Dia três de Março desse ano, foi lançado mundialmente o primeiro
trailer do filme "Caça-fantasmas", que tem a direção e
roteiro de Paul Feig. O filme, reboot do clássico da sessão da
tarde, teve uma aceitação negativa desde que o estúdio anunciou
que nessa nova versão os protagonistas seriam mulheres e essa onda
de rejeição se concretizou no final do mês de abril, quando foi
divulgado que o trailer do filme ,que estreia dia quinze de Julho ,
conquistou o amargo título de trailer mais odiado do Youtube, com
mais de quinhentas mil negativações.
Não vou mentir. Quando anunciaram que no lugar dos personagens
clássicos o filme teria um grupo de mulheres como protagonistas, eu
torci o nariz. Esperei muito tempo para uma continuação dos dois
filmes dos Caça-fantasmas que marcaram a minha infância e a
decisão de fazer um reboot com outros personagens me desagradou
porque colocaria uma pedra sobre a possibilidade dos antigos
personagens retornarem. Também não posso ser sínico em dizer que
não me senti contrariado pelo fato de serem mulheres nos papéis
principais e logo procurei argumentos dando exemplos de filmes ruins
com protagonistas femininos, como "Elektra" (filme de 2005)
e " À prova de morte" (2007, o filme que menos gosto do
Tarantino) para justificar o que até aquele momento eu não
identificava como puro preconceito.
Mas depois de um certo tempo pensando sobre o assunto eu percebi como
eu estava sendo babaca. Na ânsia de encontrar no cinema um filme que
me fizesse ter uma experiência semelhante a que tive ao assistir os
anteriores mais de vinte anos atrás, ignorei duas questões de
extrema importância nos dias de hoje: a empatia e a
representatividade.
Era o máximo da representatividade dos anos 80
Sobre empatia, comecei a me imaginar qual seria a reação das
mulheres de hoje se o filme tivesse a mesma pegada dos filmes
originais dos anos oitenta. Nos dois filmes anteriores, temos apenas
duas personagens femininas relevantes, a primeira (interpretada por
Sigourney Weaver) é o interesse romântico do Dr Peter Venkman (Bill
Murray) e praticamente é a mocinha em perigo que serve para dar rumo
a trama, embora seja independente e uma musicista profissional, ela
transmite uma certa insegurança e trabalha com sua sensualidade na
maior parte do filme (após ser possuída) sendo sua presença
voltada exclusivamente para ser um objeto à ser alcançado pelo
personagem masculino e isso fica claro no segundo filme, quando a
personagem explica que terminou o relacionamento com o Dr Venkman
após este começar a apresenta-la nas festas como sua "escrava
sexual". A outra personagem feminina era a telefonista Janine,
que aparecia com todo esteriótipo possível da secretária, lixando
as unhas, chateada com o emprego e ainda dando em cima do patrão
Egon Spengler (Harold Ramis). Me coloquei no lugar das mulheres ao
assistir um filme desses sem a desculpa do Zeitgeist da época e me
senti incomodado, percebi então que só poderia haver uma maneira de
uma franquia que teve essas marcas (discretas mas reais) funcionar
nos dias de hoje e que seria focando na diversidade e
representatividade.
A representatividade é uma questão importante com a qual tive o
primeiro contato justamente nos filmes dos Caça-fantasmas. Eu, uma
criança negra dos anos oitenta, não era acostumado a ver negros em
papeis de protagonismo em nada que fosse positivo na TV ou cinema e,
foi assistindo o filme original da franquia, que me deparei com o
personagem Winston, um negro que chega para pedir emprego nos
caça-fantasmas e se torna parte do grupo; a entrada dele no grupo é
meio idiota, mas tenho de dizer que quando vi um homem negro que não
era figurante e sim parte dos heróis em um filme tão legal como
aquele, me senti mais conectado ainda a história. Então, como eu
poderia odiar um filme, que traria uma experiência parecida para
milhões de pessoas, mesmo que eu não esteja incluído nesse grupo?
Quem você vai chamar?
Penso que as pessoas que negativaram o filme tem muito medo, pois
foram acostumadas a ser hiper representadas e a possibilidade mínima
de apresentar outro tipo de pessoa e visão de mundo que não se
assemelhe a delas faz com que imaginem que serão colocadas de lado,
o que é um absurdo. É só pegar os grandes produções para vermos
que em sua grande maioria, os protagonistas são homens brancos, sem
problemas financeiros, de idade entre trinta e cinquenta anos e onde
a mulher é apenas o motivo para que a trama ande (como em caça
fantasmas 1 de 1984) e o negro é apenas o amigo fiel (gay então nem
pensar em um filme desses). Mas os tempos estão mudando e não
existe mais motivo ( e nunca houve) para prender a pessoa que é
diferente à um exteriótipo ou papel secundário, por isso acredito
de verdade que o filme DAS Caça-Fantasmas possa ser um divisor de
águas na história do cinema, mesmo que seja ruim (mas espero que
seja ótimo) porque se somará à "Star Wars VII" e "Mad
Max: estrada da fúria" trazendo luz novamente o fato de que
qualquer pessoa, seja homem branco ou negro, mulher hétero ou
homossexual, de participar de algo colocando o fato de ser um ser
humano, à frete de ser um clichê do cinema e antes de tudo
apresentando a diversidade as novas gerações.
Por tudo isso deixo aqui a minha promessa de assistir AS
Caça-fantasmas no cinema e ser um dos primeiros a escrever sobre ele
não poupando elogios caso o filme seja bom ou criticas caso não
seja, focando na história, direção, roteiro e atuações e não no
preconceito e medo que infelizmente é inerente a nossa sociedade.
Me despeço pedindo a todos mais tolerância e empatia. Lembrem que
são as nossas diferenças que fazem que nos completemos com os outros
e não nossas igualdades que são apenas ecos , muitas vezes, sem
graça de nós mesmos.
Não é errado ser babaca as vezes, errado é não querer mudar.
As
séries se tornaram uma mania mundial. Novas temporadas de
"Game of Thrones", "Demolidor" e "Black Mirror" são
mais aguardadas do que a estréia de grandes títulos no cinema.
Grande
parte disso se deve ao fato de a série conseguir aprofundar muito
mais os personagens e criar um vínculo maior e duradouro entre o
expectador o universo apresentado, chegando por vezes ao fanatismo.
