a cabo e para para dar uma olhada, se você gosta ficção científica, garanto que vai se comunicar muito bem com o que a trama apresenta e que para mim foi outro nível em questão de contato e comunicação com alienígenas que o cinema vem apresentando ultimamente. Um filmaço, que por muito tempo, para coincidir com o título do próprio filme, eu tinha esquecido.







quarta-feira, 21 de setembro de 2016

ARQ (2016)



As vezes acho que o que acontece na minha vida está se repetindo eternamente. Comecei a ter essa sensação depois dos trinta e essa percepção só tem crescido nesses últimos cinco anos; com os mesmos problemas no trabalho, mesmos problemas nos relacionamentos, mesmos problemas de grana, mesmas histórias contadas nos aniversários e churrascos da vida; acho que se eu não tivesse meu filho do lado para acompanhar seu crescimento, eu poderia ter certeza de que estou dentro de um loop temporal e que em determinada época do ano (Shazan!!) o tempo volta para um exato dia e lá vamos nós outra vez.
Só que nem todos tem a sorte de possuir um totem, como um filho, um peão que não para de girar, ou perceber uma falha na matrix, para saber se o que está vivendo é real, sonho ou repetição; e, esse é exatamente o caso que acontece com os personagens do filme "ARQ", escrito e dirigido por Tony Elliott e estrelado por Robbie Amell e Rachael Taylor, que a Netflix produziu e disponibilizou em seu catálogo no último dia 16/09.

O filme começa assim: Robbie Amell é Renton, um jovem, bonito e malhado cientista que acorda com um susto em seu quarto as 06:16, ao lado da não menos gata Hannah (Rachael Taylor), ele houve barulho na porta e de repente três homens com mascaras de gás entram e um deles desfere uma coronhada no rosto de nosso protagonista e o arrastam pelos pés em direção a outro comodo; Renton se agarra nos pés do corrimão da escada e tenta fugir, mas acaba tropeçando, bate de cabeça no degrau e ( katapow!!) acorda com um susto em seu quarto as 06:16, ao lado de Hannah , ele houve barulho na porta e de repente três homens com máscaras de gás entram e um deles desfere uma coronhada no rosto de nosso protagonista....

O que foi escrito na humilde sinopse que antecede esse parágrafo não foi um erro de digitação, o que ocorre com Renton (ou Ren, para os mais chegados) é um loop temporal. Sendo assim, Ren percebe ,após "morrer" na escada, que o dia que ele está vivendo vem se repetindo e, não importando o que faça, ele sempre morre e acorda as 06:16 ao lado de Hannah na cama de seu quarto. Ren começa a suspeitar de que o "Arq", um projeto que buscava gerar energia ilimitada e do qual fez parte quando trabalhava na maior corporação mundial, a Torus, e que roubou quando saiu fugido da empresa, está, de alguma maneira fazendo com que o dia se repita. Sabendo desse eterno restart, o protagonista passa a usar as informações do dia repetido para buscar uma chance contra os invasores, mas o que Ren vai poder fazer quando todos os invasores, repetição após repetição, começarem a lembrar também de que o dia está se voltando?

"ARQ" remete a outras produções que também exploram a ideia de loop temporal, como o clássico "O feitiço do tempo", onde Bill Murray fica preso no dia da marmota em uma cidade do interior americano, ou ao episódio "segunda-feira" do Arquivo X, onde após uma assalto frustrado a um banco, um ladrão detona explosivos presos a seu corpo, matando Mulder e Scully e, fazendo com que a segunda-feira se repita diversas vezes, ou mais recentemente, com "No limite do amanhã" onde após entrar em contato com alienígenas, o personagem de Tom Cruise, passa a voltar no tempo sempre que morre. No entanto, o diferencial de "ARQ", talvez seja pensar no micro, tornando a história menos grandiosa e mais intimista, concentrando o filme em apenas um cenário e tendo somente seis atores em ação. Essa proposta menos grandiosa dá ao filme espaço para explorar bem os personagens e apostar em polt twists que aos poucos vão revelando, além da personalidade de cada um, as peculiaridades do universo onde o filme se passa.



