sábado, 30 de maio de 2015

SE ESFORCE E TERÁ SUCESSO (OU NÃO)

  Existe um discurso ,que cresce em tempos de crise, que diz que as oportunidades presentes na vida estão disponíveis para todos. Esse discurso, é repetido à exaustão por muitos que não percebem as pequenas diferenças que na grande maioria das vezes selecionam o lugar das pessoas na sociedade; gente, que talvez por serem agraciadas por esses fatores de forma positiva, não  entendem que alguns não conseguem , por mais que tentem, fugir da situação onde nasceram. Diversas vezes, com minhas limitações, tentei formular argumentos que tentassem ilustrar essas diferenças, mas foi graças ao site “PAPO DE HOMEM”, que encontrei tudo que eu queria demonstrar com a tirinha de Toby Morrys. Segue abaixo:



   Muito tempo atrás, meu irmão falando sobre desigualdades cunhou o termo “gênio da computação nascido no sudão”, que passamos a utilizar sempre que vemos alguma pessoa extremamente inteligente ou consciente preso em uma situação negativa que não o deixa evoluir. Penso hoje que grande parte das pessoas é um pouco esse gênio, frustrado e preso em um mundo que diz que o motivo por ele não alcançar uma posição melhor na vida é apenas dele, pois seu esforço foi pouco.
    Nunca acreditei em igualdade de oportunidades, nem por isso quero mal para quem teve a sorte de ter uma chace de melhoria, espero apenas que essa tirinha ilumine a visão de quem ignora que a vida cobra mais de uns do que de outros e que necessário um esforço social absurdo para uma mínima equiparação. Não tem nada a ver com coitadismo, tem a ver com verdade e respeito.









quarta-feira, 27 de maio de 2015

KUNG FU CONTRA AS BONECAS

   Esqueça os filmes de kung fu do “Força Total da Band” e as cenas épicas de chineses acertando golpes que tiram fumaça quando acertam seus oponentes, esqueça a escancarada de pernas do Van Dame e as coreografias de Jakie Chan, o filme definitivo sobre artes marciais foi filmado no Brasil em uma época onde o politicamente correto não havia nascido e o baixo orçamento e o no sense ditavam as regras no cinema, estou falando de “Kung Fu contra as bonecas” , filme de 1975, produzido pela Galante (a mesma produtora do assustador Cinderela Baiana, com a Carla Perez.) e dirigida e estrelada por Adriano Stuart.
Chang se preparando para luta
O Filme conta a história de Chang, filho de um chinês com uma pernambucana, que retorna para sua terra natal após anos na China estudando a arte do Kung Fu, chegando no Brasil descobre que sua família foi morta (incluindo seu porquinho) pelo bando do famigerado Cangaceiro Azulão, que estão tomando a terra dos pequenos fazendeiros a fim de colocar em prática o terrível plano de um coronel de construir uma estrada pelo local (ou algo assim). E, assim vai atrás de sua vingança auxiliado por Maria, uma lutadora de capoeira que também teve o pai morto pelo bando de cangaceiros, munidos apenas de suas habilidades e falta de noção.
O filme é tão ruim, mas tão ruim que é bom !!       As “Bonecas” do título se referem aos próprios cangaceiros, que são Gays. Cada um deles usa uma cor de roupa diferente, no melhor estilo power Rangers, com um número costurado em suas costas como se fossem jogadores de futebol, o próprio “Azulão” (interpretado por Maurício do Valle, o inimigo clássico dos filmes dos trapalhões) vai durante o filme desmunhecando mais e mais, chegando ao ponto de cantar músicas da Carmem Miranda enquanto seu “guarda costas” apalpa sua bunda (é sinistro)!! O protagonista Chang, vivido pelo próprio diretor Adriano Stuart, não luta nada, mas mata qualquer um de rir com suas caretas e grito de fúria, em contrario de Maria (Helena Ramos), que chega a parece que luta mesmo e levando a situação a sério (dentro dos limites da galhofa).
 
soco mais fatal que o do Johnny Cage
    Durante uma hora e meia, somos fuzilados com a mais pura comédia pastelão e frases engraçadíssimas. O filme começa mostrando o pai do protagonista indo as compras e o balconista dando a ele um gravador com microfone onde ele fala sua lista de compras em chinês e é traduzido automaticamente, o gravador traduz a lista da seguinte forma “ 35 kg de linguiça, 4 sacos de feijão, 345 pasteis, 250 pirulito de morango, etc.”(muito bom!). Em todos momentos de tensão, Chang tem flashbacks de seu mestre passando ensinamento que ele descarta na cena seguinte, nesses flashbacks, Chang está vestindo uma roupa de formatura, fazendo menção ao fato de ter terminado seu treinamento, em uma sala repleta de velas, se destacando o mestre “Chinês” que é um ator negro com bigodes brancos a la Pai-mei que o chama de “pernilongo. Os cangaceiros do bando de Azulão, por serem jogadores de futebol, passam o tempo todo cantando “é camisa dez na seleção” em homenagem a seu líder, que como todo craque traz o número dez nas costas; Chang, ao conhecer Maria e a defende-la do bando, acerta um golpe no melhor estilo Bruce Lee no saco de um dos cangaceiros, ao virar o corpo do sujeito e ver que o mesmo tem um número dois nas costas solta a frase “eu sempre odiei lateral direito!” (É muito no sense), E oque falar da indumentária do herói, que anda pela caatinga tocando um sax miniatura e trajando um chapelão de Cowboy e um sobretudo, tendo por baixo uma camiseta babylook rosa com os dizeres “kung fu”,isso sim é herói!

   Sem mais delongas, Assistam “Kung Fu contra as bonecas” uma joia da boca do lixo, um filmaço de chorar de rir fruto de uma época onde a diversão era o que interessava e não o patrocínio da Petrobras. tão ruim, mas tão ruim, que é ótimo, chegando a ser distribuído internacionalmente com o singelo nome de "Bruce lee vs Gay power" mostrando como se faz marketing e que não importa ser ruim, o importante é não ser bobo . Diversão Garantida.
QUEBRA TUDO CHANG !!

terça-feira, 12 de maio de 2015

VINGADORES: A era de Ultron

   Em 2012, a MARVEL estúdios fechava a chamada “fase 1” de sua trajetória nos cinemas lançando “Os Vingadores”, filme que unia os maiores heróis da terra para enfrentar uma invasão alienígena no centro de Nova York. O filme foi um sucesso, arrastando milhões de pessoas para o cinema e arrecadando mais de um bilhão e meio de dólares em receita, ficando atrás apenas de Titanic e Avatar na história da sétima arte. Pois chega 2014 e o celo retorna com seus heróis em uma nova aventura, dessa vez com a missão de derrotar a inteligência artificial de Ultron e ultrapassar o arrecadamento dos filmes de James Cameron.

