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terça-feira, 10 de maio de 2016

ARQUIVO - X : 6 episódios para se ver e rever

As séries se tornaram uma mania mundial. Novas temporadas de "Game of Thrones", "Demolidor" e "Black Mirror" são mais aguardadas do que a estréia de grandes títulos no cinema. Grande parte disso se deve ao fato de a série conseguir aprofundar muito mais os personagens e criar um vínculo maior e duradouro entre o expectador o universo apresentado, chegando por vezes ao fanatismo.
No Brasil, a série que inaugurou essa mania, arrebanhando fãs em todo lugar em que foi apresentada, foi "Arquivo-X". Criada por Chris Carter e estrelada por David Duchovny e Gillian Anderson, a série teve nove temporadas (1993-2002), somando 208 episódios e contava a história dos agentes do FBI Fox Mulder (Duchovny) e Dana Scully (Anderson), responsáveis por investigar mistérios aparentemente não solucionáveis que iam de abduções alienígenas a monstros que se escondiam na sociedade, passando por casas mal assombradas e problemas no espaço tempo, tudo isso ainda bem costurado por uma trama de conspiração governamental, doses exatas de humor e abrilhantado pelo carisma dos protagonistas.
Tive sorte de assistir grande parte de "Arquivo X" quando passava em horário nobre na TV Record (antes das novelas bíblicas tomarem o horário) e quando a Fox anunciou a 10° temporada quinze anos depois que o último episódio foi ao ar, corri para reassistir alguns dos episódios que não precisam da mitologia da série para ser entendidos (quase como curtas), entre os que assisti escolhi seis que me prenderam no sofá e que não ficaram datados mesmo depois de mais de quinze anos.

6 – HOME (T:4 x ep:02)

só gatinho
Nesse episódio, um corpo deformado de bebê é encontrado enterrado em um campo de baseball em uma pequena cidade do interior do sul dos EUA. Mulder e Scully são chamados pelas autoridades locais para investigar e acabam se deparando com a misteriosa família Peacok, isolados em suas terras, sem energia elétrica ou água encanada, os três irmãos Peacoks e sua mãe, todos deformados, agem como animais , inclusive praticando incesto e agindo com a violência mais selvagem possível para resolver seus problemas.
Episódio tão sinistro quanto o discurso da mãe Peacok, que amputada e mantida escondida em baixo da cama e servindo apenas para parir os filhos de seus filhos, diz que o mais importante para um Peacok é a família.

5-SMALL POTATOES (T:4 x ep:20)

Quando várias crianças, filhas de pacientes de uma clinica de inceminação artificial, nascem com um rabo; Mulder e Scully partem para saber o que pode estar acontecendo e descobrem que o faxineiro dessa clinica tem a estranha capacidade de se transformar em qualquer pessoa e vem usando isso para ter relações com mulheres.
O episódio é muito engraçado, principalmente quando o vilão (que nem é tão vilão assim) toma a forma de Mulder e começa a dar em cima de sua parceira, quane conseguindo concretizar seu objetivo.


4-FAMINTO (T:7 x ep:03)

Rob Roberts parece um rapaz normal que trabalha em uma lanchonete, gente boa com os colegas, educado no tratamento com estranhos, mas o que ninguém sabe é que Rob na verdade é um monstro predador viciado em comida e o pior é que a comida preferida dele são cérebros humanos.
Rob seu morto de fome
Esse é meu vilão preferido, porque o autor conseguiu dar humanidade e motivos para o monstro. Rob não é mau por inteiro, segue apenas sua natureza, tanto que no final sua consciência fala mais auto, mesmo agindo contra si próprio.
Ver o personagem sonhando com cérebros fritos, tomando pílulas contra o apetite e falando no grupo de comedores anônimos é a parte mais bacana. Episódio que se segura como um curta fácil fácil.

3- TRÊS DESEJOS (T:7 x ep:21)

Outro episódio com uma levada cômica. Nesse um faxineiro encontra uma gênia enrolada em um tapete e causa a maior confusão ao começar a usar seus três desejos que tem direito.
Gosto bastante desse episódio pelo humor e conceitos apresentados. O humor fica por conta do resultado dos desejos que são realizados, como quando o faxineiro pede um iate e a genia o coloca no pátio de trailer onde ele mora, ou quando ela pergunta se pode dar uma dica e aponta para as pernas do irmão paraplégico do faxineiro e nada lhes ocorre, ou ainda quando Mulder tem a chance de realizar três desejos e pede paz na terra e em passe de mágica a humanidade some.
O final do episódio é bem bacana, com a Mulder usando seu último desejo para libertar a genia de sua maldição, terminando com uma mensagem de que tudo que é desejado e vem fácil, talvez seja uma maldição.

2- SEGUNDA-FEIRA (T:6 x ep:14)

Mulder vai até o banco depositar o pagamento de seu aluguel, após seu colchão d'água ter furado queimado seu celular e despertador e alagado a casa. O banco está sendo assaltado e o ladrão, ao saber que não tem chance de escapar detona explosivos presos em seu corpo destruindo o banco e matando todos que estão lá dentro, incluindo Mulder e Scully que vai atrás do parceiro, então Mulder acorda novamente em seu colchão furado sem lembrar de nada e vemos tudo acontecer novamente, ao melhor estilo de "O feitiço do tempo" com Bill Murray, apenas a namorada do assaltante se lembra da repetição e após notar que Mulder é a unica pessoa que depois de vários dias iguais tomou uma atitude diferente descobre que ele pode ser a chave e busca sua ajuda para tentar parar as repetições.

1-MEDO (T:7 x ep:12)

x-cops
O episódio "Medo" (x-cops no original) é um episódio onde Mulder e Scully investigam uma entidade que toma a forma do maior medo de quem ela persegue. Então vemos uma senhora sendo atacada pelo Fred Kruger, outro cara por um lobisomem e uma prostituta por seu cafetão (que havia sido encontrado morto minutos antes). A maldita entidade é tão esperta que vive no bairro mais violento da cidade e por isso não pode ser identificada.
O legal desse episódio, além do conceito do monstro, é a forma como foi realizado. Decidiram gravar o episódio como se fosse um capítulo da série "COPs" e utilizam iluminação irregular e câmeras de mão, além de a abertura utilizar o tema de "cops" (música "Bad boys") na entrada do capitulo. Muito bom!

