quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

"DEIXA ELA ENTRAR" - muito do livro e um pouquinho dos filmes

    Em 2008 o cinema sueco trazia ao mundo uma grande surpresa ao reviver com dignidade a imagem do vampiro; se tratava de “Deixa ela entrar” do diretor Tomas Alfredson. O filme, que conquistou o cenário mundial no ano seguinte, rapidamente se tornou um clássico, recebendo uma refilmagem americana em 2010 com a Eterna Hit-gril, Chloë Grace Moretz , no papel da vampira ELI e dirigido por Matt Reeves que viria a dirigir o elogiadíssimo “Plane dos macacos: o confronto” em 2014. Eu, quando assisti ao filme o achei ótimo, mas na minha infinita ignorância sempre achei que ele era fruto de um roteiro original, no melhor estilo cinema autoral europeu, mas ao pesquisar um pouco mais sobre a obra após ouvir o excelente Cinecast Cult ( do site os cinéfilos) sobre o original sueco, acabei por descobrir que o roteiro é adaptado do livro homônimo do escritor John Ajvide Lindqvist e que a Globo livros o havia lançado no Brasil em 2012; Então eu não resisti, comprei o livro e o devorei.
   A história central do livro não tem nada de diferente dos filmes, ela se foca em Oskar e Eli; Oskar é um menino solitário dos subúrbios de Estocomo , que vive com a mãe, que é separada do pai alcoólatra , e divide seu tempo entre casa, onde está sempre só e a escola onde sofre bullyng dos colegas; Eli por sua vez é uma menina misteriosa que se muda, junto com seu “pai” para o apartamento vizinho ao de Oskar e acaba firmando uma amizade com ele, o fazendo refletir sobre autoestima, amor, solidão, sexualidade, medo e violência; enquanto essa amizade vai crescendo, estranhos assassinatos vão sendo realizados nas proximidade de Blackeberg, bairro onde os protagonistas moram, criando tensão e medo entre os habitantes, é entre esse acontecimentos que Oskar descobre que Eli é uma vampira, o que muda para sempre sua vida e sua forma de ver o mundo e a si mesmo. A trama central já é bem rica pelos temas que aborda e pela maneira como expõem esses assuntos , de forma que utilizaram apenas esse arco para roteirizar os filmes; no entanto, algo que não existe nos filmes é o aprofundamento das outras pessoas afetadas pela situação e as ações e reações que os protagonistas precisam tomar para sobreviver naquela sociedade, o que ao meu ver é muito bem conduzido pelo escritor, pois o livro tem diversos personagens que foram diminuidos ou excluídos nos filmes e que são importantíssimos para que possamos entender o mundo onde Oskar vive e aceitar suas decisões.

