A frase mais repetida que eu ouço, quando
falo de uma série, é: “tem na Netflix?”. Eu entendo esse questionamento, o
serviço de streaming mais popular do planeta se transformou em sinônimo de
relevância no que se trata de entretenimento e sendo assim, se tem lá, é porque
é bom! Só que, existe muita coisa bacana sendo feita fora dessa bolha e que
quase ninguém dá a devida atenção, mas que precisam conhecer.
Um bom exemplo é uma série de ficção
científica que teve sua primeira temporada apresentada em 2018 pelo Youtube
Premium, mas que por aqui pouco se falou. Trata-se de “IMPULSE”, produção
baseada no livro homônimo de Steven Gould (que também inspirou o filme “Jumper”
de 2008) e que conta a história de Enrietta “Henry” Coles, uma adolescente
problema que após sofrer abuso, descobre que pode se tele transportar.
Comecei a assistir a série por pura
curiosidade, mas ela acabou me tele transportando (pá-bum-tss) para dentro do
mundo que os criadores entregam, conseguindo com sua história me fazer resistir
de fugir de uma produção de dez episódios de 50 minutos em pleno calor de
janeiro. No meio dessa batalha entre calor e curiosidade, posso dizer que oque
mais gostei da produção é que ela coloca o “poder” da protagonista em segundo
plano, ele é importante e sua descoberta dá movimento a toda trama, mas a
história não fica batendo nessa questão a todo tempo, substituindo os clichês
habituais de histórias de superpoderes por uma trama apoiada nas escolhas dos
personagens e suas capacidades de lidar com as mesmas.
A Opção por deixar o fantástico meio que de
lado, proporciona o aprofundamento dos personagens centrais, dando dramaticidade
á uma série que tem uma premissa aparentemente rasa. A situação que dá origem a
tudo é o abuso sexual sofrido pela protagonista e que, além de despertar seus
poderes, causa a paraplegia de seu agressor. Tal situação além de liga-los
profundamente durante toda a temporada, abordando sobre o limite do que é
abuso, a consciência dos atos de cada um e a responsabilidade sobre o que se
fala, ainda gera sub tramas bem interessantes envolvendo a família do agressor,
da protagonista e até da polícia local, sem falar de uma misteriosa organização
que se mantem quase que totalmente nas sombras até o final da temporada, mas
que sinaliza ser tanto uma resposta sobre o passado, quanto a grande ameaça no
futuro da protagonista.
Outra
coisa que gostei é que a série consegue dar tridimensionalidade aos
coadjuvantes, fazendo com que entendamos suas razões e dúvidas e que nos importemos
com eles. Dois exemplos são o irmão mais velho do agressor de Henry e a filha
do padrasto da protagonista, que apresentam um desenvolvimento paralelo muito
bem construído e que acabam a temporada totalmente diferentes de como
começaram, o primeiro passando de um quase capanga do próprio pai e de postura
violenta, para alguém que busca redenção pelos crimes e erros que cometeu para
orgulhar o pai que o vem subestimando; enquanto a segunda larga a ideia de
buscar a aprovação dos colegas de escola e, além de se tornar a verdadeira
heroína da série, defendendo sua família, se encontra como pessoa com a pitada de
rebeldia que a irmã postiça lhe transmite.
Mas a série tem algumas
questões que me incomodaram. A Maior é que ela começa apresentando um
personagem, que possui o mesmo dom da protagonista, e que dá pistas dessa
organização secreta que citei acima e da existência de outros como eles, mas a
história parece utiliza-lo só para mostrar como essa organização é maligna e
desiste dele o retirado da trama de maneira abrupta e chocante, com uma
explicação fraca e sem cita-lo mais tarde. Outro problema é a própria protagonista
que é extremamente grosseira e indiferente com os outros, jogando a culpa de
tudo nas pessoas que a rodeiam e que parece não se preocupar com ninguém além
de si mesma, seu crescimento como personagem oscila muito e a temporada termina
sem realmente sabermos se ela aprendeu alguma coisa com tudo que aconteceu e,
falo com tranquilidade, que se não fossem as tramas paralelas e os coadjuvantes
bem construídos e a serie fosse totalmente focada em Henry Coles, não seria
possível passar do quinto episódio.
Mas embora possua alguns furos, “IMPULSE” é
uma boa série. Consegue trabalhar razoavelmente bem a questão do abuso sem
perder seu propósito de ficção científica, ainda trabalhando em paralelo com
investigação policial e descobertas adolescentes, quase como um bolo onde se
misturam muitos ingredientes e no final fica saboroso. A produção é muito bem
feita, os diálogos são bem explorados e muitos deles cheios de tensão e, o
clima e a ambientação gelada da série ainda colaboram para a ideia de solidão e
desolação que a protagonista sente ao seu redor depois que, além de sofrer
abuso, descobrir que não é uma pessoa como as outras.
Então aproveite a minha dica e assista “IMPULSE”
e se surpreenda com uma das diversas produções que NÃO estão no maior streaming
do mundo, mas que mesmo assim, possuem grande qualidades e merecem ser notadas.
Os vilões sempre vencem! Essa frase, que
se lê como easter egg em alguns episódios da primeira temporada da série
“Mr.Robot”, foi a primeira coisa que passou na minha cabeça ao terminar um dos
melhores romances policiais que já li até os dias de hoje, isso depois de
desfazer o nó de minha garganta e contemplar o horizonte por alguns longos
minutos.
Estou falando do livro “ZULU” do escritor
francês Caryl Férey, publicado no Brasil pela editora Vestígio, que tive a
sorte de encontrar por acidente em uma prateleira de supermercado enquanto
esperava entediado para ser atendido pelo caixa e que me apresentou uma trama
tensa e pesada, com personagens carismáticos e tridimensionais, ambientada em
uma país dividido por feridas do passado e a dura realidade desigual do
presente que me prendeu com a garganta seca e o coração acelerado até a última
linha.
A História, que é ambientada na tumultuada
África do Sul pré-copa 2010, acompanha a equipe liderada pelo chefe da polícia
criminal de Cape Town, de origem zulu, Ali Neuman, que é composta pelo jovem
detetive Dan Fletcher e o complicado Tenente Brian Epkeen. A Rotina dos três,
já conturbada devido a incessante violência, se complica quando a filha de um
renomado jogador de rugby é encontrada morta com aterradores sinais de
violência e traços de uma nova droga em seu organismo, a partir daí os três embarcam
em uma odisseia que vai revelando uma conspiração tão assustadora quanto crível
e que, conforme vai empilhando corpos enquanto nos conta uma história tão
profunda quanto forte, entrega um olhar perturbador de um país que, tal como o
nosso, é marcado pelas desigualdades e contradições.