Arquivo X, foi um divisor de águas no que se refere as séries de TV e revisita-la foi muito bacana. Divertida, engraçada, inteligente e cheia de mistérios, a série continua vencendo o tempo e conquistando fãs, principalmente depois que a décima temporada foi lançada pela FOX esse ano. Se você não assistiu procure e torne-se também um fã como eu e nunca se esqueça que , embora o governo negue ter conhecimento, A VERDADE ESTÁ LÁ FORA.





quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

ASH vs EVIL DEAD - A série

No ano de 2015 a Netflix se consolidou como produtora, além de distribuidora, de material de qualidade. Entre suas produções originais se destacaram as séries “Demolidor” e “Jessica Jones”, em parceria com a Marvel e integrada a seu universo nos cinemas; “Narcos” com a história do cartel de Medelin sendo estrelada por Wagner Moura, e, “Better Call Saul” o spin-off da cultuada série “Breaking Bad” da AMC. O sucesso das produções da Netflix foi tanto, que boas séries apresentadas por canais convencionais ou produtoras menores foram ofuscadas, entre elas uma que me conquistou pelo humor negro, efeitos visuais que me causaram nostalgia devido à violência crua e irresponsável de saudosas épocas, trata-se de “Ash vs Evil Dead” da Starz, que consegui em fim assistir e que vamos falar um pouco hoje.

ele voltou
"Ash vs Evil dead” dá sequência a trajetória de Ash (não diga) , interpretado por Bruce Campbell, personagem que nos foi apresentado no filme independente “Evil Dead” de 1981 escrito e dirigido pelo grande Sam Raimi. No filme original, Ash vai com sua noiva, um casal de amigos e mais uma colega (segura vela) para uma cabana na floresta, lá eles encontram um livro, o necronomicon (o livro dos mortos) e recitando algumas palavras escritas nesse livro, acabam invocando espíritos malignos que vão possuindo e matando os integrantes desse grupo, sobrando apenas o protagonista, que acaba tendo, além de matar sua noiva e amigos, decepar a mão direita para evitar ser possuído.

A série se passa exatamente 30 anos depois dos acontecimentos do filme. Ash é um sínico e irresponsável vendedor em uma loja de eletrônicos e sua vida parece ter se tornado mais do mesmo, até que em uma noite, no auge de uma cena de sexo no banheiro de um bar, ele tem uma visão de que o mal está voltando e lembra que, em um momento de relaxamento, disperso pelo uso de um cigarro menos ortodoxo e tentando impressionar outra garota que gostava de poesias, ele lera trechos do necronomicon, que tinha guardado em seu trailer, assim o mal desperta e não resta nada a nosso “Herói” do que combatê-lo com a ajuda de dois colegas de trabalho tão problemáticos quanto ele e munido de sua calibre doze, sua mão de motosserra, sua língua ferina e sua total falta de noção.

Ash , Pablo e Kelly
A série é muito divertida. Em primeiro lugar por saciar a nostalgia de uma época menos responsável, onde os heróis eram heróis do acaso e da oportunidade, como um Madmax (o original, não esse que nem sabe falar) ou um John Mclane ( antes do Bruce Willis pirar), as piadas e tiradas de cada episódio flertam com o preconceito, burrice e genialidade (no sense total). Esse espírito nostálgico ainda é reiterado através dos efeitos especiais compostos por efeitos práticos e maquiagem de primeira, além de litros e litros de sangue cenográfico (Além de sangue digital e até real se duvidar), marca registrada das produções independentes de terror (em especial do filme original) e para o nosso prazer, respeitada pela série.

Outro ponto importante é o carisma dos personagens centrais. Começando pelo protagonista vivido por Bruce Campbell, que consegue dar sequência a seu primeiro papel no cinema com muita vitalidade e senso de humor e até (às vezes) charme, suas caretas e respostas rápidas não podem ser ignoradas e suas frases de efeitos não deixam ninguém, com alma, sério por muito tempo; seu colega Pablo, um jovem latino que se vê envolto a acontecimentos que lhe remetem a um passado do qual foge, é o alívio cômico da série, sendo vítima de todo preconceito não intencional do protagonista, mas sendo também o motivador deste último, é ele quem toma para si o papel de cutucar Ash no primeiro capítulo dando início a jornada do herói (ou anti-herói), ele também representa o telespectador sendo quem mais se assusta e se choca com o que acontece durante a jornada; Fechando o time, temos Kelly, outra vendedora que se junta ao grupo depois que sua mãe volta dos mortos possuída por demônios e após um traumático jantar em família, assim ela resolve seguir os dois colegas para dar fim a crescente ameaça que se aproxima, ela é a bad gril, sempre sarcástica, violenta e direta, e, seu “clima” com Pablo acaba por dar um ar quase romântico a dupla (muito mais por parte dele do que do dela). Como grupo, os personagens conseguem alcançar aquela química que faz com que nos preocupemos com seus destinos e a cada episódio, a cada possessão cruzamos os dedos torcendo para que o fatídico destino que persegue quem se aproxima de Ash, não encontre seus dois “pupilos”, foda é que desde o primeiro episódio eles ficam sempre em ameaça, o que dá qualidade ao fator tensão e cagaço em quem se apega aos personagens.
A série ainda me ganhou por dois motivos, a ação e o tempo de cada episódio. Referente à ação, desde o episódio piloto a série mostra a que veio, com muito sangue e momentos de completa catarse, onde vemos o personagem principal decapitando demônios (quem nunca?) onde a direção (que do primeiro episódio é do próprio Sam Raimi) se mostra muito competente com suas câmeras lentas, demônios subindo paredes e porradaria sobrando, o que se soma com suas pequenas, mas não ausentes, doses de tensão e sustos eventuais. Quanto ao tempo, a série consegue ser reduzida sem ser curta em excesso, pode-se dizer que ela é enxuta com seus 25 minutos de episódio, o que a deixa sempre com um gostinho de quero mais.

As vezes é necessário o uso das cuecas marrom
Embora eu tenha achado “Ash vs Evil Dead” uma divertida e bem produzida série, algumas coisas me incomodaram na mesma, a principal foi o furo de roteiro envolvendo a Policial Amanda Fisher. Desde o primeiro episódio a personagem parece ter uma grande importância e ligação com a parte espiritual da trama, pois o primeiro demônio que aparece diz que sabe quem ela é e a cara que a personagem faz é de que há algo escondido, assim como sua caçada à Ash para mostrar que não é louca e solucionar a morte do parceiro e que dá impulso aos primeiros episódios coloca peso na personagem, no entanto ela é descartada nos últimos três episódios de um jeito besta que apaga tudo que aparece no início e deixa quem assiste sem respostas.

