quinta-feira, 24 de setembro de 2015

BLACK MIRROR - Mas que baita série !

   O inicio do século XXI nasciam as ferramentas que se desenvolveriam e conectariam nos dias de hoje todo o planeta, aproximando quem está longe, proporcionando conhecimento, mas não permitindo que nada mais seja restrito e secreto. A cada minuto milhares e milhares de vídeos, fotos e pensamentos são compartilhados em rede para que qualquer um veja, tornando a vida de todos pública por menos que estes queiram e criando um fenômeno de influência cíclica entre a vida real e virtual cada vez mais forte. Pois jogando essa influência da tecnologia na enésima potência e imaginando o que isso poderia influenciar no cotidiano das pessoas, que nasceu “BLACK MIRROR”, série criado por Charlie Brooker e transmitida pela emissora canal 4 da Inglaterra.

   Black Mirror estreou em 2011 na Inglaterra e conta até agora com duas temporadas que somam sete episódios; o nome da série (espelho negro) faz referência direta aos visores de computador, smartphones e TV's tão presentes e influentes em nosso dia a dia; Seu formato retoma o estilo de histórias curtas como “Além da imaginação” e “contos da cripta”, onde cada episódio conta uma história única , separadas no tempo e realidade das demais histórias contadas nos outros episódios e sempre com um elenco e diretores diferentes, como se fossem filmes de uma hora.
   Descobri a série através do Anticast e resolvi conferir, e, para a minha surpresa a série é muito boa. Não chegou a ser amor a primeira vista, na verdade achei o episódio piloto meio fraco , não que ele seja ruim, sua realização e ideia são muito legais, mas por girar em torno de uma figura que é muito distante da minha realidade ( o primeiro episódio tem por protagonista o primeiro ministro inglês) não consegui a empatia necessária para me prender na história, o que foi corrigido logo a seguir quando escolhi dois episódios aleatórios (já que são histórias individuais) e assisti o terceiro episódio da primeira temporada e o segundo da segunda e fiquei embasbacado.
   A primeira coisa que me prendeu na série é o ótimo clima ficção científica e o fato de não explicar nada, respeitando a inteligência de quem assiste. As coisas vão acontecendo e se explicando sem pressa, sem narrador em off ou aquelas conversas bobas do tipo : “olha meu braço é biônico,pois graças aos avanços da tecnologia do ano 2072...”; Não! Em Black Mirror o episódio começa e caímos de paraquedas no universo que é apresentado sem saber o que está acontecendo e para onde vamos e isso nos dias de hoje, onde tudo é explicadinho, é ouro. Outro fato, e que tem totalmente a ver com a boa ficção científica, é que a série trata de pessoas, tendo todas situações decorrentes de problemas ou de inovação tecnológica como pano de fundo que impulsionam a trama e não como estrelas da série e isso torna tudo (ou quase tudo) que ocorre em cada episódio muito crível e só posso dar exemplo disso falando um pouco sobre os dois episódio que gostei mais.  

Urso branco
O episódio que me causou mais impacto foi “Urso Branco”, dirigida pelo criador da série, que é o segundo da segunda temporada. Nesse episódio uma mulher acorda sem memória em um quarto, de frente para uma tela com um símbolo que parece uma daquela naves dos joguinhos clássicos do Atari, ela vai gritando por ajuda em uma casa que não sabe se é sua e se depara com uma foto sua com um homem e uma pequena foto 3x4 de uma menina, então ela começa a ter flashs de memória com o homem e a menina e percebe logo a seguir que está sendo filmada por todos os lados por pessoas que transitam nas ruas ou ficam nas sacadas das casas, mas ninguém interage com ela, ao mesmo tempo, surge uma figura mascarada portando uma espingarda e parte atrás dela atirando , as pessoas começam a se aproximar filmando sem se meter na perseguição, em um clima que lembra o caso de Kitty Genevese, presente na hq do Wachtmen então ela encontra um posto de combustível onde um casal (que age normalmente) explica para ela que um sinal zumbificou as pessoas e a maioria se tornou um expectador, filmando e fotografando tudo sem interagir com nada, enquanto um grupo de pessoas que não foram atingidas pelo sinal resolveu criar o caos e caçar as outras, sendo a única opção procurar a origem do sinal, chamado urso branco, e destruí-lo. O clima é de uma distopia e a falta de memória da protagonista te coloca no mesmo nível dela, mas não dá para se enganar, em Black Mirror nada é tão óbvio, não há heróis e nada fica como começa, o final desse episódio é um tapa na cara e garanto que até os créditos serão apreciados.

Reveja o que aconteceu
   Outro episódio que tem todo aquele gosto de ficção científica bem escrita é o chamado “A história inteira de você”, dirigida por Jesse Armstrong. Nesse episódio, que parece se situar a algumas décadas no futuro, as pessoas possuem um implante atrás da orelha que lhes dá acesso a um back up de memória automático que possibilita rever suas memória recentes e distantes , com a possibilidade de zoom, leitura labial e foco em detalhes, sendo possível ver internamente (em sua própria mente) ou compartilhada ( aparecendo em TV's para que todas analisem) e também possui um assistente automatizado que diz as condições mentais e físicas do usuário, nessa realidade somos apresentados ao protagonista, um advogado que volta de um trinamento e encontra sua esposa em uma festa com os ex-colegas da faculdade e acaba desconfiando das atitudes da esposa com um desses ex-colegas , surge aí uma busca atras da verdade desse possível relacionamento em um mundo onde as memórias podem ser vistas e a possibilidade de mentir é quase nula, deixando a pergunta: “o que pode ser feito quando não se pode mentir ou esquecer?”. Simplesmente fantástico!

