sexta-feira, 4 de março de 2016

"OS 8 ODIADOS" de Tarantino (2016)



Eu não pensei que viveria para dizer isso, mas "Os 8 odiados", o último filme do tarantino foi engolido pelos outros lançamentos da época e esquecido pelo público apenas dois meses depois de sua estréia. A duração exagerada da temporada de blockbusters americanos de 2015, que começou em Abril de 2015, com a estreia de "Vingadores: A era de Ultron" e se estendeu até Fevereiro de 2016 com o lançamento do surpreendente "Deadpool", contribuiu muito para que o filme não tivesse a mesma notoriedade de outras obras do diretor, principalmente pelo fato desse filme estrear no auge da bilheteria de "Star Wars VII". No entanto, o filme está longe de ser ruim e em contribuição a expectativa que ele me causou quando seu primeiro trailer foi lançado, queria falar um pouco sobre esse injustiçado e ignorado filme.

Nas montanhas do Wyoming, uma diligência vence corajosamente a neve, trasendo em seu interior um misterioso casal. Durante a viagem, O.B, o condutor do veículo, se depara com um Cowboy negro sentado sobre três corpos no meio da estrada, seu nome é Marquis Warren, um ex-Major da cavalaria americana, que trabalha como caçador de recompensas e quer uma carona até a cidade de Red Rock, pois seu cavalo não resistiu ao frio extremo e ele deve entregar os corpos dos procurados o quanto antes se quiser pegar o prêmio oferecido; O.B diz que é uma viagem privada e se ele quiser um lugar na diligência, deve convencer quem contratou os seus serviço, e, assim o Major Warren se depara com John Ruth, o Enforcador, outro caçador de recompensas conhecido seu, que está levando Daisy Dormegue, uma condenada para ser enforcada em Red Rock; Ruth permite a carona a Warren e assim os três partem pela estrada congelada. Após alguns problemas a diligencia é obrigada a parar e eles encontram outra figura perdida em meio a neve, trata-se de Chris Mannix, o filho de um general sulista, que diz que ser o novo xerife de Red Rock e que também precisa de uma carona até a cidade, em meio a tanta dúvida e desconfiança, John Ruth permite a carona a mais este andarilho pela possibilidade de ser a verdade e assim sendo Mannix o responsável pelo pagamento da recompensa pela prisioneira. Como uma Tempestade de neve se aproxima, a diligência vai procurar abrigo na casa de Minnie, um paradouro e abrigo aos pés da montanha, chegando lá os quatro personagens (mais o condutor O.B), vão se juntar a outros quatro misteriosas figuras, O vaqueiro John Gage, que diz ter vindo de longe para passar o natal com mãe que mora do outro lado da montanha; O inglês Oswaldo Mobray, que se apresenta como o carrasco que irá enforcar a condenada; O general sulista Sanford Smithers e, O Mexicano BOB, que diz trabalhar no abrigo a quatro meses e que está tomando conta do negócio pois Minie e seu companheiro sairam para vizitar sua mãe. Pronto, apartir de agora e nas próximas duas horas e meia, dentro de uma pequena casa nas montanhas geladas a tensão será esticada ao máximo, duelos de diálogos serão travados, desconfianças surgirão, rixas raciais e políticas emergirão, alianças inesperadas e traições se revelarão para o deleite de muitos e desespero de alguns.


muito ódio
O filme está longe de ser ruim, mas não é um filme excelente. Retoma aquela pegada de tensão, com diálogos longos e sínicos que deram fama ao diretor, mas por vezes, o filme parece um mix de temas e situações já abordadas por Tarantino, e isso dá um ar de mais do mesmo a obra.
Achei bacana o fato do filme priorizar mais o estudo dos personagens, como em "Cães de aluguel", do que a ação e violência que conquistaram muitos fãs para o diretor como "Kill Bill" e "Bastardos Inglórios", tanto que penso que esse filme poderia muito bem se tornar uma peça de teatro, devido a toda trama passar, quase que 90 %, em um único cenário e focar nas histórias e reações dos personagens e no conflito que surge entre os mesmos. Também achei massa a referencia central da trama, que é o filme "enigma de outro mundo" (já comentado aqui) do diretor John Carpenter, várias pessoas isoladas no meio de um lugar distante, castigados pelo frio, em um clima de tensão onde uma, ou mais pessoas, não é quem diz que é ...e o final deixa essa referência clara, além da presença de Kurt Russel, é claro!
O ponto auto realmente é a tenção que a trama traz e a performance dos atores Walton Goggins (Chris Mannix) e Jennifer Jason Leigh (Daisy Domergue), que robam a cena. O ponto baixo é que a história poderia ter uma meia hora a menos, que não faria diferença e a trilha sonora, que sempre foi um traço marcante dos filmes do diretor, retomando clássicos da era disco e Motown, além de trilhas de séries e filmes antigos e que agora aparece muito de fundo, tendo apenas destaque e relevância quando a personagem de Jennifer Jason Leigh canta para o de Kurt Russel; talvez faça parte do contexto de solidão que o ambiente tem a opção da utilização do silêncio e de temas menos animados para compor a experiência, mas eu esperava mais dessa parte musical em um filme do Tarantino.

