sábado, 5 de julho de 2014

MEUS PESADELOS DAS TRÊS DA MANHÃ


Faz um mês que todas as noites eu acordo as 03:00 da manhã ! E sempre saindo de um pesadelo. Alguns são tão estranhos que anotei e abaixo seguem alguns:

  • semana passada, em meu sonho, eu estava na empresa de logística onde trabalho e iríamos enviar uma carga química em isotanque, então o técnico de segurança pediu que eu entregasse as placas com o número da ONU (item obrigatório que identifica o material transportado ), o frentista responsável por colocar as placas não as fixou direito, então pedi ao rapaz dos serviços gerais ( um que tem a metade do meu peso e altura) , ele se encurvou, trincou os dentes e partiu para cima de mim com um martelo , babando e gritando : “TUDO EU?! TUDO EU?!” , no que parecia mais um ataque zumbi do que um desabafo de estres, ele me agarrou pelo pescoço, me derrubou no chão e quando desceu o martelo na direção do meu rosto acordei assustado. Eram 03:05.
  • Um ou dois dias depois , sonhei que eu acordava em minha cama junto com minha mulher, só que a cama estava em uma densa e amarelada floresta de cana (ou banbu, ou taquara ,sei lá !), eu me sentia assustado naquele lugar, como se nossa cama tivesse caído ali; por outro lado minha mulher estava sonolenta e diz para eu dormir, enquanto eu observava ao redor, vi se esgueirando entre as canas , um roedor, que parecia um rato ou esquilo, e vinha em nossa direção , comecei a gritar e fazer barulho e por fim, aos berros, perguntei o que ele queria, então o rato falou!! : “ Um pedaço !” e saltou no meu pescoço. Quando ele caiu sobre mim, eu acordei em um pulo que acordou minha mulher e filho. Olhei o relógio e eram 03:02.
  • Ontem, por volta da meia-noite, começou a chover bastante, adormeci com a chuva e sonhei, que estava preso em um poço seco, o poço era forrado de arame farpado e tinha a largura exata para que eu não pudesse sentar ou levantar os braços. De dentro desse poço , eu só podia ver o céu por onde passavam nuvens tocadas a vento, então apareceu a sombra de um homem, eu não podia ver seu rosto mas sabia que ele me olhava, atrás dele o céu foi ficando cinza e o chão começou a tremer, o homem se agachou, como para me observar melhor, eu não conseguia falar ou gritar , começou a chover e do chão começou a verter água, quando a água estava quase na altura do meu pescoço, o homem começou a inchar como um balão, tapando toda a luz que vinha de fora e quando ficou possível ver apenas o olho desse homem que me observava ,houve uma explosão e eu acordei de sobre salto com o barulho de um trovão. Olhei o celular e eram 03:03

Não sei se esses sonhos são uma reação da minha mente ao momento que estou vivendo de rotina extrema de trabalho e sem previsão de mudança, faculdade cobrando cada vez mais dedicação , filho pequeno e problemas da casa mais centradas em minhas decisões; toda essa pressão junta ainda é algo novo para mim. Talvez meu subconsciente esteja tentando criar um universo fantástico para aliviar a tensão cotidiana já que eu, quando mais novo, em épocas de crise sempre me refugiei para dentro de livros ou filmes, e hoje , talvez ,esteja sendo transportado para dentro dos mesmos enquanto durmo... Só que procurando na Internet, descobri que Três da manhã é considerada a “Hora do demônio”, ou seja, se meu subconsciente está tentando me levar para dentro de um livro ou filme enquanto durmo, tinha de ser um livro ou filme do Stephen King??!!


