Já falei aqui da minha
experiência ao assistir o filme argentino "Relatos Selvagens"
e do questionamento que ficou na minha cabeça de por que no Brasil
filme do mesmo quilate não são possíveis. Nosso país parece dar
exclusividade a produções que falam de conflito social, comédias
românticas e cinebiografias, afastando do cinema o público que
procura diversidade de temas e experiências. No entanto, se no
cinema Mainstream tudo parece mais do mesmo, as produções
independentes representam uma luz no fim do túnel para o cinema
nacional e, em resposta a meu próprio questionamento, eu queria
falar hoje sobre uma produção nacional que achei espetacular,
"NINJAS" dirigida pelo promissor cineasta Dennison Ramalho.
"Ninjas" conta a
história de Jailton, um policial novato, que em perseguição a um
suspeito pelas vielas de São Paulo acaba matando, por engano, um
estudante. Coagido por seu parceiro de viatura, ele ajuda a forjar
uma cena onde demonstra agir em legítima defesa responsabilizando
a vítima. Após o assassinato, a culpa toma conta de Jailton que
passa a ser assombrado pela figura do menino morto, entrando em
desespero e tendo ataques de pânico; para cura-lo de seu problema, o
comandante de seu batalhão o
leva para um tratamento de choque, que trará paz a sua consciência
ao mesmo tempo que destruirá sua humanidade.
O filme de vinte e cinco
minutos que
estreou em 2010, é
baseado no conto "O Bom policial" (link
do conto na íntegra abaixo),
do escritor Marco de Castro. Ex-repórter policial, Marcos de Castro
acompanhou a guerra das favelas Paulistas e a rotina da violência
nas noites da maior
cidade do país quando
trabalhava no Diário de São Paulo e
resolveu usar sua experiência como inspiração para contos de
terror.
O curta, que custou sessenta
mil Reais, foi estrelado
por Flávio Bauraqui, que recebeu o prêmio de melhor ator no
festival de cinema de Gramado, por sua atuação como o inexperiente
PM Jailton. A produção foi
co-roteirizada
e dirigida
por Dennison Ramalho, diretor Gaúcho natural de Porto Alegre, que
vem se tornando um expoente em produções do gênero de
terror no país; antes
de "Ninjas", o diretor já havia roteirizado e dirigido o
curta "Amor sé de Mãe" em 2003 e escrito
o roteirodo
filme "Encarnação do Demônio" de José Mojica Marins (o
Zé do Caixão), após "Ninjas",
o diretor partiu
para um mestrado sobre roteiro e direção na universidade de Nova
York buscando o conhecimento para, quem sabe em breve, apresentar produções do
mesmo nível, ou melhores, que o seu filme de 2010.
"Ninjas" é um
exemplo de que as produções nacionais podem sim possuir a mesma
qualidade das tão
badaladas produçõesestrangeiras, assim
como deixa claro que nosso cinema não precisa trilhar sempre o mesmo
caminho e abordar temas considerados batidos mas sem, no entanto,
perder sua alma. Basta agora que a industria mainstream perceba o
potencial de produções como esta e as financiem a iniciativa de
modo a tornar, futuramente, o cinema brasileiro uma indústria
rentável e auto-suficiente. Enquanto
esse dia não chega, só nos resta prestigiar as produções
independentes e torcer para que diretores como Dennison Ramalho sigam
apresentando filmes de qualidade e pensando fora da caixa para nos
entregar filmes que falem com todos os públicos, mas sem perder o
jeitinho e a cara do cinema brasileiro.
"UM BOM POLICIAL" –
Conto completo publicado na revista Vice:
Feliz e triste, empolgado
e deprê. Essa mistura
estranha foi o que senti quando acabei de assistir “River”, uma
produção da BBC, estrelada pelo ator sueco Stellan Skargard, criada
e escrita por Abi Morgan e dirigida por Richard Laxton, que comecei a
assistir sem pretensão nenhuma na Netflix e que me ganhou nos
primeiros quinze minutos do episódio piloto.
"River” conta a história
de John River (Skargard), um detetive de Londres que lutará para
solucionar o assassinato de sua parceira Jakie Stevenson (Nicola
Walker), mesmo afastado do caso devido a seu envolvimento pessoal e
assombrado pelo fantasma da amiga morta. Essa investigação o levará
aos poucos a enfrentar seus problemas pessoais e questionar sua
sanidade, colocando sua carreira em risco e o confrontando com
verdades esmagadoras.
Conhecia a série seguindo as
ótimas dicas do podcast Mamilos e, como citei acima, comecei a
assistir sem nenhuma pretensão, mas em menos da metade do primeiro
episódio eu já estava rendido ao que a trama me mostrava, começando
pela atuação brilhante de Stellan Skargard. O ator sueco está
muito bem na produção, transmitindo seriedade, medo, fragilidade,
fúria e dúvida; e o mais bacana é que muito do que ele passa para
o espectador não é expresso por palavras, mas através do olhar ou
de seus movimentos e até de sorrisos; confesso que sempre que ele
tinha um dialogo eventual com a “fantasma” de sua colega que
terminava em uma boa risada eu os seguia e me via rindo feito bobo na
frente do computador.
Essa química entre o
protagonista e sua parceira e a atuação de Nicola Walker como a
falecida, mas sempre presente Jakie Stevenson foram outros pontos
fortes da série. Nicola parece iluminar o ambiente quando sempre que
presente, munida apenas de seu sorriso largo, grande olhos verdes e
muito bom humor; confesso que foi a cena onde ela provoca o
protagonista no episódio piloto cantando o clássico de Tina Charles
“I love to love”, que me cativou para ver a série toda em uma
maratona.
Além das atuações, a série
ainda tem a maravilhosa trilha sonora que traz uma mistura de
nostalgia e empolgação utilizando pontualmente hits da era disco
como a já citada “I love to love” e clássicos da soul music
como “Sunny” cantada por Bobby Hebb. Temos também a apresentação
de uma sociedade londrina moderna e representativa, onde a capitã da
polícia é uma mulher forte, porém com problemas com seus filhos e
marido, mas sem perder sua feminilidade; o novo parceiro de River,
Ira King é filho de imigrantes do oriente médio e toda trama de
fundo toca no assunto de imigração e busca por condições melhores
de vida, o que achei que deu um ar de realidade moderna a série.