   Já no inicio do livro, Quase que junto com os personagens centrais somos apresentados a Hakan, que Oskar imagina ser o pai de sua nova amiga, mas que na verdade é seu ajudante; um pedófilo apaixonado por Eli e que é responsável de conseguir sangue para a sua amada de modo que esta não precise se expor. Nos filmes, a relação deles é distante e muitas vezes Eli o despreza como se ele já não fosse mais útil, já no livro há uma grande cumplicidade entre os dois, de modo que a Vampira não se zanga quando seu ajudante diz que não quer mais matar e vai a busca de sangue ela mesma, recomendando que Hakan descanse e esqueça um pouco a vida que eles levam; A história de Hakan vai sendo exposta lentamente, partindo de um momento atual onde ele caça e executa vítimas para retirar o sangue e, sua vida anterior, onde vemos seus atos de pedófilo; também somos apresentados a suas frustrações e arrependimentos e surpreendidos com momentos onde ele tenta realizar gestos genuínos de bondade, mesmo quando sua consciência grita que não há redenção. Diferente dos filmes o “fim” de Hakan ainda abre espaço para mais situações assustadoras e converge com o final de outros personagens em momentos aterrorizantes que ficariam muito legais no cinema.
   Há também o grupo do Bar Chinês, que não aparece por completo nos filmes; esse grupo é composto por Joke, Gösta, Larry, Morgan, Lake e Virginia ( no filme o grupo se resume aos amantes Lake e Virginia), esse grupo é a representação da solidão humana e de um underground que eu não sabia que existia na suécia; Morgam faz bicos para viver e está sempre de porre, Joke trabalha em um ferro velho as vezes, Gösta  vive em um fétido apartamento com vinte e oito gatos, Larry é aposentado por doença (qual ninguém sabe), Lake vive do dinheiro da venda da casa da família e dos selos raros que herdou do pai e Virginia é uma solitária cinquentona que bebe para esquecer as frustrações de sua vida e emprego medíocres, todos eles são descritos sempre usando roupas gastas e surradas quando não sujas, cambaleando pela noite, com o olhar vazio e o rosto e o corpo marcados pela bebida; deles, apenas Virginia tem uma filha e um neto, os demais só possuem uns aos outros, mas mesmo assim, não se pode dizer que eles são companheiros, na verdade é um grupo de várias solidões juntas. Esse grupo é responsabilizado por nos mostrar duas questões ( além de exporem uma sociedade Sueca desconhecida), as consequências que um crime, como o assassinato, causam no circulo social da vítima e as questões que se apresentam quando alguém é contaminado por um vampiro. O primeiro caso surge quando Joke, um dos bêbedos do grupo, é vítima de Eli, que sai para caçar após a resposta negativa de seu ajudante; o desaparecimento de Joke causa um forte impacto no grupo a que ele pertencia, especialmente em seu melhor amigo, Lake, que se desespera e se torna obcecado em descobrir o que aconteceu ao amigo; motivo que o leva a descontar, dias mais tarde, suas frustrações e raiva em Virgínia, sua amante, que acaba sendo atacada por Eli quando a fome a havia dominado. A partir daí acompanhamos todas as etapas da transformação de Virgínia, sua alergia a luz solar, sua fome e a descoberta pelo prazer de beber sangue (que é muito bem ilustrado pelo escritor), uma pseudo explicação científica que informa o porque o coração é o ponto franco dos vampiros, passando por delírios onde a infectada se imagina sugando o sangue de seu próprio neto. Devo dizer que os capítulos onde , após ser atacada pelos gatos de Gösta (que ela visitou para matar, mas que foi frustrada pela presença de Lake no lugar), onde Lake está com ela no hospital e lhe conta o sonho que tinha de morar no interior com ela e comprar uma casa para sua filha, tirando lágrimas dos olhos da vampirizada ,são muito bonitos e emocionantes, embora o final seja tão aterrador quanto o filme, quando a manhã chega e a enfermeira abre as janela para o sol entrar.
o sol anda forte não?!
   Também temos Tommy, sua mãe Yvonne e seu futuro padrasto , o policial Staffan. Tommy é um garoto mais velho que mora em um apartamento vizinho ao de Oskar, ele é uma das poucas pessoas que parecem respeitar o menino, dando-lhe conselhos e conversando sobre o dia a dia, ele passa grande parte do tempo no porão do prédio com seus amigos, cheirando cola e pratica pequenos furtos para conseguir dinheiro; Yvonne é uma viuva perdida que só é relatada fumando, sem saber como tratar com o filho ou observando seu namorado com olhos alegres; Staffan por sua vez é um dos policiais responsáveis por investigar os assassinatos que vem acontecendo na região de Blackeberg, campeão de tiro e cristão devoto, é através de seus relatos que somos apresentados a como a sociedade lida com a presença de um assassino em série em seu meio. Os motivos da rebeldia de Tommy e a consequência disso na relação de sua mãe com staffan são lentamente desenvolvidas e divertidamente trabalhadas. Esses personagens foram cortados dos filmes, talvez para dar um ar ainda mais solitário ao protagonista, mas que no livro são importantes pois são uma especie de espelho da vida que Oskar poderia ter também, deixando claro que ele não teria quase nenhuma esperança caso essa fosse sua situação.
   Um outro arco, que embora pequeno é muito bom e eu não esperava, é o de Johnny, o garoto que faz Bulling em Oskar. O autor o apresenta como o segundo filho de uma família de seis irmão, sendo apenas ele e Jimmy, seu irmão mais velho, filhos do mesmo pai. O capitulo único onde o foco é Johnny, apresenta uma conversa entre ele e o irmão mais velho onde o assunto é o pai que trabalha em uma plataforma de petróleo na Noruega, em poucas linhas , embora não justifique o modo como o personagem age, acabamos por entende-lo e o aceitar, a forma como o autor o humaniza, relatando a casa bagunçada, a mãe alcoólatra e sempre grávida, a falta de esperança e base, faz com que tenhamos mais pena do que raiva e nos coloca um nó na garganta quando o fim desses personagens é anunciado, ao mesmo tempo em que lá no fundo dizemos “Bem feito!”. É brilhante!
Dois outros personagens se impõem na trama, o clima do inverno Sueco e a solidão de seus personagens. No livro o clima tem um papel importante, a ideia do branco do gelo que representa a pureza e ao mesmo tempo a frieza; O clima também tem destaque nas partes tensas como quando um assassinato vai acontecer, o autor frisa o derretimento do gelo e a lama negra que corre pelas ruas, fazendo com que carros derrapem e armadilhas para os desavisados se formem. A solidão, como já falei, está em todos lugares do livro, no protagonista que sem amigos, se sente só mesmo que acompanhado da mãe, da Vampira que caminha entre as pessoas durantes séculos sem conhecer o que é a amizade verdadeira, Johnny que usa o bulling como armadura e que sente a falta de um pai e que vê no estilo de vida do irmão o único elo com algo que ele reconhece como verdadeiro, Hakan que ciente de seus defeitos vaga sozinho e triste reconhecendo seus crimes, o grupo do Bar chinês e suas desesperanças, as mulheres, sempre retratadas como submissas às vidas que lhe foram impostas, todos personagens estão sozinhos por mais que estejam acompanhados, analisando bem o livro, penso que a história é muito mais sobre a solidão do que uma simples história de vampiro.
Sempre fico feliz quando gosto de um filme e descubro que o livro onde foi baseado é ainda melhor que ele e “Deixa ela entrar” é um exemplo disso. O filme é muito bom, mas o livro o supera quando apresenta os personagens periféricos citados e as consequências da situação em suas vidas, além de levantar diversas outras questões, como a Origem de Eli, que é ignorada nos filmes e que nos é mostrada através de um sensacional elo psíquico que se forma entre ela e Oskar quando eles se beijam, Oskar é colocado dentro da mente de Eli e vê, como se fosse ela, seu passado e como aconteceu sua contaminação, de forma que descobrimos que Eli na verdade é Elias!isso mesmo, um menino!! Elias foi emasculado e contaminado para saciar a sede de sanguem do senhor feudal onde sua família era serva, isso a mais de duzentos e vinte anos.... o que responde a uma pergunta que a (ou o) vampira(o) faz a Oskar quando a amizade de ambos começa a crescer : “se eu não fosse uma menina, você gostaria de mim?”... e a resposta de Oskar se confirma apesar das dúvidas que a revelação perturbadora levantam em sua cabeça de menino de doze anos..., “Sim!”, o que também é claramente sentido por Eli , algo que nos filmes parece ser um sentimento simulado na busca de um novo ajudante.
   Outra questão é o Bulling, nos filmes a situação vivida por Oskar pode ser caracterizada como terro psicológico, mas no livro o medo é devido a uma verdadeira possibilidade de dor física acompanhada pela certeza de humilhação constante, Oskar é perseguido a todo momento, o obrigam a imitar um porco, o surram, sujam e prejudicam de toda maneira, conseguimos sentir através das linhas a falta de força e esperança que o personagem apresenta frente a tudo e acompanhamos a alegria quando ele consegue reagir e começa a se tornar alguém diferente, o final do livro me arrancou um sorriso quando fala o que acontece com os covardes irmãos Johnny e Jimmy na piscina de treinamento da escola.