   O filme é tiro, porrada e bomba, Já começa com uma cena de fazer chorar qualquer fã de HQ. Em uma batalha na Europa ,que dura uns quinze minutos,os vingadores estão unidos invadindo uma base secreta da Hidra na missão de recuperar o cetro de Loki, que está em poder do grupo terrorista, vemos,em um falso plano sequência, os heróis destruindo o exército inimigo, com destaque para a liderança consolidada do capitão América e a integração de luta do grupo, fato que se o universo DC nos cinemas quiser alcançar o sucesso terá de imitar. Nesse mesmo inicio somos apresentados as gêmeos Maxmoff, Wanda e Pietro, que, utilizados como armas pelo Barão Von Strucker, o líder dos inimigos, vão dificultando a vida dos vingadores. Gostei dessa sequência de apresentação justamente por limitar esses dois personagens, Mercúrio, embora tenha supervelocidade não é “over power” como em “x-men: dias de um futuro esquecido”, onde ele sozinho poderia acabar com a trama toda, em Vingadores, ele é vulnerável e raso em seu propósito, da mesma forma que Wanda (feiticeira escarlate), que nos quadrinhos tem o poder de manipular a realidade e no filme é “rebaixada” a uma telecinética e telepata manipuladora de mentes, que , juntamente com o irmão tem o plano de se vingarem dos vingadores (trocadalho do carilho) e destruir Tony Stark, que consideram como causa da morte de seus pais.  Wanda entra na mente de Tonny Stark, quando ele encontra o cetro e o faz ter uma visão de seus maiores medos, uma nova invasão alienígena, mais poderosa do que nunca e a morte de seus amigos por falha dele, então sobe o título do filme e vamos comemorar a vitória da batalha na torre dos vingadores.

   A festa na torre dos vingadores é uma ótima sacada, afinal, quem nunca se perguntou o que aqueles caras fazem quando não estão por aí de roupas coloridas batendo em alienígenas e supervilões? E essa resposta Joss Whedon dá de forma muito divertida, todos vingadores e personagens secundários estão reunidos conversando sobre suas vidas e cotidiano. Vemos James Rhodes, o War Machine, se esforçando para contar piadas em uma roda de amigos, o Falcão jogando sinuca com o capitão América e um flerte violento entre a viúva negra e o Dr Bruce Banner; destaque para a cena onde todos tentam mover o martelo do Thor. É ao final dessa festa que o vilão do filme se revela, antes já tínhamos sido apresentados a ideia e tentativa da construção, por parte de Tonny Stark, de uma inteligência artificial que pudesse defender o planeta no caso de uma nova invasão; essa tentativa, baseada nas informações da gema do cetro de Loki, desperta e evolui sozinha se tornando Ultron, que se apresentando ao grupo com seus conceitos e ideias bem fundamentas, deixa claro que só há uma chance para a raça humana, tal qual a série do espetacular homem-aranha, ela deve ser rebootada!! Depois da revelação, o vilão abandono o corpo e foge pela internet para um lugar onde poderia reconstruir-se como bem quisesse, ou seja, a base da hidra que os vingadores burramente não explodiram!

 
Você não tem mais cordas sob mim
  Depois de reconstruído, Ultron busca toda informação na rede e nos arquivos da hidra para encontrar quem ele poderia utilizar contra seu inimigos e assim ele convoca os Irmãos Maximoff. Mercúrio Vai Mercúrio vem e os vingadores descobre que Ultron se encontra em um país da costa africana, buscando conseguir vibranium para construir um corpo “indestrutível” e partem no encalço do robô. Chegando lá e entrando em conflito que
Wanda entra na mente dos vingadores e somos apresentados a seus medos e revelações de futuro e passado. O Capitão América se vê em uma festa de militares, com seu grande amor, Peggie Carter, ainda jovem dizendo que a guerra acabou; Thor também está em uma festa, no que parece ser um salão do Inferno asgardiano, em que Heindall (Idris Elba) o aponta como culpado pela morte de todos em Asgard (já iniciando o que será abordado em Thor Ragnarok, o terceiro filme do herói); A Viúva negra lembra de seu passado como assassina Russa e expõe seus traumas de ser esterilizada e programada para deixar de ser um indivíduo, vale questionar como ele se aproximava dos heróis com tanta facilidade? Talvez ela tivesse poder de teletransporte não creditado, mas isso não fica claro. Duas cenas nessa sequência são muito bacanas, quando Mercúrio passa correndo pelo martelo do Thor e tenta pega-lo acabando sendo arrastado junto e quando a feiticeira, ao tentar hipnotizar o gavião recebe um choque e desmaia, com o arqueiro dizendo:”já estou cansado de ser hipnotizado, não vai rolar” remetendo ao primeiro filme.A sequência acaba com os gêmeos olhando Bruce Banner ao longe e Wanda falando ao irmão que precisa terminar a missão. Expectativa, o coro vai comer!!
   
Agora o bicho vai pegar
  Bruce Banner é Hipnotizado, se transforma em Hulk e parte furiosamente em direção da cidade. É quando Tonny Stark o segue e inicia o projeto verônica e quando o Hulk se prepara para destruir tudo, eis que surge a HulkBuster!! Essa é a melhor sequência do filme, homem de ferro x Hulk, sem piedade ou choramingo, mas com muitas piadas. Toda a luta é tão bacana que eu acho difícil apontar uma cena especifica, mas tenho de dar destaque ao soco britadeira na cara do Hulk e o satélite verônica repondo as partes destruídas da Hulkbuster cada vez que um membro é destruído pelo gigante esmeralda, sem contar com o momento onde o Hulk perde um dente, olha com aquela cara de “cê tá morto meu irmão” e Tonny Stark larga um singelo “desculpa” em voz quase inaudível. A luta acaba com um prédio sendo implodido em cima do Hulk, o que o trás novamente a realidade, traumatizando ainda mais Bruce Banner; Depois disso nossos heróis são levados para um lugar seguro, a casa do Gavião Arqueiro (quem diria?!)

   No refugio do Gavião somo apresentados a sua família, mulher grávida e um casal de filhos. Uma humanização e aprofundamento bacana do personagem, que como sendo um dos poucos normais, cria esse link com o telespectador. Nessa sequência a Viúva negra abre seu coração para Banner mostrando seus reais interesses no cientista e seu sonho de ter uma vida comum, longe do passado que a perseguia, também há um confronto entre o Capitão e o homem de ferro, dando um gostinho do que a guera civil vai mostrar em “Capitão América 3”! Então surge Nick Fury e descobre-se que Ultron tem o plano de fazer um corpo perfeito e somos transferidos para o laboratório da Dra Chow, que trabalha com reconstituição de tecido e que, sob a influência da joia da mente do cetro de Loki dá inicio ao projeto de realizar a vontade do vilão. Nesse momento, Wanda descobre os reais planos de Ultron, graças a Joia e aterrorizada bloqueia o upload de sua mente para seu novo corpo é quando os vingadores chegam, começa uma nova cena de ação, onde a Viúva é  capturada e os gêmeos resolvem ajuda-los, unindo-se a equipe. Destaque do mercúrio salvando cada pessoa na rua de ser atropelada por um trem descontrolado, algo que o Homem de aço da Warner nem cogitou em fazer.