Apesar de “Ash vs Evil Dead” ter seus probleminhas, achei ela a melhor série das que vem surgindo baseadas em filmes. Conseguiu manter, além do ator que protagonizava a série de filmes originais dos anos 80, todo o clima da época e o respeito à mitologia meta-lovecraftiana (se é que isso existe) de flerte com o sobrenatural, além do humor no sense e violência sangrenta, típicos dos anos oitenta e de filmes independentes. Suas piadas e tiradas são daquelas de fazer rir sozinho quando nos lembramos no serviço ou na fila do pão e a ação e química dos personagens fazem com que se torça por mais temporadas ( O que é bem possível devido ao final da temporada) . Uma grande dica para quem tiver vinte e cinco minutinhos sobrando e quiser um pouco de diversão sem cabeça no melhor estilo anos oitenta. Go El Jefe !!



domingo, 7 de fevereiro de 2016

SUPER AMIGOS DA CIÊNCIA

O ano é 1941, os alemães seguem marchando em direção a Leningrado e os japoneses ocuparam Saigon, os bombardeios sobre Londres vêm se intensificando e os Estados Unidos não optaram sobre o que fazer; diante disso o primeiro ministro britânico Winston Churchill resolve voltar no tempo para reunir as maiores mentes da história e, com ajuda destas, combater a ameaça crescente.

Assim surgem os “super amigos da ciência”, grupo composto por Nikola Tesla, o mestre da eletricidade; Taputti, a primeira química do mundo, capaz de produzir perfumes que dominam a mente das pessoas; Charles Darwin, que consegue se transformar em qualquer animal; Marie Curie, que consegue manipular a radiação; O clone de 14 anos de Albert Einsten, que de posse do E=mc² consegue manipular a velocidade, o tempo e espaço; e, Sigmund Freud, que possui o poder de controlar os pensamentos sexuais das pessoas. Juntos essas mentes brilhantes se encarregarão de virar o jogo contra a ameaça nazista, defender suas patentes e pesquisas, e , fazer com que a ciência e a razão prevaleçam na terra... Isso se conseguirem se organizar e para de brigar entre si.


Cara, Que descoberta! Ri de chorar da animação. O jeito como a Tinmam Creative, que produziu e lançou a animação de 15 minutos, utilizou os trabalhos dos cientistas para ser a fonte de seus poderes e suas características como fonte das piadas é brilhante, assim temos um Tesla apaixonado por pombos (Dizem que cientista acreditava que uma pomba branca era a reencarnação de um amor falecido) e dotado de poderes elétricos e um Freud que controla a libido das pessoas, quando cheira cocaína (hilário).


Outro ponto é usar ainda temos atuais para gerar conflito entre os integrantes, como o fato de Freud apontar histerias femininas como origem de problemas e Marie Curie responder a isso com um tapa, ou a aparição do monstro de espaguete quando nossos heróis viajam pelo espaço tempo e o arqui-inimigo de Darwin ser um bispo católico sentado em um dinossauro, é muita zoeira!

Espero que a Tinman Creative produza uma série com pelo menos dez episódios que mantenham a qualidade desse episódio piloto que achei de mais. Consegue unir humor, violência e sarcasmo, com curiosidade de conhecer um pouco mais da vida real desses cientistas; quem sabe uma porta de entrada para leituras mais sérias e conhecimentos mais profundos de história, física e química? Se não isso, pelo menos diversão garantida.

Fica aí minha torcida por mais episódios e o episódio piloto na integra para quem quiser conhecer, dá o play e se diverte.


domingo, 17 de janeiro de 2016

ONE PUNCH MAN

Eu pertenço à geração que cresceu assistindo a rede manchete. Aquele pessoal que corria para frente da TV depois das 18h30min e assistia anime em horário nobre. Bons tempos aqueles de “Cavaleiros do zodíaco” e “Yu-Yu Hakusho”, que foram minha porta de entrada no mundo dos animes e mangás e influência para conhecer títulos mais complexos como os clássicos, “May, a garota sensitiva”, “Gost in the shell “ e “Akira” ou extremamente divertidos, como o recém descoberto “One-Punch-Man”, do roteirista que atende apenas por “One” e ilustrada posteriormente, em forma de remake por Yusuke Murata.

Conheci “One-punch-man” revirando a internet atrás de novidades que fugissem um pouco da mesmice, mas que não se perdessem muito ao tentar se mostrar originais, um paradoxo difícil de satisfazer, mas que foi derrotado com um soco só no primeiro episódio do anime que conta a história de Saitama, um cara normal, que após salvar um menino de um monstro, resolve se tornar um herói por hobby. O problema é que Saitama se torna é extremamente poderoso conseguindo derrotar qualquer inimigo com apenas um soco, o que aos poucos o vai entediando e o tornando indiferente às situações em que se mete.

A história é bem simples e não foge muito das tramas habituais dos animes de ação. Mas se one punch man tem uma característica que consegue transcender sua intenção inicial, é a zoeira. O autor faz uma sátira bem humorada ao estilo exagerado desses mesmos animes e seus heróis e vilões capazes de destruir cidades inteiras com um único golpe, e isso não falta na série, é montanha sendo explodida, prédio sendo derrubado, cidades devastadas e no outro dia... Tudo tranquilo! E, no melhor estilo Tarantino, o desenho não poupa referências, tanto que no primeiro episódio Saitama derrota um vilão idêntico ao Piccolo de Dragon Ball (só que azul) e depois um gigante parecido com os de “Attack on titans” e no sétimo episódio ele ainda chama seu adversário de “Son Goku”, pura zoeira! Sem contar com as frequentes interrupções que o protagonista faz aos discursos de seus adversários, sempre com a frase “por que você fala tanto?” referência gritante aos episódios de blábláblá intermináveis de animes do mesmo gênero
anime x mangá 

Além das referências, ainda podemos destacar todo um questionamento filosófico sobre poder no melhor estilo Alan Moore. O que aconteceria se você pudesse derrotar qualquer adversário com um soco só? Esse é o dilema de Saitama, que não se sente desafiado, surpreso ou com medo, e esse poder, vai fazendo com que ele perca em parte a capacidade de interação com que o cerca, tanto que sua expressão parece sempre de indiferença e seus pensamentos deixam isso claro, como no caso onde ele e Genos (um ciborg que sonha em se tronar discípulo do protagonista) fazem um teste para serem heróis profissionais (pois a única parte de Saitama que ainda interage com o mundo é a vontade de ter um fã clube) e durante a reunião ele está pensando no que fazer para o jantar, ou quando enfrenta o ser mais poderoso da “casa da evolução” e está pensando na liquidação do supermercado, isso me fez lembrar um pouco do Dr.Mahattan de “Watchmem”, que já não via as pessoas que o rodeavam como iguais, perdendo-se em divagações sobre seus interesses particulares, e também do velho e bom superman, que com todo aquele poder, vive tranquilamente entre as pessoas; entre esses dois extremos, eu colocaria Saitama no meio e o elegeria como o mais humano, nem tão indiferente e nem tão presente.


