quinta-feira, 16 de julho de 2015

A SEGUNDA PÁTRIA - O romance histórico distópico retro brasileiro

   De dois anos para cá eu só tenho lido ficção científica, distopias e contos de terror. Em parte talvez por entender que esses estilos sejam os mais próximos da realidade do que qualquer outro, afinal, assistindo aos jornais que só nos mostram o lado terrível e auto destrutivo do ser humano e sua busca por tecnologias que diminuam o esforço, Asimov , George Orwell e Stephen King me parecem mais verdadeiros do que Machado de Assis e Jorge Amado. Outro motivo é por sentir mais prazer nas desventuras fantásticas e imaginativas dos autores citados acima do que nas ensossas histórias de rotina auto piedosa dos livros “realistas” modernos, que são quase como um diário do autor. Foi através da busca por outros livros dessa minha linha preferida de história que descobri “A segunda pátria”, de Miguel Sanches Neto, lançado esse ano, e me surpreendi com um livro envolvente, divertido e terrível. 
    Inclui o livro na categoria "romance histórico distópico retro", pois reconta reconta a história do Brasil do final dos anos trinta e começo dos quarenta em um universo onde ao invés de se alinhar aos aliados, o país houvesse tomado outro rumo e firmado um acordo de ajuda mútua com o estado Nazista. Essa história, que se passa nos estados do sul do país, em maior parte em Blumenau e Porto Alegre, nos é apresentada pela ótica de dois personagens, Adolfo Ventura, um engenheiro negro que trabalha na prefeitura da cidade catarinense e vê sua vida ser destruída a medida que as ideias nazista vão dominando a colônia (RS, SC e PR) e, Hertha, considerada a mais bela ariana da colônia e que é incumbida de realizar uma tarefa que se pode descrever como pouco ortodoxa para a Gestapo e que marca seu destino para sempre.
    O livro se divide em quatro capítulos sendo o primeiro e o último destinado a Adolfo Ventura e seus circulo de familiares (Mãe, pai e Filho) e os dois do meio explorando Hertha e suas desventuras. No primeiro capítulo, que se passa em 1941, vemos uma sociedade firme em preconceito e perseguição, com ideias nazistas cristalizadas na cabeça de grande parte dos descendentes de europeus onde vemos Adolfo tentando fugir das multidões com seu filho mestiço e vendo seu espaço na sociedade sendo minado ao ponto de ao final acabar sendo tratado como um animal. O segundo Capítulo , que se passa em 1938, retrocede para esse período para nos mostrar uma Hertha Jovem e insaciável que beira de uma personagem de Jorge Amado pelo desejo e sensualidade que insinua, nesse capítulo , que se passa em porto alegre, o crescimento do fanatismo e a indiferença do governo brasileiro indicam o rumo que o país tomará a seguir, o que a visita de Hitler a Porto Alegre, marca como ponto de partida. Os outros dois capítulos colhem o que os dois primeiros plantam, entregando ao leitor toda dor e desperança que, não só, uma teoria de superioridade causa na sociedade mestiça por nascença pode sofrer como que qualquer guerra pode causar.
  A profundidade que o autor dá aos personagens, mesmo os que possuem uma participação mínima, faz com que eles se desenhem quase como reais na cabeça do leitor. Adolfo Ventura é o negro que não se enxerga como tal e que ignora a diferença que os outros o atribuem, como ele mesmo diz "eu não me via como diferente" e para encontrar a si mesmo ele tem de passar por uma odisseia terrível, que o colocará frente a frente com seu lado ancestral e selvagem; ao redor dele temos principalmente sua mãe ,que é a expressão da força e coragem de mãe, que vence os medos e limitações pelo amor ao filho e neto, temos também seus colegas de "campo de isolamento",que expressam mais organização e razão do que os nazistas que os tratam como animais, sem, no entanto serem perfeitos. Nos que rodeiam Hertha temos seu tio Karl, que embora simpatize com o nazismo no inicio, entende que a mestiçagem é o que define no Brasil e não vê nada de ruim nisso ao final, se colocando quase que publicamente contra o fanatismo , é dele que sai a analogia mais bacana do livro ao se falar dessa mestiçagem tão citada, quando ao conversar com a sobrinha, próximo a uma floresta de eucaliptos plantados de forma organizada , expressa sua tristeza, ao perceber que quando chegará ao país havia odiado as misturas de árvores que aqui dominavam as florestas, todas se interlaçando e se misturando e que agora entendia que a organização militar e uniforme daqueles eucaliptos e que estavam no lugar errado. O livro ainda dá voz a personagens históricos ,como o presidente Getúlio Vargas e seu guarda costas Gregório Fortunato (que tem uma participação foda!) , Oswaldo Aranha , Hitler e Gobels, em participações extremamente verossímeis.
   Gostei de mais do livro! Ele tem uma pegada parecida com "O homem do castelo Alto" de Philip K. Dick, em uma história do tipo "o que aconteceria se...?", mas em " A segunda pátria" o fanatismo e destruição da sociedade estão muito mais gritantes e a história segue uma linha mais densa e realista,o que inclui um final não muito alegre. A leitura do livro é fácil, não há nele nada de rebuscado e diversão (embora os socos no estômago) garantida; ouso dizer ,que se fosse de um escritor americano se tornaria filme já no ano que vem, mas já que se trata de um livro nacional resta a nós lê-lo e relê-lo , sorvendo tudo que esse maravilhoso romance histórico distópico retro pode nos ensinar sobre a terrível e maravilhosa sociedade humana.
Poderia ter sido, por sorte não foi!