De qualquer forma, digo que esse não é o pior filme do diretor e digo ainda que esse é o melhor dele com a presença do Kurt Russel, mas está bem abaixo de outras produções que ele já nos apresentou. Gostei da referência a John Carpenter e da atuação de Walton Goggins que achei surpreendente , mas não achei esse retorno suficiente devida expectativa que o lançamento de um filme desse diretor cria no mundo. Em todo caso, "Os oito odiados" é um filme que merece ser visto e espero que ele seja redescoberto assim que essa onda gigantesca de filmes que 2016 promete baixar e que no próximo filme, Tarantino aborde outras situações e temas para voltar a ser marcante seja no inverno, seja no verão americano.



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

ASH vs EVIL DEAD - A série

No ano de 2015 a Netflix se consolidou como produtora, além de distribuidora, de material de qualidade. Entre suas produções originais se destacaram as séries “Demolidor” e “Jessica Jones”, em parceria com a Marvel e integrada a seu universo nos cinemas; “Narcos” com a história do cartel de Medelin sendo estrelada por Wagner Moura, e, “Better Call Saul” o spin-off da cultuada série “Breaking Bad” da AMC. O sucesso das produções da Netflix foi tanto, que boas séries apresentadas por canais convencionais ou produtoras menores foram ofuscadas, entre elas uma que me conquistou pelo humor negro, efeitos visuais que me causaram nostalgia devido à violência crua e irresponsável de saudosas épocas, trata-se de “Ash vs Evil Dead” da Starz, que consegui em fim assistir e que vamos falar um pouco hoje.

ele voltou
"Ash vs Evil dead” dá sequência a trajetória de Ash (não diga) , interpretado por Bruce Campbell, personagem que nos foi apresentado no filme independente “Evil Dead” de 1981 escrito e dirigido pelo grande Sam Raimi. No filme original, Ash vai com sua noiva, um casal de amigos e mais uma colega (segura vela) para uma cabana na floresta, lá eles encontram um livro, o necronomicon (o livro dos mortos) e recitando algumas palavras escritas nesse livro, acabam invocando espíritos malignos que vão possuindo e matando os integrantes desse grupo, sobrando apenas o protagonista, que acaba tendo, além de matar sua noiva e amigos, decepar a mão direita para evitar ser possuído.

A série se passa exatamente 30 anos depois dos acontecimentos do filme. Ash é um sínico e irresponsável vendedor em uma loja de eletrônicos e sua vida parece ter se tornado mais do mesmo, até que em uma noite, no auge de uma cena de sexo no banheiro de um bar, ele tem uma visão de que o mal está voltando e lembra que, em um momento de relaxamento, disperso pelo uso de um cigarro menos ortodoxo e tentando impressionar outra garota que gostava de poesias, ele lera trechos do necronomicon, que tinha guardado em seu trailer, assim o mal desperta e não resta nada a nosso “Herói” do que combatê-lo com a ajuda de dois colegas de trabalho tão problemáticos quanto ele e munido de sua calibre doze, sua mão de motosserra, sua língua ferina e sua total falta de noção.

Ash , Pablo e Kelly
A série é muito divertida. Em primeiro lugar por saciar a nostalgia de uma época menos responsável, onde os heróis eram heróis do acaso e da oportunidade, como um Madmax (o original, não esse que nem sabe falar) ou um John Mclane ( antes do Bruce Willis pirar), as piadas e tiradas de cada episódio flertam com o preconceito, burrice e genialidade (no sense total). Esse espírito nostálgico ainda é reiterado através dos efeitos especiais compostos por efeitos práticos e maquiagem de primeira, além de litros e litros de sangue cenográfico (Além de sangue digital e até real se duvidar), marca registrada das produções independentes de terror (em especial do filme original) e para o nosso prazer, respeitada pela série.