Achei o filme divertido e interessante. Confesso que a principio fiquei um pouco confuso, pois somos jogados no meio da situação sem nenhum aviso prévio, mas o final da trama, tanto justifica totalmente essa imersão repentina, quanto acrescenta qualidade ao roteiro e a opção de montar o filme da forma que foi feito. Gostei especialmente do fato de o roteiro se prender ao momento vivido pelos personagens e a busca por resolver a situação onde eles estão presos, deixando todos problemas de fora da casa como um pano de fundo que justifica a invasão e confronto, algo parecido com o que acontece no filme "Colateral" onde Tom Cruise (toda hora esse cara) é um assassino contratado por mafiosos que persegue e mata testemunhas, sendo o que o levou até ali é ignorado, ou o livro "Battle Royale" de Koushun Takami, onde o importante é o que acontece na ilha em que estudantes devem se matar até sobrar apenas um e o estado totalitário que está por trás de tudo é apenas mencionado em pequenos trechos, sem importância para a trama.

Hannah e Ren
Mas embora a situação fora da casa não tenha maior importância para a trama de "ARQ", achei todos os conceitos apresentados e que revelam o estado da sociedade mundial ,do universo do filme, extremamente interessantes. Para começar, os três antagonistas estão usando máscaras de ar e nos é informado durante a história, de que o ar está tão poluído, que é impossível andar pelas ruas sem uma proteção adequada, da mesma forma sabemos através de um noticiário, que passa durante uma das tentativas de fuga (ou todas) de que todas as aves foram extintas e que a "Austrália continental" virou um buraco de "cascalho radioativo" graças a um bombardeio nuclear. No entanto, o que chama a atenção é saber que a "Torus", maior conglomerado de empresas do mundo e onde o protagonista trabalhava, é tão poderosa, que praticamente engoliu os EUA e detêm o poder sobre a cidadania e liberdade das pessoas, sendo o único opositor a essa potência, um grupo terrorista autointitulado "O bloco". Essas informações, que transitam ao fundo da história dão ares de distopia ao universo onde a trama se realiza, o que me agradou em muito, por sincronizar perfeitamente com o desfecho que a história tem.

Bem, como eu disse, gostei bastante de "ARQ" e poderia falar bem mais sobre todos os por menores do filme, mas acho que uma hora ou outra eu acabaria me repetindo (piadinha). O filme é uma produção simples e divertida, que consegue segurar o expectador com o mistério e tensão de uma situação inusitada, aborda um quase gênero de ficção científica de forma divertida e interessante e tem um final que mistura desespero com coragem. Um ótimo trabalho de Tony Elliott, de quem eu só conhecia a direção de alguns episódios de "Orphan Black" e uma produção digna da netflix, que tem apostado em todos os gêneros com a mesma qualidade. Então, quando bater uma vontade de ver um filme repetido, mude um pouco a sua ideia e assista "ARQ" e dê chance para o que é um pouco diferente, porque ninguém quer viver em um loop temporal, assim como eu, pois se eu pudesse falar da minha vida, eu começaria assim:

As vezes acho que o que acontece na minha vida está se repetindo eternamente....




quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A BEIRA DA LOUCURA (1994) #Zerocult 4


Imagina um filme com o clima dos contos de Lovecraft, onde tudo gira em torno de um escritor de terror totalmente inspirado em Stephen King, dirigido por um mestre do terror e produzido no meio dos anos noventa, mas com todo espirito dos anos oitenta? Parece estranho demais para ser concebido, não?! Mas existe!! Se trata de "À beira da Loucura" (In the mouth of madness), distribuído em 1994 pela New Line, dirigido pelo Genial John Carpenter e estrelado por Sam Neill, que, em um dia de chuva onde até faltou luz, me trouxe toda aquela sensação que o falecido "cinema em casa" do SBT me trazia quando eu era um guri.

O filme acompanha os passos de John Trent (Sam Neill), um investigador de seguros, que é contatado por uma editora para encontrar um famoso escritor de terror chamado Sutter Cane, que desapareceu um mês atrás, deixando um livro inacabado que já tinha data de lançamento e direitos vendidos para o cinema. Na pista do escritor, John Trent acaba chegando na pequena cidade de "Rob's End" acompanhado de uma funcionária da editora, onde além do escritor, ele encontrará uma verdade tão grande e destruidora que vai abalar pra sempre sua sanidade (uuUUUuuu) .