A trama ainda traz mais reflexões ao apresentar uma “associação de heróis”, que aos poucos vai se mostrando um reduto de inveja e egocentrismo, se mostrando opostas as intenções iniciais do protagonista e de seu companheiro Genos. Mas é através dessa associação é que vamos conhecer mais pessoas que buscam fazer a diferença, como o ciclista mumen Rider, ou o mestre de artes marciais Silver Fang, e também onde muitas pontas soltas são deixadas, criando a esperança de mais uma temporada.

Outra questão que ganha pontos absurdos é o carisma dos personagens, em especial do protagonista. Sinceramente é muito chato se deparar com personagens egoístas e só pensam em ser “o mais forte”, e que sempre finalizam o inimigo final... Embora Saitama sempre acabe batendo de frente com o inimigo principal, sua indiferença quanto a situação e vontade de fazer o que é certo fazem com que torçamos por ele e até nos sintamos chateados quando ele se torna alvo da inveja de outros “heróis”. Os personagens periféricos, como Genos, Mumen Rider e até o misterioso ninja “velocidade sonora do som” (que nome é esse!) são outros exemplos que enriquecem a série com humor, ação e momentos edificantes; Genos já aparece como um combatente do mal e que fica tão espantado com os poderes do One Punch Man que se torna seu discípulo e passa episódio atrás de episódios tentando encontrar o segredo da força de Sensei Saitama. Velocidade sonora do som, é um ninja que trabalha como assassino e segurança e se confronta com o protagonista por engano e acaba por encontrar uma motivação e sentido para treinar para vencer a pessoa mais forte que já conheceu, mas é no humilde herói de classe C Mumen Rider que apresenta todo sentido de ser um herói , quando além de aparecer em episódios combatendo sem sucesso oponentes mais poderosos e em um situação de desastre ainda se responsabilizar pelo resgate de sobreviventes, coloca sua vida em risco enfrentando o rei do mar profundo; Mumen Rider é o oposto de Saitama no que se trata em poder e empatia, mas seu complemento no que tange a ser um herói e o modo como o autor nos mostra isso é perfeito.


One Punch Man me trouxe de volta aquela sensação que a falecida rede Manchete me trazia todos os dias as 18:30. Aventura super bem desenhada e de roteiro extremamente engraçado, diversão para todas as idades. Fica agora a torcida para que novas temporadas cheguem em breve, linckando as pontas soltas que ficaram e nos dizendo qual a origem dos poderes de Saitama. Embora eu devesse ter resumido tudo em vinte palavras, tinha muito para falar dessa obra que gostei bastante e digo que “One Punch Man” leva a recomendação máxima desse cara comum que escreve essas resenhas por hobby e que busca sempre fazer a coisa certa.






domingo, 27 de dezembro de 2015

JESSICA JONES - A série



A DC tem muito a aprender com a Marvel! Eu sei que digo isso a cada  produção que a Marvel lança, mas fazer o quê? É a mais pura verdade! E foi exatamente isso que eu pensei ao terminar de assistir à “Jéssica Jones”, segunda produção conjunta entre a Netflix (essa linda) e Marvel (esse monstro sagrado).
Idealizada por Melissa Rosemberg e estrelada por Krysten Ritter, a série conta a história de Jessica Jones (é mesmo?!), uma ex aspirante a super-heroína, dotada de força sobre humana e capacidade de voo, ganhos em um acidente na adolescência, que após um grande trauma torna-se detetive particular e acaba sendo assombrada tanto pela culpa de seus erros, quanto pela uma psicopática figura  do passado (uuUUUuuuu que meda).


Cara! Eu gostei bastante da série, é claro que não teve o mesmo impacto em mim do que o Demolidor, até porque o demolidor tinha sofrido uma humilhação terrível nas mãos da fox e o resgate que a Netflix fez do personagem foi como uma virada aos quarenta e cinco com um gol de letra do zagueiro reserva (inesperado ao máximo), mas mesmo assim Jessica Jones me agradou bastante (foi um gol de cabeça do camisa 10) . A começar pela representatividade, eu sei que ando falando bastante sobre o assunto, mas é que eu acho importantíssima a ideia de dar voz e vez a personagens que não sigam o mesmo padrão recorrente, do homem, branco, hetero, ocidental, de trinta a quarenta anos e blá,blá,blá e nisso a série acerta em cheio, a protagonista é uma mulher, e mulher de verdade, que apesar de endurecida pela culpa e trauma não perde seu lado feminino e isso é bem bacana, porque a série não apresenta Jéssica como um homem de saia, ou como uma mulher perfeitinha, muito pelo contrário, há profundidade em sua personalidade e isso vai pouco a pouco se revelando quando conhecemos sua dependência pelo álcool, o trauma que carrega e que não a abandona e até seu pavio curto e ironia.  

Outro ponto positivo são os personagens coadjuvantes. Começando pelo grande vilão da série, Killgrave (a figura psicopática do passado), interpretado fodamente por David Tennant, ele é o melhor vilão do universo Marvel até agora, fazendo o Rei do crime parecer um menino chorão e Loki um playboy mimado. O cara é mau de verdade e inconsequente como poucos, seu poder de manipular as pessoas e sua personalidade doentia lhe torna omisso a culpa, fato que somado a seu carisma e sangue frio o colocam no mesmo nível de um coringa do Heath Ledger (sem falar no terno roxo), Luke Cage, que será o terceiro  personagem a ganhar uma série da Netflix também está muito bem representado por Mike Colter, o cara transmite carisma e seriedade, ficou longe do Luke Cage mais zoeiro que eu lia nas velhas revistinhas que a abril lançava por aqui nos meados dos anos oitenta, lembrando sim o Luke do selo Marvel Max; o tempo todo o cara é um cavalheiro (mas com aquele 1%) e o assunto que coloca o personagem no caminho de Jéssica é totalmente orgânico e deixa pontas soltas para serem exploradas na série do herói. Rachael Taylor, que interpreta Trish Walker , melhor amiga de Jéssica (que nas HQ’s é a heroína “Felina” (quem sabe, heim netflix?)), Eka Darville, que interpreta o drogado vizinho Malcolm, Wil Traval como Will Simpson (bazuca) e Carrie-Anne Moss, no papel da advogada Jeri Hogarth fecham os destaques do elenco, todos muito bem.