sexta-feira, 20 de junho de 2014

"A síndrome de Copérnico" - dica de livro

Li  alguns meses atrás o livro “ A síndrome de copérnico” de Henri Loevenbruck, lançado no Brasil pela Bertrand . O livro conta a história de Vigo Ravel, homem de 36 anos, diagnosticado com esquizofrenia paranoide, que sobrevive a um atentado terrorista (por ler a mente de um dos participantes do atentado) e que devido a isso se obrigado a mergulhar em uma investigação atrás de respostas sobre uma possível conspiração , sobre o próprio passado e se a realidade e ambiente que os cercam são reais ou se todas as surpreendentes situações a que é exposto não são frutos de sua diagnosticada doença mental.
 O livro , embora grande, é divertido e fácil de ler, segue a linha de livros americanos que tem como seu objetivo contar uma história sem se preocupar muito com a forma. É um trhiller de ação misto de suspense, mistério e ficção científica e como tal agrada os fãs de todos esses gêneros, tanto que pelo estilo quase cinematográfico, que por vezes lembra um roteiro de filme de ação, não me surpreenderá se em alguns anos Vigo Ravel aparecer nas Telas de cinema
A “síndrome de copérnico “ que dá nome ao livro, é explicada por uma personagem da trama como sendo a ideia ,derivada da própria doença do protagonista, de que ele possuía uma verdade essencial a qual só ele tem total certeza mas que precisa expô-la ao mundo (ou, traze-la a luz, para não fugir do tema!) , tal qual Nicolau Copérnico, astrônomo e matemático Polonês, que desenvolveu a teoria do heliocentrismo , em oposição ao geocentrismo defendido pela igreja e aceita por todos como verdade inquestionável.

Fica a dica de leitura


quarta-feira, 28 de maio de 2014

O DOMINGO EM QUE QUASE FUI ABDUZIDO

Eu havia ido largar o carro na casa da minha mãe, pois na casa onde moro não há garagem,era noite de domingo e já se passavam das vinte e três e trinta , ou seja, não havia uma viva alma na rua,mesmo assim resolvi vir pelo meio da vila, que é um atalho natural para a minha casa. Vinha eu tranquilamente andando pela rua de terra quando a uns duzentos metros de chegar em casa aviste uma estrela que brilhava de diferentes cores e se movia lentamente de um lado para o outro, diminui o passo para observar melhor e notei que a “estrela” parecia estar ficando maior, logo notei que ela estava descendo.
A estrela desceu no meio de uma encruzilhada ,atirando para longe sacolas de lixo que aguardavam o recolhimento do caminhão na manhã seguinte e as velas e pratos de pipoca despachados dias antes; o objeto emitia uma luz fria que pisca em diversas cores, deveria ter um dez metros de altura e ocupava toda a área da encruzilhada onde havia pousado, sim, pousado! Depois dos segundos boquiaberto com o que estava acontecendo consegui voltar a mim e perceber que se tratava de uma Nave espacial. Olhei ao redor, mas não houve tumulto nem gritos, ninguém saiu de casa e nem ao menos uma luz foi acesas ou janela aberta, uma tranquilidade sepulcral tomava conta da rua, não se ouvia nem ao menos o barulho dos motores de carros ao longe, tudo era silêncio. Foi nesse momento que vi que estava abrindo um compartimento na parte mais abaixo do objeto, como se fosse uma porta e de lá vi vindo em direção da saída uma sombra que se movia em passos lentos e calculados, a sombra tinha aspecto humanoide , e, embora difícil de observar sua aparência devido a luz que partia de dentro da nave, não me senti chocado ou com medo, na verdade em nenhum momento me senti realmente assustado naquela experiência, era como se uma aura de paz e tranquilidade tivesse descido juntamente com a espaçonave . De repente ouvi dentro de minha cabeça uma voz suave, embora firme, que me perguntou:
           - Que lugar é esses?
Entendi que a criatura se comunicava por telepatia e assim que esse elo telepático foi firmado, comecei a perceber também os sentimentos que emanavam dela e o atual era dúvida. Então respondi :
      • Estamos no planeta terra
Senti o esclarecimento brotar na mente da criatura em forma de uma exclamação
      • Quem habita nesse planeta ? ( disse a criatura)
      • Diversos seres habitam por aqui, insetos, plantas, animais...
      • mas , dentre tantos, quem lidera os outros...a quem pertence essa sociedade complexa que podemos observar assim que adentramos a atmosfera ?
      • Quem nomeou o planeta de terra e organizou sua sociedade para se manter no topo é a raça a qual pertenço, a raça humana
Então senti como um aperto dentro da minha cabeça e a voz disse:
      • E essa sociedade a qual pertences , é de confiança, me conte sobre ela... quero que sejas sincero !
Ao ouvir a palavra sincero, me senti impossibilitado de mentir ou omitir algo, como quando um vilão é envolto no laço da Mulher-maravilha nos quadrinhos , então comecei a falar:
      • A sociedade humana está em todos os cantos do planeta e para sobrevivermos mudamos os cursos dos rios, criamos represas, derrubamos florestas e nos multiplicamos sem pensar no futuro, e assim, levamos a extinção diversos outros animais e plantas que disputavam espaços conosco. Para suportar nosso extinto natural de destruição criamos a religião, uma série de ritos que visam agradar um ser invisível que nos recompensará após a morte se não seguirmos nossa própria vontade, mas sim as ideias escrita a centenas de anos atrás e interpretadas por alguns escolhidos, que embora sem experiência nas relações humanas, se acreditam sábios o bastante para nos aconselhar e ditar regras as nossas vidas, mas mesmo isso não nos contém pois os escolhidos que detém a palavra são muitos e discordam entre si, incitando a violência e o ressentimento . Dizemos que acreditamos no amor, mas se vemos alguém apaixonado ou que coloque o alvo desse amor a sua frente, o taxamos de trouxa e rimos dele, como crianças mimadas, falamos de nós mesmos o tempo todo e temos certeza que devemos ser amados por todos incondicionalmente ; Fazemos músicas falando de carros que jamais dirigiremos , tratando mulheres como objetos, homens como máquinas e dinheiro como a única meta na vida, acreditamos que uma aparência de sabedoria e vitória valha mais que a sabedoria e vitória em si. Trocamos grande parte do convívio social por simulações através de máquinas e chamamos tal simulação de de Rede social, através dessa podemos expor ao mundo uma felicidade que não temos para que sejamos aceitos por pessoas com as quais nem nos importamos; com o passar do tempo perdemos a capacidade de atrelar valor as coisas, mas nos tornamos especialistas com colocar preço em tudo. Só sabemos que o termo “crítica” existe pois somos informados pelo dicionário, pois se alguém não aprova ou discorda de algum ato nosso, logo sabemos que se trata de um invejoso , do mesmo modo que sabemos que alguém que se dedica ao trabalho ou ao estudo só o faz para nos humilhar ….
        • CHEGA!!! (gritou a voz , agora áspera dentro da minha cabeça) que tipo de lugar é esse??!!??
Então com movimentos cambaleantes, mas ágeis, a criatura se pôs novamente dentro na nave e a porta se fechou. Antes que levantasse voo , senti em meu coração os sentimentos que torturavam o estranho visitante , eram o medo, piedade, decepção e nojo; então um pouco antes de a conexão ser quebrada consegui entender uma frase que retumbava dentro de minha cabeça e que vinha de dentro da espaçonave e que só posso traduzir da seguinte forma:
        • Motores a toda força … vamos partir o mais rápido possível, acredito que pousamos no inferno.
Então a Nave partiu e levou consigo a aura de tranquilidade que trouxera e voltei a ouvir o som dos carros tocando funk, das sirenes das ambulâncias e polícia, os gritos das pedreiras, os tiros , as gargalhadas e o final de domingo se tornou em um final de dia normal.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