    Balck Mirror, foi para mim, o maior achado desses últimos tempos, ficção científica sutil e de qualidade. A Netflix, que não é boba e nem nada e vem crescendo no universo das séries, apresentando maravilhas como “Demolidor” e “Narcos”, já mostrou interesse em produzir mais temporadas da série e quem sabe ainda em 2016 nos presenteie com novas histórias. Enquanto esses novos episódios não saem, eu digo que vale muito a pena conferir os sete que estão ai dando sopa nas internets da vida esse espelho negro nosso de cada dia.


quinta-feira, 27 de agosto de 2015

O SENHOR DAS MOSCAS (1963) - zerocult #2

   Um grupo de sobreviventes de um acidente aéreo se vê isolado em uma ilha deserta tendo de lutar para sobreviver e na ausência de um poder que monitore seus atos, o lado mais selvagem de suas personalidades vai se mostrando, a razão vai sendo deixada de lado e a força e a selvageria vão dominando o grupo. Não! Não estamos falando de “Lost” , mas sim de um clássico de 1963 , “ O senhor das moscas”, dirigido por Peter Brook e adaptado do livro Homônimo de Willian Golding.
   O filme gira em torno da cisão entre esses sobreviventes em dois grupos, que começa com a apresentação dos personagens da trama. De um lado temos Ralph, que é escolhido como líder pelo voto dos sobreviventes e com a ajuda de seu colega “Porquinho”, cria leis para manter a ordem, como a obrigação de segurar uma concha para poder ter a palavra em assembléia e organização de um grupo para manter uma fogueira acesa para chamar a atenção de possíveis viajantes que passem próximo a ilha e possam resgata-los, ele é comedido e sensato e busca manter a sanidade e união do grupo; do outro lado temos Jack, líder do coral,que é arrogante e confiante,e, que aos poucos vai se destacando ao organizar os meninos do coro como caçadores, se tornando responsável pela alimentação do bando e dominando o grupo pela força. Além dos dois garotos que vão liderar cada facção, o filme ainda aprofunda dois dos personagens, ambos pertencentes ao grupo de Ralph, um deles é “porquinho”, que como comentado anteriormente ajuda Ralph na organização das regras da ilha e é a razão dentro da história, em nenhum momento ele se deixa levar pela selvageria ou anarquia que vai dominando seus colegas e sofre tanto por se manter fiel a seus valores, quanto por não se enquadrar nos padrões ditados por quem vai dominando a situação; o outro personagem é Simon, um dissidente do coral, que nos é apresentado desmaiando logo no inicio, indicando a falta de empatia pela “fraqueza” que os futuros caçadores já possuíam, ele é o tímido que não reage mas não teme, ele é a coragem discreta que paga o preço por ser diferente. Quanto ao grupo de Jack, o diretor faz questão de mostra-los como selvagens ou animais, tanto que quase não há falas destes, apenas gritos, momentos de caçadas e danças, podendo-se dizer que o grupo de Jack representa o caos mais primitivo da raça humana e que aflora sempre que não existem amarras sociais.
    Conforme os dias vão passando e as dificuldades aparecendo, o grupo vai se polarizando e esse fato é intensificado com o possível aparecimento de um monstro na ilha. A presença desse “monstro” é fator determinante para a derrocada da razão na sociedade que se forma, pois grande parte dos garotos parte para o lado de Jack por entender que apenas os caçadores são capazes de protege-los e assim o grupo de caçadores começa a desenvolver uma espécie de religião, onde a cabeça de suas caças torna-se uma oferenda ao monstro em troca de proteção. Dessa forma o poder chega as mãos de Jack através de dois pilares: A força e a religião. Essa parte da história é o ponto alto do que o autor parece querer mostrar com a máxima “O homem é lobo do homem.”, quando a força e a religião tomam o mesmo lado do poder, não há mas sensatez que possa chamar o grupo de meninos à razão e nesse momento que temos as duas vozes racionais do filme silenciadas , Simon e Porquinho, o primeiro por poder desmascarar o que se passa por trás do monstro e o segundo por confiar na razão de quem já havia sido dominado pela selvageria.
 
Porquinho e Ralph
 Ralph acaba só, ilustrando a opinião diferente que mesmo correta é perseguida em meio a involução proporcionada pelo estado de selvageria e medo da força e legitimado pela religião extrema. Podemos chamar de medo, porque vemos alguns dos meninos ainda conversando escondido com Ralph e explicando os planos de Jack, que já havia deixado uma vara afiada em duas pontas para quando o encontrasse , mas incapazes de se levantarem contra o novo líder que distribui castigos e ameaças àqueles que o desobedecem. Assim a perseguição a Ralph se intensifica culminando com o incêndio da parte da floresta onde ele se encontra e o fazendo fugir para a praia sendo perseguido pelos caçadores, o que acaba fazendo com que eles se deparem com marinheiros que ficam atônitos com a situação dos meninos, transmitindo assim o olhar da razão e sociedade e temos um close no rosto de Jack entendendo o que fez ao ter esse choque com a realidade de adultos chegando na ilha e terminamos o filme com as lágrimas de Ralph.