Aliás a presença de bazuca, faz um link direto com a série do Demolidor e uma possível “queda de Murdock”; do mesmo modo que deixa claro, junto com os traumas causados por Killgrave à protagonista que o tema central da série é o abuso. Frases recorrentes como “Tenho medo de encontra-lo na rua”, ou “Eu não era eu mesma...” dão o tom a série que o grande trauma de Jéssica (transformado em alegoria)  foi um relacionamento abusivo e isso se comprova quando surge o personagem  Will Simpson e este vem a se envolver com Trish Walker. No inicio do relacionamento Will se porta como um bem intencionado e arrependido sujeito, mas conforme a série avança vemos se tornar em um sujeito possessivo e violento, o que remete aos traumas da protagonista e quebra a empatia que temos pelo personagem a principio. Situação muito bem apresentada e explorada desde o primeiro episódio.

Mas o que eu realmente mais gostei da série, tenho que reafirmar, foi a protagonista. Estávamos com falta de uma personagem feminina forte e não sexualizada, mas não masculina; alguém em três dimensões, com problemas e relacionamentos críveis ( que se alternam entre cos e confusão e momentos de verdadeira cumplicidade). Dou grande crédito ao que a personagem transmite à escolha acertada de Krysten Ritter no papel de Jessica Jones, não que eu seja fã da atriz, na verdade só a vi em “Breaking Bad” e não me passava muita naturalidade, o que me fez ter um pouco de medo do que esperar dela na série, por sorte aquele cara nada simpática e olhos que parecem querer saber o que a outra pessoa está pensando combinaram com o papel e ela me convenceu.

A independência da personagem (embora existam pessoas que a cerquem) é muito bacana, e É isso que a DC deve aprender com a Marvel!! Existem problemas sérios acontecendo, mas não é necessária uma equipe de cientistas, hakers e sidekicks para dar apoio, como vemos em Arrow, Flash e supergirl (sempre a mesma coisa DC??), Jéssica tem seus problemas, seus poderes e seus métodos e isso já é mais do que o suficiente, além disso, como toda série de sucesso, o ser humano e seus problemas são o que movem tudo e o “super-herói” é colocado em segundo plano isso dá um ar de realismo fantástico à série e causa empatia em quem assiste, um grande acerto da Marvel herdado do Homem-Aranha do Sam Raimi.

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Outro ponto que a DC tem que aprender com a Marvel, é a utilização de personagens mais obscuros nas suas produções. Não sei quanto a vocês, mas eu não aguento mais produções com o Batman, Superman e Flash (e seu universo), a DC tem dezenas de bons personagens, como Hitman, Starman, a liga da Justiça sombria entre outros, mas parece presa a seus personagens mais icônicos, como os citados acima e quando tenta utilizar algum que foge de sua constelação central, temos produções capengas ou ignoradas, parece que a DC/Warner tem medo de jogar com cartas menores e fugir de sua fórmula de séries.

Adicionar legenda
O que parece motivo para a DC tremer parece ser o segredo do sucesso de “Jéssica Jones”. Assim como em “Os guardiões da Galáxia” o grande segredo da série foi o fato de o personagem ser muito pouco conhecido, o que favoreceu que os roteiristas não ficassem restritos demais a personalidade do personagem dos HQ’s e essa liberdade favoreceu a série, algo que seria pouco aceito em relação a um Wolverine ou Capitão América e que eu espero que a DC imite em seu “Esquadrão Suicida”.


Pois bem, gostei bastante da série “Jessica Jones”, embora eu sinta algumas pequenas quebras de ritmo durante a série, mas isso influencia muito pouco na trama, a qual eu achei bem concisa e me fez querer assistir ao próximo episódio assim que o que estava assistindo terminava e torcer por uma nova temporada. Grande trabalho de Melissa Rosemberg e de atuações primorosas como a de Krysten Ritter e David Tennant, mais um acerto da Netflix/Marvel que nos faz contar os dias pelas estreias de “Luke Cage” e “Punho de Ferro”.  Uma grande dica de diversão para quem tiver um tempinho para dar chance a uma série bem bacana e fora dos estereótipos e arquétipos tradicionais e uma grande aula de utilização de personagens obscuros a nossa querida DC comics.


quinta-feira, 24 de setembro de 2015

BLACK MIRROR - Mas que baita série !

   O inicio do século XXI nasciam as ferramentas que se desenvolveriam e conectariam nos dias de hoje todo o planeta, aproximando quem está longe, proporcionando conhecimento, mas não permitindo que nada mais seja restrito e secreto. A cada minuto milhares e milhares de vídeos, fotos e pensamentos são compartilhados em rede para que qualquer um veja, tornando a vida de todos pública por menos que estes queiram e criando um fenômeno de influência cíclica entre a vida real e virtual cada vez mais forte. Pois jogando essa influência da tecnologia na enésima potência e imaginando o que isso poderia influenciar no cotidiano das pessoas, que nasceu “BLACK MIRROR”, série criado por Charlie Brooker e transmitida pela emissora canal 4 da Inglaterra.

   Black Mirror estreou em 2011 na Inglaterra e conta até agora com duas temporadas que somam sete episódios; o nome da série (espelho negro) faz referência direta aos visores de computador, smartphones e TV's tão presentes e influentes em nosso dia a dia; Seu formato retoma o estilo de histórias curtas como “Além da imaginação” e “contos da cripta”, onde cada episódio conta uma história única , separadas no tempo e realidade das demais histórias contadas nos outros episódios e sempre com um elenco e diretores diferentes, como se fossem filmes de uma hora.
   Descobri a série através do Anticast e resolvi conferir, e, para a minha surpresa a série é muito boa. Não chegou a ser amor a primeira vista, na verdade achei o episódio piloto meio fraco , não que ele seja ruim, sua realização e ideia são muito legais, mas por girar em torno de uma figura que é muito distante da minha realidade ( o primeiro episódio tem por protagonista o primeiro ministro inglês) não consegui a empatia necessária para me prender na história, o que foi corrigido logo a seguir quando escolhi dois episódios aleatórios (já que são histórias individuais) e assisti o terceiro episódio da primeira temporada e o segundo da segunda e fiquei embasbacado.
   A primeira coisa que me prendeu na série é o ótimo clima ficção científica e o fato de não explicar nada, respeitando a inteligência de quem assiste. As coisas vão acontecendo e se explicando sem pressa, sem narrador em off ou aquelas conversas bobas do tipo : “olha meu braço é biônico,pois graças aos avanços da tecnologia do ano 2072...”; Não! Em Black Mirror o episódio começa e caímos de paraquedas no universo que é apresentado sem saber o que está acontecendo e para onde vamos e isso nos dias de hoje, onde tudo é explicadinho, é ouro. Outro fato, e que tem totalmente a ver com a boa ficção científica, é que a série trata de pessoas, tendo todas situações decorrentes de problemas ou de inovação tecnológica como pano de fundo que impulsionam a trama e não como estrelas da série e isso torna tudo (ou quase tudo) que ocorre em cada episódio muito crível e só posso dar exemplo disso falando um pouco sobre os dois episódio que gostei mais.  