Que - filme – maluco! Para começar pela escalação de Sam Neill como protagonista, que havia estrelado Jurassic Park, um dos melhores e mais marcantes filmes do início dos anos noventa, onde ele interpretava Alan Grant, que aparecia como um tipo de Indiana Jones da paleontologia em uma atuação memorável, aí nesse filme, que foi lançado apenas um ano após o filme do Spilberg, ele parece que sofreu uma amnésia e age da maneira mais canastrona possível, certo que o roteiro e a direção pedem aquele tipo de atitude, mas seus trejeitos, risos e choros (ainda mais depois que o personagem enlouquece) rivalizam em muito com o Coringa do Jared Leto.


Falando da direção e roteiro, talvez o grande responsável de o filme ter caído no esquecimento, seja o fato (além é claro que nesse mesmo ano estrearam filmes que se tornaram clássicos imediato, como "Pulp Fiction", "O rei Leão", "Forrest Gump", "O corvo", "Entrevista com Vampiro" e "Assassinos por natureza") de que tanto o estilo de como a história é contada, assim como a forma da direção, estarem fora de seu tempo. A direção de John Carpenter, embora boa, mas já não na melhor fase, parece ainda presa aos anos oitenta, trazendo alguns vícios daquela época onde o diretor se destacou com filmes como "Halloween", "Enigma de Outro mundo" e "Eles Vivem" para um tempo onde as pessoas procuravam algo diferente, com argumentos e questões mais profundas e isso fica claro até no uso já tardio de efeitos práticos que tentam repetir a experiência presente nos filmes citados anteriormente do diretor, sendo que isso acaba datando a produção. O roteiro também fica a desejar, parecendo copiar o espírito de alguns dos contos de Stephen King, onde os personagens são envoltos em uma situação muito maior que eles e da qual é impossível sair, mas a forma caricata como esses personagens se mostram, não cria o mesmo laço com que King consegue prender seu leitor, o que transforma uma história que poderia ter um ar de maior tensão e suspense em uma mistura de terror com comédia, mas sem ser muito aterrorizante e nem tão engraçado.



Apesar dos erros, uma coisa que gostei do filme foi o estranhamento que ele consegue passar ao espectador. A história, por ser contada por um louco, é uma maluquice em espiral e conforme vai se encaminhando para o final o clima te deixa meio tonto, no melhor estilo Lovecraftiano, onde eu só achei uma falha mostrarem os monstros, pois se deixassem a narração da acompanhante do protagonista, com o olhar do mesmo mirando a escuridão, acho que imaginação faria um trabalho bem melhor do que aquele bando de monstro de borracha cobertos de óleo, mas isso não estraga por completo o lance da loucura e bizarrice.

Tô doidão
Outra coisa bacana e que também colabora nesse estranhamento é o clima oitentista. As Ruas e becos cobertos de lixo, a umidade da cidade grande, o clima ensolarado e campestre da cidade do interior, tudo isso lembra muito a "sessão da tarde" e "cinema em casa", sem contar que a própria interação dos personagens é total dos anos oitenta, com o protagonista dando em cima da funcionária da editora desde o primeiro minuto que se encontra com a mesma e ela meio que aceitando, a mulher ser a descontrolada que enlouquece de primeiro, sem contar que em um momento de pavor, o protagonista simplesmente mete um soco na cara da mulher para ela desmaiar e ele poder fugir com ela, é muita loucura para uma hora e meia de filme.

Apesar de suas falhas e insanidade, me diverti assistindo "À beira da Loucura". Um filme que trás um pouco da estranheza dos contos de Lovecraft, aliadas as ambientações e terror de um Stephen King e ( por que não?) um pouco das comédias pastelão das tardes de dia de semana. Uma produção interessante, que mesmo estando fora de seu tempo (esse filme deveria ter sido gravado em 1985), ainda trás o último suspiro da genialidade de John Carpenter e só por isso, deixar de assisti-lo seria, para eu que sou fã, atestar minha total insanidade.





quinta-feira, 8 de setembro de 2016

ÁGUAS RASAS (2016)

Menos é mais. Essa proposta que indica que o contrário do exagero é a elegância, dificilmente cabe em filmes do verão americano, com seus efeitos especiais de última geração, trilha sonora grandiosa e publicidade onipresente; no entanto, os filmes de 2016 vem pecando tanto com a expectativa do público em relação aos blockbusters que obras menores vem ganhando espaço e chamando a mais atenção, entre estes, ÁGUAS RASAS do diretor Jaume Collet-Serra, que estreou despretensiosamente dia vinte cinco de Agosto no Brasil e se destacou pela utilização de novos conceitos cinematográficos e pela trama bem construída cheia e de tensão.

