A vida é uma guerra onde, ano após ano,
vamos sendo expostos a todo tipo de atrocidades e frustrações. É nela onde criamos
laços com outros como nós, mas logo nos habituamos a perdê-los e, se temos
sorte, chegamos ao final da última batalha com boas histórias, alguns
arrependimentos e muita saudade. Mas, e se aos setenta e cinco anos, tivéssemos
uma nova chance de começar do zero, nos atirando as cegas em uma viagem sem
volta, onde a única certeza é uma nova vida com muito mais aventura e violência,
você toparia?
O “E
porque não?!” para essa questão, é o que dá início a trama de “guerra do Velho”, livro do escritor John
Scalzi, publicado no Brasil pela editora Aleph e que, como uma rajada de MU-35,
chegou para quebra meu hiato para falar sobre o que eu mais gosto: ficção
científica.
O livro conta a história de um futuro onde
a raça humana chegou à era das viagens interestelares e passou a colonizar
diversos planetas, tendo contato com outras civilizações, das quais muitas
hostis. É nesse universo que conhecemos John Perry, um publicitário aposentado
e viúvo de 75 anos, que se alista nas forças coloniais de defesa (FCD) e parte
para o espaço em uma viagem sem retorno para defender nossas colônias, sem
imaginar quantos terrores e maravilhas presenciaria após sua última decisão no
planeta Terra.
Edição da Apleph
Gostei bastante do livro, mas tenho que
confessar que minha primeira impressão da história foi negativa e se estendeu
assim quase até a metade da trama. Algumas das coisas me desagradaram foram, as
muitas semelhanças com “Tropas Estelares” de Robert A. Heinlein e a mentalidade
extremamente aberta e “pra frentex” de senhoras e senhores de 75 anos, mas
superei a primeira ao focar mais nas diferenças entre as histórias dos autores do
que suas semelhanças e a segunda me colocando no exato lugar do protagonista e
seu grupo de amigos, que receberam ao final da vida uma nova chance de se
aventurar e conhecer coisas novas, em uma situação como esta, se apegar a
preconceitos e costumes do passado, não melhoraria a vida nova de ninguém.
Mas a coisa que mais me desagradou, foi o
fato de que tudo acontecia de maneira extremamente perfeita para o
protagonista; ele é o cara mais simpático e agradável do mundo e que acaba se
cercando dos velhinhos mais bacanas, inteligentes e descolados já na viagem até
a nave que os levará ao lugar de seu treinamento; após as melhorias nos corpos
dos recrutas (das quais falaremos adiante) é ele quem pega a recruta mais
gostosona, é ele quem vira o queridinho do sargento que os treina e que, por
isso, é eleito líder de pelotão, é ele quem, em sua primeira batalha, descobre
como vencer os inimigos mais perigosos das FCD, é tudo muito perfeito... Aí eu
me toquei que o livro é narrado em primeira pessoa e que o protagonista é
publicitário, ou seja, ele estava colocando um pouco de “tempero” em si mesmo
para se vender como o maior herói que já existiu, em um detalhe tão sutil e
brilhante de Scalzi, que mudou minha percepção da história após eu nota-lo.
Mas fora esses desagrados iniciais com o livro,
“Guerra do Velho” apresenta conceitos muito bacanas e sua história vai
crescendo em uma medida tão acertada, que se torna bem difícil para um fã de
ficção científica se decepcionar com o que o autor apresentou ao final das
trezentos e sessenta páginas. Para começar temos toda a ideia de tecnologia das
FCD, começando com a resposta para, como alguém consegue lutar em uma guerra,
após os 75 anos de idade? Pois bem, no universo do livro, a raça humana teve
contato com outras raças a quase um século e com isso, acesso a muitas
tecnologias que se tornaram segredos das colônias, uma dessas tecnologias, é a
transferência de consciência e é isso que possibilita a ida dos recrutas à
guerra. Na história, quando se chega aos
65 anos de idade, a pessoa decide se quer fazer parte das FCD dez anos mais
tarde e nisso, vários testes são realizados e amostra de sangue e pele retirados,
o que os futuros soldados desconhecem (pois nenhum cidadão da terra sabe nada
do que ocorre nas colônias) é que um novo corpo, repleto de alterações e
melhorias, vai sendo maturado e deixado a sua espera, para quando este resolver de uma vez sair de seu planeta natal.
E o corpo é incrível! Com olhos de Gato para enxergar melhor na penumbra, com
corpo na melhor forma atlética possível, com sangue que transporta mais
oxigênio e coagula mais rápido para evitar hemorragia, um computador e
assistente pessoal instalado no cérebro e uma pele verde rica em clorofila para
ajudar a obtenção de energia.
Scalzi
Mas o que mais me agradou foram os conceitos
referentes aos alienígenas que as FCD vão de encontro para garantir a segurança
dos colonos Terráqueos no universo. Os primeiros a aparecer em batalha e
grandes rivais misteriosos da humanidade, são os aliens conhecidos como
“Consus”, uma raça extremamente avançada e detentora de tecnologias
infinitamente a frente das que aparecem no livro, mas que se limita a ir a
campo de batalha com as armas no mesmo nível dos rivais que encontram. Sua
aparência é descrita como semelhante a de um inseto meio humano, com quatro
braços, sendo que os de cima são duas lâminas extremamente afiadas que eles
também utilizam como arma e suas entradas nos planetas são sempre realizadas
com rituais e cerimônias, tornando as intensões e razões desses inimigos
misteriosas. Também temos os Covandus, seres humanoides de algumas polegadas,
que conseguem um relativo sucesso contra a raça humana utilizando sua força
aérea em miniatura, ou o misterioso fungo da colônia 622, uma entidade coletiva
inteligente que dominava o planeta e que esperou o momento oportuno de atacar e
matar todos os colonos adentrando pelas vias aéreas dos coitados e excretando
ácido em seus pulmões, fato que faz com que a raça humana desista do planeta em
questão, ou ainda os antropófagos Rraeys, criaturas de características que
lembram aves e que enxergam na raça humana uma iguaria sem igual; são estes
últimos os responsáveis pelo massacre do planeta Coral, o ponto de virada do
livro e que dá início a uma sequência de batalhas e lutas que alavancam a trama
com muita ação.
Pois bem, Eu poderia escrever parágrafos e
mais parágrafos sobre o livro, citando a relação do protagonista com seus
amigos, seu crescimento dentro das FCD, explorando a possível ditadura e, quem
sabe, distopia por de trás do governo colonial, ou simplesmente falando sobre
as “Brigadas Fantasmas” o time de elite das FCD, mas como na maioria dos livros
que resenho, não fiz questão de me aprofundar para que quem conhecer por aqui e
se interessar pela obra, não tenha suas expectativas totalmente estragadas por
esse texto. Deixo aqui só a certeza de que "Guerra do velho” é um livro
divertido e que apresenta um universo extremamente interessante e para quem,
assim como eu, se incomodar com um protagonista que não erra, digo para ter
paciência; para quem enxergar semelhanças com outras obras, calma, há muito mais
originalidade do que homenagens. Faça então como os recrutas da FCD e deixe de
ser velho leia a obra de John Scalzi e mergulhe em uma viagem sem volta repleta
de aventura, ação e violência, tal qual as batalhas da vida, mas com garantia
de muito mais diversão do que frustrações.