No
Brasil, a série que inaugurou essa mania, arrebanhando fãs em todo
lugar em que foi apresentada, foi "Arquivo-X". Criada por
Chris Carter e estrelada por David Duchovny e Gillian Anderson, a
série teve nove temporadas (1993-2002), somando 208 episódios e
contava a história dos agentes do FBI Fox Mulder (Duchovny) e Dana
Scully (Anderson), responsáveis por investigar mistérios
aparentemente não solucionáveis que iam de abduções alienígenas a monstros que se escondiam na sociedade, passando por casas mal
assombradas e problemas no espaço tempo, tudo isso ainda bem
costurado por uma trama de conspiração governamental, doses exatas
de humor e abrilhantado pelo carisma dos protagonistas.
Tive
sorte de assistir grande parte de "Arquivo X" quando
passava em horário nobre na TV Record (antes das novelas bíblicas tomarem o horário) e quando a Fox anunciou a 10° temporada quinze
anos depois que o último episódio foi ao ar, corri para reassistir
alguns dos episódios que não precisam da mitologia da série para
ser entendidos (quase como curtas), entre os que assisti escolhi seis
que me prenderam no sofá e que não ficaram datados mesmo depois de
mais de quinze anos.
6
– HOME (T:4 x ep:02)
só gatinho
Nesse
episódio, um corpo deformado de bebê é encontrado enterrado em um
campo de baseball em uma pequena cidade do interior do sul dos EUA.
Mulder e Scully são chamados pelas autoridades locais para
investigar e acabam se deparando com a misteriosa família Peacok, isolados em suas terras, sem energia elétrica ou água encanada, os
três irmãos Peacoks e sua mãe, todos deformados, agem como animais
, inclusive praticando incesto e agindo com a violência mais
selvagem possível para resolver seus problemas.
Episódio
tão sinistro quanto o discurso da mãe Peacok, que amputada e
mantida escondida em baixo da cama e servindo apenas para parir os
filhos de seus filhos, diz que o mais importante para um Peacok é a
família.
5-SMALL
POTATOES (T:4 x ep:20)
Quando
várias crianças, filhas de pacientes de uma clinica de inceminação
artificial, nascem com um rabo; Mulder e Scully partem para saber o
que pode estar acontecendo e descobrem que o faxineiro dessa clinica
tem a estranha capacidade de se transformar em qualquer pessoa e vem
usando isso para ter relações com mulheres.
O
episódio é muito engraçado, principalmente quando o vilão (que
nem é tão vilão assim) toma a forma de Mulder e começa a dar em
cima de sua parceira, quane conseguindo concretizar seu objetivo.
4-FAMINTO
(T:7 x ep:03)
Rob
Roberts parece um rapaz normal que trabalha em uma lanchonete, gente
boa com os colegas, educado no tratamento com estranhos, mas o que
ninguém sabe é que Rob na verdade é um monstro predador viciado em
comida e o pior é que a comida preferida dele são cérebros
humanos.
Rob seu morto de fome
Esse
é meu vilão preferido, porque o autor conseguiu dar humanidade e
motivos para o monstro. Rob não é mau por inteiro, segue apenas sua
natureza, tanto que no final sua consciência fala mais auto, mesmo
agindo contra si próprio.
Ver
o personagem sonhando com cérebros fritos, tomando pílulas contra o
apetite e falando no grupo de comedores anônimos é a parte mais
bacana. Episódio que se segura como um curta fácil fácil.
3-
TRÊS DESEJOS (T:7 x ep:21)
Outro
episódio com uma levada cômica. Nesse um faxineiro encontra uma
gênia enrolada em um tapete e causa a maior confusão ao começar a
usar seus três desejos que tem direito.
Gosto
bastante desse episódio pelo humor e conceitos apresentados. O humor
fica por conta do resultado dos desejos que são realizados, como
quando o faxineiro pede um iate e a genia o coloca no pátio de
trailer onde ele mora, ou quando ela pergunta se pode dar uma dica e aponta para as pernas do irmão paraplégico do faxineiro e nada lhes
ocorre, ou ainda quando Mulder tem a chance de realizar três desejos
e pede paz na terra e em passe de mágica a humanidade some.
O
final do episódio é bem bacana, com a Mulder usando seu último
desejo para libertar a genia de sua maldição, terminando com uma
mensagem de que tudo que é desejado e vem fácil, talvez seja uma
maldição.
2-
SEGUNDA-FEIRA (T:6 x ep:14)
Mulder
vai até o banco depositar o pagamento de seu aluguel, após seu
colchão d'água ter furado queimado seu celular e despertador e
alagado a casa. O banco está sendo assaltado e o ladrão, ao saber
que não tem chance de escapar detona explosivos presos em seu corpo
destruindo o banco e matando todos que estão lá dentro, incluindo
Mulder e Scully que vai atrás do parceiro, então Mulder acorda
novamente em seu colchão furado sem lembrar de nada e vemos tudo
acontecer novamente, ao melhor estilo de "O feitiço do tempo"
com Bill Murray, apenas a namorada do assaltante se lembra da
repetição e após notar que Mulder é a unica pessoa que depois de
vários dias iguais tomou uma atitude diferente descobre que ele pode
ser a chave e busca sua ajuda para tentar parar as repetições.
1-MEDO
(T:7 x ep:12)
x-cops
O
episódio "Medo" (x-cops no original) é um episódio onde
Mulder e Scully investigam uma entidade que toma a forma do maior
medo de quem ela persegue. Então vemos uma senhora sendo atacada
pelo Fred Kruger, outro cara por um lobisomem e uma prostituta por
seu cafetão (que havia sido encontrado morto minutos antes). A
maldita entidade é tão esperta que vive no bairro mais violento da
cidade e por isso não pode ser identificada.
O
legal desse episódio, além do conceito do monstro, é a forma como
foi realizado. Decidiram gravar o episódio como se fosse um capítulo
da série "COPs" e utilizam iluminação irregular e
câmeras de mão, além de a abertura utilizar o tema de "cops"
(música "Bad boys") na entrada do capitulo. Muito bom!
Arquivo
X, foi um divisor de águas no que se refere as séries de TV e
revisita-la foi muito bacana. Divertida, engraçada, inteligente e
cheia de mistérios, a série continua vencendo o tempo e
conquistando fãs, principalmente depois que a décima temporada foi
lançada pela FOX esse ano. Se você não assistiu procure e torne-se
também um fã como eu e nunca se esqueça que , embora o governo
negue ter conhecimento, A VERDADE ESTÁ LÁ FORA.