  Por tuuuuuuuuuuudo isso, considerei “Deixe ela entrar” um dos melhores livros que li nos últimos anos e o melhor romance sueco que eu já li na vida (só li ele), um livro de fantasia que não ofende a inteligência de ninguém mas que ao mesmo tempo consegue ser divertido e empolgante, consegue explorar bem seus personagens expondo suas motivações, sentimentos e vida; mostra uma lado diferente do comumente apresentado da Suécia, traz novamente a dignidade que foi roubada dos vampiros ultimamente, apresentando aquele quê de violência e revanche que deixa um gostinho de sangue na boca, sem trocadilho.
  
capa do filme original 2008

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

PENNY DREADFUL - O suave, doce e classudo terror londrino

   Quando eu penso em um ambiente de terror e tensão clássicos, nenhum lugar “melhor” me vem a cabeça do que a Londres vitoriana, com seus casarões antigos e aparentemente desabitados, o ar poluído das fábricas, a névoa constante e o clima miserável de seus abitantes; muito dessa visão é culpa dos próprios autores ingleses como Conan Doyle e Oscar Wilde, ou dos filmes e documentários sobre Jack, o estripador , que criavam na minha cabeça a ideia de um lugar terrível e impossível de escapar. E para minha alegria, foi essa mesma sensação que encontrei ao assistir “Penny Dreadful” série da Showtime exibida no Brasil pela HBO (sempre ela) entre Maio e Julho de 2014 mas que, como de costume, terminei de assistir dias atrás.
Eva Green como Vanessa Ives
   O nome da série vem das publicações de terror que eram vendidas por centavos na Inglaterra no século IXX e que foram apelidadas de “centavos de terror” , Penny dreadful em inglês; a história tem como protagonista Vanessa Ives (Eva green) Uma médiun perturbada por uma entidade sobrenatural que a persegue desde sua adolescência, a mantendo entre a loucura e a sanidade; ao lado de Vanessa se encontra Sir. Malcon Murray (Timothy Dalton), lord Inglês, explorador e aventureiro que recorre aos dons da médium quando a filha , Mina, é raptada por uma criatura das trevas (bUuUu...); a partir daí pessoas com talentos específicos vão sendo recrutadas para buscar encontrar respostas e ajudar em um possível resgate, tais como Ethan Chandler (Josh Hartnett) misterioso pistoleiro americano, que primeiramente aparece como um ator circense, fútil e mercenário, mas que aos poucos vai se mostrando mais complicado e familiar ao que os terrores da noite tem a oferecer, ou o Dr. Victor Frankeinstein, jovem médico obcecado pelo único mistério que o atormenta, a tênue linha entre o que se considera vida e morte; não podemos deixar de falar da participação especial do Dr. Van helsing, hematólogo que traz consigo o trauma de ter encontrado a escuridão e perdido algo de valioso para ela, outra figura importante é o imortal e conquistador Doryan Gray, que passeia pela história atrás de sensações e prazeres que deem sentido a sua vida; Juntos eles buscarão vencer as trevas das ruas de Londres e de seus próprios passados.