    O quê falar desse filme? É simplesmente um filmaço, feito em uma época em que o cinema não tratava o espectador como um imbecil e livre do politicamente correto. Há bulling com o coitado do Porquinho (até mesmo por parte de Ralph), assassinato de crianças e selvageria. O filme é um conto que ilustra um fato que sempre esteve presente em todas as sociedades que é o domínio pela força, seja esta física, religiosa ou psicológica, além de nos apresentar o processo de quebra das convenções sociais e desobediência as regras mais cristalizadas da sociedade nos momentos extremos e que se torna único por fazer isso utilizando crianças, que teoricamente, seriam as pessoas menos inclinadas para esse tipo de comportamento; além disso ainda nos coloca para refletir sobre liderança e poder.
   A direção de Peter Brook tem aquele toque clássico do final dos anos cinquenta, passando ao expectador uma tensão que 
Jack e seus caçadores
cresce aos poucos e que se torna constante no final do filme. A direção de fotografia é bem marcante, trabalhando com foco nos olhos dos personagens ou planos de seus rostos para deixar claro seus entendimentos sobre a situação, fato que é bem eficiente devido a boa atuação dos atores mirins.
    O filme conta com cenas memoráveis, como o discurso de porquinho apelando pelo retorno à razão dos colegas e os questionando sobre qual tipo de líder eles prefeririam, um sensato ou um selvagem, o que lhe é respondido de forma derradeira. Também quando um dos gêmeos mais jovens conta como foi seu encontro com o “monstro” e quando Ralph, vendo que seu poder de líder vai se diluindo, se recusa a chamar os dissidentes para não deixar claro aos outros que o grupo está se dividindo.

Como já dito antes, é um filmaço que coloca varias questões para se pensar. Tornou-se um clássico para mim em seus primeiros dez minutos e merece ser visto por todos, principalmente em dias como os de hoje, onde MAIS DO QUE NUNCA , o homem é o lobo do homem.

Quem quiser ver On-line, segue link

http://www.filmotecaonline.com.br/2015/01/o-senhor-das-moscas-lord-of-flies.html

sábado, 22 de agosto de 2015

Geração Sherlock

 Quando eu era adolescente li “um estudo em vermelho”, a primeira história do Sherlock Holmes e me diverti muito com a descrição que Sir Arthur Conan Doyle, através da boca do Dr Watson, fazia do detetive. Segundo ele, Sherlock era totalmente focado em sua ciência, sabendo tudo sobre plantas, em especial as venenosas, era tão hábil que desenvolveu um teste sanguíneo para identificar criminosos (isso no século 19), estudava a mente de bandidos para traçar paralelos, estudava os tipos de terrenos e disfarces , em resumo era um gênio de sua área e um profissional extremamente produtivo e eficaz (exceto no livro do Jô Soares, diga-se de passagem).
Nem tão competente, nem tão genial

 No entanto, conforme a história avançava e se multiplicava em outros contos eu ia observando que aquele foco extremo pelo trabalho ia se transformando em obsessão e essa em frustração, a ponto do maior detetive da literatura inglesa só conseguir relaxar através do uso de drogas, sacrificando sua vida pessoal e até sua higiene (pelo que se entende do filme do Guy Ritchie) e eu pensava: “Se fosse na vida real, esse cara morreria de infarto ou de um AVC em menos de um ano, tamanho stress que ele se cerca .”
Cool e só

  Mal sabia eu que o padrão de pessoa produtiva, mais de vinte anos após eu ler o livro, seria o padrão Sherlock Holmes, onde a sociedade cobra um foco total em algo que a gente faz, ignorando ou ridicularizando qualquer válvula de escape, qualquer momento a parte, e, assim as pessoas, frustradas e pressionadas pela obrigação social de nunca sair do personagem produtivo e genial, vão buscando em derivados de valium, prozacs e seus semelhantes, drogas menos exóticas do que as usados pelo famoso detetive, o alívio que, simplesmente ser quem são as daria. E essa falta de liberdade e certeza de uma obrigação desumana vai se apresentando a uma geração inteira como a queda d'água onde Sherlock encontrou o seu fim, nos puxando para baixo e nos fazendo desaparecer na escuridão e ruido de quem nos coloca com últimos dentre seus interesses.
Cachimbo da paz