Em Águas rasas, acompanhamos Nancy, uma jovem estudante de medicina, que após a morte de sua mãe, por um câncer contra o qual lutou durante anos, decide partir em viagem até uma praia deserta no México, que marcou a juventude de sua mãe, para surfar nas mesmas águas das histórias que ouvia quando era criança e se conectar com parte de suas origens. É passando o dia nessa praia, após visualizar uma baleia morta próxima a costa, que Nancy se depara com um tubarão branco, que a ataca e a deixa encurralada a poucos metros da praia. Agora resta a Nancy buscar uma forma de sobreviver a ameaça, lutando tão bravamente quanto sua mãe lutou contra a doença.

O filme não é o mais profundo do mundo (sem trocadilho), trata-se de uma história de sobrevivência que mistura elementos de suspense e terror no estilo "Tubarão" de Steven Spielberg, com a ideia de superação e solidão, como a presente no "O Naufrago" de Robert Zemeckis, sendo que os destaques da obra ficam por conta da boa atuação de Blake Lively, da direção pontual de Jaume Collet-Serra e de como a trama é montada e desenvolvida.

Quanto a Blake Lively, eu só lembrava dela como a protagonista de Gossip Girl e mesmo assim muito por cima já que eu não assisti a série e , por conhecer quase nada do trabalho da atriz me surpreendi com sua atuação, que, embora não seja digna de um prêmio, convence ao transmitir o pavor e tensão que a situação exige, ainda mais por ela atuar mais de noventa por cento da história sozinha, uma situação que sempre foi passada a atores de carisma e talento já reconhecidos, como o próprio Tom Hanks em "O Naufrago", mas que Blake Lively conseguiu tirar de letra.


Para a atriz, que não tem a maior das experiências e expressão dramática conseguir se destacar em um filme que atua praticamente sozinha, é preciso uma direção muito bem calibrada, e, é aí que entra Jaume Collet-Serra. O diretor espanhol, que apareceu para o grande público com o terror adolescente "Acasa de Cera" de 2005, consegue apresentar um filme que lembra os filmes de terror dos anos oitenta, mas incluindo elementos modernos e dos thillers de ação que também dirigiu, como o "Noite sem fim" de 2015, com Liam Neeson e assim entregar um filme com atos muito claros que se destacam pela luz, fotografia e som diferentes entre si e que somam a montagem para construir um filme com suspense e terror na medida.

No entanto, o que mais se destacou, além do já citado é como a trama é montada visualmente. Podemos enxergar a divisão dos atos do filme pela luz e fotografia, começando a história com uma iluminação muito clara e com imagens extremamente bonitas como as dos canais de viagem da TV a cabo, para reafirmar o ar de paraíso que a protagonista acredita ter encontrado, depois, já na água, somos presentados a imensidão solitária do mar e ao antagonista, que ao aparecer transforma o ambiente em soabriu e sinistro, destruindo a ideia inicial da protagonista de ter encontrado um lugar perfeiro, por último, temos a história se fechando em um ambiente hostil, onde a protagonista e o antagonista se enfrentam em uma fotografia escura e focada em closes, reforçando a ideia de cerco e a não possibilidade de fuga. Essa montagem bem dividida me agradou bastante e conseguiu me prender em cada momento como se cada arco da trama fosse um conto dentro de uma historia maior, um exemplo de montagem que a Warner , com seus filmes bagunçados de super-heróis deveria aprender a fazer.

Águas Rasas é um divertido filme, que surpreende pela parte técnica e pela trama bem construída. Dentro dos filmes de verão que decepcionaram tanto, surge como uma opção que, embora não nos faça sair refletindo sobre a sociedade ou em defesa dos animais, não deixa aquele amargo na boca de ninguém. Um exemplo raro de que até em blockbusters menos pode ser mais e que um filme não precisa ser profundo, para poder contar uma história que mereça ser assistida.