Josh Hatnett como Ethan Chandler
 O seriado é ótimo! Ao meu ver , dentro destas séries pequenas com inicio, meio e fim em poucos episódios, como vem se tornando tendência,só perde para “true detective”, da própria HBO e “Sereia” da Globo e o fator importante para isso é que o foco principal são os personagens e não a trama em si; as pessoas com seus traumas, medos e erros abrem espaço para um universo que converge para situação onde elas são enseridas e que cria a empatia com o telespectador, herança de “Sopranos” e “Breaking Bad”. Outro fator são as atuações, Eva Green está fantástica como a perturbada médiumVanessa Ives, não acho a atriz a mais bonita ou charmosa dessa nova safra de beldades do cinema, seu papel de maior apelo sensual foi em “007 Cassino Royale”, mas depois disso só consigo lembrar dela em papeis meio sem graça em sequências desastrosas, como em “300 a acensão de um império” ou em “Sym city, a dama fatal”, em que ficam forçando um sex appel que ela não tem, já em “Penny dreadful” ela rouba a cena, principalmente quando aparece possuída pelo demônio, revelando os segredos mais íntimos de seus companheiros em meio a deboches, ataques de raiva e frases gritadas em línguas mortas, a melhor possessão desde “O exorcista”!. Timothy Dalton que a meu ver seria um ator que não combinaria com esse tipo de série ( acho que a imagem dele com James Bond ainda está presa na minha mente) convence sempre, Lorde Inglês explorador no melhor estilo Sir Richard Francis Burton, buscando encontrar a origem do Nilo e explorando as savanas da África mantendo a família em segundo plano e a arrastando para a destruição, a decisão de colocar um explorador como pai da pobre Mina, a amante de Drácula e assim explicar a mente aberta e reação da família após o seu rapto foi muito bacana e o ator com aquela postura de lord sem perder o ar de líder durão faz com que tu confie nele até quando seus podres são revelados. Os mistérios e reações que cercam Ethan Chandler talvez não fossem tão intrigantes se quem o viveu fosse alguém diferente de Josh Hartnett que abandona aquele visual de galãzinho dos tempos de 40 dias e 40 noites e se apresenta como o misterioso e atormentado pistoleiro que cai de paraquedas no meio dessa trama toda, mas que aos poucos vai se tornando o elo entre a realidade e os segredos que o grupo vai conhecendo, os mistérios de suas batalhas internas só chamam menos a atenção do que sua tórrida cena de paixão com Doryan Gray . Falando em Doryan Gray, justamente o ator que o interpreta, assim como o que vive o Dr Frankeintein não me convenceram, é como se faltasse alguma coisa aos dois, não sei se devido a ótima atuação do restante do elenco ou do carisma dos outros personagens, que são o sinistro mordomo negro de Sir Malcon, Sembene, vivido por Danny Sapani e a criatura de Frankeinstein, que recebe o nome de Calibã, trabalha no Backstage do teatro londrino e assombra seu criador no sonho de ter uma noiva ( O episódio onde ele conta sua história é fantástico ); perto disso os dois jovens parecem frageis e quase deslocados, embora a cena de diálogo quando o jovem doutor pensa em matar sua criatura seja emocionante e mesmo o Doryan Gray da série bata fácil o apresentado em “A liga Extraordinária” .

Timothy Dalton como Sir. Malcon Murray
  E por falar em “Liga Extraordinária”, acredito que a série seja mais digna do nome do que o terrível filme de 2003, que não soube levar para a tela grande a tensão presente nas HQ's, quando terminei de assistir a série a primeira coisa que pensei foi “E o que será que Alan Morre pensou disso tudo?” … Bom, isso eu não sei, mas o que achei foi que “Penny Dreadful” Não me decepcionou ,muito pelo contrário, foi uma série divertida, repleta de suspense, ótimas atuações e momentos espetaculares, misturando a origem de personagens clássicos da literatura de terror Inglesa sem apelar para o estilo blockbuster de ação sem limites ou debochar da inteligência de quem assiste. Recomendo muito! Nota 8,5

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Guardiões da Galáxia - O filmaço de 2014

   Eu vivi a era de ouro dos heróis da MARVEL no espaço. Nasci nos anos oitenta e as aventuras de Adam Warlock , Capitão Marvel e surfista prateado eram as que mais apareciam naquela época, não sei se pelo fato de a Abril Jovem (antiga distribuidora da MARVEL no Brasil) ser muito atrasada e publicar aqui coisas do final dos anos setenta e que era muito contaminadas pelo recente sucesso de Star Wars, ou pelo simples fato de que mais de oitenta por cento dos quadrinhos que eu lia, vinham de um sebo que ficava perto da minha casa. De qualquer forma eu não gostava muito daquele universo espacial, eram questões muito distantes e eu não me identificava, e, acredito que não era só eu, pois acompanhei o declínio das histórias do surfista e a morte de Adam Warlock e Capitão Marvel, típico caminho tomado pelas editoras quando seus personagens não vão bem. Por isso tudo, que quando anunciaram o filme GUARDIÕES DA GALÁXIA, meu pensamento logo após me questionar quem diabos eram aqueles caras, foi “Aventuras no espaço? Que tiro no pé!” e foi muito bom que ao terminar de ver o filme me senti feliz de estar errado.
indo para a batalha Cheios de Pose