sábado, 1 de agosto de 2015

HOMEM-FORMIGA

  Quando a Marvel estúdios anunciou que faria um filme solo do Homem-formiga eu torci o nariz, afinal, um personagem extremamente pequeno (entendeu?!) dentro do universo Marvel não deveria estrear como protagonista de um filme, ainda mais sendo esse filme o responsável por fechar a segunda fase do projeto Marvel nos cinemas e ainda por cima logo após vingadores 2 ! Mas, assim como com “Os guardiões da Galáxia” eu queimei minha língua.
  O filme conta a história de Scott Lang ( o segundo homem-formiga dos quadrinhos) interpretado por Paul Rudd, um ex-presidiário que depois de cumprir sua pena por violar uma empresa tida como uma das mais seguras do mundo, volta as ruas tentando recomeçar de maneira honesta mas sofre com a dificuldade de conseguir um emprego devido a ficha suja e com a tentação dos amigos (Luis, Dave e Kurt) em dar um grande golpe.
Melhor Poster
  Depois de perder o único emprego que consegue em uma sorveteria e ser esculachado na casa da ex-mulher quando vai visitar a filha, ele decide aceitar a ideia dos amigos e invadir a mansão de um misterioso milionário onde supostamente haveria um cofre com uma grande fortuna, sem imaginar que tudo fazia parte de um teste orquestrado por Hank Pyn (O homem-formiga original) interpretado por Michael Douglas , que busca um substituto para invadir a Cross Tecnologia, empresa presidida por Darrem Cross, seu antigo assistente e aluno que trouxe à tona o projeto de encolhimento através do protótipo de guerra chamado de jaqueta amarela, o que vinha a muito sendo mantido em sigilo por Pyn, que sempre temeu que seu projeto acabasse caindo em mãos erradas e que conta com sua filha, Hope Van Dyne (Evangeline Lilly), que espiona a Cross Tecnologia enquanto trabalha como executiva de Darrem Cross.
  Scott encontra no cofre o uniforme de Pyn e o experimentando passa por mais um teste, sendo que depois do mesmo resolve devolver o traje e acaba preso; mas Hank Pyn resolve dar mais uma chance ao protagonista e junto com sua filha resolvem trina-lo para que se torne o Homem-formiga e frustre os planos de Darrem Cross.
  Só escrevo sobre filmes se eles me agradam ou desagradam de alguma maneira e nesse caso o que posso dizer é que Homem-Formiga me agradou pela surpresa, a começar pela introdução do filme que é de tirar o chapéu, não por alguma cena explosiva ou algo parecido, mas pela utilização dos efeitos especiais e ligação que faz entre o filme e o universo Marvel nos cinemas. Nessa cena temos um Michael Douglas rejuvenescido trinta anos graças à maquiagem digital, o efeito é tão bom que dá para pensar que realmente é o filho do ator e em cinco minutos somos apresentados a personalidade explosiva do Dr Hank Pyn e os tramites de uma S.H.I.E.L.D comandada pela agente Carter e Howard Stark e que vive a paranoia da guerra fria.
 
 Outro fator positivo é o estilo comédia de ação que virou regra da Marvel após o sucesso de “Guardiões da Galáxia”, ao contrário de em “Vingadores 2” onde nem sempre as piadas funcionam, por estarem presentes em situações que deveriam ser tratadas com um pouco mais de seriedade, em “homem-formiga” as piadas parecem mais naturais, talvez pelo fato de o próprio protagonista não levar a sério seu alter ego de super-herói e também pelo elenco de apoio, como rapper T.I que faz participação como Dave um dos amigos pilantras do protagonista e consegue arrancar algumas risadas do espectador, mas o destaque é Michael Peña, que interpreta Luis ,o amigo e ex-colega de cadeia de Scott Lang; é através dele que as tramas mais absurdas são reveladas aos herói no melhor estilo “no sense” com a narração em off de cada detalhe de como surgem suas ideias, acompanhadas de interpretações literais do que o personagem fala, é hilário!
  As cenas de ação são muito bem construídas, como quando o protagonista se vê obrigado a invadir o QG dos Vingadores acreditando que se tratava de um velho depósito das industrias Stark e se diante do Falcão(Anthony Mackie) e parte para pancadaria vencendo o vingador graças ao uso de seu traje, ou quando no ato final temos o embate do homem-formiga com o Jaqueta amarela e os vemos lutar dentro de uma mala e depois em um ferrorama , quando magistralmente o diretor muda a referência ótica da cena para nos divertir com um jogo de proporção .
  Não gostei do vilão. Suas motivações são pouco claras, por vezes ele parece uma criança mimada brava com o pai, por outras uma caricata mente diabólica no pior estilo de filme dos anos cinquenta; Durante o filme algumas dicas são dadas para tentar explicar essa insanidade por parte de Darrem Cross, afirmando que sua exposição as “particulas Pyn” (formula do encolhimento) é o que o deixou insano, o que faz questionar por que apenas ele parece afetado?! A interpretação da Evangeline Lilly como a Vespa (sim! A cena pós crédito deixa isso claro) não me agradou muito também, ela parece orgulhosa e prepotente demais, até quando não está fingindo para iludir Cross e por vezes ela me pareceu desconfortável no papel, mas embora esses dois personagens quebrem um pouquinho a mágica, isso não prejudica o filme em si. Outro ponto negativo é a trilha sonora quase inexistente, se não fosse o mambo ou salsa que sobe na hora que o simbolo da Marvel aparece, eu diria que não há música no filme e isso quebra um pouco a empatia e grandiosidade em que uma musiquinha poderia dar uma turbinada.
Achei o vilão pequeno
  Achei que homem-formiga fechou bem a segunda fase da Marvel nos cinemas. Talvez a estranheza que ele tenha causado e o fato de não alcançar o sucesso financeiro pensado pelo estúdio se deva não a qualidade do filme (que ao meu ver é muito boa), mas ao universo em que ele está inserido e o que esse universo vem proporcionando ao público. Só para lembrar , o universo Marvel foi iniciado em 2008, ou seja , já são sete anos construindo histórias interligadas onde se tem no mínimo dois filmes de super-heróis por ano e a inclusão de novos heróis com suas histórias de origem podem parecer mais do mesmo para o grande público, mas acima disso, homem-formiga é uma grande filme de origem e o coloco apenas abaixo de Homem de Ferro e Guardiões da Galáxia nesse quesito. Fica agora a expectativa pela guerra civil e Dr Estranho em 2016, assim como as séries da Netflix pertencentes ao mesmo universo e que eu continue a queimar a língua quando um projeto que parece meio bobo for anunciado....mas acho que um filme do Speedball já seria um pouco de desespero, mas se lançassem, eu estaria lá para ver.











