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quinta-feira, 9 de março de 2017

LOGAN (2017)



Empolgado pela ação, angustiado pela trama, chocado pelas revelações, emocionado pelos momentos finais e triste pela despedida. Esse mix de sentimentos, foi o que senti ao sair da sala de cinema depois de assistir ao filme mais aguardo por mim (e por qualquer outro fã dos X-men) no ano de 2017, "LOGAN", o terceiro filme do mutante canadense mais querido da Marvel e que abriu a temporada de filmes de super-heróis com chave de ouro e garras de adamantium.

"Logan" se passa em 2029 e mostra um futuro onde James "Logan" Howlett, outrora conhecido como Wolverine, trabalha como um discreto e amargurado motorista de limusine no sul dos estados unidos, seus poderes estão falhando devido a idade e ele se revesa com o mutante Caliban para tomar conta do nonagenário professor Charles Xavier que sofre de alzheimer.
Os X-men já não existem mais e não há indícios do nascimento de mutantes a pelo menos vinte e cinco anos, sendo a raça dada como extinta. Mas no meio de um trabalho, Logan é reconhecido e acaba descobrindo uma menina com poderes semelhantes aos seus e aceitando o apelo da acompanhante da menina (ou ao dinheiro que esta lhe oferece) aceita atravessar o país para leva-las, no que a acompanhante da menina acredita ser, o último lugar seguro para os poucos mutantes que restaram, o Éden.
Mas como nada é fácil para um sujeito nascido no século XIX, que foi vítima de experiências do governo, teve suas memórias apagadas e viu sua raça desaparecer, a menina, chamada Laura, que também atende pelo registro x-23, está sendo perseguida por uma organização que a vê como posse e que mandou em seu encalço um grupo de mercenários conhecidos como carniceiros.
Restará a Logan atravessar os Estados Unidos com o professor X e a menina na esperança de que o Éden seja real e que eles possam fugir de todos os erros e tragédias ocorridos no passado, em uma viagem que poderá ser a derradeira para esses últimos mutantes conhecidos.

Humano
Meus amigos, que filmaço!! Denso, dramático, humano (ou mutante) , tem toda a profundidade que todos os filmes anteriores do Wolverine (somados) não conseguiam ter, e isso me faz feliz, pois tivemos uma despedida digna do interprete do personagem, o ator Hugh Jackman, em um filme que fez justiça tanto a ele, quanto ao mutante mais famoso das HQ's, tão mal tratado em "X-men Origens" e "Wolverine imortal", mas ao mesmo tempo a competência desse filme me incomoda, não por ele em si, mas pelo fato disso não ter sido feito antes é só acontecer devido ao retorno positivo obtido com o filme do "Deadpool" um ano antes.

A FOX teve que aprender com "Deadpool", que não é necessário efeitos mirabolantes ou roteiros que explicam cada fala, para ganhar dinheiro e agradar os fãs, pois foi necessário o sucesso do filme do mercenário tagarela para o estúdio dar liberdade aos roteiristas e diretores de criar livremente e só assim se colocar no mesmo nível que a Marvel studios (porque sim, esse filme está no mesmo nível de Capitão América 2), isso fica claro, quando percebemos que o diretor de "Logan", James Mangold, é o mesmo de "Wolverine Imortal", nos mostrando quanta porcaria os produtores nos fazem engolir. Claro que não podemos generalizar, pois os filmes dirigidos por Bryan Singer ainda são mais do mesmo, piorando a cada vez que ele dá seu toque autoral, mas agora que sabemos que temos Tim Miller e James Mangold por aí, acho que já está na hora do diretor de "X-men" de 2001, partir para outra.

Mas voltando ao Filme, confesso que a primeira coisa que fiquei preocupado foi quando soube que a trama seria baseada em "Old Logan", a graphic novel escrita por Mark Millar, pois a história lançada em 2008 utilizava todos personagens da Marvel, para contar sobre um futuro distópico onde os vilões venceram e um Wolverine derrotado e apático busca sustentar sua família e fugir de em segredo terrível, o que não seria possível acontecer no cinema, pois os personagens da Marvel são propriedades da Marvel Studios e os X-men, da FOX, mas com muita criatividade e talento, o roteiro entregou uma solução tão aterradora e triste, quanto o segredo que o personagem guarda na HQ de 2008 e que conforme vai se revelando justifica uma série de coisas, culminando em uma cena, protagonizada pelo debilitado professor Xavier, que é uma das partes mais tocantes do filme.

Tocante
Um dos grandes destaques da produção e que demonstra a qualidade do roteiro é o fato dele referenciar fatos ocorridos em outros filmes onde o personagem participou, para esclarecer que a história faz parte do mesmo universo. Assim, temos conversas entre Logan e o professor X, que remetem a luta entre X-men e a irmandade mutante em "X-men" O filme, menção à vacina anti-mutante de "X-men: O confronto final", a bala de adamantiun usada pelo Coronel Stricker em "X-men Origens: Wolverine" e mais algumas pequenas citações que vão costurando a trama e a prendendo naquele mundo onde Logan viveu sua vida, agregando tanto a trama dessa produção, quanto acrescentando mais credibilidade aos filmes anteriores, por pior que alguns tenham sido.

Ainda falando de referências, a história parece trazer muita inspiração de outros filmes com uma temática "road movie". De forma mais clara me vem a mente "Mad Max: Fury Road", devido as intensas perseguições de carro e dos antagonistas com protesesn bizarras e artilharia pesada, sem falar do cenário desértico e isolado onde o protagonista vive escondido com seus poucos amigos; mas a questão de a trama tratar da missão de alguém, que parece ter desistido, de proteger quem ele acredita ser um dos últimos de sua espécie até um lugar seguro e que talvez nem exista, me fez pensar muito no filme "Filhos da esperança" de 2006, ainda mais quando temos a cena final do protagonista.

Outra coisa que, não só eu, mas todos os fãs do Carcaju sempre sentiram falta, foi a violência e selvageria naturais do personagem e que o cinema nos privou desde o primeiro filme dos "X-men" e esse desejo foi saciado com força. O filme é um banho de sangue onde não faltam braços decepados, decapitações, gargantas cortadas, mas tudo isso exatamente dentro do contexto do personagem onde nada é de graça ou apenas para agradar, com o aditivo do carisma e fúria da personagem X-23, a silenciosa e expressiva mutante, interpretada por Dafne Keen.

Violento
X-23, além de trazer mais sentimento e humanidade a história, pois ignorando seus poderes, não passa de uma criança em perigo, é a protagonista de diversas cenas fenomenais e divertidas que dão destaque a coadjuvante, um fato que era um dos problemas principais que eu tinha com os outros filmes do Wolverine, onde TODOS outros personagens tinham que ser diminuídos para que apenas o protagonista chamasse a atenção, assim fazendo aquele absurdo de selar a boca do Deadpool em "X-men Origens" e transformando o Samurai de prata em um robô em "Wolverine Imortal", além de cometerem o absurdo de matar o Ciclope em "X-men o confronto final" apenas para dar à Logan o título de líder dos X-men; erros que esse filme, muito mais maduro, mostrou serem desnecessários .