"Gravidade" - O melhor filme de 2013

  O filme “Gravidade” , do diretor Alfonso Cuarón, me atraiu desde o primeiro trailer, com o perdão do trocadilho; O Teaser mostrando astronautas a deriva no espaço, indo descontrolados e desesperados em direção de uma estação espacial ,me deixou empolgado por ser ,a primeira vista, um filme de ficção científica com um bom diretor e um elenco de peso, mas com medo de que viesse a ser um blockbuster no pior estilo Armagedom. Por sorte, não se tratava de uma coisa nem outra, “Gravidade” é sobre a vida.
  O filme apresenta da Dra. Ryan Stone ( Sandra Bullock ) uma especialista recrutada pela NASA e seus colegas de missão, incluindo o experiente Matt Kowalski (George Clooney ) para auxiliar na atualização do telescópio Hubble . Na véspera do retorno para a terra, terminando o trabalho, a tripulação é informada de que a Rússia destruiu um satélite espião desativado com um míssil, o que gerou uma reação em cadeia que vai destruir tudo que existe em seu caminho, incluindo a nave e a tripulação da missão. Como toda boa ideia, o roteiro do filme é bem simples, mas a profundidade de seus conceitos foi o que me ganhou e tenho certeza foram eles o que levaram o filme a ser um dos campeões de indicações ao Oscar.
Seguindo em frente