Urso branco
O episódio que me causou mais impacto foi “Urso Branco”, dirigida pelo criador da série, que é o segundo da segunda temporada. Nesse episódio uma mulher acorda sem memória em um quarto, de frente para uma tela com um símbolo que parece uma daquela naves dos joguinhos clássicos do Atari, ela vai gritando por ajuda em uma casa que não sabe se é sua e se depara com uma foto sua com um homem e uma pequena foto 3x4 de uma menina, então ela começa a ter flashs de memória com o homem e a menina e percebe logo a seguir que está sendo filmada por todos os lados por pessoas que transitam nas ruas ou ficam nas sacadas das casas, mas ninguém interage com ela, ao mesmo tempo, surge uma figura mascarada portando uma espingarda e parte atrás dela atirando , as pessoas começam a se aproximar filmando sem se meter na perseguição, em um clima que lembra o caso de Kitty Genevese, presente na hq do Wachtmen então ela encontra um posto de combustível onde um casal (que age normalmente) explica para ela que um sinal zumbificou as pessoas e a maioria se tornou um expectador, filmando e fotografando tudo sem interagir com nada, enquanto um grupo de pessoas que não foram atingidas pelo sinal resolveu criar o caos e caçar as outras, sendo a única opção procurar a origem do sinal, chamado urso branco, e destruí-lo. O clima é de uma distopia e a falta de memória da protagonista te coloca no mesmo nível dela, mas não dá para se enganar, em Black Mirror nada é tão óbvio, não há heróis e nada fica como começa, o final desse episódio é um tapa na cara e garanto que até os créditos serão apreciados.

Reveja o que aconteceu
   Outro episódio que tem todo aquele gosto de ficção científica bem escrita é o chamado “A história inteira de você”, dirigida por Jesse Armstrong. Nesse episódio, que parece se situar a algumas décadas no futuro, as pessoas possuem um implante atrás da orelha que lhes dá acesso a um back up de memória automático que possibilita rever suas memória recentes e distantes , com a possibilidade de zoom, leitura labial e foco em detalhes, sendo possível ver internamente (em sua própria mente) ou compartilhada ( aparecendo em TV's para que todas analisem) e também possui um assistente automatizado que diz as condições mentais e físicas do usuário, nessa realidade somos apresentados ao protagonista, um advogado que volta de um trinamento e encontra sua esposa em uma festa com os ex-colegas da faculdade e acaba desconfiando das atitudes da esposa com um desses ex-colegas , surge aí uma busca atras da verdade desse possível relacionamento em um mundo onde as memórias podem ser vistas e a possibilidade de mentir é quase nula, deixando a pergunta: “o que pode ser feito quando não se pode mentir ou esquecer?”. Simplesmente fantástico!

    Balck Mirror, foi para mim, o maior achado desses últimos tempos, ficção científica sutil e de qualidade. A Netflix, que não é boba e nem nada e vem crescendo no universo das séries, apresentando maravilhas como “Demolidor” e “Narcos”, já mostrou interesse em produzir mais temporadas da série e quem sabe ainda em 2016 nos presenteie com novas histórias. Enquanto esses novos episódios não saem, eu digo que vale muito a pena conferir os sete que estão ai dando sopa nas internets da vida esse espelho negro nosso de cada dia.


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Demolidor - do filme à série



     Em 2003 a internet no Brasil era quase inexistente, assim como os sites de cinema e cultura pop. Só se sabia do lançamento de um filme através do programa Dia-a-dia na Band, no fantástico (se o filme fosse um mega Blockbuster) ou através da revista SET. E foi na capa de uma edição dessa bendita revista que descobri que um de meus super-heróis preferidos ganharia um filme, se tratava do “Demolidor, o homem sem medo” estrelado por Ben Affleck e dirigido por Mark Steven Johnson.
Meu primeiro contato com o filme já foi horrível, começando pelo protagonista. Nada contra o Ben Affleck, eu até gosto do cara em Dogma e hoje em dia torço para que seja um bom Batman, mas eu esperava um Matt Murdock leve e ágil, saltando de prédio em prédio e metendo a porrada utilizando suas técnicas ninja, mas a postura e o uniforme que a revista apresentava era de um cara acima do peso vestindo uma capa de sofá. Outro problema para mim era que o grande cérebro criminoso a ser combatido era o Michael Clark Duncan ( O John Coffey, de “A espera de um milagre) e toda vez que eu olhava para ele eu pensava, “Qual é? Esse cara não é tão mau assim!” e por último, mas não menos importante, tinha o Mercenário, que nos quadrinhos é um vilão foda, que usa qualquer coisa como arma, além de rivalizar na porrada com o Demolidor, mas na interpretação de Collin Farrel aparecia como um esquisitão, todo vestido de couro e com um alvo tatuado na testa, digno de piada.
Apesar do que a revista SET me mostrava, mantive o pensamento positivo até assistir ao filme, o que serviu apenas para que minha decepção fosse maior. As cenas de luta eram ridículas, a trama sem sentido e cheia de clichês, os motivos dos personagens eram rasos e pouco convincentes, ou seja, uma ofensa para qualquer fã. Por isso, quando a Marvel recuperou os direitos do personagem que estavam com a FOX e logo depois anunciou que a NETFLIX faria uma série do herói, me mantive indiferente e joguei minhas expectativas abaixo das solas dos pés. Mal sabia eu que receberia com surpresa melhor série de 2015.


chegou tateando e dominou !