A primeira coisa que chamou minha atenção no
livro foi a forma primorosa como o autor consegue nos colocar dentro do
ambiente e das situações que vão se seguindo. Através de uma escrita ágil, mas
extremamente detalhista, Caryl Féry nos leva a uma África do sul sem maquiagem,
com as cicatrizes do apartheid à mostra e com todos seus problemas sociais
expostos, no meio de um caos que a história só faz crescer enquanto ao mesmo
tempo consegue abordar o que à de pior e de melhor nos seres humanos, em um
estilo que fica bem centralizado entre um George R.R. Martin e a profundidade
cinza de seus heróis / vilões e o charme e brutalidade dos detetives dos livros
de James Ellroy.
Esses
mesmos personagens que, para mim, quando bem escritos são o segredo da
qualidade de qualquer grande obra literária ou cinematográfica, são a segunda
coisa que me fisgou no livro. E a maneira como o autor dá um mínimo de
profundidade a todos eles, os apresentando em pequenos capítulos que dão uma
ideia geral de sua personalidade e seus motivos, quando não contando mesmo suas
biografias e o que aconteceu para que eles tivessem chegado até aquele momento
da história, facilita essa percepção de relevância de cada um deles. É assim
que conhecemos o terrível passado de Ali Neuman, sobrevivente dos últimos dias
de Apartheid e que presenciou o assassinato do próprio pai e do irmão mais
velho; Do mesmo modo descobrimos sobre as origens africânderes do rebelde
Tenente Epkeen, de seu desprezo pelo sistema e relação conturbada com o filho e
a ex-mulher, essa mesma tendo um grande destaque na última parte do livro; Ou
ainda nos emocionamos com a relação do policial Dan Fletcher com sua esposa com
câncer e o medo de deixar seus filhos desamparados; tudo isso em meio a outras
tantas histórias e personagens que compõem a trama. Férey descreve tão bem
esses personagens que mesmo antes de terminar a primeira parte do livro já
fomos pegos nessa armadilha que acabamos nos sentindo tão íntimos deles que
sentimos seus medos, nos entristecemos com suas frustrações e tememos por suas
seguranças a qualquer sinal de ameaça.
O Autor
E Ameaças é o que não faltam em um país que,
assim como o Brasil de 2018, parece uma bomba prestes a explodir. São gangues
de ex-milicianos oriundo do coração da África, traficantes que se escondem em
seus bares particulares e nas favelas, a AIDS, a falta de perspectiva, mas é no
grande mercado (sem spoiler) que reside o grande antagonista à equipe de Ali e
que, assim como em muitas situações da vida, ao final do livro, deixa aquele
gosto amargo em nossa boca quando percebemos que, mesmo presos ou mortos os
assassinos e envolvidos, o mal que gerou todas aquelas situações e precisou de
tantos sacrifícios para ser freado, jamais será levado à justiça, nos deixando
apenas o consolo da vingança contra seus agentes mais próximos e tristeza por
quem buscou justiça e caiu em batalha.
Mas mesmo terminando com um soco no
estômago, a ponto de colocar um nó na minha garganta e um amargo na boca por todos
os sacrifícios feitos pelos personagens (em especial ao final da primeira parte
e do último capítulo), a leitura de “Zulu” me proporcionou uma grande prazer.
Por seus personagens humanos e realistas, a Trama investigativa extremamente
inteligente e clima de reflexão social pertinente e assustadora (e que, em
alguns aspectos, lembra muito nosso país) indico a todos que desejarem uma
história cheia de reviravoltas e que estejam dispostos a ir até aos
esconderijos mais sombrios e sujos da mente humana, mas sempre com a verdade em
mente de que os vilões sempre vencem.
Em junho de
2016, Após assistir o ótimo filme argentino "Relatos selvagens", eu
questionava o porquê o Brasil não produzia cinema no mesmo nível de nossos
vizinhos Hermanos, que conseguem entregar bons filmes com temas variados, sem
se prender aos problemas existenciais de sua classe média ou a violência que a
pobreza enfrenta; a opção que encontrei na época passava pelas produções
autorais e de menor orçamento, como por exemplo, os curtas de terror de Dennison Ramalho, mas o pouco alcance desse tipo de produção veio depois a me
parecer um caminho estreito demais para fomentar investimento e qualidade em
nossa indústria cinematográfica, que necessitava de algo maior para se tornar visível.
Dois anos depois, a semente desse cinema de nicho que
eu havia enxergado como opção parece ter começado a germinar com a estreia de
um filme que foge do que é comumente feito no Brasil ao misturar elementos de
terror sobrenatural e crítica social, além de inovar em sua narrativa e
plasticidade. Trata-se de "As boas maneiras", filmede Juliana Rojas e Marco Dutra, estrelado por
Marjorie Estiano, Izabel Zuaa e Miguel Lobo, que estreou dia sete de Junho,podendo ser aquele algo a mais que trará um novo
frescor a industria cinematográfica BR.
O filme, que se divide em duas partes, acompanha a
história de Clara (Izabel Zuaa) uma melancólica enfermeira, que é contratada
para "ajudar" na casa e ser a babá do filho ainda não nascido de Ana
(Marjorie Estiano) e que , conforme a relação das duas vai se estreitando,
começa a notar o estranho comportamento de sua empregadora em noites de lua
cheia e procurar por respostas. Já na segunda parte, encontramos Clara, quase
dez anos depois, muito mais confiante e morando na periferia com seu filho
adotivo Joel ( Miguel Lobo) que guarda um segredo que o impossibilita de
aproveitar ao máximo sua vida e que põe tudo em risco quando descobre o que
Clara escondia de seu passado e parte para a cidade em noite de lua cheia.
Embora na minha sinopse a trama pareça dar toda
atenção a uma história clássica de lobisomem, o filme na verdade segue a
cartilha de toda boa história de ficção científica ou fantasia e usa esse
elemento fantástico muito mais como plano de fundo para expor de forma sutil os
problemas de nossa sociedade, do que aborda a lenda e maldição da licantropia.
Sendo assim, "As boas maneiras" é mais um drama que fala de amor,
sacrifício e tolerância, do que um filme de monstro pensado para dar sustos.