   
  

terça-feira, 14 de julho de 2015

CHAPPIE

  O verão americano de 2015, veio e cumpriu tudo que se propôs a fazer nos cinemas. Entre muitos bons filmes , tivemos "vingadores 2" e "Mad Max" de carros chefe, mas como em uma mudança mal feita, muita coisa ficou pelo caminho e foi muito pouco comentado, entre estes eu destaco “CHAPPIE”, do diretor Nel Blomkamp, que teve o azar de estrear poucas semanas antes das duas máquinas de arrecadar dinheiro citadas acima, o que acabou o ofuscando, mas que nem por isso merece ser desprezado e vale ser comentado pela homenagem que presta , diversão que proporciona e pela coragem do diretor.
    O filme apresenta a cidade de Joanesburgo, na África do Sul , em um futuro próximo, dominada pela violência e criminalidade , onde a solução encontrada foi a criação e incorporação de guardas robôs à policia local. Esses policiais robôs são criação de Deon (Dev Patel), que sonha em encontrar a chave para a inteligência artificial e que é engenheiro de uma empresa de armamentos que se expandiu devido a seu projeto; o sucesso o fez importante para a diretoria da empresa, liderada por Michelle Bradley (Sigourney Weaver) e alvo de inveja de seu colega Vincent Moore (Hugh Jackman), que vê seu projeto de combate ao crime sendo preterido em favor do projeto de sucesso de Deon. Fechando o elenco, temos uma gangue do sub-mundo de Soweto, composta por Ninja, Yo-landi (esses dois rapers do grupo sul-africano Die antwoord usasndo seus “verdadeiros” nomes) e Amerika (Jose Pablo Cantillo), um grupo de bandidos que ao se ver pressionados por um chefe do crime local, a quem devem um milhão de Mandelas, tem o plano brilhante de sequestrar o engenheiro Deon e o forçar a lhes entregar o “controle remoto” de um dos robôs para que possam assaltar um carro forte e quitar a sua dívida e assim começa a história. 
   Após um dia de trabalho Deon chega em casa e começa a trabalhar em seu projeto de Inteligência artificial, o tempo acelera e depois de muitas horas de alguns red bulls o resultado continua sendo insatisfatório, então ele tem um insigth e BUM! Inteligência artificial 100 % estável e no ápice de sua empolgação ele corre para empresa para informar a diretora que alcansou o sucesso e que os robôs vão poder evoluir, aprendendo sozinhos e fazendo suas próprias escolhas, ao que recebe um balde de água gelada quando a diretora lhe diz que uma empresa que fatura com a venda de armas não tem o menor interesse que essas armas tenham opinião e inteligência, após esse tapa na cara, Deon vai para sua mesa e depois de alguns minutos de raiva, sob a observação silenciosa do invejoso Vincent, ao passar os olhos sob uma mensagem motivacional, resolve agir, corre para o desmanche onde um guarda avariado e com a bateria fundida ao chassi seria reciclado, rouba uma chave de segurança que proporciona que ele mude a programação do robô e parte com ele para casa, é quando é interceptado por Ninja e sua Gangue.
   No esconderijo da Gangue, Ninja explica o que quer de Deon e esse, no alge do poder do cagaço, não vê outra solução a não ser implantar o programa de I.A no chassi avariado do guarda que ele pegou no desmanche e assim nasse Chappie, chamado assim por ser o diminutivo de “meu chapa”. No inicio ele age como uma criança e teme tudo, mas como é citado por Deon, é uma criança com acesso a toda informação disponível na internet e uma facilidade de aprender elevada a enésima potência e assim ele vai evoluindo, sendo orientado por Yo-landi que ele passa a tratar como mãe e Ninja como pai, tendo visitas de seu criador para tentar mante-lo em caminho menos tortuoso, essa discordância de pontos de vista em sua orientação é o que tornam mais humano e que a meu ver dão o ar critico do filme que toda ficção científica deve ter, enquanto os planos de Ninja são bem claros e usar Chappie como arma para recolher o dinheiro é o que importa, o manipulando e distorcendo a realidade, as ideias éticas de Deon, como não roubar, não usar armas e não machucar as pessoas são diretrizes que o protagonista segue baseados em uma promessa de criança no melhor estilo professor e aluno.
   Por manter as promessas feitas a Deon ,Chappie sofre ! Para faze-lo aprender, Ninja o deixa sozinho nas ruas dominadas por bandidos e vendo um robô da polícia vulnerável eles partem para cima o apedrejando e tentando incendia-lo, em uma cena de causar comoção; a muito custo Chappie chega a um mirante da cidade , onde acaba sendo encontrado por Vincent, que vem observando os movimentos de Deon e ao descobrir da existência do robô inteligente vai a sua caça para poder recuperar a chave de segurança que se encontra com o mesmo, o torturando e humilhando, chegando a decepar um de seus braços,mas Chappie consegue se desvincilhar e foge para casa, onde para sua alegria tem um novo braço instalado e é reconfortado por sua mãe. No dia seguinte, Ninja tenta novamente educar seu filho, o ensinando a atirar o que ele não pode fazer devida promessa deita a Deon, então Amérika tema Ideia de convencer Chappie que utilizando facas e shurikens (isso mesmo estrelas ninja) os humanos não se machucam, mas ao invés disso entram em um sono profundo e gostoso (sacanagem) e assim nosso robô protagonista se torna um especialista em artes marciais e parte com seu pai e o amigo para recuperar os carros do papai, ou melhor, os carros que Ninja quer roubar para trocar por armamentos e assaltar o carro forte.
 Temos então uma divertida cena de assalto onde Chappie vai retirando pessoa a trás de pessoa dos carros que Ninja quer para si, tudo devido as mentiras que vão sendo contados ao robô como, “o homem roubou o carro do papai para comprar bebida”, “a mulher má pegou o carro do papai para roubar crianças” e assim por diante. Ao final, ao irem trocar os carros, Chappie se depara com a cena de uma rinha de cães e descobre o que é a morte, nesse momento ele entende que sua bateria está acabando e que como seu corpo é avariado não há conserto e que ele morrerá em breve. Ninja então aproveita a situação e questiona se ele quer ser como o cão morto ou o cão que sobrevive e manipula Chappie para que ele perceba que Deon apenas o vê como uma experiência, porque o fez para morrer e chegando no abrigo e encontrando Deon é o que Chappie vai questionar, nesse instante Vincent começa a trabalhar em seu plano de aprovação de seu projeto, começando por desativar todos guardas robôs ( inclusive Chappie) e apagar o programa que os mantem ativos, nisso Deon o leva para a fábrica e o reativa, é onde o robô, ao ver um chassi novo, tem a ideia de trocar de corpo, o que mais tarde é usado por Ninja para razão de conseguir dinheiro por meio de um assalto para comprar um novo chassi.
   É nesse roubo , quando Chappie e visto pelas câmera e vinculado a empresa, que a Diretora da empresa dá o aval para a inicialização do projeto ALCE, desenvolvido por Vincente e que se trata de um drone Robô gigantesco ( no melhor estilo do ED-209 do Robocop), repleto de armamento e movido por um capacete que transfere o pensamento humano para a máquina. Esse drone parte para a caça de Chappie no mesmo instante em que o chefe do submundo resolve que quer nosso herói robô para si. Deon parte ao auxilio de sua criação, pegando o maior número de armas possíveis. Chegando lá ele tenta desesperadamente convencer que Chappie fuja, mas não obtém sucesso e isso porque Ninja confessou que não há como salva-lo e que só queria usa-lo para o roubo, o que destruiu o ânimo do robô e sua vontade de viver é quando a Gangue rival chega e uma batalha se inicia, batalha que só muda de foco com achagada do protótipo ALCE que vai matando todos bandidos com as gargalhadas sádicas de Vincent o comandando da empresa; Nessa sequência temos o momento mais gore, quando ALCE após pisar em Amérika o corta ao meio em uma grande homenagem a Paul Verhoeven (diretor de Robocop e tropas estelares) e quando, após isso Chappie percebe que as pessoas que ama estão sendo ameaçadas ele resolve lutar e aí é muito bacana! Utilizando de suas capacidades e armas levadas por Deon, ele mostra que o projeto de Vincente é tão mediocre como o próprio e o destrói, no entanto, durante a fuga Deon é gravemente ferido e sua mãe (Yo-Landi) morta, restando a Chappie uma única alternativa transferir a consciência de Deon para outro corpo. Sim! Ao estudar uma maneira de trocar de corpo, nosso herói descobre como transferir a consciência de um corpo para outro e para isso precisa do capacete de transferência de Vincent e assim parte para a empresa.
     Lá chegando ele encontra Vincent e da-lhe a surra que Hugh Jackman estava merecendo desde “X-men Origens: Wolverine”, no melhor estilo malando e humano, vai quebrando braço, atravessando parede e batendo no sujeito até que este fique desacordado. Após ir à forra, Chappie transfere a consciência de Deon para outro robô e Deon passa a consciência de Chappie para um guarda mais próximo. Então temos ninja, queimando as coisas de Yo-Landi e temos uma reviravolta, onde uma cena de flashback revela que nosso protagonista havia feito um “Back-up” da consciência de sua mãe e o filme termina com a fabrica sendo acionada remotamente e um novo robô sendo montado com o rosto de Yo-Landi, que abre os olhos e sobem os créditos.