Sobre a história, não vou
revelar nada sobre a trama central da série, pois se eu contar tudo
se perde, mas posso dizer que as revelações finais sobre o que
levou a detetive Stevenson à morte são esmagadoras e a identidade
do assassino e o motivo dá um amargo na boca. Mas durante as
investigações da morte de sua parceira, River ainda segue
trabalhando e resolvendo casos paralelos e estes são bem bacanas,
como o suposto assassinato de uma menina por seu namorado e a
tentativa de suicídio de um empreiteiro no local de trabalho. Junto
a isso ainda temos as reveladoras sessões de análise que o
protagonista é forçado a comparecer e que vão nos apresentando o
perfil do personagem, sua origem e crenças sem que seja necessário
algum artifício como narração em off ou explicação pelos olhos
de uma terceira pessoa, o que é revelador para saber o porquê do
personagem ser do jeito que é, principalmente nos episódios finais.
River é uma excelente série
e está ali na Netflix a pleno alcance dos dedos e fechadinha em
apenas seis episódios. Me proporcionou muitas horas de diversão,
suprindo minha carência de Game of thrones e me tornou fã do ator
Stellan Skargard. Brilhante em roteiro, embora não seja inovador;
policial investigativa que prioriza a inteligência dos personagens
em relação a violência e apresenta uma visão cosmopolita e
realista da sociedade. Torço para que mais dessas produções
cheguem até nós, mas enquanto não chegam, vou ficar por aqui
curtindo esse mix de sentimentos que a série me proporcionou e
cantando “I love to love”.
"Por que o cinema
brasileiro não consegue se desvincular da situação politico-social
do país e entregar produções que conversem com qualquer ser
humano?", Essa foi a pergunta que minha mente repetia em looping
ontem ao assistir "Relatos selvagens", brilhante filme
argentino de 2014, dirigido por Damián
Szifron e
estrelado por um grande elenco, que
foge a tudo que o nosso cinema tupiniquim vem apresentado desde
sempre e
é tão bom, que dá raiva ter de dizer que essa obra de arte é uma
produção de nossos hermanos.
O
filme reúne seis histórias curtas e independeres, que se conectam
por tratarem do mesmo assunto, a vingança. Durante
duas horas de dez minutos somos levados a nossos limites de tensão
com tramas que por vezes são tão exageradas e sínicas que poderiam
muito bem ser verdadeiras, da mesma forma que os diálogos são tão
bem construídos, tão humanos, bem atuados e dirigidos que tanto
assistido na Argentina, Japão ou sudão, é impossível que os
sentimentos e atitudes dos personagens presentes nas histórias não transcendam qualquer questão social, religiosa e política e calem
fundo no espectador.
Na
primeira dessas histórias, que podemos entender como o prólogo de
um livro, vemos uma modelo pegando um avião e em uma conversa
informal descobrindo que o passageiro ao lado conhece seu
ex-namorado, assim como a senhora sentada a sua frente, que foi sua
professora e o do acento atrás que foi seu colega de serviço e, no
final, descobre-se que todos reunidos nesse voo são conhecidos desse
homem que, de tão desprezado, não tem nem ao menos seu rosto
revelado na
história onde deveria ser o protagonista. Pois
esse ninguém, arquitetou um plano de dar fim a todos que o magoaram
em sua vida: jogar o avião que pilota (ele é comissário de bordo,
e sequestra o avião) sobre a casa de
quem mais o frustrou e o exigiu,
seus próprios pais! E
assim ele faz; dando inicio ao filme de maneira chocante e mostrando
a quê veio. Mas não se
desespere pelo spoiler (que serão poucos) eu poderia falar tudo
sobre esse filme e mesmo assim ao assisti-lo pareceria que ninguém
disse nada, pois ele consegue de maneira primorosa, passar uma tensão
e suspense que mesmo sabendo o que vai acontecer não se pode deixar
de sentir ; a narrativa com a qual o diretor conduz a trama,
apresentando uma situação aparentemente corriqueira e que muitos
desavisados levarão para outro lado, mas que resultará em um acontecimento terrível e lapidada
sutil e pacientemente, utilizando de todos elementos disponíveis
para prender quem assiste duro na poltrona, então temos a excelente
fotografia e cortes de câmeras e a música, que muda do tom de
tranquilidade para de terror e suspense. (muito bom).
Além
desse conto inicial, ainda temos "Ratazanas ", onde uma
garçonete encontra no trabalho, em uma noite chuvosa e sem nenhum
outro cliente, o agiota que destruiu sua família e
deve decidir, se segue o conselho da cozinheira e envenena o sujeito,
ou baixa sua cabeça para sua consciência e segue sua vida. Também
temos a história intitulada "Bombinha", em que um engenheiro (interpretado por Ricardo Darín (se ele não estiver em
um filme Argentino é porque não é um filme argentino)),
após ter seu carro rebocado duas vezes pelo serviço de trânsito de
Buenos Aires e obrigado a arcar com multas que ele não concorda, vê
sua vida desmoronar e resolve dar o troco na sociedade. Seguindo
as histórias o filme apresenta "A proposta", onde o filho
de um casal de milionários, após sair de uma festa, atropela e mata
um mulher grávida, fugindo sem prestar socorro, sendo que o pai do
jovem chama seu advogado para buscar uma solução antes de a Polícia
identifique o condutor, parte daí um plano para retirar a
responsabilidade das constas do jovem, onde todos os envolvidos vão
se mostrando corruptos e no final temos as consequências. Ainda
temos "Até que a morte nos separe", onde durante a festa
de casamento, a noiva descobre que seu marido a traia com uma colega
de serviço e que a convidou para o evento, despertando na noiva o
mais intenso e destrutivo desejo de vingança e demonstração de
dúvida quanto a seus caminhos, o que , somado a traição, põe em
risco a história do casal, ou não.
No
entanto, dentre todas as seis histórias que o filme trás, a que
mais gostei foi a intitulada "O mais forte". Nessa
história vemos um cidadão transitando por uma estrada deserta com
um carro novinho e de repente se vê barrado por um velho carro que
segue lentamente a sua frente em zig-zag, incomodado o motorista do
carrão ultrapassa o outro pela direita, mas não sem antes, abrir a
janela e gritar uns desaforos e dar o dedo do meio ao que ficava para
trás. Mas o mundo dá voltas e alguns quilômetros depois do
ocorrido, chegando
em uma ponte no meio do nada,
um dos pneus do
carrão fura e ele é alcançado pelo carro velho do motorista
desrespeitado, que vai tirar satisfação da maneira mais extrema
possível, trincando o para-brisa do carro do inimigo, arrancando o
limpador de para-brisa e o retrovisor, e, depois de tudo defecando e
urinando em seu capô; mas após
completar sua vingança, a vítima se enfurece e quando o agressor
entra em seu carro este acelera e atira o carro velho com seu
motorista da ponte e foge enquanto seu inimigo sai do meio dos
destroços e parte para cima dele. Passam-se poucos metros e o dono
do carrão, sabe que mesmo fugindo ele pode ser encontrado, resolve
voltar e terminar o serviço matando seu rival, no entanto, nessa
tentativa ele acaba caindo no rio também e ficando preso no carro
destruído de seu inimigo, é quando esse adentra
o carro pelo porta malas com um pé de cabra em mãos, enquanto lá
dentro
o outro se prepara segurando um extintor e aí a porrada come solta e
depois
de muita pancada, o
rustico dono do carro velho consegue amarrar o pescoço do adversário
com o cinto
de segurança e forçando a porta o deixa pendurado pelo pescoço
para morrer enforcado e na fuga coloca uma bucha com fogo na boca do
tanque de combustível, mas o dono do carrão, mesmo enforcado não se
entrega e puxa seu desafeto para dentro do carro e de repente BUMMM!!