quinta-feira, 16 de julho de 2015

A SEGUNDA PÁTRIA - O romance histórico distópico retro brasileiro

   De dois anos para cá eu só tenho lido ficção científica, distopias e contos de terror. Em parte talvez por entender que esses estilos sejam os mais próximos da realidade do que qualquer outro, afinal, assistindo aos jornais que só nos mostram o lado terrível e auto destrutivo do ser humano e sua busca por tecnologias que diminuam o esforço, Asimov , George Orwell e Stephen King me parecem mais verdadeiros do que Machado de Assis e Jorge Amado. Outro motivo é por sentir mais prazer nas desventuras fantásticas e imaginativas dos autores citados acima do que nas ensossas histórias de rotina auto piedosa dos livros “realistas” modernos, que são quase como um diário do autor. Foi através da busca por outros livros dessa minha linha preferida de história que descobri “A segunda pátria”, de Miguel Sanches Neto, lançado esse ano, e me surpreendi com um livro envolvente, divertido e terrível. 
    Inclui o livro na categoria "romance histórico distópico retro", pois reconta reconta a história do Brasil do final dos anos trinta e começo dos quarenta em um universo onde ao invés de se alinhar aos aliados, o país houvesse tomado outro rumo e firmado um acordo de ajuda mútua com o estado Nazista. Essa história, que se passa nos estados do sul do país, em maior parte em Blumenau e Porto Alegre, nos é apresentada pela ótica de dois personagens, Adolfo Ventura, um engenheiro negro que trabalha na prefeitura da cidade catarinense e vê sua vida ser destruída a medida que as ideias nazista vão dominando a colônia (RS, SC e PR) e, Hertha, considerada a mais bela ariana da colônia e que é incumbida de realizar uma tarefa que se pode descrever como pouco ortodoxa para a Gestapo e que marca seu destino para sempre.
    O livro se divide em quatro capítulos sendo o primeiro e o último destinado a Adolfo Ventura e seus circulo de familiares (Mãe, pai e Filho) e os dois do meio explorando Hertha e suas desventuras. No primeiro capítulo, que se passa em 1941, vemos uma sociedade firme em preconceito e perseguição, com ideias nazistas cristalizadas na cabeça de grande parte dos descendentes de europeus onde vemos Adolfo tentando fugir das multidões com seu filho mestiço e vendo seu espaço na sociedade sendo minado ao ponto de ao final acabar sendo tratado como um animal. O segundo Capítulo , que se passa em 1938, retrocede para esse período para nos mostrar uma Hertha Jovem e insaciável que beira de uma personagem de Jorge Amado pelo desejo e sensualidade que insinua, nesse capítulo , que se passa em porto alegre, o crescimento do fanatismo e a indiferença do governo brasileiro indicam o rumo que o país tomará a seguir, o que a visita de Hitler a Porto Alegre, marca como ponto de partida. Os outros dois capítulos colhem o que os dois primeiros plantam, entregando ao leitor toda dor e desperança que, não só, uma teoria de superioridade causa na sociedade mestiça por nascença pode sofrer como que qualquer guerra pode causar.
  A profundidade que o autor dá aos personagens, mesmo os que possuem uma participação mínima, faz com que eles se desenhem quase como reais na cabeça do leitor. Adolfo Ventura é o negro que não se enxerga como tal e que ignora a diferença que os outros o atribuem, como ele mesmo diz "eu não me via como diferente" e para encontrar a si mesmo ele tem de passar por uma odisseia terrível, que o colocará frente a frente com seu lado ancestral e selvagem; ao redor dele temos principalmente sua mãe ,que é a expressão da força e coragem de mãe, que vence os medos e limitações pelo amor ao filho e neto, temos também seus colegas de "campo de isolamento",que expressam mais organização e razão do que os nazistas que os tratam como animais, sem, no entanto serem perfeitos. Nos que rodeiam Hertha temos seu tio Karl, que embora simpatize com o nazismo no inicio, entende que a mestiçagem é o que define no Brasil e não vê nada de ruim nisso ao final, se colocando quase que publicamente contra o fanatismo , é dele que sai a analogia mais bacana do livro ao se falar dessa mestiçagem tão citada, quando ao conversar com a sobrinha, próximo a uma floresta de eucaliptos plantados de forma organizada , expressa sua tristeza, ao perceber que quando chegará ao país havia odiado as misturas de árvores que aqui dominavam as florestas, todas se interlaçando e se misturando e que agora entendia que a organização militar e uniforme daqueles eucaliptos e que estavam no lugar errado. O livro ainda dá voz a personagens históricos ,como o presidente Getúlio Vargas e seu guarda costas Gregório Fortunato (que tem uma participação foda!) , Oswaldo Aranha , Hitler e Gobels, em participações extremamente verossímeis.
   Gostei de mais do livro! Ele tem uma pegada parecida com "O homem do castelo Alto" de Philip K. Dick, em uma história do tipo "o que aconteceria se...?", mas em " A segunda pátria" o fanatismo e destruição da sociedade estão muito mais gritantes e a história segue uma linha mais densa e realista,o que inclui um final não muito alegre. A leitura do livro é fácil, não há nele nada de rebuscado e diversão (embora os socos no estômago) garantida; ouso dizer ,que se fosse de um escritor americano se tornaria filme já no ano que vem, mas já que se trata de um livro nacional resta a nós lê-lo e relê-lo , sorvendo tudo que esse maravilhoso romance histórico distópico retro pode nos ensinar sobre a terrível e maravilhosa sociedade humana.
Poderia ter sido, por sorte não foi!