   Gostei demais do filme, principalmente por ter traços de ação que não se vê mais, como a carnificina e violência típica dos final dos anos 80, por isso que digo que o filme além de ser divertidíssimo é uma homenagem sincera ao “ROBOCOP” de 1987, tendo até sua versão do ED-209 e funciona melhor como um remake do que o robocop do padilha que é sem sal e sem graça. O ator sul-africano Sharlto  Copley , velho parceiro do diretor, está de parabéns pela atuação, ele emociona e cativa nas cenas de “drama” e empolga quando a porrada come e isso é muito show! O Casal de Rappers também não decepciona na atuação e sendo a trilha sonora do filme responsabilidade deles dá um ar ainda mais de que tudo foi para o espaço e se está vivendo em uma distopia. Talvez o ponto fraco do filme seja o roteiro repetitivo, se vermos “distrito 9” e “Chappie” em duas TV's lado a lado, é quase como ver o mesmo filme com a diferença de que no primeiro se falam de aliens e o segundo de robôs, mas mesmo assim eu recomento.


  Pois bem! Chappie é um bom filme, com diversão garantida para quem gosta de ação e ficção científica, tem seus altos e baixos , mas consegue prender a atenção nas duas horas que dura. Um rival em potencial para Ultron e tão digno como o Visão para levantar o martelo do Thor nesses tempos de distopia e falta de gasolina... Ops! Lá vem Vingadores 2 e Mad Max de novo!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA - TESTEMUNHEM !!!

