quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O Caso do Goleiro Aranha e a violência que nos cerca (Falando sério n° 2)


   A torcedora Gremista que foi flagrada ofendendo o Goleiro santista Aranha, assim como os integrantes do grupo onde ela se incluía, deve responder por seus crimes de discriminação e preconceito conforme é previsto em lei. No entanto, não concordo com o linchamento moral que a mídia vem impondo a moça, que além de causar sua demissão do trabalho e apedrejamento de sua casa, a tornaram vítima de ameaças de morte e até estupro, subvertendo a idéia de denuncia, que é a função da imprensa, ao mesmo papel de incitação de violência (se não mais grave) o qual a torcedora está sendo acusada. No entanto , atos como ocorridos no jogo Grêmio e Santos, estão se tornando cada vez mais recorrentes e para a manter a saúde de nossa sociedade, isso não pode ser mais tolerado.
Idiotice tem cura?
    Não estou tentando diminuir a responsabilidade da torcedora, apenas acredito que a resposta popular me parece exagerada. A moça não matou ninguém,o maior crime a que ela pode ser acusada é de ser idiota e uma reeducação é a punição mais acertada para esses casos, prisão em regime fechado , em um país com o sistema penitenciário como o nosso é quase como pena de morte e ,se em muitos casos um criminoso real, como um assassino , é liberto em dois anos por bom comportamento, alguém que tenha como crime ofensas (que embora graves, são vazias) não deveria ter a prisão como possibilidade de castigo; acredito que serviços comunitários , de preferencia em órgãos ligados a movimentos negros e aulas sobre o multiculturalismo brasileiro, seguidos por um pedido de desculpas público e o pagamento de uma indenização a vítima, já seriam suficientes. A prisão que é pedida por alguns poderia ficar no caso de reincidência, onde a acusada poderia ser julgado por incitação a violência, além dos outros crimes de discriminação já citados acima, mas isso é com a justiça.
   Por outro lado me compadeço com o goleiro Aranha. Por eu ser negro, entendo bem o dano que esse tipo de ofensa causa e o esforço e personalidade que um indivíduo precisa ter para levar esse tipo de situação ao conhecimento da justiça. Em nosso país, o preconceito é silencioso e discreto, mas extremamente atuante, está escondido atrás das vagas que pedem boa aparência, que embora tenham esses termos excluídos das ofertas de emprego, ainda se impõem quando solicitam foto com o currículo; são atuantes nos círculos que são veemente contra as irrelevantes cotas raciais para faculdades onde mesmo após a criação deste programa ainda tem seus números de alunos negros a menos de 10% , sendo o número desses que ingressaram na faculdade através de cotas raciais quase nulo; Está na TV que coloca o negro apenas como empregado, favelado e bandido, quando não o torna o eterno apaixonado pela filha do chefe e tendo a pobreza e o sub-emprego como únicos caminhos; todas essas situações presentes na sociedade, cristalizam o preconceito em nossa cultura , o que torna o papel do denunciante importante para que atos como o que aconteceram no jogo do dia 28 e Agosto sejam cada vez mais repudiados pela opinião pública, obviamente, dentro dos limites legais.
   O futebol é um ambiente de paixão, onde o individuo se sente protegido dentro de um grupo que compartilha desse seu sentimento, tal como a internet, onde as pessoas se sentem seguras em seu anonimato e sentem a responsabilidades por seus atos diluídos entre o grupo e por essa razão se sentem confortáveis para agir sem o mesmo nível de reflexão que em ambientes racionais. As duas situações desse caso (o repúdio e o apoio ao ato racista) são o exemplo disso, opiniões radicais pipocam de ambas as partes, li em um comentário de uma coluna do Yahoo, um sujeito que (baseado em nada) taxava o Rio Grande como o estado mais racista do Brasil, justo o estado que cultua os lanceiros negros, o galpão criolo e negrinho do Pastoreio, e, outro que dizia que o problema do gaúcho era fato de o goleiro se chamar aranha, pois “se se chamasse cobra jogaríamos rosas”, reforçando um esteriótipo ofensivo e preconceituoso falsamente justificado por outro; Já em relação aos atos racistas, não demoraram a aparecer pessoas que mostraram apoio tentando diminuir a gravidade do caso e tentando utilizar do velho cala boca, dizendo que “a vó da sua avó era índia e que não existe preconceito no Brasil”, mostrando a típica visão simplista do “deixa assim” para tentar preterir a situação; ou até quem colocasse a culpa do problema nas cotas e benefícios (como o feriado da consciência negra (pasmem!)) que os negros vem recebendo nessa última década, invertendo o culpado de forma igual a quem aponta a vítima de estupro pelo fato ter ocorrido por ela ser bonita!
   Me parece que o caso serviu para revelar não apenas o crescimento da discriminação na sociedade brasileira, mas a vulgarização da cultura do ódio. As pessoas parecem esquecer o que as palavras respeito e dignidade significam e dispostas a levar às últimas consequências atos contra pessoas cuja ideias vão de encontro as suas. Acredito que a hora de uma resposta verdadeira do governo já tenha chegado, mas que ela seja dirigida a toda a sociedade e que venha através de educação e justiça, e não restringindo a uma única torcedora idiota ou a um time de futebol uma punição que o perto do problema que se apresenta, o tempo tornará irrelevante.

Eu sempre vou acreditar

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O espetacular Homem-Aranha 2 e o Electro que não ameaça ninguém !


  No verão mais super-heróico da história do cinema mundial, o Espetacular Homen-aranha volta as telas para dar sequência ao filme de 2012. Estrelado por Andrew Garfield no papel de Peter Parker (homem-aranha) e Emma Stone como Gwen Stacy, tendo a direção ficado novamente nas mãos de Marc Webb, o filme veio para tentar realizar a difícil tarefa de substituir a marca que a trilogia anterior causou na cultura pop e na memória dos fãs do cabeça de teia.
Seguindo praticamente onde termina o filme anterior, o filme mostra a vida de Peter Parker como homem-aranha, as difíceis relações com sua namorada Gwen Stacy ,com sua Tia May, com todas as pessoas que cruzam o seu azarado caminho; sendo a trama que dá movimento ao filme o mistério sobre a morte de seus Pais e os segredos por trás da Oscorp, assim como no primeiro filme.