Pois bem, como já falei acima e repito: "Logan" é um filmaço. Um daqueles filmes que mesmo sendo uma adaptação bem diferente da ideia original da HQ, deixa os fãs extremamente felizes. Uma rara produção que eu não faço a mínima questão de dar spoilers porque quero que todos tenham o mesmo mix de sentimentos que eu tive ao sair do cinema. Um filme que fez justiça ao personagem e ao ator que dedicou mais de quinze anos de sua vida dando interpretando o herói no cinema e que superou minhas expectativas de quando assisti ao primeiro trailer e me emocionei. Nos resta agora esperar que a FOX siga esse caminho iniciado com "Deadpool" e tão bem direcionado com "LOGAN" e siga nos entregando filmes cada vez mais densos e humanos desse universo mutante que sempre foi tão rico e meu preferido.
Que venham, "DeadPool 2" e "Os novos Mutantes".







sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

DEAD SET - Quando Big Brother bom é Big Brother morto


Quando assisto a TV aberta, a maioria dos programas e notícias me faz pensar que a humanidade regrediu para um estado de bestialidade. As novelas, que mesmo piegas, procuravam abordar temas relacionados a coisas positivas, trazendo alguma lição de moral, hoje, ultrapassaram o tom de cinza de seus personagens, apresentam temas mais escuros, repletas de vilões, que muitas vezes não chegam a ser punidos por seus crimes, confessando ou não, ao final da trama, no máximo um pouco de arrependimento e só; Os tele jornais se tornaram verdadeiros noticiários de terror, utilizando o sofrimento e medo como escada para alcançar a audiência; e mesmo os programas infantis que povoavam as manhãs, sucumbiram as novas tendências sendo substituídos por shows que falam sobre a aparência "perfeita" e a pseudocultura do corpo e felicidade eterna, em resumo, estamos vivendo a era da superficialidade e nada reflete mais isso, do que o entretenimento televisivo que nos acompanha anualmente a quase vinte anos, os reality shows.

Os Realitys são programas que mostram a reação de pessoas comuns quando colocadas em situações extremas, ou pelo menos, deveriam mostrar. No Brasil, o primeiro a surgir foi "No limite", onde um grupo de pessoas era largado em um lugar desabitado, tendo de passar por diversas adversidades para conseguir comida, sendo desafiados durante dias pela natureza e pela quebra de rotina, o programa era baseado no "Suvivor" americano e tinha a superação física como principal chamariz, mas sua vida na TV brasileira durou relativamente pouco e com menos de cinco temporadas o programa foi cancelado. A Tendência atual são os programas de culinária, como "Cozinha sob pressão" e "Master chef", que disputam a cada temporada a atenção dos curiosos para saber quem se sai vitorioso em meio a tortura psicológica e o assédio moral proporcionado pelos Chefs e juízes, em um retrato distorcido do que é o profissionalismo e produtividade. Mas, embora as novas tendências arrematem cada vez mais fãs, ninguém ainda conseguiu superar a longevidade e alcance do reality mais popular de todos os tempos e que nesse ano completa dezessete edições, criando bordões, debates e sub-celebridades como nenhum outro programa jamais fez, trata-se do "Big Brother".


O programa "Big Brother" foi criado pela produtora de TV Holandesa Emdemol, com base na ideia de um dos sócios fundadores, John de Mol, que apresentou o projeto onde quinze pessoas ficavam confinadas em uma casa, sem acesso ao mundo exterior por qualquer forma e vigiadas vinte e quatro horas por dia, durante três meses, na busca de um prêmio, sendo o convívio o maior adversário que os estranhos poderiam ter na busca dessa conquista. O nome do programa veio de como era conhecido o grande ditador do país continente "Oceania" no livro 1984 de George Orwell, que, por meio de equipamentos chamados tele-telas, presentes nas casas de todos habitantes do país, vigiava a todos, os mantendo como cativos livres. O programa foi realizado em diversos países, como no Brasil onde estreou em 2002 e virou febre desde então, já na Inglaterra, país adotado por Orwell e que serve de cenário para trama de seu livro mais famoso, o reality teve seu primeiro episódio transmitido em 2000 e as reações não foram muito diferentes do que em nossas terras tropicais. No entanto, parece que os ingleses perceberam muito antes de nós para onde todo aquele show de falsa realidade estava apontando e da mente brilhante de Charlie Brooker (ele mesmo, o criador de Black Mirror) estreava em outubro de 2008, “Dead Set” uma das críticas mais bacanas que o programa já teve.

Os sobreviventes
“Dead set” é uma mini-série inglesa, transmitida originalmente pelo canal E4 e gira em torno de Kelly, uma assistente de produção da casa do Big Brother que no 64° dia de transmissão do programa e durante a votação de um paredão se vê em meio de um apocalipse Zumbi que devasta a Inglaterra, terminando por chegar até as portas da emissora de TV. Com muita sorte, Kelly consegue se salvar ao se refugiar no único lugar totalmente seguro que sobra, a casa do Big Brother e tendo de mostrar de forma prática aos participantes que sua presença na casa não é mais uma prova e o que ela diz é verdade. Enquanto isso, Riq, o namorado de Kelly se encontra do outro lado da cidade e parte em sua direção sem saber o que encontrará nas ruas, Já o diretor do programa, Patrick, junto com a última eliminada se encontram presos em uma sala cercada por zumbis, resta agora que os sobreviventes se reúnam para buscar entender o que está acontecendo e como eles podem escapar da casa mais vigiada do reino unido.



O plot da série é bem simples e lendo a sinopse “Dead set” pode se passar por mais uma série de zumbis genérica, mas na verdade a produção inglesa de cinco episódios é muito mais que isso, é um retrato de nosso tempo e de nosso rumo como sociedade.
Baseando os personagens dos participantes em participantes reais, a série vai nos apresentando estereótipos que o próprio programa popularizou, como o mulherengo escroto, a gostosa fútil, a vaidosa burra, o pseudo-intelectual, o marrento e por aí vai, todos fazendo menção a participantes reais, mas também representando um pouco da personalidade de quem assiste e se identifica, mas a produção dá um passo além, quando mostra o mundo da produção do programa, que se apresenta tão baixo quanto o show que produzem. Lá temos o Patrick, que é o diretor e produtor, que age com extrema grosseria com todos, é arrogante, relaxado e egoísta; até mesmo Kelly, a protagonista, é apresentada como um personagem com camadas de cinza, buscando destaque no meio onde trabalha e traindo o namorado com um colega da produção e o próprio ambiente onde ambos trabalham é cheio de inveja, descaso e pretensão, mostrando que o programa é o que é porque é  reflexo de uma sociedade vazia.

Essa crítica social é representada não só pelos personagens que aparecem dentro da casa ou pelos membros da produção, mas também pelos zumbis. Em Dead Set, os zumbis tem uma relevância muito maior do que na maioria das produções desse gênero de filmes, pois na série os zumbis somos nós, a sociedade. O zumbi é o cara comum anestesiado frente ao entretenimento mais raso, reduzido a bestialidade sem pensamento que apenas corre em direção a quem faz mais barulho, com a diferença que na série a ideia de consumir conteúdo fica no sentido gastronômico.