Clara e Ana
Podemos constatar o comentado acima apenas analisando
o próprio nome do filme, que faz alusão a uma conversa que Ana tem com Clara,
quando esta lhe serve sopa no jantar e que a remete a aulas de etiqueta que ela
fez quando era mais nova. Ana conta que era ensinada a tomar sopa sem fazer
barulho e andar com um livro na cabeça para treinar a postura (coisa que ela
não consegue quando tenta demonstrar, indicando sua falta de aptidão para fugir
de quem realmente é ) essa conversa, que pode passar despercebida, descreve
toda a dura relação dos personagens centrais com a sociedade que as rodeia e a
qual tentam se adaptar e manter com o máximo esforço a convenções, seja a
mulher negra, pobre e lésbica, que tem que se sujeitar a acumular tarefas em um
emprego para poder pagar suas contas, seja a mulher rica, que seguindo seus
desejos é renegada pela família e expulsa de sua casa por desonrar seu nome ou
a criança que, sem conseguir escapar de como nasceu, é trancada em um quarto
blindado em noites de lua cheia. Todos ali são párias, por não conseguir fingir
por completo suas naturezas, por não seguir as boas maneiras.
Podemos até mesmo traçar um paralelo entre o
aparentemente frágil Joel com a história de muitas crianças e jovens das
periferias. Criado na pobreza se sente abandonado e se vê impossibilitado de
participar das experiências que a vida lhe mostra devido à condição em que
nasceu. Como no caso de muitos desses jovens a revolta também é o escape de
Joel na busca por liberdade e o erro fruto da falta de conhecimento sobre si
mesmo, o que, aos olhos da sociedade, o apaga como pessoa e o enxerga apenas
como um monstro.
Eu era um lobisomem juvenil
Mas longe dessas interpretações subjetivas, o filme me
surpreendeu, além de pela história com pitadas de terror e o aprofundamento dos
personagens; pela sua estética e inovação na narrativa. A forma como o filme
mostra São Paulo dividida entre uma zona de arranha-céus espelhados e uma
periferia imensa e a transformação de menino para monstro quando ele atravessa
a ponte; as ruas escuras cheias de luminosos dão um ar de cinema coreano à película
e os efeitos especiais bem bacanas para nosso pobre cinema além de não
decepcionar prestam homenagem ao clássico “Um lobisomem americano em Londres”,
sem contar que no primeiro ato, temos a história de Ana sendo contada através
de desenhos e no ato final ainda vemos um trecho musical, nada descambando para
cafonice ou galhofa.
No entanto, como tudo na vida esse filme também tem
seus problemas, e, um dos que mais me incomodou foi a extensão da história. A
produção tem duas horas e dez, o que não é lá um grande tamanho, no entanto, se
tratando de uma história que foca em apenas três personagens, parece que há uma
barriga desnecessária na trama. Há também algumas falhas de roteiro que não me passaram
como o fato de ninguém vir atrás do menino Joel, quando este é levado por Clara
ou como ela construiu um quarto blindado no fundo da peça onde morava. Mas todos
esses pequenos problemas não apagam o mérito e o marco que o filme é por fugir
da mesmice.
Apesar de seus pequenos problemas, “As boas maneiras”
estreia trazendo novos ares para o cinema brasileiro e abrindo portas para temas
mais diversos e fantásticos produzidos em nossas terras tupiniquins, injetando
qualidade e quem sabe fazendo com que surjam investimentos suficientes para que
nossa indústria se torne rentável e assim independente do estado e, finalmente,
deixar de ser esse monstro assustador que só aborda as misérias da pobreza ou
cinebiografias e conseguir alcançar o mesmo nívele qualidade do cinema Argentino.
Passou-se
um mês da estreia de “VINGADORES: GUERRAINFINITA” e acredito que quem se interessou pelo destino dos personagens já
deve saber que uma grande parte deles vai à Óbito durante a trama. No entanto,
o que pouca gente sabe é que aquele discurso furado do vilão Thanos, afirmando
que, para o universo progredir seria necessária a extinção de uma parte da vida
de forma “aleatória” é uma grande mentira e que (quase) TODOS personagens
mortos tiveram grandes motivos para suas desintegrações.
Para
acabar de uma vez por com esse embuste proveniente da mente vingativa e
inquisidora de um personagem de CGI, venho hoje revelar os pecados que levaram
os heróis tombados até seu triste destino: (clique no nome do "motivo" para ver o trailer)
Em 2002 a Diretora Tamra Davis trazia a
público um filme onde, três amigas de infância partem em uma viagem pelos EUA
para experimentarem pela última vez toda liberdade do final da adolescência e
reafirmar os laços de sua amizade (vômito!), Sim, estou falando de “Crossroads:
amigas para sempre”, filme protagonizado por Britney Spears (pré-surto) que
tinha como uma de suas best friend , Zoe Saldaña, que antes de viver a badass
Gamora, chorava sentada na beira de uma fogueira porque: “minha mãe me odeia
porque sou mais bonita que ela!”... Confessa, tu também não a jogarias de um
precipício?
Acho
importante filmes baseados em fatos reais, pois quando bem escritos geram o
desejo das pessoas conhecerem mais sobre história e fatos que perturbaram a
sociedade. No entanto, quando uma situação na é deturpada na trama e tenta
transformar um crime em uma comédia e assassinos em trapalhões marombados, não
dá para perdoar. Pois é assim o filme “Sem dor, sem ganho” dirigido pelo
famigerado Michael Bay e que, através uma espécie de comédia de mau gosto,
conta a história do grupo chefiado por Daniel Lugo, um personal trainer, que
resolve pular algumas etapas de sacrifício do sonho americano de enriquecer e
sequestrar e matar para ter uma vida mais confortável; Nesse grupo dos amigos
de Lugo, temos Anthony Mackie, o Falcão, parceiro fiel de Steve Rogers e que
Thanos mandou para terra dos pés juntos sabendo que não se deve dar asas a
cobras.
O
Filme Pantera Negra foi a mais feliz surpresa deste ano, dando uma aula de
representatividade e carisma sem deixar a diversão de lado.Mas o que poucas
pessoas devem lembrar é que antes de Chadwick Boseman viver o protagonista do
segundo filme mais rentável da Marvel em 2018, ele viveu o Deus Thot em “Deuses
do Egito”, um filme que , apesar de um elenco fantástico, trazia efeitos
visuais vergonhosos, atuações vexatórias e um roteiro capaz fazer a própria
esfinge enfiar a cabeça nas areias do deserto, justificando a morte do nosso
querido príncipe T’challa.
Matar
(de novo) o Groot parece uma tremenda sacanagem, mas ao lembrar que o responsável
pela voz da carismática Árvore-humanoide é o Brucutu Vin Diesel e de suas
interpretações canalhas na franquia triplos X (sem dizer de todos outros
filmes), penso que ficou barato o que aconteceu com ele.