Em
2011, os estúdios Marvel traziam aos cinemas “Capitão América: O
primeiro vingador”, filme sessão da tarde, feito muito mais para
apresentar outro dos personagens centrais da editora no cinema antes
de sua grande cartada, que foi “Vingadores”, do que para
satisfazer o desejo dos fãs. Isso se deve ao fato de que o Capitão
América nunca ter sido o personagem mais querido da Marvel e muitas
pessoas até o consideravam ultrapassado e brega, mas isso começou a
mudar depois do sucesso da sequência de seu filme solo, “Capitão
América: O soldado invernal”, de 2014, que chegou com um tom mais
sério e produção de qualidade, consolidando o personagem não só
como um líder dentro do universo Marvel, mas também como ícone e
símbolo do que é o certo a se fazer. Esse aprofundamento e
crescimento do personagem favoreceu o conflito de personalidade e
interesses com a principal e mais marcante figura da editora no
cinema, o Homem de ferro, que se anunciou no primeiro filme dos
vingadores, se intensificou no segundo e chega às vias de fato em
2016, com o ótimo e divertidíssimo “Capitão América: Guerra
civil”, que estreou dia 28/04 nesse Brasilzão em crise de meu Deus
e que tive o prazer de assistir em um domingo gelado no sul do país.
O
filme segue os acontecimentos de “Vingadores: A era de Ultron”,
onde, no final, uma parte dos vingadores originais se afastou e um
novo time de heróis, liderados pelo Capitão América, foi montado
para seguir operando. E é em uma missão desse novo time, para
capturar o vilão Ossos Cruzados, que o grupo acaba causando um
acidente que dá movimento a trama. Wanda Maxmoff, a feiticeira
escarlate, para salvar o capitão de um ataque suicida do vilão
acaba atingindo um prédio, matando uma dezena de pessoas e ferindo
outra centena e, esse evento faz com que as autoridades busquem
alternativas para colocar limites nas atuações dos Vingadores ao
redor do mundo e assim surge o acordo de sokovia (batizado assim em
referência a cidade destruída por Ultron no segundo filme dos
vingadores), onde os artigos mais relevantes se referem ao
monitoramento dos super-seres e sua liberdade de atuação; sendo
essa última, permitida ou não apenas após a aprovação de uma
junta da ONU.
O
acordo de Sokovia surge como a primeira fissão entre as lideranças
do grupo de heróis, que aparece como divergência ideológica e vai
jogando os personagens para polos distintos que melhor representam
suas personalidades e pontos de vista. Isso é muito bem-apresentado
pelo roteiro explorando a culpa que rodeia Tony Stark (O homem de
ferro) que, ao ser confrontado por uma mãe que perdeu o filho na
cidade de Sokovia, abraça o acordo como única alternativa capaz de
amenizar os desastres que são consequências das atuações dos
super-seres, assim como coloca em contraponto o ideal de liberdade de
atuação defendido pelo Capitão América, que enxerga a submissão
dos Vingadores a um grupo de políticos ainda mais perigoso do que
atitudes oriundas das escolhas dos próprios indivíduos envolvidos.
No
meio desse arco, no dia em que o acordo deve ser assinado, a cede das
nações unidas em Viena sofre um atentado vitimando o rei de
Wakanda, onde câmeras acabam por registrar a presença do soldado
invernal e colocando mais lenha no conflito anunciado, dando a deixa
para o surgimento de mais um personagem icônico na editora, o
Pantera Negra, que surge de forma fantástica caçando o pretenso
assassino de seu pai. A partir desse ponto, o filme passa a ser um
filme de perseguição, onde o Capitão parte na busca de seu amigo
desaparecido e acusado de terrorismo na esperança de protegê-lo e o
levar em segurança para esclarecimento, enquanto o Pantera Negra o
procura para vingar a morte do pai. Achei essa parte do filme bem
bacana, apresentando o novo herói como um personagem obstinado e
implacável, o uniforme do Pantera está muito fiel aos quadrinhos e
seu estilo de luta (mesmo sem o uniforme e acessórios) empolga
bastante, o cara é imponente e de todos que estavam presentes na
tela é o que mais mereceu o meu respeito durante as quase duas horas
e meia de filme.
O
Soldado Invernal é capturado depois da citada sequência de
perseguição e levado às instalações de segurança das nações
unidas. É lá que o vilão que aparece aos poucos em cenas que se
intercalam com as dos conflitos internos do grupo de heróis se
mostra pela primeira vez aos mesmos. Infiltrado como o psicólogo que
faria a avaliação de Bucky Barnes (o soldado Invernal) ele utiliza
uma sequência de palavras que servem para forçar o amigo do capitão
voltar ao estado de obediência dos tempos de assassino da Hidra,
pede o relatório da missão de 16/12/1991 e solta o detento na
instalação mais programado para matar que o Schwarzenegger.
Depois de várias confusões e de uma atuação ninja do Pantera
Negra sem uniforme, o soldado invernal é capturado pelo Capitão
América e pelo Falcão e, quando questionado sobre o que o
misterioso vilão queria, informa que não é o único soldado
invernal, revelando que em uma instalação na Sibéria outros sete
assassinos de elite se encontram em hibernação aguardado o comando
para voltar à ativa; a partir desse momento tornasse prioridade do
Capitão e seus aliados, deter as supostas intenções do inimigo que
se apresentou, enquanto que para o homem de ferro e a junta de
segurança da ONU, a recaptura do soldado invernal passa a ser caso
de segurança pública e cumprimento da lei.
Depois
do atentado em Viena e na junta da ONU, vemos os conflitos se
intensificarem, com o Capitão América recrutando novos e velhos
conhecidos para o seu grupo e o Homem de ferro para o seu. Dentre
esses recrutados dois se destacam mais que os outros, o Homem-Formiga
para o lado do Capitão e o Homem-Aranha para o lado do Homem de
Ferro. O Homem-Formiga conquista qualquer um pelo apelo cômico e
pela surpresa que apresenta na cena do embate do aeroporto, suas
piadas são ágeis e os diretores voltam a utilizar truques de câmera
presentes no filme solo do personagem para mostrar as diferentes
perspectivas do herói, sem contar com sua total falta de noção,
começando com o momento onde ele é apresentado ao Capitão América.