o carro explode. A cena corta e vemos a perícia no local perplexa
com a situação, então um dos responsáveis questiona "Será
que foi um crime passional?" então vemos, o
corpo dos dois homens abraçados e carbonizados. Ambos
preferem perder a vida juntos do que baixar a cabeça e esquecer seu
inimigo eventual, acabam mortos muito mais pelo seu próprio orgulho
do que pelas mão de seu antagonista.
O Mai forte
Além
de um roteiro primoroso e atuações e direção brilhante, o filme
ainda conta com uma trilha sonora muito pontual, que vai desde música
clássica até
o trance (seja lá o que for isso) e que oscila conforme a tensão cresce na trama. O filme também trás uma
fotografia maravilhosa e uma palheta de cores que acompanha o clima
de cada história, assim como cenários
fantásticos e escolhas de narrativa que cabem perfeito para cada
história, como o
plano sequência na
história inicial, ou as cenas picotadas e em câmera lenta no conto
do engenheiro bombinha. O que dizer mais? O filme é uma obra prima!
"Relatos
selvagens" é um filmaço que merece e deve ser assistido. Uma
aula de cinema repleto de tensão, ira e beleza; um resumo de tudo que o áudio-visual pode proporcionar no que se refere a
sentimentos ao espectador, um filme
que vai além do idioma, da sociedade e situação política de seu
país de origem e que deveria servir de exemplo para nossos cineastas
que depois de tanto tempo ainda batem nas mesmas teclas com seus
filmes sobre favela, ditadura militar e comédias sem graça, temas
regionais e curtos que
a indústria
do maior país da América do Sul já
deveria ter transcendido a muito tempo.
O
que me faz perguntar: "Por
que o cinema brasileiro não consegue se desvincular da situação
politico-social do país e entregar produções que conversem com
qualquer ser humano?"
Não sou muito de
ficção fantástica. No meu currículo tenho apenas os livros e filmes do “Senhor
dos anéis” e a série “Game of Thrones”, mas não desprezo o gênero e se surge
algo que chame minha atenção vou buscar conhecer. Foi por essa curiosidade que
comecei a ler “O orfanato da srta. Peregrine para Crianças Peculiares” de
Ransom Riggs, logo após de assistir ao trailer do filme baseado na obra que
sairá este ano e ver estampado na capa da edição brasileira, que o livro foi
eleito uma das cem obras mais importantes da literatura de todos os tempos.
O livro conta a
história de Jacob Portmann, um garoto de dezesseis anos, rico e entediado, que
tem o avô, um veterano da segunda guerra, como grande amigo e ídolo. Desde
criança Jacob ouve as histórias de seu avô sobre a ilha mágica onde foi criado,
repleta de crianças com dons fantásticos (ou peculiares) e protegidas pela
dedicada Srta. Peregrine, um lugar no país de Gales, onde ninguém adoece ou
morre; ouve também relatos sobre monstros terríveis que caçavam essas crianças.
Com o passar dos anos, Jacob passa a tratar as histórias de seu avô como
fantasia e acreditar em sua senilidade, até o dia em que recebe uma ligação
desesperada deste dizendo que os monstros o acharam, parte ao seu auxílio, por
achar que é um ataque de loucura e o encontra morto na floresta, com marcas de
ataque de animais, mas em meio a tudo visualiza uma criatura semelhante à
descrita a ele nas histórias que ouvia quando criança.
Após meses de
acompanhamento psiquiátrico, Jacob descobre na casa do avô falecido cartas
remetidas do país de Gales e convence seu pai a acompanha-lo até a ilha onde o
avô se refugiou quando criança, na esperança de descobrir mais sobre o passado
deste. Nisso ele acaba encontrando algumas destas crianças e as perseguindo,
encontra uma passagem secreta na ilha, onde quem passa volta no tempo para o
dia 3 de Setembro de 1940, lá ele encontra a Srta. Pergrine e suas Crianças,
enganando o tempo em um eterno dia que nunca passa e vivendo eternamente longe
dos olhares dos humanos. Mas mal Jacob tem tempo de conhecer toda história do
avô e já se vê envolto em um conflito maior que ele, os Acólitos e os Etéreos
(os monstros citados por seu avô), estão sequestrando todas Ymbrynes (guardiãs
das crianças e que manipulam o tempo) para executarem um plano que os tornarão
cheios de poder e imortalidade e com a ajuda de Jacob, as crianças vão buscar
se defender e frustrar as expectativas dos monstros.
Não vou mentir
para ninguém aqui. Eu peguei esse livro para ler por duas questões em especial:
O título e o selo na capa dizendo que era uma das cem obras mais importantes da
história.
O título do
livro faz total menção à “Escola para jovens superdotados do Professor Xavier”,
do mesmo modo que as criança “peculiares” não são diferentes dos mutantes
presentes nos X-men e esse conceito copiado é tão claro até no nome que o autor
escolhe para designar os inimigos desses peculiares, “Acólitos”, o mesmo nome
dos seguidores do mutante rebelde Magneto. O pensamento dos acólitos de Ransom
Riggs também não é diferente da forma de pensar do arqui-inimigo dos X-men,
acreditando que os peculiares são superiores aos humanos e que devem
governa-los, enquanto as ideias das Ymbrynes, seguem as do professor Xavier,
pregando uma convivência pacifica, mas se resguardando e protegendo dos olhares
curiosos dos humanos.
Ainda sobre
cópia de conceitos, o livro tem fatos que parecem ser referir a Harry Potter.
Para começar temos o sobrenome do protagonista, Portman, total referência ao
protagonista da obra de J.K Rowling. Além disso, ainda temos a questão de que
as crianças peculiares se escondem em uma fenda no tempo onde apenas quem é
peculiar pode atravessar, tal qual a conhecida dos bruxos em Hogwarts, mas não
dos trouxas, e, para terminar, Jacob é o escolhido que salvará os peculiares e
derrotará os Etéreos (excelente!).