Como
dito no post anterior, o mês de setembro, para mim, é quando tudo que tem que
dar errado, se concretiza. No entanto, nesse ano não foi só para a minha pessoa
que setembro foi terrível, pois, depois de quatro furacões, três terremotos e
de um esboço de guerra nuclear entre EUA e Coréia do Norte, descobri que o
mundo poderia ter acabado na data de ontem (23/09/17) ao colidir com o planeta
Nibiru (que deve ser o planeta natal do ET Bilu). Mas, por mais sorte do que
juízo, o planeta vagante nos deu um bolo e a terra ganhou mais alguns anos para
agonizar na mão dos humanos e, para comemorar, resolvi procurar por um filme
que me transmitisse todo espirito desse bendito mês que parece que não tem fim.
Foi assim que encontrei “Extinction” (2015),
ou como ficou chamado aqui na terra do mico-Leão dourado, “Apocalipse”; produção
roteirizada e dirigida por Miguel Angel Vivás, que apresenta um mundo, onde uma
infecção transformou grande parte da população em criaturas raivosas e antropófagas
(para não dizer zumbis), mas onde a raça humana conseguiu se organizar e
arranjou uma maneira de exterminar os monstros,
reduzindo a temperatura do planeta até níveis árticos e assim
despachando os mortos-vivos por congelamento. É nesse mundo, nove anos depois desse
extremo, que encontramos Patrick (Mathew Fox (de Lost)), Jack (Jeffrey Donovan)
e sua filha Lu, as últimas três pessoas vivas da cidade de Harmony, que, por
problemas do passado não se falam, mas são obrigados a unir forças quando uma
nova raça dos monstros surge depois de anos, agora adaptada para o frio e muito
mais mortal.
Olha, o filme não é a melhor coisa que vi
nesses últimos tempos, mas também não é a pior. A trama é uma mistura de “Eusou a lenda” ( Do will Smith e não do livro), com elementos de “A noite dos
mortos vivos” (Do Tom Savini, não do Romero) e dentro do que se propõem,
consegue funcionar de certa forma trazendo o sentimento de solidão do primeiro
filme citado acima, ao apresentar a rotina de Patrick, que depois de nove anos
sozinho, não age diferente do personagem interpretado pelo sobrinho preferido
do Tio Phil, falando sozinho, sendo metódico em seus horários e na busca por
mantimentos e mesmo adotando um cachorro como melhor amigo e confidente. Já
Jack e sua filha Lu, são a síntese do isolamento e do medo do que pode estar
rondando a casa, maravilhosamente bem desenvolvido por George Romero no
clássico de 1968 e homenageado por Tom Savini em 1991.
Misturando em si a essência de duas boas e
conhecidas histórias, o filme garante alguns sustos e cenas tensas, em grande
parte pelo elenco reduzido, que facilita com que o espectador se importe com
cada um desses poucos sobreviventes , nisso a jovem atriz Quinn McColgan, que
interpreta Lu, consegue se destacar ao transmitir (com a ajuda do roteiro) toda
a ingenuidade de uma criança que nasceu em uma sociedade destruída e cresceu apenas
na companhia do pai.
Lu ,Jack e Patrick
Só que o mesmo roteiro que nos faz acreditar
em uma menina de nove anos, nos deixa
confusos quando ignora o que houve com aquela sociedade e em especial, como
diabos eles conseguiram baixar a temperatura
do planeta?? pois eu assisti ao filme duas vezes e se foi dito, me escapou
totalmente (Talvez seja uma consequência do inverno nuclear depois da guerra EUA x Coreia do Norte). Da mesma forma, a produção toma algumas decisões e depois desiste das
mesmas sem mais nem mesmo, como quando o personagem de Jack parece estar
enlouquecendo e uma voz começa a influencia-lo, vinda de seu aparelho de
rádio amador dizendo para que ele não
aceite mais desaforos do vizinho Jack, o que é ignorado sem mais nem menos
antes da metade do filme. Soma-se ainda a isso algumas conveniências de roteiro, como o fato de os protagonistas só conseguirem contato com outros grupos de sobreviventes, 9 anos após o isolamento e justamente quando a nova raça de zumbis começa a surgir; mas se não existissem certas conveniências na trama (assim como na vida) a história não se moveria, então é possível ligar a suspensão de descrença e deixar o filme seguir. Pois bem, "Extinction" foi a descoberta mais acertada para representar o meu mês de Apocalipse. Um filme mediano, que conta o drama de dois ex-amigos que no meio de um apocalipse Zumbi e com o planeta congelando, se isolam em suas casas remoendo as dores do passado enquanto o mal lá fora só cresce. Uma produção que mesmo com pouca grana e com muitos clichês, consegue ser competente (embora por vezes arrastado) em criar um clima de tensão, solidão e mostrar que, mesmo nas situações extremas, os problemas de relacionamento ainda são os mais difíceis de resolver. Então, se assim como eu, você teve um mês daqueles que lembra lembra um filme de terror, assista a "Extintion" (ou Apocalipse), um filme muito mais divertido e bem menos aterrorizante do que um mundo com quatro furacões, três terremotos e um mês de setembro de quarenta dias.
Todo
ano nessa época é igual, um clico parece se fechar e tudo que pode dar errado
na minha vida, realmente dá. Tanto que, intimamente, eu costumo chamar Setembro
de “o mês do Apocalipse”. No entanto, esse ano decidir não me abalar muito e celebrar
o mês de tumultuo com uma temporada de filmes que tem tudo a ver com ele, ou
seja, destruição, caos, estranheza e ...apocalipse.
E para dar uma melhorada na energia, hoje
vou falar sobre um filme que oscila entre a comédia e o Gore de maneira despretensiosa
e que descobri muito sem querer no catálogo daquele serviço de streaming
famoso, que adora estragar adaptações de mangás e do defensor de Kunlun, trata-se
de “TURBO KID”, filme canadense de 2015, escrito e dirigido por Anouk Whissel,
François Simard e Yoann-Karl Whissel; e, estrelado por Munro Chambers e Laurence
Leboeuf , todas pessoa que nunca havia ouvido falar antes e que duvido que ouvirei novamente.
O Filme conta a história de um garoto (Chambers)
que vive sozinho em um mundo pós-apocalíptico. Ele é fã de quadrinhos, em especial
de um personagem chamado “Turbo Rider” e sobrevive catando e revendendo
quinquilharias no mercado que se organizou após o fim da sociedade. No retorno
de uma dessas vendas, que ele conhece Apple (Laurence Leboeuf), uma estranha e
animada garota, com quem vai nutrir algo mais que uma amizade. Mas em mundo
onde a sobrevivência fala mais alto, a força é a única lei, então, em uma
incursão pelo “lixão” (como denominam o que restou da cidade), Apple é capturada
e levada até Zeus (Michael Ironside) o
chefe da gangue que domina o lugar; Porém, O Garoto vai descobrir que as
histórias em quadrinhos que lia eram uma homenagem a um herói real, que morreu
lutando contra a causa do apocalipse que os atingiu e, munido da maior arma de
seu herói, o garoto se tornará Turbo Kid e partirá para resgatar Aplle e
derrotar o Infame Zeus.
Não se assuste se a sinopse do filme
parece brega, realmente era para ser assim. “Turbo Kid” é uma homenagem despretensiosa
ao cinema de baixo orçamento dos anos oitenta, sendo um dos primeiros a seguir a moda ditada pelos "Guardiões da Galáxia" (2014) de James Gunn, porém se assemelhando mais com os filmes anteriores do diretor, como "Super" e "Projeto Belko" devido a sua mistura de humor e ação visceral, do que com o milionário Blockbuster da Marvel studios.