Já o Homem-Aranha aparece sem muito mistério, sendo descoberto por
Tony Stark e colocando um sorriso no rosto do espectador quando
escuta a tia May (linda por sinal) chamando seu nome e mostrando seu
tom de humor já no primeiro diálogo sobre uma possível bolsa nas
indústrias Stark, isso tudo sem deixar de dar um ar de drama e
maturidade ao falar de como uma pessoa que pode fazer algo especial,
pode perder alguém com quem se importa ao deixar de tomar uma
atitude.
Depois
do recrutamento surge o auge do filme. Quando os aliados do Capitão
se organizam para partir para a Sibéria prevendo o perigo e são
interceptados pelo grupo comandado pelo Homem de ferro, é quando
somos presenteados por uma sequência épica de batalha envolvendo
todos os Heróis. Nessa sequência é impossível não se empolgar
com o estilo de luta e obstinação do Pantera Negra, ou com as
tomadas de perseguição aérea do Máquina de Guerra e Homem de
ferro com o Falcão, mas como já disse, é o Homem-Aranha e o
Homem-formiga que roubam a cena nesse momento.
Homem-Aranha. O destaque dos destaques
O
Homem-Aranha é fantástico desde o momento que surge de uniforme e
pega o escudo do capitão, sua perseguição ao falcão e ao Soldado
invernal é muito divertida propiciando pelo menos três cenas
marcantes; a primeira quando o soldado invernal tenta dar um soco no
personagem e ele agarra o braço biônico do super soldado, outra
quando ele é pego pelo Falcão e começa a gritar “Você tem o
direito de ficar calado” e o final da sequência, quando ele é
capturado pelo drone do falcão e sai voando pela janela (de chorar
de rir), sem falar na luta dele contra o capitão onde ele fala a
maior verdade que alguém poderia falar ao herói: “Moço esse seu
escudo não obedece as leis da física”.
O
Homem-formiga é fantástico também em três cenas. A primeira é
quando usa a flecha do gavião arqueiro como veículo para chegar até
o Homem de ferro causar danos em sua armadura por dentro, a segunda é
quando joga um caminhão em miniatura na direção do Máquina de
guerra e pede para o capitão arremessar um dos discos de crescimento
que ele usa como arma no caminhão, a miniatura cresce e atinge o
adversário causando uma grande explosão, ao que o Homem-Formiga
comenta estarrecido: “eu pensava que era um caminhão pipa!” e a
terceira cena marcante é quando ele se torna gigante para favorecer
a fuga do capitão, é muito bacana com ele gigantesco arremessando
pedaço de aviões e chutando veículos para todos os lados, sendo
derrotado apenas após a ideia do Homem-aranha de imitar o que os
X-Wings fizeram contra os veículos andarilhos em “O império
contra-ataca” e derrubando o gigante.
A
sequência do Aeroporto termina em um tom amargo, quando visão
agindo de forma distraída, acerta o Máquina de Guerra durante o voo
quase matando o vingador que fazia parte de seu grupo. Com o final do
embate e a fuga do Capitão e do Soldado invernal para Sibéria, o
grupo que os apoiava (Falcão, Homem-formiga, Gavião Arqueiro e
Feiticeira Escarlate) são detidos e mandados para uma prisão
especial no meio do oceano, a Viúva Negra, que deixou a dupla de
foragidos escaparem parte para a clandestinidade e o Homem de ferro
passa a investigar mais afundo o atentado de Viena, descobrindo que o
psicólogo mandado para avaliar Bucky havia sido morto e
identificando que quem se passou por ele era um ex agente especial de
Sokovia chamado Zemo, então, ciente de seu erro, ele pede
informações para o aprisionado falcão e parte para Sibéria atrás
de seus ex-aliados, sendo seguido à distância pelo Pantera Negra.
Pantera Negra. O cara
Na
Sibéria, o Homem de ferro se junta ao Soldado invernal e ao Capitão,
acreditando que o plano de Zemo é ativar os outros soldados
invernais para seu beneficio próprio, no entanto quando chegam no
local onde estes hibernam, todos estão mortos e vemos Zemo protegido
em um buncker de onde começa a mostrar um vídeo de câmera de
segurança onde é mostrado o assassinato dos pais de Tony Stark
pelas mãos do Soldado invernal ( a tal missão de 16/12/91), daí em
diante a porrada come solta entre a dupla de amigos e o ferroso.
Enquanto isso o Pantera observa com paciência e percebe que
perseguiu o homem errado, partindo ao encontro do verdadeiro
assassino de seu pai e o encontrando ouvindo antigas mensagens de
áudio onde sua mulher falava da ansiedade de seu filho pelo seu
retorno. Acontece que tanto sua mulher, como seu filho e pai,
morreram em Sokovia no final dos acontecimentos do segundo filme dos
vingadores e para se vingar (ops) ele, que sabia não poder lutar de
maneira franca contra os maiores heróis da terra, resolveu
destruí-los de dentro para fora arquitetando um plano onde os
vingadores lutassem entre eles. Após a confissão, Zemo tenta o
suicídio, mas é impedido pelo Pantera Negra e levado para a junta
de segurança da ONU. Enquanto isso Bucky e o Capitão se veem em
combate contra um enlouquecido Homem de ferro, que recusa todos os
apelos e tenta matar Bucky de todas as formar, sendo impedido apenas
após o capitão destruir sua armadura, não sem antes do feioso
destruir o braço biônico do Bucky “soldado Invernal” Barnes; A
cena termina com o capitão levando seu amigo carregado enquanto
larga o escudo para trás ao escutar de Stark que ele não era digno
deste.
Qual o seu lado?
Depois
de todo ocorrido e problemas resolvidos, o filme mostra a recuperação
do Máquina de combate, que passa a precisar de um aparato mecânico
para poder caminhar e a solidão do Visão após a evasão e
clandestinidade dos vingadores e a entrega de um telefone e uma carta
para Tony remetida pelo capitão e explicando que sempre estará a
disposição e o filme termina com o capitão resgatando seus amigos
da prisão.
Achei
o filme fantástico! Diversão garantida com a dose de humor, ação
e drama sob medida ao que os filmes da Marvel se propõem. Os efeitos
especiais são fantásticos e as cenas de luta e perseguição de
tirar o fôlego.
Achei
que os irmãos Russo conseguiram fazer um trabalho tão bom quanto o
feito no segundo filme do Capitão, explorando na proporção exata
os personagens presentes na trama, mas sem tirar o foco dos passos do
personagem que o filme leva o nome. Foi um ótimo ensaio para os dois
próximos filmes dos vingadores que os irmãos dirigirão e uma bela
introdução de personagens que estrelarão filmes solos pela Marvel,
como o Pantera Negra e o Homem-Aranha.