  Desde o primeiro instante que somos apresentados a Dra. Ryan, sabemos que ela está no automático, ignorando seus problemas pessoais e a situação extraordinária onde se encontra, ela não é diferente de qualquer outra pessoa que encontramos na rua, indo trabalhar porque se deve trabalhar , voltando para casa por que se deve voltar; Ela não sente nada, ou pelo menos não demonstra emoção (mesmo sendo privilegiada com as mais belas visões) ela apenas segue em frente, Então para arrancá-la desse estado de letargia a vida interage da única maneira que sabe, causando problemas. Esses problemas são representados por toneladas de lixo espacial vindo em direção a tudo que dava segurança a protagonista naquele momento e quando a nuvem de destroços chega até a nave , chega sem fazer barulho (até porque no vácuo não há som) e vem destruindo tudo e fazendo vítimas, assim como os problemas que enfrentamos em nosso cotidiano. Tal como a personagem ,muitas vezes gostamos de acreditar que temos total controle de nossos vidas, que não vamos ser surpreendidos facilmente, isso faz com que nos sitamos mais seguros para caminhar em linha reta por nossas vidas, no entanto um diagnóstico médico, um acidente de trânsito ou a demissão do emprego, vem sempre a nos mostrar o quanto frágil e ilusória é essa nossa ideia de controle, de modo silencioso e sem mandar aviso, os problemas sempre chegam e alguns acima de 32 mil km/H.
 Após ser arrancada da nave , junto com o braço mecânico que a sustentava, e jogada ao espaço, a primeira decisão que a protagonista tem de tomar é se soltar desse último elo com o que lhe dava segurança anteriormente, assim como uma pessoa que sai de qualquer situação em que está envolvida, seja pessoal ou profissional (como diria Fausto silva) , tem de  largar de lado as lembranças que a prendem ao passado e ir em frente, é o que acontece a ela a se desconectar do braço mecânico, mas, assim como qualquer um de nós ao sofrer uma mudança brusca, a protagonista se sente a deriva, jogada no espaço e  sem chão , mas quem assiste de outra perspectiva pode dizer que ela está na verdade livre e quando o Tenente Kowalski surge para resgatá-la é que sua viagem de volta a vida começa.
"você está à deriva, ou está livre?"

  Após  prender a Dra. Stone em si, Matt Kowalski toma rumo ao que sobrou da nave espacial , na esperança de que a mesma ainda pudesse levá-los para casa, no entanto se depara apenas com destroços e corpos, de maneira que a única forma de encontrarem salvação é alcançar a estação espacial internacional e de lá partir até a estação chinesa, que possivelmente ainda possuí módulos de emergência, isso contando apenas com alguns impulsos do Jetpak utilizado por Kowalski e com o Oxigênio da DRa Ryan Stone a 8% . É no percurso até a primeira estação, onde está a cena mais linda do filme, para acalmar a colega,  Matt pergunta de onde ela veio e se tem alguém especial esperando por ela lá embaixo, a resposta, falada lentamente pela Dra Stone, deixa claro o porquê de seus gestos automáticos e indiferença:

 “Eu tinha uma filha.”

O mundo fica de cabeça para baixo quando a vida nos derruba
 Se aproximando da estação internacional ,  Kowalski informa que possui apenas um ou dois   impulsos no Jetpak e que Ryan deve se concentrar em agarrar-se em algo, ambos colidem contra a estação e se separam, Ryan acaba presa nos cabos do para quedas do módulo de emergência que havia sido acionado por falha , segurando  Kowalski pelo cinto de segurança; Naquele momento Matt representa a segurança, mesmo na pior hora ele está ouvido música e com um sorriso calmo nos lábios, é companheiro e bem humorado, além de experiente, sem ele, Ryan tem de tomar as decisões, tem de ter a iniciativa e confiar em si mesma; tal como sair da casa dos pais ou deixar o filho seguir sua vida, abandonar a ideia de segurança de uma presença é um fato que se deve encarar pois essa mesma presença não depende de nós. E assim, para salvar a Dra Stone,  Kowalski se solta do cinto de segurança e parte pelo espaço ,  só restando a Ryan Stone aceitação de deixar partir.
não se pode prever nada, não se pode se agarrar a ninguém 

 Matt vai aos poucos se afastando (em um erro físico do filme que se justifica pela alegoria) enquanto a Dra Stone balbucia que o estava segurando e, enquanto , quase sem ar, fica dizendo que não vai desistir de buscá-lo,  Matt liga novamente a música e vai desaparecendo no infinito, mas não sem antes deixar sua última mensagem:
“Uau !...Ei Ryan... Você tem que ver o pôr-do-sol no Gânges... é maravilhoso!”
 Aproveite o passeio, pois é o que a vida é! Não podemos prever nada, temos a ilusão de principio e fim em tudo que fazemos, tal como uma corrida, somos tão condicionados a pensar dessa maneira, que na maioria das vezes não estamos conscientes das maravilhas que acontecem ao nosso redor, nos desprender e aproveitar a paisagem e a sorte de estar presente dá sempre sentido a tudo, basta apenas aproveitar o “passeio de Domingo”.