Já no inicio do filme, quando somos apresentados ao universo da trama, temos um pequena mostra do que está por vir, quando depois de ouvirmos um narrador contar um pouco do que
houve com a sociedade, recebemos o mórbido aviso “Bem vindos ao futuro, bem
vindos a 1997”, como se filme fosse realmente uma produção oitentista. Logo após isso conhecemos o protagonista e visualizamos sua rotina de catador, que após encontrar algo que possa trocar por água e comida, segue seu caminho em um vídeo clipe super para cima, típico dos filmes da sessão da tarde, com o garoto voltando para casa em sua bicicleta cross e ouvindo rock
carregado de sintetizadores e teclados em suas fitas cassetesenquanto desvia das cabeças de pessoas desavisadas cravadas em estacas pelo caminho.
Vilões e Heróis de Bike
Mas não pára por aí, além da influência musical e visual dos anos oitenta, o filme também traz diversas referências, como a temática frequente de mundo sem água, como no clássico trash "Crepúsculo de Aço" (1987) estrelado por Patrick Swayze e falta de combustível, tal qual "Mad Max". Sobre a falta de combustível, o roteiro toma uma decisão totalmente crível, que é , na falta de motores a explosão, todos andam de bicicleta; o que faz sentido e ao mesmo tempo dá um ar cômico a trama, com todo mundo pedalando pra lá e para cá. Já no tocante a falta de água, a história toma contornos mais mórbidos, apresentando uma máquina que transforma pessoas em água pura, que é o que Zeus o vilão está fazendo e para tal capturou Apple, assim como Frederic, o chefe da Gang Rival, que se tornará um futuro aliado de Turbo Kid. Mas não é só isso ( o Gerente enlouqueceu) mais tarde descobrimos que o que levou a destruição da sociedade é mais um clichê dos tempos dos permanentes e roupas multi coloridas, que são ... os robôs! Sim, meus amigos, quem destruiu o mundo como conhecemos, foram os seres mecânicos revoltados, em uma homenagem nada discreta ao "Exterminador do futuro", com a vantagem de que nesse mundo alguns robôs ficaram de boa com as pessoas e até se apaixonam por elas (ops!)
Melhor Arlequina
No entanto, sem só de referência vive esse filme, ele também influenciou outra trama, ainda mais trash que ele mesmo. Sim senhores, Turbo Kid também é cultura e com a personagem da Apple, deu base a outra personagem também empolgada e insana, mas que diferente da original canadense, alcançou muito mais sucesso (embora seu filme seja muito pior), trata-se da Arlequina de "Esquadrão suicida", que até hoje brilha nos coraçõezinhos dos DCnautas, sem que muitos desses saibam que um anos antes, em um filme com um décimo do orçamento, uma atriz desempenhava exatamente o mesmo papel E O MUNDO PRECISA SABER DISSO!!! Além de tudo, o filme tem uma sequência final de combate que mistura comédia pastelão, violência em excesso e sangue sem fim, que me fizeram aplaudir de pé sem saber exatamente por qual das razões. Pois então, "Turbo kid" está lá, flutuando tranquilamente entre outros diversos títulos naquele bendito serviço de streaming; discreto e impassível, mas certeza de diversão garantida. Um filme que mostra que não é preciso gastar malas e mais malas de dinheiro em um filme para que ele seja divertido e nem atola-lo em efeitos especiais para chamar a atenção, basta uma boa ideia e alguns atores desconhecidos para aceitar o trabalho. Um filme que caminha entre o cômico e o Gore, mas abraça com força os clichês da década de 1980 sobre o apocalipse e que me arrancou muitas risadas nesse meu mês tão sombrio.
O
Ano é 1989;
Nos
E.U.A, Bush
pai assumia seu cargo de presidente; Na
China, um
estudante desconhecido parava uma coluna de tanques durante o
protesto na praça da paz celestial; A Rússia se retirava do
Afeganistão e
no
Brasil, Raul
Seixas morria e Pedro Bial fazia sua mais relevante reportagem
informando que o muro de Berlin caia, dando fim a vinte oito anos de
divisão alemã. É durante esse período tão conturbado de nossa
história que se passa a trama
de um dos grandes filmes de
2017
e que aguardei ansioso desde seu primeiro trailer, trata-se
“Atômica”, Thriller de espionagem e ação dirigido David Leitch
e estrelado pela maravilhosa Charlize “Furiosa” Theron que
estreou no final de Agosto para fechar o mês com um tiro certeiro e
abrir Setembro com o pé na porta.
O
filme conta a história de Lorraine Broughton (Charlize Theron), uma
agente da MI6 que, após o assassinato de um colega em Berlin, que possuía uma lista contendo o nome de todos espiões em operação dos
dois lados do muro, é enviada para Alemanha e incumbida de recuperar
o material, que além de tudo possui a identidade de um perigoso
agente duplo.
Às
vésperas da reunificação alemã e contando com a parca ajuda do
chefe da estação local, o pouco ortodoxo David Percival (James
McAvoy), Lorraine terá de usar todo seu charme e talento como
especialista em combate corpo a corpo e evasão para sobreviver ao
derradeiro e mais sangrento jogo de espiões da guerra fria.
Cara,
sabe aquele filme que consegue ser tão equilibrado, mas tão
equilibrado que se você largar em uma corda ele fica paradinho? Pois
Atômica é isso. Atuações convincentes, cenas de luta e
perseguição de tirar o folego, reviravoltas na trama, fotografia e
figurino bonitos, locações caprichadas e trilha sonora matadora,
tudo muito bem organizado dentro de menos de duas horas de filme e
que merecem ser creditados tanto à competência do diretor David
Leitch, que vem crescendo no mercado de filmes de ação, quanto ao
talento de Charlize Theron, que mais uma vez rouba a cena com sua
atuação e carisma.
Quanto
ao diretor, fica fácil reconhecer sua assinatura gráfica e estilo
ágil quando comparamos "Atômica" com outro de seus filmes
que foi bastante comentado, que é "John Wick" (2014), com
a diferença que na nova produção Leitch mantém a ação frenética
mas prende os pés no chão, o que não o impede de ousar, passeando
com a câmera por ângulos que colocam o espectador quase como se
fosse um passageiro durante uma perseguição de carros ou estivesse
no meio das cenas de luta e tiroteio, nos presenteando com longas
tomadas sem cortes e planos abertos que acabam por detalhar cada
intenção dos presentes na tela sem a necessidade de quase nenhum
diálogo, essa confirmação de estilo me fez, mais do que ficar
empolgado com a história que estava assistindo, me sentir aliviado
ao pensar que a sequência do filme do Deadpool está em mão
competentes e capazes de superar a divertidíssima produção
comandada por Tim Miller em 2016.
Já
Charlize Theron está realmente magnifica, arrancando o fôlego de
quem assiste ao filme e os dentes e sangue de seus inimigos na trama.