Os pontos fracos
   O filme apresenta alguns pontos que achei muito negativos e podemos começar citando os mais gritantes: Os vilões! As motivações dos antagonistas não são convincentes e eles são muito caricaturados; o Electro que tem seu nome presente no título do filme no Brasil, é um pobre coitado que só quer atenção, é uma fusão dos personagens de Jim Carrey em “O pentelho” e “Batman forever”, ele é apresentado como um engenheiro da Oscorp que fica Obcecado pelo Homem-aranha após este o salvar de um acidente, mas que ao sofrer outo acidente (Ê azar) que o transforma em uma criatura elétrica e sair pela Times square feito um zumbi fluorescente, drenando eletricidade dos cabos subterrâneos da cidade, se ofende com uma piada ou outra que o aranha, de quem ele era fã e deveria conhecer a personalidade, fala para ele , dando um ataque de pelanca e destruindo tudo ao redor quando vê que as pessoas admiram o aranha e o veem como um monstro.
Você confiaria em uma carinha como essa? é no mínimo césio !
O outro vilão, Harry Osborn, filho do diretor fundador da Oscorp, Norman “motherfucker” Osborn, ainda é menos convincente; O cara aparece para acompanhar as últimas horas de vida do pai e já recebe aquela recepção clichê de vilão, com o pai dizendo que ele não é nada, que ele é um estranho , só faltando dizer que iria deixar a herança para o cachorro (deve ser culpa daquele cabelo emo), mas mesmo assim seu pai antes de morrer lhe entrega os arquivos de suas pesquisas o que ele utilizará para buscar uma cura para a doença genética que causa a morte do pai e começa a amostrar os sintomas nele, isso contando com a ajuda de Peter Parker, seu melhor amigo de todos os tempos ,que ele não via desde os doze anos e que vive do outro lado de um abismo social e financeiro intransponível. Harry não tem profundidade nenhuma e nem mantém uma coerência, aparece como um escrotinho mimado esfregando que é o dono da empresa no cara que o trouxe até seu pai moribundo e logo a seguir está trocando olhares de carinho com Peter e se lembrando de quando eram crianças, da mesma forma é preso por dois porteiros dentro da Oscorp (sua propriedade) quando é mostrado que os acionistas o querem pelas costas , mas depois derruba dois seguranças de um manicômio roubando a arma de choque de um deles, não deixando claro se ele é um bosta ou se é fodão, além do mais, depois que ele sabe da doença está sempre com um sorriso insano na cara e uma piada pronta, será que ele é bi polar... na verdade eu acho que ele é só idiota; e para terminar,o visual dele como duende verde também não funciona, parece que a menina do exorcista vomitou na sua cara enquanto ele comia um clorets estragado e pisava em um fio desencapado, é o cão chupando manga! O pior fica quando a dupla se une, a motivação que leva Electro a ajudar harry é a frase “I need you” (é muita carência) e ele o ajuda a entrar na Oscorp para injetar o veneno das aranhas mutantes (não quero explicar, porque isso é muito chato) para se curar, o que o transforma no grinch... Ou seja, os vilões do filme são uma grande homenagem ao Jim Carrey!
antes e depois do esquadrão da moda dos vilões

O segundo ponto fraco, mas que eu não vou me ater muito, são os relacionamentos vividos por Peter Parker e a trilha sonora que o acompanham. Toda vez que rola uma DR, lá vem o pianinho tocando sereno, isso acontece quando Peter vai comemorar a formatura com Gwen e sua família e vê o “fantasma” do pai da namorada, acontece quando eles se encontram para conversar após terminarem, acontece quando ele a está seguindo e até após derrotar o Electro a primeira vez e descobrir que a namorada vais estudar na Inglaterra; O pior é que também usam a maldita musiquinha quando ele interage com a tia e até, quando ele acha um vídeo de seu pai falando o quanto o amava (ah essa geração!). Achei esse artifício uma quebra terrível no ritmo do filme, se poderia aprofundar os dramas pessoais sem precisar de uma trilha sonora de sessão da tarde e frases sussurradas, esse clima causa a sensação de estarmos em outro filme dentro do filme e me deu uma tremenda vontade de acelerar as cenas ( o que na verdade, eu fiz !)

Os pontos fortes
   O grande trunfo desse novo homen-aranha, é o próprio homen-aranha. Andrew Garfield é muito mais Peter Parker do que Tobey Maguire, para começar ele lembra aquele amigo da vizinhança dos quadrinho, magro e esticado, com aquela movimentação toda torta que remete ao tempo que Todd MacFarlene desenhava o personagem e sem falar no senso de humor do personagem, que passa o filme todo debochando de si mesmo e de seus inimigos.
só na espreita
Outra coisa que também gostei foi terem retirado aquele adesivo de perdedor da testa de Parker, na trilogia anterior, ele era tratado como o electro é nesse filme, um ninguém invisível e subestimado, que ia com a tia pedir empréstimo no banco era esculachado e permanecia apático, fora o costumeiro olhar desanimado de Maguire que levanta a dúvida se ele teria saco e atitude para ser um cientista ou para sair pulando de prédio em prédio; Nesse reboot , mesmo sendo pobre e tendo dificuldades, Peter tem, além de inteligência, personalidade e confiança, assim como senso de humor para enfrentar a vida, o mínimo que se espera de alguém que quer ajudar as pessoas, Esse é o Homem-aranha!
  
queda livre
  As cenas de ação e efeitos especiais também são muito legais. A apresentação do herói no incio do filme já mostra isso, com o homem aranha saltando de um prédio e a câmera o seguindo na queda, com sua roupa se movimentando devido ao vento (muito bem feito) e depois a perseguição aos mafiosos russos, onde ele e toda frota da polícia, correm a trás do caminhão que roubou plutônio ( quem rouba plutônio além do Dr Brown?) por dentro da cidade é muito legal, assim como as cenas de luta contra o eletro e no finalzinho contra o Rino, que também matam a pau , com ele saltando e mostrando sua já conhecida agilidade e senso de humor . Falando nisso, a sequência que mostra o cotidiano de ação do personagem, salvando pessoas de atropelamento, caminhando entre um pessoal de cosplay (hilário!) e , gripado, salvando uma farmácia de ser assaltada (“eu sou o hoben-adanha”) é demais! sem falar de quando salva um garoto que sofre bulling, o que faz um link com o final e encerrar o filme com uma certa satisfação.
a gripe pegando
Ignorando um pouco as lentas cenas de romance e intimidade familiar, assim como a motivação e a personalidade mutável dos inimigos e focando no humor e ação presentes no filme, o Espetacular “Homem-Aranha 2: a ameaça de electro” é um filme divertido ,embora eu ache que duas horas e vinte e um minutos são muito tempo pela trama que se desenvolve, mas , tem um Peter Paker carismático e que convence, cenas de ação bem ágeis e bacanas, o que esboça a possibilidade de um terceiro filme que honre o adjetivo do título da franquia, pois , ainda não foi com esse filme que a nova trilogia conseguiu superar a anterior , mas mesmo assim ainda há esperança, basta apenas tirar um pouco de musiquinha romântica, colocar mais motivação nos inimigos e continuar focando mais no Peter Parker (humano) do que no Herói. Quem sabe na próxima?!
Beleza!

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Minha História com os X-men, de um passado memorável a dias de um futuro esquecido