Em
2008, os filmes de Super-Herói teriam uma revolução com a estreia de Homem de
Ferro! Só que naquele mesmo ano, outro filme “baseado” em uma HQ estreou sem
causar grande alarde, era “O procurado” que ficou marcado na memória coletiva
da humanidade devido a suas balas atiradas em curva e assassinos contratados
através de uma maquina de tear (não lembra? É porque o filme é ruim!). No
elenco dessa maravilha, tínhamos o engraçadinho Chris Pratt, no papel do melhor
amigo traíra do protagonista que ficou na minha memória por esse filme por
levar com um teclado no meio da cara, o que Thanos achou pouco.
Em
2013 chegava aos cinemas a cinebiografia de Julian Assange e a história da Wikliakes,
e, o que era para ser uma empolgante história baseada nos eventos recentes de
exposição e documentos secretos, se apresentou em um filme morno e chato que
passou quase que despercebido e foi um fracasso de bilheteria, não podendo nem
mesmo contar com a magia de Benedict Cumberbatch para que o filme tivesse um
pouco mais de brilho, fato que, no meu coração, foi decisivo no destino do Dr.
Estranho no final de “Guerra infinita”.
Em
2012, o raper RZA realizou seu sonho de moleque de escrever e dirigir um filme
de Kung-fu... e o filme é uma bosta! Totalmente filmado em estúdio, com
personagens caricatos e idiotas e uma trama sem sentido, “O homem com punhos de
ferro” é uma comédia involuntária de fazer a barriga doer de rir. Nesse
pastelão, encontramos Dave Bautista (O Drax) começando suas aventuras no cinema
depois de sua saída do WWE e interpretando um vilão tão meia boca que o
desempenho o indicou como mais uma vítima de Thanos seis anos depois.
Feiticeira
Escarlate , Mantis e Nick Fury – MOTIVO: Old Boy (2013)
Em
2002 o cinema Sul-Coreano chamava a atenção do mundo por uma Obra prima que
abordava vingança, loucura e violência de uma maneira maravilhosamente
Original, se tratava do novo clássico “OldBoy”, do diretor Park Chan-wook. Onze
anos depois, o filme ganhou um remake desnecessário ambientado em terras
americanas, onde a trama foi reduzida, os conflitos simplificados e a história
que era densa transformaram em um filmeco de ação totalmente esquecível para
nós, Mas não para o Titan louco!! Até por que Josh Brolin (que interpreta
Thanos) é o protagonista desta droga e, talvez até por isso, tenha mandado para
a terra dos pés juntos três infelizes que também estavam no filme... Samuel L.
Jackson (Nick Fury) que fazia o papel do carcereiro do protagonista, Pom
Klementieff (Mantis) que faz a guarda costas do antagonista e Elizabeth Olsen
(Feiticeira escarlate) que faz a filha do protagonista. Mortes merecidas.
Soldado
Invernal & Homem–aranha: Como em toda Guerra existem
injustiças ... para não dizer que toda guerra é injusta... Talvez por isso o
Soldado Invernal e o Homem-Aranha tenham ido a óbito, pois nada justifica a
morte dos dois... não lembro de nenhum filme, série ou tweet que justifique a
morte de ambos, apenas o recado implícito de que coisas ruins podem acontecer
para pessoas legais... Ou talvez por um ser um adolescente chato e o outro um
ex-assassino de um grupo terrorista... Mas acho que foi injustiça de guerra
mesmo.
Bom,
os pecados que levaram os muitos dos vingadores a morte foram expostos,
desmentindo o discurso de aleatoriedades na escolha de quem vive ou quem morre
proferido pelo vilão Thanos, só não consegui entender porque o capitão América
não morreu, mesmo seu interprete sendo o mesmo do “Tocha-humana” dos dois
primeiros filmes do Quarteto Fantástico, ou mesmo aViúva Negra, depois que Scarlett Johansson
fez “Sob a pele” e “Lucy” , mas como dizem, gosto é gosto e não chamam Thanos
de “O Titan louco” à toa.
Chegou
aos cinemas Brazucas nesse dia 17 de Maio do ano da graça do nosso senhor Jesus
de 2018, “Deadpool 2”, a continuação do surpreendente sucessode 2016 estrelado por Ryan Reynolds na pele
do mercenário tagarela mais querido da Marvel e, antes que o meu poder mutante
de dizer que ESSE FILME É MELHOR DO QUE “GUERRA INFINITA” e repetir à exaustão
as piadas com o universo DC comece a falhar, garanti meu confortável lugar no
cinema para poder expressar minha desinteressante opinião sobre esse filme que
é um dos mais esperados pela galerinha que curte uma cultura pop.
Na
história, Wade Wilson /Deadpool (Reynolds) segue sua vida rotineira como
assassino profissional, tendo o taxista Dopinder (Karan Soni) como motorista e o
barman Fuinha, como conselheiro e agente; tudo segue “Tranquilamente” até que uma
emboscada arranca de seu coraçãozinho imortal seu motivo para viver. É quando,
Preocupado com a situação de nosso herói, Colossus, o mais camarada dos x-men,
resgata Wade de sua jornada de autodestruição e o junta à equipe do Professor
Xavier, só que em sua primeira missão, o mercenário se depara com um jovem que
se intitula “Firefist”, com quem, após ouvir sua história e acabar indo preso
junto, desenvolve uma relação de amizade baseada na total falta de noção. Nesse
exato momento, mas no futuro (por menos lógico que isso pareça), o misterioso e
letal Cable (Josh Brolin) se prepara para retornar para o passado, para se
vingar do responsável pela morte de sua família, o psicopata conhecido como ...
“Firefist” (ele mesmo, o moleque esquentadinho). Resta então a Deadpool formar
uma equipe de “elite” para resgatar o jovem amigo e convencer Cable de que o
futuro pode ser mudado, com muito tiro, porrada, bomba e uma dose cavalar de
humor negro.
O
filme é muito bom, mas o que tem de melhor é que ele dá continuidade ao estilo
que resultou no sucesso do primeiro e ainda cresce expandindo o universo
centrado no protagonista, abrindo as portas cinematográficas e dando destaque a
personagens intimamente ligados a ele nas HQ’s, como Cable e Dominó, assim como
acerta em corrigir a imagem de outros personagens que, tais como o próprio Deadpool em “X-men
Origens:Wolverine”, foram sacaneados em filmes anteriores.