Sobre o fato de
o livro ser escolhido uma das cem obras literárias mais importantes de todos os
tempos, eu fico pensando quem escolheu? Em um mundo com obras de Tostoi,
Dostoieviski, Machado de Assis, Jorge Amado, Phillip K. Dick, Isaac Asimov,
Clarice Lispector, J.K Rowling, entre tantos outros, quem escolheu um livro
cheio de conceitos copiados e história rasa, como uma obra que merece estar no
mesmo nível desses autores que foram infinitamente mais relevantes e nos
entregaram trabalhos, se não geniais, pelo menos brilhantes?
Realmente não
entendi o que nesse livro o colocaria entre os cem mais da história. Para
começar a única inovação é o fato de o autor introduzir fotos dos personagens
no livro e o curioso é que descobrimos ao final que as fotos apresentadas são
reais e antigas, cedidas por colecionadores que colaboraram no projeto, o que faz
pensar que a história é uma colcha de retalhos baseada em imagens e conceitos
que não são de quem escreveu. Já falando como é escrito, o autor não inova em
nada, usando uma narração em primeira pessoa, o protagonista inicia a história
dando a entender que os acontecimentos citados são lembranças e isso tira
bastante peso dos perigos que acontecem com ele, o pior é que por vezes o
protagonista usa analogias e referências que não fazem sentido na boca de um
moleque de dezesseis anos, como quando ele diz que uma situação se assemelhava
a uma pintura de Normam Rockwell, ou ainda quando ele descreve o rosto da
peculiar Emma como sendo Belo e alvo... Poxa!! Quem está preso no tempo são os
peculiares e não ele.
Sobre o
protagonista, o Sr. Portman é um babaquinha, humilha o único amigo que tinha em
sua cidade e não se arrepende, descreve o próprio pai como um fracassado e mãe
uma esnobe, o autor ainda o coloca como um rico herdeiro de uma rede de
farmácias, para facilitar o fato de o chatinho ter de atravessar o mundo para
encontrar seu destino. Ele descobre, depois de mais de noventa páginas, que
também é um peculiar e seu poder é ver os Etéreos... ou seja, seu poder é o
mais inútil e específico do mundo e mesmo assim ele é o escolhido... Por favor,
senhor escritor, por favor!!
Sobre a trama,
tudo parece muito bobo. Começando pelos vilões que segundo o que e contado,
eram peculiares que tentaram se transformar em imortais e acabaram se
transformando em monstros. A Sr. Peregrine conta que se esses Etéreos comerem
muitos peculiares (com a boca), transformam-se em Acólitos, que são visíveis e
tem forma humana, exceto pelo fato de não possuírem pupilas e conseguem se
transformar em outros humanos e ... só! Ajudando os outros Etéreos que ainda
são monstros a caçarem mais peculiares, para depois... Viver como humanos sem
pupilas, eu acho.
novela Olho no olho
Mas o pior são
as Ymbrynes, para mim as verdadeiras vilãs da história, Elas tem o poder de manipular
o tempo e fazer com que os peculiares que se escondem lá vivam para sempre, mas
repetindo eternamente o mesmo dia, tendo a mesma idade (a maioria
pré-adolescente) e sem perspectiva de nada, o pior é que, se depois de muito
tempo o peculiar resolve viver no tempo real, ele envelhece tudo de uma noite
para o dia, podendo morrer no processo... Não é sacanagem?! Quem tomou a
decisão de trancar essa criançada lá? E o mais importante, se a maioria dos
peculiares está escondida em fendas temporais e vivem coo crianças, como eles
se reproduzem? ... Quer saber?! Deixa pra lá!
Com uma história
boba até para o público alvo, com conceitos copiados e personagens pouco
carismáticos “O orfanato da srta. Peregrine para Crianças Peculiares” de Ransom
Riggs, entra para minha lista de livros que poderiam ser bem mais e são mais do
mesmo. Uma repetição de clichês e decisões de roteiro que parecem tratar quem
lê como um idiota, uma mistura de Harry Portter e X-men que saiu estragada e o
pior é que o livro é o primeiro de uma séria, afinal, a tradição é escrever
três, seis, nove livros da mesma saga, pois se não for assim, não é Fantasia,
mas pra mim um já foi de mais, se é para perder meu tempo com crianças para
normais, que sejam as originais do Professor Xavier, ou os da novela “Olho no olho” da Globo.
Abaixo o Trailer dos Novos mutantes, digo Orfanato da Srta Peregrine
Quem me conhece sabe o quanto
sou fã de ficção científica. Gosto do estilo, em parte, pelo
escapismo que ele me trás quando leio, fugir do cotidiano em uma
história que me apresenta um universo que se diferencia do nosso me
ajuda a relaxar e exercitar a imaginação; por outro lado, o modo
como alguns autores conseguem pensar fora da caixa , questionando
nossa sociedade e resolvendo problemas imaginativos é o que me
fascina nesse tipo de literatura. E,nesse segundo quesito, poucos
livros foram uma surpresa tão bacana como "Perdido em Marte"
de Andy Weir, que li recentemente.
"Perdido em Marte",
conta a história de Mark Watney, décima sétima pessoa a pisar no
planeta vermelho e sexto em hierarquia da tripulação de seis
pessoas da Ares-3, formado em Botânica e Engenharia, suas funções
na expedição consistiam em coletar amostras de solo e efetuar
reparos em casos de necessidade. A missão da Ares-3 vinha sendo
realizada com sucesso até que no sexto dia uma tempestade, que põe
em risco a tripulação, força os mesmos a abortar a missão e,
durante o processo de retira, Watney é atingido por uma antena que
se solta do alojamento e dado como morto; no meio da tempestade e sem
conseguir encontrar o corpo do suposto falecido, a equipe evade do
planeta. Watney acorda horas depois, com uma antena presa na lateral
de seu corpo e um planeta inóspito todinho para chamar de seu,
restando os suprimentos que sobraram da missão e sua inteligência
para ajuda-lo a sobreviver e buscar contatar a NASA na esperança de
ser resgatado.
Soube que "Perdido em
Marte" ( ou "The Martian", no original) era um livro,
apenas quando, no Oscar, o filme baseado nele concorreu a melhor
roteiro adaptado. Vi o filme por causa da direção de Ridley Scott,
que eu sentia que estava em débito comigo desde "Prometheus"
e fiquei contente com o que vi, um filme inteligente mas divertido,
leve sem deixar de ser dramático e muito bem conduzido pelo diretor
de clássicos como "Blade Runner" e "Alien",
acontece que o livro eleva tudo que se vê no filme a nona potência.