   O corpo sonhado por Ultron é levado para Tonny Stark, que tem o plano de combater fogo com fogo, ao descobrir que seu programa de ajuda, Jarvis, se encontrava solto na rede, bloqueando Ultron de ter acesso aos códigos de lançamento de misseis nucleares, ele o reconstrói e resolve usa-lo como software nesse corpo, o que não agrada em nada o Capitão América e os Gêmeos Maxmoff, que tentam impedi-lo, mas graças a Thor, em seu momento “It's Alive” surge um novo Herói. Assim somo apresentados a Visão, que depois de um choque com a realidade e uma rápida luta se diz do lado da vida e apresentando seu antagonismo para com Ultron e discursando sobre a compreensão do fato de não confiarem nele, desconfiança que cai por terra ao segurar o martelo de Thor e entregar ao dono. Quase na mesma hora, Gavião recebe um pedido de socorro da viúva via código morse e a localiza, da-se os preparativos para a última batalha, com o Capitão dizendo que nem todos voltarão vivos (profético) enquanto nossos heróis vão se equipando. Destaque para a coleção de tênis do Mercúrio, as milhares de ponta de flecha do Gavião e O Homem de Ferro trocando seus sistema de apoio para um chamado “sexta-feira” menção a solidão de um Robson Cruzoé, talvez mais um gostinho do que nos aguardo o próximo filme do Capitão América. E assim os vingadores partem para a batalha final.
   Ultron está em uma cidadezinha do leste europeu (pelo menos parece ser) e tem um plano Terrivis, transformar a cidade inteira em um meteoro que acabará com a vida na terra, diante disso nossos heróis vão ao encontro do vilão para extingui-lo primeiro. Então começa a batalha, Ultron se apresenta a seu “Pai” Tonny Stark e a batalha se desenrola, nesse momento Visão chega e o desconecta da Internet, dessa maneira o vilão fica preso a seu corpo e dos robôs a seu comando dentro da cidade; no mesmo momento, Bruce Baner parte para resgatar a Viúva negra , que o “convence” a se transformar no Hulk para ajudar a destruir a ameaça. Durante a batalha surge uma das cenas mais engraçadas do filme, cercados por um exército de robôs, o Gavião arqueiro e a Feiticeira escarlate estão dentro de uma casa, ela está com apavorada procurando se esconder e o gavião faz o melhor discurso motivacional do cinema , ele diz: - Olha, nós estamos em uma cidade voadora, sendo atacados por um exército de robôs e eu estou usando arco e flecha, nada faz sentido! Mas temos trabalho a fazer , se você ficar aqui e se esconder seu irmão virá e talvez você sobreviva, mas se sair dessa casa será uma vingadora, a escolha é sua. Depois disso , nossa heroína assume uma postura mais firme e se une em definitivo com o grupo, enquanto isso no centro da cidade é barata voa e,O homem de Ferro e o visão se juntam a Thor contra Ultron que tem seu corpo mais evoluído quase que derretido, mas consegue escapar para a nave de ataque dos vingadores.

O Herói do filme
   Quando parece não haver mais esperança, eis que surge o Aéreo porta-aviões da S.H.I.E.L.D para resgatar tanto heróis como civis que se encontram na Cidade Meteoro. E durante a retirada, quando Gavião arqueiro resgata um menino, Ultron aparece atirando com a nave, Gavião fecha os olhos, a câmera lenta é acionada indicando que vai dar problema e de repente , nada...ele abre os olhos e tem um carro colocado na sua frente, ele olha para o lado e Mercúrio está de pé a seu lado crivado de balas, Pietro se sacrifica para salva-lo em uma cena que arrancou suspiros de piedade de quem estava no cinema e liberou a fúria de Wanda no filme. Após isso o Hulk invade a Nave e escuta-se apenas Ultron Gritando e sendo arremessado para fora , seus robôs tentam fugir, mas aparece War Machine para detê-los com visão o ajudando em uma cena muito legal de perseguição aérea; nesse momento, Hulk mostrando consciência e sabendo que é uma ameaça, desliga a comunicação da nave e some no horizonte, o Ultron evoluído está caído e Wanda se vinga da morte do irmão arrancando seu “coração”; sobra apenas uma cópia de Ultron, tão deformada como a primeira, que Visão persegue e tem um dialogo fantástico, onde o vilão o chama de ingênuo devida sua fé nos humanos, o que ele rebate dizendo que a causa disso se deva pelo fato dele ter nascido ontem (pá-bum-pss).
   A cidade Meteoro e Ultron são destruídos, as pessoas salvas e , mesmo com baixas os vingadores salvam o dia, então somo apresentados a base dos novos vingadores, onde Stark e Thor se despedem dizendo que precisam de um tempo e saem de cena, assim como o Gavião arqueiro, que vai para casa dar atenção a sua família e o Hulk que dasaparece. Nisso sobra o Capitão américa e a Viuva negra, que nos apresentam os novos vingadores, War Machine, Falcão , Feiticeira escarlate e Visão; e , o filme termina com o Capitão dizendo “Vingadores....” e eu gritando: “ASSEMBLE”!!

   Mas, e o que eu achei do filme? Acho que o fato de ter transcrito o filme em três páginas me denuncia como fã, mas para mim não é vergonha dizer que adorei “Vingadores: a era de Ultron”. Novamente a MARVEL veio com um filme leve que agrada toda a família, sem menosprezar a inteligência de ninguém (embora não vá te fazer sair filosofando) , o longa consegue alternar entre muita ação, comédia e um pouco de drama quando mostra os medos e passado dos heróis, não decepcionando fãs e amantes de filmes de ação.

   Gostei da consolidação da liderança do Capitão América, que já estava bem anunciada ao final de “Capitão América: o Soldado invernal”, outra coisa que me conquistou foi o desenvolvimento que deram ao Gavião Arqueiro, que parecia não ter o porquê estar no primeiro filme, mas que nesse mostra a que veio, assim como a utilização dos personagens periféricos dos outros filmes da MARVEL que foi uma grande jogada, integrando todo universo em cenas curtas, mas o que eu achei show de bola mesmo foi a cena de batalha do Hulk x HulkBuster, que prendeu a galera na cadeira e arrancou gargalhadas de todo mundo, e a tão esperada estréia do Visão, um herói digno de verdade, mais Super-homem do que o homem de aço da Warner (dá pra ver que odiei o homem de aço !)

   Mas nem tudo são flores, achei que Joss Whedon utilizou da mesma fórmula de sucesso do primeiro filme para garantir a aceitação do público, como colocar os gêmeos Maximoff como vilões no inicio do filme, tal qual o Gavião arqueiro no primeiro; as cenas longas de um pequeno grupo lutando com um exército e um vilão megalomaníaco. Até alguns recursos para empolgar o público foram reutilizados, como o sorriso do Hulk quando vai para a última batalha, isso tira um pouco da originalidade do filme em si, mas na minha opinião não o diminui em nada.