  As HQ's me foram apresentadas por um primo mais velho, que após os almoços de domingo na casa de meu avô paterno, sentava com meu irmão e eu em um canto e despejava uma caixa de onde saiam revistinhas do Super-man , Homem-aranha, vingadores, entre outros; ele dizia que devia isso a nós, já que meu pai havia feito o mesmo com ele e, por isso, sou extremamente grato a esse primo, pois tentando desvendar o que aqueles personagens falavam, que eu me esforcei para aprender a ler e buscando entender as referências citadas em suas histórias, que eu me interessei por literatura, mitologia e história, ou seja, devo minha personalidade e caráter, em parte, a cultura das HQ's. E dentre aquela infinidade de personagens e histórias, um grupo de heróis foi aos poucos alcançando destaque nas minhas leituras, um grupo de pessoas rejeitadas que protegia e buscava a aceitação da humanidade ,em histórias que abordavam preconceito e intolerância, assim como amizade e dever, esse grupo se chamava X-men.
  Os X-men eram (e são) um grupo de pessoas que nasceram pertencendo a outra raça, os mutantes, uma alteração genética que lhes dava poderes sobre humanos e por isso eram temidos e discriminados pelo restante da humanidade. Criados por Stan Lee e Jack Kirby para integrarem o panteão de heróis da editora Marvel, a inspiração para os mesmos surgiu no movimento negro americano dos anos sessenta, onde os ideais dos afro-americanos eram guiados por duas figuras que marcaram seus nomes na história do século XX, Marthin Luther King e Malcon X, o primeiro utilizando as propostas da desobediência civil e não violência para buscar alcançar para os negros os mesmos direitos dos brancos e o segundo pregando a ideia de superioridade negra frente a um estado que os tratava como párias, baseados nessas duas lideranças nasciam o professor Xavier e seus ideais de paz entre as espécies e do terrorista Magneto e sua luta pela supremacia mutante. Acompanhei X-men , em suas várias formações e equipes reservas, através dos formatinhos lançados pela abril jovem, desde o inicio ao final dos anos noventa ,quando a realidade de um emprego falou mais alto, cheguei até a possuir um exemplar da primeira edição da revista lançada no Brasil e um encadernado do especial “Wolverine no Japão” comprados em um sebo perto da minha casa . Meu carinho pelos X-men se encontrava no auge , quando li na revista SET que estava para sair o filme dos mutantes, algo que eu sempre sonhara e que acreditava que a vida me devia, justamente por todo esse histórico que apresentei acima, então em dois mil, veio o primeiro filme.
Ano 2000, a semente dos quadrinhos era plantada no cinema
  Em 14 de Julho de 2000, estreava no Estados Unidos, “X-MEN”, filme que juntamente com “Blade, o caçador de vampiros” foi o principal responsável pela lucrativa onda de filmes baseados em quadrinhos que se seguiram na última década e meia; no Brasil, o filme se chamou “X-MEN:O FILME” e estreou dia 18 de Agosto do mesmo ano. Não fui ver o filme no cinema, na época na minha cidade só havia uma sala e meu horário não batia com o da apresentação, mas meu irmão foi e classificou a adaptação como satisfatória, esperei para pegar na locadora e devo ter sido o primeiro a loca-lo e não me decepcionei. No filme, éramos apresentados ao universo dos X-men pela visão do Wolverine, que ,na trama, era resgatado junto com Vampira após sofrer um ataque da irmandade de mutantes; senti falta de uma quantidade maior de personagens e não posso negar que o mal humor do ciclope , a idade da Jean Grey e a altura do Wolverine me incomodaram no início, fora o fato de a Tempestade não voar, mas essas diferenças eram aceitáveis frente ao que o filme trazia , que eram os heróis em ação e a interação e divergência entre suas personalidades, assim como todo aquele drama sobre discriminação que me ganhou nos quadrinhos. Empolgado classifiquei o filme como ótimo, pois os últimos filmes de super-heróis que havia visto eram os Batman do Joel Schumacher, e perto desses, até a série do capitão América dos anos quarenta era nota 10, no entanto fiquei com a sensação que faltava algo, algo que talvez eu fosse encontrar em um X-Men 2.

Uhuuu ... foi quase, mas foi na trave
  Então em 2003, a Fox trazia de volta os X-men para o cinema, novamente tendo Wolverine como protagonista, o filme mostrava uma célula militar que tramava controlar e utilizar os mutantes como armas e de quebra contava um pouco do sombrio passado de Logan. O filme foi um sucesso e esse eu vi no cinema, mas sai da sala com alguns fatos que começaram a me irritar, o primeiro foi a exclusão do ciclope, que nas HQ's é um líder nato e aluno de Xavier mais devotado a causa mutante, no entanto no filme ele só aparece no início onde é capturado e no final quando é salvo, sempre choramingando ou com cara de dor de dente, já ouvi gente falando que a culpa do personagem ser assim no cinema é do ator, mas eu penso diferente, pois no ano anterior Halle Berry havia ganho o Oscar pelo filme “A última ceia” , tendo seu cachê crescido com isso e por isso, precisando de mais espaço na trama, e como a Tempestade (personagem que interpretava) é historicamente a segunda na linha de sucessão de liderança de campo, o truque utilizado foi a retirada do ciclope de cena, um ato que me irritou profundamente, pois ciclope sempre foi meu mutante preferido. Outra coisa foi a “molengalização” do Wolverine, que nos quadrinhos era um personalidade selvagem e um pouco descontrolado, no cinema foi transformado em um galã quase ingênuo, mesmo assim, o filme tem uma das cena de abertura mais legais que eu já vi, que é o mutante Noturno, invadindo a casa branca, assim como efeitos especiais muito bacanas, como no caso da invasão da mansão X quando Colossus se transforma em aço para defender seus colegas e o aprofundamento de alguns personagens que eram mostrados no primeiro muito de relance, como o Homem de gelo, sem falar da cena final que já deixava claro que o inimigo do próximo filme seria a Fênix, mas mesmo gostando do filme, comecei a notar a que a franquia sofria da “síndrome da adiamento de êxtase”, empurrando com a barriga o ápice para uma próxima oportunidade ,mas mesmo assim, eu tinha fé que no terceiro tudo faria sentido.

Uma merda bem intencionada , ainda é uma merda
  Foi quando em 2006, chega aos cinemas “X-men 3 : O confronto final” para me dar um banho de água fria no inverno gaúcho. Para mim, esse é um filme que nunca deveria ter sido feito (juntamente com os filmes do Wolverine) . O filme até que começa bem, mostrando o Anjo ainda criança tentando cortar as próprias asas, o que deu motivação de seu pai buscar uma “cura” para a mutação do filho e depois oferecer essa cura ao mundo, motivo que leva Magneto a começar uma nova guerra contra a humanidade, no entanto toda a boa ideia se perde com a introdução da Fênix no filme,que é muito sem graça , e além disso, novamente o Ciclope é excluído da trama, dessa vez ele aparece com depressão e é morto pela fênix no inicio do filme, algo que eu tomei como ofensa pessoal e o fato de isso ter acontecido se deve a incompetência dos roteiristas da FOX, que nunca conseguiram dar o mesmo carisma no cinema que o Wolverine tinha nos quadrinhos sendo obrigados a matar todos seus antagonistas, como também aconteceu com Deathpool no “X-men origens: Wolverine “ e com o Samurai de prata em “Wolverine Imortal”, Outra coisa que não me passou foi a santidade do professor Xavier, ele é doce e sereno até quando está para ser desintegrado pela fênix, eu pergunto: como que um cidadão tão doce assim cria um grupo de operação de guerra como os X-men? Não faz sentido! Saí do cinema com os dentes trincados de raiva quase levantando uma Jirad conta a Fox e, depois desse filme, comemorei o fracasso que “X-men Origens: Wolverine” teve e prometi não ir mais ao cinema assistir nada dos X-men enquanto os direitos estivessem nas mão da FOX, então veio o “X-men: primeira classe” e quebrei minha promessa.
Não basta amar, tem que desculpar e dar uma nova chance
   Em 2011, a Fox lança “X-men: Primeira classe” com a ideia de rebootar todo universo apresentado anteriormente no cinema, a direção dessa vez foi dada a Matthew Vaughn, que havia feito um relativo sucesso com Kick-ass um ano antes. A trama apresentava como o professor Xavier e Magneto se conheceram e como foi fundada a equipe dos X-men, embora não tenha gostado do fato de mudarem a formação original, sai do cinema satisfeito com o que me apresentaram, As cenas de ação eram bem bacanas e exploraram outros personagens , o Xavier já não era um santo e até usava seus poderes para dar cantada em garotas em um bar quando era jovem, a Jenifer Lawrence como Mística parecia mais real do que a atriz que interpretava o personagem na trilogia anterior ,mas as motivações desse personagem e do magneto não me convenceriam nem se viessem com um cheque em branco junto, a amizade entre Xavier e magneto também não me convenceu, os caras se encontram por acidente, resolvem trabalhar juntos e em quatro dias são amigos de infância; mas tratei o filme como o que ele é, um filme de origem e , assim sendo, sabendo que eu teria mais apresentações do que respostas e jogando no lixo minha promessa, fiquei contando os dias para que a FOX anunciasse o próximo filme da franquia, que talvez trouxesse aquele “QUÊ” a mais que não havia em filme algum até o momento e que os quadrinhos quase sempre conseguiam entregar. Foi então que com grande desconfiança foi anunciado que a seqüência seria baseada em “X-men: dias de um futuro esquecido” uma das séries mais aclamadas dos mutantes da MARVEL , e o verão americano de 2014 chegou.