Além de todo peso da critica social e de uma grande quantidade de tripas ao longo dos seus cinco episódios, “Dead Set” ainda consegue referenciar o pai dos filmes de Zumbis, George Romero, em momentos como quando um dos participantes, debochando do que Kelly diz ao chegar na casa, brinca com sua namorada dizendo “vou te pegar barbará” , sendo que esse é o nome da mulher que foge para se abrigar em uma casa aparentemente abandonada na versão de 1968 de “A noite dos mortos vivos” do diretor americano. Do mesmo modo, a personalidade de Patrick, o diretor do programa também lembra muito a de Harry, o outro personagem do filme original de Romero que não mede esforços e usa quem precisa para sobreviver.

Mas de todas as coisas bacanas que “Dead Set” tem o que eu acho impressionante é o fato da série ter sido transmitida originalmente no canal E4, um dos canais que transmitia o Big Brother UK, e não só isso, a própria apresentadora original do programa no país, Davina McCall faz uma participação como ela mesma zumbificada, um deboche típico do humor inglês, que junto com a crítica social passada pelo criador, deve ter trazido bastante dinheiro aos cofres da emissora, mas que mesmo assim surpreende bastante.

É por essas e outras que considero “Dead Set” uma série obrigatória. Misturando critica social, humor e terror a produção se antecipou oito anos à TV brasileira, que fez algo superficialmente parecido quando lançou “Supermax” em 2016, sem passar uma mensagem parecida e obter a mesma resposta da critica e público. Dead Set é uma série que nos faz pensar no que estamos nos tornando, quando valorizamos apenas a aparência, quando parecemos não pensar e corremos trás de tragédias ou entretenimento vazio na TV ou em qualquer outro lugar, então não perca tempo e assista “Dead set” seja por ser fã do gênero, seja por ser fã de Charlie Brooker ou simplesmente para se divertir, mas seja rápido, pois a zumbificação já  começou e não há para onde correr.



domingo, 5 de fevereiro de 2017

DR. ESTRANHO (2016)

Ano passado o cinema foi invadido por um tsunami de filmes de super-heróis e eu, como fã, me programei para assistir a todos. Tudo começou muito bem, com "Deadpool" se coroando o melhor e mais engraçado filme do gênero de 2016, resvalou com o frustrante "Batman vs Superman", subiu aos céus com "Guerra civil", mas depois foi ladeira abaixo até chegar ao fundo do poço com "esquadrão suicida", tanto, que após mais uma produção deprimente da DC/Warner, somada a crise que bate sem piedade, resolvi guardar meus ricos trocados e ignorar, por um tempo, os filmes baseados em HQ's. Mal sabia eu, que no final do ano, a Marvel daria mais um passo certeiro na expansão de seu universo, incluindo magia, múltiplas dimensões e universos (chupa flash), através de um personagem pouco conhecido por mim, mas que ganhou minha atenção depois desse filme (assim como minha torcida por uma sequência), trata-se de "Dr. Estranho", estrelado por Benedict Cumberbatch e dirigido por Scott Derrickson, que resolvi assistir só agora após o lançamento do Blue Ray.

O filme conta a história de Stephen Strange, um brilhante e orgulhoso médico neurocirurgião que sofre um acidente de carro e acaba por ter o movimentos de suas mãos comprometidos. Atrás de uma cura para seu estado, ele acaba por descobrir uma possibilidade no Nepal, em um lugar chamado Kamar-taj; é nesse misterioso lugar onde conhece o Ser Ancião, que lhe mostrará que todo seu conhecimento não passa de um grão de poeira em múltiplos universos de possibilidades e o ensinará as artes místicas para que ele abra sua mente e ajude a Ordem dos magos a defender nossa dimensão. Mas o que Dr. Strange não sabe é que apoiados por entidades cheias de ganância e malícia, um grupo de dissidentes da mesma ordem que o acolheu, pretende destruir a proteção de nosso mundo e abrir uma porta para joga-lo na dimensão negra, restando ao Doutor a missão de superar a si mesmo e, junto de seus amigos, por fim na ameaça.

Ok, eu sei que me empolguei na sinopse, mas é que fiquei muito surpreso e contente com que a Marvel conseguiu me apresentar com o filme do personagem; não que eu conheça muito sobre ele, na verdade tudo que li do Dr. Estranho foi uma história aleatória em formatinho, do tempo que a Marvel era publicada pela Abril jovem (chuta uns trinta anos atrás), ou algumas pontas do personagem em arcos como a guerra infinita e nunca imaginei que ia assistir a um filme do herói, mas o certo é que Gosto muito quando um personagem ,baseado em HQ, que eu conheço pouco, chega ao cinema e depois que assisto ao filme, fica a vontade de ler suas histórias para conhecer mais daquele universo, e isso não acontecia comigo desde os "Guardiões da Galáxia.
Embora o filme não fuja da receita Marvel presente em todos seus treze filmes anteriores do selo, Dr Estranho consegue, de certa forma, inovar por, além de apresentar seu universo místico, mas que não desrespeita os conceitos mostrados nos filmes anteriores, flertar também com o terror cósmico, além de entregar boas doses de humor e efeitos especiais de cair o queixo. O mérito por esse tempero a mais é do diretor Scott Derrickson, que é uma figura carimbada do cinema de terror, sendo responsável por filmes como "O exorcismo de Emily Rose" e " Livrai-nos do Mal" e que além de dirigir, também foi um dos responsáveis por roteirizar o longa.



Junto do talento do diretor, soma-se como responsáveis pelos bons momentos proporcionados pelo filme, a força do elenco do longa. Protagonizando o filme, temos o cara do momento, Benedict Cumberbatch, que vem se tornando figurinha carimbada, não somente no que se refere a cinema de qualidade , como também em produçõe para TV, como "Sherlock Holmes", fato que vira uma piadinha dentro do filme. como par romântico do personagem, mas que fica longe da ideia de mocinha em perigo e acaba mesmo salvando o protagonista, temos Rachel McAdans, interpretando a Dra. Palmer, que embora fique em segundo plano na história, tem momentos bem marcantes, logo após o acidente que destrói as mãos do Dr Stephen; Sem falar em Tilda Swinton, como a Anciã, que tem, com o protagonista, um dos diálogos mais bonitos presentes em um filme de super-heróis que já vi e Chiwetel Ejiofor, como o inflexível e reto Barão Mordo, que é trabalhado o filme todo para nos ser apresentado na cena pós crédito como vilão da sequência da história, e não nos esquecemos de Mads Mikkelsen, outro ator que parece ter se tornado onipresente em todos filmes que assisto e que interpreta o dissidente Kaecilius; Todos atores extremamente a vontade e parecendo se divertir com a produção que participaram, coisa que contribui bastante para a aceitação e sucesso de um filme.

Além de tudo que já foi falado, o filme possui uma qualidade técnica fantástica, com uma identidade visual maravilhosa. Os efeitos visuais de Dr. Estranho, embora já tenham sido apresentados em filmes como "Inseption", fazem toda diferença na história, dando todo uma ar de psicodelismo e viagem dimensional que quase foge a compreensão de quem está assistindo. Assim temos muitos efeitos caleidoscópio, brincadeiras com luz e sombra, abuso das cores, cenários gigantescos se partindo e se dividindo ao infinito em cenas que merecem elogios à produção e um lamento da minha parte, que não vi o filme no cinema.