Andy Weir escreve de forma que
parece tão fundamentada, que foi a primeira vez que um livro de
ficção científica conseguiu me convencer que tudo que ocorria em
suas linhas poderia ser verdade. Para começar com a quantidade de
explicações científicas que ele utiliza para informar como que
cada evento ocorrido com Watney é superado, só isso mostra um
trabalho de pesquisa incrível por parte do autor e um talento para
didática empolgante, porque ele consegue transformar física e
química em algo divertido e prático, e que, embora seja apresentado
como elemento de narrativa ( e por isso superficial), fazem até um
cara como eu de humanas, achar o assunto fascinante. Outra qualidade
do autor que o livro trás é a imaginação da evolução das
tecnologias atuais, ele evolui muitas tecnologias que já estão em
uso ou teste e além de descreve-las, as mostra sendo utilizadas na
história, isso o coloca em um nível bem auto de futurólogo e já
fico imaginando quando chegarmos a Marte as pessoas dizendo "Olha
aí, o Andy Weir estava certo!".
Outra coisa que me surpreendeu
no livro foi a quantidade de problemas a serem resolvidos pelo
protagonista. Meu Deus!! se fosse eu morreria em duas horas. O cara
tem que calcular e racionar comida, energia, oxigênio, Gás
Carbônico, pensarem como produzir alimento, modificar o veículo de
exploração, se comunicar com a terra, aprender código morse e
sobreviver as músicas e séries dos anos 70 e tudo isso na maior
parte do tempo sem uma única pessoa (ou tutorial do Youtube) para
ajudar, é um livro que realmente utiliza a ciência como grande
estrela e isso o torna um em milhões, porque embora seja ficção
científica, a ciência é muito real, muito pé no chão; o autor
poderia colocar a história para daqui a trezentos anos e assim focar
no drama humano ou sociedade e tratar a questão da viagem espacial
como alegoria, mas ao contrário disso, seu foco é total na ciência
e isso da mais valor a leitura de sua obra.
Além do citado acima, o livro
ainda é muito bem humorado. Mark Watney é uma figuraça que mesmo
sozinho a milhões de quilômetros de casa, nunca perde o bom humor e
a esperança. Seus monólogos questionando até onde suas gambiarras
vão aguentar são pontuais para dar aquela aliviada em momentos onde
a história usa muitos termos técnicos e explicações científicas,
e, suas conversas com a terra e a nave Ares-3, após ele conseguir
contato novamente, contém tantas piadas e sarcasmos que é impossível
não colocoar um sorriso no rosto de quem está lendo, deixando além
de tudo uma mensagem de otimismo e bom humor aliada a inteligência e
razão.
A forma como o autor conta a
história ajuda demais a colocar o leitor dentro da história,
embora por vezes canse um pouco. Andy Weir utiliza uma narração em
primeira pessoa em formato de diário e isso reforça a sensação de
solidão do protagonista nas primeiras cinquenta páginas do livro,
mas confesso que essa solidão me incomodou um pouco a principio
porque me dava uma agonia ao querer saber como seus companheiros e a
equipe na terra estavam reagindo com sua "morte", para o
meu alívio, depois de uma parte do livro somos apresentados a essas
reações e opiniões dos outros ambientes da história e aí a trama
engrena em uma sucessão de ideias e pontos de vista que dão ainda
mais riqueza ao livro.
Essa escolha por,
primeiramente apresentar toda solidão e escolhas do protagonista, é
muito inteligente, porque gera uma empatia tremenda com Watney; no
inicio do livro estamos tão perdido quanto o astronauta e mal
sabemos como o acidente que o isolou em Marte ocorreu, o fato só é
explicado no meio do livro, em um flashback que nos da deslumbres da
personalidade de toda equipe, nos fazendo simpatizar por eles e
apoia-los em suas decisões. A partir daí, a tensão que o texto
segue faz com que um capítulo (ou sol) seja devorada
compulsoriamente, só parando quando a última palavra é lida, uma
construção de texto realmente hipnotizante.
Como já mencionei acima,
"Perdido em Marte" é um ótimo livro. Inteligente,
engraçado e bem escrito ,dá muito mais profundidade a história
contada no filme e dentro dessa leva nova de ficção científica o
coloco como obrigatório. Sua construção e narrativa parecem muito
mais o trabalho de um escritor experimentado do que o primeiro
trabalho de um jovem engenheiro de software e esse é outro fato que
surpreende e me alegra como fã de ficção científica, a percepção
de que o estilo vem renovando e a esperança de descobrir mais livro
como este, assim como a expectativa dos próximos trabalhos de Andy
Weir. Em resumo, "Perdido em Marte" é um livrão e
recomendo demais e a propósito, Alguém poderia me dizer por que o
Aquaman controla baleias? Elas são mamíferos... não faz sentido!!
Dia 11 de
Junho de 1986, estreava nos cinemas o filme que viria a se tornar o maior
clássico da sessão da tarde de todos os tempos, ”Ferris Bueller’s day off”, ou
como ficou chamado no Brasil “Curtindo a vida adoidado”, e eu, que tive minha
personalidade moldada pela TV dos anos oitenta (e isso explica minhas piadas
sem graça e respostas sem sentido), não poderia deixar passar em branco o
trigésimo aniversário dessa obra prima.
O filme foi
escrito e dirigido por John Hughes, famoso cineasta responsável por muitos
filmes de temática jovem dos anos oitenta como “Gatinhas e gatões” e “O clube
dos cinco”, além de escrever o roteiro de “Esqueceram de mim” e, estrelado por
Matthwel Broderick no papel de Ferris Bueller, um adolescente do último ano do
ensino médio que, ao saber que sua entrada na faculdade pode estar sendo
ameaçada pela sua infrequência nas aulas, resolve matar aula pela última vez e
convoca sua namora e seu melhor amigo para aproveitarem o que há de melhor na
cidade vivendo altas aventuras.
Para começar
eu acho “Curtindo a vida adoidado” um clássico não por ser um filme com um
roteiro fantástico ou com parte técnica intocável, como um “psicose”, “Cidadão
Kane” e “Ikiru”, o filme é um clássico
porque é um daqueles que todo mundo ou
já ouviu falar, ou já assistiu; uma obra tão marcante, que coloquei a
sinopse apenas por obrigação porque todo mundo conhece a história.