Outro ponto importante é o carisma dos personagens centrais. Começando pelo protagonista vivido por Bruce Campbell, que consegue dar sequência a seu primeiro papel no cinema com muita vitalidade e senso de humor e até (às vezes) charme, suas caretas e respostas rápidas não podem ser ignoradas e suas frases de efeitos não deixam ninguém, com alma, sério por muito tempo; seu colega Pablo, um jovem latino que se vê envolto a acontecimentos que lhe remetem a um passado do qual foge, é o alívio cômico da série, sendo vítima de todo preconceito não intencional do protagonista, mas sendo também o motivador deste último, é ele quem toma para si o papel de cutucar Ash no primeiro capítulo dando início a jornada do herói (ou anti-herói), ele também representa o telespectador sendo quem mais se assusta e se choca com o que acontece durante a jornada; Fechando o time, temos Kelly, outra vendedora que se junta ao grupo depois que sua mãe volta dos mortos possuída por demônios e após um traumático jantar em família, assim ela resolve seguir os dois colegas para dar fim a crescente ameaça que se aproxima, ela é a bad gril, sempre sarcástica, violenta e direta, e, seu “clima” com Pablo acaba por dar um ar quase romântico a dupla (muito mais por parte dele do que do dela). Como grupo, os personagens conseguem alcançar aquela química que faz com que nos preocupemos com seus destinos e a cada episódio, a cada possessão cruzamos os dedos torcendo para que o fatídico destino que persegue quem se aproxima de Ash, não encontre seus dois “pupilos”, foda é que desde o primeiro episódio eles ficam sempre em ameaça, o que dá qualidade ao fator tensão e cagaço em quem se apega aos personagens.
A série ainda me ganhou por dois motivos, a ação e o tempo de cada episódio. Referente à ação, desde o episódio piloto a série mostra a que veio, com muito sangue e momentos de completa catarse, onde vemos o personagem principal decapitando demônios (quem nunca?) onde a direção (que do primeiro episódio é do próprio Sam Raimi) se mostra muito competente com suas câmeras lentas, demônios subindo paredes e porradaria sobrando, o que se soma com suas pequenas, mas não ausentes, doses de tensão e sustos eventuais. Quanto ao tempo, a série consegue ser reduzida sem ser curta em excesso, pode-se dizer que ela é enxuta com seus 25 minutos de episódio, o que a deixa sempre com um gostinho de quero mais.

As vezes é necessário o uso das cuecas marrom
Embora eu tenha achado “Ash vs Evil Dead” uma divertida e bem produzida série, algumas coisas me incomodaram na mesma, a principal foi o furo de roteiro envolvendo a Policial Amanda Fisher. Desde o primeiro episódio a personagem parece ter uma grande importância e ligação com a parte espiritual da trama, pois o primeiro demônio que aparece diz que sabe quem ela é e a cara que a personagem faz é de que há algo escondido, assim como sua caçada à Ash para mostrar que não é louca e solucionar a morte do parceiro e que dá impulso aos primeiros episódios coloca peso na personagem, no entanto ela é descartada nos últimos três episódios de um jeito besta que apaga tudo que aparece no início e deixa quem assiste sem respostas.

Apesar de “Ash vs Evil Dead” ter seus probleminhas, achei ela a melhor série das que vem surgindo baseadas em filmes. Conseguiu manter, além do ator que protagonizava a série de filmes originais dos anos 80, todo o clima da época e o respeito à mitologia meta-lovecraftiana (se é que isso existe) de flerte com o sobrenatural, além do humor no sense e violência sangrenta, típicos dos anos oitenta e de filmes independentes. Suas piadas e tiradas são daquelas de fazer rir sozinho quando nos lembramos no serviço ou na fila do pão e a ação e química dos personagens fazem com que se torça por mais temporadas ( O que é bem possível devido ao final da temporada) . Uma grande dica para quem tiver vinte e cinco minutinhos sobrando e quiser um pouco de diversão sem cabeça no melhor estilo anos oitenta. Go El Jefe !!



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

DEADPOOL (filme 2016)

A vida é um eterno descarrilhamento intercalada por alguns momentos felizes. Essa frase, proferida por Wade Wilson para explicar sua situação, talvez seja a que melhor se enquadre no universo super-heroico que a FOX criou, onde encontramos descarrilhamentos terríveis no nível de "X-men Origens: Wolverine", "X-men: o Confronto final" e os horríveis "quarteto fantástico", mas também grandes momentos felizes, como "X-men: dias de um futuro esquecido" e o maravilhoso e zueiro filme onde Wilson é o protagonista, "Deadpool", que abriu a safra 2016 de filmes de super-heróis (super sim, mas herói nunca) com chave, ou melhor espada de ouro.

O filme é bem fiel aos quadrinhos e seu roteiro central é bem simples, contando a história de Wilson, um ex-militar fanfarrão e tagarela, que trabalha como mercenário e descobre que está com câncer terminal logo após pedir a mulher de seus sonhos em casamento, como último recurso para se salvar ele acaba por aceitar o recrutamento de um grupo misterioso que promete mais do que lhe curar como lhe dar poderes sobre humanos.
Assim Wilson é submetido a experiências para que suas células mutantes se desenvolvam, passando pelas mais diversas forma de tortura para intensificar o processo que é catalisado pela e adrenalina (coisa que nos quadrinhos acabou por prejudicando sua sanidade, sanidade essa que no filme parece ser distorcida de forma inata no personagem), as experiências são um sucesso e o protagonista desenvolve um fator de cura ainda mais eficiente do que o do Wolverine, o tornando virtualmente imortal, sendo capaz desde cicatrização instantânea como crescimento de membros perdidos, no entanto, como efeito colateral, seu rosto e corpo ficam deformados.
Após visualizar o resultado das experiências e ficar ciente de que na verdade o interesse dessa organização é a criação de armas de guerra mutantes e que seu futuro é se tornar um escravo, Wade destrói as instalações de seus "salvadores" e parte na busca do responsável pelas experiências , Francis Ajax, para se vingar e obriga-lo a consertar seu rosto.