   O ano é indefinido, a água é um item raro, plantações são história, todos querem te matar e a única coisa que se vê é um deserto interminável. Sim, estou falando de “MAD MAX” a série que nos anos oitenta me apresentou o que é uma distopia e que, tal qual nos momentos derradeiros do Imortal Joe ,me arrancou um sorriso da cara ao me entregar seu mais novo capítulo, “MAD MAX : estrada da fúria “ !
   O filme segue a História de Max Rockatansky (Tom Hardy), apresentada ao publico no clássico cult de 1979, um policial , em um futuro de data não revelada, perito em perseguições automobilísticas e que combate o crime em uma terra em crise e assolada por gangues motorizadas e que vai piorando conforme a série segue, apresentando escassez de água e combustível e o retorno da civilização à comunidade tribal e selvageria . No entanto, nesse novo capítulo nos são dadas algumas informações novas, como o fato de o mundo ter sofrido uma guerra termonuclear , que envenenou o solo e a grande parte das fontes de água doce. É nesse mundo desolado que encontramos Max fazendo o que ele diz na introdução como o que o define “fugindo dos vivos e dos mortos”, mas essa fuga não vai longe, em minutos o protagonista se vê perseguido por um grupo e é capturado, somos assim apresentados a trama do filme e a sua mitologia .
   A razão que move o filme é bem simples. Max é capturado e levado para a cidadela para servir de “bolsa de sangue” (sim! tipo uma bolsa de sangue viva para transfusão); A cidadela é um lugar onde existe água em abundância no subsolo e que é liderada por Immortal joe, o vilão do filme e líder tribal que busca a continuidade de sua linha através de um filho perfeito (tendo em vista que todas pessoas estão doentes devida radiação), para tal, esse doce tirano possui em harém preso em um cofre em sua fortaleza a quem chama de “esposas”. A cidadela da água vive em simbiose com outras duas comunidades, a fazenda das balas e a cidade do combustível; em um belo dia de sol, Immortal joe manda uma de suas imperatrizes (o que parece ser um título para capitão), chamada Furiosa (Charlize Theron ) para buscar munição e combustível nessas duas cidades, sem saber que ela havia tramado com suas esposas para fugirem para o “ vale das muitas mães”, onde poderiam ser livres. Ao descobrir isso Imortal Joe parte com seu exército a caça de sua propriedade , incluindo nesse nosso herói Max, que vai como bolsa de sangue pendurado na frente de um carro de batalha, e, para o grupo de mulheres resta penas fugir e defender-se. 
    O filme é ação do inicio ao fim e mesmo nos momentos de diálogo prevalece a tensão dos personagens estarem sendo perseguidos por um exército. Mas o que eu gostei mesmo foi da mitologia que cerca o filme. Immortal joe dá aula de como manter uma sociedade em um mundo pós apocalíptico, gerindo os recursos e criando uma religião ele mantém a todos em sua mão. Nada disso é explicado no filme, esta e pode ser entendido, mas em nenhum minuto falam porque, e isso é bacana da parte do diretor. Quando somos apresentados a Immortal Joe, o vemos sendo preparado, sua armadura e respirador presos a seu corpo, o tornando um gigante com voz de trovão, ao que seus soldados louvam cruzando os dedos sobre a cabeça; seu discurso diz para que ninguém se torne viciado em água e após despejar uma torrente para o povo que cerca a cidadela, exalta a morte em campo de batalha a qual proporciona ao herói a ida ao Valhala, onde entrarão cromados e brilhantes e serão recebidos em um banquete sem fim repleto de ”Mac-almoço e aqua-cola”, hilário e brilhante (sem trocadilho); assim como, na primeira cena que vemos Max servir de bolsa de sangue para Nux (Nicholas Hoult ), um kami-crazy (mistura de Kamikase (piloto suicida japonês da 2° guerra e Crazy, maluco em inglês) que são uma especie de soldados fanáticos do exército da cidadela e que quando descobrem a fuga de Furiosa correm para um altar de volantes, onde rezam antes de pegar cada um o seu, tal qual uma espada e partir para batalha na busca de uma morte gloriosa. Outro momento bacana e que não precisa explicar nada é quando lutando com um grupo rival um desses kami-crazy é acertado no rosto e no peito por flechas, pixa a boca de prata, pega duas lanças com granadas, grita “TESTEMUNHEM” e se atira contra o carro inimigo, ali a gente já percebe que o menos Mad é o Max!
   Outro ponto bacana é o disigner dos veículos e do ambiente. Uma coisa que marcou minha infância era o clima desértico e desesperador dos três filmes anteriores, com imagens que eu só encontraria na adolescência através da revista em quadrinhos Heavy Metal, que jogava o leitor em outro mundo sem dar explicação de nada e que nesse novo filme me trouxe essa sensação maravilhosa novamente. Para começar temos os carros, que são um amontoado de partes de carros que são identificáveis com muito esforço, lá no meio temos de desde fusquinhas turbinados à Deloreans armados até os dentes, muito foda!! O estilo dos personagens também me conquistou, Max continua com sua jaqueta de couro do tempo da polícia, mas temos Furiosa com sua protese mecânica que lhe dá um ar ainda mais de badass, os Kamicrazies magros, sem cor e sem vontade própria, Imortal Joe e sua armadura com carranca de caveira, além dos outros personagens Freaks, como o líder da cidade do combustível obeso mórbido vestido de terno e temos até uma ordenha de leite materno na cidadela, algo que é transportado como mercadoria de escambo (muito foda!)

   É um filmaço ! Ação do inicio ao fim, não é um filme de questionamentos profundo, mas não é raso e não é um filme desliga cérebro, só posso defini-lo como diversão pura, que não desrespeita a trilogia anterior e acrescenta muito caso venha uma nova, vale muito a pena ver, e se eu pudesse dizer apenas uma palavra sobre o filme, seria: TESTEMUNHEM !!! 