   FODA! Me desculpem, mas não há maneira melhor de definir a série do Demolidor. Para começar a série faz parte do universo MARVEL dos cinemas, em diversos momentos podemos ver as referência do que aconteceu à Nova York devido a batalha dos Vingadores em seu primeiro filme, essa mesma situação é o motivo para a introdução do grande vilão, Wilson Fisk, o Rei do crime, que aproveita a oportunidade para tomar o poder em Hell's Kitchen comandando empreiteiras, empresas de engenharia e, de quebra o submundo das drogas e tráfico de influência, o que remete ao clima e ambiente da produção, que é extremamente sombrio, onde vemos o bairro do protagonista, sendo dominado por essa novo poder paralelo onde os antigos mafiosos e bandidos que dominavam as ruas estão sendo substituídos por um grupo realmente organizado, que consegue passar tensão e a ideia de que não se pode escapar quando se assiste.
Os atores estão fantásticos ! Charlie Cox, que eu só conhecia do terrível “Stardust” tem uma atuação perfeita no papel de Matt Murdock, me convencendo que era cego, que sabia lutar e até mesmo que era ruivo, Helden Henson faz o melhor amigo do protagonista, Foggy Nelson, conseguindo transmitir o carinho e fidelidade que no filme de 2003, John Fravreau, interpretando caricatamente o mesmo personagem não chegou nem perto, a ele pertence a parte cômica e ingênua da série, sem com isso transformar o personagem em bobo ou coitadinho. Vincet d'Onofrio , o eterno Gomer Pyle de “Nascido para matar” é o rei do crime definitivo, embora eu tenha alguns problemas com a origem do personagem (que vamos abordar mais abaixo), ele convence com uma interpretação que alterna da insegurança (que se mostra como dissimulação) e insanidade para razão e propósito, o sujeito é uma bomba relógio prestes a explodir quando o que é sagrado para ele é molestado. Mas no meu entender, o melhor ator da série é Vondie Curtis-Hall que interpreta o reporter Ben Urich, que é responsável pela parte investigativa e que aos poucos é aprofundado expondo seus problemas financeiros, ideologias e se torna um dos heróis da série pelo fato de não se corromper; o ator consegue passar com um olhar ou suspiro todas suas preocupações ou ideias, muito show, tanto que não se ouviu falar mal do personagem devido a sua mudnça de etnia nem mesmo entre os Haters. E o que falar de Débora An Woll como Karen Page? Bom, além de ótima como a personagem ela é linda (ponto).
   O que me conquistou na série é que ela segue o modelo de séries de sucesso, como “Breaking bad” ou “Game of Thrones”, de ser um filme gigante dividido em episódios em que, permeados por diversas subtramas, existe um ou dois problemas centrais a serem resolvidos, tudo isso tratado com o máximo de realismo e seriedade possível ( seriedade, não austeridade), ou seja, não existe essa bobagem de vilão da semana, tal qual The Flash ou Arow, mas sim um medo constante que paira durante toda a temporada. Essa é a receita de se aprofundar e desenvolver todos os personagens desenvolvendo empatia e fazendo com que quem assiste queira mais e mais.
 
Arrebenta Stick
 E Falando em trama, existem episódios que eu vi, revi e trivi, de tão espetaculares que são. O episódio onde raptam uma criança para chamar a atenção do demolidor e ele entra no esconderijo dos bandidos (quando ainda está machucado) é muito legal! Tem uma cena de luta de quase dez minutos em um corredor que remete ao filme Sul-coreano “Old Boy”, ao mesmo tempo que deixa claro que o protagonista é um herói falho e vulnerável, que não tem todas as resposta e soluções, mas que está disposto a ir até as últimas consequências para buscar justiça; nese episódio tem uma cena muito engraçada, quando o demolidor entra em uma sala e fecha a porta, se ouvem gritos, de repente sai um sujeito quebrando a porta e quando se acha que ele vai escapar, uma TV de 29” o acerta na cabeça, cena essa que faz contraponto com o desfecho do episódio em que nosso herói resgata o menino raptado e , cambaleando, o carrega nos braços para o pai (Isso sim é herói!). 
    Outro episódio show é quando aparece o Stick, o sujeito que treinou Matt Murdock. Eu ansiava por essa aparição, principalmente pelo fato de não haver menção a esse personagem no filme de 2003 (o que me deixou indignado), Na série o personagem que é vivido por Scott Glenn já mostra a que veio na primeira cena, onde em uma perseguição a um burocrata Japonês ( e falando japonês) usa suas habilidades para dar cabo do sujeito. Durante esse episódio é que sabemos como Foi o encontro entre Stick e Matt e seu treinamento, onde ele aprendeu, guiado por Stick, a focar os sentidos para não enlouquecer (questão que não existe no filme), também temos um vislumbre de questões externas ao que ocorre em Hell's Kitchen e que deverão ser abordadas nas próximas temporadas, como o clã de Stick e o céu negro (seres em forma de criança que parecem ser armas biológica) e o tentáculo que surge na figura de Nobu, que é um aliado do rei do crime desde o começo da série e que se mostra um ninja, fato que vai gerar uma cena de luta muito boa em outro episódio, mas voltando para o Stick, o personagem é muito carismático, aquele tiozão badass que senta a porrada em todo mundo, é boca suja e só pensa em seus objetivos, quero muito que ele volte na segunda temporada. 
Bad day
   Por último, um episódio que me chamou a atenção, mas me deixou dividido quanto ao personagem é o que mostra a origem de Wilson Fisk. Nele somos apresentados a um Wilson criança, que sofre maltrato do pai e dos vizinhos, ele aparece sempre nervoso e incapaz de reagir na maioria das vezes, chegando a entrar em panico quando o pai vai tirar satisfação de quem fez bulling com ele, isso culmina quando ele mata o próprio pai em uma crise de violência após vê-lo agredindo a mãe, isso eu não consegui digerir, penso que alguém que sofre violência desde pequeno acabe por se quebrar, tornando-se arredio e tendo crises eventuais e violência ( o que acontece na série) mas a estrutura para o personagem chegar onde chegou seria comprometida, seria quase impossível ele se tornar líder de uma organização com o porte da que ele comandava se em sua tenra idade nada que o cercava lhe passasse confiança de que ele seria algo melhor, mas fora isso a atuação de Vicent d'Onofrio e o episódio em si é muito bom.

    Por tudo isso considero “Demolidor” a série da NETFLIX a melhor coisa lançada em 2015 (até agora), ficamos no aguardo da segunda temporada quando a questão do céu negro será revelada e teremos a introdução ao mundo dos clãs de ninja e sua guerra. Espero também que as demais séries baseadas nos personagens da MARVEL que a NETFLIX irá produzir sigam com a qualidade apresentada em Demolidor, contando com muita ação , violência e realismo. Nota 10.