 Após conseguir entrar na E.E.I , já sem oxigênio e desesperada, Ryan Stone se livra do traje espacial e fica flutuando silenciosa em posição fetal, ali nasce uma nova pessoa, livre da ataraxia que a escravizava anteriormente, renascida da dificuldade que enfrentou. Essas dificuldades superadas são o que lhe dão força para seguir na ideia sugerida por Matt para voltar para casa, e, após enfrentar um incêndio, desacoplar o módulo e sobreviver mais uma vez a passagem dos destroços (que dão uma volta na órbita terrestre a cada noventa minutos) a Dra Stone percebe que não tem combustível para os propulsores de decolagem, um balde de água fria nessa nova pessoa que vem surgindo. Tentando contato com Houston, ela acaba na frequência de um rádio amador  Chinês, o homem , que não fala Inglês e que acha que o nome dela é “May Day” , tem cães latindo ao seu redor e canta para um bebê, reconfortada por essa lembrança de um lar e pelo testemunho do carinho de um pai por um filho, A Dr Ryan decide desligar o oxigênio e morrer. Nesse instante o inusitado ocorre, do lado de fora, na escotilha podemos ver Matt  Kowalski batendo e após girando a trava para a entrada.  Kowalski volta sorrindo, pois bateu o recorde de caminhada espacial, reclama que o clima está meio triste ali e pergunta se Ryan já encontrou a vodca, logo em seguida diz que a estação Chinesa fica a 160 km do lugar onde eles estão, Ryan tenta dissuadi-lo dizendo que não há combustível, mas Matt questiona se ela tentou os propulsores de pouso, pois pousar e lançar é a mesma coisa, Ryan diz que sempre falhou nos treinamentos, então Matt pergunta se ela quer ou não sair de lá, ela não responde; Ryan já havia desistido, se acomodado e aceitado a situação, assim como quem se prende a rotina e se acostuma com uma vida mais ou menos, ela encontra uma nova segurança naquele módulo espacial, justifica sua comodidade com a falta de sucesso do passado,como Matt lhe diz, é calmo lá em cima, é tranquilo e silencioso, ali ninguém pode machucá-la, ela pode fechar os olhos e esquecer tudo, não é preciso seguir em frente, não é preciso viver, sua filha morreu e não há nada pior do que isso, mas a questão é: “O que vai fazer agora?” ...se decidir voltar, vá em frente, coloque os pés no chão e siga em frente.... Então Matt desaparece, ele era a projeção de seu subconsciente procurando alternativas para sobreviver, projetando para Ryan a pessoa que mais lhe inspirava confiança e motivação. Ryan então religa o Oxigênio e decide viver, está na hora de voltar para casa.