Ela roubou meu caminhão

Mais ou menos isso !!

terça-feira, 23 de junho de 2015

" O ENIGMA DO OUTRO MUNDO " ( 1982) - Zero Cult

   Exatamente a trinta e três anos atrás, no dia 25.06.1982 , John Carpinter trazia às telonas de cinema um filme que viria a se tornar um clássico do terror e que eu, graças a sorte de ter nascido em uma época onde se achava que leite com pera dava dor de barriga, assisti no extinto “cinema em casa” do SBT. Estou falando do fantástico “ The Ting”, ou como foi maravilhosamente traduzido no Brasil,“ O enigma do outro mundo”.
O filme é protagonizado pelo queridinho do diretor, o grande astro da sessão da tarde Kurt Rusell, que interpreta o papel de R.J MacReady, um piloto de helicóptero bad ass em uma base americana na Antártida, onde um grupo de cientista estão isolados em pleno inverno glacial fazendo o que cientistas héteros fazem isolados em uma base na Antártida em pleno inverno, ou seja, bebendo Wisky e jogando cartas.


   A vida vai seguindo seu fluxo rotineiramente gelado, até que em um belo , ouve-se o som de um helicóptero que vem ao longe. Nesse Helicóptero dois Noruegueses vem atirando e jogando granadas em um cachorro que corre como pode na direção da base americana para salvar sua vida. O Helicóptero pousa e o caos se instaura. Os tripulantes descem atirando contra o cachorro e acabam acertando a perna de um dos cientistas, um dos tripulantes tenta arremessar uma granada e essa escorrega de sua mão explodindo a aeronave e ele mesmo em uma cena no melhor estolo trapalhões, na confusão o outro tripulante é morto e o cachorro é levado para dentro da base.
  Aterrorizados com o acontecido e sem conseguir contato com a base norueguesa, o médico da equipe resolve ir com nosso herói até o local do acampamento de origem dos insanos caçadores de cachorro. Lá chegando, encontram um lugar destruído, repleto de cadáveres e parcialmente queimado, sem saber falar norueguês (para ler os relatos encontrados) e com uma tempestade se aproximando, eles resolvem coletar todos documentos que encontram e fitas de vídeo e partem em retorno para o seu acampamento.
   De volta à base americana, nossos heróis descobrem, após assistirem a nove horas de vídeos das peripécias da equipe norueguesa na neve, que os cientistas nórdicos encontraram um objeto de metal gigantesco sob o gelo e desencavaram e retiraram um fóssil do lugar. Nesse mesmo instante, o bendito cachorro que fugiu para a base no inicio do filme começa a agir estranho e mandam o responsável pelos cães o colocar no canil junto dos outros, é aí que o perigo se revela para nós espectadores, o cachorro não é um cachorro, sua cabeça se abre revelando uma criatura grotesca, inominável e terrívis !!! A criatura tenta se fundir, ou contaminar os outros cães, que fazem um estardalhaço chamando a atenção de todos na base, que partem para o canil para ver o que se trata.
   
No Canil , os cientistas, encabeçados pelo Kurt Russel, se deparam com a criatura parcialmente fundida com os cães, e , é pata para um lado, três cabeças , tentáculos pra tudo que é lado; no meio dessa balburdia , nosso querido pilote de helicóptero tem um insigt e lembrando que a base norueguesa estava toda queimada pensa em usar fogo para dar cabo da criatura o que ele faz, mas não antes que uma parte dela fuja pelo teto, para desespero de todos que assistiam atônitos ao show de horror que acontecia ali no meio da noite.
   Agora é barata voa !! Existe uma criatura, que possivelmente foi a causa do ocorrido na base norueguesa, solta dentro da base incomunicável americana no meio do inverno glacial e ninguém está seguro. Imediatamente o doutor começa a pesquisar utilizando seu computador de última geração que mais parece um Atari e fazendo necrópsia em um dos corpos que ele trouxe da base norueguesa, descobrindo que a criatura tem a capacidade de reproduzir e imitar qualquer ser vivo, como um metamorfo. A partir desse momento está aberta a temporada de paranoia, ninguém sabe mais em quem confiar, o médico pira e destrói o helicóptero da base, pois , graças a seu Atari sabe que se o alienígena entrar em contato com a civilização toda raça humana estará infectada em duzentos e noventa e um dias (7.000 horas ), nesse mesmo tempo, alguém começa a sabotar o banco de sangue e largar falsas pistas pela base, o que leva os sobreviventes a acreditar que nosso protagonista é uma réplica e não ele mesmo e o abandonando na parte de fora da estação para que congele.
   Não se dando por vencido, MacReady invade a estação pelo estoque e para não ser incinerado se agarra à bananas de dinamite (porque elas estão lá eu não sei!) , enquanto um de seus colegas tem um ataque cardíaco e precisa da ajuda do médico. Temos aí então uma cena marcante da minha infância , o homem está aparentemente morto, quando o médico pede o desfibrilador, na hora em que vai dar o choque para reanimar o defunto falecido do cientista morto, eis que uma BOCA se abre no tórax do indivíduo e come as mãos do médico, para cagaço geral, que sai correndo. MacReady então, de posse de um lança chamas queima a criatura. A partir desse momento ele resolve amarrar a todos e fazer testes sanguíneos com os mesmos, o teste consiste no seguinte: um prego é aquecido no lança chamas e introduzido no sangue, sabendo-se que a criatura só pode ser morta com fogo e deduzindo-se que não se trata de um criatura, mas de várias que formam um corpo, ele acredita que o calor no fogo iria revelar quem está contaminado. Assim, um a um, os seis sobreviventes são testados, começando pelo próprio MacRedy, até chegar em Windows, o operador de rádio, que começa a sangrar pelos olhos, se solta da cadeira e gruda no teto (mais uma cena inesquecível) e assim que cai divide sua cabeça em dois e mastiga a cabeça de outro pobre coitado, não dando outra alternativa a nosso herói do que incinerar os dois.
   Sabendo que não há como sobreviver, pois é o primeiro dia do inverno na Antártida e seus suprimentos, comida e abrigo foram comprometidos, e percebendo que se o alienígena chegar a sociedade os danos serão irreversíveis eles resolvem destruir a base e aguardarem a morte que se aproxima. Assim eles vão dinamitando cada módulo da base enquanto a criatura ainda os persegue. No final, sobram apenas nosso herói, Kurt Russell e o Mecânico da expedição, Childs, interpretado por Keit David , ambos sentados no gelo desconfiando um do outro e aguardando o fogo apagar para saber o que acontecerá com eles, mas sem nenhum otimismo.