Que filmaço! Se eu pudesse dizer apenas duas frases sobre " Deadpool" seriam: "Chupa DC" e "Chupa Marvel". Mas por sorte, se pode falar a vontade nesse terreno democrático e pacífico que é a internets, então vamos apontar tudo que há de bom e também não tão bom, porque nada chega a ser ruim nesse filmaço, que é uma das grandes surpresas do ano (principalmente por ser da FOX) e que abre a temporada com os dois pés na porta.

Não tem como não começar falando da atuação hilária e brilhante de Ryan Reynolds como o famigerado protagonista, não que ele mereça o Osca, como ele mesmo brinca durante o filme e para quem já viu suas comédias sabe que ele está interpretando ele mesmo, mas é que o filme não funcionaria com outro ator. Reynolds, que foi a figura mais atuante na campanha para a realização do filme é o próprio Wilson das HQ's, insano, tagarela, piadista, cínico, ao mesmo tempo que consegue ser assustador e intimidador (como na cena inicial com o entregador de pizza) e até doce (como no momento em que a médica diz que seu personagem está com câncer e o olhar que fita Vanessa (Morena Baccarin) diz tudo sem precisar que o ator emita um som) , suas piadas dão um ar de invencibilidade ao personagem, mas não retiram a tenção de momentos importantes, como quando sua namorada é sequestrada, o cara tá demais e é assim da cena inicial até a cena pós créditos.

melhor Colossus Ever
Outra coisa boa é a direção. Tim Miller dá um show seguindo a ideia presente desde a demo de animação, que foi usada para apresentar o projeto à FOX, e, principalmente, respeitando a mitologia do personagem, coisa que o terrível filme, já mencionado , "X-men Origens: Wolverine" não teve a decência de fazer. Fui procurar mais sobre o diretor, que achei que já era um veterano no cinema, e descobri que antes desse filme ele havia dirigido apenas um curta de animação em 2004 e sido responsável pelas cenas intergalática de "Avatar" e das cenas de abertura de "Thor: O mundo sombrio". Fiquem de olho nesse cara, se a FOX não se meter no trabalho dele prevejo muita coisa legal vindo por aí.

Não posso deixar de falar dos personagens coadjuvantes. O papel dos X-men no filme são de extrema importância e dando oposição aos métodos do protagonista e sendo base para muita de suas piadas, como quando Colossus fala que Wade tem de conversar com o professor Xavier e ele questiona: "Qual Xavier? Patrick Stewart ou Jame Mcavoy? É que fico confuso com essa linha de tempo" (muito bom!). Falando em Colossus, para mim foi a melhor apresentação dos X-men no cinema, Colossus é lento, forte e totalmente fiel ao discurso de Xavier, fato que rende uma piada no final quanto ao fato de ser herói e o que dizer de Negasonic Teenage Warhead ? Que personagem lega! Marrenta, silenciosa, emburrada e quando Colossus diz que ela está em treinamento e depois vemos o uniforme dos novos mutantes, que fantástico. Os amigos de Wilson também são algo marcante, para começar pelo seu brother Fuinha (que aposta em sua morte) e seu duela de piadas com o protagonista, como no momento de se prepararem para última batalha e ele se despedir dizendo "Eu gostaria muito de ir com você, mas é que eu não quero!",ou quando é ameaçado pelos vilões (todos de preto) e dizer: "querem ajuda para procurar roupas não mono cromáticas" e após eles irem embora se despedir falando "Boa sessão noturna de Blade 2"; O relacionamento entre Wilson e a idosa Al (uma senhora cega com quem ele mora) é outra parada cômica, ela passa os dias montando móveis e falando das saudades dos anos 80 e da Cocaína; cômica também é a amizade que surge entre Deadpool e o taxista Dolpinder e suas trocas de conselhos e, por último, mas não menos importante, temos a gatíssima Morena Baccarin como interesse romântico do protagonista e que representa com vontade a sensualidade da mulher brasileira.