Quanto
à introdução de Cable e Dominó no cinema, gostei mais da sortuda e carismática
mutante do que do carrancudo viajante do tempo. Dominó tem uma crescente no
filme bem bacana, onde surge na entrevista de candidatos para o time de resgate
de forma despretensiosa, dizendo que a sorte a levou até ali e que esse era seu
superpoder, levando a uma discussão infantil de uns três minutos com o
protagonista, sobre o fato de a sorte ser ou não ser um superpoder; o que vemos
ser comprovado, quando no ato do resgate, tudo que é preciso acontecer para que
ela consiga sucesso, acontece mesmo e em cenas muito bem construídas e
divertidas. Cable, por sua vez, embora não decepcione com a aparência idêntica
a das HQ’s e seu estilo durão, e, tenha um bom motivo para voltar no tempo,
deixa muitas questões em aberto, como, por exemplo: - Se qualquer um (pois ele
parece ser um “qualquer um”) tem acesso a um dispositivo de volta no tempo, por
que ninguém voltou antes e acertou o passado? Contra quem ele lutava no futuro?
Ele é um mutante igual nos quadrinhos? Se sim, quais seus poderes, já que ele
só aparece utilizando armas? Perguntas que não possuem respostas no filme e que
parecem deixar o personagem um pouco solto; questões que podem vir a ser uteis
quando se pensa que a origem do personagem pode ser melhor aprofundada no
spin-off “X-Force” já confirmado pela FOX, mas que faz falta nesse filme.
Já
sobre as correções com os personagens que foram injustiçadas antes, os grandes
representantes dessa volta por cima que o filme oportuniza são o Colossus, que
já havia ganhado um destaque no primeiro filme e que retorna ainda mais bacana
e carola e o vilão Jugernaut ou Fanático (como chamamos aqui em terra brazilis)
que surge como uma surpresa no meio da trama para incendiar a situação. Juntos,
esses pesos pesados se destacam no terceiro ato em uma cena de porradaria com
franca trocação, recuperando a honra de um Colossus que não tinha o menor
carisma e que quase nem falava em “X-men 2 e 3” e que só apanhou em “Dias de umfuturo esquecido” e de um Fanático vergonhoso de “X-men 3” que só corria e
quebrava parede, sendo derrotado pela Kitty Pryde e o sanguessuga.
Mas
não podemos parar de falar dos grandes destaques do filme sem citar a “X-Force”
formada no filme. Com mutantes de segundo escalão do naipe de “Zeitgeist” que
vomita ácido (interpretado por Bill Skargard); “Bedlam” que cria um campo
bio-elétrico capaz de influenciar máquinas e o cérebro humano (Interpretado por
Terry Crews); Peter, que é só um cara normal, além de ShatterStar e Vanisher, a
equipe se apresenta como o grupo mais fadado ao fracasso e azarado de todos os
tempos e sem o menor motivo para ir lutar, em uma ponta (por assim dizer) que
consegue ser a coisa mais frustrante e ao mesmo tempo a mais genial aula de
humor negro da história dos filmes de super-heróis, me arrancando gargalhadas
de nervosismo. (Não estragarei a surpresa, mas só digo uma coisa se tratando da
“X-Force”: Não acredite nos trailers).
Mas
apesar de tudo de bacana que o filme tem, ele possui seus defeitos. O maior, a
meu ver, como citei acima, são as motivações de alguns personagens, tais quais
os membros da primeira formação da “X-force”, que vão surgindo após uma anuncio
e partem para uma missão maluca de resgatar um desconhecido de um comboio que
leva os mutantes mais perigosos para ser congelados em animação suspensa sem a
garantia de uma recompensa ou mesmo de vida; coisa parecida que acontece com o
Fanático, que se apega ao jovem Firefist e resolve ajuda-lo a se vingar sem
nenhum retorno aparente, isso tudo sem contar que uma das cenas pós-créditos
destrói todo o crescimento que o personagem tem durante a história e até a
decisão de Cable em ficar no presente, mas que mesmo assim, é muito bacana. Mas
o que eu queria né? É um filme do Deadpool, constância e sentido não são os
primeiros itens que devem ser levados em conta e sim o sangue e a zoação e
nessas questões, o filme não erra em nada.
“Deadpool
2” é tudo que foi prometido na cena pós crédito do primeiro filme e em seus
próprios trailer (menos no que diz respeito a X-force), sendo melhor que “Guerra
infinita” , “Jogador n°1” e ficando abaixo de “Pantera Negra” apenas por não
transmitir uma mensagem tão poderosa quanto a do filme do rei de Wakanda e
trilhar o caminho da zoeira. Um filmaço que consegue misturar com pontualidade
humor e ação, se tornando o segundo melhor filme dentro do universo mutante
(depois de Logan) e certamente o mais maluco e divertido filme baseado em
quadrinhos de 2018.
Em mil novecentos e noventa e nove, o
marcante Agente Smith proferia em “Matrix” uma frase que ecoaria anos a fio na
cultura pop, que “O ser humano é um vírus” que pula de região em região
devastando e consumindo todos os recursos até que não sobre nada, sendo a única
solução para que o sistema se equilibre a total extinção do vírus. Anos depois,
em 2008, quis o destino irônico que Keanu Reeves (O antagonista de Smith em
“Matrix”) interpretasse Klaatu em “O dia em que a terra parou” ,um Alienígena,
que se dizendo amigo da Terra, vem dar um fim à raça humana antes que ela acabe
com todas as outras formas de vida do planeta. Então, Eis que quase vinte anos
depois do Agente Smith e dez de Klaatu, outro vilão surge para ampliar as ideias
de seus predecessores em níveis galácticos ao afirmar que “há vida demais no
universo” e isso deve ser contido. Trata-se do ecoterrorista mais casca grossa
que já nasceu ou, Thanos, o Titan Louco, para os íntimos, que chegou aos
cinemas nesse último dia vinte e seis de Abril para bater de frente com os “Heróis
mais poderosos da terra” em um dos filmes mais esperados da década, trata-se de:
“Thanos, O filme”, digo: “Gente de mais para duas horas e meia”, ou
melhor, “Vingadores: Guerra Infinita”, filme dos irmãos Russo que (quase) fecha
a “Trilogia” Vingadores.
O Filme trás finalmente para as telonas, os
plano de Thanos de reunir as joias do infinito e colocar em prática sua ideia
de dar equilíbrio ao universo... aniquilando metade da vida existente nele! (É
isso), junto disso, dá sequência aos acontecimentos que envolveram os
vingadores (ou aos personagens que faziam parte desse grupo) após a “Era deUltron” e “guerra civil”, unindo em um único filme (quase) todos os
super-heróis do universo cinematográfico Marvel.