Mas embora tenha gostado muito do filme, um fato que me incomodou um pouco, foi a extrema semelhança com o primeiro filme do Homem- de -Ferro. Para começar temos dois cientistas arrogantes e egocêntricos, geniais no que fazem, que são obrigados a procurar uma alternativa para suas vidas depois que um acidente os deixa quase sem opção, Ambos possuem um par romântico que, embora não esqueçam deles, se apresentam como independentes, os dois possuem amigos que os contestam (Tony Stark tem Rhodes e Dr. Strange tem Mordo) e os dois filmes possuem vilões de pouco carisma, sendo quase esquecíveis. Outro fato é que o visual dos dois personagens é bem parecido, com ambos usando um cavanhaque, sem contar que os dois atores que protagonizam os dois filmes, já interpretaram Sherlock Holmes. O que salva o filme de não se passar por uma espécie de reboot, além do fato que, em homem de ferro, a história se direcione para tecnologia e em Dr. Estranho o caminho seja a magia, é o carisma do personagem e a competência do roteiro, que conseguiu trazer para o cinema um super-herói que eu acha inadaptável.


Pois bem, "Dr. Estranho" é um ótimo filme e traz tudo o que o selo de qualidade Marvel tem como marca, é divertido, empolgante, engraçado e cheio de ação, tanto que salvou o final do ano dos filmes de Super-heróis depois das resvaladas da DC. O filme conseguiu tornar visível um personagem dos menos conhecidos da editora e isso não é pouca coisa, mostrando a força da Marvel studios. Fica agora, a torcida pela sequência do longa , apresentado na segunda cena extra, que terá um vilão que foi muito bem trabalhado por todo esse filme, além da expectativa com o próximo filme dos estúdios, que a primeira cena extra nos apresenta quando coloca frente a frente o Dr Estranho e o Thor. Então, que mais um tsunami de filmes de super-heróis venha nesse 2017, só esperando que dessa vez, com quatro filmes com o Carimbo dos estúdios Marvel, a empolgação se mantenha até Dezembro. 




quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

UBIK - de Philip K. Dick

Philip K. Dick é meu escritor preferido. Não só por ser um dos mestres da ficção científica ou por ter muitas de suas obras adaptadas com sucesso para o cinema, mas por ser uma máquina de conceitos que te levam a refletir sobre coisas que fogem totalmente de nossa realidade. É dele o livro "Androides sonham com ovelhas elétricas", que foi adaptado para o cinema como "Blade Runner" e que, usando um tom noir e futurista levanta o questionamento, ao falar sobre os androides (replicantes), se um ser feito em laboratório, que tem consciência e parece um humano, realmente é uma pessoa, ou deve ser tratado como uma coisa; é dele também o conto que originou o filme "Minority report", em que a polícia utilizando precogs (videntes) cria um batalhão pré-crime que prende e condena o bandido antes que este possa fazer o mal, nos levando a questionar sobre destino e se não existe crime, se há culpado. No entanto, mesmo entregando nas entre linhas questões de cunho filosófico e conceitos trabalhados, sempre encontrei em seus livros histórias bem amarradas, com inicio, meio e fim, onde se enxergavam claramente as motivações de seus personagens, mas não consegui alcançar isso no último livro que li do autor, UBIK que ficou na minha mente, como um livro que explora apenas alguns conceitos, mas que traz uma história que não se fecha.

UBIK se passa em um futuro onde a raça humana conseguiu encontrar uma maneira de enganar a morte, mantendo os mortos em um estado chamado meia-vida, onde, dentro de caixões congelados (chamados bolsas térmicas) que preservam seus corpos, os mortos ficam em animação suspensa (muito suspensa, já que estão mortos), com suas consciências "vivendo" em um mundo simulado e aguardando o chamado de uma próxima encarnação, podendo assim serem consultados por seus amigos e entes queridos quando estes quiserem algum conselho ou orientação de quem já se foi. Nesse futuro, a evolução da raça humana deu um passo a frente e existem algumas pessoas que possuem dons especiais, como telepatia ou precognição e, muitas destas, são utilizadas por empresas especializadas para espionagem industrial e pessoal; em resposta a isso, surgiram empresas de prudência, que utilizam outras pessoas, com dons que anulam o dos espiões, para, mediante um pagamento, proteger quem não deseja ser espionado. A maior dessas empresas de prudência é a Runciter & associados, comandada por Glen Runciter, um idoso executivo que, aconselhado por sua esposa morta, mantém um império que só é desafiado por Ray Hollis, um misterioso empresário do ramo da espionagem.
Seguindo uma pista do rival, Runciter e seus funcionários acabam sendo atraídos para uma armadilha em uma base na lua, onde acontece uma explosão e Runciter é morto, restando a Joe Chip, um avaliador e contratador de inerciais (pessoas com dom de anular os dons dos outros) investigar o que aconteceu e tentar contato com a consciência do morto, mas algo está errado, pois tudo que os cerca começa a envelhecer e regredir até quase virar pó, inclusive os próprios amigos de Chip, para os salvar e dar o tempo necessário para descobrir a verdade, surge o spray UBIK, mas antes das respostas aparecerem, a dúvida que surge é :quais seriam as perguntas certas?

O livro traz a marca de criador de conceitos geniais que deu fama a Dick. A ideia de um mundo assombrado com a presença de pessoas que podem ler as mentes dos outros e retirar seus segredos, assim como as que antecipam tudo que acontecerá e a utilização destas de forma comercial é algo fantástico e que lembra muito a ideia apresentada em "Inception", filme do diretor Christopher Nolan de 2010, onde ladrões invadem os sonhos das pessoas para descobrir seus maiores segredos; da mesma forma que a conservação dos mortos em "meia-vida" remete ao filme "abra tu ojos", de 1997, que inspirou "Vanilla Sky" de 2001, onde após sofrer um acidente que o desfigura, um jovem milionário , após passar por diversas frustrações, decide se entregar a um método revolucionário e se congelar até que no futuro, exista uma cura para o seu mal, sendo sua mente entretida em uma realidade simulada onde ele consegue tudo o que deseja, mas que começa a falhar devido a seus traumas; dois exemplo do poder que o autor tem de inspirar grandes histórias através de suas ideias e que estão presentes na trama de UBIK.

O Autor
O suspense presente na história também é um ponto positivo. Depois que os personagens sofrem o atentado na lua, a dúvida toma conta da história e Joe Chip e seu amigo Al, passam a investigar o que está acontecendo com tudo a sua volta, se deparando com situações inusitadas, como mensagens de seu patrão morto escritas dentro de pacotes de cigarros fechados ou em multas de trânsito e o mistério vai sendo revelado lentamente, fazendo com que o leitor tenha tantas, ou mais dúvidas, que os personagens da história e o ar de investigação dá folego ao livro, quando a história oscila em seu ritmo.