O
roteiro é muito bem escrito e vai em uma crescente que faz com que
não se sinta que se passou quase duas horas e meia. As motivações
são muito bem apresentadas e os personagens desenvolvidos, não
fizeram muita questão de fazer revelações finais e isso deu mais
fluidez ao filme.
Gosto
de pensar que o grande vilão da trama é a situação, pois pensando
assim, o filme parece ainda melhor do que é, mas se pensarmos que o
grande conspirador que gerou a situação é o “Barão Zemo”, que
no filme é um espião sedento de vingança e que consegue todas as
informações e acessos de forma tão simples, a trama perde um
pouco, pelo vilão ser totalmente esquecível e ficar à sombra do
combate de liderança e força entre o Homem de Ferro e o Capitão
América.
Mas
mesmo um vilão fraco não é suficiente para tirar a qualidade de
“Capitão América: Guerra Civil” e posso dizer que ele entrou
para meu top five de filmes de Super-Heróis (onde já se encontra o
segundo filme do Herói). Um filmaço que valeu cada centavo suado do
ingresso e que me deu confiança em dizer que na Marvel eu confio.
Agora é só esperar filmes do Pantera, Aranha e ainda esse ano
Dr.Estranho, aguardando que em 2018 a guerra infinita comece.
Você
acorda em um quarto em um bunker, algemado pela perna à um cano de
metal na parede,
com soro na veia e lembrando apenas que sofreu um acidente de carro;
ouve
barulho no que parece ser uma escada e se depara com o Fred flinstone
psicótico como seu carcereiro e recebe dele a informação de que
não podes sair daquele lugar por dois ou três anos porque houve um
grande atentado químico ou nuclear que pode ser de origem alienígena
e o ar está
contaminado, sendo
que tudo que se pode fazer é jogar jogos de tabuleiro, ouvir música
dos anos sessenta, assistir filmes antigos ou ler revistas de moda...
Isso não seria um pesadelo (ou roteiro de filme b)? ... Poderia!
Mas é a trama central
de "Rua cloverfield, 10", bomfilme estrelado por
Mary Elizabeth Winsted e John Goodmane
que dá sequência (ou outro ponto de vista) aos
acontecimentos do filme "Cloverfield" de 2008 e
que chega
de surpresa para trazer diversão claustrofóbica ao público e
mostrar
ao mundo como se revitaliza
uma franquia.
O
filme
conta a história de Michelle que, depois de brigar com seu namorado,
parte de carro em direção de uma vida nova. No caminho ela sofre um
acidente e acorda tempos depois com uma fratura na perna e presa em
um quarto de um abrigo subterrâneo, lá ela descobre por seu
"salvador", que se apresenta como Howard, que houve um
atentado e que o ar está contaminado, sendo que, por motivos de
segurança, ele só permitirá que ela saia de lá entre dois e três
anos. Dentro do Bunker, ela também conhece Emmett (John
Gallagher, Jr.),
ex-funcionário da construção do abrigo que se refugiou junto a
Howard quando os atentados começaram e que conhece um pouco do
passado do misterioso dono da fazenda; juntos, Michelle e Emmett,
irão buscar entender o que se passa fora do abrigo e na cabeça do
estranho e paranoico anfitrião.
O
que gostei do filme é que ele usa elementos do filme anterior, sem
se prender no mesmo. Mostra uma situação totalmente diferente e sem
conexão nenhuma com o que acontece no Cloverfield de 2008, tendo os
eventos mundiais (pelo menos somos levados a entender que existem
eventos mundiais) servindo apenas como pano de fundo para o que
realmente interessa nessa nova história, que é o que está
ocorrendo dentro do abrigo e quem são aquelas pessoas, revertendo a
tensão da população em pânico do primeiro filme, pela tensão
mais intimista de um grupo de pessoas presas em um lugar e sem saber
o que acontece lá fora, e, isso enriquece todo o universo a que os
filmes pertencem.
tem algo lá em cima
Outro
fator que torna o filme bacana são os personagens. Diferente dos
personagens do primeiro filme, que, fora o protagonista, não tinham
uma motivação aceitável para atravessar uma cidade com um monstro
gigante as soltas só para salvar uma pessoa que pouco, ou nada, tema
ver com elas, nesse filme as motivações são totalmente reais.
Michelle, a personagem de Mary Elizabeth Winsted, não aceita as
explicações de seu carcereiro e quer fugir daquele ambiente a todo
custo e para isso vai investigando todas as situações que giram em
torno daquele lugar; Emmett, por sua vez é um cara frustrado, que
não leva nada muito a sério e quer apenas sobreviver; enquanto
Howard é um psicótico e paranoico, ex-militar, fissurado por teoria da conspiração e segurança que não admite ser contrariado, é
violento e desconfiado e materializa a figura da filha (pelo menos é
o que ele diz) em Michelle e por isso não admite que ela pense em
sair do abrigo.
"Que cara estranho"
Muito
do que os personagens apresentam de bom, é fruto da interpretação
magistral dos atores e da boa direção de Dan
Trachtenberg. Sobre
as atuações, John Goodman rouba a cena
convencendo como alguém com sérios problemas mentais e de
relacionamento, seu personagem consegue fazer a tensão crescer só
de estar presente (tanto que nesse filme poderiam chama-lo de John
Badman), sua expressão vai de calma e complacência ao extremo da ira
e fúria em segundos e faz com que a gente esqueça na hora o
simpático Fred Flinstone do passado. John
Gallagher, Jr.
Também
está muito bem, embora não seja muito exigido, sua cara de medo
constante e seus olhares de quem sente que desperdiçou a
vida marcam bem o personagem no filme, fato que se soma ainda a um
monologo bem bacana onde ele conta um pouco de seu passado à
protagonista, que
vivida porMary
Elizabeth Winsted
esbanja carismausando
seu olhar e muita expressão corporal para transmitir o desconforto
que a personagem sente ao se encontrar dentro da situação
apresentada. As atuações ainda são valorizadas pela ótima direção
do estreante Dan
Trachtenberg, que através de recursos técnicos como os closes nos
olhares e expressões dos atores e tomadas abertas do cenário
claustrofóbico que passam ao expectador o ambiente sufocante tanto
do lugar quanto da situação e imprimindo no filme um tipo de tensão
que vai se alongando aos poucos e prendendo quem assiste na cadeira.
Pernas pra que te quero !!