Uma chance para esquecer o passado traumático

  Pois em 2014, “X-men: dias de um futuro esquecido” chega para unir a antiga trilogia e o universo rebootado dos mutantes e com Bryan Singer novamente na direção. A trama mostra um futuro apocalíptico dominado pelos sentinelas, robôs criados pelas indústrias Trask, inicialmente para caçar mutantes , mas que evoluíram e passaram a caçar possíveis progenitores dessa espécie, e, como qualquer humano pode ter um descendente com alteração no fator-x (que, na história, causa a mutação nos indivíduos ), os sentinelas passaram a caçar, além de mutantes, todo e qualquer humano, colocando ambas as raças a beira da extinção. O filme começa com uma sequência espetacular, os X-men, liderados por Kitty Pryde, estão na china, quando percebem a chegada dos sentinelas, segue-se daí uma batalha onde é mostrada toda a força dos caçadores de mutantes, que tem como objetivo a eliminação de todos os presentes, o ponto forte é o entrosamento da equipe, com a mutante Blink abrindo portais de teleporte e jogando seus companheiros de uma zona de batalha para outra, Colossus saindo na mão com um sentinela e o brasileiro mancha solar usando seus poderes do sol dos trópicos (não é esse o poder dele mas fica engraçado chamar assim) , sem falar no homem de Gelo em sua forma de ... Gelo, congelando os inimigos e escorregando como faz nos quadrinhos e todos mutantes sendo mortos e voltando!! Isso acontece porque deram um poderzinho extra a Kitty Pryde, que ela não possui nas Hq's, mandar a consciência das pessoas no tempo, para avisar onde se dará o ataque e assim evitar o pior e esse poder se torna o artificio que move o filme, pois o plano de Xavier ( que chega no pássaro negro junto com tempestade, Wolverine e Magneto ) é voltar no tempo e eliminar o problema da guerra que gerou o projeto sentinela antes que ela ocorresse e para isso é preciso alguém que consiga se recuperar de um grande trauma com relativa facilidade, alguém que pudesse ter seu corpo e mente destruídos e , mesmo assim, se reconstruir e é aí que entra nosso querido Wolverine.
Mancha solar , Homem de gelo e Colossus. Ação como nunca havia sido mostrado
  Kitty Pryde manda a consciência de Wolverine para os anos setenta e ele acorda em Nova York, em seu corpo mais jovem e com garras de osso, sua missão é procurar o jovem Xavier e convence-lo de evitar que Mística assassine Bolívar Trask, o idealizador dos sentinelas; Logan encontra Xavier , juntamente com o Fera na mansão X que está destruída e abandonada, Fera está em sua forma humana e o professor x está andando e sem poderes, tudo devido a um soro criado pelo fera, esse soro me deixou um pouco com o pé atrás com o fera, pois se o soro cura um paraplégico mutante as custas de seus poderes, poderia curar um humano sem custo nenhum, ou seja, o fera foi muito pouco altruísta ao não dividir sua descoberta com a humanidade ;nessa sequência nos é mostrado um Xavier que desistiu de seus princípios e ideais mas que depois de um bom diálogo decide ajudar a procurar Mística e acabar com o problema que está por vir, só que para isso precisa da ajuda da última pessoa que teve contato com ela, no caso, Magneto, que se encontra preso no pentágono por assassinar John Kennedy! Para solta-lo vão contar com a ajuda de Pietro Maximoff, ou Mercúrio para os íntimos, e tem aí a cena mais bacana do filme, que é a invasão do pentágono; o poder de Mercúrio é a super velocidade e, ao contrário dos quadrinhos onde o personagem é arrogante e mal humorado, no filme ele é hiper ativo e engraçado e a cena onde ele é obrigado a acabar com o conflito na cozinha do pentágono já vale o filme.
Mercúrio correndo pela cozinha do pentágono. cena que vale o filme
Após a libertação de magneto e da DR dos ex-amigos, todos partem para França para impedir o atentado onde Bolívar Trask estaria presente e seria morto por Mística , o que dá totalmente errado, pois Mística e Fera são expostos e filmados em conflito com Magneto que começa a mostrar que seus ideais estão cada vez mais firmes, ao tentar matar mística para evitar que o futuro se concretize e a resposta a isso é que os mutantes começam a ser vistos como uma possível ameaça a raça humana, o que dá oportunidade de o projeto sentinela ser aceito. Então, depois de muitas escapadas da Mística e traições do Sr Magneto, saltamos para Washington onde nosso terrorista mutante planeja usar os sentinelas contra a raça humana e isso ocorre na apresentação do projeto pelo presidente Nixon na casa branca, onde Magneto introduz ferro nos sentinelas (sem trocadilho) e os transforma em suas marionetes atacando as autoridades e colocando-as em um labirinto sem saída, enquanto isso no futuro onde Kitty Pryde mantem a mente de Wolverine estável em seu corpo no passado, os X-men são atacados por um exército de robôs, gerando mais uma grande cena de ação e sacrifício da equipe de campo, mais destaque para Colossus que se mostra tão foda tanto no jeito de agir como no jeito de morrer, já nos anos setenta Magneto cerca a casa branca com um campo de futebol...isso mesmo, um campo de futebol! Que ele arranca e dos alicerces e leva voando até o local da apresentação do projeto, onde Mística está disfarçada de agente da CIA para finalizar sua missão abortada na França, matar Bolívar Trask, é quando sua mente é captada por Xavier, que abdicou do soro que curava suas pernas e, junto com Wolverine e Fera, aguardava a aparição de sua ex-amiga; ele a paralisa, mas no momento em que tenta convece-la Magneto age, forçando que a segurança tranque todos as autoridades em um bunker na Casa Branca... um bunker de metal!! que Magneto arranca do subsolo em outra cena muito bacana , deixando as autoridades sob a mira de armas e utilizando as câmeras que televisionavam a cerimônia para transmitir seu discurso aos mutantes do mundo, nesse momento mística assume a forma de Nixon e o desafia a sacrifica-la em frente as câmeras, nisso Wolverine aparece e o ataca mas é derrubado e jogado para se afogar em um rio com seu corpo todo atravessado por barras de metal, nesse instante Mística se revela ,saca uma arma de plástico e atinge Magneto de raspão e o nocauteia, e foca sua atenção em Bolívar Trask que se encontra sem saída; Xavier então decide utilizar o diálogo e fazer com que ela entenda que os mutantes tem mais a perder do que a ganhar com aquela morte e decide que ela tome a decisão, então ela decide não matar Trask e o futuro onde os sentinelas destruíam o mundo desaparece. A cena final mostra Wolverine acordando no futuro ,com o cabelo grisalho em mansão X lotada , aos poucos ele vai encontrando seus amigos no corredor, por fim chegando a encontrar Jean Grey e é quando ao se dirigir para toca-la que BOOM, aparece Scott summers,vulgo Ciclope, Morto no terceiro filme e cuja morte causou minha revolta contra a franquia, Ciclope ainda é retratado como um idiota mau humorado, mas pelo menos está vivo o que abre a possibilidade de, quem sabe, aquele líder que eu tanto gostava de ver nas HQ's aparecer em uma futura produção, o que é bem provável, já que a cena final apresenta um easter egg do próximo vilão da Franquia, ninguém mais, ninguém menos do que em Sabah Nur, ou, Apocalipse!!
Ciclope e seus óculos de surf , o Retorno!
  Como disse o personagem do Leonardo DiCaprio em “A Origen”, “Nada causa uma marca tão positiva em uma mente do que uma reconciliação” (ou algo assim) e “X-men:Dias de um futuro esquecido” foi minha reconciliação com a franquia; gostei muito do filme , ele satisfez aquele vazio que os outros deixavam, utilizou bem os outros mutantes e , embora Wolverine ainda seja o protagonista, ele na verdade é um expectador da trama, que tem pouco poder de interversão;outro fator positivo foram os retornos de Ciclope e Jean grey que espero que tenham mais profundidade na trama futura. Mesmo assim o filme ainda deixa pontas soltas, como o fato de os sentinelas avançados, que copiam os poderes dos mutantes com que lutam tenham sido criados a partir do DNA da Mística, o que impossibilitaria a presença dela na trilogia anterior, pois ela haveria sido morta nos anos setenta, ou o porque o Wolverine, que envelhece mais lentamente do que todos é o único a ter cabelos grisalhos no futuro; mas isso é pequeno perto do que o filme proporciona e que é satisfação para quem é fã. Penso que a FOX talvez tenha pego um caminho certo para a franquia, óbvio que se os estúdios Marvel produzissem os filmes seria muito melhor, mas para isso acontecer íamos ter de encontrar um certo Wolverine e faze-lo voltar no tempo para evitar a assinatura do contrato, mas já que isso não é possível, o que foi visto em 2014 com o universo mutante foi ótimo! Para dizer a verdade o filme me deixou tão bem que , logo após terminar de ver, entrei no HQ On-line e comecei a dar uma olhada nos quadrinhos atuais, me surpreendendo com as novas fases dos mutantes nas histórias e acompanhando as aventuras do “All-new X-men”, aproveitando para exercitar a leitura de minha enteada e meu cunhado de oito anos com as histórias e mostrando as imagens coloridas para meu filho de dez meses (que não entende nada mas dá risada), é a história se repetindo e, quem sabe no futuro, eles também percebam que devem parte do que se tornaram a algo que de inicio era apenas divertido?!
Meu filho quando tinha 4 meses e seu Wolverine.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