Outra coisa bacana é a reutilização de ideias que o autor já havia abordado em outras histórias. A principal são os precogs, pessoas que conseguem ver o futuro como se este fosse imutável, abordando uma ideia de destino; personagens como estes foram utilizados no conto "Minority report", que virou filme com Tom Cruise e que trabalha justamente com o fato que se opõem a percepção dos precog's indicando livre arbítrio e dúvida quanto a suas visões; já nesse livro, muitos dos precogs trabalham para empresa de Hollis como videntes e a personagem Pat Conley, que é filha de um casal com esse dom surge com sua habilidade e coloca mais um questionamento quanto a autenticidade do dom dos videntes, que é, se o passado mudasse, o futuro também não mudaria? Ideias fora da caixa que, mesmo expostas entre linhas, elevam a qualidade da história.



Mas mesmo o livro possuindo muitas qualidades, que são expressas pelo jeito característico do autor de contar histórias, ele deixa muitas pontas soltas e quando terminei de lê-lo fiquei com mais perguntas do que respostas, o que em muitos casos é bom, pois faz com que uma história permaneça em nossa mente e se expanda em possibilidades, no entanto, não é bem o que aconteceu com esse livro.
Na primeira parte da história, a trama parece tratar das questões relacionadas à disputa entre a empresa de prudência de Runciter e a de espionagem de Hollis e apresenta personagens e um universo que convergem para que a trama se fundamentasse nisso; mas depois da tragédia na lua, o livro sofre uma mudança gigante de direção e parte para a investigação circular de Joe Chip sobre as regressões e morte de Runciter, ignorando o desaparecimento dos Psi citados no inicio do livro e quase que ignorando totalmente Hollis, que causou o atentado. Isso acontece também com alguns personagens que surgem na primeira parte e que aparentam um grande potencial e importância, como a mencionada Pat Conley, que é apresentada como uma pessoa de dom único, que seria de mandar sua consciência para o passado e, assim, mudar o futuro e que, aparentemente, teria relevância na história mas, fora alguns fatos que são revelados no fim do livro (mas que mal afetam a trama), nem precisava estar ali, pois pouco acrescenta.

Outra questão que me incomodou, foi a descrição de como os personagens se vestiam. As ideias de costume de PKD as vezes parecem distantes demais da realidade para serem levadas a sério. Duas dessas são as descrições de como, Stanton Mick, o investidor que contrata os serviços da Runciter & associados, e do piloto do helicóptero movido a energia solar, que chega para buscar o corpo de Runciter após o atentado, se vestem. O primeiro é descrito usando calças capri fúcsia, sapatilhas rosa de pele de iaque, blusa sem mangas de pele de cobra e uma fita no cabelo branco que ia até a cintura; o outro usava uma toga de tweed, mocassins, faixa carmesim na cintura e uma touca roxa com hélice de avião (tá de sacanagem!); somando essas formas estranhas de vestimenta, que lembram um futuro pós apocalíptico dos cafetões dos filmes blaxpoitation, ainda temos a mania do autor criar palavras extravagantes para descrever os itens representados nesse seu futuro, então temos o homeojornal, os condaptos (apartamentos), os vidphones, dentre muitas palavras, que percebemos como ilustrações de algo que seria visto em um futuro distante, assim como a moda que o autor nos descreve, mas que não parecem necessárias ou sérias, ainda mais pelo fato de a história do livro se passar apenas vinte e três anos após o mesmo ser publicado (o livro é de 1969 e a história se passa em 1992) e mudanças de costume e tecnologia no porte que o livro apresenta, necessitariam de séculos.

Capa da edição da Aleph -2014
Mas como disse a pouco, o que me incomodou foram as pontas soltas. Intendo que o livro traga em si , também, uma pequena crítica ao consumismo, não é por pouco que a história começa com uma briga entre empresas e que nesse universo futurista tudo é pago, desde a porta do seu próprio apartamento (se deve depositar moedas, para entrar e sair), como a TV do escritório e nessa levada, após a "morte" de Runciter o próprio idealizador do atentado é deixado de lado e só se referem ao mesmo, para citar que ele será processado (e não por assassinato) deixando claro a sociedade materialista onde a trama se passa, mesmo com a questão da reencarnação e meia-vida, sendo um espectro dentro da história.

Esse mesmo desprendimento de atenção ao causador do assassinato, me levou a questionar quem era o real vilão da trama e quais as motivações dos envolvidos. Embora Ray Hollis seja apresentado como uma ameaça, como disse anteriormente, ele mal aparece ou pouco é citado após o incidente na lua, Pat Conley, que se mostra pouco digna de confiança e extremamente ardilosa, vai perdendo a importância no decorrer da história e quando sabemos a grande verdade ao final, percebemos que ela é uma das vítimas (e que nem sabe disso), por fim ainda temos um personagem, que aparece como uma falha no inicio e que ao final tem uma participação "deus ex machina", que ao terminar de ler, parece pouco convincente (embora seu conceito, como sempre, seja bem bacana)


Apesar de suas pontas soltas, o livro está longe de ser ruim, apenas não é o melhor do autor na minha opinião. Os conceitos que Philip K. Dick utiliza, novamente mostram o gênio que o autor era e deixam claro sua importância na história da Ficção científica, inspirando dezenas de obras desde sempre. A maneira de reutilizar ideias e transitar entre o fantástico, o trágico e cômico, ainda trazendo critica social, filosofia e um tom de suspense impulsionam o leitor a seguir adiante em sua trama; mas a forma como muitos diálogos e situações parecem incluídos, apenas para que uma ideia que poderia ser definida em cem páginas se desenvolva em mais de duzentas, cansa um pouco. De qualquer forma, UBIK é uma obra obrigatória para quem é fã de ficção científica, um texto original, que fora alguns detalhes, pode claramente ser percebido como inspiração para diversas outras obras e um exemplo da mente criativa desse escritor fantástico que foi Philip K. Dick.

Use UBIK - está em toda parte


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A AUTÓPSIA DE JANE DOE (2016)

Quem já perdeu alguns minutos de sua vida lendo o que eu escrevo, deve ter percebido como eu dou destaque às obras de ficção científica e fujo de produções que foquem no terror. Eu poderia dizer que é culpa da minha criação e das coisas que me acostumei a ver e ler na minha infância, ou afirmar que simplesmente não gosto do gênero, mas a grande verdade é que sou um cagão!

Cresci em um tempo em que toda semana um filme slasher estrelados por Freddy Krueger ou Jason Voorhees passava na Globo e onde se podia assistir “Colheita Maldita” e “Um lobisomem americano em Londres” as duas da tarde, no falecido cinema em casa do SBT e a possibilidade de assistir a esses filmes de adulto era muito bacana para mim, na época com sete ou oito anos, ainda mais quando acompanhado de amigos e primos, mas uma experiência vivida no meio do dia, não tinha um reflexo tão prazeroso quando era hora de dormir e tive tantos pesadelos, que resolvi deixar o cinema de terror meio que de lado por muito, muito tempo.