   
  

terça-feira, 14 de julho de 2015

CHAPPIE

  O verão americano de 2015, veio e cumpriu tudo que se propôs a fazer nos cinemas. Entre muitos bons filmes , tivemos "vingadores 2" e "Mad Max" de carros chefe, mas como em uma mudança mal feita, muita coisa ficou pelo caminho e foi muito pouco comentado, entre estes eu destaco “CHAPPIE”, do diretor Nel Blomkamp, que teve o azar de estrear poucas semanas antes das duas máquinas de arrecadar dinheiro citadas acima, o que acabou o ofuscando, mas que nem por isso merece ser desprezado e vale ser comentado pela homenagem que presta , diversão que proporciona e pela coragem do diretor.
    O filme apresenta a cidade de Joanesburgo, na África do Sul , em um futuro próximo, dominada pela violência e criminalidade , onde a solução encontrada foi a criação e incorporação de guardas robôs à policia local. Esses policiais robôs são criação de Deon (Dev Patel), que sonha em encontrar a chave para a inteligência artificial e que é engenheiro de uma empresa de armamentos que se expandiu devido a seu projeto; o sucesso o fez importante para a diretoria da empresa, liderada por Michelle Bradley (Sigourney Weaver) e alvo de inveja de seu colega Vincent Moore (Hugh Jackman), que vê seu projeto de combate ao crime sendo preterido em favor do projeto de sucesso de Deon. Fechando o elenco, temos uma gangue do sub-mundo de Soweto, composta por Ninja, Yo-landi (esses dois rapers do grupo sul-africano Die antwoord usasndo seus “verdadeiros” nomes) e Amerika (Jose Pablo Cantillo), um grupo de bandidos que ao se ver pressionados por um chefe do crime local, a quem devem um milhão de Mandelas, tem o plano brilhante de sequestrar o engenheiro Deon e o forçar a lhes entregar o “controle remoto” de um dos robôs para que possam assaltar um carro forte e quitar a sua dívida e assim começa a história. 
   Após um dia de trabalho Deon chega em casa e começa a trabalhar em seu projeto de Inteligência artificial, o tempo acelera e depois de muitas horas de alguns red bulls o resultado continua sendo insatisfatório, então ele tem um insigth e BUM! Inteligência artificial 100 % estável e no ápice de sua empolgação ele corre para empresa para informar a diretora que alcansou o sucesso e que os robôs vão poder evoluir, aprendendo sozinhos e fazendo suas próprias escolhas, ao que recebe um balde de água gelada quando a diretora lhe diz que uma empresa que fatura com a venda de armas não tem o menor interesse que essas armas tenham opinião e inteligência, após esse tapa na cara, Deon vai para sua mesa e depois de alguns minutos de raiva, sob a observação silenciosa do invejoso Vincent, ao passar os olhos sob uma mensagem motivacional, resolve agir, corre para o desmanche onde um guarda avariado e com a bateria fundida ao chassi seria reciclado, rouba uma chave de segurança que proporciona que ele mude a programação do robô e parte com ele para casa, é quando é interceptado por Ninja e sua Gangue.
   No esconderijo da Gangue, Ninja explica o que quer de Deon e esse, no alge do poder do cagaço, não vê outra solução a não ser implantar o programa de I.A no chassi avariado do guarda que ele pegou no desmanche e assim nasse Chappie, chamado assim por ser o diminutivo de “meu chapa”. No inicio ele age como uma criança e teme tudo, mas como é citado por Deon, é uma criança com acesso a toda informação disponível na internet e uma facilidade de aprender elevada a enésima potência e assim ele vai evoluindo, sendo orientado por Yo-landi que ele passa a tratar como mãe e Ninja como pai, tendo visitas de seu criador para tentar mante-lo em caminho menos tortuoso, essa discordância de pontos de vista em sua orientação é o que tornam mais humano e que a meu ver dão o ar critico do filme que toda ficção científica deve ter, enquanto os planos de Ninja são bem claros e usar Chappie como arma para recolher o dinheiro é o que importa, o manipulando e distorcendo a realidade, as ideias éticas de Deon, como não roubar, não usar armas e não machucar as pessoas são diretrizes que o protagonista segue baseados em uma promessa de criança no melhor estilo professor e aluno.
   Por manter as promessas feitas a Deon ,Chappie sofre ! Para faze-lo aprender, Ninja o deixa sozinho nas ruas dominadas por bandidos e vendo um robô da polícia vulnerável eles partem para cima o apedrejando e tentando incendia-lo, em uma cena de causar comoção; a muito custo Chappie chega a um mirante da cidade , onde acaba sendo encontrado por Vincent, que vem observando os movimentos de Deon e ao descobrir da existência do robô inteligente vai a sua caça para poder recuperar a chave de segurança que se encontra com o mesmo, o torturando e humilhando, chegando a decepar um de seus braços,mas Chappie consegue se desvincilhar e foge para casa, onde para sua alegria tem um novo braço instalado e é reconfortado por sua mãe. No dia seguinte, Ninja tenta novamente educar seu filho, o ensinando a atirar o que ele não pode fazer devida promessa deita a Deon, então Amérika tema Ideia de convencer Chappie que utilizando facas e shurikens (isso mesmo estrelas ninja) os humanos não se machucam, mas ao invés disso entram em um sono profundo e gostoso (sacanagem) e assim nosso robô protagonista se torna um especialista em artes marciais e parte com seu pai e o amigo para recuperar os carros do papai, ou melhor, os carros que Ninja quer roubar para trocar por armamentos e assaltar o carro forte.
 Temos então uma divertida cena de assalto onde Chappie vai retirando pessoa a trás de pessoa dos carros que Ninja quer para si, tudo devido as mentiras que vão sendo contados ao robô como, “o homem roubou o carro do papai para comprar bebida”, “a mulher má pegou o carro do papai para roubar crianças” e assim por diante. Ao final, ao irem trocar os carros, Chappie se depara com a cena de uma rinha de cães e descobre o que é a morte, nesse momento ele entende que sua bateria está acabando e que como seu corpo é avariado não há conserto e que ele morrerá em breve. Ninja então aproveita a situação e questiona se ele quer ser como o cão morto ou o cão que sobrevive e manipula Chappie para que ele perceba que Deon apenas o vê como uma experiência, porque o fez para morrer e chegando no abrigo e encontrando Deon é o que Chappie vai questionar, nesse instante Vincent começa a trabalhar em seu plano de aprovação de seu projeto, começando por desativar todos guardas robôs ( inclusive Chappie) e apagar o programa que os mantem ativos, nisso Deon o leva para a fábrica e o reativa, é onde o robô, ao ver um chassi novo, tem a ideia de trocar de corpo, o que mais tarde é usado por Ninja para razão de conseguir dinheiro por meio de um assalto para comprar um novo chassi.
   É nesse roubo , quando Chappie e visto pelas câmera e vinculado a empresa, que a Diretora da empresa dá o aval para a inicialização do projeto ALCE, desenvolvido por Vincente e que se trata de um drone Robô gigantesco ( no melhor estilo do ED-209 do Robocop), repleto de armamento e movido por um capacete que transfere o pensamento humano para a máquina. Esse drone parte para a caça de Chappie no mesmo instante em que o chefe do submundo resolve que quer nosso herói robô para si. Deon parte ao auxilio de sua criação, pegando o maior número de armas possíveis. Chegando lá ele tenta desesperadamente convencer que Chappie fuja, mas não obtém sucesso e isso porque Ninja confessou que não há como salva-lo e que só queria usa-lo para o roubo, o que destruiu o ânimo do robô e sua vontade de viver é quando a Gangue rival chega e uma batalha se inicia, batalha que só muda de foco com achagada do protótipo ALCE que vai matando todos bandidos com as gargalhadas sádicas de Vincent o comandando da empresa; Nessa sequência temos o momento mais gore, quando ALCE após pisar em Amérika o corta ao meio em uma grande homenagem a Paul Verhoeven (diretor de Robocop e tropas estelares) e quando, após isso Chappie percebe que as pessoas que ama estão sendo ameaçadas ele resolve lutar e aí é muito bacana! Utilizando de suas capacidades e armas levadas por Deon, ele mostra que o projeto de Vincente é tão mediocre como o próprio e o destrói, no entanto, durante a fuga Deon é gravemente ferido e sua mãe (Yo-Landi) morta, restando a Chappie uma única alternativa transferir a consciência de Deon para outro corpo. Sim! Ao estudar uma maneira de trocar de corpo, nosso herói descobre como transferir a consciência de um corpo para outro e para isso precisa do capacete de transferência de Vincent e assim parte para a empresa.
     Lá chegando ele encontra Vincent e da-lhe a surra que Hugh Jackman estava merecendo desde “X-men Origens: Wolverine”, no melhor estilo malando e humano, vai quebrando braço, atravessando parede e batendo no sujeito até que este fique desacordado. Após ir à forra, Chappie transfere a consciência de Deon para outro robô e Deon passa a consciência de Chappie para um guarda mais próximo. Então temos ninja, queimando as coisas de Yo-Landi e temos uma reviravolta, onde uma cena de flashback revela que nosso protagonista havia feito um “Back-up” da consciência de sua mãe e o filme termina com a fabrica sendo acionada remotamente e um novo robô sendo montado com o rosto de Yo-Landi, que abre os olhos e sobem os créditos.