   Só posso concluir dizendo que “Vingadores: a era de Ultron” é um filmaço que correspondeu as minhas expectativas e me fez sair feliz do cinema; como filme de meio funciona de forma espetacular e deixa um gostinho de quero mais que faz com que se torça para a chegada de “Capitão América:Guerra Civil” e “Vingadores 3”, recomendo muito!


Avante Vingadores!!

sábado, 14 de março de 2015

Tudo ao mesmo tempo !


    O cartão está atrasado; Preciso comprar uma câmara de ar para o carro, pois na pressa de sair, acabei rodando vazio e cortou o pneu, o para brisa também vai ter de ser trocado; tenho que comprar chocolate porque a páscoa vem chegando; último ano da faculdade e meu computador já não tem jeito, vou ter que comprar outro; na empresa o serviço só aumenta e as cobranças idem; minha enteada quer que eu a leve na pracinha, minha mulher quer conversar sobre obras na casa, meu filho quer atenção. Dei uma respirada funda, querendo que tudo aquilo passasse, sonhando com algum momento de paz, de plenitude e, sem pensar mais, fugi para a internet.

 Passando os olhos pela internet, me deparei com a notícia de um sujeito da minha idade que morreu em um acidente pela manhã. Ele deve ter saído mais cedo para evitar o trânsito, mal se despedindo da família e encontrou seu fim alguns poucos quilômetros de casa. Lendo aquilo enxerguei as preocupações do sujeito, as contas, o trabalho, a vontade de resolver tudo para ontem, de encontrar paz e plenitude no meio do caos do dia-a-dia, mas encontrando apenas o fim

Tudo ao mesmo tempo

     Fiquei pensando sobre a vida em si, mais trabalho do que lazer, mais sofrimento do que prazer, mais dúvida do que certeza, mais dívida do que crédito, mas mesmo assim maravilhosa. Sonhamos todos os dias com paz e plenitude, mas esses dois conceitos só existem por completo na morte, mas quando ela chega, não há mais tempo para nada; na vida, pelo contrário, tudo acontece ao mesmo tempo,mas há tempo para tudo, e, talvez essa seja a melhor definição da vida: “tudo ao mesmo tempo”!



  Pois que assim seja, que venha tudo ao mesmo tempo, as dúvidas e a busca por respostas, o passeio de bicicleta e as tarefas de casa, a manutenção do carro e o TCC, o trabalho dobrado na empresa e as conversas sobre as obras, os lançamentos no cinema e a cerveja com os amigos, o adeus a quem vai e o abraço em quem volta. Aproveitar esse “Tudo ao mesmo tempo”, esse turbilhão de acontecimentos que é a vida e empurrar para um futuro distante essa paz e plenitude, sabendo que os problemas que surgem no caminho são o sinal que o mundo nos dá para sabermos que ainda estamos aqui e seguindo em frente.



terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

BATMAN: Ataque ao Arkham ( o esquadrão suicida como DEVE ser !)

    Entre DC e Marvel eu sou muito mais a Marvel. Gosto desse universo porque ele me parece menos forçado, mais coerente, as motivações de seus heróis e vilões são mais aceitáveis e a criação e introdução de novos personagens e morte de outros mais natural. A Marvel consegue renovar seu panteão de heróis com uma tranquilidade que a DC não possui, se vê isso apenas comparando o sucesso da Marvel Now e fracasso dos novos 52 da DC e isso vem se confirmando também no cinema com um sucesso atrás do outra da Marvel estúdios. No entanto, no que se trata de animação, a DC comics ainda reina absoluta e isso vem se confirmando a cada ano, desde os clássicos para a TV “Batman a série animada”, que inovou com seu estilo e ficou marcada na minha memória graças a trilha sonora, passando pelo “Batman do Futuro” e a “Liga da Justiça” (não! não estou falando dos superamigos) até chegar nos longas de animação como ponto de ignição e o “Batman, o cavaleiro das trevas” que é a adaptação da obra de Frank Miller e é genial!! Não sei se o pessoal da Warner que trabalha com essa área é escolhido a dedo entre os melhores, ou se a DC vê o sucesso nessa área como questão de honra,o fato é que o universo de animação da espetacular e isso se confirmou mais uma vez com seu último longa “Batman: Ataque ao Arkham”.

   A História é a seguinte, O charada ( aquele velho “vilão” bobo do Batman) conseguiu roubar informações sobre a força tarefa X, também conhecido como esquadrão suicida, e ameaçou revelar publicamente o nome dos atuais, antigos e aspirantes a integrantes desse projeto, colocando em risco os interesses de Amanda Waller (a Nick Fury de saias da DC comics), só que o charada é capturado pelo Batman e enviado para o asilo Arkhan, onde as informações, que estão em um pendrive em sua bengala são arquivados; Amanda resolve então recrutar um time de vilões dispensáveis para invadirem o Arkhan e recuperar o pendrive. O grupo que é formado pelo Pistoleiro , Arlequina , Capitão Bumerangue , Tubarão Rei, Aranha negra e Nevasca têm nano bombas implantados em suas cabeças ,que podem ser detonados caso desobedeçam ou tentem fugir, eles são jogados de paraquedas sobre Gothan para buscarem ajuda logística e abrigo do maior Gangster da Cidade, Oswald Cobbelpot, o Pinguim e depois devem se dirigir até o alvo e sem chamar a atenção recuperar o objeto, tendo em troca redução de penas e benefícios, é claro que colocar um time de vilões de segunda linha dentro de um hospício recheado com os maiores vilões do Batman é indicador de problemas e é justamente o que acontece
Turminha reunida
    O longa é muito bom ! Principalmente porque explora bem os personagens centrais que é o grupo do esquadrão suicida (ignorando o Batman, que tem sua importância, mas fica em segundo plano), a aura de anti-herói durão e líder que dão ao pistoleiro convencem, assim como a canastrice e falta de profissionalismo do capitão Bumerangue, as personalidades e interesses são bem claros e até o clima de romance entre a Nevasca e o tubarão Rei é bacana. O traço do desenho, assim como as cenas de luta, lembram um pouco os animes japoneses, com a câmera correndo e os personagens dando um show de agilidade e ação. O designer dos uniformes dos personagens também é muito legal, o Pistoleiro usando uma roupa discreta e as armas que ele carrega nos pulsos desenhadas de forma que quem veja entenda como funciona, ao contrário daquele colam vermelho dos quadrinhos que parece uma péssima ideia para quem quer ser um assassino que não quer ser pego, O tubarão rei também ficou legal, um brutamontes com uma mandíbula de metal ao invés do tubarão bípede das antigas histórias do Super-boy; O Aranha negra , um ninja assassino falando em honra e disciplina, a luta dele com o Batman no depósito é épico e, é claro, a Arlequina e Nevasca dando um show de sensualidade e assassinatos fecham o grupo com chave de ouro.
"VAI TER FILME??"