    É um filmaço !! John Carpinter em sua melhor forma ! O filme é um remake de um filme de 1951, chamado “O monstro do ártico “ de 1951, dirigido por Christian Nyby , que por sua vez é baseado em uma novela escrita por John Campbell chamada "Who Goes There?" e que tem como mérito ser uma das histórias de vanguarda da verdadeira ficção científica, estilo que Campbell deu prioridade (e quase exclusividade) quando foi editor da revista Astounding Science-Fiction , revista que revelou escritores do nível de Asimov e Robert A. Heinlein .
   O filme é assustador, conseguindo uma crescente de tensão sem entregar quase nada de inicio (exceto pelo fato de que um disco voador cai antes de sermos apresentados ao nome do filme) . Parte dessa tensão é culpa da discreta, mas onipresente trilha sonora escrita pelo gênio Ennio Morricone e a sensação de solidão e isolamento que a ambientação traz. Os personagens são bem construídos e apresentados, temos o piloto bad-ass ; o mecânico durão, o técnico em rádio maconheiro, o comandante cético, o médico que pira e até um cozinheiro patinador, para ser perfeito só faltou a criança gênio, o cachorro falante e a gostosa histérica. Quanto aos efeitos especiais , acho eles incríveis, principalmente quando se sabe que são efeitos prático, pois não existiam computadores para inclusão de Cgi naquela época, e o mais legal é que convencem ainda hoje.


   Como já dito, filmaço ! merece ser visto e revisto. Presente de uma época onde se fazia cinema de verdade , não tem como não dizer que esse filme merece nota 5 de 5 !

domingo, 14 de junho de 2015

THE BABADOOK

   Menos é mais! Existem poucas frases mais clichês do que esta, mas nenhuma se enquadraria melhor para definir o filme “The Babadook “, filme australiano de 2014, dirigido por Jennifer Kent e que tive o prazer de assistir essa semana, atrasado como sempre!
O livro maldito

  O filme conta a história de Amélia (Essie Davis), uma enfermeira que trabalha em um asilo e que cria sozinha seu filho Samuel (Noah Wiseman) após a morte do marido em um acidente de carro. Amélia tem dificuldade para amar o próprio filho pelo comportamento agitado e estranho da criança e pelo fato de o marido ter morrido levando-a para o hospital para dar a luz.
  Samuel sonha todas as noites que um monstro sai do armário para pega-lo e após a mãe examinar todos os cantos do quarto, pede que lhe conte uma história e dorme com ela, e , assim é a rotina da família. É numa dessas noites que o menino escolhe o livro “the Babadook”, que Amélia não sabia que possuía em sua biblioteca e o livro trás em versos um texto violento e ameaçador; horrorizada , Amélia, rasga o livro e o joga no lixo.
  Após a noite da leitura do "the Babadoook", coisas estranhas começam a acontecer com a portagonista e seu filho. O menino começa a criar armas e dizer que não vai deixar a mãe morrer, Amélia começa a ter alucinações, ouvindo estranhos sons e vultos se movimentando pela casa e tudo piora quando o menino se torna violento  o livro destruído, reaparece em sua porta , reconstruído e tendo partes incluídas mostrando os terrores que estão por vir e dizendo ao final: “Você não  pode se livrar do Babadook”.
   O filme , que aposta no terror psicológico, contendo um ar lovecraftiano . Onde nada é muito mostrado e até quase o final não se sabe se existe alguma ameaça paranormal ou se o que está acontecendo não se trata de um efeito do stress que a protagonista vive e isso no final dá um ar mais assustador que o esperado.  
    Ainda temos no filme singelas homenagens, como quando Samuel sofre um ataque e sua mãe o leva para uma bateria de exames no melhor modelo exorcista, ou pelo fato de o garoto ser fã de mágica e se vestir como Gage, a criança que volta dos mortos em “O cemitério Maldito”, de Stephen King.
  
     
   Outra coisa que coopera para o clima do filme é o ambiente extremamente claustrofóbico. O filme é rodado praticamente todo na casa dos protagonistas, com exceção de uma ou outra cena onde eles estão no carro, no parque ou rapidamente no trabalho de Amélia. Há também o clima de solidão e melancolia que parte da protagonista, que não pode contar nem mesmo com a ajuda da irmã mais nova e está presa as responsabilidades com o filho.
  Como atuação a atriz Essie Davis consegue transmitir um ar de perca da sanidade ao aparecer com um rosto calmo e olhar nervoso o tempo todo e o menino Noah Wiseman rouba a cena tanto por sua atuação de criança irritante e mimada, como por seu personagem ser o mais FODA adversário de monstros em toda história de filmes de terror, criando um plano fantástico e armas super  engenhosas para derrotar o vilão, além de “exorcizar” a própria mãe.
   Em resumo, o filme me surpreendeu, me assustando e me mostrando que o simples ainda é a melhor opção (menos é mais!). A história não é a mais original e a narrativa já vem sendo utilizada em muitos filmes  japoneses de terror, mas a maneira claustrofóbica e focada em um ambiente que a diretora trabalha são espetaculares. Muito bom ! Só fiquei com pena do cachorro, mas mesmo assim recomendadíssimo! Nota 8,5