Um dos
responsáveis por criar essa marca foi Matthwel Broderick com uma atuação tão
estupenda, que soterrou todos outros papéis que o ator veio a fazer depois. Sempre
enxerguei o Ferris apresentado por Broderick como um super-herói, muito além
dos problemas das pessoas comuns e talvez esse seja o motivo dele ser tão
lembrado e tão referenciado, Ferris não tem dúvidas, não demonstra medo nem
quando se depara com o pai no táxi ao lado ou com o diretor na porta de casa,
além de ter um talento de convencer qualquer pessoa, cativar todos com quem tem contato e ser querido por
todo mundo; se ele falasse apenas com Cameron (seu melhor amigo) se poderia
dizer que Ferris é uma criação da cabeça do amigo e que nem existe, tal qual
sua falta de dificuldade que tem em tudo. Falando em Cameron, depois de
reassistir “Curtindo a vida adoidado” fiquei pensando que ele é, de certa forma,
o verdadeiro protagonista, pois a jornada dramática é toda dele e é ele quem
tem a grande mudança ao final do filme, pois, ao contrário de Ferris que é só
vitória, ele tem todas dificuldades do mundo, seus pais não se importam com
ele, ele está sempre doente, tem medo de tudo, não tem personalidade e depois
de um dia vivendo tudo que a cidade tem a oferecer e destruir uma Ferrari,
termina a história mais decidido e disposto a enfrentar suas dificuldades de
frente.
Ainda sobre
esses dois personagens, a própria amizade de Ferris e Cameron não faz muito
sentido. Ferris, como diz a secretária do diretor, é amado pela equipe de
xadrez e pelos jogadores de futebol americano, sua amizade com uma cara
depressivo e apresentado como uma das pessoas menos legais da escola como
Cameron é algo irreal. A não ser que sua amizade com um cara tão destoante de
si seja para, em comparação com seu amigo, parecer que ele é ainda mais
brilhante do que já é, e prestando a atenção em Bueller no filme isso parece
crível, pois quando ele está ao lado de Cameron parece se destacar ainda mais
com o que apronta, sem contar que o amigo é rico, sem personalidade e tem
acesso aos carros do pai, o que o torna útil; essa teoria é de fácil aceitação
porque prestando atenção nos detalhes percebemos que Ferris é um tremendo FDP e
isso fica claro ao pensar que ele hackeia o sistema da escola para deletar suas
faltas, mente para seus pais para poder matar aula, manipula Cameron, humilha o
metre de um restaurante e sai sem pagar, além de ridiculariza o diretor da escola em que
estuda, mas quem se importa, todo mundo adora filme e série de vilão, afinal,
quem é que prefere o Luke Skywalker em comparação com o Darth Vader?
O filme ainda
é inovador ao utilizar a quebra da quarta parede como nunca havia sido feito
antes. Os trechos onde vemos o protagonista sair do ambiente onde se desenrola
a trama, olhando para o espectador e falando sobre a situação são tão
marcantes, que renderam referências e homenagens em filmes como “Clube da luta”
e “Deadpool”, esse último plagiando por completo a cena pós-créditos do filme
de 1986, sem precisar explicar nada, o que mostra como o filme foi marcante.
Outra coisa
que marcou no filme foi a trilha sonora. O filme possui uma trilha sonora
espetacular, que ficou lembrada por duas músicas em especial: a música “Oh
Yeah!” do grupo “Yello”, que toca também em “Akira” e “Twist and Shout” dos
Beatles; Essa última a propósito, lembro que na segunda-feira após a primeira
vez que o filme foi exibido na globo (no supercine, e eu assisti), um músico
foi convidado pelo jornal do almoço ( o jornal do meio-dia aqui no RS) para
comentar sobre a versão da música do filme, acredite ou não! Além desses dois
temas, o filme ainda toca “Danken Shoen” de Wayne Newton, como uma homenagem ao
que é a vida onde se agradece por todo prazer e dor que fazem nossa existência
fazer sentido, muito bacana!
O filme ficou
lembrado ainda por sua “filosofia”, que hoje é tida como autoajuda meio piegas.
Mas a frase “a vida passa muito rápido, se você não aproveitar ela vai acabar e
você não vai ver.”, ainda ecoa na cabeça de muita gente que envelheceu
assistindo ao filme e que depois de uma semana de trabalho mecânico, se
pergunta qual a esquina que entrou por engano e resultou em uma mesa cheia de
documentos e nenhuma expectativa (incluindo este que vos fala), Assim como a
visão que o filme trás dos adultos caricaturados, que parecem meio bobos em
seus serviços que parecem não entender e cumprindo suas obrigações que pouca
gente se importa (como muita gente que eu conheço).
Como já disse
acima, tive a honra de assistir a primeira vez que “Curtindo a vida adoidado”
passou na Rede Globo, acho que em 1989 ou 90. O filme foi exibido no Supercine
e lembro que o assunto da aula no outro dia era a parte do desfile onde ele
cantava a música dos Beatles e a novidade que era de o personagem falar conosco
que estávamos assistindo ao filme. De lá para cá o filme foi exibido mais ou
menos setecentas vezes na sessão da tarde, o termo “save Ferris” se tornou nome
de banda, camisetas com as frases do filme foram feitas e roteiros para a
sequência imaginados e escritos, mas a originalidade do filme de 1986 nunca foi
esquecida e superada e penso que uma sequência seja impossível.
Falando sobre
a originalidade do roteiro do filme, uma coisa que pouca gente sabe é que a
versão original do filme tinha uma hora a mais e que, após ser exibida apenas
para os atores e executivos do estúdio e ninguém rir, ou entender o filme, John
Hughes, se reuniu com seu montador e reduziu o filme ao mínimo, excluindo
várias sub-tramas, incluindo o fato de que Ferris tinha mais dois irmãos (MAIS
DOIS IRMÃOS) , o fato só mostra a genialidade do diretor que conseguiu montar
um filme de sucesso de uma versão inicialmente fracassada.
“Curtindo a
vida adoidado” é um clássico e Tudo mais que eu falar será redundância. Uma
comédia referenciada em muitos outros sucessos do cinema, séries e publicidade,
repleta de força, ironia, deboche e (para honrar a sessão da tarde) altas
aventuras. O papel da vida de Matthew Broderick e a obra prima de John Hughes,
genial no que tange a idealização de uma geração, inovador no que diz respeito a
narrativa, engraçado e inspirador, para resumir, um filmaço! Nada mais me
resta a dizer a não ser Parabéns e SAVE
FERRIS.
Os X-men são meus
super-heróis preferidos. Já contei minha história com os
personagens aqui mesmo, dois anos atrás, quando foi lançado "X-men:
Dias de um futuro esquecido "e confesso que, devido a esse
carinho, sempre que um filme com o selo X sai pela FOX fico
apreensivo.
Não foi diferente dessa vez, quando dia 19 de Maio, estreou o nono
filme da franquia pelo estúdio, "X-men:
Apocalipse", dirigida novamente por Bryan Singer e estrelada por
James Mcavoy , Jennifer Lawrence, Michael
Fassbender, Oscar Isaac
entre outros, e, que assisti recentemente com uma mistura de medo e
esperança.