O universo, o contexto e as piadas do filme são a cereja do bolo. Se o filme não for o filme de super-herói do ano, certamente será a melhor comédia. É a primeira vez que vejo toda uma sala de cinema rir do inicio ao fim de um filme. O grande truque para isso é a quantidade gigantesca de referências que o filme traz, como a já citada da linha de tempo dos filmes dos X-men, mas também por brincar com toda cultura pop; quando Deadpool chega na mansão Xavier (sim ele vai lá) e Megasonic atende a porta, ele diz: "Nossa! Vejam é Ripley em Alien 3", ou quando Colossus o captura na ponte e Wade tem de decepar a mão, olha para a câmera e diz : " Alguém assistiu a 127 horas?", ou antes disso, quando ele está atacando a organização na ponte e Colossus o atira longe e ele fala que deu uma merda colossal, mas que há maiores e na sequência aparece um bonequinho do Deadpool do filme do Wolverine (que sacanagem!), dentro desse contexto, a melhor sequência para mim é quando ele conhece Vanessa e vai para os finalmentes, então ela pergunta: "Nossa! Quanto tempo você aquenta?" e ele responde "O ano todo!", a partir daí temos cenas dos dois transando durante todas as datas comemorativas do ano, destaque para a Quaresma (muito boa tirada) e o dia da mulher (péssima botada (hahah)). As cenas de ação são muito bem dirigidas e coreografadas, não fugindo em nada do contexto do filme ou da personalidade do herói personagem. Dentre estas a que achei bacana foi a que fecha a parte de ação do filme, com Colossus lutando com Angel Dust ( um MMA mutante) e Deadpool contra o exército da organização (show!).

Outro fator positivo que deve ser lembrado é a trilha sonora. O filme traz clássicos dos anos 80 muito bem aproveitados e que marcam as cenas quando tocam. É o caso da música "Wham!", que fecha o filme e que procurei no youtube e encontrei dezenas de menções ao filme, ou a música do rapper DMX, que dá o tom da ida do herói e seus companheiros ao confronto final e que põe um sorriso maldoso na cara de quem está assistindo, é "Guardiões da Galáxia" fazendo escola.


Achei Deadpool um Filmaço! Já to ansioso pela sequência, como comentada nas cenas pós créditos, que aliás são duas. Esse filme superou minhas expectativa e me fez acreditar que um filme ótimo dos X-men seja possível, talvez sob a direção de Tim Miller. De qualquer jeito, fica aí meus parabéns e obrigado a produção, assim como minha máxima recomendação a esse filme que trouxe um esforço máximo dos envolvidos e tomou lugar como um dos meus cinco filmes preferidos e super-heróis, um momento feliz em meio esse descarrilhamentos e filmes sem graça que aparecem por aí e que com certeza marcou seu lugar no ano de forma sangrenta, cínica, engraçada e surpreendente.


domingo, 7 de fevereiro de 2016

SUPER AMIGOS DA CIÊNCIA

O ano é 1941, os alemães seguem marchando em direção a Leningrado e os japoneses ocuparam Saigon, os bombardeios sobre Londres vêm se intensificando e os Estados Unidos não optaram sobre o que fazer; diante disso o primeiro ministro britânico Winston Churchill resolve voltar no tempo para reunir as maiores mentes da história e, com ajuda destas, combater a ameaça crescente.

Assim surgem os “super amigos da ciência”, grupo composto por Nikola Tesla, o mestre da eletricidade; Taputti, a primeira química do mundo, capaz de produzir perfumes que dominam a mente das pessoas; Charles Darwin, que consegue se transformar em qualquer animal; Marie Curie, que consegue manipular a radiação; O clone de 14 anos de Albert Einsten, que de posse do E=mc² consegue manipular a velocidade, o tempo e espaço; e, Sigmund Freud, que possui o poder de controlar os pensamentos sexuais das pessoas. Juntos essas mentes brilhantes se encarregarão de virar o jogo contra a ameaça nazista, defender suas patentes e pesquisas, e , fazer com que a ciência e a razão prevaleçam na terra... Isso se conseguirem se organizar e para de brigar entre si.


Cara, Que descoberta! Ri de chorar da animação. O jeito como a Tinmam Creative, que produziu e lançou a animação de 15 minutos, utilizou os trabalhos dos cientistas para ser a fonte de seus poderes e suas características como fonte das piadas é brilhante, assim temos um Tesla apaixonado por pombos (Dizem que cientista acreditava que uma pomba branca era a reencarnação de um amor falecido) e dotado de poderes elétricos e um Freud que controla a libido das pessoas, quando cheira cocaína (hilário).


Outro ponto é usar ainda temos atuais para gerar conflito entre os integrantes, como o fato de Freud apontar histerias femininas como origem de problemas e Marie Curie responder a isso com um tapa, ou a aparição do monstro de espaguete quando nossos heróis viajam pelo espaço tempo e o arqui-inimigo de Darwin ser um bispo católico sentado em um dinossauro, é muita zoeira!

Espero que a Tinman Creative produza uma série com pelo menos dez episódios que mantenham a qualidade desse episódio piloto que achei de mais. Consegue unir humor, violência e sarcasmo, com curiosidade de conhecer um pouco mais da vida real desses cientistas; quem sabe uma porta de entrada para leituras mais sérias e conhecimentos mais profundos de história, física e química? Se não isso, pelo menos diversão garantida.