quarta-feira, 3 de junho de 2015

Demolidor - do filme à série



     Em 2003 a internet no Brasil era quase inexistente, assim como os sites de cinema e cultura pop. Só se sabia do lançamento de um filme através do programa Dia-a-dia na Band, no fantástico (se o filme fosse um mega Blockbuster) ou através da revista SET. E foi na capa de uma edição dessa bendita revista que descobri que um de meus super-heróis preferidos ganharia um filme, se tratava do “Demolidor, o homem sem medo” estrelado por Ben Affleck e dirigido por Mark Steven Johnson.
Meu primeiro contato com o filme já foi horrível, começando pelo protagonista. Nada contra o Ben Affleck, eu até gosto do cara em Dogma e hoje em dia torço para que seja um bom Batman, mas eu esperava um Matt Murdock leve e ágil, saltando de prédio em prédio e metendo a porrada utilizando suas técnicas ninja, mas a postura e o uniforme que a revista apresentava era de um cara acima do peso vestindo uma capa de sofá. Outro problema para mim era que o grande cérebro criminoso a ser combatido era o Michael Clark Duncan ( O John Coffey, de “A espera de um milagre) e toda vez que eu olhava para ele eu pensava, “Qual é? Esse cara não é tão mau assim!” e por último, mas não menos importante, tinha o Mercenário, que nos quadrinhos é um vilão foda, que usa qualquer coisa como arma, além de rivalizar na porrada com o Demolidor, mas na interpretação de Collin Farrel aparecia como um esquisitão, todo vestido de couro e com um alvo tatuado na testa, digno de piada.
Apesar do que a revista SET me mostrava, mantive o pensamento positivo até assistir ao filme, o que serviu apenas para que minha decepção fosse maior. As cenas de luta eram ridículas, a trama sem sentido e cheia de clichês, os motivos dos personagens eram rasos e pouco convincentes, ou seja, uma ofensa para qualquer fã. Por isso, quando a Marvel recuperou os direitos do personagem que estavam com a FOX e logo depois anunciou que a NETFLIX faria uma série do herói, me mantive indiferente e joguei minhas expectativas abaixo das solas dos pés. Mal sabia eu que receberia com surpresa melhor série de 2015.


chegou tateando e dominou !


   FODA! Me desculpem, mas não há maneira melhor de definir a série do Demolidor. Para começar a série faz parte do universo MARVEL dos cinemas, em diversos momentos podemos ver as referência do que aconteceu à Nova York devido a batalha dos Vingadores em seu primeiro filme, essa mesma situação é o motivo para a introdução do grande vilão, Wilson Fisk, o Rei do crime, que aproveita a oportunidade para tomar o poder em Hell's Kitchen comandando empreiteiras, empresas de engenharia e, de quebra o submundo das drogas e tráfico de influência, o que remete ao clima e ambiente da produção, que é extremamente sombrio, onde vemos o bairro do protagonista, sendo dominado por essa novo poder paralelo onde os antigos mafiosos e bandidos que dominavam as ruas estão sendo substituídos por um grupo realmente organizado, que consegue passar tensão e a ideia de que não se pode escapar quando se assiste.
Os atores estão fantásticos ! Charlie Cox, que eu só conhecia do terrível “Stardust” tem uma atuação perfeita no papel de Matt Murdock, me convencendo que era cego, que sabia lutar e até mesmo que era ruivo, Helden Henson faz o melhor amigo do protagonista, Foggy Nelson, conseguindo transmitir o carinho e fidelidade que no filme de 2003, John Fravreau, interpretando caricatamente o mesmo personagem não chegou nem perto, a ele pertence a parte cômica e ingênua da série, sem com isso transformar o personagem em bobo ou coitadinho. Vincet d'Onofrio , o eterno Gomer Pyle de “Nascido para matar” é o rei do crime definitivo, embora eu tenha alguns problemas com a origem do personagem (que vamos abordar mais abaixo), ele convence com uma interpretação que alterna da insegurança (que se mostra como dissimulação) e insanidade para razão e propósito, o sujeito é uma bomba relógio prestes a explodir quando o que é sagrado para ele é molestado. Mas no meu entender, o melhor ator da série é Vondie Curtis-Hall que interpreta o reporter Ben Urich, que é responsável pela parte investigativa e que aos poucos é aprofundado expondo seus problemas financeiros, ideologias e se torna um dos heróis da série pelo fato de não se corromper; o ator consegue passar com um olhar ou suspiro todas suas preocupações ou ideias, muito show, tanto que não se ouviu falar mal do personagem devido a sua mudnça de etnia nem mesmo entre os Haters. E o que falar de Débora An Woll como Karen Page? Bom, além de ótima como a personagem ela é linda (ponto).
   O que me conquistou na série é que ela segue o modelo de séries de sucesso, como “Breaking bad” ou “Game of Thrones”, de ser um filme gigante dividido em episódios em que, permeados por diversas subtramas, existe um ou dois problemas centrais a serem resolvidos, tudo isso tratado com o máximo de realismo e seriedade possível ( seriedade, não austeridade), ou seja, não existe essa bobagem de vilão da semana, tal qual The Flash ou Arow, mas sim um medo constante que paira durante toda a temporada. Essa é a receita de se aprofundar e desenvolver todos os personagens desenvolvendo empatia e fazendo com que quem assiste queira mais e mais.
 