   Com um sorriso no rosto! Foi assim que eu fiquei após assistir à GUARDIÕES DA GALAXIA; o melhor filme da MARVEL estúdios até agora e o melhor filme do ano para mim; não que eu não tenha gostados dos outros filmes lançados na fase dois (exceto homem de ferro 3, que realmente é uma porcaria), Thor 2 é divertido e satisfaz ao que se propõe e Capitão América: O soldado invernal, é um filmaço de ação e espionagem que elevam o líder dos vingadores a outro nível, mas faltava algo a esses filmes que eu não sabia que era, um tempero, um tchan, faltava um toque de... Humor, porque estes filmes, fora as tiradas cômicas, que são características do estúdio, possuíam um enredo muito sério e então vieram os GUARDIÕES DA GALÁXIA e não faltou mais nada.
    O filme conta a história dos guardiões tendo como protagonista Peter Quill (Chris Pratt), ou Star lord (como ele gostaria de ser chamado) que após presenciar a morte de sua mãe, vítima de câncer, é abduzido e se torna um saqueador,uma espécie de pirata espacial, que viaja todo universo furtando, saqueando e roubando (coisas de saqueador) ,e, é através do roubo de um artefato escondido em um planeta abandonado, que ele se vê no meio de uma guerra anunciada entre os Xandrianos ,liderados pela tropa Nova ( que ainda não são aqueles NOVAS das HQ’s) e Ronan, um fanático religioso da raça dos Kree, que tem como objetivo destruir o planeta Xandar e apagar suas ideias e cultura que para ele são hereges. A cena de apresentação dos dias atuais em que Star lord vai até o planeta em que se encontra o artefato (que se revela sendo uma das jóias do infinito apresentadas ao longos filmes da MARVEL) e que começa com um inicio meio sombrio, mas que logo depois o herói retira o capacete, coloca os fones de ouvido, dá o play e sai cantando e dançando ao som de “Come and get your love” do “Redbone”, já mostra a energia positiva e a que veio o filme: uma grande comédia de ação! Que se segue apresentando seus personagens em uma sequência de perseguição para nenhum “piratas do caribe” botar defeito, é quando Peter Quill vai ao planeta Xandar vender o fruto e seu “trabalho” e somos apresentados a Roket Raccon e Groot, dois caçadores de recompensas que são atraídos pela recompensa oferecida pela captura de Quill, sendo o primeiro um Guaxinin geneticamente modificado e o segundo uma arvore humanoide gigantesca, os dois personagens criados por CGI mais humanos e carismáticos da história do cinema ; É também aí onde Gamora, a filha adotiva e assassina particular de Thanos ( que a emprestou ao aliado Ronan) mostra suas habilidades ao tentar roubar o artefato retirar os caçadores de recompensa de seu caminho, garantindo que todos sejam presos pela tropa NOVA , e é na prisão que o grupo se completa com a entrada de Drax, o destruidor, um brutamontes alienígena que busca vingança pela morte de sua mulher e filha nas mão de Ronan e que não entende metáfora, figura de linguagem ou ironia, quase como a maioria dos usuários do facebook! Gamora conta aos outros que odeia seu pai adotivo e que pretende vender o Orbe para um comprador que ofereceu milhões pelo mesmo e que se dispõe a dividir a quantia entre eles se a ajudassem a fugir e é aí que a história se desenrola e, presenciando do que a joia é capaz de fazer que o grupo de foras da lei percebe que são mais do que simples bandidos e que podem fazer bem mais do que pensarem apenas em si.
   