Fica aí minha torcida por mais episódios e o episódio piloto na integra para quem quiser conhecer, dá o play e se diverte.


domingo, 17 de janeiro de 2016

ONE PUNCH MAN

Eu pertenço à geração que cresceu assistindo a rede manchete. Aquele pessoal que corria para frente da TV depois das 18h30min e assistia anime em horário nobre. Bons tempos aqueles de “Cavaleiros do zodíaco” e “Yu-Yu Hakusho”, que foram minha porta de entrada no mundo dos animes e mangás e influência para conhecer títulos mais complexos como os clássicos, “May, a garota sensitiva”, “Gost in the shell “ e “Akira” ou extremamente divertidos, como o recém descoberto “One-Punch-Man”, do roteirista que atende apenas por “One” e ilustrada posteriormente, em forma de remake por Yusuke Murata.

Conheci “One-punch-man” revirando a internet atrás de novidades que fugissem um pouco da mesmice, mas que não se perdessem muito ao tentar se mostrar originais, um paradoxo difícil de satisfazer, mas que foi derrotado com um soco só no primeiro episódio do anime que conta a história de Saitama, um cara normal, que após salvar um menino de um monstro, resolve se tornar um herói por hobby. O problema é que Saitama se torna é extremamente poderoso conseguindo derrotar qualquer inimigo com apenas um soco, o que aos poucos o vai entediando e o tornando indiferente às situações em que se mete.

A história é bem simples e não foge muito das tramas habituais dos animes de ação. Mas se one punch man tem uma característica que consegue transcender sua intenção inicial, é a zoeira. O autor faz uma sátira bem humorada ao estilo exagerado desses mesmos animes e seus heróis e vilões capazes de destruir cidades inteiras com um único golpe, e isso não falta na série, é montanha sendo explodida, prédio sendo derrubado, cidades devastadas e no outro dia... Tudo tranquilo! E, no melhor estilo Tarantino, o desenho não poupa referências, tanto que no primeiro episódio Saitama derrota um vilão idêntico ao Piccolo de Dragon Ball (só que azul) e depois um gigante parecido com os de “Attack on titans” e no sétimo episódio ele ainda chama seu adversário de “Son Goku”, pura zoeira! Sem contar com as frequentes interrupções que o protagonista faz aos discursos de seus adversários, sempre com a frase “por que você fala tanto?” referência gritante aos episódios de blábláblá intermináveis de animes do mesmo gênero
anime x mangá 

Além das referências, ainda podemos destacar todo um questionamento filosófico sobre poder no melhor estilo Alan Moore. O que aconteceria se você pudesse derrotar qualquer adversário com um soco só? Esse é o dilema de Saitama, que não se sente desafiado, surpreso ou com medo, e esse poder, vai fazendo com que ele perca em parte a capacidade de interação com que o cerca, tanto que sua expressão parece sempre de indiferença e seus pensamentos deixam isso claro, como no caso onde ele e Genos (um ciborg que sonha em se tronar discípulo do protagonista) fazem um teste para serem heróis profissionais (pois a única parte de Saitama que ainda interage com o mundo é a vontade de ter um fã clube) e durante a reunião ele está pensando no que fazer para o jantar, ou quando enfrenta o ser mais poderoso da “casa da evolução” e está pensando na liquidação do supermercado, isso me fez lembrar um pouco do Dr.Mahattan de “Watchmem”, que já não via as pessoas que o rodeavam como iguais, perdendo-se em divagações sobre seus interesses particulares, e também do velho e bom superman, que com todo aquele poder, vive tranquilamente entre as pessoas; entre esses dois extremos, eu colocaria Saitama no meio e o elegeria como o mais humano, nem tão indiferente e nem tão presente.


A trama ainda traz mais reflexões ao apresentar uma “associação de heróis”, que aos poucos vai se mostrando um reduto de inveja e egocentrismo, se mostrando opostas as intenções iniciais do protagonista e de seu companheiro Genos. Mas é através dessa associação é que vamos conhecer mais pessoas que buscam fazer a diferença, como o ciclista mumen Rider, ou o mestre de artes marciais Silver Fang, e também onde muitas pontas soltas são deixadas, criando a esperança de mais uma temporada.