 A decisão de tentar novamente, mesmo tendo de enfrentar um problema que nunca conseguiu solucionar, no caso o pouso do módulo Soiuz, e viver, colocam um sorriso pela primeira vez no rosto da Dra. Stone depois de mais de uma hora de filme, acionando os propulsores de pouso do módulo ela ainda pede a Matt uma última coisa que cuide de sua filha, deixando claro que ela está disposta a sobreviver. Retomando seu foco, Ryan consegue desacoplar o módulo e lançá-lo, de forma  que passe próximo a estação espacial chinesa , que já apresenta queda de altitude, assim como em nossas vidas, onde devemos arriscar caso queiramos mais e usar sempre a criatividade para encontrar a melhor forma de se conseguir o desejado,A Dr Ryan salta do módulo e alcança a estação com o uso de um extintor, proporcionando uma das últimas cenas de tensão do filme, quando só consegue se prender a estação no último minuto (malditos clichês Hollywoodianos!) . Já dentro da Estação chinesa, a Dra. Stone ainda tem de tentar a a sorte em decifrar um painel de controle em mandarim, proporcionando um momento engraçado ao apertar o botão errado e soltar a máxima “No hablo chino”.
 Após a estação adentrar a atmosfera, ela começa a se desfazer , soltando o módulo de segurança Chen-zu , onde se encontra a Dra Stone, Essa , de ânimo renovado , transmite agora a segurança e calma que Matt passava no inicio da crise onde os dois acabaram envolvidos. Com o módulo em queda livre, Ryan tenta mais um contato com Houston e , sorrindo, diz que tem um mal pressentimento sobre a missão, diz que existem apenas dois resultados possíveis, ou vai se salvar e terá uma grande história para contar, ou morrerá queimada em dez minutos, mas que não importa, de qualquer maneira será uma experiência incrível; Já não é fim, mas a viagem que a Dr Stone entende como meta, agora ela entende que tudo que ela viveu e sofreu, a definem e a enriquecem , ela aceita o que vem com bom grado , pois o importante é estar presente e ter vivido tudo o que viveu. O módulo cai na terra em meio a um pântano , em uma última provação, Ryan tem de se livrar do traje espacial para não morrer afogada e nadar até a margem de um lago, mais uma vez ela deve deixar tudo o que passou para trás e seguir em frente apesar das dificuldades; ela sai da água se arrastando e se ergue lentamente, representa a evolução, tanto da espécie como da maturidade, sai da água e vai para a terra, começa deitada e sem força, tal qual um bebê, engatinha, caminha vacilante e depois se ergue imponente, quando a câmera a fima nesse instante, ela é uma gigante; a Dra. Stone agora realmente dá razão ao seu nome ( pedra em Inglês) sai endurecida e forte da situação, mas nem por isso menos grata pela sorte que teve e vai em frente sem olhar para trás.

A cada tropeço , um novo nascimento



 Na minha opinião, “Gravidade” é o filme do ano! Certamente  Alfonso Cuarón levará o Oscar de melhor diretor, assim como  o filme levará a fotografia , a parte técnica e , se bobear, de melhor atriz para Sandra Bullock . Sobre os efeitos visuais ,poucas vezes vi os efeitos especiais serem tão bem utilizados,servindo com ferramento de auxilio e pano de fundo para a história e não a atração principal como se costuma ver tão frequentemente, o som também é algo que chama a atenção, como o filme se passa no espaço, ele é utilizado além de ferramenta de tenção, também para transmitir o barulho dos objetos no vácuo, por exemplo, quando a personagem da Sandra Bullock usa uma furadeira, é o som de dentro do uniforme que ouvimos, muito bacana! Os ícones de esperança , também são detalhes delicados que aparecem durante o filme, o Alienígena dos “Looney toones” representando O lar, saindo lentamente pela janela da nave destruída ; São Cristóvão, padroeiro católico dos viajantes, na estação internacional, passando a ideia de fé no retorno; e, buda, quando Ryan já se encontra voltando para a terra decidida e em paz, representando a iluminação . Por essas e por outras é que digo que gravidade é um filme como a tempos não se fazia e que escolhi sendo como o melhor do ano e talvez o melhor em anos, se estiveres a deriva, deixe-se atrair por esse filmaço e aproveite a viagem , mas por favor, verifique se no tanque de oxigênio há mais do que 10% de O² , pois tu vais precisar !


sim, ver esse filme foi uma experiência Incrível

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Feliz 2014


Que todo mundo se alimente melhor

Surpreenda




Tenha foco


Dance mais


Muitas Vitórias


Feliz 2014

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Se as obras literárias tivessem títulos politicamente corretos

 Na onda do politicamente correto levado à última instância , seguem algumas obras com os títulos que teriam, caso fossem lançadas nos dias de hoje :

"O cortiço" de Aluisio Azevedo, teria o título de "A comunidade" e seria eleito como livro de cabeceira da Regina Casé



 "Branca de Neve e o sete anões" receberia um título que colocasse a princesa dentro de seu grupo étnico correto e que não depreciasse os pequenos mineradores


 O Mesmo ocorreria com "Negro Bonifácio" de Simões Lopes Neto



A Idade da sabedoria e experiência também ganharia seu representante com a versão de "O velho e o Mar"



Depois de um tempo, o contexto nem importaria mais, como na capa de "O vermelho e o Negro"

E a obra de Dostoiévski, "O Idiota", se tornaria a bandeira e definição de uma época