A atriz Sul africana se reinventa mais uma vez e consegue deixar no
passado seus papeis anteriores, como a marcante "imperatriz Furiosa" de "Mad Max" e Aileen Wuornos de "Monster"
que lhe rendeu um Oscar; suas cenas de ação em nada ficam devendo
às dos protagonistas de outros prestigiados filmes de espionagem e
ação como "Jason Bourne", "John Wick" ou "James
Bond", sendo que as coreografias de luta, os planos aberto e luz
explorada pela produção parecem dar vantagem a Theron que,
transparecendo força e sobriedade na atuação, se distancia de
forma gigantesca de outras atrizes que também costumam viver papeis
outrora interpretados apenas por homens e que, quase sempre, mostram
uma postura quase caricatural repleta de caras e bocas pouco
convincentes, como Angelina Jolie em "Tomb Raider" e
"Salt", Mila Jovovich em "Resident Evil" e mais
recentemente , Scarlett Johansson em "Ghost in the shell",
sem contar que a atriz Sul Africana ainda abusa do charme e da beleza
como armas fatais no jogo de espiões que sua personagem se envolve
de forma infinitamente mais convincente do que mostrado em qualquer
filme do gênero antes. Fatos que afirmam Charlize Theron, com
"Atômica", como um dos grandes nomes femininos do cinema
de ação.
O
filme ainda tem a trilha sonora carregada com músicas da época em
que se passa a trama, como arma secreta para mergulhar ainda mais o
expectador dentro do universo explorado, tocando pontualmente canções
consagradas como "Cat People" de David Bowie, "99
Luftballons" de Nena, "Father Figure" de George
Michael, "Blue Monday" do New Order, entre outros grandes
sucessos que ambientam o expectador naquele mundo e dão o ritmo e
direção do filme com um artificio que parece ter se tornado moda
desde "Guardiões da Galáxia" e que nesse filme funciona
tão bem quanto, embora fique mais em segundo plano do que no filme
da Marvel de 2014.
E
Falando em Marvel, é importante lembrar que "Atômica"
também foi baseada em uma HQ. A obra original, intitulada "A
cidade mais fria" (Berlin, dividida pela Guerra fria, entendeu a
referência?) foi escrita pelo inglês Antony Johnston e desenhada
pelo ilustrador inglês naturalizado brasileiro Sam Hart e que pelo o
que ouvi falar, posto que não li a HQ, é bem diferente do filme,
principalmente no tocante a ação, o que , a meu ver dá mais
crédito ao produção, por conseguir entregar uma releitura da
história, que pega seus principais elementos acrescentando outras
questões e escolhas, sem descaracterizar por completo sua intenção
de mostrar um jogo de espionagem durante do declínio da cortina de
ferro. Um exemplo que fica para os adaptadores de obras originais (em
especial aos serviços de Streaming que acham que podem reinventar a
roda adaptando animes e Mangás).
Então
é isso, Com cenas de ação e perseguição de tirar o fôlego, uma
trama cheia de reviravoltas onde ninguém sabe em quem confiar e
carregado de estilo, "Atômica" chegou aos cinemas para
reafirmar o poder da mulherada e divertir na medida certa. Traz uma
protagonista que rouba a cena a cada segundo que surge na tela e um
diretor que se firma a cada filme como uma das grandes promessas
dessa leva que vem ganhando espaço, somando-se como principais
responsáveis por cumprir cada expectativa que os trailers fizeram
surgir em mim e me deixando ansioso pelas próximas produções da
dupla. Então, que venha Deadpool 2 e que Charlize Theron continue a
se reinventar e brilhar sempre... mas o mais importante, não confie
em ninguém.
Troy,
Diesel e Mad Dog são três ex-detentos a pouco saídos de San Quentin que sonham
em dar um último grande golpe. A oportunidade surge quando o Grego, um pequeno
mafioso conhecido de Troy, encomenda a eles o sequestro do filho de um rival
que deve dinheiro a um de seus associados; com certa relutância, mas pensando no
dinheiro, o grupo aceita o trabalho e a partir daí todo o caos que sempre os
cercaram toma suas vidas por completo.
Assim
é “Dog eat dog” de 2016, ou como ficou chamado na terra das mineradoras nas
reservas florestais, “Cães selvagens”, filme baseado no livro homônimo lançado
em 1995 do escritor (e ex-presidiário) Edward Bunker, que ficou mais conhecido
por sua participação especial no filme “Cães de Aluguel” do diretor Quentin
Tarantino , no papel de Mr. Blue, e , tem como diretor e roteirista Paul
Schrader, conhecido por roteirizar grandes clássicos dirigidos por Martin Scorsese,
como “Táxi Driver”, “Touro Indomável” e “A última tentação de Cristo” e que
ainda faz uma pequena participação interpretando o mafioso Grego.
Essa
mistura dá todo um estilo à produção que consegue unir cenas de violência crua
a momentos de puro sarcasmo e humor. A montagem e fotografia do filme lembram
além de Tarantino, em muito os primeiros filmes de Guy Ritchie, pela agilidade
e por abordar o pequeno sub-mundo e seus atores semi-profissionais. Já as
atuações, na medida em que o filme permite, são muito bacanas, começando por
Willem Dafoe que interpreta Mad Dog e que além de parecer um maluco (como
sempre) nos proporciona uma das cenas de abertura mais viscerais e violentas
dos últimos anos, nos mostrando com que tipo de gente que a história vai tratar;
Outro que surpreende é Nicolas Cage, que consegue fugir de seus últimos papéis
entregando um sutil, almofadinha e violento Troy que, em oposição ao personagem
de Dafoe, começa morno e fecha o filme com um banho de sangue.
Infelizmente,
mesmo sendo roteirizado por um mestre e claramente inspirado no estilo de
grandes diretores, o filme se perde dentro de si, não sendo possível perceber
no decorrer da produção, o que realmente os personagens querem e as
consequências mais profundas de seus atos. Precisei recorrer a sinopse do livro
(pois não o li) para entender o que realmente movia os personagens e qual suas
intenções no primeiro momento, acabando por descobrir, que no livro, a ideia do
grupo de criminosos era aplicar golpes em traficantes, agiotas e bookmakers,
pelo fato destes não poderem procurar a ajuda da lei para os proteger (daí o nome da história: "cão come cão"!), algo que
é mostrado de relance no inicio do filme, mas que parece tão solto na história
quanto a última conversa entre os personagens Diesel e Mad dog, que é do nível
de uma novela do mesmo canal que passa Chaves.
Mas
mesmo com seus defeitos, “Dog eat dog” é um filme corajoso por suas cenas de
violência, onde nem crianças nem velhos são poupados e pelo estilo misturado
que causa uma estranheza divertida e certa nostalgia por filmes mais focados na
história e não em efeitos especiais ou as atuações mais dramáticas e sérias do
mundo, garantindo sensações que resultam em boas risadas, caretas de dor e
paralisia por constrangimento, três ingredientes essenciais para fãs de cinema,
sejam estes selvagens ou nem tanto.
Já cantava o Rapper Xis que
"A Fuga cinematográfica é pra quem pode" e eu comprovei
essa afirmação do glorioso ex-participante da casa dos artistas
essa semana, após assistir ao melhor musical de ação já escrito
pelo diretor Edgar Wrigth e que me fez ter vontade de pegar meu velho
Pálio 99 e sair cantando pneus pelas estradas da vida (isso se o
carro passasse de oitenta km/h e se eu não o tivesse vendido).
Trata-se de "Baby Driver", ou como ficou chamado aqui
abaixo da amazônia meridional "Em Ritmo de fuga"; thriller
estrelado pelo jovem Ansel Elgort, Jon Hamm, Jamie Foxx e grande
elenco , que fez com que duas horas da minha vida passassem correndo
tamanha diversão e se juntando a "Get Out" como uma das
poucas coisas acima da média que vi no cinema nesse amargo 2017.