Outra questão que ganha pontos absurdos é o carisma dos personagens, em especial do protagonista. Sinceramente é muito chato se deparar com personagens egoístas e só pensam em ser “o mais forte”, e que sempre finalizam o inimigo final... Embora Saitama sempre acabe batendo de frente com o inimigo principal, sua indiferença quanto a situação e vontade de fazer o que é certo fazem com que torçamos por ele e até nos sintamos chateados quando ele se torna alvo da inveja de outros “heróis”. Os personagens periféricos, como Genos, Mumen Rider e até o misterioso ninja “velocidade sonora do som” (que nome é esse!) são outros exemplos que enriquecem a série com humor, ação e momentos edificantes; Genos já aparece como um combatente do mal e que fica tão espantado com os poderes do One Punch Man que se torna seu discípulo e passa episódio atrás de episódios tentando encontrar o segredo da força de Sensei Saitama. Velocidade sonora do som, é um ninja que trabalha como assassino e segurança e se confronta com o protagonista por engano e acaba por encontrar uma motivação e sentido para treinar para vencer a pessoa mais forte que já conheceu, mas é no humilde herói de classe C Mumen Rider que apresenta todo sentido de ser um herói , quando além de aparecer em episódios combatendo sem sucesso oponentes mais poderosos e em um situação de desastre ainda se responsabilizar pelo resgate de sobreviventes, coloca sua vida em risco enfrentando o rei do mar profundo; Mumen Rider é o oposto de Saitama no que se trata em poder e empatia, mas seu complemento no que tange a ser um herói e o modo como o autor nos mostra isso é perfeito.


One Punch Man me trouxe de volta aquela sensação que a falecida rede Manchete me trazia todos os dias as 18:30. Aventura super bem desenhada e de roteiro extremamente engraçado, diversão para todas as idades. Fica agora a torcida para que novas temporadas cheguem em breve, linckando as pontas soltas que ficaram e nos dizendo qual a origem dos poderes de Saitama. Embora eu devesse ter resumido tudo em vinte palavras, tinha muito para falar dessa obra que gostei bastante e digo que “One Punch Man” leva a recomendação máxima desse cara comum que escreve essas resenhas por hobby e que busca sempre fazer a coisa certa.






quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

BLACKSAD - dica de HQ


        Imagine que os detetives durões dos livros de James Ellroy são animais, junte a isso o clima dos filmes noir americanos , charme, jazz, tramas políticas e critica social, o resultado disso é a ótima HQ espanhola "Blacksad", escrita por Juan Diáz Canalles e desenhada por Juanjo Garnido.

"Blacksad" se passa nos Estados Unidos dos anos cinquenta e acompanha a história do detetive particular John Blacksad, que se vê envolto por toda sorte de mistérios envolvendo desde sequestros de crianças até conspirações internacionais durante a guerra fria. Nesse mundo apresentado por Diáz, a aparência antropomórfica do personagem reflete sua personalidade, assim blacksad é um sagaz gato preto, fato que fala tanto sobre sua independência e esperteza, quanto da sorte de quem passa pela sua frente.
capa da 1° edição 

O roteiro remete aos filmes noir clássicos, com ambientes esfumaçados e sensuais, tendo como pano de fundo o glamour da indústria de cinema da época, mas também a questão racial e a guerra fria, as histórias parecem simples e até clichês na primeira olhada, mas conforme as relemos encontramos criticas que parecem fazer forte alusão aos dias atuais onde a opção dos autores por nos apresentar personagens antropomorficos só se reforçar ao não dar um rosto humano a bandidos ou heróis.

O desenho da HQ é maravilhoso. Juanjo Garnido consegue passar todo sentimento dos personagens e suas intenções, tanto pela aparência que escolhe para representar sua personalidade, quanto as expressões que consegue colocar em suas caras, sem contar com as representações de cidades e carros antigos, onde ele não poupa detalhes.

O que me deixou feliz em ler "Blacksad" foi a harmonia entre a história e o desenho, assim como a estabilidade da obra. É um pouco triste de se ver histórias super bem escritas mas com um desenho meia boca (como as primeiras do Hellblazer), ou desenhos lindos em histórias vazias (como em Shaolin Cowboy), coisa que não ocorre em "Blacksad", as três edições que li se mantem com qualidade constante, fato importante para quem aprecia HQ; Além disso cada edição traz uma história fechada como se fossem contos, o que facilita e prende o leitor.

"Blacksad" traz uma arte sensacional e um roteiro que trata de mistério, solidão, amizade e violência de uma forma bem competente e, além de tudo, conseguiu humanizar, para mim, os personagens durões de livros como "L.A cidade proibida" e fez isso usando animais no lugar de seres humanos, mostra de genialidade. Por tudo isso, eu não poderia deixar de indicar essa obra, que me surpreendeu e divertiu bastante, uma ótima dica para quem curte filmes antigos e histórias de detetive, assim como para quem quer sair um pouco do eixo EUA- Inglaterra de HQ. Vale muito a pena.

Fica a dica.



sábado, 9 de janeiro de 2016

O PLANETA DOS MACACOS (O livro)

Se eu perguntar sobre o planeta dos macacos, um grande número de pessoas vai citar a cena de Charlton Heston gritando “seus maníacos”, ao se deparar com a estátua da liberdade atolada em uma praia, no final do filme dos anos sessenta, outros, mais jovens, vão falar dos dois últimos filmes, que foram surpreendentemente bons e contar sobre a jornada heroica do chipanzé Cesar, e, existirão ainda os que se lembrarão do terrível filme do Tim Burton, com seu clima sombrio e pouco sentido. Mas, o que eu duvido é que metade de quem se lembra desses filmes, saiba que o roteiro de “O planeta dos macacos” foi baseado em um livro homônimo de ficção científica francesa.

