terça-feira, 31 de janeiro de 2012
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
sexta-feira, 8 de julho de 2011
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sexta-feira, 17 de junho de 2011
Gripe Boa
Acordei com uma gripe dos diabos, se é que um diabo sofre de gripe, mas acordei assim: febre, garganta seca, dor de cabeça, mas independente disso me sentindo maravilhosamente bem. Não sei porque a gripe faz isso comigo, acredito que deve ser porque me faz lembrar o tempo de criança, onde eu estava sempre doente por andar de pés descalço e sem “agasalho”, correndo até as sombrias nove horas da noite.
No meu tempo ( credo “no meu tempo!”) era assim, criança andava sempre correndo e sorrindo,explodindo de energia e saúde, até quando estávamos doentes, naquela época até os gordinhos pareciam mais em forma. Naquele tempo ninguém morria de sarampo ou gripe, no máximo essas eram doenças muito bem vindas para nos manter sem ir à aula por dois ou três dias.
Lembro de minha mãe me levando no médico porque a febre não baixava, o sol sempre parecia estar na medida quando isso ocorria,nem muito forte, nem muito fraco, apresentava um amarelo alaranjado perfeito, como o sol, fruto de computação gráfica no final dos filmes do Super-Homem. As nuvem não apareciam e o calor ameno do sol combinava com o azul pálido do céu. Em minhas lembranças eu sempre ficava doente no outono, talvez porque eu lembre do vento levemente frio batendo em meu rosto na curva da esquina da Santa Casa, se embrenhando na minha roupa, driblando meus dois blusões e minha manta e me causando um arrepio que começava na coluna e terminava no pequeno topete que eu ostentava em baixo da touca (eram meados dos anos oitenta, fazer o que? topete era moda).Lá ia eu, com uma mão dada para minha mãe e outra para meu irmão mais novo, minha mãe olhava para baixo e sorria, eu olhava para meu irmão,de rosto tão pálido e doente quanto o meu ,e quase como em um sinal combinado sorriamos para ela também. Chegávamos no pronto socorro e o cheiro de hospital já me deixava nervoso, Penicillium chrysogenum , pelo menos parecia ser!Ir ao médico era um drama mas se a minha mãe dizia que era preciso, quem seria eu para dizer que não era? Pensar em tomar uma injeção era pior do que ser condenado à morte, mas se não tinha jeito, não tinha jeito!Mas isso dificilmente acontecia, quase sempre o “doutor” receitava umas gotinhas e dizia “ compra um guaraná para o rapazinho.” para arrematar minha confiança. Como era legal! Não o fato de ficar doente, mas a situação geral da minha infância
Esqueçamos minha breve visão negativa da atualidade, Hoje, abraçado pelo vírus da gripe, com o nariz correndo como quando eu tinha quatro anos, só quero desejar que todas as crianças tenham a possibilidade de pegar a minha gripe de criança. Que corram sorrindo e gritando até a última hora da tarde ,que entendam o valor do sorriso de suas mães , que os castigos sempre sejam brandos e educativos, que os professores sejam vistos como exemplos , como ídolos e não como empregados; que os mimos sejam vistos como dádivas e não obrigações, que as nuvens dêem uma trégua e que o sol apareça, nem muito forte e nem muito fraco, mas em seu amarelo alaranjado perfeito e acolhedor.
Boa sorte à todos!!
No meu tempo ( credo “no meu tempo!”) era assim, criança andava sempre correndo e sorrindo,explodindo de energia e saúde, até quando estávamos doentes, naquela época até os gordinhos pareciam mais em forma. Naquele tempo ninguém morria de sarampo ou gripe, no máximo essas eram doenças muito bem vindas para nos manter sem ir à aula por dois ou três dias.