   Gostei demais do filme, principalmente por ter traços de ação que não se vê mais, como a carnificina e violência típica dos final dos anos 80, por isso que digo que o filme além de ser divertidíssimo é uma homenagem sincera ao “ROBOCOP” de 1987, tendo até sua versão do ED-209 e funciona melhor como um remake do que o robocop do padilha que é sem sal e sem graça. O ator sul-africano Sharlto  Copley , velho parceiro do diretor, está de parabéns pela atuação, ele emociona e cativa nas cenas de “drama” e empolga quando a porrada come e isso é muito show! O Casal de Rappers também não decepciona na atuação e sendo a trilha sonora do filme responsabilidade deles dá um ar ainda mais de que tudo foi para o espaço e se está vivendo em uma distopia. Talvez o ponto fraco do filme seja o roteiro repetitivo, se vermos “distrito 9” e “Chappie” em duas TV's lado a lado, é quase como ver o mesmo filme com a diferença de que no primeiro se falam de aliens e o segundo de robôs, mas mesmo assim eu recomento.


  Pois bem! Chappie é um bom filme, com diversão garantida para quem gosta de ação e ficção científica, tem seus altos e baixos , mas consegue prender a atenção nas duas horas que dura. Um rival em potencial para Ultron e tão digno como o Visão para levantar o martelo do Thor nesses tempos de distopia e falta de gasolina... Ops! Lá vem Vingadores 2 e Mad Max de novo!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA - TESTEMUNHEM !!!