O filme se passa dez anos
depois dos
acontecimentos de "dias
de um futuro esquecido", Quando Bolívar Trask buscou apoio do
governo para caçar e estudar
os mutantes, Causando a fúria de Magneto que ameaçou matar o
presidente e a decisão
de Mística em impedir o amigo. Estamos
em 1983 e o professor Xavier reabriu sua escola integrando humanos e
mutantes; Mística é
tida como uma heroína e percorre o mundo libertando e ajudando
outros mutantes; Magneto, por sua vez, se escondeu em sua terra natal
(A Polônia) buscando ter uma vida normal, casou, tem uma filha e
trabalha em uma metalúrgica. Em meio a isso, no Egito, En Sabbar
Nur, o primeiro mutante, desperta depois de três mil anos e
percebendo que o mundo é dominado pelos fracos (humanos) resolve
utilizar a força para dominar o planeta e transforma-lo em um lugar
onde apenas os fortes tem espaço.
Assisti
ao filme com aquela ponta de cinismo de quem quer ver algo decente,
mas aguarda uma decepção para poder confirmar sua falta de
perspectiva. Mas, embora o filme tenha escolhas de roteiro e diálogos
bem contestáveis, fui surpreendido por um filme divertido, que embora
não fuja do estilo de direção de Bryan Singer, consegue dar mais
cor e ar super-heróico aos mutantes da Marvel.
Essa "cor" começa
pela escolha dos atores que interpretam Jean Grey e Scott Summers
(O Ciclope). Pela primeira vez sentimos uma química entre o casal,
que surge desde o momento onde os dois se esbarram e cresce até o
momento de cumplicidade quando os dois partem com a equipe para sua
primeira missão, soma-se isso ao casal o fato que é a primeira vez
que vemos uma Jean Grey carismática e que lembre aquela citada em
"X-men 3, o confronto final" com
um poder capaz de mudar a humanidade
e um Ciclope
que finalmente
demonstra uma certa liderança e protagonismo ao mesmo tempo que não
age feito um babaca.
Outras apresentações legais são as de Tempestade e Noturno , além
da consolidação de Mercúrio como personagem fixo da franquia;
Tempestade é
encontrada por Apocalipse no Egito praticando pequenos furtos, bem
parecida com a origem da personagem nos HQ's e embora o motivo de sua
mudança de lado seja contestável no final, a mudança em si é
plenamente crível, além da atriz ter seu carisma e simpatia; Já o
Noturno que
é salvo pelaMística
no início do filme,
tem seus momentos de protagonismo quando luta contra o anjo e de
alívio cômico e superação no trabalho em equipe; e
o Mercúrio volta
a ser destaque por seus
momentos de ação que
são alguns dos mais
legais do filme e se
une à equipe em uma cena que lembra a do
filme anterior (o que
fica chato) mas que não
interfere em nada nos motivos do personagem ou o colocando
ali apenas como um fan-service ea cena onde ele
senta a mão no Apocalipse na
última batalha é bem bacana.
Ciclope
O Filme parece querer recontar
o que os filmes da trilogia anterior mostraram dessa vez com uma
roupagem mais super-heroica e ágil (tanto que ele conta o que há
em três filme em um!). A primeira coisa é a descoberta de um novo
mutante, que em "X-men, o filme" era a Vampira e nesse é
Ciclope e, esse evento, vai guiando grande parte da trama e dando
destaque
ao verdadeiro líder de campo dos X-men mas sem apagar os demais
personagens nesse primeiro arco, além de apresentar a nós através
dos olhos do personagem, como funciona a escola Xavier. Junto a isso
temos a apresentação do projeto Arma X e uma nova versão para a
fuga de Wolverine do laboratório, agora libertado pelos próprios
alunos de Xavier, além disso temos o despertar dos poderes da Fênix
em Jean Grey, dois fatos que foram explorados em "X-men 2";
e por final temos toda
aquela ameaça mundial causada pela Fênix em "X-men 3"
agora sendo desencadeada pelo personagem Apocalipse. O bacana desse
resumo e reapresentação desses fatos é que norteia os heróis para
um novo rumo, porque o filme termina de mostrar que as linhas
temporais foram refeitas, o que dá a possibilidade para o novo a
partir de agora e o fator que possibilita recontar essa nova versão
das histórias sem que o filme fique chato é o bom ritmo que não
oscila muito durante as duas horas e onze minutos de filme, mérito do
diretor.
Mas nem tudo são flores e o
filme tem algumas escolhas e momentos que deixam a desejar. O
principal deles é o vilão Apocalipse, que nos quadrinhos sempre foi
um personagem assustador e misterioso e que nos cinemas parece um
velhinho cheio de convicções baseadas em achismo e que, embora
ameace quando desperta no Egito e vai ao encontro de Tempestade
demonstrando seus poderes aos desavisados comerciantes locais, parece
perder peso conforme a trama anda, dando a entender que leu e não
entendeu Darwin com suas ideias de "Só os fortes sobrevivem",
poxa! Mutantes também são pessoas e ele quer destruir o planeta
para que apenas os mutantes mais fortes fiquem por aqui sem banheiro,
agua encanada, energia elétrica e internet (ele viu muito Madmax),
sem dizer que o plano dele é exatamente igual ao do Sebastian Shaw
em "X-men: primeira classe".
O cara que não entendeu Darwin
O Apocalipse passa o filme
todo dizendo que é o pai de todos, o bam-bam-bam e tal, mas acho que
o grande poder dele é a pilha fraca, poque nem seus quatro
cavaleiros ele sabe escolher direito, pegando qualquer um que está
no caminho. A tempestade e o Magneto fazem todo o sentido como
cavaleiros do apocalipse, até porque um controla qualquer metal e o
outro o clima, mas o
que justifica o Anjo e a Psyloke? O Apocalipse esteve cara a cara com
o Destrutor, que controla o plasma e tem um poder destrutivo gigante,
assim como com o poder do Xavier ele poderia descobrir a Jean Grey
que é uma das mais poderosas mutantes da história, mas não! ele
quis um cara que ficava voando e apanhou para um noturno de quinze
anos e uma ninja genérica que nem telepata é no filme. O pior é o
plano dele transferir sua consciência para o corpo de Xavier, o que
ele faria? Seria o cadeirante mais poderoso da história? E aquele
papinho de só os fortes sobrevivem? Quem vai empurrar tua cadeira
pelo deserto depois
que o mundo acabar? Se ele usasse o Xavier para encontrar o Wolverine
e ficar de posse de um corpo imortal e indestrutível seria mais
inteligente. Mas não pára
por aí, além de pilheiro e mal maquiado, o Apocalipse ainda deve
ter transferido sua consciência para o corpo do Arlindo do
Esquadrão da moda do SBT, porque depois de turbinar os poderes de
seus cavaleiros, ele ainda cria roupinhas fashion par eles sem lá
muito motivo. Mas acho que essas escolhas polêmicas relacionadas ao
personagem sejam uma forma de seguir a péssima tradição da MARVEL
não emplacar um vilão convincente no cinema e se for assim, todas
escolhas foram muito bem feitas, caso contrário foi uma pisada na
bola tremenda.