O filme tem cenas e tiradas ótimas que dão destaque a todos os personagens, como quando Rocket explica seu plano de fuga ao grupo e pede uma bateria, uma pulseira de controle de um guarda e a prótese biônica de um prisioneiro, confessando, quando todos trasem o que foi pedido, que a perna era apenas zoação ; ou quando ao se reunirem na nave dos saqueadores e Peter Quill dar um discurso onde diz que eles são todos perdedores e sugerir leis sobre matar ou agir por conta própria, Drax fala em matar alguém e Quill diz: “mas nós acabamos de falar sobre isso faz três segundos” e Drax diz: “hum...eu estava pensando em outra coisa”. As cenas de ação tanto dos personagens quanto das batalhas de naves espaciais também não ficam atrás, dando destaque para o furioso e engraçado Groot e o pequeno e marrento Rocket na prisão e a interceptação da nave Kree pelos Guardiões e os saqueadores quando Ronan resolve invadir Xandar, sem esquecer a última cena de batalha, ao melhor estilo Change-man, mostrando que a únião faz a força.
   Todos estes momentos tem um responsável, o diretor James Gunn, o modo como ele conduz o filme faz com que a história seja engraçada sem ser boba e dá destaque a todos personagens mesmo na hora onde o protagonista brilha, O cara não é fraco e confesso que foi a sua direção que me fez ter um pouco de fé quando vi o primeiro trailer, justamente pelo estilo me lembrar um pouco o que ele apresentou em “Super” (único filme que eu havia visto do diretor e que gosto muito ( já comentado aqui anteriormente)), James Gunn tem aquele estilo livre e apaixonado de fan, parecido com o que os irmãos Russo apresentaram em “Capitão América 2” e que dificilmente decepciona gente como eu. Outro fator para o sucesso do filme é a trilha sonora( Caramba!! que trilha sonora!) Recheada de sucessos dos anos setenta e oitenta, o filme vai estrategicamente de “I not in love” do “10CC”, até “Cherry Bonb” das” Runaways” e dos “Redbone” até “Jackson 5”; algo para fazer sorrir com lágrimas nos olhos. Bobo também fiquei ao ver que a trilha sonora estava para vender com a produção da MARVEL MUSIC (que tapa na cara da DC !), e , não vamos deixar de falar no elenco Chris Pratt me surpreendeu, eu que estava acostumado com seu humor mais ou menos em “Parks n recreation” cai na gargalhada com seu estilo cafajeste de resolver as coisas em guardiões e me emocionei quando ele coloca para ouvir a fita “Amazing MIX n° 2” no final do filme, Dave Bautista está arrasador e engraçadíssimo como o brutamontes Drax e Zoe Saldanha não decepciona como a assassina arrependida Gamora, até as vozes de Groot (que só diz uma frase) e que é dublada pelo Vin Diesel e Rocket Raccon que é feita magistralmente pelo Bradley Cooper conseguem emocionar e dar vida e carisma aos personagens digitais.

   Por tudo isso e muito mais que está no filme, penso que esse é o filme definitivo da MARVEL (até agora) e que se a receita for seguida não enjoará e só trará mais sucesso (até porque o que enjoa é filme ruim). No pronunciamento do estúdio meses atrás a sequencia do filme foi confirmada para 2017 , com o mesmo elenco ,diretor e roteirista, cumprindo a promessa que aparece antes dos créditos finais e provando do sucesso da equipe, o que me encheu de alegria pelo retorno da MARVEL as estrelas e quem sabe o início de uma nova era de Ouro.

I want You Back !



quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Os curtas de terror de David F. Sandberg


Foi através do blog "Papo de homem" que conheci o diretor David F. Sandberg e seu trabalho, e, foi amor ao primeiro susto. O cara trabalha com curtas de terror, explorando os medos mais primais do ser humano e consegue esticar a tensão na medida certa para que seus vídeos de, mais ou menos, três minutos, te prendam na cadeira e pareçam ter uma eternidade. Abaixo vão alguns (recomendo que vejam em casa à noite e sozinhos)

LIGHTS OUT



PICTURED




NOT SO FAST




O cara é muito bom e quem quiser encontrar mais coisas sobre ele, pode procurar no VIMEO, no link abaixo, ele disponibiliza todos seus vídeos lá e vale muito a pena
http://vimeo.com/dauid

Tenha bons sonhos


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

DICAS PARA CAMINHADA NOTURNA - como não ser confundido com um marginal ou espancado por eles


O único momento que eu tenho para fazer exercícios é quando saio da faculdade, então resolvi tornar minha ida do campus para casa (em seus 3,5 km de distância) meu exercício (quase)diário. Mas para andar entre campos baldios, paradas cheias de pessoas desconfiadas e esquinas repletas de manos após as 22 horas, desenvolvi toda uma técnica para evitar constrangimentos e violência.

    As pessoas são muito assustadas, principalmente quando um negão de quase dois metros e mais de cem quilos vem em sua direção. Para evitar o pânico alheio algumas atitudes devem ser tomadas:
    1- Ao se aproximar das pessoas ,erga um pouco as sobrancelhas e esboce um meio sorriso. As pessoas ficam mais tranquilas quando veem que quem vem sua direção tem uma cara de bobo
    2-Caminhe com as mãos ao lado do corpo, nunca pendendo para trás e fique com as mãos em formato de concha, pois mãos serradas dão a ideia de violência e mãos espalmadas de loucura.
    3-Se alguém que vir no sentido oposto parecer receoso ou assustado, pegue o celular e faça com que a tela acenda e fique olhando para o celular utilizando a cara do item 1,as pessoas se tranquilizam quando notam que quem vem em sua direção está desinteressado por elas.
    4-Ao passar por pessoas assovie ou cantarole uma musica , pessoas que parecem felizes são menos ameaçadoras
    5-No caso de um inevitável contato, sorria , use palavras cordeais e um tom de voz agradável. Educação desarma qualquer .
        Por outro lado, um grande problema são os Manos que se acomodam nas esquinas monidos de suas bombetas de aba reta, correntes de “prata” e tubões de vinho, para eles a atitude deve ser diferente:
    1-Dê uma diminuída no passo antes que eles te notem, pois mostrar tranquilidade e confiança faz com que as pessoas pensem duas vezes antes de te confrontar
    2-Arquei um pouco o corpo, pessoas que parecem cansadas são imprevisíveis
    3-Ao passar por eles, dê uma leve olhada com um olhar de tédio, seguido por um suspiro lento e mudo (como quando é domingo e a internet e a TV a cabo estão fora do ar e só tem Faustão na TV) isso mostra indiferença
    4-Nunca, jamais e em hipótese alguma troque de lado da rua ou esconda o que tu traz na mão. Abelhas, cães e maloqueiros sentem o cheiro do medo, então permaneça firme!
    5-Se nenhuma dessas estratégias funcionar e , se tratar de um grupo grande e o conflito for inevitável CORRA, pois não há vergonha nenhuma em querer viver e se o foco é o exercício, intensificar a atividade pode trazer benefícios.