   O ano é indefinido, a água é um item raro, plantações são história, todos querem te matar e a única coisa que se vê é um deserto interminável. Sim, estou falando de “MAD MAX” a série que nos anos oitenta me apresentou o que é uma distopia e que, tal qual nos momentos derradeiros do Imortal Joe ,me arrancou um sorriso da cara ao me entregar seu mais novo capítulo, “MAD MAX : estrada da fúria “ !
   O filme segue a História de Max Rockatansky (Tom Hardy), apresentada ao publico no clássico cult de 1979, um policial , em um futuro de data não revelada, perito em perseguições automobilísticas e que combate o crime em uma terra em crise e assolada por gangues motorizadas e que vai piorando conforme a série segue, apresentando escassez de água e combustível e o retorno da civilização à comunidade tribal e selvageria . No entanto, nesse novo capítulo nos são dadas algumas informações novas, como o fato de o mundo ter sofrido uma guerra termonuclear , que envenenou o solo e a grande parte das fontes de água doce. É nesse mundo desolado que encontramos Max fazendo o que ele diz na introdução como o que o define “fugindo dos vivos e dos mortos”, mas essa fuga não vai longe, em minutos o protagonista se vê perseguido por um grupo e é capturado, somos assim apresentados a trama do filme e a sua mitologia .
   A razão que move o filme é bem simples. Max é capturado e levado para a cidadela para servir de “bolsa de sangue” (sim! tipo uma bolsa de sangue viva para transfusão); A cidadela é um lugar onde existe água em abundância no subsolo e que é liderada por Immortal joe, o vilão do filme e líder tribal que busca a continuidade de sua linha através de um filho perfeito (tendo em vista que todas pessoas estão doentes devida radiação), para tal, esse doce tirano possui em harém preso em um cofre em sua fortaleza a quem chama de “esposas”. A cidadela da água vive em simbiose com outras duas comunidades, a fazenda das balas e a cidade do combustível; em um belo dia de sol, Immortal joe manda uma de suas imperatrizes (o que parece ser um título para capitão), chamada Furiosa (Charlize Theron ) para buscar munição e combustível nessas duas cidades, sem saber que ela havia tramado com suas esposas para fugirem para o “ vale das muitas mães”, onde poderiam ser livres. Ao descobrir isso Imortal Joe parte com seu exército a caça de sua propriedade , incluindo nesse nosso herói Max, que vai como bolsa de sangue pendurado na frente de um carro de batalha, e, para o grupo de mulheres resta penas fugir e defender-se. 
    O filme é ação do inicio ao fim e mesmo nos momentos de diálogo prevalece a tensão dos personagens estarem sendo perseguidos por um exército. Mas o que eu gostei mesmo foi da mitologia que cerca o filme. Immortal joe dá aula de como manter uma sociedade em um mundo pós apocalíptico, gerindo os recursos e criando uma religião ele mantém a todos em sua mão. Nada disso é explicado no filme, esta e pode ser entendido, mas em nenhum minuto falam porque, e isso é bacana da parte do diretor. Quando somos apresentados a Immortal Joe, o vemos sendo preparado, sua armadura e respirador presos a seu corpo, o tornando um gigante com voz de trovão, ao que seus soldados louvam cruzando os dedos sobre a cabeça; seu discurso diz para que ninguém se torne viciado em água e após despejar uma torrente para o povo que cerca a cidadela, exalta a morte em campo de batalha a qual proporciona ao herói a ida ao Valhala, onde entrarão cromados e brilhantes e serão recebidos em um banquete sem fim repleto de ”Mac-almoço e aqua-cola”, hilário e brilhante (sem trocadilho); assim como, na primeira cena que vemos Max servir de bolsa de sangue para Nux (Nicholas Hoult ), um kami-crazy (mistura de Kamikase (piloto suicida japonês da 2° guerra e Crazy, maluco em inglês) que são uma especie de soldados fanáticos do exército da cidadela e que quando descobrem a fuga de Furiosa correm para um altar de volantes, onde rezam antes de pegar cada um o seu, tal qual uma espada e partir para batalha na busca de uma morte gloriosa. Outro momento bacana e que não precisa explicar nada é quando lutando com um grupo rival um desses kami-crazy é acertado no rosto e no peito por flechas, pixa a boca de prata, pega duas lanças com granadas, grita “TESTEMUNHEM” e se atira contra o carro inimigo, ali a gente já percebe que o menos Mad é o Max!
   Outro ponto bacana é o disigner dos veículos e do ambiente. Uma coisa que marcou minha infância era o clima desértico e desesperador dos três filmes anteriores, com imagens que eu só encontraria na adolescência através da revista em quadrinhos Heavy Metal, que jogava o leitor em outro mundo sem dar explicação de nada e que nesse novo filme me trouxe essa sensação maravilhosa novamente. Para começar temos os carros, que são um amontoado de partes de carros que são identificáveis com muito esforço, lá no meio temos de desde fusquinhas turbinados à Deloreans armados até os dentes, muito foda!! O estilo dos personagens também me conquistou, Max continua com sua jaqueta de couro do tempo da polícia, mas temos Furiosa com sua protese mecânica que lhe dá um ar ainda mais de badass, os Kamicrazies magros, sem cor e sem vontade própria, Imortal Joe e sua armadura com carranca de caveira, além dos outros personagens Freaks, como o líder da cidade do combustível obeso mórbido vestido de terno e temos até uma ordenha de leite materno na cidadela, algo que é transportado como mercadoria de escambo (muito foda!)

   É um filmaço ! Ação do inicio ao fim, não é um filme de questionamentos profundo, mas não é raso e não é um filme desliga cérebro, só posso defini-lo como diversão pura, que não desrespeita a trilogia anterior e acrescenta muito caso venha uma nova, vale muito a pena ver, e se eu pudesse dizer apenas uma palavra sobre o filme, seria: TESTEMUNHEM !!! 

Ela roubou meu caminhão

Mais ou menos isso !!