A
meu gosto, o filme perde um pouco no final do terceiro arco, quando
parece que foi tomada a decisão de entregar ao expectador a
informação de que o que se passa fora do bunker é um ataque
alienígena (pelo menos é o que parece, pois nada é explicado), o
que corrobora com as teorias do personagem de John Goodman e
complementa o primeiro filme (De que depois do ataque de massa do
primeiro filme, o segundo passo seria um ataque de solo)e
durante dez minutos a protagonista se depara com uma espécie de
monstro que a caça e um tipo de disco voador, esquecendo sua fratura
na perna e correndo mais que o Usain Bolt e bolando uma bomba para se
desvencilhar dos oponentes, mas isso não diminui em nada a qualidade
geral do filme e eu coloco esse trecho da trama apenas como uma
espécie de Fan-service.
Achei
"Rua Cloverfield, 10" um bom e divertido filme. Despretensioso e bem dirigido, revitaliza e enriquece uma franquia
que se tornou cult e sempre se mostrou promissora para quem gosta de
filmes de terror e ficção científica. Com
atuações e direção bem ponderadas, efeitos especiais que não
exageram e roteiro competente, "Rua Cloverfield,10" chega
surpreendendo e deixa um gostinho de quero mais que, se a cena final
não nos trair, se concretizará em um futuro próximo. Assista
antes que os aliens ataquem!
A rede Plim-plim vem fuzilando
seus telespectadores com todo tipo de produção para tentar voltar a
ser a primeira e principal opção de entretenimento do país. De
tanto em tanto tempo somos apresentados a novos programas de "humor"
(com muitas aspas), dia-a-dia das celebridades, remakes de novelas
que marcaram época, Realitys e mini-séries. Quase todos esses
projetos são esquecíveis, quando não ignorados durante a própria
apresentação, no entanto, por vezes a emissora acerta no ponto
oferecendo diversão, qualidade e originalidade, surpreendendo muita
gente e deixando quem assiste com um gostinho de quero mais. Um
desses casos foi a mini-série "O canto da Sereia", exibida
em 2013 sob a direção de José Luiz Villamarim, estrelada por Ísis
Valverde e Marcos Palmeira e baseada no livro homônimo de Nelson
Motta, que me senti obrigado a ler após assistir a série e que me
fez mergulhar novamente naquele universo.
O que acontece?
Carnaval, Salvador. A estrela
do momento, Sereia, sacode as ruas da capital baiana do alto de seu
trio-elétrico, disfarçado como convidado junto à banda que a
acompanha, Augustão Matoso chefe de segurança do Trio a acompanha
de perto, uma forte chuva cai e refresca os foliões que se encontram
em êxtase, no auge da festa, em meio a raios e trovões, uma bala
corta o ar e acerta o coração da cantora, transformando o dia da
maior festa popular do Brasil em uma data de luto e ecoando por toda
Bahia com a pergunta: Quem matou sereia?
O mote da história é bem
simples e remete as histórias de detetives. Ocorre o assassinato e o
chefe da segurança da cantora, Agostinho Matoso, vulgo Augustão
(interpretado por Marcos Palmeira na série), contratado pela
empresária da Cantora (Mara Moreira, vivida por Camila Morgado)
começa a investigar o caso em buscas de respostas e atrás de uma
misteriosa agenda que suspeitam conter uma série de segredos capazes
de comprometer figuras relevantes da sociedade baiana. Durante as
investigações Augustão vai formando um perfil de quem realmente é
a cantora através do testemunho de quem a cercava e da descoberta de
segredos que vão se revelando dos lugares menos imaginados,
apresentando não só a verdade por trás do assassinato ou da
personalidade da vítima, mas também os segredos e maquinações da
industria música responsáveis pela criação de uma pop star.
O que tem de bom?
A série me pegou desde o
início pelo tema e originalidade na TV aberta. Sou uma dessas
pessoas que se cansou do "cine favela" que o cinema
brasileiro se transformou depois do sucesso de "cidade de Deus"
e que não suporta mais releituras de fatos históricos, então
qualquer coisa que fuja desses dois temas já ganha pontos comigo e
uma história de detetive, que busque ser realista sem ser chocante
demais e não abraça com força os clichês, me pareceu tão
original que me prendeu na cadeira aguardando que cada segredo fosse
desvendado.
capa do livro
Como eu disse, a trama é
simples, mas a construção de como ela é desenvolvida é o ponto
alto. No melhor estilo Alan More somos apresentados a vítima que faz
a ação correr através de flashbacks narrados por quem fazia parte
de sua vida e assim temos uma ideia de sua sensualidade através do
depoimento de seu ex-namorado Paulinho de Jesus, do poder de sua
sensualidade e carisma pela boca de seu maior fã conhecido como "Só
love", de sua frieza e temperamento pela boca de Mara Moreira,
de sua ambição através de seu marqueteiro Tuta Tavares e de suas
tristezas e dores pela boca de sua mãe de santo Marina de Oxum.
Esses depoimentos pontos de vista são entrecortados pelas
investigações e o cotidiano de Augustão, onde somos apresentados a
vielas e mercados da Bahia, pontos turísticos e ruas simples que vão
desenhando tanto as características da cidade de Salvador, como o
ambiente que proporciona aos personagens serem o que são.
No
tocante a ser o que se é, Augustão, personagem de Marcos Palmeira
se apresenta como um protagonista para se guardar na memória. É um
herói moderno e portanto está longe da perfeição, muito pelo
contrário sua tendencia a pequenas falhas dão a ele um
ar verossímil,
se acredita que seu modo de ação seja a tentativa e erro, muito
mais como um repórter xereta (como ele é no livro) do que como um
investigador particular no pior estilo dos filmes ingleses; tanto que
gostei mais do personagem da série, que era menos forçado e mais
simpático do que o do livro, que apesar de estar no meio de tudo e
conhecer a todos não convence cem por cento. O mesmo ocorre com a
própria sereia, que na série é interpretada por Isis Valverde e
que dá um show de sensualidade e carisma. Enquanto no livro a
personagem parece uma boneca moldada pelo marketing e publicidade,
que tem seus mistérios revelados até um limite, mas que por vezes
lembra só alguém desequilibrado, na série ela me pareceu mais dona
de si e focada em seus objetivos e por vezes tendendo à
autodestruição como uma estrela do rock das antigas, personalidade
que nos faz acreditar no carinho de seu fã clube e impacto que sua
morte causa no país.
O que difere o livro da
série?