       Esses métodos citados acima vem sendo desenvolvidos ao longo de quatro anos e até o momento não foram refutados, utilizando dos mesmos venho realizando meu exercício (quase) diário sem nenhum acidente. o mesmo também é utilizável para dias conturbados no trabalho, visita de cunhado e quando uma testemunha de Jeová bate a porta, não necessariamente na mesma ordem. Usem com sabedoria !

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Ser chefe não é ruim , mas ser líder pode ser um tiro no pé (será?)


     Existem milhares de livros sobre liderança, assim como uma infinidade de revistas e palestras frisando o valor do líder; Em contra partida, a imagem do chefe vem sendo depreciada e vinculada a ideias e atitudes negativas ou truculentas. No entanto, nunca ouvi falar de quem enxergasse os atributos da liderança como um tremendo problema para quem os possui, ou quem veja a chefia como o reflexo da evolução natural, trocando em míudos: Ser chefe não é tão ruim para ninguém, mas ser líder é uma tremenda furada para si!
Ser líder tem seu custo
     O que Gandhi , Chê Guevara, Martin Luter king, Malcon X, John Kenedy , John Lennon e Jesus Cristo tinham em comum além do dom da liderança?.... Sim! Todos foram assassinados. Trazendo para um plano menos dramático e extremo, quem lidera (com toda força que esse conceito tem) inspira alguém a fazer algo , e, quem inspira se torna fonte do problema ou, no mínimo, uma ameaça futura e uma hora ou outra passa a ser visado e até perseguido, pois ninguém quer uma ameaça futura por perto.Por outro lado há o chefe e esse não inspira ninguém , ele aponta o que deve ser feito; ninguém tem expectativa positivas com um chefe, se ele for razoável beleza, se ele for ruim já era esperado ; O chefe não é uma pessoa, ele é a personificação da “lei convencionada”, então o que parte dele não é pessoal e isso diminui sua culpa nas atitudes tomas, fato que o prende nos trilhos da hierarquia, e quem é preso à uma hierarquia oferece muito pouca ameaça.
  
    Embora muita gente diga que não, acredito que a liderança seja inata, ou no mínimo fruto de uma infância que favoreceu a maximização de seus atributos que tem a ver com carisma, personalidade e atitude , e isso não se pode fingir por muito tempo. Já a chefia é uma arte que embora também necessite de algumas particularidades, são amplamente observáveis e podem ser facilmente treinadas.Abaixo cito algumas para quem aspire a chefia de qualquer coisa:

1 – Vistasse como um chefe: Ninguém leva a sério alguem que vai trabalhar com uma camiseta dos X-men ou Star Wars , então deixe a “descolabilidade” de lado e prefira o jeans básico ou calças sociais e a boa e velha camisa abotoada ou polo , preferencialmente em tons escuros e discretos , lembre-se que animais muito coloridos são venenosos e a última coisa que se quer é causar essa impressão ao subconsciente de alguém acima na hierarquia do grupo de ser uma possível ameaça.
2 – Sempre Fale Alto: falar alto denota autoridade e razão, pelo ser humano médio é visto como simbolo de força e inibição, além de ser uma ferramenta de demarcação de território. Quem pretende chegar a um cargo de chefia (em qualquer área de sua vida) deve treinar sua voz para sempre se sobre por a dos outros, pois na maioria dos casos vale mais a pena ser ouvido do que dar-se a entender.

3 – Tenha sempre muita energia: Esqueça a paz, chefe que é chefe está sempre parecendo nervoso e se movimentando, não que esse movimento seja produtivo, mas deve parecer que há uma preocupação por algo que as pessoas normais não notam. Se estiver no serviço saia da sala apurando o passo umas seis vezes por dia, caso esteja tomando chopp com amigos da faculdade, olhe o celular periodicamente de tempos em tempos e suspire como se estivesse com raiva, mas sem perder o bom humor ao retomar o assunto da mesa, isso dá a impressão de responsabilidade e também de companhia suportável (o famoso sério porém não ranzinza ).

4 – Nunca meta a mão: O chefe é quem manda, quem faz é o funcionário, até porque quem faz erra e um chefe não pode se dar ao luxo de errar ,então nunca faça o trabalho de ninguém, seja para ajudar ou para treinar alguém, o máximo que se pode fazer nesse caso e indicar outro para executar a função e já é muito.