Arrebenta Stick
 E Falando em trama, existem episódios que eu vi, revi e trivi, de tão espetaculares que são. O episódio onde raptam uma criança para chamar a atenção do demolidor e ele entra no esconderijo dos bandidos (quando ainda está machucado) é muito legal! Tem uma cena de luta de quase dez minutos em um corredor que remete ao filme Sul-coreano “Old Boy”, ao mesmo tempo que deixa claro que o protagonista é um herói falho e vulnerável, que não tem todas as resposta e soluções, mas que está disposto a ir até as últimas consequências para buscar justiça; nese episódio tem uma cena muito engraçada, quando o demolidor entra em uma sala e fecha a porta, se ouvem gritos, de repente sai um sujeito quebrando a porta e quando se acha que ele vai escapar, uma TV de 29” o acerta na cabeça, cena essa que faz contraponto com o desfecho do episódio em que nosso herói resgata o menino raptado e , cambaleando, o carrega nos braços para o pai (Isso sim é herói!). 
    Outro episódio show é quando aparece o Stick, o sujeito que treinou Matt Murdock. Eu ansiava por essa aparição, principalmente pelo fato de não haver menção a esse personagem no filme de 2003 (o que me deixou indignado), Na série o personagem que é vivido por Scott Glenn já mostra a que veio na primeira cena, onde em uma perseguição a um burocrata Japonês ( e falando japonês) usa suas habilidades para dar cabo do sujeito. Durante esse episódio é que sabemos como Foi o encontro entre Stick e Matt e seu treinamento, onde ele aprendeu, guiado por Stick, a focar os sentidos para não enlouquecer (questão que não existe no filme), também temos um vislumbre de questões externas ao que ocorre em Hell's Kitchen e que deverão ser abordadas nas próximas temporadas, como o clã de Stick e o céu negro (seres em forma de criança que parecem ser armas biológica) e o tentáculo que surge na figura de Nobu, que é um aliado do rei do crime desde o começo da série e que se mostra um ninja, fato que vai gerar uma cena de luta muito boa em outro episódio, mas voltando para o Stick, o personagem é muito carismático, aquele tiozão badass que senta a porrada em todo mundo, é boca suja e só pensa em seus objetivos, quero muito que ele volte na segunda temporada. 
Bad day
   Por último, um episódio que me chamou a atenção, mas me deixou dividido quanto ao personagem é o que mostra a origem de Wilson Fisk. Nele somos apresentados a um Wilson criança, que sofre maltrato do pai e dos vizinhos, ele aparece sempre nervoso e incapaz de reagir na maioria das vezes, chegando a entrar em panico quando o pai vai tirar satisfação de quem fez bulling com ele, isso culmina quando ele mata o próprio pai em uma crise de violência após vê-lo agredindo a mãe, isso eu não consegui digerir, penso que alguém que sofre violência desde pequeno acabe por se quebrar, tornando-se arredio e tendo crises eventuais e violência ( o que acontece na série) mas a estrutura para o personagem chegar onde chegou seria comprometida, seria quase impossível ele se tornar líder de uma organização com o porte da que ele comandava se em sua tenra idade nada que o cercava lhe passasse confiança de que ele seria algo melhor, mas fora isso a atuação de Vicent d'Onofrio e o episódio em si é muito bom.

    Por tudo isso considero “Demolidor” a série da NETFLIX a melhor coisa lançada em 2015 (até agora), ficamos no aguardo da segunda temporada quando a questão do céu negro será revelada e teremos a introdução ao mundo dos clãs de ninja e sua guerra. Espero também que as demais séries baseadas nos personagens da MARVEL que a NETFLIX irá produzir sigam com a qualidade apresentada em Demolidor, contando com muita ação , violência e realismo. Nota 10.


Até a próxima temporada



sábado, 30 de maio de 2015

SE ESFORCE E TERÁ SUCESSO (OU NÃO)

  Existe um discurso ,que cresce em tempos de crise, que diz que as oportunidades presentes na vida estão disponíveis para todos. Esse discurso, é repetido à exaustão por muitos que não percebem as pequenas diferenças que na grande maioria das vezes selecionam o lugar das pessoas na sociedade; gente, que talvez por serem agraciadas por esses fatores de forma positiva, não  entendem que alguns não conseguem , por mais que tentem, fugir da situação onde nasceram. Diversas vezes, com minhas limitações, tentei formular argumentos que tentassem ilustrar essas diferenças, mas foi graças ao site “PAPO DE HOMEM”, que encontrei tudo que eu queria demonstrar com a tirinha de Toby Morrys. Segue abaixo:



   Muito tempo atrás, meu irmão falando sobre desigualdades cunhou o termo “gênio da computação nascido no sudão”, que passamos a utilizar sempre que vemos alguma pessoa extremamente inteligente ou consciente preso em uma situação negativa que não o deixa evoluir. Penso hoje que grande parte das pessoas é um pouco esse gênio, frustrado e preso em um mundo que diz que o motivo por ele não alcançar uma posição melhor na vida é apenas dele, pois seu esforço foi pouco.
    Nunca acreditei em igualdade de oportunidades, nem por isso quero mal para quem teve a sorte de ter uma chace de melhoria, espero apenas que essa tirinha ilumine a visão de quem ignora que a vida cobra mais de uns do que de outros e que necessário um esforço social absurdo para uma mínima equiparação. Não tem nada a ver com coitadismo, tem a ver com verdade e respeito.