Pois então, saí de casa com a expectativa lá
em cima, havia assistido à “Pantera Negra” um mês atrás, fato que renovou
minha fé nos filmes baseados em quadrinhos, estava levando meu filho de quatro
anos pela primeira vez ao cinema e veria Thanos em ação de verdade depois de
quase seis anos. Mas ao final das quase três horas , salvo muitas cenas divertidas
de ação e do apelo visual que o filme tem, saí com a irônica sensação de que,
justamente na história onde o maior vilão da Marvel tem por objetivo encontrar
o equilíbrio para o universo, a história que me foi apresentada não estava
perfeitamente calibrada.
Quem sou eu para contestar os planos do
Thanos do filme! Eu trabalho com contabilidade, estoques e compras, e, já
fiquei parado na fila “expressa” do Supermercado esperando a caixa trocar o
rolo de papel da máquina registradora mais de uma vez, ou seja, também acredito
que se metade das pessoas não existisse, o universo entraria em equilíbrio, mas
eu não sou ninguém... Thanos, ao contrário de mim, é um alienígena com centena
de anos e uma das criaturas mais poderosas do Universo Marvel, que têm (ou
deveria ter) objetivos e questões que vão além da compreensão e sentimentos
humanos, então apresentar o cara como um ecoterrorista que se acredita
iluminado pela certeza de que o universo, com a quantidade de vida que possui,
irá ruir e para gerar o equilíbrio necessário precisa mandar 50% das formas de
vida para a terra dos pés juntos, mas mesmo assim tem espaço em seu
coraçãozinho para o amor, me parece uma ideia não tão bem executada de tornar o
vilão compreensível e carismático. Thanos, para funcionar, deveria parecer
caótico para nós e plenamente crível e competente para si e quem o conhece
melhor, uma mistura de inteligência indiferente, força destruidora mas controlada
e imponência, mas embora eu perceba isso, também não sei como faria isso em um
filme PG13, mas como já falei, eu sou um ninguém, não um estúdio bilionário.
O protagonista
Essa ideia de dar destaque ao vilão, para,
entre outras coisas, marca-lo na história do estúdio, assim como a concorrente
fez com o Coringa de “Batman: Cavaleiro das trevas” tirou o foco dos quase
trinta heróis que aparecem em cena, reduzindo quem dá nome ao filme a meros
coadjuvantes de luxo, com quase nenhum aprofundamento e isso me incomodou
bastante. Mas mesmo com essa predileção do roteiro pelo vilão, o filme está
longe de tropeçar e encontra espaço para que alguns dos personagens mais
queridos da gurizada brilhem quando se torna preciso, como o caso do
Homem-Aranha, que trás , assim como em “guerra civil”, aquele espirito moleque
para trama, o que além de empolgar com sua presença em cena, faz com que nos
preocupemos com qualquer coisa que possa vir a acontecer com o jovem Peter
Parker; Outro que se destaca também é Dr. Estranho, principalmente na épica
batalha em Titan, com o feiticeiro supremo, mostrando que desde seu filme solo
andou elevando seu nível para fazer jus a seu título e deixando em aberto um
possível plano para o próximo filme.
"Uma mistura de anjo com pirata"
Quanto a experiência que o longa me trouxe,
longe de mim dizer que o filme é ruim, pelo contrário, o fato é que só não
achei ele tão bom como outros que o estúdio já apresentou, como “Pantera Negra”
e “Capitão América: Soldado Invernal” , talvez porque nessa nova história a
Marvel pareça regredir novamente ao filme cheio de piadas e ação não expondo aquele
sentimento heroico que estes outros dois filmes expuseram tão bem, ou talvez
por se tratar de um filme para apresentar uma situação que será resolvida só
depois (no exato 03.05.2019) em Vingadores 4. No entanto, sua ação constante,
com cenas de batalhas épicas que se realizam no campo e na cidade, na Europa,
África e América, na Terra ou Titan, prendem a atenção de qualquer um que vai
ao cinema ver a pancada correr solta entre super-heróis x Alienígenas, sem
dizer que os efeitos especiais conseguiram hipnotizar meu filho e deixa-lo com
um sorrisinho no rosto, embora ele tenha cochilado um pouco quando o vilão
começou a falar e a falar.
Mas apesar de algumas escolhas de roteiro
que não me agradaram por completo, como a tentativa de mudar o status do vilão
para o de anti-herói, o pouco tempo para respirar e dar profundidade aos
personagens em meio a tanta ação e a Scarlett Johansson loira e não ruiva, o
filme entrega o que promete, principalmente quando o entendemos como uma ponte,
feita para nos levar até, ao que parece ser, um final marcante dessa geração de
dez anos de Universo compartilhado Marvel.No entanto, vale a lembrança dos filmes que citei no inicio do texto e
que tinham em comum além da ideia de que se livrar de uma quantidade de gente
pode ser um benefício ao mundo ou universo, o apelo ao carisma do vilão como
sustentação da história, o que acabou não funcionando em “O dia que a terra
parou”, que é uma refilmagem de um filme clássico de 1951 e que não acançou o
sucesso pretendido e as sequências de “Matrix”, que se perderam em si mesmas ao
dar o peso maior que o necessário ao antagonista. Obviamente Thanos e todo universo MARVEL estão anos luz em popularidade e qualidade que o pretensioso filme de Klaatu e comparando com "Matrix", todo o planejamento da franquia de 10 anos do estúdio Marvel deixa a história das Irmãs Wachowski no chinelo e certamente esse filme arrecadará uns dois bilhões de dólares, mas mesmo com toda empolgação e publicidade, sempre há o perigo de um tropeço justo na hora da cereja do bolo. Mas Fica agora a torcida para que
a sequência de “Guerra Infinita” corrija as pequeníssimas falhas da história de 2018
e dê o protagonismo a quem da nome ao filme, antes que o grande final de uma
história de dez anos, acabe virando pó.
O barulho do trânsito, gargalhadas na mesa
do lado, o telefone tocando, as pessoas falando alto, um copo se estilhaçando
no chão, o filho chamando a todo o momento, o cachorro latindo, a música alta
do vizinho. A vida é um turbilhão de sons tão altos e constantes que depois de
certa idade, o silêncio começa a se apresentar como uma das mais belas melodias
que se pode apreciar. Mas, e se a busca por essa ausência de som deixasse de
ser uma fuga opcional e se tornasse a regra básica para sobrevivência?