QUATRO MOMENTOS NA TV E CINEMA PARA MATAR UMA INFÂNCIA


4 - O final da série “Alf, O Eteimoso”

Quem viveu nos anos oitenta lembra do Alf, o extraterrestre. Quando veio para o Brasil, o programa passava nas manhãs de domingo , perto do meio dia na rede globo, horário que, naquela época, era reservado as crianças. A série mostrava a vida de Alf, um alienígena, vindo do destruído planeta Melmac e suas aventuras no cotidiano de uma família humana que o encontrou e adotou. O programa era um sucesso, brinquedos foram lançados e teve até uma série animada mostrando a vida de Alf em seu planeta natal antes da destruição. No entanto o final da série é angustiante! E por sorte só assisti bem depois, quando eu já estava adulto, quando a série já estava passando na BAND; no último episódio, agentes do governo americano descobrem que a família esconde um extraterrestre em casa e o levam embora ,isso depois de uma triste despedida, o que para bom entendedor significa que ele foi levado para ser estudado por cientistas americanos ! Ou seja, em algum lugar na área 51 deve haver um pequeno corpo dissecado escrito “ o último Melmaquiano”.
Por favor galera...Não me entreguem para a CIA !!!

3 - O Final da série “Família Dinossauro”

A última série de domingo ao meio dia a passar na globo. Acompanhava o cotidiano de Dino, um dinossauro suburbano e seus familiares e amigos; como tudo que era novidade virou um sucesso, roupas eram estampadas com os personagens, brinquedos eram vendidos e as falas do programa eram repetidas à exaustão, quem daquela época nunca gritou: “Querida cheguei!” ao entrar em casa, ou ouviu um “Não é a mamãe” de um brincalhão? Até Claudinho e bochecha criaram uma dança imitando os movimentos do dinossauro Dino!! No entanto, depois de algum tempo no ar, a tecnologia que fez de Família Dinossauro um sucesso começou a ficar ultrapassada e os produtores tinham de dar fim a série, e, porque não dar o fim real dos dinossauros para uma série cômica infantil? Pois foi o que foi feito! Depois de acompanhar uma seqüência de erros do dinossauros com a natureza, conflitos e a explosão de vulcões a série termina com a família reunida em casa, olhando pela janela enquanto na rua vemos neve e fuligem caindo e plantas desfolhadas, sugerindo um inverno fruto das nuvens de poeira causadas pelos vulcões , ou seja, a família dinossauro morre de fomo isolada dentro de casa!! A imagem que me vem a cabeça ao lembrar desse episódio é de Baby, o membro mais novo da família, olhando para a cara da mãe e perguntando “O que vamos fazer?”(ou algo assim) e a mãe olhando silenciosa o vazio e depois o capitulo acabando com uma tela negra, enquanto os créditos passavam em silêncio. Sorte minha ter visto esse episódio só depois de adolescente, mesmo assim foi amargo.

Olá, vocês poderiam conseguir comida para nossa família... estamos com fome desde a pré-história !
2 - A Morte do Jiban

No final dos anos oitenta e inicio dos noventa, houve uma invasão de heróis japoneses no Brasil, um desses heróis era o “policial de aço Jiban” , uma resposta japonesa ao robocop, mas com bem menos violência e com o típico humor nipônico característico de todo tokusatsu. Jiban apresentava a história de Naoto Tamura, Policial do departamento de Tóquio, da Central City, que morre quando salva a vida do Dr. Igarashi e de Ayumi de um monstro do perverso Biolon. Tamuta é ressuscitado e reconstruído para se tornar o Policial de Aço Jiban e finge ser um policial atrapalhado para manter a identidade secreta(dados Wikipédia). Durante a série, o personagem sofre uma crise onde o vilão consegue encontrar seus pontos fracos, o que culmina com sua morte, no episódio onde isso acontece ele tem um braço decepado e, demonstrando dor e sofrimento , morrendo ao ser travessado por uma espada em seu coração. Lembro que fiquei atônito e ansioso, pois nunca havia visto um herói morrer, o que se estendeu até o final do episódio seguinte onde ele é ressuscitado pelas lágrimas de Ayumi, a neta de seu criador, um tapa na cara do moleque de dez anos que eu era!
Uma arma grande não adianta nada quando não se tem braço e coração!
1 - A Morte de Kaori (Akira)

O filme “Akira” , baseado no mangá homônimo de Katsuhiro Otomo, foi um dos principais responsáveis pela popularização dos Animes e Mangás no ocidente. A trama mostra a história de Kaneda, um membro de uma gangue de motoqueiros da nova Tóquio, que se vê dento de uma trama política após seu amigo Tetsuo sofrer um acidente provocado por um menino paranormal. O filme que é um marco na animação e considerado (por mim) uma das maiores obras cinematográficas japonesas já feitas, inspirou livros e filmes como “Matrix”, mas para mim, representou a morte da infância. Assisti ao mesmo em VHS quando tinha uns nove anos e a cena que me transformou na pessoa que eu sou hoje foi a morte de Kaori, a namorada de Tetsuo. Kaori , havia seguido Tetsuo até o estádio olímpico de tóquio, onde o memso havia descoberto que Akira estava morto e que não havia rivais para ele (Tetsuo desenvolvera poderes paranormais após o acidente) , é quando, ao entrar em confronto com o ex-amigo Kaneda, perde o controle e se transforma em uma massa de carne deformada, destruindo tudo a seu redor e esmagando Kaory no processo, lembro dos gritos do dublador de Tetsuo; “ Kaneda!! Kaneda!! Ajude a Kaori...Kaneda! .... eu matei a Kaori, eu a matei!”, aquela cena foi tão chocante para mim que tive de assistir novamente o final do filme mais tarde , porque não consegui prestar atenção em mais nada após os gritos de Tetsuo, foi ali que vi que desenhos, Hq's e livros carregavam mais do que diversão, traziam experiências, muitas delas, não muito agradáveis.