O filme conta a história de
"Baby" (Ansel Elgort), um jovem motorista de Fuga que
trabalha para uma organização criminosa especializada em grandes
roubos que é comandada por "Doc" (Kevin Space). Após se
ver livre da dívida que possuía com seu empregador, devido a ter
roubado seu carro anos antes e , aparentemente , perdido uma valiosa
carga; Baby, agora buscando um recomeço ao lado de Deborah (Lily
James), é obrigado a fazer mais um trabalho com uma nova equipe
composta pelo casal Buddy (Jon Hamm) e Darling (Eiza Gonzales) e o
violento vida loka Bats (Jamie Foxx), sem saber se conseguirá ser
tão rápido em fugir de sua vida antiga, como consegue ser quando é
perseguido pela polícia.
Que filme bacana! Edgar
Wrigth confirma seu talento como roteirista e diretor com uma obra
que consegue ser original, mesmo fundamentada em uma tradição do
cinema que são os filmes de roubo e fuga, ao inserir uma trilha
sonora que se identifica quase como um personagem da trama, flutuando
entre diegética e não-diegética o tempo todo e criando tensão e
êxtase a cada cenas, chegando a ajudar a aprofundar e revelar um
pouco da história do protagonista, inaugurando o gênero "musical
de ação", do qual, por ser o primeiro, o próprio filme é o
melhor.
Ainda sobre Wrigth, podemos
dizer que o filme não funcionaria se não fosse por sua direção. O
tom da história, que por momentos chega a ser violenta, mas não
perde o bom humor; a montagem ágil e a fotografia remontam de forma
clara aos demais filmes do diretor e tornam impossível que outra
pessoa guiasse a obra sem que fosse o próprio Wrigth. Outro ponto
positivo que faz com que o filme funcione é o ator Ansel Elgort, o
cara é muito carismático e consegue transmitir esse carisma mesmo
quando fica em um canto, de óculos escuros, em silêncio e ouvindo
música (como na cena onde é provocado pelo personagem de Jon
Bernthal) , ou quando toma a decisão de agir pensando em si e na
namorada, ao final do filme.
Falando em ação, o Wrigth
faz jus a sua linhagem de diretor inglês da nova geração,
apresentando uma história ambientada no pequeno submundo, tal qual
os primeiros filmes de Guy Ritchie e Matthew Vaughn, onde não
existem grandes famílias criminosas, ou crimes megalomaníacos, mas
o que não impede a apresentação de muita violência e, isso é
mostrado de maneira , hora sutil, como quando um personagem
simplesmente fala que se não o verem mais é porque ele morreu e ,
mais tarde, prestando a atenção, descobrimos que realmente isso
aconteceu e quem fez; ou, de maneira crua, como quando Baby dá um
fim no antagonista mais perigoso e sangue jorra na tela. Essa
oscilação de tensão é essencial na construção da crescente do
filme, que chega a seu auge quando o protagonista resolve dar um fim
em sua antiga vida e enfrentar as consequências disso e , quando
acontece, já estamos por completo a seu lado e vibramos com cada
coisa que dá certo para ele.
Mas as verdadeiras estrelas do
filme, sem dúvida, são as perseguições de carro. Tanto que até
mesmo eu, que não sou nenhum aficionado por veículos automotores,
fiquei com vontade de acelerar no meio do trânsito (vontade que me
foi saciada jogando "Need for Speed" com meu filho (no play
2)). Embaladas pelas músicas presentes nos ipods do protagonista,
temos cenas de ação onde a principal arma é o volante de um carro
e as cenas são tão bem conduzidas, que mesmo longas, não parecem
repetitivas ou cansam, outro mérito da montagem e direção.
Mas nem tudo é perfeito em
"Baby Driver". Uma coisa que senti falta é um
aprofundamento maior nos demais personagens, em especial ao do par
romântico de Baby, Deborah. Não sabemos nada sobre ela, a não ser
que teve uma mãe doente e que ela trabalha em uma lanchonete (e
odeia isso), seu personagem é quase vazio de pretensões ou
ambições, a não ser a única que combina com o protagonista, que é
fugir da vida que leva, mas nada explica o que a leva a espera-lo
(spoiler) por 5 anos, quando baby acaba preso ao final do filme. O
próprio Doc e seu bando também sofrem desse mal, acabei o filme
querendo saber mais sobre a história do personagem do Kevin Space,
que chega a levar o filho de oito anos para investigar o lugar de um
roubo, ou entender como o personagem de Jon Hamm, que , conforme
Batts conjectura, poderia ter sido um alto investidor de Wall street,
acabou assaltando bancos com sua striper preferida a tira colo. Mas,
mesmo assim, quando a vemos a história do filme como um conto
referente a um momento especifico na vida do protagonista, esquecemos
esses por menores e vemos que, apesar de sua presença, não diminuem
em quase nada a qualidade da produção.
Pois bem, eu poderia escrever
um texto com o triplo do tamanho deste, falando de como o filme é
divertido e destrinchando cada cena, mas isso acabaria com a
experiência de quem pretende assistir ao filme, então vou seguir o
exemplo de Baby, o protagonista do filme, e simplesmente acelerar e
fugir dessa responsabilidade. Posso apenas dizer, que repleto de
cenas maravilhosas de perseguição, ação na medida certa e um
trilha sonora de causar inveja ao diretor James Gunn, "Baby
Driver" cumpre a expectativa que criou desde seu primeiro
trailler e coloca mais uma vez o diretor Edgar Wrigth como destaque
pela sua obra autoral. Então se eu fosso vocês não perdia a
oportunidade e colocava a melhor música nos fones, os óculos
escuros e as luvas de couro e acelerava para o cinema para assistir
esse filme que passa correndo de tão bom que é.
Trailler
Acima, 6 minutos da abertura do filme, só para babar
Muitas pessoas adoram um
easter egg, aquelas mensagens escondidas dentro de filmes que fazem
referências a outras obras do mesmo universo ou que remetem a outra
produção memorável. Tem gente mesmo que se dedica a procurar essas
mensagens secretas e nos premiam com surpresas como a do cartaz de
"Batman vs Superman" no filme "Eu sou a lenda" de
2007, ou as diversas referências que evidenciam a união dos filmes
de um grande diretor, como no caso que inspirou o curta "Código
Tarantino", protagonizado por Selton Melo e Seu Jorge. Já eu,
que sou metido a diferentão, me sinto maravilhado quando percebo um
filme que usa metalinguagem para questionar a si mesmo e se
aprofundar nos dilemas do autor ou no tema que se propõem a abordar.
E foi esse maravilhamento, com algo tão sutil, que me prendeu no
filme "Sleigth" do diretor Justin Dillard, que estreou em
Abril na Gringa e chegou até mim por pura mágica.
O filme conta a história de
Bo, um jovem mágico de rua que usa seus talentos com truques para
sustentar a irmã caçula após perder seus pais. Sem conseguir
dinheiro suficiente de maneira honesta, ele acaba complementando sua
renda através do tráfico de drogas, trabalhando para um conhecido
nas noites de Los Angeles. No entanto, após conhecer uma garota
especial e tentar forçar sua saída do mundo crime adulterando as
drogas de seu fornecedor, para assim conseguir mais dinheiro e fugir,
Bo é descoberto, tem sua irmã capturada e precisa pagar com juros o
prejuízo que que causou a seu empregador ilícito, restando a ele a
espera de um milagre financeiro ou a utilização de seus dons para
salvar a vida da irmã.