Falando em diferenças entre o
livro e a série, existem algumas que no livro são melhores e outras
que na série são superiores. O fato de Algustão ser solteiro e sem
filhos na série torna a trama mais ágil para ele, no livro ele tem
um casamento fracassado e é pai de duas filhas, só que tanto sua
mulher como suas filhas passam o livro todo no Rio de Janeiro, sendo
apenas mencionadas (e o livro se passa no carnaval...meio caro ir
para o Rio e depois voltar para Salvador) qual a utilidade delas
então? Por outro lado, o livro trás um Augustão que além de tudo
é repórter e escreve pequenos artigos com um pseudônimo se dizendo
correspondente nordestino, que na verdade são engraçadas ou
violentas Fanfics baseadas nos casos que ele desvenda como bico e
essa veia jornalística explica muito mais da personalidade do
personagem do que um desejo obsessivo de procurar a verdade, mas não
a revelar, assim como esclarece seus contatos na busca de informações
sigilosas da polícia e envolvidos.
Augustão
Outra diferença é a
relevância de mãe Marina de Oxun. Entre o livro e a série existe
muita diferença nesse personagem, para começar pela etnia, pois
enquanto na série a personagem é branca (representada por Fabiula
Nascimento), no Livro ela é descrita como uma negra da cor da noite,
o que faz muito mais sentido por se tratar de uma mãe de santo
baiana. Outra diferença é sua personalidade, que no livro é muito
mais sublime e decidida, ignorando mesmo a traição de Sereia com
seu Marido e se colocando acima de muitas questões mundanas, embora
se revele uma mulher normal e comum fadada a paixões e ao amor nos
capítulos finais, o que na série fica muito aquém com seu amargor
transbordando através de olhares lacrimejosos, dúvidas confessadas
a suas ajudantes e o medo que o romance com Paulinho de Jesus trás
no final.
Spoiler
A maior diferença que existe
entre a série e o Livro é o assassino. O que é notados por quem
conhece as duas mídias da obra, pois o assassino do livro não está
na série e vice-versa e tenho que dizer que o assassino da série é
bem mais crível que o do livro. Na série o assassino é o fã
numero um de Sereia, conhecido como "Só love" e seu motivo
é justamente esse amor que ele tanto ostenta, sabe-se depois pela
boca do próprio personagem e se confirma através e laudos médicos,
que Sereia estava em fase terminal de câncer no cérebro e pediu
para que "Só Love" dar fim a seu sofrimento de forma
inesperada e secreta, para que não visse ela morrer sofrendo em uma
cama de hospital e vítima da piedade e boa vontade dos outros. Já
no livro, que aperta o gatilho que da fim a seu sofrimento é um
amigo de Paulinho de Jesus e que, fugindo da cadeia, se abriga no
terreiro de mãe Marina, mudando de nome e de vida, passando a ser
uma especie de faz tudo e filho de santo da mesma e, que ao ajudar a
personagem tema acaba por contar seu passado e se compromete a
ajuda-la para não a ver sofrer, o que não faz muito sentido pelo
caminho que o mesmo resolve tomar quando se abriga no terreiro e como
o autor o descreve, sendo alguém que realmente resolveu mudar.
No entanto, nenhuma das
diferenças entre a Série e o livro diminuem um ao outro, apenas dão
visões diferentes da mesma história e mais possibilidades de
diversão e finais alternativos. Ambas as obras existem e são
competentes no que se propõem sem precisar se apoiar uma na outra e
esse é o grane mérito das duas, tanto a série quanto livro são
duas grandes obras, divertidas e originais que valem a pena ser
visitadas, uma viagem as ruelas antigas de salvador e ao mundo da
industria musical brasileira, com aquele charme de caso de detetives
noir, matéria jornalística e tempero Baiano.
Quem me conhece sabe o quanto
sou fã de distopias. Mundo destruídos pela ignorância, violência
e repressão, tipo... o nosso; talvez venha daí meu gosto pelo
gênero, a realidade por trás da obra, para mim uma distopia bem
apresentada mostra através de alegoria, critica e, por vezes, ironia
o verdadeiro espirito humano, essa coisa maravilhosa, terrível cheia
de facetas, tanto que mesmo depois de ter lido os clássicos e os
Pop's e, assistido a muitos filmes, parece que sempre se pode ir mais
além. E nessa busca por mais me deparei com uma obra inesperada,
vindo das ilhas britânicas no ano de 2015 e cheia do espirito grego,
trata-se de "The Lobster" escrito e dirigido por Yorgos
Lanthimos e estrelado por Colin Farrell e Rachel Weisz, e que me deu
outra visão do que pode ser uma distopia.
A história é a seguinte:
Em um futuro próximo, as
pessoas são proibidas de serem solteiras e, após completarem a
idade apropriada (ou se separar, ou ficar viúvo) são enviadas para
um lugar conhecido apenas como "O hotel", onde durante 45
dias (após deixar clara sua orientação sexual) irão interagir com
outras pessoas na busca de um novo conjugue. Neste lugar, entre um
baile e um passeio no campo, os hospedes são reunidos para ir à
floresta caçar "solitários" (pessoas que fugiram do
sistema e vivem em bando no meio do mato, mas sem um parceiro), cada
solitário capturado dá direito a um dia a mais ao caçador no
Hotel, se esse prazo de dias vencer e o hospede não encontra um
parceiro, ele é transformada em um animal de sua preferência e
solto na natureza.
Nesse mundo somos apresentados
ao protagonista (Colin Farrel), um homem que depois de onze anos de
casado percebe que sua mulher não o ama mais e resolve se hospedar
no Hotel na busca de uma nova parceira. Acompanhado por Bob, seu
irmão, que anos antes não conseguiu encontrar alguém que o
completasse nessa mesma instituição e agora vive seus dias na pele
de um cachorro, o protagonista ficará hospedado no quarto 101 e na
busca de um novo amor, fará "amigos", se apresentará ao
público, participará de bailes e palestras, sairá em caçada na
floresta, verá gente desistindo da vida e mentindo para encontrar
alguém, e no final encontrará o amor que busca entre os solitários
que era obrigado a caçar para obter mais tempo , mas não sem antes
nos apresentar os sutis terrores de uma sociedade que sacrifica a
originalidade e individualidade de seus integrantes.
E aí vale a pena?
A primeira coisa que chamou
minha atenção em "The Lobster" foi a narrativa do filme.
O filme tem um quê de conto literário no melhor estilo Phillip K.