   No ano passado a DC/Warner anunciou o filme do esquadrão suicida para 2016. Eu, embora conhecedor os personagens nunca me senti muito fã, mas isso mudou depois de assistir a animação. Se o estudio conseguir manter o clima no mesmo nível que o longa animado é garantia de sucesso, mesmo com as possíveis adaptações que serão necessárias para entrar na faixa de censura 13 anos, pois o desenho está um pouco longe disso, com a descartabilidade de sues personagens principais ao melhor estilo do Sr George R.R Martin e com cabeças explodindo, pessoas sendo esfaqueadas, mulheres apanhando e uma tórrida, embora não mostrada, cena de sexo entre Arlequina e Pistoleiro. “Batman: Ataque ao Arkahn” se transformou em um clássico imediado para mim e espero que a DC consiga transpor essa genialidade que eles apresentam em suas animações para suas HQ's e Filmes, mesmo ao custo da vida de alguns vilões de segunda classe.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Bonnie & Clyde, Lampião & Maria Bonita, Corisco & Dadá e os verdadeiros heróis de suas histórias

  Nesse último domingo assisti a maratona da série “Bonnei & Clyde” na history Channel. A série conta a história da famosa Gang Barrow que aterrorizou o meio-oeste americano durante a década de trinta, partindo da origem dos personagens , passando pela formação da Gang, sua transformação em lenda e culminando com a morte dos dois protagonistas em Bienville Parish em 23.05.1934, quando ambos tinham vinte e cinco anos de idade. Gostei da humanização que deram aos personagens retirando aquela aura de invulnerabilidade que as lendas trazem consigo e do fato de também dar foco aos outros membros da Gang, como o Irmão de Clyde, Buck Barrow e sua mulher Blanche Barrow; mas achei que a ideia de colocar Clyde Barrow quase como um médium, que ante vê os perigos e tem visões de seu destino, assim como Bonnie Parker como a maior manipuladora e exibida que já existiu na terra um tanto forçada (embora as fotos que os bandidos deixaram atesta para tal traço de personalidade).
Bonnie e Clyde
  Na semana anterior, a Globo reexibiu a série “Lampião & Maria Bonita” de 1982 em um especial em formato de filme, onde utiliza argumentos semelhantes para dar mais carisma aos personagens e glamoriza-los. A série conta como foi a vida e a morte do rei do cangaço, que atuou no Brasil quase que no mesmo período que Bonnie & Clyde atuaram nos E.U.A. Lembro de assistir a série quando ela foi reexibida pela primeira vez no “Vale a pena ver de novo” quando o politicamente correto ainda não existia e a violência e o sexo corriam soltos depois das duas da tarde; naquela ocasião, eu com uns oito anos fiquei um pouco chocado com as cenas onde orelhas eram arrancadas e as cabeças dos soldados eram mostradas cortadas em uma bacia, mas gostei bastante, mesmo assim sentia que faltava algo ou tinha alguma coisa um pouco torta na narrativa e foi só depois de rever a série e depois assistindo Bonnie e Clyde que percebi que o que faltava era o aprofundamento do Herói.
 
Frank Hamer
 A Gang Barrow foi riscada da terra devido ao esforço de um homem, Frank Hamer, um oficial dos Rangers americanos que voltou a ativa para caçar “bonnie e Clyde”, na série embora ele tenha uma grande importância, tendo seu faro para perseguição e talento mostrados, ele é muito pouco explorado, tanto que procurando saber mais sobre o personagem histórico não encontrei livros a venda sobre ele e mesmo o Dr Google e a Senhora Wickpedia possuem pouco material do carrasco da Barrow Gang, muito semelhante ao que acontece com as volantes que perseguiam e matavam os cangaceiros no nordeste brasileiro, tudo que se encontra sobre elas só é encontrado quando é referenciado na história dos bandidos e quando isso acontece há uma grave inversão de valores e o bandido se torna um herói, ignorando os crimes e sofrimento que eles causaram; assim como a coragem de quem os eliminou.
      Procurando um pouco sobre esses verdadeiros heróis, não tive sorte ao pesquisar sobre Frank Hamer, mas encontrei o excelente Blog “Lampião aceso”, que conta a história do cangaço e da luta para deter os bandos de bandoleiros que assombravam o interior nordestino no inicio do século XX , lendo o blog fui agraciado com a história e uma entrevista com o Coronel Zé Rufino, o homem que matou uma das lendas do Cangaço, “Corisco”; a entrevista, feita pelo escritor e cineasta Ruy Guerra desenhou na minha mente a imagem de um Herói real que fez o que tinha de ser feito e não esperou aplausos ou glamour pelo feito, assim como Frank Hamer, esquecido pelos livros e ignorado pelo Google.
Abaixo segue a história de zé Rufino e logo após sua entrevista.

Cel. Zé Rufino - "O Matador de Cangaceiros"

Por Ângelo Osmiro Barreto.
Zé Rufino em sua fazendo em 1962


José Osório de Farias, o afamado 
Zé Rufino, conheceu LAMPIÃO- Rei do cangaço quando ainda era um sanfoneiro, percorrendo o sertão brabo das ribeiras do Pajéu e adjacências, no sertão de Pernambuco, estado onde nasceu.

O primeiro encontro entre os dois valentes sertanejos deu-se nas terras do município de Salgueiro. 
Zé Rufino tocava numa festa de casamento e LAMPIÃO era um dos convidados, a empatia do chefe dos cangaceiros com o sanfoneiro foi imediata. LAMPIÃO convidou Zé Rufino para ingressar no bando. Com muita habilidade o futuro matador de cangaceiros disse que não podia acompanhar o grupo, pois sua mãe já era idosa e como "arrimo" de família tinha os irmãos para criar, além de tudo não gostava de armas, o capitão o desculpasse, mas não tinha nascido para aquela vida.

Passado algum tempo, aconteceu um novo encontro com o rei do cangaço, mais uma vez LAMPIÃO convidou 
Zé Rufino para acompanhá-lo. Com medo de negar novamente um pedido do Capitão, disse ao rei do cangaço que antes precisaria solucionar alguns problemas familiares; como iria deixar sua mãe e seus irmãos? Tinha que resolver essas questões.

LAMPIÃO o liberou, entretanto marcou uma data para sua apresentação e dessa vez não aceitaria desculpas. 
Zé Rufino agora tinha que se decidir, ,ou entraria no cangaço para acompanhar aquelas verdadeiras feras humanas ou iria se apresentar como soldado na volante, o que pouco diferenciava de um cangaceiro, como sanfonciro não poderia mais ficar.

LAMPIÃO não o perdoaria. A decisão foi difícil, mas 
Zé Rufino optou por entrar na polícia, seu destino agora seria perseguir cangaceiros. Zé Rufino foi um dos mais temidos perseguidor de cangaceiros, chegou rapidamente ao oficialato, alcançando a posição de Coronel da Policia Militar da Bahia.