O filme está longe de ser a
melhor coisa que o cinema nos proporcionou esse ano, não indo muito
além de um drama social com pitadas de ficção cinetífica e um
toque de filme de super-herói; seu ritmo é lento e os personagens
periféricos são pouco desenvolvidos a ponto de acreditarmos que a
única razão da personagem da gatissíma Seychelle Gabriel se
apaixonar pelo protagonista seja realmente mágica. Mas, como eu
disse acima, o filme me prendeu pela metalinguagem que utiliza para
falar de si mesmo desde seus trailers até sua conclusão e isso me
entregou satisfação com a produção a ponto de ser relevante para
ser resenhada.
O filme todo é uma espiral de
metalinguagem, começando por seus trailes. Seus primeiros vídeos
promocionais são um embuste, fazendo com que acreditemos que a
trama aborda a história de um rapaz que, de alguma maneira, possui
super-poderes; o que não é de todo mentira, mas que não ocupa nem
quinze minutos da trama e após assistirmos a produção, percebemos
que a intenção dos responsáveis era utilizar um truque ("sleigth"
em inglês) para que olhassemos para outro lado enquanto tinham a
pretenção para falar muito mais das dificuldades de um jovem
talentoso em criar a irmã sozinho em meio a um ambiente de violência
e descaso social, do que do nascimento de um super-herói.
Já no filme em si, o
constante close nas ferramentas do protagonista, onde vemos tanto
equipamento para manutenção de eletrônicos como um enorme poster
de Houdini, o mítico mágico rei das fugas, fazem referência ao
próprio protagonista, ele mesmo procurando uma maneira expetacular
de se livrar das correntes que o prendem na situação que se
colocou, sendo sua inteligência e talento a chave para isso. Outro
fato é que temos alguns diálogos que abordam os talentos especiais
do protagonista e sua moral, o que no decorrer da história vão ser
mostrados (ou não), como quando conversando com sua namorada, Bo
conta que se apaixonou por mágica ao conhecer um ilusionista de rua
que atravessava a própria mão com uma faca e que lhe disse que só
revelava seus truques a companheiros de profissão, o que ocorreu
anos depois quando ele voltou a encontrar o mágico e este lhe disse
como fazia, o que é , também, um espelho de como o próprio Bo,
consegue fazer; esse diálogo vai fazer ainda mais sentido ao final
da história, quando após dizer para , agora sua companheira, que
estava trabalhando em um truque novo, vemos apenas a surpresa no
olhar dela, ao espiar a oficina do protagonista por uma fresta na
porta, como se o segredo não pudesse ser revelado para nós, mero
público.
Mas como já comentado, nem
todos os truques que dão movimento ao filme funcionam. Se somando ao
pouco desenvolvimento dos coadjuvantes e ao ritmo da história que
por vezes cai abruptamente, a trama possui alguns arcos que não se
concluem e isso interfere direto com o fechamento do próprio
protagonista, como no caso de seu relacionamento de fornecedor de
drogas e cliente com a personagem de Cameron Esposito, que é a
gerente de uma boate. Em determinado momento, Bo sem saber mais o que
fazer para conseguir o dinheiro do resgate da irmã, furta uma
determinada quantia do cofre da cliente e foge, quebrando um elo de
confiança que havia entre os dois personagens desde o início do
filme, mas as consequências dessa quebra não são mostradas e
ficamos sem saber o que houve com a moça e tão pouco vemos
arrependimento ou questionamento por parte do protagonista ao final.
Outra situação semelhante é a ocorrida com o antagonista da
história, que passa quase toda trama falando em respeito e
utilizando de métodos agressivos contra quem ousa desafia-lo
(chegando a mandar amputar a mão de um rival) , mas que após o
embate final se mostra um covarde e assustadiço bandido de faz de
conta, quase não colocando empecilhos na atitude do protagonista
para salvar a irmã, fatos que somados ao final da história, onde
vemos Bo continuando a fazer mágicas na rua, demonstram que o
personagem não teve o crescimento que deveria após tudo que viveu,
o que torna toda a jornada vazia.
Entretanto, em meio a muitos
furos de roteiro e altos e baixos na trama, me diverti com o truque
que o filme faz consigo mesmo buscando nos enganar como se a própria
história contada fosse um mágico. Seu tom é bacana, lembrando a
estrutura de um pequeno conto, sem pretensão de se estender além
do que quer mostrar, o que em épocas de franquias gigantescas e
universos que não terminam de se expandir nunca por vezes cai bem.
Então se assim como eu, roteiros que se aprofundam dentro de si
mesmos te agradam e não ser enganado pelo trailer não te ofende,
ALACAZAM, esse é um filme que talvez você goste de assistir.
Imagina que você está em uma
festa e de repente seus olhos cruzam com uma pessoa linda. Ela te
encara com interesse e te dá um sorriso, pouco tempo depois vocês
estão saindo dali aos beijos e indo para o motel onde passam uma
noite maravilhosa, mas ao acordar algo não está certo, você está
amarrado em uma cadeira e a pessoa te explica que te passou algo,
alguma coisa que nem ela mesmo entende, só sabe que tem que passar
para outro para se livrar e lhe aconselha a fazer o mesmo, uma coisa
que só quem tem pode ver (e que agora você vê!) e que vai te
perseguir até que você repasse para outro, em uma maldição que
vai retornando aos demais amaldiçoados assim que o portador atual
morrer... Não parece terrível? Pois esse é o plot de "It
Folows", ou como ficou nomeado aqui na parte de língua lusitana
abaixo do equador "Corrente do Mal", filme de 2014,
escrito e dirigido por David Robert Mitchell, que depois de anos de
enrolação e cagaço finalmente assisti para minha grata satisfação.
O filme conta a história de
Jay, uma garota que após se entregar ao rapaz com quem estava
saindo (leia transar), recebe a notícia de que recebeu uma maldição
transmitida pelo sexo e tal qual a história descrita acima, vai
persegui-la até que ela passe para outra pessoa. Após se ver
seguida por bizarros andarilhos que ninguém mais vê, Jay pede a
ajuda de sua irmã e seus amigos e parte na busca de respostas,
levando consigo uma força maligna em seu encalço e a dúvida de que
se deve passar o mal a diante ou quebrar a corrente de alguma outra
maneira.
Esse deve ser o filme que mais
tempo posterguei para ver em toda minha vida, mas depois de mais de dois
anos de cagaço e desculpa esfarrapada, posso dizer que valeu muito a
pena ter reservado uma hora e meia da minha vida para assistir o que
a trama de David Robert Mitchell tinha de bom a ponto de ser levada
para Cannes e ser tão elogiado por tanta gente que o viu.