Só me reaproximei daquele estilo de filmes novamente, quando virou moda as produções orientais terem uma versão americana. Foi nessa época que me deparei com o filme “O Chamado” (2002), uma obra que me impressionou e que inaugurou (pelo menos no ocidente e de forma popular) um terror que focava muito mais na tensão, medo e susto, do que na contagem de corpos e cenas gore. Pois parece que, quinze anos depois, a influência daquele jeito oriental de fazer terror está dando frutos, através de filmes realizados por jovens diretores e roteiristas, com forte ligação com o cinema independente, que colocam as mortes em segundo plano e apostam no medo mais primitivo e no tom investigativo ou de estranheza para construir um suspense que prende o espectador na cadeira sem conseguir desviar os olhos.

Um filme que assisti recentemente e que exemplifica bem esse novo estilo de filme de terror, é a sinistra obra do diretor norueguês André Ovredal, “A Autópsia de Jane Doe”, de 2016, estrelado por Emile Hirsch e Brian Cox, que conhecendo a mim mesmo, resolvi assistir em uma tarde de sol, com toda casa aberta e usando cueca marrom, o que não evitou algumas noites de pesadelo.

O filme conta a história dos Tilden, pai (cox) e filho (Hirsch) que trabalham como legistas em Granthan, na Virgínia. Os dois seguem suas vidas , efetuando autópsias para a polícia e mantendo uma relação normal de pai e filho, até que em uma noite, o xerife da cidade (Michael McElhatton), traz para perícia, o corpo de uma mulher desconhecida (Jane doe, Nos E.U.A, significa mulher desconhecida) encontrado semienterrado no porão de uma casa sem sinal de arrombamento e onde as três outras pessoas encontradas mortas, aparentemente, estavam tentando sair. Sendo o caso um mistério, o Xerife pede urgência na descoberta da causa da morte, o que leva os legistas a decidirem passar a noite buscando respostas sobre o que pode ter acontecido com aquela mulher, sem imaginar que a presença daquele corpo vai colocar em xeque todas suas noções de razão, ciência e realidade.



O que mais me agradou nesse filme, foi sua estrutura de conto. Como falei, quando tratava do filme “Siren”, gosto dos contos porque eles se prendem em uma situação sem precisar aprofundar demais os personagens ou universo onde eles se encontram, explorando de forma pontual a situação que o personagem, ou grupo de personagens, está enfrentando e isso é exatamente o que acontece em “A autópsia de Jane Doe”. Embora tenhamos um vislumbre da história dos personagens, com uma pequena mostra do relacionamento do filho e com o monologo do pai sobre a perda da mulher, ou até mesmo com a apresentação do ambiente, onde o diretor, de forma inteligentíssima, mostra uma sequência de fotos que explicam que a família já trabalha naquele ramo a gerações, nada é maior do que a situação onde ambos são mergulhados, o que dá mais peso ao momento e tensão as ações.

Os Tilden
Um filme de terror deve manter uma tensão calculada, oscilando entre suspense e medo, até o susto; e nesse requisito, “A autópsia de Jane Doe” merece os parabéns graças a seu diretor. André Ovredal, consegue instigar o expectador apresentando os dois legistas quase como detetives, que vão resolvendo um enigma que foge totalmente as suas realidades e, conforme as revelações vão sendo feitas e a ideia de impossível desfeita, vamos nos tornando tão apreensivos quanto eles, acabando, também, por nos sentirmos presos naquele porão cheio de corpos. E o bacana, é que o diretor faz isso sem pressa, nos apresentando seus elementos de forma lenta e gradual, construindo toda uma ambientação que favorece o susto e o medo, e quando esses chegam, vem de forma instintiva, sem quase nunca mostrar nada, deixando que apenas nossa imaginação trabalhe, como nos contos de Lovecraft e isso é assustador e fantástico.

Outro fato que vem a somar ao filme, é a qualidade da atuação dos protagonistas. Emile Hirsch fazendo o papel do filho que sonha em interromper a linhagem de médicos legistas de sua família e ir embora com a namorada, ao mesmo tempo que não quer decepcionar o pai, parece despretensioso no filme, mas nem por isso menos crível no papel, já Brian Cox, rouba a cena como um médico cético, focado em seu trabalho para fugir do trauma de ter perdido a esposa e com dificuldades de aproximação com o filho. A iteração de ambos é muito bem orquestrada e conseguimos sentir o elo de pai e filho entre os dois, assim como seus problemas de relacionamento, que por muito só são expressos em olhares. As boas atuações, são outro fator, que em filmes todos os filmes, mas em especial os de terror, fazem toda a diferença para que nos preocupemos com os personagens e essa preocupação agregue tensão a trama e, Emile Hirsch e Brian Cox, possuem as qualidades necessárias para tal.

Outra coisa que me agradou bastante no filme, foi o respeito com o corpo da mulher. Como se trata da autópsia de uma mulher, fiquei com medo que em determinado momento, aquele corpo nu em cima de uma mesa, poderia ser alvo de fetichização, mas isso não ocorre em nenhum momento do filme, o corpo é tratado apenas como um corpo, ou seja, como restos mortais; em nenhum momento existe um olhar malicioso ou mesmo um gesto ou piada que sexualize a situação e essa atitude não apelativa, mostra a qualidade do roteiro e diretor.

Pois bem, não posso e nem vou falar mais desse filme, porque o achei muito bom, mas como história de terror, qualquer coisa que eu venha a revelar, só estragaria a experiência de assisti-lo. O que posso reafirmar é que ele é um exemplo dessa nova safra de filmes que apostam no susto e tom investigativo para prender o expectador e faz isso com extrema competência, com boas atuações, direção cuidadosa e trama redondinha e divertida (melhor dizer assustadora), falo para que ninguém espere um filme perfeito, mas garanto alguns sustos e mãos suadas por uma hora e meia.
Então se tiver oportunidade, assista “A autópsia de Jane Doe” e se for um cagão como eu, coloque uma cueca marrom, espere um dia de sol forte, abra toda a casa e aguarde os sustos, porque eles virão com certeza, então aproveite.

Fica a indicação.





quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

SIREN (2016)

Parece que virou tendência transformar curtas em longas e, quando falo isso, me refiro a cinema e não ao uso das famosas bombinhas de sucção. Pois é, em tempos de escassez de roteiros originais, aprofundar , em loga metragem, as ideias e conceitos já explorados em menos tempo de tela vem se tornando uma opção para muita gente. Exemplos disso, são os ótimos "Whiplash" e "Distrito 9", que surgiram como curtas quase obscuros e chamaram a atenção do público quando suas histórias foram expandidas, no entanto, reciclar e aprofundar conceitos nem sempre é certeza de sucesso, podendo, pelo contrário, evidenciar um roteiro raso e uma história esquecível.

Talvez o grande trunfo para o sucesso da transformação de um curta em um longa, seja o drama e tensão que a história contenha e que podem ser elevados, conforme o talento do diretor, quando a história é aprofundada. Isso explicaria o sucesso dos dois filmes citados acima, que contem drama e tensão de sobra e ajudaria a entender porque que o gênero que menos obtém sucesso nessa nova tendência é o terror.