Consta na literatura sobre o cangaço cerca de vinte e duas mortes feitas pela volante comandada por 
Zé Rufino. Sua volante ficou famosa no sertão por cortar as cabeças dos cangaceiros mortos em combate. Sua façanha mais conhecida foi à morte do cangaceiro Corisco o "Diabo Louro", um dos mais famosos cangaceiros que se tem noticia. Marcando definitivamente ente o fim do cangaço.

O Coronel 
Zé Rufino, combateu na volante baiana até o extermínio do cangaço.Terminada a campanha contra o banditismo, “comprou algumas fazendas na região de Geremoabo” no estado da Bahia, aonde já idoso veio a falecer.

Zé Rufino em entrevista

O HOMEM QUE MATOU O CANGACEIRO "CORISCO"
Por Ruy Guerra*



O sol do meio-dia fazia da praça de Jeremoabo/BA um imenso deserto.


Lembro-me que tudo se passou naquele ano triste de 1962, ano da morte de Miguel Torres, no acidente desse mesmo jipe agora ali estacionado, coberto de poeira, junto da única loja aberta naquele vazio do mundo.

Só não me lembro como foi que o coronel Rufino surgiu, sentado no bar, esfíngico, vestido de uma camisa e calça caqui, sem atinar muito bem o que queríamos dele. Nós, igualmente calados, sem outro intuito que o de trocar umas palavras com o homem que matou Corisco.

Mas dali para a frente tudo ficou marcado em mim com uma nitidez que chega a assustar. Cada gesto, cada palavra, cada silêncio, foi ficando através do tempo mais depurado, mais definido, mais exato. Não há um detalhe, uma palavra, um sentimento, de que eu não tenha a serena convicção que foi assim, rigorosamente como tudo se passou.

Pedi um cerveja, que chegou morna.

O coronel Rufino, e não sei porque isso devia me surpreender, pediu um sorvete de morango. O Miguel Torres, por uma dessas maldades da memória, deixou de estar presente. Houve um silêncio largo, desses silêncios de quando estranhos se medem e se perguntam a si mesmos como começar essa aventura que é a de se conhecer.

Do coronel Rufino eu sabia tudo o que me parecia importante saber: que era o maior caçador de cangaceiros ainda vivo, que há muito estava aposentado, que era natural dali mesmo, daquele sertão. De nós, imagino, ele sabia apenas que fazíamos cinema e pensávamos filmar por aquelas bandas. E não parecia particularmente interessado em saber mais. Aceitava o encontro como a inevitável curiosidade que desperta quem traz a marca de ter matado o cangaceiro mais mítico de toda a história do cangaço.

Com movimentos pausados, de quem tem toda a velhice diante de si para gastar, ia sorvendo seu sorvete de morango.

O que mais me marcou naquele encontro, logo de saída, foi isso mesmo: o sorvete de morango. A cor desmaiada do sorvete barato, a colherzinha vagabunda na mão grossa, seca, veienta, com o dedo mindinho ridiculamente afastado dos outros dedos.
Por que um sorvete, e ainda mais de morango?

Por causa desse insólito sorvete me custou a lançar a conversa.

Comecei com perguntas banais das quais já conhecia as respostas, e que não justificam o desvio que havíamos feito por aquelas poeiras calorentas do sertão para aquele eventual encontro. Se ele, coronel Rufino, havia comandado muitas volantes atrás de cangaceiros. Se toda a sua vida se havia dedicado a essa caça, se havia perseguido Lampião. Se havia dado voz de sangrar a muito bandido.

A cada pergunta, Rufino ia monossilabicamente confirmando, pausado, aparentemente mais atento ao sorvete de morango que ao óbvio questionário.

- E Corisco? O senhor matou Corisco?
Corisco e Dada


- Matei.

O Coronel Rufino não era um homem alto, nem tinha nada que à primeira vista pudesse impressionar alguém que não soubesse do seu passado. Nos seus, imagino, sessenta e tantos anos, não se sentia nele um grama de gordura. Tinha um rosto marcadamente nordestino, sem emoções visíveis, uns olhos fendidos preparados para os exageros da luz da caatinga e uma voz surpreendentemente jovem.

Parecia desinteressado, embora cortês. Senti que ele estava, não ansioso, mas determinado a terminar o encontro com o final do seu, para mim já irritante, sorvete de morango.

Foi essa certeza e o sentimento da idiotice das minhas perguntas que me fizeram perguntar de supetão gratuitamente:

- O senhor, coronel, torturou muita gente?

- O coronel Rufino parou de comer o seu sorvete, a mão pesada, suspensa no ar, a meio caminho.
Pela primeira vez senti que pensava rápido, embora o tempo durasse. Depois, delicadamente, pousou a colher. Até então ele nunca me havia encarado, e continuou assim.
Limitou-se a olhar a imensa praça vazia, assustadoramente amarelada pela crueza do sol.

- Seu João!

A voz continuava controlada, e embora o tom não tivesse aparentemente subido, atravessou a distância. Foi então que eu notei que um camponês desgarrado estava passando.

O homem entrou no bar. As alpercatas de couro sem ruído, o chapéu de palha agora respeitosamente na mão, um olhar rápido para os forasteiros.

- Sim, coronel? O coronel falou num tom macio, quase afetuoso.
- Seu João, o senhor me conhece há muito tempo, não é verdade?
- Conheço sim, coronel.
- Quem sou eu?

Uma leve estranheza na voz do camponês.

- O senhor?... O senhor é o coronel Rufino.
- Eu persegui muito cangaceiro, não persegui? - Perseguiu, coronel.
- Eu matei muito cangaceiro, não matei? - Matou, coronel.

A voz de Rufino continuou, inalterada.

- Eu torturei muito cangaceiro, não torturei? A voz do coronel Rufino parecia ainda mais mansa, mais paciente.
- Eu torturei muito cangaceiro, não torturei? Os olhos do camponês correram por nós, intrigados.
- Não, coronel... Não, senhor.
- Obrigado, seu João. Pode dispor!

Com um leve aceno de cabeça para todos o camponês afastou-se. O coronel Rufino esperou que o homem desaparecesse no sol da praça e só então me encarou, pela primeira vez.
Os olhos fendidos sem expressão, talvez por isso mais inquietantes, aprisionando os meus. A voz sempre igual, mas onde se podia sentir agora, nítida, uma intensa paixão.

- "Toda a minha vida eu persegui cangaceiro. Prendi muitos, também dei fuga a muito pobre-diabo que se meteu nessa vida por injustiça que sofreu. Mas matei muitos, muitos mesmo. De bala, de faca, de todo o jeito. Era a minha profissão".

Levantou a mão, espalmada, à altura do rosto. Essa mesma mão, que até então tinha servido para comer aquele irritante sorvete de morango. Foi uma pausa curta, mas guardo aqueles breves instantes como os de uma indefinível angústia.

- "Mas esta mão, esta mão que o senhor está vendo aqui, nunca tocou o rosto de um homem, fosse quem fosse, nem do pior bandido. Porque homem a gente mata, sangra..."

Passou a mão suavemente pela própria cara.

- Mas tocar o rosto de um homem, só sua mulher e o barbeiro têm o direito de tocar".