Pois o
silêncio é o tenso fio condutor da trama de “LUGAR SILENCIOSO”, filme estrelado
por Emilly Blunt, Millicent Simmonds, Noah Jupe e John Krasinski (que também
roteiriza e dirige o longa) que estreou no último dia cinco de Abril aqui no
Brasil e que vem deixando os espectadores sem palavras.
Krasinski e Jupe (não fala!)
O filme, que se passa em 2020, mostra um
mundo devastado por misteriosas criaturas cegas e extremamente brutais, que
atacam qualquer coisa que emita um ruído mais alto que um sussurro. Nesse
mundo, encontramos uma família que, fugindo da cidade, parte para o campo para
tentar sobreviver da melhor forma possível sem emitir um único barulho; mas os
traumas de uma tragédia e a expectativa da chegada de mais um filho podem por
em risco essa frágil segurança e atrair para perto seus maiores medos.
O longa é uma grata surpresa em meio a
mesmice de filmes de super-heróis e blockbusters descerebrados, apresentando
uma trama original, concisa e extremamente tensa, que faz o expectador passar
todo filme preso na cadeira com medo até de fazer barulho ao engolir a saliva. Comer
aquela tradicional pipoca então, nem pensar!
A história é simples, mas bastante profunda
e lembra um conto curto no melhor estilo Stephen King ou H.P Lovecraft! Na verdade,
guardados os estilos e peculiaridades desses autores, a história de “Um lugar
silencioso” me parece uma acertada mistura de temas que esses dois autores
sempre exploraram em suas obras; com toda ambientação e apresentação do
cotidiano e os conflitos da família lembrando o que King mostra em algumas de
suas obras, como em “O nevoeiro” ou “O cemitério”, e, o recorrente contato com
o estranho e desconhecido, sempre presente nos contos de Lovecraft, que
paralisa e enlouquece qualquer um.
A trama lembra em parte, o filme “Sinais” do
diretor Shyamalan, pela locação situada em uma remota fazenda ou pela situação de
abandono em que os protagonistas se encontram e que não tem a origem revelada;
porém seu clima de tensão remete mais ao novo estilo de suspense, que me parece
ter em “Corra!”, de Jordan Peele, o maior expoente, devida à uma atmosfera opressora que não dá pausa, apenas oscila.
Essa semelhança com o sucesso de 2017 do
diretor Jordan Peele, ainda parece mais justificada quando traçamos um paralelo
entre os diretores, ambos conhecidos por suas carreiras em papéis em comédias
(Peele por “ Key & Peele” e Krasinski por “The Office”) e surpreendentes na
entrega de roteiros originais e marcantes, além de uma direção extremamente
competente.
Blunt & Simmonds (quietinha)
Ainda
falando de competência e surpresa, talvez essas sejam as palavras que definam o
elenco, que brilha de acordo com a intensidade que a história permite.
Começando pela a atuação do próprio John Krasinski, por ainda tê-lo na memória
como o debochado Jim Halpert de “The Office” e o vê-lo convincente como um
sério e preocupado pai que, em um mundo sem esperança, se propõe a fazer
qualquer coisa para manter sua família segura. Outra maravilhosa surpresa é a
atriz adolescente Millicent Simmonds, que é realmente surda, e que contando com
suas expressões e muito talento consegue transmitir todo medo e revolta por
viver em um mundo sem futuro e nele carregar uma culpa capaz de dilacerar
qualquer pessoa. Até mesmo jovem Noah
Jupe, que tem o papel menos profundo na trama, consegue passar verdade com o
pavor que mostra nos olhos ao se deparar com os monstros que cercam a fazenda e
fazer com que nos preocupemos com ele. Já Emilly Blunt, por sua vez, só me
surpreendeu, quando descobri que a química que ela apresentava na tela com
Krasinski se devia ao fato deles serem casados na vida real, de resto ela
repete a competência que a destacaram em filmes bacanas como “Sicário” e “No limite do Amanhã”.
Gostaria de falar muito mais do filme, mas sou
consciente que FALAR demais sobre essa obra, pode estragar a experiência. Só
posso dizer que “Um lugar silencioso” se tornou para mim um novo clássico de
maneira quase instantânea. Apresentando uma história que não debocha da
inteligência do espectador, mas que nem por isso é rasa ou pouco relevante.
Aposta na tensão constante, mas reserva momentos de pura emoção e sentimento,
agradando tanto pela química que mostra entre seus personagens, quanto pela
inovação com que a história é contada. Um conto de terror com traços dos
grandes mestres, mas que fala por si mesmo até quando ninguém em cena profere
um único som e que, de maneira sútil, nos faz sermos gratos pelos sons de vida
em nosso redor.
Tenho imensa dificuldade de escrever sobre
o que, a mim, se encontra muito acima da média. Por esse motivo, dentro dos
estilos que me atraem mais, nunca escrevi sobre o livro “1984” e os filmes
“Batman: Cavaleiro das trevas” e “Capitão América: Soldado invernal”. No
entanto, existe casos tão extraordinários que mesmo sabendo da minha
inabilidade em abordar os porquês de sua real relevância, é impossível não
registrar minha rasa opinião.
Uma dessas exceções é o filme de maior
sucesso do ano, que, além de levantar a autoestima de um público que se via
apenas como coadjuvante, vem colecionando recorde atrás de recorde e mostrando
que o tido como “exótico” ou fora do padrão, quando trabalhado com talento e
honestidade podem ser a receita do sucesso. Trata-se de “PANTERA NEGRA”, o
décimo sétimo filme da Marvel, Dirigido por Ryan Coogler e estrelado por
Chadwick Boseman, Lupita Nyong’o, Michael B. Jordan e grande elenco, que chegou
de forma sorrateira e mostrou suas garras ao mundo.
O filme dá sequência a história do príncipe
T’challa (Boseman), o Pantera negra, apresentado em “Capitão América: Guerra
Civil”, com o herói retornando à seu reino, a misteriosa e desenvolvida, embora
dissimulada como país de terceiro mundo, Wakanda; para enterrar seu pai, morto
durante a trama do terceiro filme do líder dos vingadores,dar inicio aos rituais de sua coroação etratar de assuntos de interesse do estado como a captura do inimigo número um do país, Ulysses
Klaue (Andy Serkis). É durante essas suas obrigações que T’challa se vê diante de um antagonista à sua altura e
uma verdade capaz de o fazer questionar os valores que fazem um rei.
O Filme consegue dar sequência aos já
habituais sucessos da Marvel, ao mesmo tempo em que inova ao apostar em uma
trama mais séria mirando em assuntos como a questão da crise dos refugiados,
racismo e representatividade, mas sem com isso perder nada em diversão e ainda,
de quebra, apresentando uma mitologia jamais antes mostrada com o valor
merecido, e que disse a quem quis ouvir, com o sucesso do filme, que deve
continuar sendo explorada.