Para começar, o filme tem
toda uma aura de nostalgia, lembrando em muito as produções de
terror dos anos oitenta de diretores como Wes Craven, onde um
"monstro" persegue um grupo de jovens com o único objetivo
de aniquilar seus alvos, o que se soma a questão da maldição ter
relação com sexo, remetendo às vítimas de Jason Vorhees de
"sexta-feira 13", outro clássico oitentista. Esse clima de
filme do passado ainda agrega estranheza ao ambiente por onde a
história se desenvolve, pois observando a trama, não conseguimos
definir com clareza, por mais que tentemos, em que época que a
história se passa. Percebemos TV's de cubo e cinemas com pianistas
ao vivo, filmes em preto e branco, mas aparelhos modernos, como
celulares e Kindles, o que mais que estranhamento, acaba tornando a
história atemporal. No entanto, se excluindo as homenagens e
referências ao terror americano, toda a estrutura da história
parece ter muito mais influência do cinema oriental com seu estilo
investigativo e de tensão crescente, que prioriza mais o suspense e
o susto do que as mortes e o gore, tal qual o primeiro filme da série
"O chamado" e esse toque de terror oriental tão bem
conduzido por Mitchell, foi o que mais gostei na trama.
De vagar e sempre
Assim como nossos amigos do
outro lado do mundo, o diretor nos entrega uma história que te
prende pelo ar investigativo, onde a protagonista busca entender o
que está ocorrendo, e com o estranhamento que a trama vai passando
ao nos apresentar o conceito dessa maldição, terminando com a
compreensão, também comum nos filmes orientais, de que o mal é algo maior que o indivíduo e que é impossível escapar, sendo o
máximo que se pode fazer é seguir suas regras para poder
sobreviver. E Sabendo que não há escapatória além de seguir o
jogo que a maldição impõem, o filme ganha uma nova camada ao se
pensar nos acontecimentos que a trama deixa subintendido, como quando
a protagonista foge para a praia ou quando ela resolve assumir um
relacionamento firme.
Sobre a Fuga de Jay (a segunda
ou terceira) que ocorre no segundo ato da história, ela sofre um
acidente e, para deixa-la mais tranquila, seu vizinho pegador resolve
fazer o sacrifício de fazer sexo com ela para que a maldição (que
ele não acreditava ser real) passasse para ele e assim resolver o
problema, o que dá muito errado (leia-se: se ferrou!), então em
desespero, por ter presenciado algo tão chocante, Jay foge para a
praia, onde a vemos se despindo e entrando na água após avistar
bem a sua frente, três homens sozinhos em uma lancha; o que acontece
não é mostrado, mas ela volta para casa com os cabelos molhados e
passa dias trancada em depressão sem se sentir segura, até ser
convencida pelos amigos a tentar "Matar" seu perseguidor e
acaba se deparando com a criatura literalmente em cima de sua casa,
ficando claro naquele momento que três elos da corrente foram
quebrados, ficando a curiosidade de como tudo ocorreu com os azarados
amigos da praia que pensaram ter tirado a sorte grande.
Outra situação parecida com
a citada acima é quando Jay, já no final do filme, assume um namoro
com um de seus amigos de infância (que faz parte do grupo que a
ajuda) e este, já sabendo dos problemas que se envolver com a moça
pode trazer, tem uma ideia terrível, mas engenhosa, que embora
não comentada aparece em execução, que é Transar com prostitutas
depois de levar a namorada para cama e assim empurrar a maldição
para a maior distância possível, o que parece dar certo. No
entanto, como uma boa história com influência do terror oriental,
as pessoas que viram o outro lado não são mais as mesmas e a
sensação de estranhamento não se dissipa mais, terminando o filme
com o clima perpétuo de perseguição por parte de uma maldição,
lenta mas focada e que a qualquer hora vai alcançar suas vítimas.
Gostei muito do filme. Ele não
tem nada de especial além de boas referências, uma boa história
para contar e um bom roteiro e direção ( o que já é mais que 90%
dos filmes tem). Não há grandes efeitos especiais ou cenas de
mortes arrepiantes, mas trabalha com qualidade na tensão e clima de
suspense, te prendendo na cadeira na procura de respostas junto com
os personagens e as situações que ficam subintendidas (que vão
além das duas citadas acima) fazem com que a história fique viva na
sua cabeça e imaginando o que mais pode ter acontecido e o
acontecerá quando a criatura retornar até a protagonista e isso dá
ainda mais credito ao roteiro de David Robert Mitchell.
Então se quiser curtir uma
história tensa, cheia de mistério, bons sustos e com forte
influência do cinema dos anos oitenta e oriental, assista "Corrente
do Mal", mas acima de tudo lembre-se que, se em uma noite de
festa, ou em um passeio qualquer, seu olhar cruzar com alguém
desconhecido, que te oferecer um sorriso interessado e te arrastar
pela mão até um lugar tranquilo, procure antes saber mais sobre a
história dessa pessoa, pois nunca se sabe o que pode vir atrás de você depois.
"O bater de asas de uma
borboleta pode influenciar o curso natural das coisas e criar um
tufão do outro lado do mundo." Essa frase, que tenta definir o
"efeito borboleta", parte integrante da teoria do Caos, foi
utilizada de maneira conceitual inúmeras vezes na cultura pop para
dar movimento à histórias onde um acontecimento pequeno estimula
uma série de eventos que culminam, geralmente, em uma grande
catástrofe. No entanto, jamais uma produção havia sido resultado
desse efeito até Março desse ano, quando, com a influência de um
curta que dava ares sombrios a uma franquia televisiva voltada para
crianças, a Lions Gate trazia para o cinema "POWER RAGERS",
o reeboot cinematográfico da aclamada série dos anos noventa que
apresentou para uma geração a cara americanizada do universo dos
super sentais japoneses.
"Power Rangers"
reconta o início da história de cinco adolescentes (Jason, Billy,
Zack, Trini e Kimberly) que encontram as moedas do poder e com a
orientação do extraterrestre Zordon, se tornam os defensores da
terra contra os malignos planos de dominação de Rita Repulsa.
OK, eu sei que a primeira
coisa que passou pela sua cabeça é: "Por que esse tiozão está
falando de Power Rangers?" E essa é uma pergunta muito justa,
ao se imaginar que o público alvo da produção, não diferente da
antiga série, são as crianças e pré adolescentes. No entanto, a
curiosidade para saber como esse filme, que brotou da ideia de um
curta feito para a internet e que incluía mortes e traições ao
colorido cotidiano da molecada residente da Alameda dos Anjos, seria
executado foi o que me fez gastar duas hora da minha vida e que me
fez escrever esse texto.
Para começar, vamos falar das
coisas boas que o filme referencia, iniciando pelo clássico do
diretor John Hughes, o "Club dos Cinco". Assistindo os
primeiros vinte minutos não podemos ignorar a influência do filme
de 1985, que mostra a amizade de cinco jovens problemáticos (também
três rapazes e duas moças) que surge após o encontro na detenção
da escola e esse artifício é bem utilizado para explicar como
pessoas tão diferentes acabam mais do que se conhecendo, como dando
oportunidade de quem anteriormente ignoravam entrarem em suas vidas,
com destaque para o companheirismo que surge entre Jason e Billy. O
personagem do Power Ranger vermelho mesmo, vive uma cena que é
praticamente um control C Control V do filme de Hughes, quando tem um
diálogo com o pai no estacionamento da escola onde fica claro seu
conflito pessoal; Soma-se a isso, que ele , tal qual o personagem de
Emilio Steves em "Club dos cinco" também é um esportista
frustrado e que se sente oprimido pela expectativa da família.