Outra coisa chata que já
vinha incomodando desde o primeiro trailer é a onipresença da
Mística e o peso de seus papel na trama. De cinco em cinco minutos
alguém lembra que ela é uma heroína, que é demais e que é um
símbolo, fato que não tem absolutamente nada a ver com a mística
dos quadrinhos, que sempre foi uma terrorista da causa mutante,
capaz de tudo para mostrar a superioridade do Homo superior. O
diretor comete com a Mística da Jennifer Lawrence, o mesmo erro que
teve com a Tempestade interpretada pela Halle
Berry na trilogia antiga, onde o fato de a atriz ganhar um Oscar
mudou totalmente o peso de seu personagem na trama e , a meu ver, foi
o primeiro passo em X-men 2, para que o filme seguinte fosse tão
ruim como foi. Devido a importância de Mística na história e pelo
fato de não ser um personagem tão poderoso, roteiro a transforma em
uma negociante e líder conselheira, que tem como maior poder, frases
de efeito tipo "orgulhem-se de quem são", "Eu não
quero o peso de ser uma heroína", "É uma guerra, não
controlem seus poderes" e bla,bla, bla. Sem falar que ela quase
nunca aparece em sua forma azul, mas sim com a aparência da Jennifer
Lawrence, o que faz a gente pensar onde está aquela história de
"seja mutante e orgulhoso" que ela fala para o Fera no
"primeira classe"? Pois é! Sua Poser!
Fera (ou seria O Abrahan Lincolm azul?)
Falando em Mística, não dá
para deixar de comentar
sobre a Maquiagem. Como
já disse a personagem
da Jennifer Lawrence
quase nunca aparece em sua forma real, mas quando aparece ela parece
pintada com a tinta dos "Blue man
Group", não parece que a cor é dela. O mesmo acontece com o
Apocalipse, que lembra muito o inimigo dos Power Rangers,
principalmente por ainda ser um nanico magrelo, ao invés de um
monstrão de mais de dois metros ; mas o pior, sem sombra de dúvidas,
é o Fera! O doutor
Hank Mccoy, em sua forma animalesca parece o Abrahan Lincolm pintado
de azul. É o terceiro filme onde temos o fera (nessa
nova trilogia) e a
produção ainda não conseguiu encontrar um tom de pele (ou pêlo)
que não pareça ridículo, minha dica é para que eles leiam a fase
dos X-mem onde o Fera evoluiu em sua mutação se transformando quase
que em uma pantera negra (não azul).
Ainda sobre a maquiagem, é
impossível deixar de questionar porque os personagens dessa nova
trilogia não envelhecem. "Primeira classe" se passa em
1964, "Dias de um futuro esquecido" em 1973 e este filme de
agora em 1983, ou seja, do primeiro para o último se passaram quase
vinte anos, mas não vemos traços de envelhecimento nos personagens;
tá certo que o Fera e a Mística tem uma desculpa que no primeiro
filme é apresentada, mas e o Destrutor, que deveria parecer que tem
trinte e cinco ou trinta e seis anos e parece não ter passado dos
vinte? E o que dizer do magneto que tinha dez anos em 1945 e em 1983
(48 anos) e trabalhando em uma metalúrgica, tem um rosto tratado com
nívea? Custava envelhecer um pouco os personagens? Ou existe a
desculpa de algum mutante que emane renew? Acho que foi falha mesmo.
Libera essa fênix garota!!
Para fechar o que não curti
muito, temos que falar sobre o grande motivo que criou os X-men, que
o preconceito. Os X-men surgiram nos anos sessenta baseados nos
movimentos pelos direitos civis liderados por Marthin Luter King e
Malcon X ( Xavier e Magneto
respectivamente) e onde
até os poderes dos
primeiros mutantes tinham a ver com o preconceito, então o Ciclope
seria aquele cara que destruía tudo o que olhava, o Fera que mesmo
sendo um gênio seria julgado apenas pela sua aparência bestial e
assim por diante; Acontece que nesse filme esse preconceito não
existe! Desde a cena inicial nos anos oitenta, onde é mostrado Scott
Summers (ciclope) na escola, a professora está falando bem dos
mutantes e isso se
confirma quando Jubileu, Jean, Scott e Noturno vão passear no
shopping e ninguém parece se importar com o fato de ter um ser com
aparência demoníaca e azul andando pela rua, Achei isso muito
caído, porque se as pessoas ainda hoje tem preconceito com gays,
negros e até com mulheres, o que dirá se se descobrisse, àpenas
dez anos atrás, que convivemos com uma raça super-poderosa cujo
alguns indivíduos poderiam nos matar apenas pensando nisso? Óbvio
que existiria muito preconceito e hostilidade, infelizmente o filme
não faz menção nenhuma a uma situação como essa e
isso foge ao propósito da luta dos mutantes por aceitação, o que é
uma pena.
X-men reunidos
Mas apesar de o filme possuir
muitos defeitos, ele
não é ruim e confesso
que me diverti bastante. O diretor pareceu querer dar uma visão mais
super-heroica a franquia, seguindo as propostas dos filmes da Marvel
onde a diversão vem antes de tudo. Um ponto que ainda me
incomoda é a mania do diretor de sempre fazer um filme de origem e
"X-men: Apocalipse" não é diferente, novamente temos o
mutante novo no grupo, a equipe se formando e o Magneto novamente
tomando na cabeça e depois tentando ser legal novamente, mas,
como eu disse anteriormente, o Ritmo do filme é muito bom e
consegue que esqueçamos esses por menores enquanto o assistimo.Os
personagens em sua maioria são muito carismáticos, assim como as
cenas de ação são bem bacanas. Espero
que o futuro da franquia sai das mãos de Bryan Singer e Caia na de
um diretor mais novo e de ideias novas, como o de Deadpool, só assim
teremos filmes dos mutantes que fujam ao eterno ciclo de histórias
de origem e partam para
uma ação mais aprofundada e discussões mais relativas ao problema
da aceitação mutante pelos humanos.
De qualquer forma, repito que o filme é bem divertido e merece ser
visto e, espero que o próximo, que será contra o Sr. Sinistro, seja
melhor que esse, que foi contra o Apocalipse mal maquiado e dirigido
pelo Bryan Singer meio
repetitivo, mas que,
graças a En Sabbar
Nur, não foi nenhum fim do mundo.