Essa mitologia, que dá protagonismo as cores e ritmos da África, é em
grande parte o segredo do sucesso do filme. A cultura africana, que sempre foi,
de forma preconceituoso, tida como algo de segunda linha e de menor valor para
uma sociedade que sempre foi norteada por padrões europeus e que vem sendo
descoberta como rica e digna de orgulho pelas novas gerações, se une a ficção
científica e uma trama de espionagem para colocar na tela um filme onde o negro
é protagonista de sua própria história e capaz de a resolver sem o intermédio
de nenhum salvador externo seus problemas e os de quem os cerca.
Mas para uma trama que fuja tanto do padrão
habitual fazer o sucesso que o filme vem fazendo, ainda mais dentro do universo
dos super-heróis onde a representatividade ainda é mínima, é necessário um
elenco capaz de fazer com quem assista ao filme acreditar no que está vendo. E
isso é uma das maiores certezas do filme e o segundo motivo que levaram “Pantera
negra” a se tornar uma das dez maiores bilheterias de todos os tempos. Com
atores do nível de Chadwick Boseman , Lupita Nyong’o,Michael B. Jordan, Danai Gurira, Daniel
Kaluuya,Forest Whitaker entre outros,
representando personagens imponentes e orgulhosos, sem dizer que
tridimensionais e sem a mínima carga de submissão a uma sociedade que os
subestima, fica ainda muito mais fácil ao filme divertir, ao mesmo tempo que
passa uma mensagem sutil de amorpróprio
e orgulho das raízes, sem precisar diminuir caricaturar ninguém que é diferente.
Sabendo do segredo do sucesso do filme, que, como
já disse, a meu ver, são resultado da química entre a mitologia apresentada e o
elenco de talento, não posso deixar de falar também de outras três peças chaves
em “Pantera Negra”, que são o protagonista que se impõem sem precisar sabotar
os demais personagens, O vilão que consegue passar uma mensagem a ponto de ser
compreendido e a força das personagens femininas que sustentam a trama.
Sempre fico feliz quando a trama não mima o
protagonista, precisando diminuir os que o rodeiam para eleva-lo e, em “Pantera
Negra”, isso acontece abertamente. A história protagonizada por T’challa se
mantém forte, mesmo quando ele não se encontra em destaque, mas quando o mesmo
está em cena, consegue impor sua força a ponto de se tornar marcante, tanto
através dos conceitos e valores que formam o personagem, quanto pela imagem do
herói e daatuação bem a vontade que
Chadwick Boseman consegue transmitir.
Quanto ao vilão Erick Killmonger ,
interpretado por Michael B. Jordan (que mesmo com tudo que faz, o vejo mais
como antagonista), O fato de começar em um papel secundário dentro dos próprios
opositores do protagonista na tramae ir
crescendo a ponto de se tornar um oponente à altura do herói e com motivos
críveis, como a vingança pelo pai e a revolta por ver seus iguais abandonados
por Wakanda, quase fazem que esqueçamos seu extremismo e violência, só
relembrando nas cenas finais do filme, mas que são abafados, ao término da história,
por uma das frases que o filme deixou marcada, colocando Killmonger como um dos
antagonistas memoráveis do cinema atual.
"Jogue-me no oceano com meus antepassados que pularam dos navios, porque sabiam que a morte era melhor do que a escravidão." Killmonger
Em terceiro, mas não menos importante, temos
a força feminina presente na trama. E que força! Não é preciso muita atenção
para ver que as mulheres dão o movimento ao filme. Seja com a inteligência de
Shuri, a irmã caçula do agora Rei T’challa, que cria diversos dispositivos de
espionagem ao herói, além de ser o personagem responsável pelo bom humor e uma
pitada de inocência na trama, colocando alguns sorrisos e nósna garganta de quem assiste ao filme. Do
mesmo modo temos Nakia (Lupita Nyong’o) que embora interesse romântico do
herói, não se limita ao papel de donzela apaixonada e além de colocar a mão na
massa, trabalhando como espiã e guerreira, ainda trás para o herói,
questionamentos quanto ao posicionamento do país frente aos problemas do mundo
e tomando para si a responsabilidade de defender o reino, quando Killmonger
surge e T’challa some. Também não podemos deixar de falar das Dora Milage, A
guarda pessoal do rei de Wakanda, composta só por mulheres, que tem na general Okoye
(Danai Gurira) seu principal nome; é ela que tem grandes cenas de ação, como no
Cassino clandestino e na perseguição de carros pelas ruas de Seul, mas que
também empresta força dramática ao demonstrar, após metade do filme, o peso da
dedicação total ao estado que o cargo exige e que simboliza o sacrifício de
algumas escolhas exigem, situação quefala ainda mais alto observando sua condição feminina e os desafios e
obstáculos que nosso mundo impõem às mulheres fortes.
Nakia & Shuri
“Pantera Negra” é um sucesso de público e
critica. Surpreendeu o mundo ultrapassando a marca de um bilhão de dólares
arrecadados ao redor do globo e reafirmou o orgulho de um publico acostumado a
se ver no cinema como elenco de apoio ou vilão, quase sempre marginalizado ou
precisando de ajuda. Tornou-se uma marca no cinema e símbolo de orgulho ao
mostrar para sociedade que filmes de pessoas negras, onde a eterna luta para se
destacar contra o preconceito não é o assunto principal, mas sim uma trama onde
o negro, visto como pessoa, seja dono de sua história com altivez e orgulho, dá
destaque ao estúdio e muito lucro, sem contar que gera a empatia em quem, antes
não acostumado a assistir um grande filme ambientado na África (mesmo um África
imaginária) agora enxerga com mais facilidade o negro em todas as facetas, seja
de vilão, herói, piadista, cientista, rei ou soldado mas principalmente longe
do estereótipo.
Por essas e outras acredito que “Pantera
Negra” já é o destaque do ano, mesmo que tenha estreado em Março e se causou
certo desconforto em algumas mentes mais reacionárias que não conseguem admitir
o empoderamento do negro devido a uma África fictícia, mas que vibram com sete
reinos mágicos e Asgards encantadas, a mim só trouxe felicidade por tudo que
expus no texto acima, me ajudando a desbloquear minha capacidade de escrever
sobre algo que, a mim, está acima da média dentre seus iguais e afirmando a
certeza de querer assisti a mais histórias de Wakanda e seu protetor nos
cinemas em breve.