Dick, com a narradora explicando os pensamentos do protagonista, como
Dick fez em certos momentos de "O homem duplo", utilizando
de uma ironia fatalista quase imperceptível, enquanto os personagens
presentes na tela dispõem de momentos de silêncios cheios de
expectativa que explicam mais da realidade onde eles estão inseridos
do que diálogos longos fariam. Por tal motivo, a narração em off,
que em muitos filmes é extremamente criticada, aqui serve como uma
luva,nos mostrando um mundo sínico e desconfortável através do
conhecimento de uma pessoa ( Rachel Weisz ) sobre o ponto de vista de
outra ( Colin Farrell).
A montagem, a fotografia e a
trilha sonora são muito bacanas. O filme segue uma sequência de
acontecimentos onde a boa montagem consegue nos apresentar todo o
contexto de forma competente tapando as lacunas sobre a realidade do
que acontece fora do Hotel, que propositadamente é quase que
ignorada, mas não sem antes permitir pequenos vislumbres que nos
expliquem como a sociedade apresentada funciona. Já a fotografia é
muito bonita, apresentando planos abertos com lindas paisagens
inglesas e closes em detalhes que ajudam a narrativa do filme a não
depender de diálogos para explicar o pensamento dos personagens, ou
até excluindo certas figuras e pessoas do foco para demonstrar sua
irrelevância ou pequenez em relação ao todo, sendo isso tudo ainda
acompanhado por uma trilha sonora que por vezes aditiva a tensão e
ainda reafirma a solidão que aqueles personagens vivenciam, destaque
para a música da primeira caçada que o protagonista participa (Fron
inside Dead (cantada em grego)) e que fala justamente de solidão e
superficialidade, e para a música cantada pela diretora do Hotel e
seu parceiro (something's gotten hold of my heart), que fala sobre se
sentir completo, enquanto os cantores estão visivelmente se sentindo
vazios.
Sobre o protagonista, o
próprio fato de a narração de sua história ser efetuada por uma
pessoa que ele só conhecerá no segundo arco da história fala muito
sobre ele. Sua personalidade parece estar sempre em conflito entre
quem ele é e quem deve ser, como se houvesse em si uma semente de
revolta reprimida por um mundo tão hostil e que exige que tudo seja
tão absolutamente controlado, que essa semente vive latente e se
manifestando em suas dúvidas. Desde o início nos deparamos com o
protagonista questionando e ao mesmo tempo aceitando a vida como ela
é, no ato de cadastro do hotel , ao perguntarem sua preferência
sexual ele opta por heterossexualidade, mas confessa ter tido uma
experiência homossexual na faculdade, o que o faz pensar durante
longos segundos sobre qual deveria aderir; o mesmo caso se faz
presente quando ao passar pela triagem na instalação, uma das
empregadas lhe pergunta o tamanho do sapato , ao que ele responde 44
e meio, o que causa uma nova escolha entre 44 e 45, deixando claro
sua natureza questionadora em uma sociedade onde não há meio
termos e sua tendência de acabar indo ao encontro da maioria. Colin
Farrel está ótimo, claro que parecer um porta sem personalidade não
deve ser difícil, mas ele convence com seus silêncios e olhares,
assim como com sua aparência que foge a do galãzinho que lhe deu
fama. Algo que também parece ocorrer com Rachel Weisz que também
está muito bem no papel, embora não seja tão marcante quanto em "O
jardineiro fiel", mas que consegue fazer com que o espectador se
importe com seu personagem e torça por ele. Uma parte disso se deve
a capacidade da atriz conseguir transmitir doçura e fragilidade, mas
com aquele toque de personalidade través de seu personagem, sem
falar da narração que ela faz, de forma monótona do filme, é muito
engraçada e é perfeita na marcação da história.
Como distopia o filme me
surpreendeu e me apresentou novas possibilidades. Um fato marcante na
história é semelhante ao que acontece no livro "Batle Royale"
deKoushun
Takami, onde
somos jogados dentro da história como se fossemos amigos que chegam
no meio de uma conversa e não entendem todo o assunto, então o fato
é que existe uma série de questões, mas dentro destas somos
apresentados a um caso especifico que nos permite saber apenas poucos
pormenores
relativos
a uma realidade
mais rica e complexa e , isso eu acho muito legal! É o não explicar
e mesmos assim não confundir; há algo maior e terrível, mas não
precisa ser exposto ali, porque não é importante para o contexto
que vamos seguir enquanto a história é contada. No
entanto, a grande distopia se apresenta sempre através de quem a
sofre e nesse filme vemos isso pelo comportamento robótico e
amargurado dos personagens, vítimas de um mundo que os obriga ao
"amor" forçado, talvez para evitar que tenham tempo de
pensar sozinhos sobre os problemas que os cercam, o mais terrível do
filme é ver que o mundo apresentado já está tão cristalizado que
até mesmo quem se rebela contra o sistema, ainda assim é vítima de
suas leis tal qual nosso casal de protagonistas
O
filme
vale muito a pena. Apresenta um novo modelo de distopia, não tão
violenta como um "1984", ou tensa como a presente em "O
homem do castelo alto", mas tão esmagadora como ambas e, só
isso para mim já é 50%, mas
além
disso há uma profundidade delicada no filme, que faz com que nos
coloquemos no lugar daqueles personagens e sintamos o amargor da
imposição e tristeza da solidão, é um filme que nos faz pensar
sobre o mundo onde vivemos,
que exige cada vez mais que façamos parte de algo e ignorar e
excluir quem pensa e age diferente. Por esse mérito, além da parte
técnica, das interpretações e estilo,
considero "The Lobster" um filmaço, que
merece ser assistido e re-assistido, poderia
me estender ainda mais falando sobre os solitários e o plano de sua líder para desestabilizar o sistema, ou sobre os amigos do
protagonista e seus destinos, ou ser mais sacana e falar como o casal
de protagonistas acaba, mas não quero estragar a surpresa de quem ,
assim como eu, gosta do estilo, posso apenas dizer que o filme tem
esse nome, pois é o animal que o protagonista escolheria se tornar
caso não encontrasse alguém, uma Lagosta, pois, segundo ele, as
Lagostas vivem mais de cem anos, permanecem férteis durante toda
vida e tem sangue azul como a aristocracia (ignorando o fato de que
são apreciadas como prato refinado).
Um
filmaço, distopia para valer, com aquela humor negro inglês e um profundo
espirito
Grego recomendadíssimo.