Até a próxima temporada



terça-feira, 13 de janeiro de 2015

PENNY DREADFUL - O suave, doce e classudo terror londrino

   Quando eu penso em um ambiente de terror e tensão clássicos, nenhum lugar “melhor” me vem a cabeça do que a Londres vitoriana, com seus casarões antigos e aparentemente desabitados, o ar poluído das fábricas, a névoa constante e o clima miserável de seus abitantes; muito dessa visão é culpa dos próprios autores ingleses como Conan Doyle e Oscar Wilde, ou dos filmes e documentários sobre Jack, o estripador , que criavam na minha cabeça a ideia de um lugar terrível e impossível de escapar. E para minha alegria, foi essa mesma sensação que encontrei ao assistir “Penny Dreadful” série da Showtime exibida no Brasil pela HBO (sempre ela) entre Maio e Julho de 2014 mas que, como de costume, terminei de assistir dias atrás.
Eva Green como Vanessa Ives
   O nome da série vem das publicações de terror que eram vendidas por centavos na Inglaterra no século IXX e que foram apelidadas de “centavos de terror” , Penny dreadful em inglês; a história tem como protagonista Vanessa Ives (Eva green) Uma médiun perturbada por uma entidade sobrenatural que a persegue desde sua adolescência, a mantendo entre a loucura e a sanidade; ao lado de Vanessa se encontra Sir. Malcon Murray (Timothy Dalton), lord Inglês, explorador e aventureiro que recorre aos dons da médium quando a filha , Mina, é raptada por uma criatura das trevas (bUuUu...); a partir daí pessoas com talentos específicos vão sendo recrutadas para buscar encontrar respostas e ajudar em um possível resgate, tais como Ethan Chandler (Josh Hartnett) misterioso pistoleiro americano, que primeiramente aparece como um ator circense, fútil e mercenário, mas que aos poucos vai se mostrando mais complicado e familiar ao que os terrores da noite tem a oferecer, ou o Dr. Victor Frankeinstein, jovem médico obcecado pelo único mistério que o atormenta, a tênue linha entre o que se considera vida e morte; não podemos deixar de falar da participação especial do Dr. Van helsing, hematólogo que traz consigo o trauma de ter encontrado a escuridão e perdido algo de valioso para ela, outra figura importante é o imortal e conquistador Doryan Gray, que passeia pela história atrás de sensações e prazeres que deem sentido a sua vida; Juntos eles buscarão vencer as trevas das ruas de Londres e de seus próprios passados.

Josh Hatnett como Ethan Chandler
 O seriado é ótimo! Ao meu ver , dentro destas séries pequenas com inicio, meio e fim em poucos episódios, como vem se tornando tendência,só perde para “true detective”, da própria HBO e “Sereia” da Globo e o fator importante para isso é que o foco principal são os personagens e não a trama em si; as pessoas com seus traumas, medos e erros abrem espaço para um universo que converge para situação onde elas são enseridas e que cria a empatia com o telespectador, herança de “Sopranos” e “Breaking Bad”. Outro fator são as atuações, Eva Green está fantástica como a perturbada médiumVanessa Ives, não acho a atriz a mais bonita ou charmosa dessa nova safra de beldades do cinema, seu papel de maior apelo sensual foi em “007 Cassino Royale”, mas depois disso só consigo lembrar dela em papeis meio sem graça em sequências desastrosas, como em “300 a acensão de um império” ou em “Sym city, a dama fatal”, em que ficam forçando um sex appel que ela não tem, já em “Penny dreadful” ela rouba a cena, principalmente quando aparece possuída pelo demônio, revelando os segredos mais íntimos de seus companheiros em meio a deboches, ataques de raiva e frases gritadas em línguas mortas, a melhor possessão desde “O exorcista”!. Timothy Dalton que a meu ver seria um ator que não combinaria com esse tipo de série ( acho que a imagem dele com James Bond ainda está presa na minha mente) convence sempre, Lorde Inglês explorador no melhor estilo Sir Richard Francis Burton, buscando encontrar a origem do Nilo e explorando as savanas da África mantendo a família em segundo plano e a arrastando para a destruição, a decisão de colocar um explorador como pai da pobre Mina, a amante de Drácula e assim explicar a mente aberta e reação da família após o seu rapto foi muito bacana e o ator com aquela postura de lord sem perder o ar de líder durão faz com que tu confie nele até quando seus podres são revelados. Os mistérios e reações que cercam Ethan Chandler talvez não fossem tão intrigantes se quem o viveu fosse alguém diferente de Josh Hartnett que abandona aquele visual de galãzinho dos tempos de 40 dias e 40 noites e se apresenta como o misterioso e atormentado pistoleiro que cai de paraquedas no meio dessa trama toda, mas que aos poucos vai se tornando o elo entre a realidade e os segredos que o grupo vai conhecendo, os mistérios de suas batalhas internas só chamam menos a atenção do que sua tórrida cena de paixão com Doryan Gray . Falando em Doryan Gray, justamente o ator que o interpreta, assim como o que vive o Dr Frankeintein não me convenceram, é como se faltasse alguma coisa aos dois, não sei se devido a ótima atuação do restante do elenco ou do carisma dos outros personagens, que são o sinistro mordomo negro de Sir Malcon, Sembene, vivido por Danny Sapani e a criatura de Frankeinstein, que recebe o nome de Calibã, trabalha no Backstage do teatro londrino e assombra seu criador no sonho de ter uma noiva ( O episódio onde ele conta sua história é fantástico ); perto disso os dois jovens parecem frageis e quase deslocados, embora a cena de diálogo quando o jovem doutor pensa em matar sua criatura seja emocionante e mesmo o Doryan Gray da série bata fácil o apresentado em “A liga Extraordinária” .

Timothy Dalton como Sir. Malcon Murray
  E por falar em “Liga Extraordinária”, acredito que a série seja mais digna do nome do que o terrível filme de 2003, que não soube levar para a tela grande a tensão presente nas HQ's, quando terminei de assistir a série a primeira coisa que pensei foi “E o que será que Alan Morre pensou disso tudo?” … Bom, isso eu não sei, mas o que achei foi que “Penny Dreadful” Não me decepcionou ,muito pelo contrário, foi uma série divertida, repleta de suspense, ótimas atuações e momentos espetaculares, misturando a origem de personagens clássicos da literatura de terror Inglesa sem apelar para o estilo blockbuster de ação sem limites ou debochar da inteligência de quem assiste. Recomendo muito! Nota 8,5