O coronel Rufino retomou a colher e continuou a comer o interminável sorvete de morango. Lembro-me de ter sentido um imenso alívio, como se tivesse vindo de muito longe. E tinha, como compreendi mais tarde.

Daí para diante não me lembro de mais nada. Não sei como nos separamos, se trocamos mais alguma palavra - o que duvido - além de alguma banal despedida. Mas ao longo dos anos comecei a relembrar e a contar, obsessivamente, este encontro. Não com o sentimento de ter escapado de algum perigo - embora ainda hoje não esteja muito certo disso -, mas com a desconfortável convicção de ter ido tão fundo naquele sertão para ingenuamente insultar um homem na sua hospitalidade, na sua memória, no seu mundo.


Zé Rufino ao lado da prisioneira Dadá


Texto publicado no jornal O Estado de S. Paulo, em 1993, e reproduzido do livro "20 Navios", de Ruy Guerra. Editora Francisco Alves, Rio de Janeiro, 1996, prefácio de Chico Buarque, 228 páginas.

# RUY GUERRA: Cineasta, escritor, dramaturgo, compositor (parceiro de Chico Buarque, Edu Lobo, Francis Hime etc..), ator..etc..


      Na minha opinião, nenhuma frase define melhor o que esses homens fizeram quanto a dita pelo escritor francês Victor Hugo:
                   " Quem poupa o Lobo, Sacrifica a Ovelha!"

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

"DEIXA ELA ENTRAR" - muito do livro e um pouquinho dos filmes

    Em 2008 o cinema sueco trazia ao mundo uma grande surpresa ao reviver com dignidade a imagem do vampiro; se tratava de “Deixa ela entrar” do diretor Tomas Alfredson. O filme, que conquistou o cenário mundial no ano seguinte, rapidamente se tornou um clássico, recebendo uma refilmagem americana em 2010 com a Eterna Hit-gril, Chloë Grace Moretz , no papel da vampira ELI e dirigido por Matt Reeves que viria a dirigir o elogiadíssimo “Plane dos macacos: o confronto” em 2014. Eu, quando assisti ao filme o achei ótimo, mas na minha infinita ignorância sempre achei que ele era fruto de um roteiro original, no melhor estilo cinema autoral europeu, mas ao pesquisar um pouco mais sobre a obra após ouvir o excelente Cinecast Cult ( do site os cinéfilos) sobre o original sueco, acabei por descobrir que o roteiro é adaptado do livro homônimo do escritor John Ajvide Lindqvist e que a Globo livros o havia lançado no Brasil em 2012; Então eu não resisti, comprei o livro e o devorei.
   A história central do livro não tem nada de diferente dos filmes, ela se foca em Oskar e Eli; Oskar é um menino solitário dos subúrbios de Estocomo , que vive com a mãe, que é separada do pai alcoólatra , e divide seu tempo entre casa, onde está sempre só e a escola onde sofre bullyng dos colegas; Eli por sua vez é uma menina misteriosa que se muda, junto com seu “pai” para o apartamento vizinho ao de Oskar e acaba firmando uma amizade com ele, o fazendo refletir sobre autoestima, amor, solidão, sexualidade, medo e violência; enquanto essa amizade vai crescendo, estranhos assassinatos vão sendo realizados nas proximidade de Blackeberg, bairro onde os protagonistas moram, criando tensão e medo entre os habitantes, é entre esse acontecimentos que Oskar descobre que Eli é uma vampira, o que muda para sempre sua vida e sua forma de ver o mundo e a si mesmo. A trama central já é bem rica pelos temas que aborda e pela maneira como expõem esses assuntos , de forma que utilizaram apenas esse arco para roteirizar os filmes; no entanto, algo que não existe nos filmes é o aprofundamento das outras pessoas afetadas pela situação e as ações e reações que os protagonistas precisam tomar para sobreviver naquela sociedade, o que ao meu ver é muito bem conduzido pelo escritor, pois o livro tem diversos personagens que foram diminuidos ou excluídos nos filmes e que são importantíssimos para que possamos entender o mundo onde Oskar vive e aceitar suas decisões.