Kaori sendo esmagada pelo que, um dia, foi seu namorado


terça-feira, 5 de agosto de 2014

BLADE RUNNER : O livro x O filme


Duas semanas de chuva e, Quando não chove, é tão úmido que verte água do chão e paredes . Nas ruas, carros da polícia e ambulância passam correndo com suas sirenes pedindo passagem ,sem contar da névoa que, a noite, deixa tudo invisível, transformando o trânsito em lentas filas quilométricas. Foi nesse clima apropriado, gentilmente proporcionado por minha cidade, que terminei de ler “Androides sonham com ovelhas elétricas?”, de Philip K. Dick, livro que inspirou o filme “Blade Runner” do diretor Ridley Scott .O que se pode adiantar é que o livro não é tão profundo como outras obras do autor como “O homem do castelo alto” ou “ O homem duplo”, mas apresenta uma distopia bacana (se é que se pode chamar uma distopia de bacana) que possui camadas pouco ou não exploradas no filme, que se compreende melhor ao sermos apresentados através da leitura do que da mídia visual, do mesmo modo que o roteiro enxuto do filme nos foca em uma situação e ambiente impares, objetivo demais para um livro , ou seja, ambos se completam e expandem o universo da obra, de maneira que comparações e diferenças merecem ser comentados.

LOS ANGELES - 2019
  O filme “Blade Runner” é o maior referencial de ficção científica no cinema para quem nasceu nos anos oitenta. Lançado em vinte e cinco de Junho de 1982 (No dia em que eu completava um ano!), estrelado por Harrison Ford , que vinha em uma crescente após o sucesso de “Indiana jones “ e dirigido por Ridley scott, que ganhou fama com o sucesso de “Alien”, o filme criou uma grande expectativa quando anunciado, porém , problemas com atrasos nas filmagens, que tiraram o projeto das mãos do diretor e colocaram nas mãos dos produtores e publicidade equivocada, que vendia o filme como um filme de ação pura, transformaram o filme em um fracasso de bilheteria .No entanto, o tempo se encarregou de torná-lo cult ,devido aos fãs que conseguiu nesses trinta e dois anos que se seguiram, tendo em mim um representante fiel. Assisti a “Blade Runner” pela primeira vez no supercine, nos anos oitenta pesados,eu devia ter uns sete ou oito anos e a rede Globo era a única alternativa da época, lembro que não entendia quase nada da trama, chovia o tempo todo e a música, em grande parte, era semelhante a um gato no cio; mas os carros voando e a caçada aos fugitivos chamaram minha atenção de criança ;anos depois, por volta dos vinte anos revisitei o filme, já com uma carga razoável de cinema e percebi um filme mais denso, que utilizava do estilo noir para colocar em destaque ideias sobre o valor da vida e o que é considerado real, assim como os princípios e motivações do caçador e seus alvos, visão que mantive vendo o filme novamente a poucos dias, porém ciente de se tratar de uma distopia e as consequências da situação e ambiente onde estavam inseridos os personagens e conhecedor dos assuntos recorrentes da literatura de Dick, como a dúvida quanto a realidade, vida e escolhas .
Rick Deckard : vamos a caçada
  A trama do filme conta a história de Rick Deckard, um ex-caçador de recompensa do departamento de policia de Los Angeles (conhecidos como Blade Runners) , que é reativado após outro caçador ser vítima de um atentado por um Nexus-6 ( androides /escravos das colônias espaciais) durante um teste de identificação ;é lhe dada a missão de substituir seu colega e informado que se tratam de androides que se rebelaram e mataram a tripulação de uma nave e fugiram de uma colônia espacial para a terra, sendo originalmente seis, tendo dois deles morrido ao tentar invadir a corporação Tirell ( empresa criadora e fornecedora desse modelo de androide) ,e quatro ainda vagando pela cidade oferecendo perigo a população. Em sua busca, Deckard contará com o auxilio do investigador Gaff e de Rachel Tyrell (uma androide propriedade da corporação que possui as lembranças da sobrinha do dono da mesma) e daí se desenrola a história.

O livro tem um cenário um pouco diferente, mostra um mundo devastado por uma guerra nuclear, onde a poeira radioativa transformou parte da população em “especiais”, pessoas afetadas pela radioatividade que tiveram seu intelecto e capacidades diminuídas e por isso, são proibidos de migrar para as colônias espaciais e de terem filhos, a propaganda para essa migração é constante (embora pouco se fale de como as pessoas vivem nessas colônias),Os animais foram quase extintos o que deu origem a uma nova religião o Merceanismo, que tem como coluna dorsal o apresso por toda a vida e obriga, através da pressão social, que cada ser humano possua e cuide de um animal, sendo essa posse o simbolo de status e sinônimo de fé na religião que ajudam os indivíduos a terem destaque e sonharem em crescerem na sociedade apresentada, do mesmo modo, os androides são doados a cada pessoa que se voluntariar para colonização espacial, sendo esses androides (de inteligência e aspectos humanos, embora sem a empatia) considerados coisas não vivas e tratadas com desdem e repudio na terra. É nesse ambiente onde vive Deckard, que, no livro, é um caçador de recompensas ligado a delegacia de San Francisco e que é incumbido da aposentadoria (eliminação) )do grupo de androides fugidos de marte(nessa versão), após o caçador responsável (e considerado melhor) ser ferido em ação; Deckard aceita a tarefa por passar por um momento difícil, a ovelha que lhe foi dada por seu sogro (no livro ele é casado com Iran, uma dona de casa) morreu , sendo ele obrigado a substituí-la por uma imitação elétrica,o que significa um desrespeito ao Mercerianismo e repulsa social, sendo a recompensa pela caçada dos androides o valor necessário para a aquisição de um animal de verdade.

Rachael Tyrell - existe sentimento?

  No livro, os aspectos social e religioso são muito mais presentes. Socialmente a posse de um animal é tudo que alguém que pensa em galgar degraus sociais precisa, tanto que lojas de animais são citadas como grandes corporações e o catálogo mensal da “Sidney’s”( revista mensal que atualiza o valor de cada animal à venda ) é item obrigatória a todo ser humano, esse desejo pela posse de um animal explicaria o dialogo entre Rachell e Rick , quando o segundo vai até a fundação Tyrell no filme ( fundação Hoden no livro) e lá se encanta com uma coruja, é nos dito ali o motivo daquele encanto, pois os pássaros foram as primeiras vítimas da poeira radioativa sendo esses animais totalmente extintos ( o que impossibilitaria a pomba nos braços de Roy batti em sua cena derradeira no cinema). Porém, vai se percebendo com a leitura que valor da vida fica em segundo plano, um animal é visto e explicado, tal como em nossos dias se fala de um carro ou de uma casa recém-adquiridos ou seja, um simbolo de status e referencia ao grupo, são substituíveis e são feitas trocas e compras dos mesmos, o que mostra o cinismo doa adeptos da religião vigente; além disso, o repudio aos androides, que são criaturas orgânicas engenhadas, mas que são vistos como meras ferramentas e tratados como se possuíssem menor valor do que um animal elétrico, mostra a pouca percepção da ideia de vida e a declinante empatia presentes na sociedade mostrada .