O livro “O planeta dos macacos”, foi lançado em 1963, pelo escritor francês Pierre Boulle, que já tinha em seu currículo “A ponte do rio Kwai” outro livro que veio a se tornar um clássico do cinema e pelo qual ele ganhara um Oscar pelo roteiro. “O planeta dos macacos” conta a história de Ulisse Mérou, um repórter francês que no ano de 2500 é convidado por um ilustre cientista à ser um dos três membros de uma expedição espacial até uma distante estrela. Viajando quase a velocidade da Luz, os tripulantes atravessam o universo ao encontro da estrela Betelgeuse e do sistema que a tem como centro; um desses planetas, cujos níveis de oxigênio, presença de água e clima são idênticos ao da terra, se apresenta convidativo a tripulação, que o batiza de Soror e parte em sua direção. No entanto, os três tripulantes desconhecem que nesse planeta exista vida, incluindo uma raça idêntica a humana, mas que não passam de animais selvagens controlados por instinto e que servem de caça, animais de estimação e cobaias para a verdadeira  raça dominante, os macacos.

Cornellius, Zira e Mérou
O que eu achei bacana do livro é que o conceito presente é tão amplo que consegue ter trechos reconhecidos em todos os filmes acima citados. Obviamente o que tem um esboço mais parecido é o clássico de 1968, com a ideia de viagem espacial e a presença do casal de chipanzés cientistas Zira e Cornélius, assim como do pedante orangotango Zeius; O plot twist do final também remete ao livro com uma carga semelhante de desesperança, embora sejam bem diferentes entre si. Lendo o livro retirei grande parte do crédito que eu havia dado aos roteiristas do filme “Planeta dos macacos: A origem”, pois entendi que o que fizeram no filme foi apenas colocar o chipanzé Cesar na mesma situação de Ulisse Mérou no livro, a de ser um animal que pensa e que busca a principio ser reconhecido como um igual e, depois de se deparar com as barbaridades da raça dominante, resolve se tornar o agente libertador de seus iguais, fato em que Cesar é infinitamente mais bem sucedido do que Ulisse. Até o final aleatório do filme de Tim Burton ficou mais claro para mim ao ler o livro, embora que sua realização ainda continue a não fazer sentido.

Não precisava né Tim Burtom
Outra coisa que gostei foi pequena a sátira da nossa sociedade apresentada pelo autor nas entre linhas. A sociedade macaca (acho o termo muito engraçado) se divide em três grandes grupos, os Gorilas, que conforme o protagonista vem a descobrir através de pesquisa, foram os grandes líderes de um passado onde a força imperava, mas que passaram a dominar através da capacidade administrativa e política; Os pedantes e orgulhosos orangotangos, que são considerados a personificação da ciência e conhecimento, sendo responsáveis pela escrita dos livros didáticos, presidindo os conselhos científicos e estabelecimentos de ensino; e, os chipanzés, que são tratados como uma classe menor pelas outras duas, mas que se apresentam no livro como cientistas menos presos a dogmas e de emoções mais genuinamente humanas.



Através as três classes de macacos o autor parece colocar um espelho na frente da raça humana e expor suas lideranças como que agindo de forma a macaquear as gerações que a precederam evoluindo muito a custo. Com essa sátira o autor parece sinalizar uma defesa do direito dos animais (nos anos sessenta!!), invertendo o papel de poder e de descarte das cobaias usadas em estudos, fato que parece claro no longo relato que Pierre Boulle faz das experiências em humanos, além disso, o livro também parece sinalizar sobre o preconceito racial e social ao mostrar as três famílias de símios se menosprezando entre si para se acreditar superior cada uma a seu modo; mas talvez essa última observação pertença apenas a mim e nada tenha passado pela cabeça de Pierre Boulle, pelo fato de o livro ser fruto de seu tempo e como tal carregar em si seus preconceitos não intencionais.


ao meu sinal
Gostei do livro. Achei as duas surpresas do final bem tristes para quem esperava um fechamento edificante para o protagonista, mas é um plot twist bem legal e enriquece o livro. A leitura é fácil e divertida, embora por vezes pareça rebuscada demais para ser narrada por um cara do ano 2500, os últimos capítulos onde o autor tenta dar uma explicação sobre o porquê daquela troca de papéis entre humanos e macacos, utilizando uma humana que tem acesso as lembranças com inconsciente coletivo é demais. Em resumo, “O planeta dos macacos” é uma ótima leitura para quem quer relaxar e se divertir e, essencial para quem gosta de ficção científica, recomendo além de ler o livro assistir o filme de 1968 e o reboot de 2011 e verificar as semelhanças e diferenças entre as obras. Aproveita antes que os símios tomem conta de tudo... SEUS MANÍACOSSSS !!!