   Já no inicio do livro, Quase que junto com os personagens centrais somos apresentados a Hakan, que Oskar imagina ser o pai de sua nova amiga, mas que na verdade é seu ajudante; um pedófilo apaixonado por Eli e que é responsável de conseguir sangue para a sua amada de modo que esta não precise se expor. Nos filmes, a relação deles é distante e muitas vezes Eli o despreza como se ele já não fosse mais útil, já no livro há uma grande cumplicidade entre os dois, de modo que a Vampira não se zanga quando seu ajudante diz que não quer mais matar e vai a busca de sangue ela mesma, recomendando que Hakan descanse e esqueça um pouco a vida que eles levam; A história de Hakan vai sendo exposta lentamente, partindo de um momento atual onde ele caça e executa vítimas para retirar o sangue e, sua vida anterior, onde vemos seus atos de pedófilo; também somos apresentados a suas frustrações e arrependimentos e surpreendidos com momentos onde ele tenta realizar gestos genuínos de bondade, mesmo quando sua consciência grita que não há redenção. Diferente dos filmes o “fim” de Hakan ainda abre espaço para mais situações assustadoras e converge com o final de outros personagens em momentos aterrorizantes que ficariam muito legais no cinema.
   Há também o grupo do Bar Chinês, que não aparece por completo nos filmes; esse grupo é composto por Joke, Gösta, Larry, Morgan, Lake e Virginia ( no filme o grupo se resume aos amantes Lake e Virginia), esse grupo é a representação da solidão humana e de um underground que eu não sabia que existia na suécia; Morgam faz bicos para viver e está sempre de porre, Joke trabalha em um ferro velho as vezes, Gösta  vive em um fétido apartamento com vinte e oito gatos, Larry é aposentado por doença (qual ninguém sabe), Lake vive do dinheiro da venda da casa da família e dos selos raros que herdou do pai e Virginia é uma solitária cinquentona que bebe para esquecer as frustrações de sua vida e emprego medíocres, todos eles são descritos sempre usando roupas gastas e surradas quando não sujas, cambaleando pela noite, com o olhar vazio e o rosto e o corpo marcados pela bebida; deles, apenas Virginia tem uma filha e um neto, os demais só possuem uns aos outros, mas mesmo assim, não se pode dizer que eles são companheiros, na verdade é um grupo de várias solidões juntas. Esse grupo é responsabilizado por nos mostrar duas questões ( além de exporem uma sociedade Sueca desconhecida), as consequências que um crime, como o assassinato, causam no circulo social da vítima e as questões que se apresentam quando alguém é contaminado por um vampiro. O primeiro caso surge quando Joke, um dos bêbedos do grupo, é vítima de Eli, que sai para caçar após a resposta negativa de seu ajudante; o desaparecimento de Joke causa um forte impacto no grupo a que ele pertencia, especialmente em seu melhor amigo, Lake, que se desespera e se torna obcecado em descobrir o que aconteceu ao amigo; motivo que o leva a descontar, dias mais tarde, suas frustrações e raiva em Virgínia, sua amante, que acaba sendo atacada por Eli quando a fome a havia dominado. A partir daí acompanhamos todas as etapas da transformação de Virgínia, sua alergia a luz solar, sua fome e a descoberta pelo prazer de beber sangue (que é muito bem ilustrado pelo escritor), uma pseudo explicação científica que informa o porque o coração é o ponto franco dos vampiros, passando por delírios onde a infectada se imagina sugando o sangue de seu próprio neto. Devo dizer que os capítulos onde , após ser atacada pelos gatos de Gösta (que ela visitou para matar, mas que foi frustrada pela presença de Lake no lugar), onde Lake está com ela no hospital e lhe conta o sonho que tinha de morar no interior com ela e comprar uma casa para sua filha, tirando lágrimas dos olhos da vampirizada ,são muito bonitos e emocionantes, embora o final seja tão aterrador quanto o filme, quando a manhã chega e a enfermeira abre as janela para o sol entrar.
o sol anda forte não?!
   Também temos Tommy, sua mãe Yvonne e seu futuro padrasto , o policial Staffan. Tommy é um garoto mais velho que mora em um apartamento vizinho ao de Oskar, ele é uma das poucas pessoas que parecem respeitar o menino, dando-lhe conselhos e conversando sobre o dia a dia, ele passa grande parte do tempo no porão do prédio com seus amigos, cheirando cola e pratica pequenos furtos para conseguir dinheiro; Yvonne é uma viuva perdida que só é relatada fumando, sem saber como tratar com o filho ou observando seu namorado com olhos alegres; Staffan por sua vez é um dos policiais responsáveis por investigar os assassinatos que vem acontecendo na região de Blackeberg, campeão de tiro e cristão devoto, é através de seus relatos que somos apresentados a como a sociedade lida com a presença de um assassino em série em seu meio. Os motivos da rebeldia de Tommy e a consequência disso na relação de sua mãe com staffan são lentamente desenvolvidas e divertidamente trabalhadas. Esses personagens foram cortados dos filmes, talvez para dar um ar ainda mais solitário ao protagonista, mas que no livro são importantes pois são uma especie de espelho da vida que Oskar poderia ter também, deixando claro que ele não teria quase nenhuma esperança caso essa fosse sua situação.
   Um outro arco, que embora pequeno é muito bom e eu não esperava, é o de Johnny, o garoto que faz Bulling em Oskar. O autor o apresenta como o segundo filho de uma família de seis irmão, sendo apenas ele e Jimmy, seu irmão mais velho, filhos do mesmo pai. O capitulo único onde o foco é Johnny, apresenta uma conversa entre ele e o irmão mais velho onde o assunto é o pai que trabalha em uma plataforma de petróleo na Noruega, em poucas linhas , embora não justifique o modo como o personagem age, acabamos por entende-lo e o aceitar, a forma como o autor o humaniza, relatando a casa bagunçada, a mãe alcoólatra e sempre grávida, a falta de esperança e base, faz com que tenhamos mais pena do que raiva e nos coloca um nó na garganta quando o fim desses personagens é anunciado, ao mesmo tempo em que lá no fundo dizemos “Bem feito!”. É brilhante!
Dois outros personagens se impõem na trama, o clima do inverno Sueco e a solidão de seus personagens. No livro o clima tem um papel importante, a ideia do branco do gelo que representa a pureza e ao mesmo tempo a frieza; O clima também tem destaque nas partes tensas como quando um assassinato vai acontecer, o autor frisa o derretimento do gelo e a lama negra que corre pelas ruas, fazendo com que carros derrapem e armadilhas para os desavisados se formem. A solidão, como já falei, está em todos lugares do livro, no protagonista que sem amigos, se sente só mesmo que acompanhado da mãe, da Vampira que caminha entre as pessoas durantes séculos sem conhecer o que é a amizade verdadeira, Johnny que usa o bulling como armadura e que sente a falta de um pai e que vê no estilo de vida do irmão o único elo com algo que ele reconhece como verdadeiro, Hakan que ciente de seus defeitos vaga sozinho e triste reconhecendo seus crimes, o grupo do Bar chinês e suas desesperanças, as mulheres, sempre retratadas como submissas às vidas que lhe foram impostas, todos personagens estão sozinhos por mais que estejam acompanhados, analisando bem o livro, penso que a história é muito mais sobre a solidão do que uma simples história de vampiro.
Sempre fico feliz quando gosto de um filme e descubro que o livro onde foi baseado é ainda melhor que ele e “Deixa ela entrar” é um exemplo disso. O filme é muito bom, mas o livro o supera quando apresenta os personagens periféricos citados e as consequências da situação em suas vidas, além de levantar diversas outras questões, como a Origem de Eli, que é ignorada nos filmes e que nos é mostrada através de um sensacional elo psíquico que se forma entre ela e Oskar quando eles se beijam, Oskar é colocado dentro da mente de Eli e vê, como se fosse ela, seu passado e como aconteceu sua contaminação, de forma que descobrimos que Eli na verdade é Elias!isso mesmo, um menino!! Elias foi emasculado e contaminado para saciar a sede de sanguem do senhor feudal onde sua família era serva, isso a mais de duzentos e vinte anos.... o que responde a uma pergunta que a (ou o) vampira(o) faz a Oskar quando a amizade de ambos começa a crescer : “se eu não fosse uma menina, você gostaria de mim?”... e a resposta de Oskar se confirma apesar das dúvidas que a revelação perturbadora levantam em sua cabeça de menino de doze anos..., “Sim!”, o que também é claramente sentido por Eli , algo que nos filmes parece ser um sentimento simulado na busca de um novo ajudante.
   Outra questão é o Bulling, nos filmes a situação vivida por Oskar pode ser caracterizada como terro psicológico, mas no livro o medo é devido a uma verdadeira possibilidade de dor física acompanhada pela certeza de humilhação constante, Oskar é perseguido a todo momento, o obrigam a imitar um porco, o surram, sujam e prejudicam de toda maneira, conseguimos sentir através das linhas a falta de força e esperança que o personagem apresenta frente a tudo e acompanhamos a alegria quando ele consegue reagir e começa a se tornar alguém diferente, o final do livro me arrancou um sorriso quando fala o que acontece com os covardes irmãos Johnny e Jimmy na piscina de treinamento da escola.

  Por tuuuuuuuuuuudo isso, considerei “Deixe ela entrar” um dos melhores livros que li nos últimos anos e o melhor romance sueco que eu já li na vida (só li ele), um livro de fantasia que não ofende a inteligência de ninguém mas que ao mesmo tempo consegue ser divertido e empolgante, consegue explorar bem seus personagens expondo suas motivações, sentimentos e vida; mostra uma lado diferente do comumente apresentado da Suécia, traz novamente a dignidade que foi roubada dos vampiros ultimamente, apresentando aquele quê de violência e revanche que deixa um gostinho de sangue na boca, sem trocadilho.
  
capa do filme original 2008