Outra referência que o filme
me trouxe foi o filme "Poder sem limites" do diretor Josh
Trank, onde amigos entram em contato com uma descoberta misteriosa e
desenvolvem poderes telecinéticos em uma trama que acaba revelando
quem realmente é quem, o que me parece claro ao mostrar que a vilã
do filme foi uma ex-integrante dos Power Rangers corrompida pelo
poder que vislumbrou. Isso ainda se soma ao já mencionado curta, que
é referenciado no prólogo da história, que se passa na era dos
dinossauros e onde vemos as consequências da batalha da antiga
equipe comandada por Zordon e a destruição causada por Rita.
Uma turminha do barulho
No entanto, todas essas coisas
boas e referências estão reunidas na primeira meia hora de filme e
quase desaparecem da mente do espectador a partir do momento em que o
grupo se encontra na pedreira, onde descobre as "moedas do
poder" e começam sua jornada para transformarem-se nos
defensores da vida na terra. Depois desse evento, o filme muda de tom
e começa a se aproximar da ideia da série original, proporcionando
cenas e diálogos capazes de constranger até mesmo o público alvo
da produção televisiva clássica. Começando pela grande barriga do
filme, que é a dificuldade dos protagonistas "morfarem" e
que se estende por mais de vinte minutos da trama em um lenga lenga
que não agrega nada a história; essa dificuldade se revela ainda o
ponto mais decepcionante de todo o filme, pois só vemos os
personagens vestidos de power rangers quando faltam apenas vinte e
seis minutos para a história se encerrar, ou seja, em setenta e
cinco por cento de filme não temos a presença dos personagens que
dão nome ao filme.
A decisão de apresentar a
trama com a mínima presença dos super-heróis, remete a uma história
de origem que foca mais na pessoa do que em seu alter ego, seguindo a
fórmula de sucesso do primeiro filme do Homem-Aranha, de 2002; mas
nem mesmo isso é aprofundado, pois temos apenas menções aos
problemas dos protagonistas, que se apresentam na forma das
constantes brigas de Jason com o pai, que não são explicadas, pois
apenas somos informados que ele era o capitão do time de futebol
americano da escola e que machucou a perna em algum acidente (que não
é mencionado) e se transformou em um frustrado rebelde mimado, ou o
fato de Billy estar no espectro autista e ter perdido o pai
recentemente, também ao fato de Zack ser um ferrado que mora em um
acampamento de trailers e cuidar da mãe doente, ou de Trini não
conversar com os pais porque (aparentemente pelo diálogo que "os
cinco malandros tem em volta do fogueira") ela é lésbica. No
entanto, nenhum arco fez menos sentido para a história do que o de
Kimberly, a ranger rosa.
Kimberly, foi mandada para a
detenção por um fato terrível e que se revela como o principal
motivo dela não conseguir morfar (sempre isso!), ela roubou um nude
de uma amiga, que havia ficado com seu ex-namorado e enviou ao mesmo
questionando se era aquele tipo de garota que ele queria apresentar
para seus pais! A foto se espalhou pela escola (pelo menos parece ter
sido isso) e ela acabou na detenção, sem contar que antes disso ela
ainda bateu no EX... Esse problema poderia ser melhor resolvido, se a
personagem, durante a história e pelo seu passado, se sentisse tentada a
se debandar para o lado da vilã e assim conseguisse se redimir se
sacrificando ao final ou dando um exemplo de redenção, mas não,
quem a vilã tenta persuadir é a ranger amarela (porque é gay!),
enquanto isso, ainda vemos o líder da equipe (Jason) dizer a nefasta
postadora de nudes alheios que muita coisa circula pela internet e
para ela não ficar preocupada, COMO ASSIM?? ISSO É CRIME CARA!! o
arco ainda se encerra de maneira ridícula, quando a ranger rosa, de
posse de seu Zord voador, derruba uma estátua sobre o carro da ex
amiga e solta a frase "você mereceu!", essa é a mente dos
defensores da vida na terra! Nesse momento do filme eu quis que o Alfa mandasse outro meteoro!
Não consigo sentir repulsa por essa vilã
E o que falar da vilã e suas
motivações? A introdução da personagem, mostrando que ela era a
antiga ranger verde e que se corrompeu é muito bacana, mas nada
explica suas motivações e durante o filme só sabemos que ela quer
conquistar o universo com o poder do cristal Zeo, mas e onde veio o
poder para que ela matasse seus antigos companheiros? Quem deu aquele
cetro pra ela? e por que diabos ela como ouro? Disso não somos
informados. Eu mesmo queria saber quem foi o esperto que deu um
amoeda do poder para alguém chamada Rita Repulsa, tenho minha
desconfiança que foram os guardiões de OA, os mesmos que criaram os
lanternas verdes (por isso a cor da personagem) , pois se eles deram
um anel para um cara chamado Sinestro, porque não para uma Rita
Repulsa?! Se bobear o próximo vilão talvez se chame Filho da Póta,
para facilitar a identificação do possível traidor! Mas pior que
essa brincadeira com os nomes é a atuação de Elizabeth Banks como a
vilã, é um show de gritaria e caretas que somadas as fracas
motivações do personagem não parecem causar uma ameaça real aos
protagonistas, nem mesmo quando ela "mata" um deles, fatos
que se equiparam em desastre apenas ao design e efeitos especiais
dos Zords e Megazord, que não justificam o orçamento de cem milhões
de Doletas para a produção desse filme.
Aproveitando a citação do
Megazord, a cena de batalha do robô gigante, que é um clássico
dentre as séries super sentai, serve para comprovar a inversão de
valores que o filme vem trazendo durante suas duas horas. Depois de a
Ranger Rosa mandar o nude da colega, do amigo de Jason drogar um
touro, de Billy fazer bulling reverso com o valentão da escola e
Trini deixar sua mãe falando sozinha; nossos heróis saem da
pedreira, que estava sendo invadida por uma legião de monstros de massa
e vão para o meio da cidade na procura da vilã, causando destruição
por todo lado, no pior estilo "homem de Aço"! (não seria
mais correto levar os monstros justamente para pedreira?) onde as
consequências da batalha não são mostradas (eram dois robôs
gigantes lutando no centro da cidade, lógico que morreu gente) e ao
final, ficamos apenas com o ponto de vista dos protagonistas, olhando
de cima a população que os aplaude, mesmo depois que sua pequena
cidade foi reduzida a escombros.
Bryan Cranston feito de cristais azuis. Ironia?
Pois bem, sei que fui muito
duro com um filme baseado em uma série para criança de até dez
anos, mas quem se propõem a dar ares sombrios e problemas pessoais
mais sérios a uma trama, tem que conseguir que essa ideia se
mantenha linear durante o filme todo e não vá deixando de ser
importante como decorrer da história, assim como o farol moral que
deveria partir dos protagonistas fique claro e não escondido em meio
a desculpas de que "todo mundo posta fotos nua na internet".
Espero que a possível sequência, que fica em aberto com o gancho
que temos na cena pós-créditos, onde mais uma vez homenageando John
Hughes, dessa vez com uma sequência que lembra "Vivendo a vida
adoidado", temos um professor entediado fazendo a chamada e
perguntando por Tommy Oliver ( O ranger verde da série clássica).
Então é isso! Baseado na
aclamada série dos anos noventa, "Power Rangers" deu seu
passo inicial, mesmo que tropego, para a crianção de uma franquia
cinematográfica, se revelando ao final como um tufão com grandes
problemas de design, motivação e coerência de duas horas, iniciado
pelo pequeno bater de asas de um curta de 14 min e que para mim, pelo
menos, foi um desastre.