Lembro de minha mãe me levando no médico porque a febre não baixava, o sol sempre parecia estar na medida quando isso ocorria,nem muito forte, nem muito fraco, apresentava um amarelo alaranjado perfeito, como o sol, fruto de computação gráfica no final dos filmes do Super-Homem. As nuvem não apareciam e o calor ameno do sol combinava com o azul pálido do céu. Em minhas lembranças eu sempre ficava doente no outono, talvez porque eu lembre do vento levemente frio batendo em meu rosto na curva da esquina da Santa Casa, se embrenhando na minha roupa, driblando meus dois blusões e minha manta e me causando um arrepio que começava na coluna e terminava no pequeno topete que eu ostentava em baixo da touca (eram meados dos anos oitenta, fazer o que? topete era moda).Lá ia eu, com uma mão dada para minha mãe e outra para meu irmão mais novo, minha mãe olhava para baixo e sorria, eu olhava para meu irmão,de rosto tão pálido e doente quanto o meu ,e quase como em um sinal combinado sorriamos para ela também. Chegávamos no pronto socorro e o cheiro de hospital já me deixava nervoso, Penicillium chrysogenum , pelo menos parecia ser!Ir ao médico era um drama mas se a minha mãe dizia que era preciso, quem seria eu para dizer que não era? Pensar em tomar uma injeção era pior do que ser condenado à morte, mas se não tinha jeito, não tinha jeito!Mas isso dificilmente acontecia, quase sempre o “doutor” receitava umas gotinhas e dizia “ compra um guaraná para o rapazinho.” para arrematar minha confiança. Como era legal! Não o fato de ficar doente, mas a situação geral da minha infância
Deixando de lado minha melancolia e gripe, Fico pensando de como a geração de hoje educa seus filhos e como estes enxergam o mundo devido a essa educação, se é que "educar" é o verbo correto a ser conjugado. Lembro que uma vez após chutar uma parede recém pintada na escola, fui “condenado” a passar um mês lendo, relendo e apresentando para a turma todos os textos da cartilha da segunda série, minha avó quando se dirigiu à escola para questionar os motivos do castigo, apoiou a professora sem pensar, apertou sua mão e passou a informação para minha mãe que me deu outro castigo em casa. Não posso deixar de dizer que o castigo dado pela professora salvou minha vida, foi quando peguei o gosto pela leitura que me deu uma vantagem em relação aos garotos que naquele tempo estudavam na minha aula e que só sabiam falar de futebol, os quais hoje encontro pelas ruas passando amargos apertos; e, o segundo castigos, dado pela minha mãe , que ajudou a moldar meu caráter, do qual me orgulho de que seja mais reto do que retificado, como diria Marcus Aurélio. Hoje o que vejo são mães contando orgulhosas as histórias de falta de educação de seus filhos, regadas à violência contra os professores e colegas ,de como eles EXIGEM roupas de marca e brinquedos de alta tecnologia; Da ilusão de fazer a criança achar que merece tudo sem medida, sem esforço, que merece o maior dos respeitos, que é superior aos demais. Tenho pena desta geração e mais ainda da próxima, se algo não mudar em nossa forma de tratar as crianças de Hoje tenho medo dos adultos de amanhã.
Esqueçamos minha breve visão negativa da atualidade, Hoje, abraçado pelo vírus da gripe, com o nariz correndo como quando eu tinha quatro anos, só quero desejar que todas as crianças tenham a possibilidade de pegar a minha gripe de criança. Que corram sorrindo e gritando até a última hora da tarde ,que entendam o valor do sorriso de suas mães , que os castigos sempre sejam brandos e educativos, que os professores sejam vistos como exemplos , como ídolos e não como empregados; que os mimos sejam vistos como dádivas e não obrigações, que as nuvens dêem uma trégua e que o sol apareça, nem muito forte e nem muito fraco, mas em seu amarelo alaranjado perfeito e acolhedor.
Boa sorte à todos!!