Um filme que demonstra isso, e que fiquei particularmente ansioso para assistir, foi "Siren", inspirado no curta "Amateur Night" de David Brukner, presente no filme "V.H.S", de 2012 e que conta , semelhante à produção original, a história de um grupo de amigos, que partem para uma despedida de solteiro atrás de diversão e loucura, indo parar em um casarão no meio de um pântano onde os mais estranhos e diversos fetiches são realizados. Lá eles são convencidos a pagar uma experiência dita como única ao noivo (Jonah), que acaba se deparando com uma mulher presa em uma sala, que, só Deus sabe porque, ele resolve liberta; acontece que essa aparente indefesa prisioneira é uma súcubo chamada Lylyth, um demônio devorador de homens, que passa a ver Jonah como um prêmio, matando todos que se colocam em seu caminho. Jonah e seus amigos, terão de fazer de tudo para escapar dessa noite que deveria ser uma das melhores de suas vidas e que se torna um pesadelo.



Fiquei ansioso para assistir a esse filme, porque dos curtas presentes no filme "V.H.S", esse foi o que mais deixou com cagaço. David Brukner, que dirigiu e escreveu aquele curta ( o filme tem a direção de Gregg Bishop) conseguia guiar o expectador por uma escala que começava no total descaso e acabava no verdadeiro medo, tudo isso utilizando poucas locações (na maioria fechadas), muita sombra e não dando quase nenhuma explicação sobre o passado dos personagens ou o que a criatura que eles encontram quer realmente, ou seja, fazendo o que um curta tem que fazer, que é focar em uma questão (no caso o medo) e trabalhar em cima disso; Já no filme, essa mesma sensação não se repete e penso que, da mesma forma que ocorreu em "quando as luzes se apagam" outro filme baseado em um curta de terror, o responsável é o próprio gênero das produções.

Pareço meiga, mas como as pessoas

Diferente de histórias que envolvem dramas pessoais e que podem ser exploradas e aprofundadas de diferente formas em um filme, os filme de terror tem o medo e tensão como combustível para a ação, nesse caso, histórias que se fundamentam apenas no contato com o desconhecido, tem no próprio desconhecido a essência de seu sucesso. O que quero dizer é que, quando explicamos a situação que originou o medo, ela passa a ,tanto não ser mais assustadora, como muitas vezes se mostrar uma ideia rasa e pouco original, e exatamente isso que acontece nesse filme.

Para começar, o filme deixa o estilo sombria da obra original para trás e apresenta um tom mais claro que beira as produções baratas feitas para a TV americana (e TV municipal) e, tendo dito que grande parte da tensão da obra original vinha da escuridão, penumbra e desconhecido, isso já acaba de início com grande parte do clima do filme. Outra questão é que o curta é filmado em primeira pessoa, no estilo de Found footage (aquele onde alguém acha uma fita contendo uma história fantástica, tipo "Bruxa de Blair"), o que te torna participante daquele pesadelo tentando escapar de qualquer maneira, o que não acontece no filme, que é filmado de forma convencional e acaba mostrando muito mais do que deveria.
Os cenário também parecem trabalhar contra o filme, pois as ambientações parecem sempre vazias e pouco naturais e os poucos coadjuvantes que aparecem são tão mal dirigidos que só não olham para as câmeras para não perder o pagamento de um salgado e um refri, fato que não é diferente com os personagens principais da trama são tão mal explorados e interpretados, que quando ameaçados, ninguém se importa com o triste destino que o filme promete lhes reservar.

No entanto, o pior do filme, é o próprio roteiro. Como a história original foi concebida para fazer sentido dentro de um curta, para alongar a história é necessária a introdução de itens que preencham lacunas e nisso, é incluído mais um vilão e motivos para o mesmo, o que faz com que a ideia original se perca de Vez. O filme traz como o outro antagonista, o Sr. Nyx, que, pelo que ele mostra, é um exorcista, demologista, bruxo, vendedor de artigos místicos e dono de bordel, não deixando claro sua principal atividade, mas não conseguindo causar medo em nenhuma cena onde dá as caras, na verdade, o próprio personagem não parece levar a sério as próprias loucuras que o cercam, sendo que quando ele morre, tanto faz, a vida segue. Além dele, ainda somos apresentados a uma bartender, que rouba as lembranças das pessoas através de sangue-sugas que crescem em sua cabeça no pior estilo Medusa e que não tem a menor necessidade de estar na trama, um enxerto que só mostra quanto o roteiro é parco.
fica quieto, porque esse filme é uma bomba
Junto a introdução desse outro vilão e sua bartender sinistra, é cometido outro grande erro, que é dar um passado ao demônio Lylyth. Como já disse, grande parte do que assusta nos filmes de terror é o desconhecido e, fora casos como filmes igual a "O chamado", que conseguem passar uma pegada investigativa e vamos descobrindo junto com os personagens o que está acontecendo, um filme que te entrega tudo e ao mesmo tempo não diz nada, apenas dilui sua própria relevância e Gregg Bishop fez isso quando, não somente mostra como Lylyth acabou em nossa dimensão, como também lhe dá uma cauda de capeta e asas de morcego, que embora ficassem implícitas no curta, não eram mostradas como no filme, fatos que se somam e acabam por, além de diminuir o medo causado pela história, transforma-la em uma comédia involuntária e o final do filme, assim como a cena de sexo entre o protagonista e a mulher demônio, parecem confirmar isso.

"Siren" é um exemplo de que algumas ideias devem permanecer no micro. Um filme que parece ter sido esticado de tal maneira que cresceu mas não consegue se sustentar (talvez o diretor tenha usado bombinhas de sucção), uma trama ruim e rasa que nasceu de um ótimo e assustador curta e que reúne em menos e vinte minutos mais qualidades do que o longa com quatro vezes o seu tamanho. Então se alguém lhe apresentar esse filme fuja para as montanhas ou corra para o mato para não perder uma hora e vinte de sua vida, ou convença a pobre alma a assistir à "V.H.S" de 2012, que realmente vale a pena ser assistido.




domingo, 8 de janeiro de 2017

PASSAGEIROS (2016)

A ficção científica vem há anos tomando um lugar mais iluminado dentre os estilos mais populares de cinema. Com produções como “Interstellar”, de Christopher Nolan, e “Gravidade” de Alfonso Cuarón, se tornando novos clássicos e abocanhando, além do aplauso da crítica e público, prêmios como o Oscar, Globo de ouro e o BAFTA, o estilo vem crescendo a cada ano e atraindo para si um grande número de astros e diretores. No entanto, o sucesso do estilo, depende bem mais do que o esmero nos efeitos visuais e a visão futurista da sociedade perfeita, pois a ficção científica de qualidade é aquela que reflete os problemas vividos no momento onde sua trama foi escrita, mas imaginada tendo consequências em um futuro distante, ou servindo de pano de fundo para apresentar problemas pessoais dos personagens, onde todos se identificam; justamente como fazem os filmes de Nolan e Cuarón, e, o que tenta fazer o mais novo filme estrelado por Jennifer Lawrence, Chris Pratt e dirigido por Morten Tyldum; “Passageiros”, que conta uma história de amor e (quase) catástrofe em meio a uma viagem intergaláctica.