Outra camada que não é apresentada no filme é a derivada da religião. Presente em grande parte dos livros de Dick, nesse em especial ela encontra um papel de destaque através do Merceanismo, religião fundada por Wilbur Mercer e que além do respeito e cuidado com toda a vida, busca a unidade da consciência humana através do culto que utiliza da “caixa de empatia”, equipamento que unifica toda a consciência humana que a utiliza no mesmo momento em um só ser, a fim de reviver o caminho de provação vivido pelo profeta até alcançar seu ápice de consciência. Mercer é a linha que costura a trama, suas ideias são o que mantem a sociedade terrena viva (embora pouco sã) dando a possibilidade de “especiais” (ou cabeças de galinha, como são chamados pejorativamente) e humanos normais compartilharem experiências e sentimentos entre si, simulando uma interação social empática que se torna um alívio as pessoas nessa distopia .Essa experiencia empática é o principal diferenciador entre humanos e androides, já que os segundos não possuem a capacidade de se colocar no lugar dos outros e se importarem com o sofrimento e dor alheia, ou se alegrarem com a presença e realizações de terceiros, o que lhes limita como sociedade; no livro essa é a razão para revolta de Roy Batty , que rouba drogas alucinógenas e para ligação empática para tentar buscar uma união de consciência entre androides, imitando o culto de Mercer.

Roy Batty - liderança guerreira e religiosa

O que mais chama a atenção são as diferenças entre os personagens do livro e do filme, desde o protagonista até a coadjuvantes periféricos. O Rick Deckard do filme é citado pelo capitão Briant como o melhor “blade runner” que já existiu, no entanto no livro ele é apresentado como um caçador medíocre e que só entra no caso pela impossibilidade do colega ferido; além dele não ser um solitário e outsider , é casado com Iran, mulher com quem compartilha de desejos sociais comuns e busca destaque social através da compra de um animal verdadeiro, sendo um caçador de recompensas , desde sempre, ligado a delegacia de San Francisco e que não possui questionamentos sobre a ética e frieza presentes em seu trabalho. No filme, os androides contam com a ajuda de J.F Sebastiam, um engenheiro da corporação tyrell , que sofre de envelhecimento precoce , para alcançarem o dono da empresa que os construiu, no livro o personagem que os abriga é J.R Isidore e é através dele que somos apresentados aos “cabeças de galinha” ou especiais, sendo ele um especial é motorista de caminhão de uma empresa de conserto de animais falsos que descobre Pris Stauton (uma dos seis androides foragidos, pois no livro são oito que fogem e seis são caçados), morando em um apartamento abandonado e oferece ajuda, entrando em contato com Roy Batty e sua esposa mais tarde ; muito do que é mostrado sobre a religião e sobre a personalidade dos androides é narrado pela ótica desse personagem. Mas que apresenta a maior diferença, sem dúvida é Roy Batty, enquanto no filme ele é apresentado como um modelo de combate, o que lhe daria traços de líder guerreiro, no livro ele está mais para líder espiritual,sendo dito que era um farmacêutico em marte que buscava a união mental dos androides e criação de uma sociedade paralela ao invés de mais vida como é buscado no filme. Por falar nisso, a busca por mais vida nem ao menos é citada no livro, Rachel Roden (Rachael Tyrell no filme), comenta com Rick que seu tempo útil é de quatro anos, mas isso não parece incomodar nem um pouco a ela ou a qualquer outro androide , talvez devido a falta de empatia até por eles mesmos. Existem alguns outros personagens e detalhes que o filme deixa de lado e que não fazem falta, como o fato de Pris Stauton (vivida por Deryl Hanna no cinema) ser do mesmo modelo de Rachel hoden, ou seja, ambas são idênticas; ou de Roy Batty ser casado com outra androide, de nome Imgrad, personagem que foi fundido ao Personagem de Hanna no cinema.


Penso que “Blade Runner” é um daqueles filmes que acabam sendo superiores a obra da qual é adaptada, do mesmo jeito que “O clube da Luta” de David Fincher, ele corta os excessos e foca na trama principal e questionamentos que derivam dessa. Mas a superioridade do filme não torna o livro é ruim, pelo contrário, o livro te insere e expande um universo que satiriza a nossa realidade, principalmente a realidade atual; ao simular o interesse das pessoas por símbolos que na verdade representam status ao invés de preocupação genuína (como o cuidado com os animais), ao precisar de estímulos externos para aguentar o cotidiano, como as máquinas que regularizam o ânimo da pessoa conforme seu desejo, semelhante aos ,cada vez mais usados, antidepressivos de hoje, ou a caixa de empatia, que busca a interação social e empática do indivíduo , como as redes sociais simulam; isso tudo torna o livro interessantíssimo, principalmente ao pensar que foi escrito nos anos sessenta. No entanto o filme consegue passar todo o clima de solidão e vazio que são a sombra do livro, apresentando o mesmo ambiente através da ótica de seus personagens sobre esse mundo cínico e devastado que se tornou a terra, mas sem precisar ir tão profundamente nas questões de passado e religião, o que aconteceu ,aconteceu e fica subentendido o que importa é a situação atual e as vezes já é demais. Em resumo , “Androides sonham com ovelhas elétricas?” é um livro obrigatório para quem é fã de Philip K. Dick e o filme “Blade runner” um marco da ficção científica que merece ser revisitado, e, caso você não tem nenhum sentimento pelo filme ou curiosidade pelo livro, não faça o teste Voight-Kampff ou será descoberto e aposentado.

Você será aposentado

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Top 3 de livros que li no 1° semestre de 2014


O Homem do castelo alto:


Romance de Philip K. Dick que mostra o que aconteceria se o eixo houvesse vencido a segunda guerra mundial . O livro acompanha a trajetória de um artesão e falsificador de joias judeu que vive disfarçado, um espião duplo Nazista , um político Japonês fã da antiga cultura americana e uma professora americana de Judô que foge do passado; quatro personagens unidos pelo destino através do I ching e pelas ideias de um livro proibido em um Estados Unidos dividido entre a Alemanha nazista e o Japão imperial, onde os judeus foram exterminados e os poucos negros que restam vivem como escravos , a cultura japonesa , com sua forte ideia de hierarquia ,predomina nas instituições governamentais e públicas, os Italianos foram deixados de lado como seres de segunda classe e o mediterrâneo foi seco para transformar-se em uma grande plantação, Hitler se encontra internado devido a loucura provocada pela sífilis e a disputa interna no partido Nazista ameaça transformar a guerra fria entre os vencedores da Guerra em uma terceira Guerra mundial.