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quarta-feira, 8 de junho de 2011
A história das coisas -video
Vi esse video em uma aula de Teoria da administração na faculdade e me impressionei como tudo pode ser extremamente simples e ,ao mesmo tempo, tão complexo que nos envolve sem que percebamos
veja e comprove
veja e comprove
segunda-feira, 9 de maio de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
"IKIRU - viver " Uma resenha com 59 anos de atraso
Eu sou Cinéfilo. Sou fã de cinema e gosto em especial do estilo chamado alternativo;esse tipo de filme se caracteriza por ter como protagonistas anti-heróis ou perdedores, quando não anti-heróis perdedores , o tipo de gente que acaba sucumbindo à antagonistas que são maiores que eles, como a sociedade ou algum evento sobrenatural. Para dizer a verdade, nunca entendi o apelido de “alternativo”para esse estilo de filme, desgraças, tragédias e deslocamento social estão muito mais presentes em nossas vidas do que “finais felizes”, os tele jornais estão aí para comprovar. Mas voltando ao assunto, Esse tipo de filme tem suas raízes no que há de melhor no teatro grego e na literatura russa , duas escolas mestras em esquadrinhar a alma e as angústias humanas,Uma lida em “Édipo rei” e “Crime & castigo” comprovam isso, e jogando esse contexto para o cinema, nenhum diretor foi melhor sucedido do que Akira Kurosawa.
Mesmo não sendo um diretor underground , dentro do cenário cinematográfico atual eu classificaria Akira Kurosawa como um diretor de filmes alternativos, suas obras “Roshomon - Nos portões do inferno” e “Donzoko – Ralé” expõem essa minha visão, o primeiro usa o testemunho de três homens para apresentar ao expectador diferentes perspectivas sobre um assassinato, mostrando que o mesmo acontecimento pode ter diversas interpretações; o segundo mostra o cotidiano de um bando de vagabundos, bêbados e prostitutas, que têm na miséria e ignorância seus principais antagonistas,filmado em um estilo teatral, que as vezes chega às portas do teatro Kabuki, esse filme mostra a pobreza como uma prisão sem grades e dá brilho a ela, isso em uma época onde o glamour e a riqueza eram marcas registradas do cinema. Para mim, isso é ser alternativo.
Cito Kirosawa, em especial para falar de um filme, “IKIRU, viver “ que para mim, foi um dos melhores filmes já produzidos, e ele é de 1952!!. O filme conta a história de Kanji Watanabe , burocrata da terceira idade preso à rotina de um serviço público ,o qual é chefe de departamento,e que tem sua vida virada após descobrir que têm câncer de estômago e está em estado terminal, a partir de então o mesmo passa a se questionar e procurar significados para sua existência. O filme é narrado em duas partes, na primeira somos apresentados Watanabe, sua rotina, família, duvidas, frustações e doença; na segunda somos colocados no velório do protagonista, onde seus conhecidos e amigos debatem sobre a vida e os feitos do falecido e principalmente o porquê da mudanças de personalidade pouco antes de o mesmo morrer. Quem já teve o desprazer de conversar comigo sobre cinema, sabe que este é um de meus filmes preferidos. A solidão, compaixão, angústia ,esses "temperos da vida" , estão todos lá. Enquanto os americanos se vangloriam dizendo que “Cidadão Kane” foi o melhor filme já feito eu digo que se derem a oportunidade de as pessoas verem os filmes de Orson Welles e o de Kirosawa , escolheriam IKIRU como sendo muito melhor.
Em Ikiru existem muitas cenas marcantes, uma que eu gosto especialmente é quando a jovem que trabalha no departamento de Watanabe, (por quem ele fica obcecado) é criticada por rir e divertir-se no ambiente de trabalho e após isso o questiona se ele nunca quis nada mais do que aquela vida, Watanabe a ignora e confisca o motivo de sua distração ( suas histórias em quadrinhos) , quando as coloca na gaveta, a câmera mostra um “relatório de melhorias para o departamento” escondido abaixo de alguns papeis, dando a entender que o protagonista deixou suas frustrações e comodismo soterrarem o melhor que ele tinha a oferecer, precisando descobrir mais adiante, que estava morrendo para voltar a viver.