“Passageiros” conta a história de Jim Preston (Pratt), um engenheiro mecânico, que na busca de maiores oportunidades parte, em animação suspensa, abordo da nave Avalon para ser um colonizador do planeta Homestead II juntamente com mais cinco mil pessoas. A viagem de cento e vinte anos é considerada rotineira e os equipamentos à prova de falhas, no entanto Jim é acordado noventa anos antes do prazo e se vê sozinho e impossibilitado de conseguir ajuda. Após um ano de solidão o engenheiro resolve acordar Aurora Lane (Lawrence), uma jovem escritora cuja obra foi a responsável pelo mesmo não perder sua sanidade, o tempo passa e o relacionamento de dois vai se estreitando até se transformar em uma romance, mas o que acontecerá quando Aurora descobrir que Jim a condenou a viver seus dias em uma viagem sem fim tendo apenas ele como sua companhia? E, o que eles farão ao descobrirem que a Avalon está indo de encontro com uma falha iminente que poderá causar a morte, não só deles, como das demais cinco mil pessoas?

Pois bem, “Passageiros” tem uma premissa bacana, fala sobre colonização espacial, em especial da viagem centenária para alcançar outro planeta habitável, e, como toda história de ficção científica que se destaque, aborda temas em que todas as pessoas conseguem se identificar, como solidão, romance, perdão e sacrifício. No entanto, o filme, que não chega a ser ruim, parece ficar devendo alguma coisa, uma ausência presente em toda trama, que, alias, parece nunca engrenar. Talvez o que falte seja um antagonista digno do elenco, ou diálogos mais densos e um aprofundamento maior naquela sociedade futurista, mas o fato é que, fora o enredo que fala de um futuro fantástico, “Passageiros” é um grande “Lagoa Azul” no espaço.

Talvez o pessoal mais novo não conheça, mas “Lagoa Azul” era um clássico da sessão da tarde da Globo, que repetiu inúmeras vezes e que contava a história de um casal de crianças que sobrevive a um naufrágio e vai parar em uma ilha deserta, crescendo junto, se apaixonando e vivendo as delícias e perigos do isolamento, exatamente a mesma premissa que o filme “passageiros” nos traz. Essa referência ganha força quando percebemos que a  produção é protagonizada por dois dos atores que, além de serem dois dos nomes em maior ascensão no cinema atual, são dois símbolos de beleza do momento, Chris Pratt, o Star Lord de “Os guardiões da Galáxia” e a oscarizada Jennifer Lawrence, a Mística dos últimos filmes dos “X-men”, o que nos leva a pensar que o enredo do filme tem como motivo o simples fetiche de se ter um belo casal preso a sós em um lugar onde tudo de que precisam está disponível e ninguém pode os incomodar, o que não foi má ideia para um filme dos anos oitenta como “A Lagoa Azul” e pode funcionar ainda hoje em um curta e até para um soft porn, mas que deixa muito a desejar no que se trata de uma produção de ficção científica.



 Um fator que talvez nos fizesse ignorar as questões que deixam a desejar na trama seria se a química entre os protagonistas funcionasse de forma perfeita, no entanto não é o que acontece. Chris Pratt que tem o humor como seu maior trunfo, não consegue convencer como o solitário e apaixonado Jim Preston, parecendo não possuir as qualidades necessárias para cativar Aurora Lane, a personagem de Jennifer Lawrence que, nesse filme, longe das rotineiras atuações de luxo que lhe renderem um oscar, transparece,  uma apresentação forçada e nos passa até um ar snobe e superior. Problemas que acabam por fazer com que não nos preocupemos de verdade com o destino de ambos os personagens.

No entanto, as mesmas características que parecem não unir o casal os abrilhantam quando os temos separados em tela. Chris Pratt, que domina solitário um quarto do filme, consegue arrancar algumas risadas quando decide viver tudo que a nave Avalon tem a oferecer a seu único hospede desperto e emociona sem precisar usar uma única palavra, quando sozinho faz um tour por fora da nave contemplando a imensidão do vazio externo que é semelhante o seu interno. O mesmo serve para Jennifer Lawrence, que se mostra sensual e sensível, quando , escrevendo seu livro em meio a viagem, aborda temas como solidão e passado, sem, contudo repetir o que Pratt oferece.

Partiu espaço?
Mas apesar de tudo, o filme ainda parece carecer de um motivo melhor para aquelas pessoas se encontrarem naquela situação inusitada e de um problema digno que os conecte de vez. Descobrimos, após mais de uma hora e meia de filme, que o problema que pode causar a morte de todos na nave e que despertou Jim Preston dois anos antes, foi um meteoro que atravessou os comandos de refrigeração do reator da nave; mas desde o início da trama sempre é dito que a nave é a prova de meteoros, falhas nas câmaras de hibernação e erros de sistema, mas erros são tudo que ocorrem na Avalon, nos remetendo agora ao “Titanic” de James Cameron, que era , segundo seus construtores, inaufragável, mas que foi a pique em sua primeira viagem. O pior é que, mesmo com Preston sendo engenheiro, é necessário que outro personagem (Lawrence Fishburne, com seu primeiro “magical negro”) surja para lhe mostrar onde estão os problemas que devem ser solucionados, para logo depois morrer, em uma das pontas mais desnecessárias dos últimos tempos, perdendo apenas para a que Andy Garcia faz nessa mesma produção, que se resume a sair de uma sala, parar na porta e fazer uma cara de espanto pouco antes dos créditos começarem a subir, de qualquer forma, se espera mais de um filme que junta dois astros em ascensão e traz um elenco de apoio de peso como o citado acima.

Bora !
Para encerrar, o filme ainda parece querer nos passar uma ideia de felicidade simples, baseada na cumplicidade e dependência mutua sustentada por uma forma de releitura de contos da bíblia. Assim temos um Adão e uma Eva, a bordo de um Éden futurista (talvez daí o nome Avalon da Nave, que na lenda era uma ilha famosa por suas belas maças), onde ao contrário do que fala no velho testamento, o pecado parte do homem que se apaixona e não mede as consequências em tentar ter a mulher ao seu lado. Da mesma forma a trama parece referenciar a história da arca de Noé, com o casal enfrentando um grande problema para conseguir com que os demais passageiros e tripulação cheguem ao seu destino e perpetuem o legado da humanidade, mas isso fica tão em segundo plano, que acaba esquecido quando o diretor resolve transformar a história de amor em tema central.


Enfim, “Passageiros”, embora não seja um filme que desmereça a ficção científica, ou que seja realmente ruim, não é uma produção que deva ficar muito tempo na lembrança de quem assistir, alcançando, no máximo, o status de filme divertido. O filme, que tem uma premissa bacana e consegue, até certo ponto, conectar o expectador com os personagens (principalmente o de Chris Pratt), falha ao não se aprofundar no universo a que aqueles personagens pertencem ou nos apresentar um problema excepcional que além de criar uma mudança dentro da história, justifique o que acontece ao final da história, dando á produção ares de sessão da tarde que jogam um balde de água fria em quem teve expectativa por um filme protagonizado por dois atores muito queridos pelas gerações mais novas e dirigido pelo mesmo diretor de “O jogo da Imitação”, desaparecendo assim no horizonte das produções de ficção científica como só mais um filme desliga cérebro.