Coloquei o Homem do Castelo Auto como o segundo de meu livros preferidos de Dick (perdendo apenas para “O homem duplo” ). A maneira como ele sutilmente vai construindo a relação entre os personagens, as dúvidas quanto a realidade e o medo que cada um exala , deixam a ideia de que não há como escapar da situação agoniante onde as pessoas se encontram, os personagens são tão reais que , embora não se concorde com algumas de suas atitudes, os compreendemos, sem contar na trama política e social que serve de pano de fundo a história, que é obscura e revelada muito parcialmente, nos tratando quase como pessoas comuns e ,tal qual, desinformadas de tudo que ocorre com a sociedade daquele universo distópico.
Nota 8



Battle Royale

Livro do escritor Japonês Koushun Takami , lançado em 1999 e que eu queria ler desde que vi o filme em 2006. Conta a história de uma turma do nono ano do ensino fundamenta de uma escola Japonesa que é mandada para uma ilha para que se matem até que sobre um único sobrevivente, lá eles são vestidos com uniformes escolares, ganham armas , tem colares com rastreadores e explosivos presos em seus pescoços e são dados três dias para que o programa seja finalizado ou todos colares são detonados. A história dá mais foco a alguns desses alunos apresentando seus traumas, sonhos e desejos, mas tem em Chuya Nanarara e sua amiga Norico os personagens centrais, com uma distopia política como pano de fundo. O livro mostra que nas situações mais extremas a verdadeira natureza humana se revela e que embora no meio da inocência pode haver muita maldade, assim como amizade e sacrifício. A obra inspirou a série de livros “Jogos Vorazes” , que também viraram filme em 2012 e o filme Os condenados, onde ao invés de estudantes, são prisioneiros do corredor da morte que são mandados para a ilha. Muita ação, sadismos e tensão, no melhor estilo Tarantino . Nota 9



O Cemitério:


Primeiro livro que li de Stephen King e assombrou minha imaginação por semanas. Conta a história de Louis Creed que se muda, junto com a família, para uma pequena cidade no Maine para trabalhar como médico no Campus de uma Universidade e é apresentado por um vizinho ao cemitério de animais, fato que irá destruir sua sanidade e vida.

Quando li o livro, meu filho havia nascido a pouco tempo e ao chegar na segunda parte, recebi um soco no estômago; o terror apresentado é devastador, nunca havia lido nada que conseguisse expressar a dor da perda com tanto detalhe e me induzir empatia imediata, o modo como ele apresenta os personagens e vai revelando seus medos e segredos são tão perfeitos que prendem nossa atenção até que o livro acabe e quando acaba, deixa pontas soltas que ao invés de deixarem uma lacuna na obra, te deixam com um aperto no peito e ao mesmo tempo satisfeito. Se existe uma palavra para esse livro a palavra é perfeito. Nota 10




quinta-feira, 10 de julho de 2014

O Pacto do Goleiro (conto)


Era dia dois de Julho de 2010 ,ele sentou-se no banco do vestiário olhando para os pés, na cabeça vinham flaches do jogo que faziam seu rosto se retorcer em caretas de desgosto, sentia-se culpado e humilhado, aos poucos o amargo gosto da depressão vinha-lhe a boca e embora estivesse cercado de companheiros e amigos, sentia-se extremamente só, apenas a culpa o acompanhava e sussurrava a ele os “E se?” tão comuns em nossa mente quando sentimos que erramos , pensava ele:
  • E se eu tivesse saído do Gol antes, teria evitado o cabeceio! Se eu tivesse gritado que a bola era minha para o Felipe ele não teria pulado...
Suspirou e ficou ali, sentado no escuro, ainda de uniforme, digerindo toda aquela situação, sentindo a depressão chegando e a raiva crescendo, foi quando sentiu seu peito vazio e seus lábios pronunciaram ,quase sem perceber, a seguinte frase:

- Eu faria qualquer coisa para acertar minhas falhas contra o time de hoje... qualquer coisa!

Então uma voz ,que surgiu da parede escura a sua frente, questionou:
  • Qualquer coisa?
Ele arregalou os olhos e, assustado, viu sair da sombra um simpático senhor, com roupa de faxineiro. O homem vagarosamente sentou-se no banco a sua frente e o olhando nos olhos, com olhos incisivos e firmes, repetiu a pergunta:

- qualquer coisa?

Atordoa do com situação o goleiro olhou em volta e percebeu que não havia mais ninguém ali, pairava um silêncio tão grande que parecia que o estádio estava vazio a dias, o que não fazia sentido, pois jogo havia terminado a menos de uma hora, então encarando seu questionador, ele perguntou:
  • Mas...quem é você, o que está acontecendo?
  • Eu sou a pessoa que pode lhe ajudar a tirar essa dor de seu peito - disse o senhor o encarando.
  • Co-como?, questionou o goleiro
  • Só preciso que você diga em voz alta que quer ter uma nova chance para reverter a humilhação que sentiu na data de hoje, que quer uma revanche
  • Claro que eu quero.... mas, como?
  • Está feito, você terá sua chance em quatro anos
  • Quatro anos?..hum !! … minha carreira por aqui acabou... não estarei aqui daqui a quatro anos
  • Estará! Eu lhe dou certeza
  • Tá bom, faz de conta que eu acredito, mas.. e o que VOCÊ ganha com isso?
  • O preço não é alto , você terá de dar um presente para cada uma das comunidades do lugar de onde eu venho, um presente que nos alimente, que nos encha de prazer
  • E que presentes seriam esses?
  • Quando for a hora você saberá

E dizendo isso, o velho senhor levantou-se e caminhou com um sorriso satisfeito em direção a parede escura, desaparecendo dentro dela. Nesse exato momento Júlio César, goleiro camisa doze da seleção Brasileira acorda de um transe de sobre salto, estamos no dia oito de julho de 2014, ele olha em volta e vê seus companheiros com lágrimas nos olhos, cabisbaixos e atônitos; faz quinze minutos que o pior jogo de sua vida acabou, perdeu de sete a um para a Alemanha, não consegue explicar o inexplicável, mas precisa de respostas, vai para um canto escuro e começa a pensar no que aconteceu, nada faz sentido; é quando do meio das sombras vê um sorriso, tudo se torna silêncio novamente e uma voz diz:
  • Muito bem, sua parte do acordo foi cumprido. Amanhã cumprirei a minha
  • Você?? Como... era um sonho... QUE PORCARIA QUE ESTÁ ACONTECENDO?
  • Calma meu amigo, só estou fazendo o meu trabalho, você não queria uma nova chance contra o time que lhe humilhou, pois bem estamos providenciando.
  • MAS ERA PARA NÓS VENCERMOS A HOLANDA!!!
  • Aí já depende de ti … meu trabalho é te dar uma nova chance, o que vou providenciar para sábado na disputa do terceiro lugar
  • TERCEIRO LUGAR?? … E A HUMILHAÇÃO DE HOJE???
  • Eu lhe disse que havia um preço a pagar, um presente para cada comunidade do lugar de onde venho e vocês pagaram
  • Mas que inferno de lugar é esse de onde tu vens?
  • Na mosca!!
  • Como? co... como?
  • Sim, meu amigo, presenteasse cada um dos sete círculos infernais com um gol, digo com a dor que cada gol que levasse causou a um torcedor do teu país e isso é o nosso alimento e só posso lhe agradecer dando o que você quer, ou seja, uma nova chance de vencer a holanda. Bom, eu só vim mesmo foi por agradecer, amanhã tenho trabalho a fazer, barrar o ataque holandês para que sábado eles estejam em campo contra a tua seleção, aí vai depender de ti, minha parte estará feita
  • … Então , é assim.... mas, pelo menos me diga o seu nome.
  • Foi um prazer te conhecer e acho que já sabes meu nome
E falando isso desapareceu nas sombras outra vez. Júlio Acordou novamente desse sonho tão real e estava no vestiário do Estádio Mané Garrincha em Brasília , dia doze de Julho de 2014, em trinta minutos começará a disputa pelo terceiro lugar contra a Holanda, mas não havia animo no olhar de ninguém , então Júlio se levantou, pegou suas luvas e disse:
  • Seja o que Deus quiser!