“Ikiru” é livremente inspirado em “A morte de Ivan Illicht” de Tostói, esse livro conta a trajetória de um funcionário público que vai definhando devido à uma doença incurável e que tem como únicos desejos que as pessoas sintam piedade de sua situação e o vejam como uma pessoa doente ao invés de um peso. Watanabe, no filme de Kurosawa, toma um caminho diferente, para dar sentido a sua vida resolve construir um playground em um bairro carente, à tempos assolado por alagamentos e vitima do descaso das autoridades, ao invés de procurar a piedade, ele se apieda dos outros e opta por sacrificar-se por eles e nos últimos instantes encontra a razão para sua existência, não os pálidos sentimentos de piedade de terceiros, mas a satisfação que o sacrifício e a atitude trazem quando batalhamos para beneficiar quem necessita.
Mesmo não sendo um diretor underground , dentro do cenário cinematográfico atual eu classificaria Akira Kurosawa como um diretor de filmes alternativos, suas obras “Roshomon - Nos portões do inferno” e “Donzoko – Ralé” expõem essa minha visão, o primeiro usa o testemunho de três homens para apresentar ao expectador diferentes perspectivas sobre um assassinato, mostrando que o mesmo acontecimento pode ter diversas interpretações; o segundo mostra o cotidiano de um bando de vagabundos, bêbados e prostitutas, que têm na miséria e ignorância seus principais antagonistas,filmado em um estilo teatral, que as vezes chega às portas do teatro Kabuki, esse filme mostra a pobreza como uma prisão sem grades e dá brilho a ela, isso em uma época onde o glamour e a riqueza eram marcas registradas do cinema. Para mim, isso é ser alternativo.
Cito Kirosawa, em especial para falar de um filme, “IKIRU, viver “ que para mim, foi um dos melhores filmes já produzidos, e ele é de 1952!!. O filme conta a história de Kanji Watanabe , burocrata da terceira idade preso à rotina de um serviço público ,o qual é chefe de departamento,e que tem sua vida virada após descobrir que têm câncer de estômago e está em estado terminal, a partir de então o mesmo passa a se questionar e procurar significados para sua existência. O filme é narrado em duas partes, na primeira somos apresentados Watanabe, sua rotina, família, duvidas, frustações e doença; na segunda somos colocados no velório do protagonista, onde seus conhecidos e amigos debatem sobre a vida e os feitos do falecido e principalmente o porquê da mudanças de personalidade pouco antes de o mesmo morrer. Quem já teve o desprazer de conversar comigo sobre cinema, sabe que este é um de meus filmes preferidos. A solidão, compaixão, angústia ,esses "temperos da vida" , estão todos lá. Enquanto os americanos se vangloriam dizendo que “Cidadão Kane” foi o melhor filme já feito eu digo que se derem a oportunidade de as pessoas verem os filmes de Orson Welles e o de Kirosawa , escolheriam IKIRU como sendo muito melhor.
Em Ikiru existem muitas cenas marcantes, uma que eu gosto especialmente é quando a jovem que trabalha no departamento de Watanabe, (por quem ele fica obcecado) é criticada por rir e divertir-se no ambiente de trabalho e após isso o questiona se ele nunca quis nada mais do que aquela vida, Watanabe a ignora e confisca o motivo de sua distração ( suas histórias em quadrinhos) , quando as coloca na gaveta, a câmera mostra um “relatório de melhorias para o departamento” escondido abaixo de alguns papeis, dando a entender que o protagonista deixou suas frustrações e comodismo soterrarem o melhor que ele tinha a oferecer, precisando descobrir mais adiante, que estava morrendo para voltar a viver.
“Ikiru” é livremente inspirado em “A morte de Ivan Illicht” de Tostói, esse livro conta a trajetória de um funcionário público que vai definhando devido à uma doença incurável e que tem como únicos desejos que as pessoas sintam piedade de sua situação e o vejam como uma pessoa doente ao invés de um peso. Watanabe, no filme de Kurosawa, toma um caminho diferente, para dar sentido a sua vida resolve construir um playground em um bairro carente, à tempos assolado por alagamentos e vitima do descaso das autoridades, ao invés de procurar a piedade, ele se apieda dos outros e opta por sacrificar-se por eles e nos últimos instantes encontra a razão para sua existência, não os pálidos sentimentos de piedade de terceiros, mas a satisfação que o sacrifício e a atitude trazem quando batalhamos para beneficiar quem necessita.
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