5 – Sempre tenha alguém para culpar: Se o chefe é a personificação da lei convencionada, essa lei é inequívoca , portanto as falhas que podem ocorrer no caminho devem ser de responsabilidade de alguém. Isso torna imprescindível que as falhas de quem é chefiado sejam sempre expostas e lembradas, para que fique claro que o chefe é o elemento que procura a ordem em meio ao caos gerado pelos outros.

6 – Sempre tenha certeza: Como personificação da lei um chefe nunca erra, nunca titubea e nunca tem dúvida, ele sempre sabe e , se por uma falha de outra pessoa( vide numero 5) os resultados se apresentarem contrários ao que o chefe dizia no inicio, ele deve utilizar da técnica do duplipensamento e afirmar quantas vezes achar ser necessário que sempre pensou do jeito certo, até que quem duvide se dê por vencido.

     Podemos até fazer um paralelo com os animais. Na natureza não há lideranças, ninguém segue na frente contra as possibilidades de sobrevivência esperando que os outros os sigam, o que há são chefes; Um macho Alpha entre os lobos impõe sua força para manter sua sobrevivencia e de quebra guia a matilha na busca de comida e abrigo, mas o maior exemplo de chefia é Leão, nele se encontram grande parte das características citadas. Um Leão já se mostra imponente por seu visual (item 1) sabemos quem é o chefe quando vemos seu porte e a juba que ostenta, ele não caça, quem faz isso é a fêmea , ele segue lentamente atrás sem meter a mão no trabalho (item 4) e ainda como primeiro e sempre fala alto (item 2) e, por combinar essas atribuições é chamado de rei da selva, imagina se utilizasse de mais itens, onde ele poderia chegar?
     Afirmado tudo acima, podemos chegar a conclusão de que, para o indivíduo ser chefe não é nada ruim e para quem é chefiado não é a pior coisa do mundo, mas a liderança, pelo contrário, representa um perigo ao próprio líder que se torna alvo da desconfiança e ressentimento de quem se sente atingido pelas atitudes e ideias de quem foi inspirado por ele.


7 - E ACIMA DE TUDO.... NÃO ACREDITE EM TUDO QUE LÊ


    

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Dica de HQ: HINTERKIND


   Recentemente resolvi voltar a ler HQ's , talvez influenciado pela invasão que essa mídia causou no cinema ou para buscar um entretenimento mais leve e rápido do que os livros e séries, e, decidido isso, fui atrás do que poderia prender minha atenção de homem de trinta e poucos anos e não é que no meio de tanta coisa eu fiz um achado fantástico?! Se trata de “Hinterkind”, série periódica da Vertigo escrita por Ian Edginton e desenhada por Francesco Trifogli.
Capa da Primeira Edição
    A História é o seguinte: décadas atrás houve um cataclismo que devastou a raça humana, deixando poucos grupos de seus membros isolados pelo mundo, com isso as criaturas que eram tidas como mitos e contos de fada, saíram de seus esconderijos e passaram a viver livres no mundo, entre elas se encontram sátiros, ogros, elfos , vampiros entre outros.A trama começa mais ou menos quarenta anos após esse evento e apresenta um grupo que está sediado em Nova York , entre essas pessoas conhecemos Angus, um garoto tímido e que esconde um segredo da comunidade, sua melhor amiga Prosper, aventureira e excelente caçadora , e o Dr .Asa Monday ,avó de Prosper e médico do grupo; esses três, são os responsáveis iniciais por nos apresentar esse mundo e nos ligar a outros personagens, e, isso começa quando o Dr Monday se voluntaria para buscar notícias de uma base de vigilância que não está respondendo aos chamados de rádio, sendo seguido de longe por sua neta e seu amigo sem saberem que entrarão em contato com todo tipo de criatura, um reino de Elfos em uma guerra familiar pelo poder e uma invasão de vampiros Europeus .
   
Vampirada soltando o dedo
Ian Edginton conta a história sem pressa , passando do grupo humano para criaturas caçadoras de gente, entregando um pouco sobre situação do reino dos Sidhe (Elfos)e do grupo paramilitar vampiro e, assim vai nos introduzindo nesse mundo pós apocalíptico, que por vezes é mágico, mas que quase sempre é terrível. Os desenhos de Francesco Trifogli são maravilhosos, lembrando em muito a Heavy Metal no seu auge, cada quadrinho é uma obra prima, a aparência dos vampiros (que são os personagens que eu acho mais bacanas, embora estripem criancinhas) é muito legal, roupa militar lembrando o regime nazista, olhos negros, dentes incisivos e organizados hierarquicamente como uma verdadeira unidade militar.
    Resumindo, “HinterKind” é uma obra fantástica que consegue reunir o conceito de fim do mundo, com contos de fada, trama política e terror , com um roteiro que não insulta a inteligencia de quem lê e arte que maravilha quem olha, de um jeito que te faz torcer para o próximo número chegar. Recomendo muito!

Caçando em Nova York
Nova York por Trifogli